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terça-feira, outubro 27, 2009

Abaixo o Mundial ibérico!

Está em marcha a "candidatura ibérica" ao Mundial de futebol de 2009. As federações espanhola e portuguesa já chegaram a acordo, sob o lema "dois povos, um objectivo", e nos próximos dias apresentam o logótipo.


Gostei muito do Euro 2004 e do ambiente do Mundial 2006. Falando do primeiro, lançaram-no com o pomposo e patético subtítulo não-oficial de "grande desígnio nacional". Vivemos em permanente festa durante quase um mês, o turismo e o comércio tiveram uma grande subida e ficamos com estádio amplos e modernos. Simplesmente, os recintos revelaram-se sobre-dimensionados, em especial os de Leiria e Aveiro (agora o do Bessa), a festa passou e o crescimento económico revelou-se pontual. Ficámos com um conjunto de elefantes brancos que endividaram as respectivas autarquias.


Sob pretexto de se aproveitarem os estádios, começou-se a falar de uma candidatura conjunta com Espanha ao mundial de 2018. E a coisa avançou mesmo. Só que agora vêm-nos dizer que afinal de contas a FIFA só aceita estádios com um mínimo de quarenta mil lugares. Resultado: só a Luz, Dragão e Alvalade é que preenchem o requisito de capacidade. O resto, que era o grande pretexto para o Mundial, fica de fora.


Se a palavra "candidatura ibérica" me deixa de pé atrás, a absoluta desnecessidade deste evento, por nada acrescentar ao país, deixa-me absolutamente do contra. Os benefícios irão quase todos por inteiro para os do costume, isto é, os grandes aglomerados urbanos de Lisboa e Porto. Espanha colherá os louros do Mundial e beneficiará de maior visibilidade, já que só havendo três estádios do lado português com certeza que só contarão para a abertura do evento ou uma meia final, e nunca os dois. A Portugal ficará reservado o lugar de parceiro pobre, com estádios a apodrecer por falta de uso (e mais uma mentira sobre o seu aproveitamento), com a benesse única de melhorar o seu turismo naquele ano.


A consequência máxima é uma maior dependência face à Espanha. Depois da económica, viria a desportiva e até a mediática. Daria a impressão de um estado ibérico único, sob a égide de Madrid. Seria bom relembrar que Portugal não só é um estado muito mais antigo que a Espanha e que quando esteve mais próximo de nada beneficiou, em especial depois do desastre de Alcácer-Quibir, sob os Filipes, em crescente caminho para se tornar uma mera província. Há sempre, como sabemos, os "iberistas" locais de ocasião, que nos atiram para cima com os dados económicos dos últimos trinta anos (até o facto de haver melhor futebol já ouvi!). Mas para além dos números de poucas décadas e outros elementos utilitaristas, não ouço grandes argumentos. Pergunto-me porque é que não se mudam para Espanha e adquirem a respectiva nacionalidade, deixando o grosso dos portugueses em paz. Claro que depois teriam de aguentar com os problemas dos vizinhos sem queixumes.

Os algarvios já vieram reclamar, e com razão, que a ausência de uma estrutura como o Estádio do Algarve não faz sentido. Na sua bacoquice habitual, Gilberto Madaíl nada disse de nota. O projecto da sua vida parece ser entrar no Mundial mesmo como figura subalterna, mero talo de apoio a uma Espanha pujante. Pudesse eu decidir pela Federação, e só aceitaria o torneio a meias se entrassem cinco a sete estádios portugueses, nenhum deles dos clubes grandes, que já têm uso que chegue. Se a FIFA e a federação espanhola não aceitassem, passassem bem. De mentiras, projectos faraónicos de baixo uso, deslumbramentos perigosos e subserviência perante a vizinhança já estamos fartos. Nestas condições, só absolutamente contra este projecto de mundial ibérico de futebol, contrário aos interesses de Portugal, e espero que seja outra candidatura a ganhar.

sexta-feira, julho 20, 2007

Saramago e o Iberismo
De vez em quando, José Saramago vem com os habituais remoques ao país que o viu nascer e acena com comparações espanholas. Agora diz que Portugal se vai tornar numa província castelhana, mas conservar a mesma língua. Percebe-se. como comunista que é, e pertencendo a um dos mais ortodoxos PCs que há na Terra, Saramago é um internacionalista, como era a URSS que absorvia tudo quanto era Geórgia, Lituânia ou Besarábia, ou então criava satélites de estrela na bandeira. O nacionalismo é brnadido apenas como arma de arremesso contra os inimigos, em casos pontuais. Já a língua interessa conservar-se já que esta, como lembrou Manuel Alegre, é que permitiu que o autor ganhasse o seu Nobel.
Acontece que além de parecer ignorar que já há uma UE que inviabilizaria (ou inutilizaria) a perda da independência, Saramago também acha que as pessoas se esqueceram da História e dos seus exemplos. Ou ele é que não a conhece. Também se nos lembrarmos dos projectos de Olivarez para transformar Portugal numa mera província, gorado pelo 1 de Dezembro, pelo apoio às invasões francesas com o fito de nos deitar a mão, com as derivas iberistas do Sec. XIX, com o projecto de formar uma República Ibérica Soviética (provavelmente o escritor tirou a ideia daqui e quer recuperá-la), ou depois, de alguns meios franquistas, transformando a história para justificar uma Espanha peninsular; recordando tudo isso, veremos como passaríamos rapidamente a uma Galiza do Sul, e não a uma componente da Ibéria. É que um país e uma pátria não se forma por meras razões economicistas ou de circunstância, como parece depreender-se dos pobres argumentos dos iberistas, que acham que só com uma união a Espanha afastaríamos a "vil tristeza", revelando assim a sua própria fraqueza. Aliás, pergunto-me se todos esses defensores da absurda fusão têm ideia do que era Espanha até há vinte anos, se leram as comparações entre os dois países feitas por Hans Christian Anderssen e outros autores, se tomariam parte nos problemas políticos que subsistem desde a Guerra Civil. Se o soubessem aposto que os tais sentimentos iberistas iam às malvas.
Quanto a Saramago, é não ligar. Se o homem quiser mesmo muito, bem pode pedir a nacionalidade espanhola. Mas ele que tenha cuidado, porque independentistas também os há nas Canárias.