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quinta-feira, março 28, 2013

A vitória mediática de Sócrates

 
Do que vi sobre José Sócrates retive que o ex- Primeiro Ministro, como esperava, se mantém o mesmo: petulante, combativo, rancoroso, determinado, misturando verdades com aldrabices (assumiu a responsabilidade por 8 PPPs rodoviárias, mas misturou os números das suas negociações; considerou que o PEC4 salvaria o país, quando a intervenção externa era necessária havia meses), e, evidentemente, recusando qualquer responsabilidade pelo estado do país - António Guterres mantém-se mesmo como caso único.
 
Mas a entrevista teve um êxito retumbante. Conseguiu imensa audiência, pôs o país inteiro a falar - bem ou mal -  de Sócrates, e sobretudo, como exemplo maior dessa divulgação, colocou tudo quanto é comentador e político (ainda hoje no Parlamento a usaram), ou as duas coisas, a utilizar a palavra "narrativa". Isto sim, espelha bem a sua a vitória mediática.

sexta-feira, março 25, 2011

A Morte de Sócrates, por Jacques-Louis David. O Mestre explicando aos seus assessores e "boys" chorosos que a cicuta, de tipo PEC, é consequência da crise internacional e que a "direita neoliberal" e a "esquerda radical" é que agravaram a situação, apesar de todas as Apologias e virtudes filosóficas (TGV, Magalhães, "racionalização das estruturas escolares", etc).

quinta-feira, março 17, 2011

Eleito antes da votação


Na crise política novinha em folha causada pela chantagem de Sócrates, ao apresentar unilateralmente novo PEC, ignorando todo e qualquer agente político relevante (e depois de garantir que não haveria mais cortes, embora provavelmente estivesse a falar do golfe), houve um pormenor que só hoje me fizeram notar. Na entrevista dada à SIC, o ainda PM diz que vai ser candidato pelo PS às futuras eleições legislativas. Todavia, ainda nem se realizou o próximo congresso do partido, para o qual outros candidatos já se perfilaram. Bem sei que as hipóteses de destronar Pinto de Sousa da liderança do PS são de 0,0001%, mas mandam o bom senso e as mais básicas regras de cortesia para com os adversários que não se considere uma eleição já ganha antes dos votos em urna, a não ser que estes estejam controlados. Mas tais qualidades não abundam em Sócrates. Nem essas nem muitas outras. Mais uma vez, a arrogância e a deselegância (apesar dos fatos "da moda") que lhe são típicas voltaram a sobressair. Não merecemos melhor?

terça-feira, junho 15, 2010

As medidas para a desertificação



Depois das promessas iniciais, Isabel Alçada já está a descarrilar. As decisões dos últimos tempos foram valentes tiros no pé, um a seguir ao outro. tivemos primeiro a história da passagem dos alunos do oitavo ano para o décimo mediante alguns exames, que é um belíssimo desincentivo às faltas e ao copianço. Depois, a decisão, que já começou a ser concretizada, de fechar todas as escolas com menos de vinte alunos. Parece que tais situações são "criminosas" e causa de "abandono", "exclusão" e "insucesso escolar". Não se percebe bem porquê, excepto se pensarmos nos critérios habituais do socratismo.


A desculpa do "insucesso escolar" é apenas areia para os olhos. As verdadeiras razões são outras. Uma é a de economia de recursos, humanos e materiais. Até se perceberia caso se tratasse de escolas com menos de cinco ou dez alunos, mas nunca de vinte. A outra razão prende-se com o fecho de inúmeras estruturas locais. Para além das razões de gestão, há a ideia não confessada, mas explícita, de se acabar com as aldeias e o mundo rural. É quase impossível encontrar uma aldeia com mais de vinte crianças em idade escolar. Os propósitos de José Sócrates são os de "modernizar o país", como ele afincadamente repete. Ligada a esta ideia está a de vida urbana, que obviamente exclui toda e qualquer marca de ruralidade, considerada "atrasada", "ignorante" e "medieval". Acelerou-se a extinção de serviços de saúde, de instrução, etc, com os mesmos argumentos de "racionalização de meios". Já se fala em extinção de comarcas e até em fusão de concelhos. A desertificação do interior, iniciada nos anos sessenta, está em marcha.




Como acontece a muita gente que nasceu nesse interior, Sócrates tenta camuflar o melhor que pode as suas origens, pretendendo passar por homem moderno, cosmopolita, desempoeirado e sofisticado. Essa preocupação em atirá-las para as costas é visível na sua obsessão com as novas tecnologias, cujo corolário é o famoso Magalhães.


Outra marca é este afã anti-rural, que tenta disfarçar com a construção de meia dúzia de estradas. Mas todos sabem no que resultarão medidas como as do fecho destas escolas: as crianças terão de se levantar ainda mais cedo para ir para a vila e a pequena cidade, ganharão a ideia de que viver na aldeia não é "moderno" (ainda para mais quando nelas impera a velhice, esse transtorno dos tempos contemporâneos), e forçosamente abandonarão a aldeia, com os pais ou logo que tenham de trabalhar. Os pequenos povoados envelhecerão e desaparecerão. A terra ficará deserta, semeada de ruínas esquecidas, charnecas, mato e montes, entrecortadas por estradas entre uma e outra cidade. A agricultura tenderá a ser ainda mais marginalizada, excepto algumas culturas específicas, como o vinho, ou as hortas comunitárias, ou ainda os campos de golfe dos resorts turísticos em redor das barragens resultantes do respectivo plano nacional, que afundará mais campos e estruturas centenárias como a Linha do Tua. Assim se realizará a tão ansiada "modernização do país", que nos aproximará fatalmente, como nos tentam convencer, dos "índices de desenvolvimento humano" dos "países civilizados". Mas quando isso acontecer, e os subúrbios estiverem insuportáveis e incomportáveis, as pessoas lembrar-se-ão que precisam de produtos da terra para comer, e de espaço para viver. Nessa altura, José Sócrates já não governará Portugal.