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terça-feira, maio 21, 2019

A reconquista



E a 18 de Maio o Benfica reconquistou o campeonato nacional de futebol, o seu 37º título. Um triunfo que parecia utópico em Janeiro, quando Rui Vitória, com o crédito esgotado, deu lugar a Bruno Lage. Na altura, quando o Benfica estava em quarto lugar, e tinha uma segundo volta só se lhe pedia um resto de época com dignidade. Ninguém achava que jogadores como Samaris pudessem ainda dar alguma coisa, como podem observar neste post que escrevi na altura. Lage não parece ter ouvido bem os desejos dos benfiquistas e desatou a ganhar, a golear a massacrar adversários com uma ferocidade tal que quando deu por ela viu-se no primeiro lugar. Como quem não quer a coisa, goleou em Alvalade, venceu com reviravolta nas Antas (e acabou estes dois jogos com dez), e pelo meio marcou dez secos ao Nacional, um número que não se via desde os anos sessenta, quando o mesmo Benfica deu outra chapa-10 ao Seixal (curiosamente é do Seixal que vêm as jovens pérolas do Benfica, no que se revelou uma desforra feliz).
Depois vieram jogos menos conseguidos, uma eliminação escusada na Taça frente ao Sporting e uma campanha europeia morna, que com mais um pouco de vontade daria para as meias finais da Liga Europa. O objectivo passou a ser apenas o campeonato, que, repito, era uma miragem em Janeiro, ou nem isso. Ainda houve sustos, houve novas goleadas, e houve até sustos que acabaram em goleada. Até ao tal 18 de Maio, em que depois de um 4-1 ao Santa Clara, que quase permitiu atingir o recorde de golos num campeonato, o Benfica sagrou-se de novo campeão, pela 37ª vez. Seguiu-se a comemoração no estádio e a romagem ao Marquês, a que este vosso servo já não assistiu.

A imagem pode conter: multidão e estádio

O campeonato ganhou um especial sabor depois das dificuldades todas na primeira volta, das expectativas goradas e da fúria espantada dos adversários. É dos campeonatos mais justos dos últimos anos, como se viu pelos resultados directos frente aos adversários directos, pela quantidade de golos e pelo aproveitamento de jovens valores de base. No entanto, não deixaram de tentar passar a ideia que o Benfica estava a ser ajudado pela arbitragem, logo numa época em que teve um número exagerado de expulsões. Confirma-se: o SLB poderá ganhar todos os jogos avassaladoramente que despertará sempre sentimentos de inveja e de ódio, críticas infundadas e mentiras descaradas. Assim são os grandes clubes.

A hegemonia actual do Benfica não era mesmo uma mirage, é real. Venha o 38. Estamos quase nos quarenta!

domingo, janeiro 13, 2019

O momento do Benfica


Bem sei que tenho andado ausente neste início de 2019, mas tinha mesmo de voltar a escrever aqui sobre um assunto grave, e a que já devo uns dias: o actual momento do Benfica. Na verdade estou para falar disso há semanas, mas como os primeiros dias trouxeram a demissão de Rui Vitória, achei por bem esperar mais um pouco.

É verdade que já defendi vigorosamente Rui Vitória. Sempre o achei simpático, até porque raramente caía na arrogância e no desrespeito alheio em que o seu meio é fértil, agarrou a equipa num momento complicado, o pós-Jorge Jesus, com a saída de vários jogadores e o reforço de Sporting e Porto, levando o Benfica a uma excelente época, seguida de outra em que conquistou a "dobradinha", e lançou inúmeros novos valores "fabricados" no Seixal, a grande mácula de Jesus.

Mas a qualidade de jogo, progressivamente, decaiu, até à tortura que era ver o Benfica desta época, já sem a desculpa da falta de investimentos; no ano passado essa desculpa ainda passava, mas não apaga a hedionda temporada europeia, com zero pontos e 100% de derrotas no total dos jogos, ainda para mais com adversários como CSKA de Moscovo e Basileia, não exactamente tubarões.

Depois dos desaires no campeonato e na certeza de que o Benfica não iria aos quartos da Liga dos Campeões, após mais alguns jogos pífios, e com o descontentamento dos adeptos em crescendo, Vieira ainda despediu Vitória, mas depois "deu-lhe uma luz" e conservou-o. Os jogos seguintes, entre goleadas animadoras (Feirense, Braga) e triunfos pela rama, mantiveram-no no cargo, mas a derrota com o Portimonense deu cabo do periclitante situação do treinador. Já não havia volta a dar.

Percebeu-se também que a questão financeira (isto é, a indemnização a pagar) estaria acautelada pelo interesse de um clube árabe, que o Vitória não recusou. Resolvida a saída, houve que tratar da continuidade. Bruno Lage, o treinador da equipa B, a fazer uma boa época, era já cogitado pelos adeptos. Aliás, já quando Rui Vitória estivera "despedido" por horas, tinha-se falado nele, com uma equipa técnica onde também constavam Luisão e Júlio César, que tinham dada por finda a carreira como jogadores. Ao que parece, Vieira não estava lá muito convencido, porque andou (embora agora o negue, com alguma cara de pau) à procura de outros treinadores, como José Mourinho, Leonardo Jardim ou Jorge Jesus. Deste trio só Jardim valeria a pena. Mourinho está insuportável, precisa de parar e de reactualizar para voltar a ser o grande técnico que era, e quanto a Jesus, depois da sua saída, seria um golpe baixo ele voltar em triunfo ao clube. Acresce que também ele já teve melhores dias. Como nenhum deles, ou outro, que se saiba, quis ou pôde vir, ficou Lage. Provavelmente seria a melhor escolha possível dadas as circunstâncias.

Quanto ao plantel, pode-se dizer que no início da temporada era o mais completo do campeonato e que dava todas as garantias, até pela sua extensão. Agora, sabemos, é grande demais, tem alguns jogadores sobrevalorizados, e mais do que reforços, precisa de um emagrecimento. Samaris, que de há uns tempos para cá se limita a distribuir faltas, está em fim de contrato, e qualquer venda em janeiro, fosse por que valor fosse, seria sempre uma compensação e pouparia no seu salário. A situação de Salvio está acautelada, mas por causa das graves lesões ao longo da carreira, o argentino não é o mesmo jogador de há uns anos, e provavelmente a renovação era para ganhar alguma compensação no futuro e não para ver um jogador que custou bastante e é "da casa"sair a custo zero. Já Facundo Ferreira, que veio a peso de ouro, pouco ou nada tem mostrado, e deveria no mínimo ser emprestado; Castillo mostrou ainda menos, mas tem menos minutos jogados. Preferia ficar com este e emprestar o argentino e o seu compatriota Lema, que não se sabe porquê não é convocado e quer mesmo sair. Seferovic, o suíço esforçado mas tosco, tem-se mostrado uma agradável surpresa, e obviamente tem de ficar. Pena que o jovem sérvio Jovic vá definitivamente permanecer em Frankfurt...Corchia, lateral direito que veio emprestado para disputar o lugar (e bem preciso era) com André Almeida, parece padecer de algum problema físico, mas agora é tarde para sair. E Varela, que passou de titular a espectador de bancada, também merecia alguns minutos fora. Deste modo, emagrecia-se a equipa e lançava-se aos poucos novos valores como Ferro, Kalaika, Florentino. Tem a palavra o novo técnico, assim lhe dêem poderes para tal, e que consiga ao menos uma taça, já que o campeonato parece difícil. 

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domingo, abril 29, 2018

Fim de época


Pronto: não bastava termos perdido com o Porto em casa mesmo no fim, praticamente hipotecando as hipóteses de revalidar o título, e de fazer exibições sofríveis contra Setúbal e Estoril, e ainda damos um tiro de canhão no pé perdendo em plena Luz contra o Tondela (!), dando de bandeja o título ao Porto e colocando em sério risco a ida à Liga dos Campeões na próxima época. O próximo jogo é em Alvalade contra o Sporting, que se ganhar ao Benfica assegura o segundo lugar. É um risco perfeitamente possível dadas as ausências de jogadores fulcrais como Jonas e as péssimas exibições recentes, e seria o corolário lógico para uma época medíocre preparada com amadorismo, incompetência e total negligência. Sim, os resultados financeiros são bons, mas a parte desportiva ficou totalmente descurada. 

Entretanto, novas "acusações" contra o Benfica, anunciadas pelo Expresso: ao que parece, a PJ andará a estudar TODOS os jogos do Benfica dos últimos cinco anos. Sim, todos. Não fazem a coisa por menos: todos os jogos, e apenas do Benfica, e das épocas em que ganhou o campeonato mais esta. Isso dias depois do próprio Benfica acusar importantes elementos da mesma polícia de estarem envolvidos numa conspiração contra o clube, enviando informações confidenciais aos responsáveis da propaganda de Porto e Sporting. Estranha coincidência, ainda por cima sabendo-se que foram elementos da PJ que fizeram implodir o caso Apito Dourado, com as suas "toupeiras" (porque é que não usaram este termo na altura?) no lugar certo. Mas esta investigação a TODOS os jogos, e apenas o Benfica, denota, mais que desespero, uma preocupante obsessão contra um clube. Jogos houve nestes últimos anos - como o vergonhoso FCP-SCP de há exactamente dois anos, ou os lances de Tonel nessa época - que mereceriam real investigação, mas não, é só de um clube, e curiosamente quase só nos anos em que ganhou campeonatos. Para mais, vem arguir que denúncias anónimas contra jogadores adversários do Porto partiram de dirigentes benfiquistas, mas em relação ao mesmo tipo de denúncias em sentido inverso não diz absolutamente nada. Nem à pirataria informática em curso. Não gosto muito de acusar instituições inteiras, mas fica a ideia de que a PJ tem um objectivo definido que pouco tem a ver com crimes reais mas sim com a obediência a outras entidades. E isso sim, é profundamente preocupante. Se calhar as acusações feitas pelo Benfica tinham mesmo razão de ser.

De resto, espero que planeiem devidamente a próxima época e que haja uma réstia de profissionalismo.

terça-feira, fevereiro 20, 2018

Uma semana de algum gozo


Dá ideia que a semana que passou serviu para gozar com os adversários do Benfica: de um lado o Porto a sofrer cinco golos sem resposta nas Antas, na sua maior derrota caseira europeia de sempre, da parte do Liverpool, depois de alguns prognósticos optimistas e até desdenhosos ("os ingleses vão sangrar"); do outro, a liderança do Sporting a fazer uma triste figura - como se fosse pouco habitual - e a chegar ao cúmulo de ameaçar jornalistas e de "proibir" os sportinguistas de se informar noutros órgãos de comunicação social que não os oficiais do clube, ou os seus comentadores de irem a programas de debate; o responsável pela propaganda sportinguista, o ex-jornalista Nuno Saraiva, indicou mesmo uma espécie de index verde, para indicar o que é que os adeptos do clube devem ou não ver. Pergunto-me se algum jornal, canal televisivo ou rádio dará no futuro emprego a Saraiva depois de toda esta figura triste e inquisitorial.
Para completar, o Sporting consegue uma vitória em Tondela que muito animou as hostes mas que só surgiu aos 99 minutos, quando o árbitro tinha dado quatro e descontado dois pelo meio (ou seja, o jogo acabaria sempre pelos 96 minutos), e para cúmulo, o marcador do golo, o central Coates, tirou a camisola nos festejos e não levou o correspondente amarelo, que o impediria de jogar na próxima semana. Ainda não percebi porque é que as crises de vitimização sportinguistas são tão levadas a sério.

O Benfica tem tido uma época algo amarga. Venda de jogadores essenciais, má preparação do plantel e aquisições duvidosas, um desastre nas competições internacionais, ataques da aliança Porto-Sporting, casos judiciais sobre Vieira, etc. No entanto, e apesar das lesões de jogadores importantes, a equipa de futebol atravessa o seu melhor período este ano. Tem conseguido bons resultados, alguns até com goleada, boas exibições, e alguns jogadores até apresentam uma consistência que ainda não lhes tínhamos visto este ano, casos de André Almeida e Rafa. O "Penta" é um sonho algo distante, mas não custa experimentar lá chegar. Ao menos esta semana de alguma boa disposição já ninguém nos tira.

domingo, dezembro 17, 2017

O Benfica no Inverno


Não tenho falado muito de bola aqui, e não admira. Com o Benfica a fazer uma época tão modesta e apagada, as minhas atenções futebolísticas voltam-se para os relvados estrangeiros. Mas vale a pena recordar o que têm sido os disparates acumulados nos últimos meses para evitar repetições nos próximos anos.
O Benfica do ano passado já não era uma coisa fabulosa, com jogadores que não renderam o que se esperava, como Rafa e Carrillo, mas servia para vencer o campeonato, como aconteceu, e justamente. Este ano, venderam-se Lindelof, Semedo, Ederson e Mitroglou sem que nenhum dos seus lugares fosse devidamente preenchido. Percebo que o Benfica precise de fazer dinheiro para diminuir o volume de dívida e que tenha de aproveitar as chorudas ofertas que vêm da Premier League e de outros campeonatos abonados. Mas que tenha um pouco de tino no momento de contratar novos jogadores para os lugares em falta. O exemplo da tentativa de substituir Nelson Semedo é ilustrativo: cinco jogadores foram já utilizados no lugar, além dos que foram contratados para a mesma posição e nem sequer entraram em campo, e ao fim e ao cabo, é o "bombeiro" André Almeida que preenche o lugar, nem sempre com bons resultados.

O problema é que os resultados foram ainda piores que os esperados. A (falta de) performance na Europa é aterradora, dando-nos a pior época de sempre, com humilhantes zero pontos, apenas ao alcance das mais medíocres equipas que jogaram por sorte na competição, fazendo do Benfica o pior cabeça de série da história da competição. Para além da vergonha, do dinheiro que se perde e da queda expectável nas tabelas das melhores equipas da Europa, era particularmente importante fazer uma carreira decente este ano nas competições europeias depois da campanha lançada pelos departamentos de propaganda de Porto, sobretudo, e do Sporting (logo a seguir aos responsáveis destas entidades terem reatado relações meio às escondidas). Seria a melhor resposta a uma campanha em tudo poco clara, mas infelizmente correu tudo ao contrário.

Agora fala-se da entrada de novos jogadores e da saída de outros, como os fiascos "Gabigol" e Douglas (este nem chega a sê-lo, de tal forma estávamos avisados da sua fraquíssima aptidão a defender, o que o torna num novo Okunowo, que jogou no Benfica nas mesmas condições, ou num novo Dudic), o que mostra bem a péssima preparação da época, que nem em cima do joelho deve ter sido feita. O campeonato corre menos mal, mas o Benfica está também fora da Taça de Portugal, embora com bastante infelicidade à mistura, diga-se, e não está muito bem na Taça da Liga. Mesmo com mais folga, dificilmente alcançaremos o tal "penta". E diga-se em abono da verdade, não o merecemos muito. Melhor seria começar já a preparar a próxima época, aproveitando alguns dos bons valores do Seixal que jogam na equipa B, além de Rúben Dias.

Mas já que falei em jogadores de saída, não posso deixar de referir um que merece uma palavra: Júlio César. O veterano guarda-redes brasileiro é dos jogadores com mais títulos de sempre no futebol mundial  - só lhe faltou mesmo a Taça do Mundo em selecções - e nos três anos que jogou na Luz sempre defendeu a camisola do Benfica com honra e profissionalismo, até as condições físicas o permitirem. É daqueles jogadores que vejo sair do clube com pena. E nas suas despedidas, o guarda-redes também parece já saudoso. Um abraço, Júlio César.

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sábado, agosto 05, 2017

Época a abrir


Aí está, a nova época 2017-2018, a abrir com a supertaça. O ano futebolístico começa cedíssimo, mesmo tendo em conta que há Mundial em Junho. Antigamente a coisa só tinha início em meados do mês, e o campeonato começava por altura dos meus anos. Ainda me lembro dos anos em que ficava surpreendido com as ligas francesas, ou outras, começarem em princípios de Agosto. Mais uma moda estrangeira que chegou a Portugal.

É inútil escapar ao óbvio: com as vendas de Ederson, Lindelof e Semedo o plantel do Benfica está indiscutivelmente mais fraco. É verdade que a entrada de Seferovic e Krovinovic fortaleceram lá à frente, mas a defesa é um autêntico remendo. Bem podem dizer que "o que há basta para consumo interno, o pior é lá fora". Pois não, não basta. No ano passado o Benfica já não ganhou com grande folga, por isso não é este ano as coisas não serão melhores. A baliza está confiada a um veterano de grande qualidade mas que já demonstra o peso dos anos e que tem lesões frequentes, a outro veterano que nem se sabe se fica e uma promessa que voltou passado um ano e que precisava de mais algumas épocas de experiência. No centro da defesa temos um Luisão com 36 anos e que não é eterno, um Jardel de 31 que passou a época passada quase toda na enfermaria e um Lisandro que parece que tem desaprendido de jogar, fora duas muito jovens incógnitas. E se o lado esquerdo está assegurado, à direita temos um verdíssimo Pedro Pereira que parece acusar a responsabilidade e o bombeiro André Almeida, que pode tapar alguns fogos mas não dá para tudo. Ou seja, três posições a preencher, iso sem contar que as lesões no plantel são frequentes e Fesjsa nem sempre está bem (e Samaris ainda pode sair).

Falou-se na pré-época ruim do Benfica. Mas nem é isso que me preocupa. As pré-épocas pouco têm a ver com as temporadas propriamente ditas, e a comprovar recordemos uma goleada sobre o Real Madrid no tempo de Jesus, que depois deu em nada, os 5-1 sofridos do Arsenal (este ano foram 5-2) antes de mais um título, ou a pré-temporada desastrosa de André Villas-Boas quando tomou o comando do Porto...Tenho mesmo para mim, que o normal é serem inversamente proporcionais. O que preocupa mesmo são as contratações necessárias. Entre os nomes avançados, agradou-me o do holandês Cillesen e pouco mais (fala-se de um Douglas, vindo do Barcelona, que pela que mostrou pode ser  uma espécie de Okunowo, lembram-se?). Provavelmente o Benfica está à espera dos últimos dias do mercado, para aproveitar as oportunidades. Houve um ano em que entraram de enfiada, no fim do prazo, Jonas, Samaris e Júlio César, que asseguraram o título. Mas nem sempre as coisas correm como o previsto, e não se podem descurar as primeiras jornadas e o entrosamento necessário. Por isso, espero que as entradas não demorem assim tanto. E que venha o Penta, claro, e se for possível já a supertaça.

segunda-feira, maio 29, 2017

Notas da festa da Taça

 
 
 
A refrega à chuva hoje no Jamor significou a 26ª Taça de Portugal, a 11ª dobradinha (a segunda em 4 anos) e a desforra da maldita final de 2013, curiosamente com o mesmo treinador a ganhar em campos opostos.
 
Notas:
- Agradecer desde já a perninha que o luchador Sin Cara veio fazer e que nos deu o primeiro golo.
- Não me lembro de uma final da Taça sob chuva, o que explica o facto de ser sempre no Jamor, que não tem cobertura. Vá lá que não estragou a animação pré-jogo, senão lá se ia o porco no espeto e a animação na mata...
- O filme amador de Xanana Gusmão acabará no museu do Benfica quando daqui a décadas for encontrado entre o espólio do estadista timorense, numa arca escondida numa arrecadação em Dili.
- A cara de desânimo de Joaquim Oliveira também poderia figurar no museu do Benfica.
- O Neno estava com um ar taciturno, provavelmente recordado da grande final de 1993 (os 5-2 sobre o Boavista), que ele ganhou.
- Visto de cima via-se um belo misto de vermelho e branco, mas isto serve só para recordar que estavam quase tantos vitorianos como benfiquistas. Esses tipos já mereciam mais títulos (mas não este, que o Benfica poderia ter ganho com números maiores).

Nota final: até agora, ninguém soube dizer ao certo o que era aquela engenhoca em que a bola chegou. Falou-se em drone com capacidade de transporte, invocou-se o Duende Verde do Homem Aranha, mas ficou tudo mudo e quedo. Se isto se tornar um objecto comercial, muitos problemas de tráfego ficarão resolvidos. E poderemos dizer que vimos o futuro no Jamor, naquela chuvosa final da Taça de Portugal no ano da graça de 2017.



 

quarta-feira, maio 24, 2017

Tetra


O Benfica conquistou o seu primeiro tetracampeonato, enfim, depois de vários "tris". O 36º título não chegou com a maior das facilidades. Apesar de grandes reforços do plantel, sobretudo nas alas, deu a sensação de que havia sempre posições que não estavam devidamente preenchidas. A equipa nunca teve momentos de grande rasgo, limitou-se a fazer o necessário, e sofreu uma autêntica razia de lesões. Jogadores como Rafa, Jonas e Grimaldo estiveram meses a fio sem poder jogar, para não falar nos casos como o de Jardel que quase nem pisou os relvados. Ainda assim, esteve sempre um pouco à frente da concorrência, e nos momentos fundamentais, nunca escorregou. E quando chegou a primeira oportunidade de agarrar o título, não a desperdiçou, e despachou o Vitória de Guimarães com uma exibição portentosa e uma goleada categórica. Missão cumprida, quarto campeonato seguido, festa no Marquês e em todos os "marqueses" por esse país fora (isto é mesmo verdade: não faltavam cartazes noutros pontos de comemoração, como a rotunda da Boavista, com a inscrição "praça do Marquês de Pombal").
 
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O Benfica acabou a temporada com um empate a dois no Bessa, com uma equipa de suplentes, já a pensar na Taça. Fica com seis pontos a mais que o segundo classificado, melhor ataque e melhor defesa. E maior paciência, também. Durante toda a época, e até ao fim, choveram acusações, remoques, ataques, mistificações da parte dos adversários do Benfica. O Sporting do patético Bruno de Carvalho voltou a usar o falso argumento dos "vouchers" (coisa já avaliada e despachada pelas instâncias desportivas europeias), a meter-se em jogos que não lhe diziam respeito, e nem quando as evidências mostravam que a equipa de Jorge Jesus não tinha capacidade de discutir o título o seu nível melhorou (fica como exemplo maior a sua reeleição e o discurso de "vitória"). Do lado do FC Porto, um desvario total. Queixas em barda de supostos penaltys não marcados a seu favor (mesmo quando era claro que eram os jogadores portistas a atirar-se para o chão), acusações ao Benfica em especificar porquê, e uma ligeira acalmia numa altura em que a equipa de Nuno Espírito Santo começou a jogar alguma coisa e os árbitros a ser complacentes, antes de voltar o delírio e os seus órgãos de comunicação oficiais assumirem uma postura de trolls de redes sociais. Neste particular, o director de comunicação do FCP assumiu-se com um moço de fretes particularmente cáustico, no seu canal de TV aberto ao público, criando termos como "cartilha" (demonstrando que segue a sua própria) e "Liga Salazar". Este último argumento é particularmente estúpido, já que assume que se o Benfica ganha é graças a Salazar, mesmo que o homem já tenha morrido há quase 50 anos. O que desmente a lenda negra de o Benfica ter sido "o clube do Estado Novo". Chega a ser embaraçoso como é que um clube que durante anos a fio se serviu de esquemas ilegais à vista desarmada tenta sem qualquer base de sustentação acusar outro de esquemas semelhantes. Isso com o precioso auxílio dos comentadores na tv, além de outros como Miguel Sousa Tavares, Pedro Marques Lopes ou Paulo Baldia (que me surpreendeu pelo fanatismo), e uma propaganda maciça que tentava passar a ideia de que o Benfica era constantemente beneficiado. Dois exemplos: os jogos entre Benfica e Sporting, em que se acusou o SLB de ter ganho o primeiro jogo com penaltys contra perdoados, mas se esqueceu os penaltys que ficaram por marcar contra o clube verde no jogo da segunda volta. E a antepenúltima jornada, em que uma arbitragem inenarrável impediu a vitória do Marítimo sobre o FCP e ainda tivemos de ouvir os lamentos dos portistas. Fosse o contrário e o que não se diria do Benfica...
 
Enfim, dos fracos e dos perdedores não rezará a história do campeonato (e se o Benfica ganhou justamente o título sem jogar grande coisa, que dizer dos outros?). Mas isto ainda não acabou: no domingo o Benfica pode conquistar mais um título se levar de vencida o Vitória no Jamor. E o jogo não vai ser com certeza tão fácil como na jornada do campeonato. Mais uma taça na vitrina, é que se pede. Antes de merecidas férias para atacar para o ano o penta.
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quinta-feira, maio 18, 2017

13 de Maio de 2017


O dia 13 de Maio último, dia do centenário das Aparições de Fátima, vai ficar gravado na memória dos portugueses por muitos e bons anos. Afinal de contas, conjugaram-se os famosos "3 Fs", na sua melhor verão, e não na caricatura depreciativa com que normalmente são chamado à baila.

Mas essa conjugação só se tornou possível uns três dia antes. Se todos os momentos das comemorações de Fátima estavam previstos, e se não houvesse surpresas, tudo correria bem, já a possibilidade do Benfica conquistar o inédito tetra já neste Sábado, precisamente no 13 de Maio, só se colocou quando acabou o jogo em Vila do Conde, no Domingo anterior. E na quarta-feira, a meio da semana, Salvador Sobral qualificou-se para a final do Eurofestival da canção, com as apostas a darem-lhe boas hipóteses. Começou-se a prever que poderia ser um 13 de Maio especial, mesmo para além de Fátima.

Das celebrações pouco há a dizer, já que as palavras não descrevem suficientemente as emoções. As diversas manifestações de Fé, a chegada do Papa a Portugal, celebrada nos ecrãs espalhados no santuário como se fosse um golo marcado num estádio, a chegada ao recinto, o silêncio que se instalou por momentos quando Francisco se encontrava frente a frente com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, e que se repetiria à noite na feérica e lindíssima Procissão das Velas. E no dia 13, volvidos exactamente cem anos sobre os primeiros acontecimentos naquele local, a canonização de Jacinta e Francisco (com a feliz coincidência, mas só mesmo isso, de terem apelidos iguais aos do actual Bispo de Leiria-Fátima, o anfitrião e meu antigo professor de Mundividência Cristã), a a Procissão do Adeus, com o Papa visivelmente comovido, antes do regresso a Roma. a chuva, que tinha parado na véspera, voltou a cair mal sua Santidade deixou solo português.

À tarde, o nervosismo com a recepção ao Vitória de Guimarães. Sem razões para isso. Exibição imperial do Benfica e o inédito tetracampeonato. Mas disso falarei à parte.

À noite, ainda com as comemorações do título, a notícia do triunfo de Salvador Sobral, a primeira vez que uma música de Portugal ganhou a Eurovisão. Cinquenta anos de fiascos e ténues esperanças vingados com a maior pontuação de sempre. Confesso que há já largos anos que não ligava ao evento. Mais: a primeira vez que vi Sobral a cantar Amar pelos Dois não gostei nem da música nem da interpretação, e achei o intérprete estranhíssimo, com aquele visual homeless-chic e aqueles gestos que davam ideia de graves problemas motores. Ou seja, estive longe de "sempre ter acreditado que ele ia ganhar". Com o tempo, vieram as revelações sobre os seus problemas de saúde, as suas preferências musicais, e a sua ainda incipiente carreira, e aos poucos conciliei-me. Na noite da Eurovisão vi a sua entrada, mas já não assisti em directo à notícia da sua vitória, mais embrenhado nas comemorações do Tetra (consegui ver a tempo o seu dueto, aliás muito justo, com a irmã Luísa, autora da música). Obviamente não pude deixar de aplaudir e agora até ouço a música com gosto, vejam lá.
Mas houve um momento incrível que juntou as vitórias do Tetra e dos Sobrais: quando no Marquês de Pombal o speaker de serviço interrompeu a algazarra para anunciar que "o grande benfiquista Salvador Sobral" tinha grande a Eurovisão. e depois dos aplausos, puseram Amar pelos Dois como música de fundo. E o Marquês, mais habituado a manifestações ruidosas, e que ainda há dois anos testemunhou (tal como eu, aliás) cenas de pancadaria e violência, calou-se para ouvir aquela suave melodia. Minutos inolvidáveis, esses de ouvir uma música tão delicada a pôr em silêncio milhares e milhares de adeptos eufóricos.
 
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PS: outra coincidência: é que a estátua do Marquês de Pombal foi inaugurada precisamente a um 13 de Maio, de 1934. Algum adepto não benfiquista que passasse pela imensa praça naquela noite poderia repetir o velho queixume dos republicanos sobre o regresso dos jesuítas: " Desce daí, ó Marquês, que eles já cá estão outra vez".

sexta-feira, abril 07, 2017

O pós-clássico e o que sobra do campeonato


O clássico que, como sempre nestas ocasiões, ia ser " jogo do ano" e ia "determinar o próximo campeão nacional" saldou-se, como tantas outras vezes acontece, por um empate, apesar de intenso e interessante. E um empate a saber a pouco, depois da quantidade de oportunidades perdidas às mãos de Casillas, que tal como no ano passado, voltou a fazer uma grande exibição na Luz. À partida, e ao ver as ausências de Fejsa e o sempre adiado regresso de Grimaldo, temi o pior, talvez influenciado pelos cânticos de vitória antecipada entoados pelos portistas, para quem a vitória nem se punha. No fim, a desilusão com o mísero ponto de avanço, contrastando com a felicidade dos adeptos e atletas do Porto, em claro esquecimento da confiança inicial. Talvez Nuno Espírito Santo tenha jogado de forma a pensar que a perda de pontos do Benfica em Alvalade são favas contadas, como aliás reafirmou, mas é um cálculo perigoso. Recorde-se que depois do Sporting-Benfica do ano passado, nenhuma destas equipas perdeu mais qualquer ponto. Mas pior do que a desilusão é ver um autêntico mercenário como aquele lateral uruguaio que, não contente de comemorar o golo a festejar simiescamente contra o clube onde jogou durante 8 anos, ainda se fartou de entrar por várias vezes nas canelas dos adversários, alguns dos quais seus antigos colegas, o suficiente para uns 4 amarelos. Um espectáculo deprimente, mas depois não se venham queixar os adeptos portistas de que falta mística no seu plantel.

Entretanto, houve o jogo da Taça. Pareceu-me que havia demasiada confiança na passagem, a avaliar pela convocatória e pela equipa principal, como demasiadas mexidas e muitos jogadores sem ritmo. Com um Estoril sem nada a perder, a coisa ia-se complicando com um perigoso empate a 3. Salvou-se a passagem à final do Jamor, (a 36!), para reencontrar o Vitória de Guimarães, o golo de Zivkovic, a exibição de Carrillo e o regresso de Grimaldo.

Tirando a final da Taça, o Benfica em apenas os jogos do campeonato, e nenhum deles se afigura fácil. Além disso, tem de contar com a aliança entre Porto e Sporting, que já revelou os seus traços esta semana, com os sportinguistas a intervir num jogo onde não foram tidos nem achados para pedir um castigo para Jonas e Samaris, por supostas "agressões". O pedido em si já é patético, sobretudo vindo de um clube que viu Slimani ser castigado na época seguinte por um autêntica agressão num jogo com o Benfica. E é ainda mais aviltante por se tratarem de dois casos em que não houve qualquer agressão. Mas a "mentira mil vezes contada" já está a fazer o seu caminho, e temos agora uma data de lunáticos a afirmar que sim senhor, houve agressões dos dois. A haver alguma expulsão seria a do mercenário uruguaio, mas curiosamente isso passou despercebido. Já se sabe, o Benfica controla a comunicação social.

É uma velha sina: o Benfica tem de jogar o dobro para ser campeão, uma vez que tem como principais adversários dois clubes que acima de tudo, não o querem ver ganhar, mais do que ao outro que sobra. Mas se conquistar o inédito tetra, para não falar da Taça, será ainda mais saboroso. Não menos do que a conquista do tri do ano passado, contra um Sporting que apostou todas as fichas e em que o Benfica era dado como derrotado à partida. Veremos.

terça-feira, março 21, 2017

Tudo na mesma menos as promessas da cantera.

 
Sim, o empate do Porto em casa com o Setúbal deu para rir uns minutos, mas depois passou. A azia da véspera ainda se fazia sentir, tanto pela exibição com pelo resultado. Só mudou mesmo a noção de que se calhar a confiança portista esbarra na pressão, tanto na que sofrem como na que exercem (teve de vir a queixa do costume emitida por um qualquer pasquim online a reclamar não sei quantos penaltys que teriam ficado por marcar contra o Porto, como se os mergulhos contassem como falta).
 
De resto, nada muda. O Benfica mantém-se líder com mais um ponto, o FCP anseia por lá chegar, e ambos medirão forças no jogo na Luz, daqui a quase duas semanas. É verdade que a equipa joga pouco e que há jogadores em claro sub-rendimento, para não falar das lesões (será normal não conseguir juntar a equipa ideal um único jogo este ano?). Mas não sei se a falta de traquejo dos jogadores portistas, como se observou nas competições europeias, não se fará sentir. O jogo pode decidi rmuito mas também deixar tudo na mesma, se houver empate. E a sorte do campeonato ficará submetida a eventuais tropeções no futuro - e recordemos que o Benfica ainda tem de ir a alvalade.
 
A única coisa realmente positiva destes jogos é que continuam a despontar jovens promessas benfiquistas. Bruno Varela, Fábio Cardoso e sobretudo João Carvalho, que marcou um portentoso golo ao Porto, lá estiveram a confirmar. Se este empate nos valer o campeonato, é outra mais-valia vinda do Seixal.

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Felicidade com atraso


A vitória sobre o Borussia Dortmund é uma das mais felizes que o Benfica já teve. Por muito que pense, não me recordo de um jogo em que tenhamos sido tão dominados e ao mesmo tempo, tenhamos criado tão poucas oportunidades de golo com tanta eficácia. Claro que há triunfos de sorte, como no ano passado no Bessa, mas com o adversário a criar tantas oportunidades é ainda mais raro. Perante os desacertos de Aubemayang, os desperdícios dos companheiros, a macieza do meio-campo do Benfica e a placidez de Eliseu e de Rafa, valeu-nos o sentido de oportunidade de Mitroglou, a experiência encorajadora de Luisão e uma exibição imperial de Edersson (como é que ele conseguiu defender aquela bola lá para os 83`?). Na segunda mão já sabemos com o que contar: um estádio intimidatório com oitenta mil alemães a ulular e a agitar pendões amarelos, uma equipa do Dortmund ainda mais agressiva e a necessidade premente que tem em ultrapassar a eliminatória (além do objectivo em si mesmo), não só porque as coisas na Bundesliga não correm pelo melhor mas porque tem o orgulho ferido.

Mas se o Benfica teve grande felicidade agora, para os que acreditam no Karma e ains talvez tenha havido alguma justiça histórica: é que em 1963, já lá vão mais de 50 anos, na altura em que o Benfica dominava a Europa e contava com Eusébio e mais dez craques na equipa principal, recebeu precisamente o Dortmund na Luz e venceu-o por meros 2-1. Uma magra vitória acompanhada de um record de bolas à barra: nada menos que seis. E na segunda mão, sem Eusébio levou uma surpreendente goleada de 5-0. imagine-se agora se das 6 bolas ao ferro tivessem entrado 5 e o "Pantera Negra" tivesse jogado: mesmo com ma pesada derrota, o Benfica seguia em frente. Por isso, a sorte de agora é a paga do azar de meio século. Ah, e registe-se que os alemães quase limparam a folha clínica ao passo que o Benfica jogou sem Jonas e mais uns quantos. Isto da sorte tem muito que se lhe diga.

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segunda-feira, dezembro 12, 2016

Pós-derby


E pronto, o fantástico JJ  lá voltou a perder na Luz (já não acontecia aí desde 2012). Até acho que o resultado mais justo depois de um jogo tão intenso seria um 2-2, com as diversas oportunidades do Sporting e o retraimento do Benfica, mas tudo o que enterre os planos do inenarrável Bruno de Carvalho merece a minha concordância.

Entretanto, parece que anda tudo furibundo com a arbitragem porque ficou um penalty (há quem diga dois) por assinalar contra o Benfica. Pois ficou, mas no ano passado, nos TRÊS jogos em que o Sporting nos venceu, ficaram sempre outros tantos por marcar a favor do Benfica (num deles até partiram o braço ao Luisão). Não se lembram? É natural, não andamos a choramingar esses erros pelo campeonato fora. Mas quando algo do género acontece ao Sporting, é um sem fi de acusações, recriminações, queixas e comunicados.

A vitória recoloca o Benfica a distância segura na frente e redime a semana anterior, ainda que o nível exibicional precise de melhorar - rodando mais a equipa com jogadores que precisam de ritmo, por exemplo. Já o Sporting, pelo contrário, teve a sua semana horribilis: saída definitiva das competições europeias, arquivamento pela UEFA da queixa dos vouchers contra o Benfica, derrota no derby, e até a equipa B perdeu contra a do Porto. Não admira: o Natal está quase aí. E há certas tradições que dificilmente mudam.


Ah, e há outras coisas que merecem ser vistas. As bancadas também o outro espectáculo, fora do relvado. É também disto que os clubes constroem a sua mística.

domingo, dezembro 11, 2016

Derby

 
Diz a vox populi,, não sei baseado em que mito futebolístico, que ganha o derby entre Benfica e Sporting a equipa que estiver pior. É difícil dizer qual das duas está em pior forma: depois de duas derrotas seguidas, uma num terreno onde normalmente vence e outra em casa, com uma boa mas não fantástica equipa, mostrando debilidades defensivas preocupantes, o Benfica apanha o Sporting numa altura delicada. Mas o adversário também deixa dúvidas: derrotado na Polónia pela pior defesa da Liga dos Campeões, arredado das competições europeias (de propósito?), e desgastado por uma noite no frio de Varsóvia e menos um dia de descanso que o Benfica, o Sporting também não está numa forma invejável. Por isso, qualquer previsão é temerária. Só desejo que Rui Vitória troque Luisão por Lisandro e Salvio por Rafa (ou Carrillo, que pode estar com pica por defrontar a antiga entidade patronal), para que as probabilidades de as coisas correrem melhor aumentarem. O resto é esperar que seja um bom e empolgante jogo, e que Bruno de Carvalho não fique satisfeito.  
 
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segunda-feira, novembro 07, 2016

Objectivos cumpridos


A tal semana importante da bola de que tinha falado há dias acabou da melhor maneira: com um empate nas Antas, ao minuto 92 (o que tem o mérito de acabar com a piada relacionada com esse minuto), ou seja, mesmo no fim de um jogo em que o Benfica teve uma exibição pobrezinha e o Porto dominou totalmente na primeira parte - só não marcou aí por demérito próprio. Mesmo que na segunda parte as coisas se tenham equilibrado, era difícil adivinhar o golo do empate, que veio mesmo pela cabeça de Lisandro. Isto mesmo antes da paragem para as taças e os jogos da Selecção, e com a enfermaria do Benfica quase lotada. Para mais, esta semana recebeu como utentes Grimaldo e Fejsa, o que ajuda a explicar a exibição de hoje. Nas competições europeias cumpriram-se os mínimos, com uma vitória sobre o Dynamo de Kiev. Uma exibição q.b. para ganhar, sem ser nada de especial, com Ederson a resolver o penalty que ele próprio provocou, mas ainda assim um resultado justo, já que o Benfica mostrou mais futebol que os ucranianos. E com isso guindou-se ao primeiro lugar do grupo, antes de ir à sempre complicada Istambul, e de receber o Nápoles dos De Laurentiis. Sem o mínimo deslumbre, cumpriram-se os objectivos. Agora, é esperar que o sector mais fraco do Benfica - a enfermaria - melhore as suas exibições para que os importantes lesionados regressem definitivamente. É que a certa altura jogar com meia equipa titular pode começar a causar mossa.
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terça-feira, novembro 01, 2016

Semana de bola


E à oitava jornada, o Benfica está em primeiro lugar isolado no campeonato, 5 pontos à frente do Porto e 7 do Sporting, com apenas um empate a manchar uma prova quase imaculada. Na sexta-feira, como que a comemorar a tranquilíssima re-eleição de Luís Filipe Vieira, espetaram-se três golos sem resposta ao Paços de Ferreira, com Gonçalo Guedes, Semedo e Salvio em grande, sem desprimor para os outros, antes dos adversários principais escorregarem nos respectivos zero-zero.
A vida parece que singra, mas a semana que começa é de enormes responsabilidades. A recepção ao Dynamo de Kiev na Luz não vão ser favas contadas, mas repetir o resultado de anteriores encontros não seria nada mau. Depois, no Domingo, o desafio nas Antas. O FCP anda irregular e tem pior plantel que o Benfica, mas é dos tais jogos que vale tripla, e não acredito que os portistas demonstrem qualquer apatia - basta pensar no ano passado, em que sem que nada o fizesse prever, ganharam na Luz. Por isso, um empate é bom, uma vitóia também. Mas por acaso até prefiro a igualdade: demasiado avanço pode ser prejudicial e fazer-nos crer num falso mar de rosas, apesar da prudência de Rui Vitória. Eu sei que os intervenientes não são os mesmos, mas há precisamente um ano o Sporting ganhou por 3-0 na Luz tinha sete pontos de avanço. Por isso, a semana é importante, não decisiva. Venham os jogos.

sábado, setembro 24, 2016

Benfica 2016-20...


Não sei ainda muito bem o que pensar do Benfica nesta época. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, a pré-temporada decorreu com calma e a supertaça conra o Braga pendeu a nosso favor, o que se agradece, porque é um troféu de que não temos muitos exemplares. Mas ficaram casos mal resolvidos, aquisições discutíveis e o flagelo das lesões começou logo no início.

Renato Sanches e Gaitán saíram, é certo, mas isso era mais que anunciado. O primeiro já tinha assinado com o Bayern ainda decorria o campeonato. O segundo não passava deste ano, e já merecia um contrato mais oneroso. E renderam uma boa maquia. A saída de Carcela, um jogador com talento e velocidade que cumpriu, é talvez mais precipitada, mas responde à quantidade de jogadores para as alas que o Benfica adquiriu.

Se há excesso nas alas, em parte por necessidade de alternativas, e noutras partes para agarrar jogadores promissores enquanto é tempo (caso de Zivkovic) ou para enfraquecer rivais (casos de Carrillo e Rafa), o meio-campo parece descompensado, já que Fejsa não chega para tudo e é vulnerável a lesões, Horta é ainda muito novo e não sabe defender, Samaris está também no estaleiro por umas semanas e parece contar meramente como suplente (aliás quiseram vendê-lo), Danilo e Celis são incógnitas - e o colombiano, quando entrou, contribuiu mas para o adversário. E sim, as lesões são um problema inesperado e demasiado extenso neste início de época. Se parecia haver relativa abundância na frente, as mazelas físicas encarregam-se de o desmentir. Na defesa, os centrais satisfazem mas os laterais são irregulares: Grimaldo agrada e vai certamente melhorar, Semedo tarda a voltar ao espantoso início de época do ano passado, mas se Almeida é um bom suplente, há as maiores dúvidas sobre se o veterano e pesado Eliseu estará à altura quando for chamado. A baliza está bem entregue à veterania de Júlio César e à juventude de Ederson, sob o olhar atento do "velho" Paulo Lopes.
 
A equipa parece ainda não ter encontrado o seu caminho, sobretudo no que ao meio-campo diz respeito. Houve jogos que correram bem, os do início, outros em que o resultado ficou aquém da exibição, como em Arouca, e outros q.b., como a da última vitória frente ao Braga. O Chaves, a jogar em casa (previsivelmente vai encher, ou não fosse o SLB muito popular em Trás-os-Montes), uma equipa complicada e com boa defesa e que tal como o Benfica ainda não perdeu, vai ser um osso duro de roer, em que o ataque terá mais responsabilidades que a defesa. E na próxima semana será a difícil deslocação a Nápoles. O jogo no San Paolo será o teste mais complicado numa equipa que tem sido morna no meio-campo e que terá de corrigir esse aspecto se não quiser ficar com as contas da Liga dos Campeões comprometidas. Depois do infeliz empate caseiro com o Besiktas, qualquer ponto fora vale ouro.

E valerá também a pena observar os novos talentos a ser lançados por Rui vitória. Terá José Gomes mais oportunidades ou mais vale crescer na equipa B?

terça-feira, maio 17, 2016

Trinta e cinco




O número era repetido insistentemente durante toda a semana, desde o sofrido jogo com o Marítimo. 35. Mais do que o Tricampeonato, que há 39 anos era coisa desconhecida para a Luz, pensava-se no 35. O 35º campeonato. E ele chegou mesmo, num estádio efervescente, com goleada ao Nacional, dois golos de Gaitan, ao seu melhor nível, um de Jonas "Pistolas", a coroá-lo com o artilheiro-mor do campeonato, e ainda outro, porventura o melhor, de Pizzi. O Benfica, pela 35ª vez, é campeão. Tricampeão.
Há uns meses seria altamente duvidoso. No início da época, quase inimaginável. O Benfica sofrera violentos rombos com a saída de Jorge Jesus e Maxi, as contratações eram duvidosas, a pré-época desastrosa, e o título iria ser disputado pelos reforçadíssimos Porto e Sporting. Acima de tudo, desconfiava-se da capacidade de Rui Vitória. Na altura, pensei que talvez se repetisse o mesmo que aconteceu depois do "Verão quente" de 1993, com cenário semelhante, e apostava em Vitória: felizmente as minhas esperanças estavam certas. É verdade que não houve um jogo em que o Sporting fosse humilhado, e nem sequer ficou em terceiro lugar. A equipa verde de 2015/2016 mostrou-se bem mais consistente que a de 1994, e ficou muito perto do título. Mas acabou por ser suplantada, com o ponto de viragem a dar-se também no seu estádio. E todas as tentativas de menorização e ridicularização do treinador do Benfica redundaram em fracasso. Mais: podem mesmo ter sido responsáveis pela união e determinação da equipa benfiquista.

E o triunfo final é justíssimo. Podem dizer que o Benfica teve o benefício dos árbitros, como essa amostra de gente que é Octávio Machado, e poderemos mostrar os prejuízos, mais no início do que no fim da época, como os penaltys não assinalados a favor do Benfica nas três derrotas com o Sporting (e a propósito, mais uma vez o árbitro Hugo Miguel conseguiu expulsar pateticamente um jogador que actuava contra um rival directo do Benfica, na última jornada, com influência no resultado, mas felizmente o desfecho acabou por ser diferente de há dois anos). Podem dizer que o Sporting jogou melhor e que o Benfica, na recta final, ganhou muitas vezes pela margem mínima, que eu mostro-lhes as vitórias tangenciais sportinguistas, as goleadas benfiquistas, o melhor ataque e a diferença de golos. Podem falar da sorte que o Benfica teve, e responderei que com a mudança de técnico e de jogadores, as lesões constantes, a aposta em miúdos da equipa B, sorte é coisa com que na maior parte das vezes não pudemos contar, e mesmo assim ganhou-se o campeonato, vai-se à final da Taça da Liga, e chegou-se aos quartos de final da Liga dos Campeões, que acabou com um embate equilibrado frente ao poderosíssimo Bayern de Munique, depois de um percurso que contou com um triunfo em Madrid (só o Barcelona o conseguiu, este ano, e no campeonato, porque também perdeu lá na competição europeia) e uma dupla vitória sobre o Zenit. Sorte, disseram?

No desporto, existe a máxima Glória aos vencedores, honra aos vencidos. Do Porto, com uma época desastrosa (que ainda pode ser disfarçada se ganhar a Taça de Portugal) depois das apostas mediáticas e caríssimas nem vale a pena falar, a não ser que tão cedo não vão apostar num lema tão presunçoso como o que brandiam no início da época ("tudo nosso, nada deles"). Mas houve vencidos que se cobriram de autêntica desonra. Se a equipa do Sporting pode orgulhar-se, apesar de tudo, do seu bom campeonato, reflectido na pontuação, já quem representa o clube devia tapar a cara, mas aparentemente prefere o ridículo. Jesus continua com as fanfarronadas e agora até se queixa de andarem a "copiar" as suas "criações". Sobre Octávio já falei lá em cima, e continuar a repisar sobre essa personagem eternamente com acusações e invejas só polui o post. Inácio tornou-se um moço de recados, com insultos aos colgas de profissão e comentários de vizinha comentadeira, do género "não sei, alguém me contou, mas aquele árbitro...". Finalmente, Bruno de Carvalho volta a mostrar o estilo de jagunço que o caracteriza, com atiçamento de claques, ameaças, acusações estapafúrdias e outras mostras de total falta de carácter. É o que dá pôr-se elementos de claque à frente de clubes. Se fosse só não saber perder já nem era mau. Mas todas estas figuras de urso ainda acentuam mais o carácter perdedor do Sporting e tornam-no ainda mais o bombo da festa.

Para o ano, e com competições de selecções pelo meio, o Benfica ainda não sabe com que jogadores poderá contar, a não ser Mitroglou. Mas se Rui Vitória permanecer, e com uma pré-época mais tranquila, haverá razões de sobra para estar confiante. Por agora, o 35 é nosso e o tricampeonato já cá mora.


PS: não resisto a comentar um crónica de Miguel Sousa Tavares n´A Bola de ontem, que só pode ser para chatear. Diz Sousa Tavares que não percebe "porque razão os benfiquistas do Porto gostam de festejar as vitórias numa praça cuja estátua central representa um leão a devorar uma águia nem (...) que estranha perturbação da personalidade leva alguém do Porto a ser benfiquista". Como portuense benfiquista, respondo-lhes já às suas lancinantes dúvidas: festeja-se na rotunda da Boavista desde que as claques do FCP ocuparam os Aliados com ameaças (algumas concretizadas, tais como agressões ou arremesso de pedras) tornando pouco aconselháveis festejos, sobretudo em 2005, com a surreal pretexto de quererem comemorar o segundo lugar, coisa que teve o apoio de boa parte de eminentes portistas, incluindo o próprio Sousa Tavares, caso não se recordem; e é-se benfiquista no Porto como se podia ser em qualquer outro local, porque o Benfica extravasa largamente Lisboa, isso apesar da hostilidade que sofrem em muitos locais. Mas se acha que há algum problema ou "defeito de fabrico", talvez fosse bom MST preocupar-se com o seu filho, que ele já alardeou ser lisboeta e portista. Decerto um terrível defeito de personalidade, com responsabilidades do progenitor.



domingo, abril 10, 2016

Uma complicada vitória em Coimbra


Duro, enervante de tirar a paciência a um santo, mas emotivo e compensador no fim. Eis o que se pode dizer do jogo de ontem do Benfica, em Coimbra, no antigo "Calhabé" agora com estatuto de século XXI. O jogo acabou por ser um desafio muito mais duro do que o que se previa, no meio de ma eliminatória com o Bayern de Munique, até porque os "estudantes" não só defendiam com tudo, estacionando o autocarro e cortando linhas de passe, como passavam o tempo no chã, a simular faltas e falsas lesões. Pelo meio, marcaram um golo não se sabe bem como, mas depois de autênticos desafios à paciência, Mitroglou e o decisivo Raul Jimenez marcaram os tentos que deram a vitória ao Benfica e o mantiveram à frente do campeonato, para euforia no estádio.

É aqui que reside um dos meus espantos: se era expectável que o Benfica levasse milhares de fãs ao jogo (entre os quais estava este vosso criado), já espanta mais que os adeptos da Académica fossem tão poucos. No meio de um mar de vermelho, viam-se algumas falanges de negro, com uns estudantes de capa, mas muito pouco para o que se espera de um clube tradicional e popular, a precisar de apoio, e cujos adeptos teriam supostamente bilhetes mais baratos. Resignação ou desinteresse? Se com este futebol o bilhete de ida da ex-Briosa para a segunda liga parece certo, a ausência dos adeptos devia dar que pensar para futuro. Porque sem adeptos como os do Benfica, aquele estádio, em jogos com adversários menos populares, deve ser uma desolação. Admite-se em Leiria, no Algarve (no Barrocal) e até em Aveiro, com aquele mono longe da Beira-mar. Em Coimbra, nunca.

domingo, março 13, 2016

Uma semana inesquecível


Concluiu-se uma semana de sonho para o Benfica como há muito não se via. Todos os vitupérios, gozos e faltas de respeito para com Rui Vitória caíram por terra. Não que o técnica do Benfica tenha passado a ser exepcional, mas já deu provas de ser mais do que um mero "professor de ginástica". Demonstrou que é mesmo um técnico a sério e que o Benfica tem cérebro, ao contrário do que mastigava o seu antecessor.
Nos últimos dias, vimos o Benfica vencer em Alvalade - com sorte, mas com esforço e inteligência - depois de todos nos prognosticarem a derrota, para mais com a lesão de Júlio César, e o Porto a afundar-se em Braga nos seus próprios erros, e ainda fomos buscar a passagem aos quartos de final da Liga dos Campeões a S. Petersburgo, nas barbas de André Villas Boas. Ou seja, passagem para o primeiro lugar isolado do campeonato, derrotas dos dois rivais e uma vitória preciosa e emocionante frente aos milionários da Gazprom e ao insuportável Hulk, o "incrível" jogador que nunca subiu além da Rússia. Se na Luz o triunfo arrancado a ferros era um bom tónico depois do desaire com o Porto, na cidade dos czares, o Benfica, depois de uma primeira parte equilibrada, e de na segunda ter sofrido um golo estúpido e consentido, soube ir atrás do empate, ser inteligente, desequilibrar o adversário e dar o golpe de misericórdia, com uma vitória que já nem era necessária para a passagem aos quartos de final da prova mas que moraliza ainda mais para os próximos dois meses (e que melhora a classificação das equipas portuguesas na UEFA). André Villas Boas, que já se sabe que vai deixar o clube russo no fim da temporada e que tantos desgostos deu ao Benfica em 2011, volta a ficar com a carreira tremida. Uma pequena vingança co  saudações da Luz.
 
A semana pode ser de sonho, mas convém voltar à terra. Os quartos de final serão extremamente difíceis de passar, venha quem vier. Ainda há uma meia final da Taça da Liga por disputar em Braga. e o campeonato já está aí, com o Tondela, esse modesto clube da Beira Interior que está em último mas que já roubou pontos em Alvalade. E continuam a faltar alguns jogadores importantes. Cautela, portanto.
 
Mas o gozo dessa semana inesquecível já ninguém nos tira.