sábado, novembro 18, 2006
Haverá plágios inevitáveis?
quinta-feira, novembro 16, 2006
Na sala de espera do dentista, a televisão estava acesa no canal Hollywood. Estava a dar O Silêncio dos Inocentes. Convenhamos que as opções do consultório são assim um bocadinho para o sádico. Ou quanto muito para o inconveniente. Não tivesse visto à saída e daria para desconfiar. Felizmente para quem estava a seguir, sempre se podia distraír com alguns números da revista NS e as simpáticas raparigas da capa.
terça-feira, novembro 14, 2006
"Chile, Índia e China, são alguns dos exemplos de países que, por tomarem a decisão de ampliar cada vez a liberdade em suas economias, desfrutam de maiores e crescentes taxas de desenvolvimento a cada ano.
Temos o Brasil hoje em direção oposta aos ideais liberais e nas mãos de políticos incompetentes e desonestos.(...) temos novamente o Lula dos escândalos, que acoberta “movimentos sociais” que colocam em risco a liberdade e a propriedade privada"
Este é o texto que uma colunista brasileira chamada Marília Bertoluci escreveu na Causa Liberal antes da segunda volta das eleições brasileiras. Como se vê, para alguns "liberais", a China é um modelo preferível ao Brasil. E também se verifica que a liberdade, para esta senhora, se resume à sua vertente económica. Nada de novo. Era só para confirmar.
domingo, novembro 12, 2006
No Franco Atirador, um interessante desfile de Joly Rogers, dos mais diversos estilos e formas (mas não cores, está claro), revelando as influências Stevensonianas que percorrem esse blog.
Surgiu o Apatia Geral, uma espécie de fotocópia light do Blasfémias, mas com menos imaginação. Parece que todas as ideias foram retiradas aos seus mentores (inclinação política e económica, clubismo, autores, e compare-se o nome e subtítulo do blog com o "combate à bovinidade" dos blasfemos originais). Por certo uma filial não muito bem disfarçada, para espalhar o "combate político".
"Rui Rio, o que gosta de carros, mudou as placas com os nomes das ruas da Invicta. Foi o seu maior gesto, encher as esquinas com placas verdes", no 5dias, um blog que merece ser visto, porquanto esteja politicamente identificado numa área bem precisa. É a minha oportunidade para falar de um mero assunto local muitas vezes adiado: uma das grandes obras de Rui Rio foi a alteração das placas toponímicas da cidade. Melhoras? Poucas. As placas verdes não são mais visíveis do que as suas antecessoras de letras negras sobre fundo branco. E na minha rua a substituição deixou-me particularmente aborrecido. A placa que a sinalizava era muito maior do que qualquer outra da cidade; era visível, elegante e altaneira. Só que não sei por que carga de água, tiraram-na e puseram no seu lugar uma das tais tabuletas, que se confunde com o verde da relva em que assenta. A massificação de tabuletas dessa cor, sem critério nem atenção ao caso concreto, também deve ter custado uns dinheiros à câmara, para mau serviço de sinalização e menos fundos pecuniários em coisas para as quais seriam bem mais úteis.
sábado, novembro 11, 2006

Pois é. Apesar dos mais anglófonos relegarem sempre o fascismo para o "Continente"(com notória influência em Alberto João Jardim) , recusando liminarmente que a Velha Albion tivesse sido influenciada pelo ar de tempo, a verdade é que também lá a moda pegou. Não me refiro às simpatias temporárias de Churchill e outros políticos pela ascensão de Mussolini, mas sim a verdadeiros movimentos inspirados directamente no fascismo italiano, onde pontificava o British Union of Fascists(BUP), de Sir Oswald Mosley, antigo Conservador e Trabalhista desiludido. Além de toda a doutrina, não faltavam as indispensáveis camisas negras e os grandes comícios.
O partido teve um grande crescimento até à Segunda Guerra Mundial, altura em que, fazendo campanha pela paz, Mosley e outros companheiros de luta foram presos, e o seu partido acabou por se dissolver. O líder fascista regressaria depois com ideias federalistas para a Europa, que pretendia transformar em nação única, e com um novo partido, recauchutado do anterior (tinha até o mesmo símbolo, o "flash and circle"), o National Party of Europe, com ligeiros resquícios actuais. Mas ideias de Mosley ficaram com ele e com poucos admiradores. Eram fundamentalmente produto do seu tempo, da efervescência política e ideológica dos anos trinta, e não sobreviveram à derrota do fascismo na 2ª Guerra.
Já agora, atente-se no aproveitamento que a BD e a ficção científica de animação, como alguns super-heróis, fizeram do símbolo dos fascistas britânicos, o "flash and circle". Casos da soberba aventura de Blake and Mortimer"A Marca Amarela", ou de Flash Gordon. E muitos outros.

Parece que desta vez, ao contrário do que alguns quiseram fazer querer, as causas das mortes de 18 palestinianos não foram os "escudos humanos" nem um "ataque cirúrgico com danos colaterais", nem "odireito de Israel a defender-se". Foram "erros técnicos". Voluntários ou involuntários é coisa que se descobrirá. Já é positivo que o governo de Olmert tenha reconhecido o facto e oferecido ajuda. Mas o mal está feito, as vítimas estão contadas, o ódio de novo espalhado, e as suas consequências serão provavelmente demasiado gravosas para que se pense em tréguas milagrosas.
sexta-feira, novembro 10, 2006

O Benfica é (reconhecido oficialmente hoje pelo Guiness) o maior do clube do Mundo em sócios. A parte dos sócios não será propriamente uma notícia inesperada. Mais cedo ou mais tarde sabia-se que isso iria acontecer. O que me intriga mais é a primeira parte da notícia. Mas então isso é novidade para alguém?
quinta-feira, novembro 09, 2006
Entretanto, há já algumas reacções curiosas. A de João Miranda, por exemplo, antes de saber da demissão de Rumsfeld, mostrando porque é que a derrota dos Republicanos nada tinha que ver com Iraque nem sequer com Bush (Schwarzenegger, sendo Republicano, não parece ser da mesma opinião). E a de Henrique Raposo, tentando disfarçar um pesado aborrecimento com os resultados eleitorais, despejando um par de sentimentos do mais puro e sintético anti-europeísmo, comparando as virtudes americanas com os pecados da "decadente" Europa. Comparações facilmente desmontáveis, como a do "líder neo-fascista com 18% de votos", ou do "presidente que se mantém no poder para fugir a condenações". É só pôr parte da classe política americana ao lado, sobretudo a que perdeu hoje, para avaliarmos as suas "virtudes". Ou relembrarmos que problemas raciais são coisa que não falta nos EUA. E que certas restrições à liberdade, como as provenientes de certos fundamentalistas dos costumes, provêm precisamente do Novo Mundo. Que deste lado a pena de morte não é bem vista. Ah, e não esquecer também a indecorosa perseguição a Clinton pelas suas escapadelas extra-conjugais. Não me lembro de ver tal degradação moral na Europa.
Quanto a sentir-se melhor entre habitantes do Cabo Horn ao Alasca, é com ele. Conheci muitos nativos da lado de lá do oceano com quem me dei muito bem. Por mim, gosto muito de ser europeu e é entre eles que me sinto bem, particularmente com os do Sul. Se o Henrique experimentasse com uma menor dose de preconceito, talvez até conseguisse. Mas se se sente tão pouco à vontade, porque é que ainda vive nesta terra que detesta e não se muda para as Américas? Ninguém o impede, e sempre se aumentava a auto-estima de que esta terra tanto precisa.
PS: reparei entretanto noutra coisa: Henrique Raposo diz que "parecemos (ele também, portanto) aqueles aristocratas do filme da Coppola". Olhando para a galeria, não unicamente a dos espelhos, acho que não sou minimamente parecido com eles. Ainda por cima, os anglófilos/americanófilos lamentam sempre a sorte dessas tais aristocratas. Acho piada é que quando querem dar exemplos destes, recorrem sempre a franceses. Depois falam no anti- americanismo a torto e a direito.
A condenação à morte de Saddam, sendo já esperada, não pode deixar de ser criticada por todos os que se opõem à pena capital e que pensam que a privação da vida não é uma solução justa, mas meramente vingativa. Claro que desse grupo não faz parte o sempre inenarrável W. Bush, que reagiu à notícia com a esclarecedora frase "é uma grande conquista para o Iraque". Como é óbvio, quem se baseia unicamente no coldre e na Bíblia para daí construír as suas únicas concepções do mundo, ou que acredita que Jesus era um filósofo, só se podia congratular com esta sentença. Provavelmente tentando esquecer que o réu era um fiel aliado da Administração da qual o seu pai era Vice-Presidente (para depois se tornar em inimigo directo, em 90).
É claro que depois do dia de hoje, o Presidente americano terá muito mais com que se preocupar. A derrota no Congresso para os Democratas acabou por ser mais expressiva do que o imaginado, mesmo com a agressiva campanha republicana. Também em governadores estaduais houve subidas pelo partido do burro. O Senado está por um fio, e se também o perder, o bloco conservador americano averbará um fracasso em toda a linha, mais visível ainda por uma afluência às urnas maior do que a esperada.
Com este desaire, uma cabeça já rolou: a do ignóbil Rumsfeld, arquitecto da invasão do Iraque, responsável político por Guantánamo, Abu Grahib e outras situações semelhantes. Já vai atrasado. Desde que se soube das torturas nas prisões iraquianas que a decência teria obrigado este homem a ir para a rua. Algum dia tinha que ser. A atoleiro do Iraque acabou por ser a razão maior que o condenou a saír. Sempre é melhor que a do homem cuja mão apertou nos anos noventa.
terça-feira, novembro 07, 2006
Tem toda a razão este texto de Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado. Até ao momento em que se começou a falar de troca de seringas na prisão, não se comentava o assunto nem se propunham soluções. Agora que estes novos métodos para impedir a expansão de doenças infecto-contagiosas vão ser aplicados, só se ouvem exclamações como "afinal parece que há droga nas prisões", ou "não se deve estimular o consumo, e sim impedi-lo" . Mas que há consumo nas prisões já se sabe há que tempos! Uma prisão não é um jardim infantil, é um local de suposta regeneração ou de isolamento daqueles que desobedecem às regras da sociedade, onde a droga corre, como uma escapatória imaginária às grades, onde há violência, homossexualidade imposta, presos com mais status que outros, suicídios. E só agora é que se apercebem disso? Parece até que é uma revelação do Apocalipse. E que medidas alternativas haverá? Existirão algumas, com certeza, mas até conseguirem ser implementadas mais vale aliviar o drama prisonal. Por isso, concordo totalmente com a troca de seringas nas prisões. Diminuír flagelos como a SIDA e outras doenças parece-me um bom princípio, e os bons exemplos vêm-se como de costume em países onde estes métodos são já correntes.
sexta-feira, novembro 03, 2006

Depois do jogo estreei-me no imponente Café (e antigo cinema) Império. O espaço agradou-me, como já esperava, até por ser imenso e eclético, muito embora faltassem os bilhares que me disseram terem existido ali. Só é estranho que tenha lá ido pela primeira vez DEPOIS do estabelecimento fechar.
PS: falando em cafés, há dias vi num álbum imagens da Brasileira do Rossio, já extinta. Há também a do Chiado, a do Porto, em Sá da Bandeira, a de Braga, e houve até há poucos anos a de Coimbra, no correr da Ferreira Borges. Agora até abriram uma no centro comercial por baixo do Campo Pequeno, obviamente mais escondida e artificializada, e decorada a neons. Akguém tem ideia se havia ou há outras Brasileiras por esse país fora?
Até correu benzinho. Lá despachámos os simpaticos célticos por 3 secos, a resposta ao descalabro de Glasgow. Mas fiquei com a impressão de que com mais um bocadinho de vontade e menos perdas de bola podiámos ter ido mais longe. Daqui para a frente é uma guerra sem quartel. Até ao próximo jogo, continuarei a pensar como pudemos perder com estes tipos por números tão volumosos.
segunda-feira, outubro 30, 2006
sábado, outubro 28, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
Depois da benesses concedidas ao Porto em Avalade, como o inexplicável perdão a Paulo Assunção, e das tropelias de Carlos Xistra na Luz, com um belo trabalho impedindo o Benfica de marcar mais golos na Luz e atirando Micolli para fora do jogo nas antas, confirma-se que o caso do Apito Dourado está definitivamente morto e enterrado e que a compra de resultados, ou pelo menos de árbitros, está aí, de volta e mais descarada do que nunca. Nem vale a pena ter esperanças de repetir a brilhante vitória do ano passado. Mais vale que quem está por trás desta tramoia encomende já as faixas. Assim como assim, já nem disfarçam.
sábado, outubro 21, 2006
A atribuição do Nobel da literatura a Orhan Pamuk não surpreendeu excessivamente. O escritor turco estava já na lista de candidatos, pelo que não houve reacções de escândalo ou euforia. Como quase só ouvi falar dele na última semana, não posso deixar aqui uma opinião crítica sobre a sua obra, que tem merecido rasgados elogios, ou a justiça do prémio. Outros havia, mais sonantes, mas se ganhou este é porque o júri tinha justificadas razões.
O que já me incomoda mais são as colagens políticas que inevitavelmente fazem sempre aos vencedores ou candidatos, ou porque uma determinada causa se cola a um deles, ou porque o comité do Nobel está "politicamente comprometido" (normalmente é acusado de ser "politicamente correcto"), ou ainda porque os adeptos dos que não ganham ficam irados pelas razões extra-literárias dos seus escolhidos não são tidas em conta.
Caso paradigmático é o do ano passado. Muitos atiraram-se à escolha de Harold Pinter pelas suas preferências pró-comunistas e anti-americanas (que o dramaturgo inglês tratou de confirmar num violento discurso por audiovisual, na cerimónia de entrega do prémio), vendo aí um inequívoco compromisso dos votantes escandinavos com as ideias defendidas pelo laureado. A ser esse o caso, seria de um facciosismo e de uma irresponsabilidade atrozes. Simplesmente, alguns desses críticos também estavam contra a escolha, não por discordarem da obra em si (muitas vezes nem sequer a conheciam, como muitos dos que se atiraram a Pinter), mas exactamente porque o vencedor ostentava uma conotação política adversa da sua. Caiem todas as eventuais razões de indignação e fica apenas a mesquinhez e a hipocrisia, muitas vezes cobertas com um véu de ignorância sobre o mérito do prémio.
Neste caso, dá ideia que a Academia premiou o escritor um pouco por causa da sua luta contra o abafamento do genocídio arménio e da repressão contra os curdos que vigentes na Turquia. São causas nobres, sem dúvida, que merecem o maior apoio. Só que o Nobel da Literatura devia estar reservado para os grandes trabalhadores da escrita e da língua, para os que escrevem deleitando, em prosa e poesia, para os que revelam sensações, angústias, emoções, estados de alma ou de espírito, para os que criam novos estilos e novas linguagens, para os que legam à humanidade as suas obras inspiradas pelo génio e pelo engenho. Nobeis para boas causas serão os outros, nomeadamente os da Medicina e da Paz (muitíssimo bem entregue, o deste ano, esperando que vingue ainda mais), pelas quais foram aliás criados. Por isso não posso concordar com entusiastas desta escolha pelas razões que apresentam, como José Manuel Fernandes, que disse no Público que "A Academia desta vez acertou". Talvez tenha acertado, mas não certamente por essas razões.
sexta-feira, outubro 20, 2006
Aparte todo o registo trágico-cómico-melancólico de Volver, o último filme de Almodôvar (e o primeiro em muitos anos com Penélope Cruz), houve um pormenor que me chamou a atenção. Na altura em que a irmã de Raimunda (a personagem de Cruz) chega à casa da tia morta na véspera, depara-se, ao fugir do suposto fantasma da mãe,e vai dar por engano ao pátio onde estavam os homens, macambúzios, falando baixo com um copo na mão. Num compartimento mais acima, as mulheres carpiam-se, trazendo à baila recordações e abanando-se vigorosamente com leques. Toda esta acção se passa numa aldeia fictícia da Mancha, entre uma paisagem árida e ventosa, onde se destacam campos de ventoinhas eólicas.
E lembrei-me dela pelo seguinte: os mesmíssimos elementos aparecem por esta ordem na peça teatral de Garcia Lorca A Casa de Bernarda Alba (onde cheguei a entrar como figurante nos meus tempos de liceu), salvo que aqui a cena passa-se na Andaluzia, mais sul. Mas a estrita divisão homens-no-pátio/mulheres-dentro -de-casa-abanando-se-com-o-leque está lá, numa divisão sexista, arreigada. E a obra data de 1935, pouco antes do assassinato do poeta e dramaturgo espanhol. Já o filme passa-se na actualidade. Acaba por ser uma homenagem involuntária de Almodôvar a Lorca. E revela como é espantoso que certos hábitos permaneçam em algumas regiões que parece que pararam no tempo. E que, pese a tragédia e o clima de inflexibilidade extrema que paira sobre a peça de Lorca, muitas tradições de velar os mortos conservam um respeito e uma austeridade imutáveis, não deixando ainda assim de olhar a morte com certa naturalidade. Será uma manifestação de obsole
tismo arcaico, mas não deixa de ter uma dignidade que impõe respeito. quinta-feira, outubro 19, 2006
Abraçando os concelhos de Boticas e Montalegre, com 1279 metros de altura no ponto mais alto, fica a Serra do Barroso, já uma antecâmara da Peneda-Gerês. De Boticas começa-se a subir, passa-se por Carvalhelhos e chega-se à aldeia de Alturas do Barroso, perdida lá no alto. Uns centos de metros adiante ficam os "Cornos das Alturas", dois cabeços com vestígios castrejos no seu cocuruto e que lembram os chifres do gado desta região, aquele mesmo que nos proporciona combates violentos entre os seus machos, além da carne de primeira ordem. A paisagem é pedregosa, a vegetação predominantemente rasteira; mais abaixo abundam os lameiros e os bosques de abetos, que no Inverno, com neve, revelarão seguramente uma paisagem autenticamente natalícia.
Depois dos Cornos desce-se até à zona das grandes barragens. A maior de todas está lá em baixo, a do Alto Rabagão, ou Pisões, que em Portugal só é ultrapassada em área e capacidade pelo Alqueva. A vista daquela quantidade de água, de um azul profundo, neste Verão, é um enorme contraste com as penedias que se erguem atrás, envoltas no tojo. Um cenário de beleza selvagem mas serena, de autenticidade transmontana, em que se se pode ouvir perfeitamente os zumbidos dos insectos, tão escasso é o tráfego por aqui.
Os Cornos das Alturas, Barroso, Agosto de 2006.
Barragem do Alto Rabagão, Agosto de 2006.
Sobre esta região, ver também este post do Abrupto (há reamente uma eólica juntos aos dois cotos, provavelmente para alimentar a aldeia), este blogue, e mais estes dois.
terça-feira, outubro 17, 2006

segunda-feira, outubro 16, 2006
Já deve estar em poucos cinemas, mas a verdade é que Uma Verdade Inconveniente é uma agradável surpresa. Pedagógico, bem explicado, divertido e muito eficaz, afastando dúvidas prementes. E Al Gore é, imagine-se, um bom actor para o filme em questão. Totalmente aconselhável a cépticos e negacionistas de um dos maiores, se não mesmo o maior, problemas do nosso tempo.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Parece que depois do meu último post se multiplicaram as declarações em sentido parecido em diversos blogues. No Público de hoje, Pacheco Pereira escreve um interessante artigo sobre o mesmo assunto, e sobre o semi-paradoxo do preconceito de querer colocar Salazar na lista vir precisamente do "respeitinho" tão inculcado pelo Estado Novo (só é pena que recorra ao seu tão querido e exausto "politicamente correcto", mas aqui até é aplicável).
Entretanto já actualizaram " lista de sugestões" de forma mais consensual, ou pelo menos mais sensata. Além de Salazar, incluíram igualmente Marcello Caetano. E Pedro Hispano, outro nome imprescindível, que se não me engano, não constava lá há dias. Ainda assim há falhas: puseram lá dois Eduardos, Gajeiro e Souto Moura, que eram escusados, e esqueceram-se do Lourenço. E D. João IV continua de fora. Vá-se lá entender...
terça-feira, outubro 10, 2006
quinta-feira, outubro 05, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
Outra conversa da semana passada, resultante da tal sondagem do Sol, que dizia haver 28% de portugueses que queriam ser espanhois. Normalmente, há dois tipos de iberistas: os que vivem no interior profundo, e se sentem abandonados pelas autoridades centrais, e em geral pelo resto do país, e aqueles que por causa da nossa emperrada economia e baixo crescimento, à vista das Zaras, dos Seats e de Penélope Cruz, lamentam-se da sua sorte e clamam ardentemente por Espanha. Se os primeiros têm a sua dignidade, os segundos são de uma precipitação mesquinha e néscia coberta por argumentos inexplicáveis, como os do Arquitecto Saraiva (isto deve andar tudo ligado), que diz que "estamos a atravessar a maior crise da nossa história". Seria bom que alguém fizesse aos senhores iberistas a seguinte pergunta: teriam a mesma vontade de se juntar ao país vizinho se vivessem em 1936?
segunda-feira, outubro 02, 2006
sexta-feira, setembro 29, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
O Benfica anda em maré de maus resultados. Depois do balde de água fria (para mim literalmente, porque tinha acabado de fugir da chuva) em forma de golo pacense já nos descontos, depois de um jogo controlado e duas bolas na barra, tinha agora de vir esta maldita derrota com o Manchester United. Viu-se uma primeira parte aceitável, mas depois do velocíssimo contra-ataque que culminou no golode Saha, a equipa, inexplicavelmente, retraiu-se, perdeu forças, deixou de pressionar. O meu medo do nulo final era mais optimista do que pensava. E os jogadores tiveram uma atitude contrária à do ano passado, quando foram para cima em busca da passagem aos oitavos. Resta-nos vencer os confrontos com os católicos de Glasgow, contra os dinamarqueses, e, quem sabe, obter as migalhas na última jornada aos ingleses, que por certo já terão tranquilamente alcançado o 1º lugar, depois da humilhação do ano passado. A coisa não está fácil.
segunda-feira, setembro 25, 2006
Bizantinices e fanatismos
quinta-feira, setembro 21, 2006
O melhor blog de futebol, o Terceiro Anel, encerrou actividades por manifesto défice de manutenção. É o fim anunciado do melhor blog português de futebol.
Menos radicais foram o Estado Civil e o Franco Atirador, que resolveram fazer uma pausa.
domingo, setembro 17, 2006
sábado, setembro 16, 2006
Sobre o jogo do Benfica em Copenhaga, não vale a pena falar. Um pontinho conquistado num jogo medíocre, contra uma equipa que ainda não demonstrou se é realmente um outsider ou se vale mais do que se pensa. Dos outros, além dos desempenhos portugueses, reparei nalgumas goleadas, como a do Steaua no estádio dos vizinhos de Kiev. Mas reparei igualmente,no dia seguinte, ao consultar algumas fichas de jogos, nalguns nomes da equipa ucraniana do Shaktior Donetsk: um jogador chama-se Olexei Gay; e ainda há outro, romeno, chamado Marica. Bem sei que os apelidos hoje em dia pouco significam, mas acredito que estes possam provocar alguma perplexidade, ou, quanto muito, desconfiança, a António Oliveira e à sua teoria do "futebol macho".
quarta-feira, setembro 13, 2006
Começo a concordar com aqueles que dizem que a memória do 11 de Setembro está a ficar banalizado. Com a enxurrada de documentários, filmes, telefilmes, entrevistas, debates, alguns Pró, outros Contra, teorias da conspiração e demais programação avulsa, em qualquer tipo de comunicação social, receio que isto se esteja realmente a banalizar. E no entanto não merecia. Quem nos manda viver num mundo com excesso de informação?
sexta-feira, setembro 08, 2006
No suplemento Local (Norte)do Público de segunda-feira, vinha em destaque um artigo sobre os desacatos provocados por adolescentes em Moledo, nos últimos dias de Agosto. Como testemunha in loco de algumas réstias dessa situações, confirmo a descrição do artigo. A "miudagem" que cirandava pela povoação à noite, de copos e cigarros (legais ou não) na mão, nem sempre tinha propósitos pacíficos. O mínimo pretexto ou discussão servia para os pôr num estado de tensão ou de conflito pouco recomendável.
Claro que, como frisava o jornal, não se tratava exactamente de malta dos bairros, de resto pouco frequente naquela zona não urbana, mas sim de filhos de veraneantes, quantas vezes de classe média alta, a quem os pais, para não se aborrecerem, davam rédea solta e dinheiro para a mão. Os resultados, como desacatos frequentes que obrigaram mesmo a chamar a polícia, ou uma imensa barulheira dividida entre batuques e vozes altas, ficaram à vista
Melhor exemplo para mostrar as consequências da demissão das famílias na educação dos filhos é impossível. Eis uma boa temática a ser estudada por Maria Filomena Mónica. Fazendo o que bem lhes apetece com os meios necessários, julgando-se "rebeldes" e donos de si, tornam-se pequenos delinquentes. Actos próprios de quem julga que o mundo é seu, mas a quem falta valores para o poder julgar e compreender. Não se trata de "rebeldia" contra qualquer "sistema" ou qualquer imposição forçada ou mais castradora: é apenas a satisfação dos humores do momento, de qualquer maneira, sem sombra de racionalidade. Obviamente, um insulto a qualquer "rebelde" que se preze e que tenha uma causa mínima. Como não acredito em rebeldias sem causa, e como acho que a história da irreverência juvenil tem os seus limites, embora seja natural e até desejável nos seus meandros normais, quase que desejava o regresso de alguns castigos corporais para pôr algum travão a esta malta. Como apesar de tudo vivo no nosso tempo, apenas gostava que alguns paizinhos assumissem algumas responsabilidades e dessem às proles alguma educação a sério, ao invés de lhes darem notas. É que marginais por marginais, sempre prefiro a rapaziada dos bairros camarários, com bastantes mais problemas sociais e económicos que determinados meninos irresponsáveis.
quinta-feira, setembro 07, 2006
Em Mirandela organizou-se uma marcha lenta pelo IP-4 como forma de protesto pela anunciada saída da maternidade do concelho. Embora duvide da eficácia da iniciativa,e crendo que não ficaria muitocontente se tivesse de viajar nesse troço ás mesmas horas, estou totalmente de acordo com os mirandelenses. É certo que ministros, directores de jornais e "fazedores de opinião" acham que "é impossível ter todos os serviços ao virar da esquina". É verdade. Mas acredito que os que invocam esse argumento não vivam propriamente numa região com falta de estruturas básicas, como vias de comunicação decentes, hospitais, ou mesmo uma adequada oferta cultural. Aposto que 99% não residem a mais de trinta quilómetros do litoral.
Mirandela não é Barcelos, nem Santo Tirso, nem Oliveira de Azemeis. Não é exactamente um fim do mundo, mas as pessoas não têm a possibilidade de chegar à maternidade mais próxima num quarto de hora. Até porque Bragança é o único distrito continental que não tem um metro de auto-estrada. Parece que há mesmo a ideia (criminosa e desprovida de sentido) de encerrar o que resta da linha do Tua. Imagine-se ainda como será para as populações de Freixo de Espada à Cinta ou de Vimioso, ainda com piores acessos. Quando se fala na interioridade do país, melhor seria não vir com o "impossível ter os serviços à porta". Há quem não os tenha num raio de dezenas de kilómetros.

Sim, também é possível ver o ambiente dos film noir e dos romances policiais da Colecção Vampiro (ou mesmo da sua antepassada, a colecção Escaravelho de Ouro, da qual herdei alguns exemplares) escrito em português e por portugueses. É claramente o caso de Mão Direita do Diabo, de Dennis McShade, pseudónimo de Diniz Machado, com o seu anti-herói Peter Maynard, seco e rude, mas culto, a sua dreamgirl, as suas ligações aos sindicatos do crime, os seus comparsas ítalo-americanos, a sua úlcera, que o impede de tocar em álcool, tudo numa aura negra, cómica, gangsteriana. Para apreciadores do gênero, por muito que alguns o considerem "menor". Bem haja o Público e a Colecção 9 mm.
terça-feira, setembro 05, 2006
Não houve quem, nos jornais ou nos blogues, se escusasse a deixar a sua declaração desentimentos ao Independente (é escusado fazer o link). Deixo então o meu modesto contributo para o epitáfio ficar completo.
Lembro-me ainda do primeiro número do jornal e da imensa publicidade que lhe fizeram, que conseguiu esgotar a primeira edição. Como era muito novo e a política era para mim um terreno obscuro onde se moviam seres engravatados, só me lembro de ver anunciado um cantor negro de jazz.
O perfil do jornal, graças à dupla MEC/Paulo Portas, era o de um libelo anti-cavaquista, que o rodeava pela direita, muito embora se inspirasse no esquerdista Liberation, com um estilo mordaz, frontal e agressivo, que tanto desenterrava casos reais como estampava histórias de veracidade mais que duvidosa.
Lembro-me particularmente da primeira metade dos anos 90, os do grupo do Altis, que criou o PP de Manuel Monteiro. Uma geração de jornalistas, agora mais convencional, formou-se exactamente no semanário de sexta-feira. O apogeu do jornal data dessa época, que coincidiu precisamente com os ataques mais acirrados ao cavaquismo. Alguns deles eram claramente injustos e mesmo infames. Lembro-me da perseguição que fizeram a Macário Correia, em que inclusivamente colocaram uma fotografia dos seus pais com aspecto, em parte forjado, de campónios. Miguel Esteves Cardoso veio aliás mais tarde pedir desculpa por esse exagero. O suplemento Indy não era menos irreverente (lembram-se da BD do major Alverquinha?), com críticas sardónicas de MEC, e outras um pouco mais sérias dos diferentes colaboradores.
O restante percurso do jornal é sabido. Portas trocou o jornalismo e as mangas de camisa pela política e pelos fatos de corte clássico; Esteves Cardoso saíu com outros projectos e regressou durante algum tempo, já sem o vigor do início. O projecto semi-ideológico do Independente começou a esgotar-se. Nos últimos anos, verificou-se uma tentativa desesperada de voltar aos "velhos tempos", mas já era tarde, e as ideias estavam longe de ser frescas e originais. Embora pudesse surpreender inicialmente, constata-se que o fecho do jornal era afinal uma inevitabilidade que ninguém se tinha lembrado de prever.
Com o fim de uma era no jornalismo luso, fica assim um espaço em branco à direita, tal como em todas as outras vertentes, a começar pelos partidos. O Semanário é uma irrelevância, o Diabo só mesmo para nacionalistas trauliteiros, o Expresso não tem suficiente carga ideológica, mantendo-se próximo do PSD (olha a redundância!). Está-se à espera do Sol para saber o que sai dali, mas calcula-se que seja um veículo para publicitar os pensamentos e as vaidades de José António Saraiva (e do omnipresente e enjoativo Marcelo Rebelo de Sousa). Talvez a legítima herdeira do Independente seja mesmo, num estilo menos irreverente e ácido, mais professoral e aprofundado, a revista Atlântico.
sábado, setembro 02, 2006
Não sendo tão aficionado desta estrela dos nossos tempos como alguns bons rapazes, a quem agradeço a fotografia aqui exposta, apraz-me registar que Scarlett Johansson surgirá no novo (e há muito esperado) filme de Brian de Palma, The Black Dhalia, o primeiro desde o intrigante e fantástico Femme Fatale. Um film noir como nos velhos tempos do gênero, felizmente. E aqui a "femme fatale" é a própria Scarlett. Que surgirá também em Scoop, outra parceria com Woody Allen, também em Londres, mas num registo mais de comédia do que em Match Point. Duas boas notícias para as telas de cinema. Será o melhor sinal de que o Verão acabou, apesar de Miami Vice. O que só prova que até as coisas tristes têm o seu lado positivo.
segunda-feira, agosto 28, 2006
Enquanto escrevia o post anterior, num posto dos correios de Vila Praia de Âncora, ouvia nas ruas um carro de som com música do mais conhecido filho da terra, Quim Barreiros, entrecortada com aquilo que parecia ser apelos para um comício político. Já lá fora, avistei a dita viatura com uma bandeira que me pareceu ser da CDU. Pensei logo que fosse para a Festa do Avante. Só depois me dei conta de que se tratava da ...Nova Democracia. Confirmei escassos minutos depois, ao abrir o Expresso, que acrescentava que a rentrée do movimento de Manuel Monteiro teria lugar num comício da localidade, para a presentação de um tal "Manifesto da Direita".
Lamentavelmente, perdi a oportunidade de assistir ao "primeiro comício da história do PND".Conservei-me em Moledo, e só voltei a ter ecos do evento no dia seguinte, por comentários de amigos que tinham passado em Âncora, de breves notícias nos jornais, que registavam as dificuldades burocráticas para a sua realização, e na prosa verrinosa de Vasco Pulido Valente, que chamou "maluquinho" a Monteiro (também dissertou sobre os monárquicos, mas sobre isso não me pronuncio) e ao seu projecto. Não querendo ir tão longe, até porque não sou tão sibilino quanto Valente, acho que o comício seria ao menos pitoresco, tendo em conta que parte da assistência estava nas esplanadas, pelo que lamento não ter aparecido para algumas impressões ao vivo de mais uma manifestação da "nova (?) direita". Mas concordo plenamente com o historiador, de quem acabo de ler a biografia de Paiva Couceiro, num ponto importante: come-se realmente bem em Âncora.
sábado, agosto 26, 2006
Como o país político tarda a regressar, nesta silly-season à maneira, com Pontais e preparações da Festa do Avante, missões da ONU que tardam em ir para o terreno e rescaldos de incêndios, dou a primazia ao jogo-fantasma a ter lugar amanhã na Luz, depois da excelente vitória sobre o Áustria de Viena, e a notícia do reencontro na Liga dos Campeões com o Manchester United, Celtic e a surpresa Copenhaga, num conjunto de jogos aparentemente acessíveis para passar aos oitavos. Não se sabe se vai haver jogo, mas o Gil Vicente já entrou na camioneta rumo a Lisboa, e nem Benfica nem Belenenses sabem exactamente o que fazer. Nem Valentim Loureiro. Nem as instância desportivas e judiciais, no fim de contas. Dou mais razão aos de Barcelos do que aos do Restelo, a quem não reconheço a menor razão para não jogarem na Liga de Honra, mas agradecia que o caso tivesse um desfecho definitivo para evitar chatices maiores provenientes da FIFA e da UEFA.
domingo, agosto 20, 2006
João Carlos Espada: cada vez mais na mesma
sábado, agosto 19, 2006
Para concertos estivais bastou o de Sábado. Ainda estive para ver o Morrissey em Paredes de Coura, mas a falta de vontade dos confrades, os trinta e tal quilómetros por estrada sinuosa até à vila, os quarenta euros pedidos pela entrada (só uma noite), e, acima de tudo, a chuva que se abateu impediosamente sobre a região dissuadiram-me por completo. Ainda se os Bloc Party fossem na mesma noite, arranjava-se coragem para enfrentar a intempérie, que o resto seria aleatório. Assim, resta-me esperar que o complexo Moz volte noutra altura para ver e ouvir a sua obra ao vivo. Num qualquer coliseu, que me parece espaço mais adequado do que o ar livre para se exprimir condignamente.
Entretanto, o sol está para voltar...
domingo, agosto 13, 2006

Escrevo poucas horas depois de conseguir finalmente assistir ao concerto da maior banda de rock do Mundo, no Estádio do Dragão (ainda não tinha igualmente entrado no recinto do adversário). Falhadas as incursões a Alvalade em 95 e a Coimbra em 2003, pude ver o fabuloso circo visual, pirotécnico e sonoro dos dinossauros do rock. O seu lendário vocalista sexagenário parece ter trinta anos, pela forma como se requebra, corre e salta. A comunhão com o público foi perfeita, e só faltaram alguns êxitos (mas com uma carreira de mais de quarenta anos, só mesmo commais doze horas). Uma velha aspiração tornada enfim realidade. E uma forma de escapar aos ares malsãos que, arrastados por ventos da Galiza, trouxeram para o Alto Minho o fumo e as cinzas provenientes dos incêndios que não têm parado de dizimar a região dos nossos vizinhos a norte de Melgaço.
sábado, agosto 05, 2006
Já devem ter percebido que a míngua de posts indicia que estou a banhos. No sítio do costume, aquela conhecida e ventosa praia a norte onde também reside o Dr. Sousa Homem (que ainda não conheço). Por acaso, hoje o vento é apenas uma leve brisa que amacia o autêntico dia de canícula E eu aqui a blogar. Com licença, que um dia de praia destes não se pode perder.
Tentarei actualizar o blogue dentro do possível.
quinta-feira, julho 27, 2006
Um deles é o assassinato a tiro de Martin Adler, jornalista sueco free-lancer, nesse desgraçado país que é a Somália, que ele tão bem conhecia e onde assinou inúmeros trabalhos. Muitas vezes o vi na Grande Reportagem, com as suas descrições nas latitudes mais perigosas do mundo, com ilustrações significativas da miséria humana que presenciou, como as ruínas de Grozny. No meu último ano da faculdade fiz um trabalho sobre as intervenções humanitárias e militares no Haiti e, exactamente, na Somália, em que tirei inúmeros apontamentos das suas reportagens na GR. Desapareceu agora, esse intrépido globetrotter do jornalismo, vítima de fanáticos islâmicos, ou de simples bandoleiros que enxameiam aquele território sem ordem nem lei.
O outro é o dos atentados em Bombaim (ou Mumbai, como dizem agora, mas eu prefiro a denominação já usada ao tempo de Dona Catarina de Bragança), há coisa de duas semanas, de novo em linhas férreas, o que já começa a ser hábito. Para um habitual frequentador de caminhos de ferro, como eu, não é muito reconfortante. Mas o mais espantoso é que as quase duzentas vítimas mortais e as centenas de feridos deram origem a não mais que um, dois dias de noticiários. As bombas em Londres no ano passado provocaram muito maior celeuma. Os autores não serão exactamente os mesmos, mas as motivações são certamente semelhantes.
segunda-feira, julho 24, 2006
A guerra voltou ao Líbano e parece querer ficar. Aquela pobre tira legada pelos fenícios e ocupada por incontáveis ritos cristãos e muçulmanos, sempre que parece querer voltar ao normal, seja expulsando exércitos ocupantes ou reconstruíndo as suas cidades, vê-se inevitavelmente entre dois fogos.
O Hezbollah, com as suas milícias e o seu arsenal amealhado nos últimos anos, é o perigo imediato nas região. Jamais a vizinha síria se atreveria a dar a cara directamente, consciente das consequências que tal acto comportaria. O Irão é menos comedido e o seu discurso visceral mente anti-israelita continua afiado. O Hamas é outra ameaça, mas não parece ter os meios dos xiitas do norte, e sempre tem uma legitimidade popular que os outros não possuem. Além do mais, passa por fortes divisões no seu seio, que em nada beneficiam os palestinianos.
O problema que se discute é o da desproporcionalidade entre os ataques e a captura de soldados israelitas e a resposta militar de Tel-Aviv. A legitimidade para retaliar e neutralizar os inimigos de Israel é coisa que só os fanáticos poderão negar. Mas os ataques a alvos civis, o cerco a Gaza, deixando-a sem luz, e as numerosas vítimas deixadas pelo caminho tiram ao estado hebraico muita da sua razão.
Descontando os desvairados do costume, para quem os árabes deviam pura e simplesmente ser exterminados, não deixo de me espantar com as opiniões de Francisco José Viegas e de Pacheco Pereira, no Público da semana passada, mesmo tendo em conta a estreita ligação que o primeiro tem com Israel. Na sua versão, qualquer reacção israelita (que está "sozinho no mundo") é sempre justificada, os EUA cumprem o seu papel e a União Europeia toma sempre a posição anti-israelita. Talvez se esqueçam que a UE tem gasto mundos e fundos na preparação de forças armadas palestinianas que possam controlar as milícias mais radicais; que cortou os fundos à Autoridade Palestiniana como coacção às atitudes hostis do Hamas; que exigiu (e conseguiu) a retirada das tropas sírias do Líbano. Mas não; ao que parece, para alguns, a UE é "pró-terrorista" e os orgãos de comunicação social apenas olham para um lado. Só que o que parece nem sempre é, e talvez por isso haja esse lamentável esquecimento das reportagens nos destroços de Haifa, e da presença do MNE francês na mesma cidade, assistindo aos bombardeamentos. O argumento de que a "comunicação social" está contra Israel" é tão pernicioso como o mito do controlo da mesma pelos judeus.
Parcialidades também as há do outro lado. Vejam-se as opiniões do PCP e do BE, para quem a culpa é eternamente de Israel, as bombas são todas israelitas, e o Hezbollah nunca existiu. Dá vontade de perguntar se os senhores desviam os olhos ás imagens de destruição e fuga causadas pelos mísseis projectados do Líbano.
Nunca compreenderei porque é que tantos são sempre radicalmente pró-israelita ou palestiniano. Qualquer projecto sensato para a região implica que, para que haja dois estados em coexistência pacífica (e uma Jerusalém dividida equitativamente), as forças para-militares islamitas, porque é disso que essencialmente se trata, sejam desarmadas e reduzidas à sua condição civil. Até lá, Israel tem direito a defender-se e inclusivamente a entrar no Líbano, se as forças deste país não actuarem eficazmente. A actual incursão terrestre parece-me bem mais aceitável do que os bombardeamentos anteriores. Não é explodindo com aeroportos e edifícios civis que a paz vai ser alcançada. Actos desses apenas aumentam o ódio e fortalecem os radicais, em lugar de os travar. Essa é uma lição que Israel já devia ter aprendido há anos, com a larga experiência que tem. A destruição de um autocarro e a morte dos seus passageiros, por exemplo, pelas forças israelitas, em nada se distancia de idênticos actos dos bombistas suicidas. E estão a provocar uma catástrofe humanitária no Líbano, entre mortos e centenas de milhares de refugiados, que só os mais facciosos poderão negar. Como diz o Bruno Cardoso Reis, nesta excelente posta, o direito à legítima defesa não permita fazer o que muito bem apetecer. A coberto da incompetente diplomacia Norte-Americana, que parece que com a visita da srª Rice a Beirute ficou um pouco mais clarividente. Fiquem ainda com este textos do Portugal dos Pequeninos, da Sexta Coluna e do meu estimado Corcunda. Tudo perigosíssimos "amigos dos terroristas". Assim como Mario Vargas Llosa, outro notório "anti-semita" cujo artigo no El Pais o Avesso do Avesso em boa hora se lembrou de reproduzir na íntegra.
domingo, julho 23, 2006
Nem sempre concordo com Vasco Pulido Valente, devido ao seu pessimismo radical, à forma como tantas vezes fala das coisas sem ter uma real noção ou conhecimento de causa, ou à mania que tem em elogiar algumas personalidades (o que é raro) para depois as desancar(o normal).
Mas hoje aconselho vivamente o seu artigo no Público sobre Rui Rio, as suas prepotências e caprichos, desde as célebres entrevistas por escrito até ao condicionamento de atribuição de subsídios em troca de atitudes acríticas e servis. E, mais que tudo, as delirantes teorias da conspiração contra a imprensa inseridas na "informação" do site da CMP. O entusiasmo do início do seu mandato deu definitivamente lugar à desilusão e à indignação. A tão propalada "forma diferente de fazer política" do Dr. Rui Rio não passa afinal de um portentoso bluff.
No mesmo jornal, Rui Moreira fala de Ernesto Azevedo, que desapareceu recentemente de forma discreta. O mentor do mítico Portucale, o melhor restaurante do Porto - e com a melhor vista, quase aérea - deixa o seu especialíssimo lugar vago a quem o souber ocupar com igual competência, o que é tarefa ciclópica. Um dos marcos gastronómicos do país vê assim o seu futuro nublado. Esperemos que, tal como nos dizem tantas vezes, não haja insubstituíveis.
A propósito, terá Rui Rio tido conhecimento de tal perda? Ao menos que lhe conceda uma medalha de mérito municipal, ou um louvor, a título póstumo.
Adenda: no Público propriamente dito aparece, nas páginas finais, uma fotografia de Uma Thurman, em toda a sua graça. No suplemento Pública aparece a inquietante Kate Moss, com uns calções curtíssimos. Repare-se nas semelhanças entre as duas, excepção feita aos ditos calções e ao chapéu de Uma. Semelhanças essas que não me impedem de dar uma nota muito mais alta à heroína dos filmes de Tarantino. Kate que me desculpe, mas não há volta a dar-lhe.
quinta-feira, julho 20, 2006
Week-End algarvio

terça-feira, julho 18, 2006

Cinquenta anos de incentivo à cultura, às artes, à investigação, ao combate à iliteracia. Meio século de excelência e de vanguarda. Que Rui Vilar continue com o mesmo rumo, para daqui a outras cinco décadas podermos comemorar o centenário com idênticas palavras. Parabéns à Gulbenkian, e louvado seja aquele senhor arménio que se lembrou de a criar. Perdoem-me a blasfémia, mas neste caso é justificada.
sexta-feira, julho 14, 2006
Morreu Syd Barrett. Fisicamente, porque que para o público estava já quase enterrado desde 1972. O homem que passou os últimos 30 anos em reclusão na sua casa de Cambridge, pintando quadros abstractos, andando de bicicleta e jogando dominó sozinho, com a generosa reforma que os seus direitos de autor lhe proporcionaram, era um perfeito autista, escondido do mundo e da fama. A tal estado condenou-o a LSD excessiva do seu psicadelismo irreal. Os seus Pink Floyd continuaram, mudaram o estilo e conquistaram o mundo. O autor de Arnold Layne desapareceu definitivamente. A lenda, essa, já dura há trinta anos e terá agora tendência a dilatar-se.
quinta-feira, julho 13, 2006
A febre do Mundial afectou tudo e todos, e isso foi particularmente visível aqui no blogue. Olhando para os últimos posts, reparo que quase não falei de assuntos que não tivessem a ver com a competição. Pacheco Pereira por certo ficou chocado, caso tenha aparecido por cá. Por isso, façamos um ponto da situação para encerrar o assunto.
Portugal não teve exibições de uma beleza estonteante (apesar de ter ganho da FIFA o galardão de "equipa mais atractiva"). Mostrou uma equipa com talento, garra, esforço, agressividade q.b., com capacidade para ir à final. Os epítetos que certos comentadores de países adversários lhes lançaram, tendo um fundo de verdade, foram de uma hipocrisia atroz - veja-se as manobras inglesas antes do jogo com Portugal, ou os mergulhos que acalentaram penaltys aos franceses. Safa-se a Alemanha, de que se falará daqui a pouco.
Durante um mês, ouviram-se os profetas da desgraça e aqueles para quem o alvo das atenções constituía a distracção do povinho, a futebolice nacional, etc. Aqueles para quem a condição de ser português é insuportável, e que só o que vem lá de fora tem préstimo. Como se "lá fora" não houvesse a mesma loucura pela bola, até em doses maiores. E tenho pena de não ouvir uma opinião de João Carlos Espada sobre a sua tão amada Albion, terra de gentlemanship e liberdade, no seu acompanhamento aos seus ídolos na Alemanha (hélas, desta vez para perder). Como é evidente, os comentários do tipo "agora que se acabou o futebol, temos o Verão, e lá para Setembro as pessoas dão-se conta desta desgraça" estão na ordem do dia, e são tão previsíveis que deviam constar das aposta da Betandwin. A pseudo-intelectualidade misturada com pessimismo e com um elitismo escondido dá frequentemente resultados assim. Pena que não se alegrem com os exemplos dos jogadores em levarem Portugal tão alto, na sua permanente maledicência, e passem o tempo a desvalorizar o que devia ser regra no país. sim,eu tenho pena que não estejamos nos quartos de final do civismo,etc. Mas já que chegámos a este ponto, porque não comemorar? O futebol serve para isso mesmo, a não ser que"civilização" signifique permanente tristeza, depressão, fleuma, bocejo.
A Alemanha ficou extremamente bem vista com este evento, quer pela organização, como pelo acolhimento, alegria e fair-play que demonstraram. Diz-se que este campeonato pode ser excelente para que a economia italiana volte a crescer. Não há dúvidas que tem sido um meio ano excelente para a península, contando com as derrotas de Berlusconi e a prisão do Capo Provenzano. Mas interessa-me igualmente o futuro da Alemanha. Pode ser uma ilusão, mas quem sabe se, tal como em 1954 a conquista do Mundial da Suíça face aos "invencíveis magiares" deu um alento suplementar à jovem e titubeante RFA, este novo orgulho nacional, esta consciência de que o empreendedorismo germânico pode-se conjugar com entusiasmo e simpatia, não será uma das alavancas para que a Alemanha, com um hipotético despertar italiano, volte a ser o motor da Europa?
E por agora, basta de posts sobre futebol, apesar do Benfica ter voltado aos trabalhos para a nova época. O Mundial já lá vai, embora as polémicas permaneçam. Falemos agora de (outras) "coisas sérias".
terça-feira, julho 11, 2006
Tal como desejava, os transalpinos ficaram mesmo com a Jules Rimet, 24 anos depois, confirmando todas as superstições.

O resultado nos penaltis deixa sempre um amargo de boca a quem perde. Desta feita, ironicamente, deixou a Trezeguet, ele que tinha marcado o golo da vitória da França no Europeu de 2006 contra a ...Itália.
Mas acaba por ser justo, não só pelo percurso da Itália mas igualmente pela consagraçaõ de vários jogadores que o mereciam há muito tempo, como Totti, Canavarro, Buffon, Nesta, Del Piero e um guarda-redes veterano que nem sequer jogou, mas que eu apreciava particularmente: Peruzzi.
Inaudita foi a despedida ao pior nível do maior jogador da década. Por muito que Materazzi lhe pudesse ter dito, nada justificava a marrada que deu. Talvez saudades dos touros da Provença...Mas toda e qualquer moral de "fair play" que o detestável Domenech tanto apregoava esvaiu-se definitivamente, isso depois dos penaltis duvidosos que permitiram à França chegar à final.
domingo, julho 09, 2006
O estádio de Berlim onde se joga a final do Mundial tem, como todos sabem, uma carga como poucos. No seu recinto, nos Jogos Olímpicos de 1936, Jesse Owens, com as suas quatro medalhas de ouro, humilhou Hitler e a convicção de superioridade (neste caso desportiva) nacional-socialista.
Poupado pela guerra, o Estádio Olímpico passou a casa do Hertha de Berlim, já que estava situado na parte ocidental, e mais tarde a receber a Taça alemã.
Até 2000 manteve-se quase inalterado, a partir daí começou a receber obras de remodelação para este Mundial, onde entre outras coisas se descobriu um engenho explosivo que jazia nas bancadas desde a Guerra. No alto colocou-se uma cobertura que mudou quase radicalmente a perspectiva anterior do recinto.
Eis o Estádio em 1936, na altura dos JOs:

Em 1998, quando por lá passei, o estádio era assim:

As imensas remodelações deram-lhe o aspecto actual

A fachada ainda conserva a face original

E agora, que vençam os Azzurri!
