CDS volta a ser PP
Noutras eleições, as directas do CDS-PP, Portas lá reganhou o partido, mostrando que um golpe de estado institucional pode dar resultado se se usarem as palavras e a imagem certas. Duvido é que o partido tenha muitos ganhos com esta alteração de chefias. Ainda hão de clamar de joelhos por Ribeiro e Castro. Até lá, entretenham-se da melhor maneira possível.
domingo, abril 22, 2007
terça-feira, abril 17, 2007
O hexágono vai a votos
A mais importante eleição em França desde 1981 (e sem contar com o referendo de Maastricht) está aí. A 22 de Abril, os eleitores decidirão qual o próximo presidente da III República Francesa.
A expectativa no combate Sarko-Sego dura há já mais de um ano. A emoção aumentou com a intrusão de Bayrou e com nova (e espero que modesta) ascensão do eterno Le Pen.
Uma coisa é certa: os dois principais candidatos são uma lufada de ar fresco entre a gasta política francesa, onde sobressaiem gaullistas anacrónicos e provincianos, saudosistas xenófobos, socialistas pré-1989 e bolcheviques orfãos de Georges Marchais. Representando as ideias do liberalismo, da abertura ao mundo sem tentações soberanistas ou neo-colonialistas (nesta última tenho menos certezas), de uma social-democracia acompanhando os novos tempos, da necessidade de modernizar a burocracia, o bolorento sistema administrativo francês e os vícios de toda uma classe que sem o saber, perdeu as suas referências, Sarkozy e Royal chegaram a esta corrida pela vontade esmagadora das bases dos seus partidos, o que mostra bem a vontade de mudança no Hexágono.
Convém no entanto que não se caia em exageros e falsas expectativas. Para dizer a verdade, desconfio muitíssimo de Sarkozy e da sua política "musculada". As tentativas de comparação feitas pelos iludidos neoliberais com Thatcher deixam antever o pior; as práticas do ministério que dirige também não prenunciam nada de bom; antes mostram um clima de intimidação, de alguém que "só pensa no seu bairro", como escreveu há tempos Leonor Baldaque no Público.
Segoléne parecia um vendaval, quando era candidata a candidata, derrubando todos os "elefantes" do PSF, com a sua imagem de sofisticação e elegância, e o seu programa "arejado". O problema é que as suas ideias centristas e a sua inspiração "blairista" tem caído desde que se reaproximou da esquerda, para evitar a fuga de votos naquela direcção.
Bayrou, o criador de cavalos que escreveu uma biografia de Henrique IV, não é nehum novato nestas lides. Representante da facção centrista da UDF, católico praticante e liberal moderado, tem tido números interessantes nas sondagens. A questão é a de saber se não transporta consigo os vícios da velha classe política francesa.
Le Pen é o que se sabe: o ex- oficial da guerra da Argélia e antigo membro do partido poujadista continua a apelar à imigração zero, ao restabelecimento da pena de morte e a imaginar-se o legítimo sucessor de Pétain. Conseguiu fazer crescer a sua FN em número de votos (mas não em lugares no parlamento), roubando eleitores ao outrora pujante PCF e a alguma direita desencnatada. E não dá mostras de parar. Há cinco anos conseguiu, para surpresa geral, ir à segunda volta.
Resta o cenário múltiplo do costume: o tradicionalista de Villiers, a candidata comunista, os dois ou três totsquistas da praxe, os ecologistas, o candidato do partido da pesca e da caça, José Bové, e o que mais vier. Em França há sempre candidatos para todos os gostos.
Sarkozy deve passar ao segundo turno. Segolène é a provável adversária, se Bayrou ou Le Pen (cruzes, credo) não surpreenderem. Achava uma certa piada ver a o centrista e a "mademoiselle Hollande" passarem à segunda volta, para calar algumas mentes menos pluralistas. E também para mostrar que a França necessita de reformas, sim, mas não é à bastonada (neste caso, de "cassetete"), expulsando tudo o que não fôr europeu ou adoptando uma política externa à inglesa, sem qualquer autonomia ou vontade perante os EUA.
Zero
Depois do Espanhol, o Braga: novo nulo no marcador. Zero golos, zero de futebol, zero na esperança. Agora até perdemos o segundo lugar. Não é que a diferença seja por aí além, porque mesmo com uma pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o mais provável é passarmos. Mas o terceiro significa ficarmos abaixo das outras equipas, a que por deferência chamam "grandes", e a falência de uma época que há um mês prometia dar-nos algumas alegrias. Mas a má gestão do plantel, tanto com as trocas de Janeiro como com a utilização desiquilibrada dos jogadores, deixou a equipa exaurida, resultados medíocres, e nós que aguentemos. Culpa de Fernando Santos, evidentemente, e de alguns atletas, mas também de quem permitiu a sangria de jogadores em Janeiro e a sua incorrecta substituição. A falta de Luisão é outra coisa que se faz sentir. Esperemos que nos momentos decisivos ele volte, com a sua autoridade, a sua força e a sua convicção na vitória.
Já agora, e a propósito de aquisições de jogadores de duvidosa lealdade, ouvi a seguinte observação no estádio: "Aquele não é o Derlei. É o irmão gêmeo dele, que trabalhava num bar em Porto de Galinhas e é fã do Lionel Ritchie".
segunda-feira, abril 16, 2007
Um fim de semana em Lisboa
Ah, um fim de semana em Lisboa, com um sol magnífico, livre de grandes compromissos . Depois da desilusão Benfica, deu para tudo: dar uma volta pelo Bairro Alto à noite, passear pela velha Lisboa de dia, folhear biblio-curiosidades no Mercado da Ribeira (lado a lado com um bailarico popular, com música ao vivo e tudo), jantares com parentes que raramente vemos, leituras tranquilas, descobrir surpresas nas Avenidas Novas...
A propósito, alguém sabe onde fica o antigo Beco do Monete, referido por Eça n ´A Capital - hoje chamado Travessa da Madalena, meio escondido atrás de um arco? É sempre grato encontrar estas ruelas perdidas, que apenas a literatura relembra.
Ah, um fim de semana em Lisboa, com um sol magnífico, livre de grandes compromissos . Depois da desilusão Benfica, deu para tudo: dar uma volta pelo Bairro Alto à noite, passear pela velha Lisboa de dia, folhear biblio-curiosidades no Mercado da Ribeira (lado a lado com um bailarico popular, com música ao vivo e tudo), jantares com parentes que raramente vemos, leituras tranquilas, descobrir surpresas nas Avenidas Novas...
A propósito, alguém sabe onde fica o antigo Beco do Monete, referido por Eça n ´A Capital - hoje chamado Travessa da Madalena, meio escondido atrás de um arco? É sempre grato encontrar estas ruelas perdidas, que apenas a literatura relembra.
sexta-feira, abril 13, 2007
Histeria
José Sócrates falou e a crítica portuguesa desabou: "sem carácter", "enganou-nos", ""é o fim da linha", etc. Eu vi uma entrevista, que a certa altura era mais chata como tudo, em que Sócrates respondeu ao que lhe era pedido, e francamente, não ouvi nada de mais. Em relação ao tema principal, o curso tirado na Independente, não há grandes coisas a dizer. Surpreendentemente, ouviram-se os maiores disparates nas crónicas do dia seguinte. Helena Matos , no Público, chegou mesmo a comparar o caso à queda de Salazar, que lhe tiraria a presidência do Conselho. Em minoria , fora da histeria instalada, ficaram opiniões sensatas e normais, como as de Francisco José Viegas ou Pedro Mexia, também no Público. Nem António Barreto escapou à tentação da "indignação".
Relevante será a existência da própria universidade, as prováveis pressões sobre orgãos de comunicação social e outros assuntos da entrevista, como o dossiê da Ota. Agora saber se o tipo que está à frente do governo deve ser tratado por engenheiro ou não, e a gravidade da alteração seu grau académico? Por amor de Deus! Isto já parece o Clintongate, aquela vergonhosa perseguição protagonizada pelo sinistro Kenneth Starr ao ex-presidente americano. Por menos do que isto, Paulo Portas disse que era "gente mal formada" que o perseguia no caso da Moderna. Não haverá nada de mais interessante para debater, ou do que gostam mesmo é do escândalo a todo o custo e de coscuvilhices?
José Sócrates falou e a crítica portuguesa desabou: "sem carácter", "enganou-nos", ""é o fim da linha", etc. Eu vi uma entrevista, que a certa altura era mais chata como tudo, em que Sócrates respondeu ao que lhe era pedido, e francamente, não ouvi nada de mais. Em relação ao tema principal, o curso tirado na Independente, não há grandes coisas a dizer. Surpreendentemente, ouviram-se os maiores disparates nas crónicas do dia seguinte. Helena Matos , no Público, chegou mesmo a comparar o caso à queda de Salazar, que lhe tiraria a presidência do Conselho. Em minoria , fora da histeria instalada, ficaram opiniões sensatas e normais, como as de Francisco José Viegas ou Pedro Mexia, também no Público. Nem António Barreto escapou à tentação da "indignação".
Relevante será a existência da própria universidade, as prováveis pressões sobre orgãos de comunicação social e outros assuntos da entrevista, como o dossiê da Ota. Agora saber se o tipo que está à frente do governo deve ser tratado por engenheiro ou não, e a gravidade da alteração seu grau académico? Por amor de Deus! Isto já parece o Clintongate, aquela vergonhosa perseguição protagonizada pelo sinistro Kenneth Starr ao ex-presidente americano. Por menos do que isto, Paulo Portas disse que era "gente mal formada" que o perseguia no caso da Moderna. Não haverá nada de mais interessante para debater, ou do que gostam mesmo é do escândalo a todo o custo e de coscuvilhices?
quarta-feira, abril 11, 2007
Regresso
Regresso a A Ágora, depois de uma Páscoa de tempo incerto, passada como de costume no interior norte, polvilhada com a gastronomia da época. Pelo meio, algumas voltas pela região do sul do Douro, entre terras coevas, e as preocupações com um Benfica fisicamente de rastos, com uma derrota que chegou a roçar a humilhação em Monjuic e um empate comprometedor em Aveiro (e como se não bastasse, ainda temos a imprensa azul a focar erros a nosso favor e a omitir os mais gravosos, como o golo mal anulado a Nuno Gomes).
Falei no último post do programa de António Barreto. Esqueci-me de referir a evolução do turismo, especialmente o balnear. As estruturas que foram feitas para suportar esse novo e rentável ramo de serviços são, como já se sabia, avassaladoras, desproporcionadas, caóticas e esteticamente horrorosas. É ver os blocos de apartamentos a cobrir as falésias algarvias, o caos urbanístico na maioria das localidaes à beira-mar, e a consequente degradação da paisagem e da qualidade de vida. Ainda há dias estive a ler uma reportagem, já de há anos, sobre Portimão no início do século XX e as comparações actuais: os crimes que infligiram à cidade do Arade são de tal forma indiscritíveis que só dá para perguntar como raio é que as populações continuam a votar nestes autarcas, ou como é que os responsáveis pelo turismo algavio não foram alvo de processos por gestão danosa. Há provavelmente conivências que o permitiram, silêncios interessados ou desinteressados, conformismos e ignorância. Aquela ideia de que construír prédios em barda era "moderno" destruíu grande parte das cidades e do país, e não só no litoral. Veja-se a evolução de Vila Real, por exemplo, com mamarrachos de todas as cores e com defeitos de construção, a tapar o esplendoroso vale do Corgo, e fica-se com uma ideia do que por lá passou.
No último programa de Barreto focou-se exactamente o desordenamento urbano e as aberações que apareceram nos últimos trinta anos. Muito embora já praticamente não haja barracas, e muitas casas clandestinas tenham sido demolidas, a imagem dos nossos subúrbios, dominados por bairros sociais e torres incaracterísticas, é absolutamente deprimente. É impossível ser-se feliz em sítios assim. O consequente esvaziamente das cidades provoca as filas caóticas nas estradas, a perda inútil de tempo, o stress, as dificuldades familiares, etc. Os transportes públicos não são maus, mas são insuficientes. E as áreas urbanas desumanizam-se constantemente.
É certo que nem tudo tem esses tons de pesadelo. A linha do Estoril tem imagens agradáveis, e quem vive e trabalha perto fica alheio a esses problemas. Matosinhos é uma cidade com vida própria, com um porto importante, passada a época das pescas e da indústria alimentar. E quem pode vai viver para cidades médias ou pequenas, com melhor qualidade de vida. Évora, Aveiro ou Guimarães são urbes que resistiram à voragem do betão e onde é muito mais gratificante morar que nos círculos que rodeiam Porto e Lisboa (onde os subúrbios são particularmente deprimentes). Apostassem as empresas e os organismos públicos nesses espaços, bem como no centro das cidades, e talvez se revertesse um pouco a situação. Infelizmente, as coias ainda estão num ponto embrionário. Quem sabe se daqui a trinta anos, quando olharmos para trás, poderemos afirmar que também em matéria de urbanismo e de qualidade vida as coisas estarão substancialmente melhores.
Regresso a A Ágora, depois de uma Páscoa de tempo incerto, passada como de costume no interior norte, polvilhada com a gastronomia da época. Pelo meio, algumas voltas pela região do sul do Douro, entre terras coevas, e as preocupações com um Benfica fisicamente de rastos, com uma derrota que chegou a roçar a humilhação em Monjuic e um empate comprometedor em Aveiro (e como se não bastasse, ainda temos a imprensa azul a focar erros a nosso favor e a omitir os mais gravosos, como o golo mal anulado a Nuno Gomes).
Falei no último post do programa de António Barreto. Esqueci-me de referir a evolução do turismo, especialmente o balnear. As estruturas que foram feitas para suportar esse novo e rentável ramo de serviços são, como já se sabia, avassaladoras, desproporcionadas, caóticas e esteticamente horrorosas. É ver os blocos de apartamentos a cobrir as falésias algarvias, o caos urbanístico na maioria das localidaes à beira-mar, e a consequente degradação da paisagem e da qualidade de vida. Ainda há dias estive a ler uma reportagem, já de há anos, sobre Portimão no início do século XX e as comparações actuais: os crimes que infligiram à cidade do Arade são de tal forma indiscritíveis que só dá para perguntar como raio é que as populações continuam a votar nestes autarcas, ou como é que os responsáveis pelo turismo algavio não foram alvo de processos por gestão danosa. Há provavelmente conivências que o permitiram, silêncios interessados ou desinteressados, conformismos e ignorância. Aquela ideia de que construír prédios em barda era "moderno" destruíu grande parte das cidades e do país, e não só no litoral. Veja-se a evolução de Vila Real, por exemplo, com mamarrachos de todas as cores e com defeitos de construção, a tapar o esplendoroso vale do Corgo, e fica-se com uma ideia do que por lá passou.
No último programa de Barreto focou-se exactamente o desordenamento urbano e as aberações que apareceram nos últimos trinta anos. Muito embora já praticamente não haja barracas, e muitas casas clandestinas tenham sido demolidas, a imagem dos nossos subúrbios, dominados por bairros sociais e torres incaracterísticas, é absolutamente deprimente. É impossível ser-se feliz em sítios assim. O consequente esvaziamente das cidades provoca as filas caóticas nas estradas, a perda inútil de tempo, o stress, as dificuldades familiares, etc. Os transportes públicos não são maus, mas são insuficientes. E as áreas urbanas desumanizam-se constantemente.
É certo que nem tudo tem esses tons de pesadelo. A linha do Estoril tem imagens agradáveis, e quem vive e trabalha perto fica alheio a esses problemas. Matosinhos é uma cidade com vida própria, com um porto importante, passada a época das pescas e da indústria alimentar. E quem pode vai viver para cidades médias ou pequenas, com melhor qualidade de vida. Évora, Aveiro ou Guimarães são urbes que resistiram à voragem do betão e onde é muito mais gratificante morar que nos círculos que rodeiam Porto e Lisboa (onde os subúrbios são particularmente deprimentes). Apostassem as empresas e os organismos públicos nesses espaços, bem como no centro das cidades, e talvez se revertesse um pouco a situação. Infelizmente, as coias ainda estão num ponto embrionário. Quem sabe se daqui a trinta anos, quando olharmos para trás, poderemos afirmar que também em matéria de urbanismo e de qualidade vida as coisas estarão substancialmente melhores.
quarta-feira, abril 04, 2007
O novo programa de António Barreto, apesar de alguns momentos mortos, é admirável. Depois de confrontar as melhorias em termos sociais e económicos dos portugueses nos últimos trinta anos, com a triste realidade da velhice, num conjunto de entrevistas comoventes a alguns utentes dos centros de dia, e com os distúrbios dos divórcios, mostrou ontem a evolução da actividade económica do país. Da agricultura com arado ao abandono dos campos ou a novas formas de cultura, num solo gasto e maltratado; da industrialização tardia, caracterizada pelas fábricas têxteis ou pela construção naval, à falência de muitas empresas obsoletas e ultrapassadas, ou em que as novas máquinas substituem os trabalhadores; tudo isso, até à actual era da pós-industrialização, a dos serviços e do sector terciário, sem termos passado por um período de verdadeira revolução industrial. Um olhar atento e lúcido à realidade portuguesa, com os seus reais protagonistas que viram as mudanças com os seus olhos e que as sentiram com as suas mãos.
E agora até para asemana, que o blogue descansa em tempo pascal. Uma Santa Páscoa a todos.
Os últimos resquícios dos bárbaros
"Povo do Norte" é um dos nomes com que a claque do FCPorto, os tristemente célebres Super Dragões, se autodenomina. E com alguma razão, devo dizê-lo. Eles são povo do Norte - do pior que há no norte. São os descendentes dos vikings com a sua maldição de saqueadores errantes, que apenas vivem da pilhagem e da destruição. São os resquícios dos vândalos e dos primeiros suevos, que na sua onda de barbárie destruíram o mundo civilizado de então, e lançaram Roma numa letargia de séculos. São no fundo a encarnação desses bábaros, sedentos de destruição, que em lugar de barbas hirsutas, de adagas mal afiadas e de cabelos até aos pés, andam de petardos em punho, "brinco na orelha e fumante na mão", cabelos espetados e casacos com o seu símbolo extremista. Uma estranha conjugação de selvagens de há mil anos com skins desenraizados. E com um Macaco, que escreve livros com descrições das incursões e tudo, como novo Átila.
O comportamento dos SD na Luz, no último jogo, mostra claramente isso. Nos arredores e mesmo na zona histórica do Porto liberal, burguês e semi-cosmopolita, campeiam estes novos bárbaros do "norte", sem travão que os segure, aparentemente impunes.
"Povo do Norte" é um dos nomes com que a claque do FCPorto, os tristemente célebres Super Dragões, se autodenomina. E com alguma razão, devo dizê-lo. Eles são povo do Norte - do pior que há no norte. São os descendentes dos vikings com a sua maldição de saqueadores errantes, que apenas vivem da pilhagem e da destruição. São os resquícios dos vândalos e dos primeiros suevos, que na sua onda de barbárie destruíram o mundo civilizado de então, e lançaram Roma numa letargia de séculos. São no fundo a encarnação desses bábaros, sedentos de destruição, que em lugar de barbas hirsutas, de adagas mal afiadas e de cabelos até aos pés, andam de petardos em punho, "brinco na orelha e fumante na mão", cabelos espetados e casacos com o seu símbolo extremista. Uma estranha conjugação de selvagens de há mil anos com skins desenraizados. E com um Macaco, que escreve livros com descrições das incursões e tudo, como novo Átila.
O comportamento dos SD na Luz, no último jogo, mostra claramente isso. Nos arredores e mesmo na zona histórica do Porto liberal, burguês e semi-cosmopolita, campeiam estes novos bárbaros do "norte", sem travão que os segure, aparentemente impunes.
quarta-feira, março 28, 2007
Acabou o concurso
Acabou o concurso
A vitória de Salazar pode ter deixado eufóricos alguns nacionalistas e reaças, furiosos os comunistas, jacobinos e bloquistas, preocupados ou indiferentes a maioria dos democratas. A maneira como a RTP começou por ignorar a personagem terá sido um das razões que resultaram neste desfecho. Obviamente que preferia que outro fosse o escolhido. Mas também sei que o ditador do Vimieiro está enterrado na sua terra e de lá não se levanta (assim como Cunhal não renasce das cinzas). E que se fosse vivo e tivesse menos quarenta anos, se mantivesse as mesmas ideias, teria uma votação irrisória. E ainda que na tão liberal Holanda ganhou Pim Fortuyn, líder daquele estranho partido xeno-gay, cuja herança é hoje em dia, cinco anos após a sua morte, disputada por três grupúsculos irrelevantes.
Pouco importa. Para mim, e para tantos outros, o Maior Português será sempre aquele que melhor cantou a nossa História e cujo dia comemorativo se confunde com o Dia de Portugal.

segunda-feira, março 26, 2007
Parabéns III
À Selecção nacional de rugby, pois claro, que isto não é só futebol. Ultrapassaram os rapazes da República Oriental e vão estar presentes no Mundial de França, em Setembro. Sendo a única amadora a participar, o feito não é de menosprezar. Mesmo que os maoris, com quem se vão cruzar, lhes infligam uma derrota à antiga, a mera qualificação é para ficar na história. Um grande abraço aos nossos "lobos", em especial ao meu amigo Marcello d ´Orey, com quem acabei o curso, ilustre causídico no Porto e a mais sólida peça da equipa.
Parabéns II

D. Manuel Clemente é enfim, desde ontem, Bispo do Porto. A diocese, a maior do país, e uma das mais antigas, extremamente diversificada entre uma densa zona urbana e uma vasta área mais rural, algo amodorrada nos últimos anos, fica certamente a ganhar com esta entronização. Até Marcelo Rebelo de Sousa exprimiu uma certa invejazinha, quando disse que "faria mais falta como futuro Arcebispo de Lisboa". É tarde, Professor. D. Manuel, um dos mais cultos e inteligentes membros do clero português, está agora à frente da diocese do Porto e cumprirá seguramente a sua missão com nota positiva.
domingo, março 25, 2007
Parabéns


Só achei irónico o cartaz a anunciar "Cinquenta anos de Roma a Berlim". É que me lembrou logo o Eixo, outra ideia de federar a Europa de forma um pouco mais brusca...e não muito baseada na vontade dos estados.
Mas quanto ao futuro desta bela ideia surgida no pós-guerra, teremos de falar mais seriamente.
Quatro secos
Quem viu a Bélgica ontem não imaginará decerto que já foram de um nível parecido com o que a Selecção Nacional tem hoje, como Scolari recordou. Scifo, Ceulemans, Wilmots levaram a equipa daquela planície dividida entre valões e flamengos a lugares muito interessantes nas várias competições internacionais em que entraram, e o mesmo se aplicou aos respectivos clubes (para infelicidade do Benfica, em 1983). Quanto a guarda-redes, refiram-se Pfaff e o grande Preud ´Homme e ficamos conversados.
Ontem, no entanto, tirando o gigante Van Buyten, vimos uma equipa sem grande nível técnico a levar um baile da rapaziada lusa. Fintas, trivelas, bombas, houve de tudo para golear os pobres belgas, que se contentaram com quatro secos, devendo tão lisongeiro resultado ao seu palrador e inconveniente guarda-redes. Não há dúvida, a Selecção reencontrou-se com as boas exibições, e isso deve-se ao estado do actual futebol belga. Para mais, Quaresma marcou o seu primeiro golo (e que golo!); o próximo a estrear-se em redes adversárias éTiago.
sábado, março 24, 2007
O pensamento de um ateu convicto
Para quem acha que o fanatismo advém apenas das religiões, veja-se o que diz um comentador, que assina "Armando Quintas", na caixa de comentários de um post sobre o creaccionismo no blog De Rerum Natura:
"fanaticos sao os que vivem em funçao da religiao e todas as pessoas religiosas deste mundo são fanaticos por natureza, em maior ou menor grau..É obrigação das pessoas mentalmente sãs combater a religiao seja ela qual for e ajudar a destruir-las!"
Ao ler estas breves linhas é impossível deixar de se sentir um arrepio. O que ali está escrito é precisamente a representação de um dos maiores fanatismos que a humanidade já conheceu: o fanatismo ateu e materialista, cujo objectivo é "libertar os homens do obscurantismo religioso". Já houve inúmeras tentativas nesse sentido, desde o Culto da Razão Pura, até aos regimes nazis, soviéticos e maoístas, responsáveis pelos maiores massacres da história da Humanidade, pelo totalitarismo e pela eugenia, e em que a Albânia, o estado que se proclamou oficialmente ateu, derivou para um atraso e um isolamento sem paralelo. Centenas de milhões de mortos, como nunca houve em todos os séculos anteriores e,is no que deu a "sanidade" ateia: numa fila de horrores que alguns insistem em perpetuar, em nome da sua própria "razão". Como se a razão não fosse complementar à Fé.
A Fé despojada de Razão cai no fanatismo e na prepotência, como é tão visível no terrorismo islâmico de hoje. Mas a Razão Pura, que se proclama inimiga das religiões, conduz às piores acções que a mente humana já imaginou. No seu absolutismo, pretende eliminar a Fé e os crentes, substituindo-os por um vazio sem valores nem verdades, onde qualquer acto, por mais bárbaro que seja, será sempre "racionalmente" justificado.
terça-feira, março 20, 2007
A moderna direita portuguesa, ou o carácter original do PSD
Toda esta discussão sobre a "verdadeira oposição" e a criação de um partido "mesmo de direita" em Portugal já tem uns bons anos, e no entanto nada se chegou a fazer em sentido contrário.
As oposições andam sempre às aranhas quando um governo tem uma maioria confortável e ainda não começou a apodrecer, como aconteceu com Cavaco e Guterres, e acontece agora com Sócrates. Há que resistir, inovar e esperar pelos efeitos do tempo, nada mais.
Já a criação da tal força de direita é um assunto sempre discutido mas ao qual nunca se chega a uma ideia conclusiva. Os dois partidos maiores considerados, PSD e CDS, continuam lá, mesmo que o segundo tenha um futuro incerto, e mais do que as ideias e os projectos, abundam os carreirismos e as punhaladas. Aliás, só o movimento do Caldas é que se pode considerar realmente de direita; o partido laranja reúne sociais-democratas, liberais, nacional-populistas, democratas-cristãos, conservadores, regionalistas, e tudo o que possa aparecer à direita (ou em alternativa ) ao PS e que o CDS não tenha capacidade de satisfazer.
O PSD é mesmo um partido único, e isso vê-se logo pelo nome que ostenta e pelos grupos políticos a que pertenceu e pertence no Parlamento Europeu. Os mais parecidos que encontro - não por acaso também em países latinos - será a UDF francesa, sempre um aliado por necessidade dos gaullistas e um contrapeso na política francesa, como se vê pela ascensão de François Bayrou nas sondagens para as presidenciais, e a antiga UCD espanhola.
Já a criação da tal força de direita é um assunto sempre discutido mas ao qual nunca se chega a uma ideia conclusiva. Os dois partidos maiores considerados, PSD e CDS, continuam lá, mesmo que o segundo tenha um futuro incerto, e mais do que as ideias e os projectos, abundam os carreirismos e as punhaladas. Aliás, só o movimento do Caldas é que se pode considerar realmente de direita; o partido laranja reúne sociais-democratas, liberais, nacional-populistas, democratas-cristãos, conservadores, regionalistas, e tudo o que possa aparecer à direita (ou em alternativa ) ao PS e que o CDS não tenha capacidade de satisfazer.
O PSD é mesmo um partido único, e isso vê-se logo pelo nome que ostenta e pelos grupos políticos a que pertenceu e pertence no Parlamento Europeu. Os mais parecidos que encontro - não por acaso também em países latinos - será a UDF francesa, sempre um aliado por necessidade dos gaullistas e um contrapeso na política francesa, como se vê pela ascensão de François Bayrou nas sondagens para as presidenciais, e a antiga UCD espanhola.
Há aliás outros pontos de convergência entre os dois partidos ibéricos. A UCD era um partido formado na transicion da Espanha para a democracia pelo primeiro-ministro de então, Adolfo Suarez, que agrupava centristas, sociais-democratas, democratas-cristãos, liberais ou simplesmente tecnocratas vindos do franquismo. Ganhou as eleições gerais de 1977 e 1979, mas as enormes divergências internas, apenas cimentadas pela necessidade de dar à Espanha uma nova constituição, levaram a que Suarez saísse formando o novo CDS; outras formações integraram a Alianza Popular de Fraga Iribarne, mais à direita, posteriormente transformada em Partido Popular. A UCD teve menos de 7% dos votos em 1982, quando Felipe González chegou ao poder, e acabou por se extinguir.
O problema do PSD é que, longe de mudar, conseguiu o poder, em coligação ou sozinho, por mais de uma década. Os anos dourados do cavaquismo deixaram-no acomodado ao poder estatal. Quando caiu dele abaixo, ficou à deriva, viu os seus líderes mudarem consoante a brisa, e só voltou ao poder com a saída de Gueterres, e mesmo assim em coligação com o CDS-PP.
O PSD é um equívoco em si mesmo. Já deveria ter mudado há muito, abandonado as suas cores e as suas setas, renunciado à social-democracia em favor do PS. Ou acabado, pura e simplesmente, como a UCD. Certa vez li numa opinião de um jornal que se isso acontecesse, a ala esquerda seria engolida pelo PS e a direita engoliria o CDS. Melhor seria que a ala que se diz de centro-esquerda fosse para o PS, os conservadores e democratas-cristãos se fundissem no CDS, permitindo a criação de um partido renovado nesse sector, e os liberais se juntassem noutro movimento, que poderia ser a Nova Democracia, sem Monteiro à cabeça, bem entendido.
O futuro dirá se acontece isso ou se surge o tal "grande partido de direita", à imagem do PP espanhol. Ou se fica tudo na mesma, e o PSD volta um dia ao poder, com ou sem o CDS (PP), quando Sócrates tiver enfim esgotado a sua agenda de "reformas".
(Já agora, aconselho estes dois posts do Combustões. Não tenho a suposta admiração pelas persongens enunciadas no segundo texto, mas parece-me que não anda longe do que teclei aí em cima).
sexta-feira, março 16, 2007
Hugh Laurie através dos tempos



Actualmente, o actor Hugh Laurie tem alcançado enorme sucesso como protagonista da série Dr. House.

Mas para os mais esquecidos, Laurie tornou-se conhecido antes de mais pelos seus papeis nas séries de humor britânicas, como o celebérrimo Black Adder, que nos deu igualmente a conhecer o seu criador, Rowan Atkinson, e Miranda Richardson. Laurie fazia o papel de Príncipe Regente na 3ª série, passada no Séc. XVIII, e do presunçoso e cretino Tenente George St. Barleigh, na 4ª Série, nas trincheiras da Grande Guerra.


Ainda se lembram dele, em tão diferentes registos?
quinta-feira, março 15, 2007
Brava Dança dos Heróis
Saúde-se o voluntarismo do filme Brava Dança, documentário sobre a carreira dos Heróis do Mar. Não por ser uma obra-prima, ter uma fotografia fabulosa ou um ritmo de narrativa esplendoroso. Mas o simples facto de ser um dos primeiras fitas do gênero produzidas em Portugal (a par de Lisboetas ou Diários da Bósnia) já é de si uma notícia a registar. Além do mais, debruça-se sobre uma época particularmente rica no panorama musical português: o boom do Rock nacional, a recuperação da cantiga popular, o renascer do interesse pelo Fado, com as baladas e as canções de intervenção a deixarem de ser gênero único, sem se eclipsarem. É interessante ver as origens do grupo, o quase experimentalismo punk dos efémeros Faíscas (um sub-punk absolutamente inenarrável e incompreensível) e Corpo Diplomático e as suas guitarras distorcidas, com o ubíquo Ayres de Magalhães; a vontade de fazer um grupo que tocasse música portuguesa; as cinco personalidades distintas dos seus membros, a começar pelas influências musicais; o espírito de provocação e rebeldia que caracterizou a banda e lhe trouxe alguns dissabores no início.
A pose e a estética marcial e nacionalista criaram reacções chocadas que se verificaram obstáculos difíceis de ultrapassar, mas deram aos Heróis a fama que eles desejavam, embora de uma forma que sem dúvida não esperariam. Os fatos de navegadores, as armas, as letras (ainda assim amaciadas) de carácter guerreiro e nacionalista, a Cruz de Cristo, tudo isso criou-lhes o anátema original de "fascistas" a "reaccionários", só ultrapassado com sucessos comerciais como Amor ou Paixão. Seguiu-se o habitual disco mal-recebido-pelo-público, Mãe, mais alguns êxitos pop e a renovação de energias, com Macau. Já na fase final, mais desinspirada e com claro ar de "vamos é acabar com isto", ainda editaram um disco homónimo, antes de se separarem definitivamente. O vocalista Rui Pregal da Cunha e Pedro Paulo Gonçalves constituíram os LX-90, com um estilo mais rocker, antes de se dedicarem a outros projectos fora da música; enquanto Pedro Ayres de Magalhães já tinha os seus Madredeus (para os quais recuperou depois Carlos Maria Trindade), cuja história e posterior sucesso internacional são sobejamente conhecidos.
O documentário abrange todos esses momentos, ouve inúmeros testemunhos da época e mostra imagens de videoclips, concertos digressões. Fica-se com uma ideia da movida lisboeta dos anos 80 (em que ninguém dormia, segundo Pregal da Cunha), da vida na "estrada", das dificuldades económicas para manter uma banda assim e das influências musicais absorvidas ao longo dos anos. Um filme que apesar de algumas deficiências e lacunas, vale o preço do bilhete, e que é uma justa homenagem a tão marcante banda e a tão agitada década.

PS: era bom que a Blitz não cometesse erros de palmatória como este. Primeira colectânea dos Heróis do Mar em 2007? Houve pelo menos outras duas, uma em dois discos, ainda nos anos 80, e outra, intitulada Paixão, em 2001, que é a que eu tenho. Enorme falta de atenção à discografia básica por parte de uma revista muito "profissionalizada" mas demasiado descaracterizada, e que comete erros básicos deste tipo.
domingo, março 11, 2007
Metros

Para quem se interessa por metropolitanos, mais subterrâneos ou superficiais, ou deseja encontrar imagens dos comboios urabnos que existem em quase todas as grandes cidades, este sítio é um achado. Basta saber usar um mapa. E ainda tem links para buscas mais aprofundadas. Sobre este assunto não conheço nada melhor. Não sei se há grandes indefectíveis dos metros, mas se os houver, têm aqui material de sobra.
"Moderação"
A nova Lei que despenaliza/liberaliza o aborto foi aprovada na especialidade. Como se previa, não haverá aconselhamento obrigatório. as mulheres poderão abortar sem qualquer tentativa de disuasão, o que torna o estado neutro em relação ao aborto até às dez semanas. Parece que é uma "lei moderada".
A nova lei do tabaco promete criar ainda mais restrições aos fumadores. Agora será proibido fumar em bares restaurantes e discotecas com menos de cem metros quadrados. O presidente de uma tal ConfederaçãoPortuguesa de Prevenção ao Tabagismo (prevenção e não proibição, estranhamente) considerou a proposta "equilibrada" e que "chegou a recear que a legislação deixasse ao critério dos proprietários dos restaurantes, bares e discotecas a decisão de proibir o fumo". Será que também conhece o significado da palavra proprietário?
São dois belos exemplos de normas "moderadas"e equilibradas" Nem quero imaginar se não fossem.
A nova Lei que despenaliza/liberaliza o aborto foi aprovada na especialidade. Como se previa, não haverá aconselhamento obrigatório. as mulheres poderão abortar sem qualquer tentativa de disuasão, o que torna o estado neutro em relação ao aborto até às dez semanas. Parece que é uma "lei moderada".
A nova lei do tabaco promete criar ainda mais restrições aos fumadores. Agora será proibido fumar em bares restaurantes e discotecas com menos de cem metros quadrados. O presidente de uma tal ConfederaçãoPortuguesa de Prevenção ao Tabagismo (prevenção e não proibição, estranhamente) considerou a proposta "equilibrada" e que "chegou a recear que a legislação deixasse ao critério dos proprietários dos restaurantes, bares e discotecas a decisão de proibir o fumo". Será que também conhece o significado da palavra proprietário?
São dois belos exemplos de normas "moderadas"e equilibradas" Nem quero imaginar se não fossem.
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