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sábado, março 27, 2010

Uma enorme bandeira


Já tinha olhado várias vezes para o mastro do alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, e pensado que ficaria imponente com a bandeira azul e branca hasteada, em vez de vazio ou com a verde-rubra colocada. Os elementos da Carbonara - Movimento Monárquico de Massas (o nome são dois trocadilhos deliciosamente irónicos e muito bem achados) tornou real esse meu pequeno sonho, e Lisboa acordou com a velha bandeira a dominá-la. Prontamente a tiraram, mas as imagens não mentem. Só tenho pena de não ter visto ao vivo, mas já não me posso queixar. Resta-me desejar que outras destas acções irreverentes e bem humoradas se repitam, por muito que os defensores dos demagogos e terroristas de 1919 insistam em classificar os seus autores de "meninos-bem". E a avaliar pela mensagem, não vão mesmo parar por aqui.
"Até 5 de Outubro, nenhum mastro, poste ou varanda estará seguro".



quarta-feira, outubro 07, 2009

A sapiência republicana do discípulo de Trotsky


Retido no fim de semana sem net, acompanhei ao de leve as comemorações da implantação da república, desta vez sem presidente. Parece todavia que as comemorações monárquicas tiveram mais impacto e maior adesão. Houve variadas formas de manifestações, à cabeça das quais o desfraldar da bandeira azul e branca na sede da Causa Real, ao Chiado. Desde Janeiro que não era ali hasteada (já tinha reparado nisso, e até pensei que tivessem mudado de instalações). Segundo as balbuciantes justificações da CML, um qualquer regulamento municipal proibia-o, embora até hoje, e durante sessenta anos, nunca tivesse havido a menor proibição por parte da edilidade lisboeta.

A ausência de Cavaco Silva dos habituais discursos em frente à câmara de Lisboa revela bem o diminuto interesse atribuído ao "5 de Outubro". A razão oficial foi a aproximação das eleições autárquicas. O quer só reforça a ideia da importância menor destas comemorações, para mais presididas pela presidente da AML: em 2001, em pleno dia de reflexão das presidenciais, Jorge Sampaio e todos os outros candidatos - à excepção de Ferreira do Amaral, por casmurrice - estiveram presentes na cerimónia de abertura do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. Tendo em conta um e outro acto eleitoral e o impacto de cada um dos eventos, forçosamente se conclui que a relevância do "5 de Outubro" roça a nulidade.

Mas as movimentações monárquicas fazem-se notar. Francisco Louçã passou a semana a disparar contra tudo e todos, depois do tão anunciado terceiro lugar do Bloco se converter numa miragem. O alvo era agora Paulo Portas, que ouviu tudo, desde a acusação de ser de "extrema-direita", até ter "destruído o país", e de "remar contra a maioria da população portuguesa no referendo à IVG". Muito interessante, vindo do "coordenador" de um movimento com laivos de extrema-esquerda, cujos componentes ajudaram à destruição da economia do país em 1975, e que tanto gostam de se anunciar como grupo de protesto, "contra-corrente", "ovelha negra", etc. Todas as dúvidas sobre a honestidade intelectual e o fanatismo ideológico do representante da Quarta Internacional em Portugal ficaram definitivamente dissipadas.


Mas como a querer afirmar isso de forma ainda mais acentuada, Louçã veio agora chamar aos monárquicos "um pequeno grupo de patuscos atrás de um milionário banqueiro que conduziu um dos maiores escândalos da criminalidade económica em Portugal," que "lá apareceu pelo Tejo a gritar as saudades da monarquia", porque são todos de "direita reaccionária" que "reclama o regresso ao passado, o regresso ao atraso, à monarquia e à diferença”. A coisa resvalou para o insultozinho piadético sem piada nenhuma, a guetização ideológica, o lugar-comum marxista e a pura calúnia. Onde é que as acções de Teixeira Pinto levaram à "criminalidade económica"? Tem Louçã provas do que diz ou é mais uma das suas atoardas justiceiristas, querendo-se mostrar como o homem probo (talvez um sub-gênero do envelhecido "Homem Novo") no meio do "pântano da corrupção"? E porque razão quiseram as cúpulas do BCP afastar Teixeira Pinto quando este tinha um processo de renovação do banco, não se recordará o deputado trotsquista?

Quanto à confinação dos monárquicos na "direita reaccionária", só mostra o sectarismo e mesmo a ignorância de quem desconhece(?) que há monárquicos de diversos quadrantes políticos, à esquerda e à direita, em todos os estratos sociais e em todas as instituições. Muitos mais do que na sua miscelânea de esquerda radical e tocadores de djambé que atrai pontualmente alguns descontentes com o PS. Para Louçã, todo aquele que não faça parte do seu círculo ideológico próximo é imediatamente rotulado de "direita", e se for monárquico, torna-se um "reaccionário" (só falta mesmo "fascista"). Acresce que só o poder moderador cabe ao Rei, que reina mas não governa, que a vassalagem já não existe, excepto nominalmente a nível de protectorados que nada têm a ver com a monarquia, e que qualquer súbdito de um reino ou principado europeu tem tanta ou mais liberdade e direitos que qualquer república. Sobre o regresso ao atraso, calculo que deva haver aí certa confusão entre a liberdade que a monarquia sempre trouxe, fosse em 1385, 1640 ou 1834 (perdoem-me os tradicionalistas), e o PREC, do qual deve sentir muitas saudades. Tudo coisas que Francisco Louçã deveria saber, com toda a importância que se atribui. Mas mesmo que lho provassem na cara, a sua desonestidade intelectual e o seu radicalismo, que o impede de compreender ideias alheias, tornariam qualquer argumentação sólida num imenso desperdício de tempo.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Recordação da Monarquia do Norte

Passou-me a data, mas não o período e a memória dele: a 19 de Janeiro de 1919, uma junta militar, que se anunciou como Junta Governativa do Norte, chefiada por Paiva Couceiro, proclamava a Monarquia e desfraldava a bandeira monárquica. A "Monarquia do Norte" governou toda a região norte do país, até ao Vouga, exceptuando Chaves, durante cerca de vinte dias.

Isso significa que há 88 anos, a bandeira que encimava os edifícios oficias de todo o norte do país, tirando os flavienses, e acrescentando o alto de Monsanto, em Lisboa, era esta:

Poderemos alguma vez voltar a vê-la como bandeira nacional, simbolizando Portugal onde quer que esteja?