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sexta-feira, julho 17, 2009

As confusões de Raposo (ou nem o Daniel Oliveira, na outra coluna, caía nesta)


Não serei a pessoa mais competente para explicar (se é que é possível) o post de Henrique Raposo sobre a Encíclica Caritas in veritate. José Tolentino de Mendonça, mais meditativo, e O Corcunda, bastante mais contundente, já lhes deram a devida resposta. Mas o que me intriga é esta tentativa de reduzir o Catolicismo e mesmo o todo Cristianismo a uma mera ideologia de séculos recentes, que é "liberal" quando convém mas que se cola ao marxismo quando se torna inconveniente. É esse utilitarismo que prova que Raposo faz uma enorme confusão quando fala de Marx e dos "Summer hits de Louçã". Confunde uma doutrina e um pensamento de séculos e séculos com materialismos com os quais nada tem que ver e que até são o oposto. Reduz a um mero conjunto de ideias aquilo que para os cristãos é a Verdade revelada pelo Filho de Deus e pelo Espírito Santo através dos Seus seguidores. A Caritas in veritate é o seguimento lógico de outras Encíclicas, como a Rerum Novarum ou a Populorum Progressio, que se debruçaram sobre questões sociais emergentes numa perspectiva cristã, sem necessidade de pegar em ideologias feitas à pressa.

Para além do topete de querer, literalmente, ensinar a Bíblia ao Papa (para mais com uns sessenta anos de profundo estudo e meditação), ainda deixa a misteriosa questão no ar: "no dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, qual é a parte que o Papa não entende?" Quem não entende a pergunta sou eu, que não vejo relação nenhuma com a crítica anterior, a não ser que Raposo esteja a enfiar os pés pelas mãos e a dar uma de marxista (ou de jacobino, para quem "o clero deve remeter-se à sacristia", o que na era do computador é problemático) . A questão a ser colocada deveria ser: na evidência do Cristianismo ser uma religião com raízes bem fundas e não uma ideologia recente, qual é a parte que Henrique Raposo não entende?

segunda-feira, julho 28, 2008

O cinzentão
Depois de ouvir a resposta de Alberto Martins à entrevista de João Cravinho sobre os perigos de aumento da corrupção em larga escala (resumindo: "o PS não recebe lições de combate à corrupção"), não pude resistir a deixar aqui umas palavras. É que este tipo é o protótipo da vacuidade política, do cinzentismo da classe, da absoluta falta de convicção em tudo o que diz e faz. É inconcebível pensar como é que chegou a líder estudantil numa altura em que era perigoso sê-lo, a deputado e a ministro. Provavelmente, apanhou a carruagem e deixou-se habilidosamente ir. Como deputado é um soporífero, e na pasta da Reforma do Estado, que ocupou durante 3 anos, não se lhe reconhece qualquer obra ou resultado deixado.

Basta ouvir uma conjunto de declarações ou uma pequena entrevista para perceber que dali não vem uma ideia, um rasgo, um dito mais incendiário. Quem tiver ouvido as justificações oficiosas sobre a recuo no protesto que o Grupo Parlamentar do PS se preparava para fazer às críticas do anterior embaixador norte-americano à política externa portuguesa, entenderá. Nada de tons pessoais, nada de emoções por ténues que fossem, nem de explicações minimamente satisfatórias. Apenas retórica, e mesmo essa está longe de ser inflamada. E nem se pode dizer, como sobre o Pacheco, de Eça, que "tem um imenso talento". Não. A linguagem é banal e pouco apelativa, as ideias próprias não existem, a imagem é de um cinzento imaculado. Para além de ser o político desta cor por excelência, Martins é um digno representante da demagogia da 1ª República, mas sem bombas ou revólver no casaco. Como dizia Pedro Mexia, num engraçadíssimo artigo de há uns anos, tem o tom de um tribuno de Viseu dos anos vinte, e só se teme que pronuncie o termo "debalde". E daí, porque não? Sempre faria rir um pouco.

segunda-feira, julho 30, 2007

Diz o roto ao nu



Madeira: PSD critica "linguagem trauliteira" de Santos Silva contra Marques Mendes

De facto, não há mesmo melhor exemplo do que a Madeira para se falar em truculências. Terá Marques Mendes fingido que não esteve no Chão da Lagoa, rodeado por Alberto João Jardim e Jaime Ramos, os trauliteiros-mor da política? Ou será isto o "politicamente verdadeiro" que defendeu aos gritos, tentando em vão entrar no espírito da coisa?