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segunda-feira, julho 13, 2009

Maldição no Bessa?
O Boavista anda mesmo com azar. Num evento em que certamente ganharia alguns euros, o cancelamento do concerto dos Depeche Mode no âmbito do Festival Super Bock Super Rock é um autêntico balde de água fria. Claro que quase ninguém iria só por causa dos delicodoces Nouvelle Vague e das restantes bandas suporte. Pôr à última hora os estafados Xutos e os inócuos The Gift não deve ter amarrado lá muito público. Não sei se o Boavista seria compensado pelo número de bilhetes vendidos ou se teria uma verba fixa; na primeira hipótese, é mais uma desgraça a juntar ao rol interminável; na segunda, já seria o Bessa a emanar essa pouca sorte, qual maldição axadrezada. Há já muito que naquele estádio não acontece nada de bom. Exige-se rapidamente a água benta do Padre Carrara, ou se não for suficiente, um exorcista. Mas do mal o menos: não se lembrarem de chamar os Ban em lugar de Xutos e Gift já evitou desgraças maiores.

segunda-feira, maio 25, 2009

Nem os sofismas os salvam

Sporting da Covilhã = Serra da Estrela = Montes Hermínios = Hermínio Loureiro = Oliveira de Azeméis


Estive no Bessa, depois de anos de ausência, com mais uns seis mil espectadores (moldura notável para a Divisão de Honra). Assisti a um descalabro triste e desconsolado, que levou o Boavista à 2ª B, escalão do qual saíra há 40 anos, quando aquele campo era ainda um pelado. À laia de Octávio Machado, o silogismo primário de cima deveria explicar a dramática queda em detrimento da Oliveirense, por coincidência o clube da cidade do Presidente da Liga Hermínio Loureiro, que muito provavelmente será o seu próximo presidente da câmara. Mas nem isso serve de pretexto. Os nervos traíram os axadrezados, que foram goleados pelos serranos quando bastava o empate para a manutenção (a Oliveirense também empatou). Acabou por ser o corolário de um ano muito complicado, com um passivo gritante e salários em atraso.


Pelo mesmo caminho seguiu o Belenenses, rumo à Honra (que ironia!). Significa isto que os dois únicos clubes que foram campeões nacionais à parte os 3 grandes desceram no mesmo fim de semana, deixando o futebol português cada vez mais afastado dos seus clássicos. Quem sabe se por não terem recebido apoios das respectivas câmaras, que se endividaram por outros. De semelhante indiferença não se pode queixar o promovido União de Leiria, que não pagou um tusto pelo seu estádio de trinta mil lugares, ao qual comparecem quinhentos sofredores de 15 em 15 dias, e que é um sorvedouro para a edilidade.



Triste fim de semana desportivo. Valham-nos o histórico algarvio Olhanense, de volta aos grandes após 35 anos de deserto, e o Chaves, que regressa enfim ao futebol profissional.

domingo, maio 11, 2008

A desgraça do Boavista
A decisão da Comissão Disciplinar da Liga acabou por ser arrasadora para o Boavista: a descida de divisão. Depois de todos os problemas financeiros, ameaças de rescisão e de insolvência, épocas sem ir à UEFA e Sérgios Silvas, só faltava esta machadada, a anteceder a inevitável pázada de terra que provavelmente será o destino dos axadrezados. Sem meios para acudir às suas inúmeras dívidas, o clube, se os eventuais recursos nada alterarem, tem o destino traçado, graças às manigâncias dos Loureiros.


Um cenário em que o xadrez se torna apenas negro e que me entristece muito. Cresci com a convicção de que o Boavista era o quarto grande, e por influência de familiares e amigos ganhei apreço pelo clube, aliás perto da minha casa. Aprendi a jogar lá ténis e refiz-me sócio anos mais tarde, quando pela primeira vez a armada do Bessa jogou na Liga dos Campeões (estreando-se com um embaraçoso 0-3 em casa, frente ao Rosemborg). Vi jogos memoráveis, uns contra a equipa da casa, em que o meu Benfica venceu categoricamente, e outros apoiando os do Bessa. Lembro com saudade os jogos contra o Sporting em 96, que ditaram a saída de Queirós, em 97, na meia final da Taça, em em 2001, o jogo chave do título desse ano; contra o Porto, em especial em Janeiro de 2001, no dia em que se inaugurava a Capital Europeia da Cultura, em que o Boavista ganhou o primeiro lugar que não mais largaria; exibições fantásticas contra o Borussia de Dortmund, o Kiev, o Hertha de Berlim, o golão do meio do campo de Mário Silva ao Feyeenord, o enorme roubo frente à Roma, o massacre do Manchester United e a desilusão com o Celtic, nas meias finais da UEFA. E o jogo com o Aves, em que o Boavista se sagrou campeão e desfilou avenida abaixo, em que o público invadiu o relvado, boavisteiros e não só, abraçando-se, levando pedacinhos de relva, festejando efusivamente um campeão novo em folha.

Também me lembro do velho Bessa, do pião, do Topo Sul onde ficavam os Panteras Negras, das bancadas laterais com telhado de zinco, por cima da qual, no prédio atrás do Dallas se viam alguns mirones, ou por onde fugiam algumas bolas mais altas. E da construção gradual do novo estádio, o primeiro a ser começado e o último a ser inaugurado, com um jogo contra o Málaga, ou do Jogo das Estrelas, de Figo, Zidane, Schumaker e companhia, numa bancada ainda sem cadeiras.


Tudo isso me enche de saudade das noites e tardes do Bessa. Revolta-me o laxismo de vários anos, o chico-espertismo do Major, que continua impune, a hipocrisia e parcialidade de Nuno Cardoso, que deu dezenas de milhões de Euros ao Porto e uma migalha aos axadrezados para a construção dos respectivos estádios, a ingenuidade a roçar a estupidez dos dirigentes actuais quando um qualquer Sérgio Silva acenou com cheques de brincar, e os pesos e medidas diferentes para os castigos aplicados.


A possível descida de divisão do clube ainda é o menos: com algumas ajudas financeiras, seria apenas algum tempo no inferno, antes de regressar à divisão maior. O problema são as ciclópicas dívidas e a falta de investidores de peso que ajudem a aliviá-las. Da CMP nada virá, já que o boavisteiro Rui Rio não está para aí virado. Os salário em atraso (alguns funcionários não recebem há coisa de um ano!), as dívidas a outros clubes, ao fisco e à segurança porão provavelmente um cheque mate ao Boavista tal como o conhecemos. A SAD declarará falência, o clube fará ligeiras alterações da sigla e terá de recomeçar do zero, das distritais. Com a popularidade que apesar de tudo conserva, galgará em poucos anos os diversos escalões nacionais, tal como teve de fazer nos anos sessenta, em que andou pela terceira aos chutos no pelado campo do Bessa, onde toda a vida jogou. Voltará ao escalão maior e à Europa do futebol, recuperar as memórias das equipas das "camisolas esquisitas" que chegaram a provocar espanto e temor nas competições da UEFA.