segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O que há a dizer no rescaldo do referendo? Que a minha escolha, aqui e aqui expressa, perdeu nas urnas. Só soube do resultado lá pelas onze horas, porque antes disso estava num comboio entre Porto e Lisboa. Não foi a vitória do "sim" que me espantou e entristeceu, mas a diferença clara entre as votações.
Como não tenho os pruridos do PCP, entendo que a escolha dos que votaram deve ser respeitada, mesmo que o referendo juridicamente não seja vinculativo (como não o fora em 98). Faço votos para que a nova legislação seja moderada e não deixe de considerar o aborto um mal, dando o necessário atendimento às grávidas e não esquecendo o direito à maternidade, constitucionalmente consagrado, mais a mais num país com fraca natalidade.
Mas como já se disse repetidamente noutras partes, a questão não está nem pouco mais ou menos resolvida. Temo que o número de abortos suba, e não apenas nos primeiros tempos, mas também que o SNS tenha ainda mais dificuldades em atender os pacientes habituais, que o aborto clandestino permaneça (em alguns meios vai com certeza subsistir) elevado, e que se observe a aberrante situação de ver as mulheres de Espanha a vir abortar ao nosso país, quando em certas situações uma portuguesa tem de ir dar à luz a Badajoz. Sim, isso pode muito bem acontecer, e não é por acaso que já há uma clínica espanhola especializada em abortos a ser montada em Lisboa... mesmo antes de se saberem os resultados do referendo. Quem viu a entrevista a uma cinicíssima representante dessa casa não poderá com certeza ter deixado de reprimir um arrepio pela espinha.
Os vencidos da noite foram portanto os que estavam do lado do não, como eu, excepto talvez uma pessoa: Ribeiro e Castro. Com uma campanha infatigável, quase sozinho, foi o líder do único partido que disse "não" e na declaração oficial não atirou a toalha ao chão, prometendo que continuaria atento e a lutar pelas suas convicções. Ganhou um grande capital político, que Portas e os seus acólitos terão de enfrentar doravante.
Outros derrotados: Marcelo, claramente, e Marques Mendes. O PSD não entra nestas contas devido à sua divisão entre as duas opções. E embora tenha criticado este partido pela sua campanha ambígua, devo igualmente felicitá-lo: se a questão não era política nem partidária, então partido algum devia ter tomado posição, deixando o caminho aberto para os vários grupos de cidadãos. A partidarização de questões desta natureza é que tem tendência a afastar as pessoas das actividades cívicas; e nem assim se compreende os apelos para que a Igreja não se metesse ao barulho. Afinal de contas, porque é que os direitos dos partidos a fazerem estas campanhas prevalecem sobre as confissões religiosas? Só se a questão fôr afinal política, coisa que não é ou não deveria ser.
De tudo isto, retira-se ao menos um facto positivo: a maior participação dos cidadãos organizados fora das esferas partidárias. Um exemplo que deve frutificar.
Entre os vencedores, Sócrates, claro. A vitória do "sim" deve-se provavelmente a ele e a mais ninguém. A diferença entre 98 e 2006 esteve provavelmente na mobilização do governo e do PS quase todo, com as raras excepções do "não". O PCP conseguiu enfim ver aprovada na prática a tese de licenciatura do seu líder histórico, mas quanto a capital político, é duvidoso que tenha ganho muito. O BE terá ganho esta batalha, mas pelas reacções pantomineiras duvido que tenha angariado muitos trunfos. Aquele cartaz do "Bem-vindos ao Século XXI" é uma coisa confrangedora. Como é que pessoas que vivem, na melhor das hipóteses, nos anos setenta, podem servir de anfitriões ao Século XXI? Aquilo era antes um "bem-vindos à pós-modernidade"; tinha muito mais a ver com aquele partido e com este momento.
Como disse atrás, a questão está longe de estar resolvida. As convicções não se calam por causa de uma derrota nas urnas. E quase aposto que um dia terá de se fazer novo referendo sobre o assunto, mas noutro sentido. Se uns o puderam repetir, porque não os outros? É assim que funciona a democracia.
domingo, fevereiro 11, 2007
Eu já estava pessimista desde o sorteio, e as minhas desconfianças concretizaram-se da pior maneira: fomos afastados da Taça por um clube da Divisão de Honra. Não é tão mau como a eliminação do Porto frente ao Atlético, mas era escusado. Não me lembro de ver o Benfica ganhar naquele horrível estádio da Póvoa, que de bom só tem o estar em frente ao mar (e mesmo isso vai ser alterado).
O meu trauma já vem de 2001, naquele jogo em que ficou célebre a frase "deixem jogar o Mantorras". Lembro-me que paguei couro e cabelo, fiquei empilhado com os outros benfiquistas em meia bancada, mesmo sendo em maior número que os varzinistas, depois de me terem recusado a entrada no lugar a que tinha direito, e ainda vimos os locais a beneficiarem de uma arbitragem péssima que nos roubou descaradamente um penalty. A partir daí, fiquei com uns sentimentos de ternura em relação ao Varzim que me fazem anualmente desejar a descida da divisão onde se encontrem.
Infelizmente, continuamos sem ganhar naquele maldito estádio.Mas lá virá o dia (e que seja de novo na Taça, sinal de que os poveiros permanecerão nas divisões inferiores). Agora é recuperar a equipa para o decisivo encontro com o Dínamo de Bucareste. E desta vez tem de haver mais golos da nossa parte, entendido, Eng. Santos?
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Balcãs ou Cáucaso?

Mestia, capital do Svaneti, com as omnipresentes montanhas ao fundo
terça-feira, fevereiro 06, 2007
E prossegue esta infeliz e insuportável campanha
ar tristonho e belos olhos atrás das grades...quando se sabe que não há uma única mulher presa por fazer um aborto proibido pela lei. Também esse lado da campanha se deixou contaminar pela emoçãozinha fácil, como se vê.sexta-feira, fevereiro 02, 2007
O ex-franco atirador, agora cultor de uma vida breve e entusiasta da despenalização + liberalização do aborto, assistiu ao debate de segunda-feira relaccionado com o referendo de dia 11. Assistiu mas viu umas coisas assaz estanhas. Parece que os defensores do "não" eram todos muito maus e os do "sim" todos muito brilhantes, sensatos, sensíveis, enfim, uma maravilha. Consta mesmo que Lídia Jorge (absolutamente inenarrável) teve "bom - senso" ao falar na "coisa humana". Já dá para ver a profundidade da análise. Mas fica igualmente o registo das duas partes da sessão que Luís M. Jorge teve o cuidado de descrever até onde a sua imaginação delirante o permitiu.
Ah! E não deixem de ler os comentários do clube de fãs, crendo que aquilo que leram era realmente o debate que se passou na televisão. Uma menina fala mesmo da "atrapalhação da gente acéfala do não perante as tiradas brilhantes da gente do sim". É só tolerância e honestidade intelectual, entre a malta do sim. Ao menos divertem as pessoas, e quem sabe, as "coisas humanas".
quinta-feira, fevereiro 01, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007
O que é feito da Prússia Oriental, e a herança eslava nos alemães de leste (os legítimos prussianos).
No Herdeiro de Aecio
segunda-feira, janeiro 22, 2007

Flags of our Fathers, última obra de Clint Eastwood, não poderá ser rotulado de "obra-prima". No mesmo sentido vão as nomeações de óscares, que se viraram preferencialmente para o aguardado "Letters from Iwo Jima". Mas dificilmente outro realizador conseguiria tocar numa batalha tão sangrenta e tão decisiva como Eastwood, não se deixando enredar nem em triunfalismos patrióticos (e aí está o seu filme japonês para o provar), de que um exemplo eloquente será Pearl Harbor, nem em miserabilismos pacifistas, com sentimentos de culpa inculcadas em todas as células. O que se vê é o sangrento episódio, do qual o público da altura só reteve a foto em questão, as angústias próprias da frente de combate, um legítimo sentimento de patriotismo à vista do estandarte. E os sobreviventes do acto simbólico, transportados por toda a América, num cortejo triunfal que não desejavam, sendo heróis sem o sentirem. As consequências foram amargas: não passando de cobaias para a angariação de fundos e para exortar a nação, depressa foram esquecidos por quem os tinha posto no topo do mundo - ou do rochedo de esferovite que surge logo no início, no meio de uma multidão eufórica.
O filme, claro está, aconselha-se, por tudo isto e não só: os diversos flashes não cortam a sequência narrativa, o elenco (de desconhecidos, à parte Ryan Philippe e Barry Pepper) é muito aceitável, e a fotografia é belíssima. A primeira parte lembra muito O Resgate do Soldado Ryan, ou não fosse Spielberg o produtor.
Mas é curioso reparar que a simbologia da imagem não é assim tão original. Já havia imagens semelhantes em diferentes contextos. É que a fotografia da bandeira de Iwo Jima lembra-me muito a imagem do Padrão de Santo Agostinho a ser erguido pelos homens de Diogo Cão na foz do Zaire. Acredito que os norte-americanos não tivessem qualquer ideia de fazer uma cópia inspirada no padrão, mas o que é certo é que já muito antes tínhamos colocado as nossas armas nacionais em territórios inóspitos. As semelhanças são mais que evidentes, mas entre os dois acontecimentos há quatro séculos e meio de intervalo.

(Não conheço o autor do quadro; agradecia a quem puder esclarecer-me)
Mais uma vitória sofrida contra uma equipa do centro do país. Na segunda tivemos aquele brilhante jogo contra uma Académica à antiga, mas jogámos com o credo na boca até ao golo de Leo (até houve espaço para o humor, com aquela faixa a anunciar ao Luisão a Quima das Fitas, e os não menos hilariantes discursos científico-desportivos de Manuel Machado). Hoje, só com dois golos perto do fim, um deles do regressado Mantorras, é que conseguimos vencer a União de Leiria (ou Porto-b, como quiserem) e seguir em frente na Taça. Vá lá, continuamos invictos em casa, e além do mais este jogo trouxe-me uma recordação agradável: há três anos estivemos igualmente um jogo inteiro a atacar a baliza do Nacional e a perder, até marcarmos perto do fim dois golos em cinco minutos. Como é sabido, ganhámos mais tarde o caneco. Deus queira que a história se repita e conquistemos a 25ª.
sábado, janeiro 20, 2007
Muito pertinente, o reparo que Pedro Correia faz ao anúncio dos gastos do PSD. Um partido que não tem posição oficial sobre a despenalização do aborto vai gastar 500 mil Euros num "nim". Como? Colocando cartazes com slogans "apoiamos o não, mas também o sim", ou com Rui Rio e Marques Mendes, lado a lado, com balões ilustrando a sua posição oficial? Ou ainda outdoors diferentes em quantidades iguais? Ou outra coisa qualquer, mais enigmática ainda? Esclareçam-nos antes da campnha, senhores, ou arriscam-se a torná-la ainda mais confusa. Melhor, não façam qualquer campanha, que poupam dinheiro aos vossos cofres e a paciência ao torturado eleitor.
A pouca disponibilidade técnica para actualizar o blog faz com que aconteçam coisas destas. Não é que daí venha mal ao mundo, mas como gosto de relembrar estas coisas (eu e noventa por cento dos bloguistas) fiquei ligeiramente entristecido. Tudo porque há quatro dias atrás, quando escrevi as últimas linhas, não me lembrei que de que há exactamente três anos criei este espaço a que chamo A Ágora. É verdade, há estou ligado ao meio desde 16 de Janeio de 2004. E se escrevo pouco nos dias que passam, isso deve-se não a qualquer sentimento de fastio, que me tem assaltado noutras alturas, mas sim ao facto de nem sempre estar ligado à net. Daí também o lamentável esquecimento, comparável, dentro das devidas dimensões, a olvidar o dia de anos de casado (apesar de ser um estado civil cujo mistério ainda desconheço). Como todos os maridos embraçados, prometo igualmente tentar compensar o meu blogue da forma como merece, para minimizar estragos e prosseguir com esta ligação de três anos.
terça-feira, janeiro 16, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007

Actualmente tenho andado mais por Lisboa do que pelo Porto. As minhas obrigações passam agora perto de Alcântara, o que faz com que almoçe muitas vezes nas tascas, snacks e restaurantezinhos da zona, entre outros estranhos de serviço, como eu, e os locais, saudosos dos tempos em que não havia a Golden Gate lisboeta, das fábricas agora em decomposição, da faina portuária, dos jogos que enchiam a Tapadinha. Enfim, da altura em que Alcântara não tinha viadutos cruzados, mais actividade nocturna que diurna, mercê do Garage e das Docas, ou duplos cafés do Herman. Nem do Atlético, a jogar em divisões secundárias.
Mas no que toca à agremiação desportiva parece que ainda há momentos altos. Quando me contaram que o velho clube de Alcântara tinha levado de vencida a mui segura de si e "futuro bi-campaõ nacional" equipa do Porto, e logo no Dragão, julguei que estavam a brincar. Mas não. Era mesmo verdade: para o Porto, couberamas lembranças de uma tarde parecida, com o Toreense; para o Atlético, uma jornada de glória, que nem um penalty inventado no quinto minuto do prolongamento abalou; para os outros, alguns risos inesperados e um dia bem passado. Devo dizer que estava num local que exigia alguma solenidade, e as minhas exclamações ao saber da notícia foram muito pouco ortodoxas, mas verdade seja dita, não vi quaisquer recriminações.
Ao fim da tarde passei pela zona de Alcântara-terra: alguns carros apitavam, e os alcantarenses apinhavam-se à porta das cervejarias, de copo na mão e cachecol do Atlético ao pescoço, comentando o feito. A equipa, essa, comemorava na Bairrada (de onde uma das equipas tinha sido goleada na Luz também para esta competição), antes do regresso triunfal.
Andava a congeminar uma dia à Tapadinha um dia destes para ver um jogo do Atlético. Depois disto não há volta a dar-lhe. Tenho mesmo de assistir a uma partida dos amarelos de Alcântara. E até lá, continuarei a frequentar-lhes as tascas e a ler os jornais do clube, gratuitamente distribuídos nos balcões dos estabelecimentos. Parabéns, Atlético Clube de Portugal!
sexta-feira, janeiro 05, 2007
O que voto? Não. Falarei deste tema com mais calma, até porque nos próximos tempos vai estar em destaque aqui no rectângulo.
domingo, dezembro 31, 2006
Já falei várias vezes do Amigo do Povo, mas outros surgiram, como o Corta-Fitas, o Cachimbo de Magritte, o Herdeiro de Aécio, o provocador mas divertido Franco-Atirador, e outros a quem reconheço alguns paradoxos curiosos e grandes divergências, como o Combustões.E o ano ainda me permitiu travar conhecimento com outros bloggers de áreas bem distintas, como O Corcunda. E outros haverá, mas a memória agora é que não dá para mais.
Se não trouxer mais nada de exaltante, que 2007 seja o ano da confirmação destes espaços e traga outros de igual qualidade. Um desejo não tão difícil assim de se concretizar.
Bom ano de 2007
O ano acaba de forma a todos os títulos trágica. Saddam acabou por fim assassinado ("execuções" são coisa para mim meros homícidios disfarçados de legalidade enviesada), mostrando que o país que ajudou a construír no meio da barbárie e da ferocidade continua tão feroz e bárbaro como antes, com uma guerra civil efectiva entre hordas comandadas por novos Madhis e Nabucodonosores. Só mesmo a alimária que desgraçadamente preside aos EUA e alguns dos seus dementes seguidores imaginam que isto é "um passo importante para a democracia noIraque". Quando alguém defende a pena de morte como forma de implantação democrática é porque não tem qualquer princípio civilizacional.
Os costumeiros atentados voltaram a sacudir Bagdad. Uma rotina para a Mesopotâmia, mas a que os espanhois não estavam já habituados e para a qual tiveram de abrir os olhos quando a ETA voltou a mostrar-se. O atentado de Barajas deve ter enterrado todo o duvidoso esquema de negociações que Zapatero e Carod Rovira incrivelmente julgavam possível. Otegui, o porta-voz oficoso dos etarras, atribuiu as culpas a Madrid. Talvez agora o governo do PSOE seconvença que não está perante meros nacionalistas com ânimos ligeiramente exaltados, mas sim com uma mistela de extremistas e mafiosos à boa maneira da Cosa Nostra.
A nossa "protecção civil" voltou a dar um exemplo de negligência e incompetência que custou a vida a meia dúzia de pescadores, perante a impotência desesperada de alguns locais na praia. Os contornos da falha serão, espera-se, apurados em inquérito, mas com certeza que não se aceitarão justificações que falem de "azares" ou "fatalidades". A culpa deve ser apurada e não pode morrer solteira. É demasiado grave que existam serviços públicos que não cumpram minimamente os seus deveres mais básicos, como não deixar morrer inutilmente os seus cidadãos. E mais penoso se torna pensar nisto quando se pensa que já houve há uns anos um filme, realizado por José Nascimento, com o explícito título de Tarde Demais, baseado em acontecimentos reais em tudo semelhantes à tragédia dos homens do Luz do Sameiro. De que terá servido, então?
Mas há regiões em que as coisas são bem piores. Na Indonésia, naufragou um ferry pelas razões de sempre: más condições de segurança e excesso de passageiros. Centenas de desparecidos no mar revolto pagaram por isso. E não é caso isolado. O Terceiro Mundo existe mesmo, e apesar de todas as evidências em contrário, Portugal não lhe pertence. E assim termina o ano.
sábado, dezembro 30, 2006
Um dos sites de futebol que mais gosto de ver é o Balípodo. O espaço é brasileiro, o que vem confirmar a minha ideia de que os nossos gigantescos parceiros da CPLP são tão bons a escrever sobre bola como a jogá-la. Entre a crónica, a notícia e a previsão do futuro, há de tudo nas suas colunas divididas em diferentes secções, cada qual com seu assunto.
Uma dessas rubricas, chamada com propriedade "E se..." , tenta adivinhar o que aconteceria caso determinada situação seguisse outro rumo, como por exemplo, se Mourinho fosse treinar o Brasil, ou se em lugar da Liga Espanhola houvesse vários campeonatos regionais. Uma das melhores imagina como teria sido um hipotético Mundial de Clubes em 2001, seguindo-se à primeira experiência da prova que levou o Corinthians de Dida, Gamarra, Vampeta e Edilson a sagrar-se campeão mundial frente ao Vasco da Gama de Helton, Romário e Donizete. Imagine-se o Corunha comapeão mundial,frente aos brasiliros doPalmeiras, depois da queda de todos os favoritos.Vale a pena ver essa pequena ficção e muitas outras com que o Balípodo nos brinda.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
A divisão da Somália
PS: as origens da Somália e dos seus conflitos são mais facilmente percebidas neste post do Herdeiro de Aécio
domingo, dezembro 24, 2006
Chegamos por fim à véspera do dia que tão vilipendiado tem sido, mesmo aqui na vizinha Espanha. Com argumentos incompreensíveis e em grande parte falsos, algumas entidades, públicas e privadas, escondem o carácter fundamental e primevo da celebração: o Nascimento de Cristo. Parece que o nome do Salvador incomoda pessoas de "outras crenças", embora ninguém se tenha lembrado de perguntar isso às mesmas; que o Natal é uma mera comemoração do solstício de Inverno; e que símbolos com algum carácter religioso ofendem são potencialmente ofensivos.
Olhando bem para estes casos, não direi que há uma guerra generalizada contra o Natal, mas tão somente umas cabecinhas, que, por extraordinário acaso das coisas, têm alguns cargos de direcção, e que camuflam assim um ódio ao cristianismo e às religiões no seu todo, ou uma enviesada ideia de modernidade. Felizmente, as reacções a esta imbecilidade pré-instituída não se fizeram sentir, vindas de políticos, opinion-makers, ou representantes das "outras crenças", cientes igualmente que este presumido paternalismo de que gozariam com tais interdições não passa de um atestado de menoridade, que dispensam.
Estou convencido que actos como estes não vieram para ficar, mas apenas para nos atazanar durante uns anos, antes de serem deitados no caixote do lixo das modas estéreis. A força das

Um Santo Natal para todos
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Se se reparar bem em grande parte dos discursos políticos actuais (como o da discussão da AR de hoje), notar-se-à que muitos dos predicados utilizados - posso falar em predicados ou a TLEBS já está em vigor - são constantemente comidos. Sim, comidos. Querem exemplos? "O Governo ´tá a executar políticas de rigor"; "o Partido ´teve em peso com o candidato X"; "O Eng. Sócrates ´tá a tomar medidas necessárias/demagógicas".
Percebem? Alguns erros coloquiais, tão banalizados nas conversas do dia-a-dia, são utilizados pela classe política de forma descuidada e constante, como se estivessem a falar com o colega do lado e não numa tribuna para o país. Falo dos políticos porque são os que têm mais responsabilidades na condução do estado, e porque são figuras públicas e notórias, mas podia-me socorrer de outros exemplos existentes na sociedade, como a economia ou as artes.
Parece-me particularmente infeliz este descuido com o uso da língua fora do âmbito privado. Se se quer passar uma imagem de algum rigor, convinha estar atento a estas corruptelas orais. Eu sei que a língua está sujeita a evoluções e mudanças, por muito que nos custe. Mas em alguns casos isso pode não trazer qualquer melhoria. Imagine-se o "teve" como pretérito perfeito de dois verbos diferentes, ter e estar. Ou então este último transformado em verbo "tar". Ou ainda o verbo "perar". É que talvez não fosse pior começar a distinguir evoluções linguísticos e de fala dos meros atentados ou fortes vícios, causados por por simples facilitismo.
E na mesma linha, veja-se essa imbecil campanha feita pela BCP (cujo rosa das infinitas agências bancárias em cada esquina já não se suporta), com Bruno Nogueira a perguntar a uns supostos "jovens" se "kerem voar". Assim mesmo.
Não sei porque carga de água é que não põem "queres" em lugar do Kapa. Ou os senhores da campanha não sabem escrever senão ao telemóvel, ou então acham que todos os "jovens" a quem se dirigem são mentecaptos e só sabem ler assim. Bela imagem que a ubíqua instituição do Dr. Paulo Teixeira Pinto tem das novas gerações e das suas pontencialidades.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Mobilização das tropas indianasPassam agora 45 anos desde o fim do Estado Português da Índia. Em Dezembro de 1961, a União Indiana, sob Nehru, com forças que ascendiam aos 50000 homens, e inúmeros meios aéreos e navais, atacou os enclaves lusos. O lado português era defendido por pouco mais de 3000 efectivos, sem força aérea, com parcas lanchas de guerra, que cedo viram as sua comunicações destruídas por bombardeamentos indianos. A resistência era impossível e suicida.
Salazar sabia muito bem disso. Mas imbuído de sentimentos de "honra", a milhares de quilómetros de distância, pediu o "sacrifício total" aos soldados portugueses, para"prestar serviço ao futuro da Nação". "Vitoriosos ou mortos", pedia o velho abutre, que jamais respirou o ar de qualquer colónia, quase não saía do rectângulo, e não proporcionou melhores meios de defesa a quem tinha essa missão. Apenas pedia para remeterem as relíquias de são Francisco Xavier para a metrópole, que essas sim, urgia proteger.
Como é sabido, Vassalo e Silva não esteve virado para martírios inúteis nem tragédias euripedianas, e acabou mesmo por se render, a 19 de Dezembro, impedindo um banho de sangue. Pagou com isso a carreira, que só seria reabilitada em 1974, e a liberdade, com uma estadia de alguns meses nas prisões indianas, juntamente com os seus homens.
Assim acabou, quatrocentos anos volvidos, o império erguido pelos Gamas, Albuquerques e Castros, vitimado pelos ventos da descolonização mundial, pela supremacia das forças indianas e por uma política ultramarina isolacionista e desastrosa. Tão desastrosa que levaria ao avolumar da penosa Guerra do Ultramar, suportada por toda uma geração, e pelos cofres do Estado, e que teria como consequência, anos mais tarde, o derrube do próprio regime pelas suas Forças Armadas.
(Para mais informações, este site é um bom início)
Rendição oficial dos militares portugueses
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Há imenso tempo que tenho aqui nos drafts a descrição de uma passagem por Génova, feita no Verão do ano passado. Só que o suplemento Fugas, do Público, antecipou-se, e pior do que isso, com um relato muito próximo do meu, tanto no percurso efectuado como nos elementos observados. Ah, mas isto não fica sem troco. Em breve lanço a minha resposta, desastradamente atrasada por causa das notas sobre outras cidades visitadas na mesma viagem, que não estão devidamente postas em ordem. Revisitar o Verão do Mediterrâneo no Inverno: ora aqui está uma ideia susceptível de provocar melancolia à mistura com boas recordações.
quinta-feira, dezembro 14, 2006

Os Placebo são uma banda com os seus momentos altos e baixos, outrora alojados nas lantejoulas e na androginia do Glam Rock do início da carreira e na idolatria por David bowie, prosseguindo depois numa fase rock + electrónica. Surgiram provocando estranheza e desconfiança e ascenderam ao estatuto de banda respeitável, com vendas de milhões de discos e concertos esgotados em todas as cidades. Chegaram inclusivamente a participar no filme Velvet Goldmine, ao lado de Christian Bale e Ewan McGreggor, fazendo praticamente deles próprios, só que com nome diferente.
Também tiveram êxito no formato DVD. Um deles mostra o concerto que realizaram em Paris, em 2003, com um Brian Molko bastante fluente na língua gaulesa, acabando em apoteose a cantar Where is my Mind, dos Pixies, em dueto com o próprio Frank Black, ao seu melhor estilo rocker, de blusão de couro, óculos escuros, crâneo rapado e a eterna barriga proeminente.
Podem ver aqui a a interpretação global da música. E agradeça-se, uma vez mais, a quem se lembrou de inventar o YouTube.
quarta-feira, dezembro 13, 2006

Morreu enfim Augusto Pinochet, de forma natural, coisa a que muitos dos seus compatriotas não tiveram direito durante a sua presidência. Restam-nos aqueles a quem ele não deixa saudades, e que não resistiram a comemorar o seu fim; e os outros que ainda acreditam que Pinochet salvou o Chile da hecatombe, que aprovaram as matanças no estádio de Santiago e que ainda acham que o general deixou o poder "voluntariamente" (isto é, depois de perder um referendo e já sem o apoio de sempre dos EUA) e deixou um pais "próspero" (para se aferir melhor tal "prosperidade", criada pelos Chicago boys, é favor ler isto), sem pelo caminho desviar nada. Entre estes, conta-se a Srª Thatcher e alguns "liberais" pouco esclarecidos, que divinizam o ditador. Sem dúvida um exmplo magnífico do liberalismo que estes senhores pretendem para o mundo. Deus tenha piedade não só da alma do ex-ditador, se ele se tiver arrependido, mas igualmente da sanidade mental destes pobres de espírito.
Stroessner também morreu este ano. Fidel não parece ter muito mais tempo de duração. Os tempos estão maus para ditadores sul-americanos.
sábado, dezembro 09, 2006

Entre as várias expressões lisboetas a que não me habituo, há uma - para além da questão Fino - Imperial, que serviria perfeitamente de traço de divisão do país, bem mais eficaz que a imaginária linha de Rio Maior, no PREC - que se adequa perfeitamente ao tempo que faz: o uso de "chapéu de chuva". Para mim, são efectivamente chapéus de material variável, desde que impermeáveis, que se usam na cabeça para proteger da chuva. Em Lisboa (e noutras regiões próximas, cujo limite desconheço), são aquilo que vulgarmente conheço por guarda-chuva. Como farão os cultores do"chapéu"para se distinguir? E porque não usam o prefixo guarda seguido do hífen? Outros usam umbrella ou parapluie. Porque não há de haver uma palavra própria que classifique o objecto (sem recurso à famigerada TLEBS) por si mesmo sem ambiguidades inúteis? Pensem nisso, que me poupavam muito latim.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Há exactamente um ano, afastávamos o Manchester United das competições europeias e seguíamos para os oitavos. Ontem, os ingleses desforraram-se e passaram eles à fase de eliminatórias. Do mal o menos, sempre ficámos na UEFA. Mas além de nos terem ganho os dois jogos, ainda se encarregaram de perder naqueles em que precisávamos que triunfassem. Gente vingativa.
No jogo de ontem, safou-se o míssil de Nelson e algumas excelentes jogadas de Simão. A defesa estava totalmente desorganizada, e o jogo de cabela foi uma lástima. E, claro, o livre concretizado segundos antes do intervalo deitou tudo a perder. Estava mesmo a prever que aquilo ia acontecer. É sempre nestes momentos que sofremos golos.
Diga-se que a nossa missão era quase impossível perante um United em grande momento de forma e a precisar igualmente de ganhar. Trocaria de bom grado a vitória em alvalade por uma ontem. Agora que esta fase acabou, constata-se que duas tradições se mantêm: uma, é a do Benfica nunca fazer bons resultados em Old Trafford. Outra, é a de marcar grandes golos em solo inglês. Foram quatro no último ano e meio (e ainda podíamos recuar áquele grande jogo contra o Arsenal). Para os apreciadores do futebol espectáculo acima de tudo já não é coisa pouca.
domingo, dezembro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Uma colheita especial, por Domingos Miguel, no Noite Americana, em especial esta parte:
"não é preciso ser um génio, para perceber que um tipo que faz o primeiro Alien, Blade Runner, Black Rain (grande filme, já agora), Thelma and Louise, Gladiator e Black Hawk Down, só para dar alguns exemplos, não está propriamente preocupado com a consistência."
O Caso Richards, no Estado Civil, ou quando em momentos de irracionalidade e raiva o nosso racismo vem à superfície. Mesmo que pensemos sempre que "não sou racista". Só que geralmente há sempre um "mas" depois dessa afirmação.
Já que falamos de cinema, é preciso que se diga que o último James Bond, Casino Royale, tem muito do que se pede a um filme da série: uma história escrita (inspirada) por Ian Fleming, acção sem fim, hoteis glamourosos, Bond-girls a sério (está de parabéns quem se lembrou de Eva Green), roupas com estilo, países ensolarados e até o regresso dos Aston Martin, depois de anos e anos de insípidos BMWs. Só falta mesmo uma coisinha fundamental: James Bond. No lugar dele, estava lamentavelmente um tipo com ar de bruto, ou de boxer recém retirado, que já andara por Munich e Caminho para a Perdição, com os mesmos modos de carcereiro da Torre de Londres no período isabelino.

*Escusam de procurar o site, que está desactivado há já uns tempos
segunda-feira, novembro 27, 2006
Dá ideia actual de que este ano chegaram a Portugal as mais recentes obras de quase todos os grandes mestres do cinema anglo-saxónico. Confirmemos: Woody Allen chegou no início do ano com Match Point e está aí a reaparecer com Scoop. Scorsese traz-nos Departed. O seu vencedor nos óscares do ano passado, Clint Eastwood, virá com Flags of Our Fathers e a sua correspondente japonesa, Iwo Jima. Minghella também não tardará, creio, com novo filme (na pior das hipóteses em 2007); Ridley Scott traz-nos uma comédia romântica com o taciturno Russel Crowe; o recentemente desaparecido Robert Altman deixou como legado A Prairie Home Companion; Coppola não filmou obra nova, e em compensação enviou-nos a filha mais a sua Maria Antonieta versão New Wave. Almodôvar conseguiu Volver em grande, e trouxe por arrasto Penélope Cruz e outras conhecidas. Stephen Frears chega daqui a dias revelando o lado humano da Rainha; Spielberg passou por aqui no início do ano com Munique, assim como James Ivory e a sua Condessa Russa. Brian De Palma trouxe-nos finalmente o aguardado (mas algo mórbido) The Black Dahlia. Shyamalan revelou-nos a sua fábula aquática, A Senhora das Águas, envolvendo narfas próprias dos sonhos mais belos, cães do inferno e águias celestes. Pena que O Código Da Vinci tenha sido entregue ao progenitor da narfa, mas há coisas piores no mundo. Ou que Wolfgang Petersen e Richard Dreyfuss tenham regressado com filmes-catástrofe.
E ainda tivemos Terence Malick, com The New World, e Michael Mann, recriando Miami Vice no Século XXI. Além de alguns bons valores do chamado "cinema independente". Paris viu-se homenageada em pelo menos dois filmes, e romain Duris sobe cada vez mais. E com alguma sorte, ainda vamos poder ver muito em breve a nova opus de Soderbergh, The Good German, com o seu amigo George Clooney (outro que não esteve parado) e a encantador Cate Blanchett na Berlim do pós-guerra, no que promete vir a ser um clássico moderno. Temos e tivemos todas as razões para não nos queixarmos da safra anual.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Sobre o lançamento do livro de Mendo Castro Henriques, Dom Duarte e a Democracia, houve vários testemunhos, que se pautaram não apenas pela crítica ao conteúdo, mas sobretudo à estranheza ou à satisfação de se ver Manuel Alegre como convidado para a apresentação da obra, em Lisboa, no Espaço Chiado (no Porto a missão coube a Paulo Teixeira Pinto, assumidamente monárquico). Alguns podem ser vistos num post do Combustões. Corroboro, obviamente, a opinião de Miguel Castelo Branco. Já sabia que Alegre tinha um certo respeito pela ideia da monarquia, por tradição paterna, conquanto se declare sempre republicano e tenha sido candidato às últimas presidenciais. Mas o facto do autor do preâmbulo da CRP admitir um referendo sobre o regime não deixa de ter a sua importância, marca uma posição, e talvez seja uma porta aberta para a revogação do iníquo Artigo 288º - b. Que outros sigam os seus passos e percam os precnceitos herdados do 5 de outubro.
Ah, e o livro vale a pena, como biografia e como esclarecimento de algumas ideias preconcebidas.
quinta-feira, novembro 23, 2006
Ferenc Puskas
O Major Galopante, líder da melhor equipa de futebol de todos os tempos, a magnífica selecção húngara dos anos 50, que teve de fugir do seu país com a invasão soviética. No Real Madrid causou terror entre as defesas adversárias, mas nem o seu hat-trick impediu o Benfica de ser bi-campeão europeu. Um imortal da bola, daqueles que seguramente não serão esquecidos.
Sotomayor Cardia
Do antigo ministro da educação foram inúmeros os blogues que se pronunciaram. Pouco conhecia dele. A imagem mais visível é a do seu inesperado anúncio a uma candidatura presidencial, em 1994. Mas deixou caír a intenção e não se tornou a falar do caso.
Marcus Wolff
O nome mais conhecido da STASI, a famigerada polícia política da RDA, mais esguia e eficiente do que o próprio KGB. Deste certamente não se esquecerá John LeCarré.
Milton Friedman
Um dos ídolos do liberalismo económico, a par de Hayeck, guru dos Chicago Boys, antigo Prémio Nobel da Economia e muitíssimo influente nos anos oitenta. Muitos adeptos das suas teorias económicas certamente ficarão com um certo sentimento de orfandade. Curiosamente, morre apenas seis meses depois de um dos seus grandes adversários, Galbraight. Semelhante coincidência envolvendo pensadores opostos deu-se em 2002, quando desapareceram Rawls e Nozick.
Jack Palance
ficou conhecido pelos seus papeis de duro, de vilão de inúmeros westerns. Ganhou um Óscar pela sua participação em A vida, o amor e...as vacas, no qual, curiosamente, morria a meio. Quanto lhe entregaram a estatueta, não se coibiu de fazer umas flexões para mostrar a sua forma. Também a BD a proveitou a sua fama como mau da fita, quando Morris nele se inspirou para compôr Phil Defer, um dos inúmeros inimigos de Lucky Luke.
Robert Altman.
Ainda há 15 dias tinha visto a última obra deste realizador, Prairie Home Companion, sem imginar que ele sobreviveria tão pouco tempo. Deixou um bom par de filmes e um sem número de personagens, interpretados por uma legião de estrelas, que foram um testemunho precioso da América e da incrível diversidade dos seus habitantes( e não só, como em Prêt-à-Porter e Gosford Park).
Actualizado: Mário Cesariny de Vasconcelos; durante tanto tempo deixei de ouvir falar do pintor e poeta surrealista que julgava que tinha morrido antes. Desinquietei-me quando soube que estavam a fazer um documentário sobre ele, com a sua própria colaboração. Por pouco tempo.
Philippe Noiret: outro que dificlmente esqueceremos, pelas Grandes Bouffes deste mundo e pelos "italianos" Cinema Paraíso e O Carteiro de Pablo Neruda.
sábado, novembro 18, 2006
Haverá plágios inevitáveis?
quinta-feira, novembro 16, 2006
Na sala de espera do dentista, a televisão estava acesa no canal Hollywood. Estava a dar O Silêncio dos Inocentes. Convenhamos que as opções do consultório são assim um bocadinho para o sádico. Ou quanto muito para o inconveniente. Não tivesse visto à saída e daria para desconfiar. Felizmente para quem estava a seguir, sempre se podia distraír com alguns números da revista NS e as simpáticas raparigas da capa.
terça-feira, novembro 14, 2006
"Chile, Índia e China, são alguns dos exemplos de países que, por tomarem a decisão de ampliar cada vez a liberdade em suas economias, desfrutam de maiores e crescentes taxas de desenvolvimento a cada ano.
Temos o Brasil hoje em direção oposta aos ideais liberais e nas mãos de políticos incompetentes e desonestos.(...) temos novamente o Lula dos escândalos, que acoberta “movimentos sociais” que colocam em risco a liberdade e a propriedade privada"
Este é o texto que uma colunista brasileira chamada Marília Bertoluci escreveu na Causa Liberal antes da segunda volta das eleições brasileiras. Como se vê, para alguns "liberais", a China é um modelo preferível ao Brasil. E também se verifica que a liberdade, para esta senhora, se resume à sua vertente económica. Nada de novo. Era só para confirmar.
domingo, novembro 12, 2006
No Franco Atirador, um interessante desfile de Joly Rogers, dos mais diversos estilos e formas (mas não cores, está claro), revelando as influências Stevensonianas que percorrem esse blog.
Surgiu o Apatia Geral, uma espécie de fotocópia light do Blasfémias, mas com menos imaginação. Parece que todas as ideias foram retiradas aos seus mentores (inclinação política e económica, clubismo, autores, e compare-se o nome e subtítulo do blog com o "combate à bovinidade" dos blasfemos originais). Por certo uma filial não muito bem disfarçada, para espalhar o "combate político".
"Rui Rio, o que gosta de carros, mudou as placas com os nomes das ruas da Invicta. Foi o seu maior gesto, encher as esquinas com placas verdes", no 5dias, um blog que merece ser visto, porquanto esteja politicamente identificado numa área bem precisa. É a minha oportunidade para falar de um mero assunto local muitas vezes adiado: uma das grandes obras de Rui Rio foi a alteração das placas toponímicas da cidade. Melhoras? Poucas. As placas verdes não são mais visíveis do que as suas antecessoras de letras negras sobre fundo branco. E na minha rua a substituição deixou-me particularmente aborrecido. A placa que a sinalizava era muito maior do que qualquer outra da cidade; era visível, elegante e altaneira. Só que não sei por que carga de água, tiraram-na e puseram no seu lugar uma das tais tabuletas, que se confunde com o verde da relva em que assenta. A massificação de tabuletas dessa cor, sem critério nem atenção ao caso concreto, também deve ter custado uns dinheiros à câmara, para mau serviço de sinalização e menos fundos pecuniários em coisas para as quais seriam bem mais úteis.
sábado, novembro 11, 2006

Pois é. Apesar dos mais anglófonos relegarem sempre o fascismo para o "Continente"(com notória influência em Alberto João Jardim) , recusando liminarmente que a Velha Albion tivesse sido influenciada pelo ar de tempo, a verdade é que também lá a moda pegou. Não me refiro às simpatias temporárias de Churchill e outros políticos pela ascensão de Mussolini, mas sim a verdadeiros movimentos inspirados directamente no fascismo italiano, onde pontificava o British Union of Fascists(BUP), de Sir Oswald Mosley, antigo Conservador e Trabalhista desiludido. Além de toda a doutrina, não faltavam as indispensáveis camisas negras e os grandes comícios.
O partido teve um grande crescimento até à Segunda Guerra Mundial, altura em que, fazendo campanha pela paz, Mosley e outros companheiros de luta foram presos, e o seu partido acabou por se dissolver. O líder fascista regressaria depois com ideias federalistas para a Europa, que pretendia transformar em nação única, e com um novo partido, recauchutado do anterior (tinha até o mesmo símbolo, o "flash and circle"), o National Party of Europe, com ligeiros resquícios actuais. Mas ideias de Mosley ficaram com ele e com poucos admiradores. Eram fundamentalmente produto do seu tempo, da efervescência política e ideológica dos anos trinta, e não sobreviveram à derrota do fascismo na 2ª Guerra.
Já agora, atente-se no aproveitamento que a BD e a ficção científica de animação, como alguns super-heróis, fizeram do símbolo dos fascistas britânicos, o "flash and circle". Casos da soberba aventura de Blake and Mortimer"A Marca Amarela", ou de Flash Gordon. E muitos outros.

Parece que desta vez, ao contrário do que alguns quiseram fazer querer, as causas das mortes de 18 palestinianos não foram os "escudos humanos" nem um "ataque cirúrgico com danos colaterais", nem "odireito de Israel a defender-se". Foram "erros técnicos". Voluntários ou involuntários é coisa que se descobrirá. Já é positivo que o governo de Olmert tenha reconhecido o facto e oferecido ajuda. Mas o mal está feito, as vítimas estão contadas, o ódio de novo espalhado, e as suas consequências serão provavelmente demasiado gravosas para que se pense em tréguas milagrosas.
sexta-feira, novembro 10, 2006

O Benfica é (reconhecido oficialmente hoje pelo Guiness) o maior do clube do Mundo em sócios. A parte dos sócios não será propriamente uma notícia inesperada. Mais cedo ou mais tarde sabia-se que isso iria acontecer. O que me intriga mais é a primeira parte da notícia. Mas então isso é novidade para alguém?
quinta-feira, novembro 09, 2006
Entretanto, há já algumas reacções curiosas. A de João Miranda, por exemplo, antes de saber da demissão de Rumsfeld, mostrando porque é que a derrota dos Republicanos nada tinha que ver com Iraque nem sequer com Bush (Schwarzenegger, sendo Republicano, não parece ser da mesma opinião). E a de Henrique Raposo, tentando disfarçar um pesado aborrecimento com os resultados eleitorais, despejando um par de sentimentos do mais puro e sintético anti-europeísmo, comparando as virtudes americanas com os pecados da "decadente" Europa. Comparações facilmente desmontáveis, como a do "líder neo-fascista com 18% de votos", ou do "presidente que se mantém no poder para fugir a condenações". É só pôr parte da classe política americana ao lado, sobretudo a que perdeu hoje, para avaliarmos as suas "virtudes". Ou relembrarmos que problemas raciais são coisa que não falta nos EUA. E que certas restrições à liberdade, como as provenientes de certos fundamentalistas dos costumes, provêm precisamente do Novo Mundo. Que deste lado a pena de morte não é bem vista. Ah, e não esquecer também a indecorosa perseguição a Clinton pelas suas escapadelas extra-conjugais. Não me lembro de ver tal degradação moral na Europa.
Quanto a sentir-se melhor entre habitantes do Cabo Horn ao Alasca, é com ele. Conheci muitos nativos da lado de lá do oceano com quem me dei muito bem. Por mim, gosto muito de ser europeu e é entre eles que me sinto bem, particularmente com os do Sul. Se o Henrique experimentasse com uma menor dose de preconceito, talvez até conseguisse. Mas se se sente tão pouco à vontade, porque é que ainda vive nesta terra que detesta e não se muda para as Américas? Ninguém o impede, e sempre se aumentava a auto-estima de que esta terra tanto precisa.
PS: reparei entretanto noutra coisa: Henrique Raposo diz que "parecemos (ele também, portanto) aqueles aristocratas do filme da Coppola". Olhando para a galeria, não unicamente a dos espelhos, acho que não sou minimamente parecido com eles. Ainda por cima, os anglófilos/americanófilos lamentam sempre a sorte dessas tais aristocratas. Acho piada é que quando querem dar exemplos destes, recorrem sempre a franceses. Depois falam no anti- americanismo a torto e a direito.
A condenação à morte de Saddam, sendo já esperada, não pode deixar de ser criticada por todos os que se opõem à pena capital e que pensam que a privação da vida não é uma solução justa, mas meramente vingativa. Claro que desse grupo não faz parte o sempre inenarrável W. Bush, que reagiu à notícia com a esclarecedora frase "é uma grande conquista para o Iraque". Como é óbvio, quem se baseia unicamente no coldre e na Bíblia para daí construír as suas únicas concepções do mundo, ou que acredita que Jesus era um filósofo, só se podia congratular com esta sentença. Provavelmente tentando esquecer que o réu era um fiel aliado da Administração da qual o seu pai era Vice-Presidente (para depois se tornar em inimigo directo, em 90).
É claro que depois do dia de hoje, o Presidente americano terá muito mais com que se preocupar. A derrota no Congresso para os Democratas acabou por ser mais expressiva do que o imaginado, mesmo com a agressiva campanha republicana. Também em governadores estaduais houve subidas pelo partido do burro. O Senado está por um fio, e se também o perder, o bloco conservador americano averbará um fracasso em toda a linha, mais visível ainda por uma afluência às urnas maior do que a esperada.
Com este desaire, uma cabeça já rolou: a do ignóbil Rumsfeld, arquitecto da invasão do Iraque, responsável político por Guantánamo, Abu Grahib e outras situações semelhantes. Já vai atrasado. Desde que se soube das torturas nas prisões iraquianas que a decência teria obrigado este homem a ir para a rua. Algum dia tinha que ser. A atoleiro do Iraque acabou por ser a razão maior que o condenou a saír. Sempre é melhor que a do homem cuja mão apertou nos anos noventa.
terça-feira, novembro 07, 2006
Tem toda a razão este texto de Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado. Até ao momento em que se começou a falar de troca de seringas na prisão, não se comentava o assunto nem se propunham soluções. Agora que estes novos métodos para impedir a expansão de doenças infecto-contagiosas vão ser aplicados, só se ouvem exclamações como "afinal parece que há droga nas prisões", ou "não se deve estimular o consumo, e sim impedi-lo" . Mas que há consumo nas prisões já se sabe há que tempos! Uma prisão não é um jardim infantil, é um local de suposta regeneração ou de isolamento daqueles que desobedecem às regras da sociedade, onde a droga corre, como uma escapatória imaginária às grades, onde há violência, homossexualidade imposta, presos com mais status que outros, suicídios. E só agora é que se apercebem disso? Parece até que é uma revelação do Apocalipse. E que medidas alternativas haverá? Existirão algumas, com certeza, mas até conseguirem ser implementadas mais vale aliviar o drama prisonal. Por isso, concordo totalmente com a troca de seringas nas prisões. Diminuír flagelos como a SIDA e outras doenças parece-me um bom princípio, e os bons exemplos vêm-se como de costume em países onde estes métodos são já correntes.
sexta-feira, novembro 03, 2006

Depois do jogo estreei-me no imponente Café (e antigo cinema) Império. O espaço agradou-me, como já esperava, até por ser imenso e eclético, muito embora faltassem os bilhares que me disseram terem existido ali. Só é estranho que tenha lá ido pela primeira vez DEPOIS do estabelecimento fechar.
PS: falando em cafés, há dias vi num álbum imagens da Brasileira do Rossio, já extinta. Há também a do Chiado, a do Porto, em Sá da Bandeira, a de Braga, e houve até há poucos anos a de Coimbra, no correr da Ferreira Borges. Agora até abriram uma no centro comercial por baixo do Campo Pequeno, obviamente mais escondida e artificializada, e decorada a neons. Akguém tem ideia se havia ou há outras Brasileiras por esse país fora?
Até correu benzinho. Lá despachámos os simpaticos célticos por 3 secos, a resposta ao descalabro de Glasgow. Mas fiquei com a impressão de que com mais um bocadinho de vontade e menos perdas de bola podiámos ter ido mais longe. Daqui para a frente é uma guerra sem quartel. Até ao próximo jogo, continuarei a pensar como pudemos perder com estes tipos por números tão volumosos.
segunda-feira, outubro 30, 2006
sábado, outubro 28, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
Depois da benesses concedidas ao Porto em Avalade, como o inexplicável perdão a Paulo Assunção, e das tropelias de Carlos Xistra na Luz, com um belo trabalho impedindo o Benfica de marcar mais golos na Luz e atirando Micolli para fora do jogo nas antas, confirma-se que o caso do Apito Dourado está definitivamente morto e enterrado e que a compra de resultados, ou pelo menos de árbitros, está aí, de volta e mais descarada do que nunca. Nem vale a pena ter esperanças de repetir a brilhante vitória do ano passado. Mais vale que quem está por trás desta tramoia encomende já as faixas. Assim como assim, já nem disfarçam.
sábado, outubro 21, 2006
A atribuição do Nobel da literatura a Orhan Pamuk não surpreendeu excessivamente. O escritor turco estava já na lista de candidatos, pelo que não houve reacções de escândalo ou euforia. Como quase só ouvi falar dele na última semana, não posso deixar aqui uma opinião crítica sobre a sua obra, que tem merecido rasgados elogios, ou a justiça do prémio. Outros havia, mais sonantes, mas se ganhou este é porque o júri tinha justificadas razões.
O que já me incomoda mais são as colagens políticas que inevitavelmente fazem sempre aos vencedores ou candidatos, ou porque uma determinada causa se cola a um deles, ou porque o comité do Nobel está "politicamente comprometido" (normalmente é acusado de ser "politicamente correcto"), ou ainda porque os adeptos dos que não ganham ficam irados pelas razões extra-literárias dos seus escolhidos não são tidas em conta.
Caso paradigmático é o do ano passado. Muitos atiraram-se à escolha de Harold Pinter pelas suas preferências pró-comunistas e anti-americanas (que o dramaturgo inglês tratou de confirmar num violento discurso por audiovisual, na cerimónia de entrega do prémio), vendo aí um inequívoco compromisso dos votantes escandinavos com as ideias defendidas pelo laureado. A ser esse o caso, seria de um facciosismo e de uma irresponsabilidade atrozes. Simplesmente, alguns desses críticos também estavam contra a escolha, não por discordarem da obra em si (muitas vezes nem sequer a conheciam, como muitos dos que se atiraram a Pinter), mas exactamente porque o vencedor ostentava uma conotação política adversa da sua. Caiem todas as eventuais razões de indignação e fica apenas a mesquinhez e a hipocrisia, muitas vezes cobertas com um véu de ignorância sobre o mérito do prémio.
Neste caso, dá ideia que a Academia premiou o escritor um pouco por causa da sua luta contra o abafamento do genocídio arménio e da repressão contra os curdos que vigentes na Turquia. São causas nobres, sem dúvida, que merecem o maior apoio. Só que o Nobel da Literatura devia estar reservado para os grandes trabalhadores da escrita e da língua, para os que escrevem deleitando, em prosa e poesia, para os que revelam sensações, angústias, emoções, estados de alma ou de espírito, para os que criam novos estilos e novas linguagens, para os que legam à humanidade as suas obras inspiradas pelo génio e pelo engenho. Nobeis para boas causas serão os outros, nomeadamente os da Medicina e da Paz (muitíssimo bem entregue, o deste ano, esperando que vingue ainda mais), pelas quais foram aliás criados. Por isso não posso concordar com entusiastas desta escolha pelas razões que apresentam, como José Manuel Fernandes, que disse no Público que "A Academia desta vez acertou". Talvez tenha acertado, mas não certamente por essas razões.
sexta-feira, outubro 20, 2006
Aparte todo o registo trágico-cómico-melancólico de Volver, o último filme de Almodôvar (e o primeiro em muitos anos com Penélope Cruz), houve um pormenor que me chamou a atenção. Na altura em que a irmã de Raimunda (a personagem de Cruz) chega à casa da tia morta na véspera, depara-se, ao fugir do suposto fantasma da mãe,e vai dar por engano ao pátio onde estavam os homens, macambúzios, falando baixo com um copo na mão. Num compartimento mais acima, as mulheres carpiam-se, trazendo à baila recordações e abanando-se vigorosamente com leques. Toda esta acção se passa numa aldeia fictícia da Mancha, entre uma paisagem árida e ventosa, onde se destacam campos de ventoinhas eólicas.
E lembrei-me dela pelo seguinte: os mesmíssimos elementos aparecem por esta ordem na peça teatral de Garcia Lorca A Casa de Bernarda Alba (onde cheguei a entrar como figurante nos meus tempos de liceu), salvo que aqui a cena passa-se na Andaluzia, mais sul. Mas a estrita divisão homens-no-pátio/mulheres-dentro -de-casa-abanando-se-com-o-leque está lá, numa divisão sexista, arreigada. E a obra data de 1935, pouco antes do assassinato do poeta e dramaturgo espanhol. Já o filme passa-se na actualidade. Acaba por ser uma homenagem involuntária de Almodôvar a Lorca. E revela como é espantoso que certos hábitos permaneçam em algumas regiões que parece que pararam no tempo. E que, pese a tragédia e o clima de inflexibilidade extrema que paira sobre a peça de Lorca, muitas tradições de velar os mortos conservam um respeito e uma austeridade imutáveis, não deixando ainda assim de olhar a morte com certa naturalidade. Será uma manifestação de obsole
tismo arcaico, mas não deixa de ter uma dignidade que impõe respeito. quinta-feira, outubro 19, 2006
Abraçando os concelhos de Boticas e Montalegre, com 1279 metros de altura no ponto mais alto, fica a Serra do Barroso, já uma antecâmara da Peneda-Gerês. De Boticas começa-se a subir, passa-se por Carvalhelhos e chega-se à aldeia de Alturas do Barroso, perdida lá no alto. Uns centos de metros adiante ficam os "Cornos das Alturas", dois cabeços com vestígios castrejos no seu cocuruto e que lembram os chifres do gado desta região, aquele mesmo que nos proporciona combates violentos entre os seus machos, além da carne de primeira ordem. A paisagem é pedregosa, a vegetação predominantemente rasteira; mais abaixo abundam os lameiros e os bosques de abetos, que no Inverno, com neve, revelarão seguramente uma paisagem autenticamente natalícia.
Depois dos Cornos desce-se até à zona das grandes barragens. A maior de todas está lá em baixo, a do Alto Rabagão, ou Pisões, que em Portugal só é ultrapassada em área e capacidade pelo Alqueva. A vista daquela quantidade de água, de um azul profundo, neste Verão, é um enorme contraste com as penedias que se erguem atrás, envoltas no tojo. Um cenário de beleza selvagem mas serena, de autenticidade transmontana, em que se se pode ouvir perfeitamente os zumbidos dos insectos, tão escasso é o tráfego por aqui.
Os Cornos das Alturas, Barroso, Agosto de 2006.
Barragem do Alto Rabagão, Agosto de 2006.
Sobre esta região, ver também este post do Abrupto (há reamente uma eólica juntos aos dois cotos, provavelmente para alimentar a aldeia), este blogue, e mais estes dois.
terça-feira, outubro 17, 2006

segunda-feira, outubro 16, 2006
Já deve estar em poucos cinemas, mas a verdade é que Uma Verdade Inconveniente é uma agradável surpresa. Pedagógico, bem explicado, divertido e muito eficaz, afastando dúvidas prementes. E Al Gore é, imagine-se, um bom actor para o filme em questão. Totalmente aconselhável a cépticos e negacionistas de um dos maiores, se não mesmo o maior, problemas do nosso tempo.
sexta-feira, outubro 13, 2006
Parece que depois do meu último post se multiplicaram as declarações em sentido parecido em diversos blogues. No Público de hoje, Pacheco Pereira escreve um interessante artigo sobre o mesmo assunto, e sobre o semi-paradoxo do preconceito de querer colocar Salazar na lista vir precisamente do "respeitinho" tão inculcado pelo Estado Novo (só é pena que recorra ao seu tão querido e exausto "politicamente correcto", mas aqui até é aplicável).
Entretanto já actualizaram " lista de sugestões" de forma mais consensual, ou pelo menos mais sensata. Além de Salazar, incluíram igualmente Marcello Caetano. E Pedro Hispano, outro nome imprescindível, que se não me engano, não constava lá há dias. Ainda assim há falhas: puseram lá dois Eduardos, Gajeiro e Souto Moura, que eram escusados, e esqueceram-se do Lourenço. E D. João IV continua de fora. Vá-se lá entender...
terça-feira, outubro 10, 2006
quinta-feira, outubro 05, 2006
terça-feira, outubro 03, 2006
Outra conversa da semana passada, resultante da tal sondagem do Sol, que dizia haver 28% de portugueses que queriam ser espanhois. Normalmente, há dois tipos de iberistas: os que vivem no interior profundo, e se sentem abandonados pelas autoridades centrais, e em geral pelo resto do país, e aqueles que por causa da nossa emperrada economia e baixo crescimento, à vista das Zaras, dos Seats e de Penélope Cruz, lamentam-se da sua sorte e clamam ardentemente por Espanha. Se os primeiros têm a sua dignidade, os segundos são de uma precipitação mesquinha e néscia coberta por argumentos inexplicáveis, como os do Arquitecto Saraiva (isto deve andar tudo ligado), que diz que "estamos a atravessar a maior crise da nossa história". Seria bom que alguém fizesse aos senhores iberistas a seguinte pergunta: teriam a mesma vontade de se juntar ao país vizinho se vivessem em 1936?
