Ao Ministro Relvas, cada cavadela sua minhoca. O negócio da muito anunciada privatização da TAP estava já longe de ser transparente ou proveitoso, quando o único candidato é um duvidoso empresário colombiano-polaco-brasileiro. Os dossiers respeitantes à comunicação social são ainda mais nebulosos e preocupantes: o Sol pertence há muito a angolanos, os jornais de Joaquim Oliveira, entre os quais o DN, o JN e o açoriano Oriental, para lá caminham. E agora, a quase prevista privatização de parte da RTP (e haverá mercado para isso?) parece estar reservada a uma empresa angolana constituída há pouco tempo para o efeito, pertencente aos detentores do Sol. Sim, a RTP, a televisão pública portuguesa, pode estar a caminho de ficar maioritariamente em mãos angolanas. Isto quando nem do governo nem da justiça houve a menor reacção aos artigos absolutamente trauliteiros e insultuosos de um tal Jornal de Angola, reagindo à notícia de que a PGR tinha aberto uma investigação a altas figuras angolanas por branqueamento de capitais. Para além do nível, demonstraram uma ignorância a toda a prova: o Expresso é "o jornal oficial do PSD", antes da chegada de Diogo Cão os indígenas "apenas se moviam para honrar a sua dimensão humana" e aparentemente, desconhecem o que é a divisão de poderes (pudera). O que tem o Ministro Relvas a ver com o caso? Simples, é ele o responsável pelas privatizações de todas estas emblemáticas empresas públicas. Só que agora, a juntar ao seu "extenso currículo", que lhe serviu para obter a licenciatura mais desleixada de sempre, e ao rol de amigos pouco recomendáveis, tem mais um para a colecção: José Dirceu, o ex-número dois do PT, o homem do "Mensalão", a primeira grande condenação penal de um político no Brasil. E é este homem uma peça-chave do governo. A quem estamos entregues, afinal?
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terça-feira, dezembro 18, 2012
domingo, março 08, 2009
Os lutadores não morrem descalços
A morte de Nino Vieira recordou-me a de Jonas Savimbi, há sete anos. Embora o líder da
UNITA nunca tenha chegado à chefia de estado, nem sequer ao exílio no estrangeiro, como quando Nino se refugiou em Gaia a convite do amigo Valentim Loureiro, passou igualmente pelo combate contra Portugal, pela auto-determinação, e depois pela guerra civil contra o poder do MPLA e seus aliados, nomeadamente Cuba.
Outras semelhanças seriam o espírito vingativo e a desconfiança permanente. Não sei o que teria sido Savimbi se tivesse chegado ao poder, mas calculo que se teria tornado num autocrata que afastaria os mais próximos à mínima suspeita. Como estadista e político, tanto Nino Vieira como Malheiro Savimbi falharam. O seu lugar era na luta constante, no comando de homens no mato, no carisma da guerrilha. Nunca poderiam acabar os seus dias num sofá ou numa cadeira de rodas, entre as recordações do passado e as fotografias entre os "camaradas de armas". Homens assim, guerreiros incansáveis por vezes perdidos na sua paranóia e sem o génio ou a manha dos estadistas, morrem sempre passados pelas armas, normalmente disparando os últimos tiros contra os inimigos.
quarta-feira, setembro 10, 2008
O PRI em Angola
Olhando para os esmagadores números da vitória do MPLA em Angola, não se pode deixar de pensar que terá havido mesmo fraude eleitoral. Mais de 80% é demais. Mesmo que não tenha havido o clássico golpe dos votos previamente enfiados na urna, ou outros semelhantes, as secções de voto que não abriram ou que não tinham pessoal habilitado levaram a uma elevada abstenção, que prejudicou a sobretudo a UNITA.
O MPLA não precisava deste mau funcionamento do processo eleitoral (que a delegação da UE chegou a considerar "um desastre", muito embora outros o tentassem disfarçar) para ganhar, mas a obsessão em conseguir os dois terços dos votos para alterar a constituição era tal que não olhou a quaisquer meios. A máquina estatal e a comunicação social cobriram massivamente as suas acções de campanha, imensos recursos foram utilizados em brindes, e num dos mais corruptos países do mundo, imagina-se os montantes de dinheiros públicos que não terão sido movimentados para financiarem a "campanha à americana" que se verificou, com comícios gigantes e meios publicitários pouco comuns em África.
A UNITA estava assim em desvantagem, mas só na imaginação de alguns é que ganharia estas eleições. Sem os recursos do partido do poder, com algumas deserções para as fileiras do MPLA que lhe retiraram muitas figuras carismáticas e com a impopularidade colhida na segunda guerra civil, jamais chegaria perto sequer. Quanto aos outros partidos, ficaram apenas com as migalhas, e o histórico FNLA, que desencadeou a Guerra Colonial em Angola, quase desapareceu, excepto alguns magros apoios na fronteira norte.
Se a paz regressou aquele país, e há algumas manifestações democráticas, a cleptocracia reinante vai certamente perdurar. E o MPLA, com a base de apoio alargada, tornar-se-à provavelmente o PRI angolano.
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