sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Sanchez na Venezuela?

Num post do Hoje há Conquilhas, que subscrevo e recomendo, diz-se a certa altura que algumas das pessoas que ao nome Salazar pegam na pistola "alimentam a esperança de que Hugo Sànchez substitua, na América Latina, o retirado Fidel Castro". Aqui confesso que fiquei desorientado: então Hugo CHÁVEZ deixou o poder, logo agora que estava a criar a sua querida república socialista e em que iniciava as suas próprias conversas em família, com a respectiva secção de apresentação de livros (muitos exemplos marcelistas segue Chávez)? E logo para que o antigo craque e actual seleccionador mexicano ocupasse o seu lugar, e, ao que parece, o difícil papel de Fidel? Estrangeiros a ocupar o lugar de chefe de estado num país sul-americano não é coisa inédita, na ficção como na realidade, desde o próprio México, com o efémero imperador Maximiliano, até à BD.
Agora do ex-craque nestas lides é que não estava à espera. Se tiver a mesma relação com a governação como com os golos, os adversários, a começar pelos EUA, que se preparem. Mas mais valia que o elemento estrangeiro da Quinta del Buitre continuasse a dar instruções a Kikin Fonseca e não tentasse aparecer na fotografia com o guevarista Maradona. Não lhe fica bem, depois de anos de rivalidade, e sempre conserva as simpatias que os seguidores do Atlético de Madrid e os Ultra Sur, na sua maioria pouco predispostos a socialismos, lhe dedicaram.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

O Público mudou

Digam o que disserem, torci o nariz à a nova imagem do Público, que considero descaracterizado, indistinto de outras publicações e graficamente desengraçado. Como não o tenho comprado nos últimos dias, ainda não pude testemunhar outras alterações de fundo, mas do que me tenho apercebido, as novas divisões são uma confusão, há igualmente rodagem de colunistas, e também temo pelos suplementos semanais. Se tivessem conservado o logótipo, com o acento azul sobre o "u", ainda podia pronunciar um relativista "´tá bem, pronto". Um jornal não tem, antes pelo contrário, de ser uma coisa anacrónica ou inerte, mas sim de acompanhar o mundo e as suas conjunturas e mutações.
Mas não. Nem isso. Mudaram tudo, de cima a baixo. É pena, porque há sempre pequenos símbolos a que uma pessoa se agarra, e que considera em parte seus. Os jornais e as características que transportam são um claro exmplo disso, até porque fazem parte da vida pública de uma sociedade.
Posso vir-me a habituar, em parte, mas definitivamente este Público deixou de ser o jornal a que me habituei desde o início, quando me levantava ao Domingo por causa do Júnior, e que jamais dispensei.

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

A tentação da raiva

Falo agora não do referendo que passou, mas das suas reacções. Como se esperava, entre os "vencedores", houve reacções mais moderadas ou racionais. Mas não faltaram igualmente os ajustes de contas, os odiozinhos recalcados a virem à superfície, em suma, tudo aquilo que muitos queriam dizer e não puderam para dar o ar de "moderados". Entre casos mais ou menos graves, dou como exemplo este destapar de irracionalidade, má-fé e triste figura, provavelmente um caso clínico, de uma criatura chamada Carlos Esperança, alguém que vive ainda no tempo de Afonso Costa e que se pudesse correria a incendiar todas as igrejas que encontrasse pelo caminho. Ficou muito claro, através deste post troglodita, quais as reais intenções de alguma dessa gente: "achincalhar a igreja". O que equivale a insultar milhões de portugueses em nome dos seus dogmazinhos das catacumbas. Percebe-se: esta malta sabe que nunca conseguirá subverter a igreja - i.e. acabar com ela - e diverte-se com as vingançazinhas blogoesféricas. Que seja essa a alegria deles, o matchbox para brincar sabendo que nunca terão um em tamanho natural, já que na prática, só mesmo olhando para as litografias da esquecida Iª República.
Adenda: o já célebre editorial do El Pais considera que o CDS é um partido de "ultra-direita", que o Algarve, o Alentejo e a cintura de Setúbal são regiões "avançadas", e que "a voz do Portugal laico e moderno elevou-se sobre o silêncio do país atrasado". É só exemplo das imbecilidades proferidas pelo editorial (e não por qualquer coluna de opinião) de um jornal espanhol "de referência", que assim dá uma imagem deturpada e ideologicamente marcadíssima de Portugal, para quem não conhecer este país. quem não o ficar a conhecer a partir de agora, que o compre. E que leia também este post , antes de tudo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Depois do referendo

O que há a dizer no rescaldo do referendo? Que a minha escolha, aqui e aqui expressa, perdeu nas urnas. Só soube do resultado lá pelas onze horas, porque antes disso estava num comboio entre Porto e Lisboa. Não foi a vitória do "sim" que me espantou e entristeceu, mas a diferença clara entre as votações.

Como não tenho os pruridos do PCP, entendo que a escolha dos que votaram deve ser respeitada, mesmo que o referendo juridicamente não seja vinculativo (como não o fora em 98). Faço votos para que a nova legislação seja moderada e não deixe de considerar o aborto um mal, dando o necessário atendimento às grávidas e não esquecendo o direito à maternidade, constitucionalmente consagrado, mais a mais num país com fraca natalidade.
Mas como já se disse repetidamente noutras partes, a questão não está nem pouco mais ou menos resolvida. Temo que o número de abortos suba, e não apenas nos primeiros tempos, mas também que o SNS tenha ainda mais dificuldades em atender os pacientes habituais, que o aborto clandestino permaneça (em alguns meios vai com certeza subsistir) elevado, e que se observe a aberrante situação de ver as mulheres de Espanha a vir abortar ao nosso país, quando em certas situações uma portuguesa tem de ir dar à luz a Badajoz. Sim, isso pode muito bem acontecer, e não é por acaso que já há uma clínica espanhola especializada em abortos a ser montada em Lisboa... mesmo antes de se saberem os resultados do referendo. Quem viu a entrevista a uma cinicíssima representante dessa casa não poderá com certeza ter deixado de reprimir um arrepio pela espinha.

Os vencidos da noite foram portanto os que estavam do lado do não, como eu, excepto talvez uma pessoa: Ribeiro e Castro. Com uma campanha infatigável, quase sozinho, foi o líder do único partido que disse "não" e na declaração oficial não atirou a toalha ao chão, prometendo que continuaria atento e a lutar pelas suas convicções. Ganhou um grande capital político, que Portas e os seus acólitos terão de enfrentar doravante.
Outros derrotados: Marcelo, claramente, e Marques Mendes. O PSD não entra nestas contas devido à sua divisão entre as duas opções. E embora tenha criticado este partido pela sua campanha ambígua, devo igualmente felicitá-lo: se a questão não era política nem partidária, então partido algum devia ter tomado posição, deixando o caminho aberto para os vários grupos de cidadãos. A partidarização de questões desta natureza é que tem tendência a afastar as pessoas das actividades cívicas; e nem assim se compreende os apelos para que a Igreja não se metesse ao barulho. Afinal de contas, porque é que os direitos dos partidos a fazerem estas campanhas prevalecem sobre as confissões religiosas? Só se a questão fôr afinal política, coisa que não é ou não deveria ser.
De tudo isto, retira-se ao menos um facto positivo: a maior participação dos cidadãos organizados fora das esferas partidárias. Um exemplo que deve frutificar.

Entre os vencedores, Sócrates, claro. A vitória do "sim" deve-se provavelmente a ele e a mais ninguém. A diferença entre 98 e 2006 esteve provavelmente na mobilização do governo e do PS quase todo, com as raras excepções do "não". O PCP conseguiu enfim ver aprovada na prática a tese de licenciatura do seu líder histórico, mas quanto a capital político, é duvidoso que tenha ganho muito. O BE terá ganho esta batalha, mas pelas reacções pantomineiras duvido que tenha angariado muitos trunfos. Aquele cartaz do "Bem-vindos ao Século XXI" é uma coisa confrangedora. Como é que pessoas que vivem, na melhor das hipóteses, nos anos setenta, podem servir de anfitriões ao Século XXI? Aquilo era antes um "bem-vindos à pós-modernidade"; tinha muito mais a ver com aquele partido e com este momento.

Como disse atrás, a questão está longe de estar resolvida. As convicções não se calam por causa de uma derrota nas urnas. E quase aposto que um dia terá de se fazer novo referendo sobre o assunto, mas noutro sentido. Se uns o puderam repetir, porque não os outros? É assim que funciona a democracia.

domingo, fevereiro 11, 2007

Não é para me fazer à lista, mas o Corta-Fitas merece os meus parabéns atrasados. Quanto mais não seja porque passou a ser um blogue de leitura diária obrigatória, depois de meses de indiferença a que o votei. A ignorância tem destas coisas. Muitos parabéns, então, e que o blogue continue exactamente como é.
Este ano já não ganhamos a 25ª

Eu já estava pessimista desde o sorteio, e as minhas desconfianças concretizaram-se da pior maneira: fomos afastados da Taça por um clube da Divisão de Honra. Não é tão mau como a eliminação do Porto frente ao Atlético, mas era escusado. Não me lembro de ver o Benfica ganhar naquele horrível estádio da Póvoa, que de bom só tem o estar em frente ao mar (e mesmo isso vai ser alterado).
O meu trauma já vem de 2001, naquele jogo em que ficou célebre a frase "deixem jogar o Mantorras". Lembro-me que paguei couro e cabelo, fiquei empilhado com os outros benfiquistas em meia bancada, mesmo sendo em maior número que os varzinistas, depois de me terem recusado a entrada no lugar a que tinha direito, e ainda vimos os locais a beneficiarem de uma arbitragem péssima que nos roubou descaradamente um penalty. A partir daí, fiquei com uns sentimentos de ternura em relação ao Varzim que me fazem anualmente desejar a descida da divisão onde se encontrem.
Infelizmente, continuamos sem ganhar naquele maldito estádio.Mas lá virá o dia (e que seja de novo na Taça, sinal de que os poveiros permanecerão nas divisões inferiores). Agora é recuperar a equipa para o decisivo encontro com o Dínamo de Bucareste. E desta vez tem de haver mais golos da nossa parte, entendido, Eng. Santos?

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Bem sei que a campanha do aborto está a deixar todos pelos cabelos. Mesmo assim, queria chamar a atenção para os posts do Timshel relativos ao assunto. A série Pasolini, o cineasta maldito italiano , é altamente recomendável, assim como os vários links dirigidos ao tema. Mais uma estocada na ideia de que esta discussão põe a esquerda e a direita em compartimentos estanques. Só surpreende a quem andar desatento.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Balcãs ou Cáucaso?


Tirando a Grécia (e mesmo assim, apenas a região da Ática), não conheço nada dos Balcãs. Essa região montanhosa, de que ouvimos falar quando ocorrem distúrbios e conflitos étnicos, com reminiscências ortodoxas e muçulmanas, e desde o último alargamento rodeada - se não ocupada - pela UE, apenas se me revelou vista do ar. Lembro-me claramente de ver Corfu quase a tocar na costa albanesa, e a linha do Adriático a banhar Montenegro e Croácia.

Sendo uma região ainda algo desconhecida nos roteiros turísticos e com amplas diferenças culturais no meio desta Europa "civilizada" onde vivemos, tenho desde há muito uma curiosidade imensa de conhecer essa região. Não somente (mas também) a parte mais visível e visitável, como as ilhas gregas ou as estâncias croatas; são sobretudo as cidades romenas e búlgaras, os Cárpatos, a tripartida Macedónia, o idílico Montenegro e até a misteriosa Albânia que chamam por mim. Aqui há uns anos, como tivesse a oportunidade de ir a um congresso de estudantes em Budva, aldeia costeira montenegrina, cheguei a elaborar um complicado plano, em que iria por terra de Veneza até à dita localidade. Mas tive exactamente nessa altura os meus exames de fim de curso e o plano gorou-se (ainda assim, pouco tempo depois passei por Veneza). Desde então, pensei em fazer larga peregrinação pela Grécia, mas a coisa ficou igualmente adiada.

Continuo com planos muito, muito teóricos para ir aos Balcãs. Depende sempre de uma data de factores, desde a disponibilidade, as economias, companhias, e, claro, a situação política que não prima pela estabilidade, embora não tenha grande vontade em ir para o Kosovo. Mas o interesse mantém-se. Sei que lá irei, só não sei quando.

 
Entretanto, brincando com a Wikipedia, fui dar a uma região de que me tinha esquecido, mas que, ao me ser mostrada em tempos num documentário televisivo, me tinha deixado assombrado.

No centro do Cáucaso, no norte da Geórgia, um país também politicamente instável e à procura do seu rumo, entre montanhas que ultrapassam os 5000 metros, existe uma região quase perdida, um povo com costumes ancestrais, que venera São Jorge e as matriarcas de família, tem um dialecto próprio e vive em aldeias vigiadas por torres medievais. Uma região chamada Svaneti, rara nos mapas.

Se pensava que os Balcãs eram algo de remoto, coisa que já não são assim muito, que dizer desta fronteira-sul entre a Europa e a Ásia? Confesso que apesar das dificuldades evidentes em ir até tal região, dados os conflitos no Cáucaso e os deficientes meios de transporte, fiquei com uma enorme vontade de ir até lá. Isto sim, seria uma aventura com o seu quê de autêntico. Apesar de tudo, parece-me que será mais fácil ir antes aos Balcãs. O Svaneti, depois de tantos séculos de pachorrento isolamento, não vai certamente sair do lugar.

Voltarei a este tema, mas acharia graça ver mais blogs com notas dedicadas ao assunto.

Mestia, capital do Svaneti, com as omnipresentes montanhas ao fundo
Novas actualizações no blogue Norte pela Vida.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

E prossegue esta infeliz e insuportável campanha



Continua a campanha para o referendo à despenalização da IVG (de vez em quando há que falar em linguagem politicamente correcta, que também não traz mal ao mundo e amansa as almas). Parece que alguma propaganda do "não" tem sido mais infeliz . Também não estava à espera que fosse um mar de rosas, sobretudo quando se cai no apelo da lágrima fácil, ou, pior ainda, se vem com a bíblia numa mão e Nossa Senhora de Fátima na outra. É óbvio que qualquer argumento cai por terra quando aqueles meios entram em jogo.
 
Do lado do "sim", a coisa também não corre pelo melhor. A começar por um dos outdoors mais espalhados ou nos panfletos que os "jovens pelo sim" distribuem infatigavelmente pelas ruas pedonais fora. Uma coisa claramente enganosa, mostrando uma menina de ar tristonho e belos olhos atrás das grades...quando se sabe que não há uma única mulher presa por fazer um aborto proibido pela lei. Também esse lado da campanha se deixou contaminar pela emoçãozinha fácil, como se vê.

Depois, claro, há a famosa "tolerância" e "racionalidade", tão bem demonstrada numa tarde lúdica de apoiantes do "sim". Uma actriz, dizendo-se empenhada em "questões sociais", à pergunta sobre os direitos do embrião, respondia que "a mulher também tinha direitos"; não consegui perceber bem o resto da resposta, mas pareceu-me que a pergunta não tinha sido satisfeita
Mais radical conseguiu ser o prestável Pacman, do grupo da doninha. À mesma pergunta, o rapper apenas disse isto: "Os direitos do feto? Pois, mas eu acho que a mulher tem direito ao corpo e ponto final". Ponto final aos direitos do feto, também, é o que se pode concluir desta declaração. Quem disse que os defensores do chavão "na minha barriga mando eu" tinham desaparecido?

Depois, um rapaz com piercings e ar de gostar de ir a manifs disse que na última semana a campanha do "não" iria recorrer a todos os tipos de mentiras, de chantagens, etc. Ou o jovem tinha um qualquer poder de premonição que nos escapa, ou então resolveu falar por falar para assim encontrar um pretexto para radicalizar o discurso.

Entretanto, realizou-se novo debate do "Prós e Contras". A parte que vi não correu mal, com argumentos esgrimidos sem grande gritaria e com algum respeito mútuo. Vá lá que Lídia Jorge deixou-se ficar em casa. Mas fiquei curioso com o discurso de Adolfo Mesquita Nunes: até tinha pontos bastante pertinentes, que dariam base para novas discussões (como a da lei actual também não se referir à vontade do progenitor nos casos em que prevê o aborto), mas com aquele afã anti-estatista deixou-me intrigado. Então a mulher grávida deve ter assistência quando quiser abortar (se o "sim" ganhar, claro) mas o estado não deve intervir? Então onde é que ela se deve dirigir? A uma clínica privada? E se não tiver meios, se as ONGs não acorrerem ao caso concreto, se recorrer ao "vão de escada", que é uma das questões mais puxadas para o debate? Aborta de forma clandestina na mesma? Mantém-se o crime e a situação que o "sim" diz querer evitar. A única alternativa que consigo vislumbrar seria o Estado pagar os abortos para que as mulheres que "precisassem" o fizessem nas clínicas privadas. Querem ver que depois da ideia do cheque-educação vai haver o cheque-aborto?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Entusiastas de uma vida breve

O ex-franco atirador, agora cultor de uma vida breve e entusiasta da despenalização + liberalização do aborto, assistiu ao debate de segunda-feira relaccionado com o referendo de dia 11. Assistiu mas viu umas coisas assaz estanhas. Parece que os defensores do "não" eram todos muito maus e os do "sim" todos muito brilhantes, sensatos, sensíveis, enfim, uma maravilha. Consta mesmo que Lídia Jorge (absolutamente inenarrável) teve "bom - senso" ao falar na "coisa humana". Já dá para ver a profundidade da análise. Mas fica igualmente o registo das duas partes da sessão que Luís M. Jorge teve o cuidado de descrever até onde a sua imaginação delirante o permitiu.
Ah! E não deixem de ler os comentários do clube de fãs, crendo que aquilo que leram era realmente o debate que se passou na televisão. Uma menina fala mesmo da "atrapalhação da gente acéfala do não perante as tiradas brilhantes da gente do sim". É só tolerância e honestidade intelectual, entre a malta do sim. Ao menos divertem as pessoas, e quem sabe, as "coisas humanas".

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Já há 99 anos
Há 99 anos, dois carbonários assassinaram a tiro o rei D. Carlos e o Príncipe Luís Filipe. D. Manuel escapou por pouco e sentou-se no trono por menos de 3 anos. Os assassinos acabaram imediatamente por ser mortos pela polícia , mas foram igualmente apelidados de "mártires". Os organizadores do atentado, fossem eles quem fossem, não chegaram a pagar pelo crime e acabaram também eles chegar ao poder, em 1910.
A propósito do Regicídio, alguns elementos do Corta-Fitas resolveram imaginar, há já uns meses, o que teria acontecido a Portugal se a tragédia não tivesse tido lugar. O Amigo do Povo respondeu ao repto e elaborou três versões alternativas da história de Portugal no Sec. XX, sendo que a de Luís Aguiar Santos é particularmente pormenorizada (tem inclusive abastada bibliografia). Ainda não pensei bem no caso, mas talvez deixe aqui a minha história sucedânea.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Entre África e Iwo Jima


Flags of our Fathers, última obra de Clint Eastwood, não poderá ser rotulado de "obra-prima". No mesmo sentido vão as nomeações de óscares, que se viraram preferencialmente para o aguardado "Letters from Iwo Jima". Mas dificilmente outro realizador conseguiria tocar numa batalha tão sangrenta e tão decisiva como Eastwood, não se deixando enredar nem em triunfalismos patrióticos (e aí está o seu filme japonês para o provar), de que um exemplo eloquente será Pearl Harbor, nem em miserabilismos pacifistas, com sentimentos de culpa inculcadas em todas as células. O que se vê é o sangrento episódio, do qual o público da altura só reteve a foto em questão, as angústias próprias da frente de combate, um legítimo sentimento de patriotismo à vista do estandarte. E os sobreviventes do acto simbólico, transportados por toda a América, num cortejo triunfal que não desejavam, sendo heróis sem o sentirem. As consequências foram amargas: não passando de cobaias para a angariação de fundos e para exortar a nação, depressa foram esquecidos por quem os tinha posto no topo do mundo - ou do rochedo de esferovite que surge logo no início, no meio de uma multidão eufórica.

O filme, claro está, aconselha-se, por tudo isto e não só: os diversos flashes não cortam a sequência narrativa, o elenco (de desconhecidos, à parte Ryan Philippe e Barry Pepper) é muito aceitável, e a fotografia é belíssima. A primeira parte lembra muito O Resgate do Soldado Ryan, ou não fosse Spielberg o produtor.

Mas é curioso reparar que a simbologia da imagem não é assim tão original. Já havia imagens semelhantes em diferentes contextos. É que a fotografia da bandeira de Iwo Jima lembra-me muito a imagem do Padrão de Santo Agostinho a ser erguido pelos homens de Diogo Cão na foz do Zaire. Acredito que os norte-americanos não tivessem qualquer ideia de fazer uma cópia inspirada no padrão, mas o que é certo é que já muito antes tínhamos colocado as nossas armas nacionais em territórios inóspitos. As semelhanças são mais que evidentes, mas entre os dois acontecimentos há quatro séculos e meio de intervalo.


(Não conheço o autor do quadro; agradecia a quem puder esclarecer-me)
Venha o sorteio

Mais uma vitória sofrida contra uma equipa do centro do país. Na segunda tivemos aquele brilhante jogo contra uma Académica à antiga, mas jogámos com o credo na boca até ao golo de Leo (até houve espaço para o humor, com aquela faixa a anunciar ao Luisão a Quima das Fitas, e os não menos hilariantes discursos científico-desportivos de Manuel Machado). Hoje, só com dois golos perto do fim, um deles do regressado Mantorras, é que conseguimos vencer a União de Leiria (ou Porto-b, como quiserem) e seguir em frente na Taça. Vá lá, continuamos invictos em casa, e além do mais este jogo trouxe-me uma recordação agradável: há três anos estivemos igualmente um jogo inteiro a atacar a baliza do Nacional e a perder, até marcarmos perto do fim dois golos em cinco minutos. Como é sabido, ganhámos mais tarde o caneco. Deus queira que a história se repita e conquistemos a 25ª.

sábado, janeiro 20, 2007

A confusão laranja

Muito pertinente, o reparo que Pedro Correia faz ao anúncio dos gastos do PSD. Um partido que não tem posição oficial sobre a despenalização do aborto vai gastar 500 mil Euros num "nim". Como? Colocando cartazes com slogans "apoiamos o não, mas também o sim", ou com Rui Rio e Marques Mendes, lado a lado, com balões ilustrando a sua posição oficial? Ou ainda outdoors diferentes em quantidades iguais? Ou outra coisa qualquer, mais enigmática ainda? Esclareçam-nos antes da campnha, senhores, ou arriscam-se a torná-la ainda mais confusa. Melhor, não façam qualquer campanha, que poupam dinheiro aos vossos cofres e a paciência ao torturado eleitor.
Aniversário esquecido

A pouca disponibilidade técnica para actualizar o blog faz com que aconteçam coisas destas. Não é que daí venha mal ao mundo, mas como gosto de relembrar estas coisas (eu e noventa por cento dos bloguistas) fiquei ligeiramente entristecido. Tudo porque há quatro dias atrás, quando escrevi as últimas linhas, não me lembrei que de que há exactamente três anos criei este espaço a que chamo A Ágora. É verdade, há estou ligado ao meio desde 16 de Janeio de 2004. E se escrevo pouco nos dias que passam, isso deve-se não a qualquer sentimento de fastio, que me tem assaltado noutras alturas, mas sim ao facto de nem sempre estar ligado à net. Daí também o lamentável esquecimento, comparável, dentro das devidas dimensões, a olvidar o dia de anos de casado (apesar de ser um estado civil cujo mistério ainda desconheço). Como todos os maridos embraçados, prometo igualmente tentar compensar o meu blogue da forma como merece, para minimizar estragos e prosseguir com esta ligação de três anos.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Por razões técnicas, não tenho podido actualizar o blog. Nada que não se resolva em poucos dias. Até lá, podem-me encontrar tambémno blogue do movimento Norte pela Vida. A mim e a vários outros escribas, de diferentes idades, profissões e ideias. Comungam apenas por uma ideia comum: a de que o aborto livre não representa qualquer solução válida para as mulheres nem para o aborto clandestino. Vão lá e demorem o tempo que quiserem.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Vitória alcantarense




Actualmente tenho andado mais por Lisboa do que pelo Porto. As minhas obrigações passam agora perto de Alcântara, o que faz com que almoçe muitas vezes nas tascas, snacks e restaurantezinhos da zona, entre outros estranhos de serviço, como eu, e os locais, saudosos dos tempos em que não havia a Golden Gate lisboeta, das fábricas agora em decomposição, da faina portuária, dos jogos que enchiam a Tapadinha. Enfim, da altura em que Alcântara não tinha viadutos cruzados, mais actividade nocturna que diurna, mercê do Garage e das Docas, ou duplos cafés do Herman. Nem do Atlético, a jogar em divisões secundárias.

Mas no que toca à agremiação desportiva parece que ainda há momentos altos. Quando me contaram que o velho clube de Alcântara tinha levado de vencida a mui segura de si e "futuro bi-campaõ nacional" equipa do Porto, e logo no Dragão, julguei que estavam a brincar. Mas não. Era mesmo verdade: para o Porto, couberamas lembranças de uma tarde parecida, com o Toreense; para o Atlético, uma jornada de glória, que nem um penalty inventado no quinto minuto do prolongamento abalou; para os outros, alguns risos inesperados e um dia bem passado. Devo dizer que estava num local que exigia alguma solenidade, e as minhas exclamações ao saber da notícia foram muito pouco ortodoxas, mas verdade seja dita, não vi quaisquer recriminações.
Ao fim da tarde passei pela zona de Alcântara-terra: alguns carros apitavam, e os alcantarenses apinhavam-se à porta das cervejarias, de copo na mão e cachecol do Atlético ao pescoço, comentando o feito. A equipa, essa, comemorava na Bairrada (de onde uma das equipas tinha sido goleada na Luz também para esta competição), antes do regresso triunfal.

Andava a congeminar uma dia à Tapadinha um dia destes para ver um jogo do Atlético. Depois disto não há volta a dar-lhe. Tenho mesmo de assistir a uma partida dos amarelos de Alcântara. E até lá, continuarei a frequentar-lhes as tascas e a ler os jornais do clube, gratuitamente distribuídos nos balcões dos estabelecimentos. Parabéns, Atlético Clube de Portugal!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Ainda aqui não falei do referendo ao aborto, marcado para 11 de Fevereiro. A minha posição? É simples. Não mudou desde 1998. Agora preparo-me para ouvir os argumentos de sempre e os novos, entre alguns inventados numa tempestade cerebral de delírio e outros muito interessantes e que merecem ser reflectidos.
O que voto? Não. Falarei deste tema com mais calma, até porque nos próximos tempos vai estar em destaque aqui no rectângulo.