terça-feira, junho 12, 2007

Bilhetinho a Gisele Bundchen


Gisele, umas das mulheres mais idolatradas do Brasil, referiu que as leis da Igreja estão ultrapassadas e que foram feitas numa altura em que era esperado que as mulheres fossem virgens.
«Hoje em dia ninguém é virgem quando casa. Mostre-me uma pessoa que o seja!», disse a modelo ao jornal.
Inquirida acerca do aborto, a modelo defendeu que a mulher tem o direito de escolher o que é melhor para ela e incentivou o uso do preservativo


Até quatro meses de gravidez, não existe quase nada. É como um grãozinho.
Quando a igreja fez suas leis, milhões de anos atrás, a mulher era virgem, o cara era virgem... Hoje em dia, ninguém mais casa virgem

Olha, Gisele, não é por nada, mas acho que não conheces todas as mulheres do mundo, nem do Brasil, e provavelmente nem do teu bairro. E acredita que há pessoas com ideias e práticas diferentes das tuas, por vontade própria. O mundo não se resume às passerelles, a Copacabana, a Miami e a Beverly Hills, sabias?

E sabias que o que está dentro das mulheres no tempo de gravidez não é propriamente um "grão de areia", que já tem inúmeras características de uma pessoa plenamente formada? Que aos quatro meses já há orgãos vitais perfeitamente definidos, coração incluído? Pois é, estamos sempre a aprender. Ou também há grãos de areia com coração?

E já agora, a Igreja Católica tem o direito a dar as suas opiniões, a exortar os seus princípios, como qualquer outra instituição (mesmo que não tenham "milhões de anos", como tu afirmaste). Talvez te faça confusão, a ti e a tanta gente que por aí opina sem pensar antes, mas há quem tenha um núcleo de princípios universais, aqueles que não se esboroam com as modas e os ventos, e que os pretende conservar. Quem não quiser não tem de os seguir. Quem neles acredita pode perfeitamente pregá-los, sem ser obrigado a pedir desculpa. Uma sociedade tolerante é isso mesmo, não é as instituições terem de baixar o olhar e calar-se se outros acham que as suas ideias não são tão seguidas "hoje em dia".

Pois é, Gisele. Desde o outro dia, em que recusaste ir jantar comigo porque estavas com medo de "perder a linha" e "ganhar calorias" (e no sítio em questão não havia comida macrobiótica), que desconfiei que não eras uma inteligência a toda a prova. Mas estas declaraçõezinhas estouvadas foram a prova dos nove.

Ah, bela gaúcha, o que te safa é a tua imagem e a tua vocação para desfilar. Caso contrário, terias arranjado lugar no vasto circuito de aspirar alcatifas, ou talvez até como profissional de "Manifs".

segunda-feira, junho 11, 2007

Leituras comuns
É curioso: sou de uma geração bastante mais nova do que a de Pacheco Pereira, mas tenho em comum com ele algumas leituras de juventude. "Herdei" tais livros da minha mãe, é verdade; e também nunca tive grande paciência para ler Florence Nithingale. Lembro-me ainda bem do Pasteur e do Mozart, e menos bem de As Grandes Invenções. Numa colecção parecida(Biblioteca dos Rapazes?), desta feita pertencente ao meu pai, lembro-me de tomar contacto pela primeira vez com Edison, Gutemberg, Gago Coutinho, etc. Isso numa idade em que já largara Os Cinco, a Condessa de Ségur e Sophia, ainda lia os Uma Aventura e começava a entrar nos romances de aventuras de Emilio Salgari, como o Corsário Negro, e os de Walter Scott, Dumas, o sublime A Ilha do Tesouro, etc. Marcaram-me numa altura fulcral, o início de amadurecimento das leituras, passadas as primeiras páginas infanto-juvenis. Só prova que há livros que mesmo que não sejam reeditados, nem por isso perdem o seu valor, e podem servir várias gerações. Podem e devem, aliás.

sábado, junho 09, 2007

Afinal não resistiram

O Arquitecto Saraiva prometeu desde o início que o seu radioso projecto jornalístico chamado Sol iria tornar-se uma referência na imprensa nacional; que em seis meses se tornaria no mais lido dos semanários; e que, sempre recordado na capa, o jornal não dava brindes nem promoções, numa clara alusão aos DVDs perjorativa ao seu antigo Expresso.
Pois bem: passados mais de seis meses, o Sol não é o mais lido - basta ver as pilhas acumuladas que ficam por comprar durante toda a semana - está longe, nos seus faits-divers, de ser qualquer referência no meio, e nem ao menos resistiu à tentação de dar brindes. Bem podem disfarçar e chamar-lhe outro nome qualquer: oferta, mimo, saldo, taluda, o que quiserem. Agora não camuflam a ideia de que afinal era tudo um estratagema, que se manteria caso as vendas fossem satisfatórias, mas que se destaparia se não surtisse efeito, como se observa. Mais valia assumirem de uma vez por todas o logro da forma mais discreta. Mas do "futuro Nobel" Saraiva esperam-se todos os artifícios. Principalmente os mais patéticos.

quinta-feira, junho 07, 2007

Imagens do Dia do Corpo de Deus

O Dia do Corpo de Deus, ou Corpus Christi, é uma comemoração religiosa itinerante, dependente do dia de Páscoa, na quinta-feira depois do Domingo da Santíssima Trindade, celebrando a Eucaristia, data em que milhares de crianças comungam pela primeira vez. Ainda me lembro da minha Primeira Comunhão, num longínquo e quente 18 de Junho, do Novo Testamento que me deram, do posterior jantar em minha casa, dos convidados...

Em Caminha, é a maior festa religiosa, a par das de Santa Rita. Os tapetes de flores enchem as ruas, espalham-se pela praça do chafariz, frente aos Paços do Concelho, pelas ruas, por onde marcham as procissões, e atraem inúmeros curiosos. Vale a pena ver as cores que inundam as ruas da vila, já de si bonita, sobretudo numa tarde de sol.


Caminha, Maio de 2005: festas do Corpo de Deus

terça-feira, junho 05, 2007

Metro da Margem Sul

O projecto do metro da Margem Sul do Tejo está já bastante adiantado. E parece até que os custos nem vão ser assim muito altos. Tirando, claro, os de importação de mercadorias, as taxas alfândegárias e os decalitros de água necessários para alimentar o transporte.

(Enviado por e-mail).

domingo, junho 03, 2007

Feira do Livro, multidões, intenções e aquisições

Feira do Livro. A de Lisboa, para já. Com o tempo enfim soalheiro, percorrem-se as barracas, folheiam-se alfarrábios, biografias, ensaios e romances. A partir de certa altura, é impossível deixar de esbarrar com famílias inteiras, com os seus carrinhos de bébé, idosos a pensar onde estão, casais de namorados distraídos, bibliófilos a mirar ao longe uma qualquer nova edição. Mini-esplanadas montadas e tendas vendendo gelados. Fernando Negrão em pré-campanha, na companhia de Vasco Graça Moura, fingindo que estava interessado nos livros (com uma oportuna câmara de televisão atrás). Junto às respectivas editoras, os autores protegem-se do sol ou vão bebendo um café até aparecer um fã. Um senhor da Normandia , que folheava a meu lado, resolveu desabafar comigo em francês, queixando-se que os editores trabalhavam pelas vendas e não pela divulgação dos livros ou pela sua qualidade. Pela terceira vez, alguém me disse que o meu francês tinha sotaque canadiano. Que eu me lembre, os quebecois que conheci na vida foram muito poucos. Acho mesmo que só conheci uma natural da região francófona.

Apetecia-me trazer uma pilha de livros, como Uma História de Guerra, de John Keegan, as Memórias de Raymond Aron, Free World, de Timothy Garton Ash, Crónicas do Recordar, crónicas do agora, de Maria Eduarda (isso depois de uma conversa com a autora), o último volume da História de Portugal, de Veríssimo Serrão (também lá estava), O Desejo de ser Inútil - espécie de grande entrevista biográfica a Hugo Pratt, esse aventureiro tão genuínocomo o marinheiro que criou, A Guerra Civil de Espanha e Paris depois da Guerra, ambos de Anthony Beevor, além de ter folheado o último livro de Maria Filomena Mónica sobre Eça, uma fotobiografia de Spínola, um álbum sobre a Exposição do Mundo Português, alguns volumes da colecção Lisboa Desaparecida, de Marina Tavares Dias, etc. Acabei por trazer apenas Um Espião Comunista em Lisboa, de Ralph Fox. dizem-me que eram escritos do autor, de 1936, morto na Guerra de Espanha, em tempos publicados no Reino Unido, e nunca em Portugal. A ver vamos.

Para a semana, nova ronda, na feira do Porto, no Palácio de Cristal, pela última vez naquele espaço coberto antes de, ao que dizem, regressar à Baixa. Será na Avenida dos Aliados, agora tão despida depois da terraplanagem em granito?

sexta-feira, junho 01, 2007

Post "pro-smoking"
O Cachimbo de Magritte já estabeleceu aqui as suas regras e diversas opções de fumo, num post aplamente copiado pela blogoesfera:


Acrescentaria que os comunistas também optarão por esta última via, mas creio que não os há no distinto blogue. Mas para ajudar ao pluralismo do tabaco, eu, fumador mundano ocasional, deixo aqui algumas imagens do que considero ser o prazer do fumo (passe a publicidade).











domingo, maio 27, 2007

Uma solução para os Balcãs?
Interessante, este post no Combustões, sobre as monarquias balcânicas, a forma como acabaram e a necessidade e oportunidade do seu regresso.
Foram cometidos alguns erros, é certo, como a excessiva permissividade de Mihai I em relação ao Marechal Antonescu, antes de o depôr em 1944, já demasiado tarde, ou as excessivas divergências entre as dinastias da Sérvia, que não facilitaram certamente a vida dos seus monarcas. Mas as alianças com o Eixo, decididas por ditadores governativos sem escrúpulos, e a consequente submissão perante o ocupante soviético ditaram o fim da maioria das monarquias balcânicas. No sul, o Montenegro já tinha sido incorporado na Jugoslávia através de um processo pouco claro, em que se depôs a Monarquia sob a acusação de pactuar com o inimigo austro-húngaro. A Albânia também viu o Rei Zog perder o trono com a invasão italiana e a posterior instalação do regime de Enver Hoxha. Na Grécia caíu o Rei Constantino II, deposto primeiro pela famigerada junta dos coroneis, e a definitivamente destronado, mais tarde, por um referendo de imparcialidade duvidosa. E se se puder juntar ao rol, em Itália, os Sabóias foram igualmente afastados e exilados por um ecrutínio manipulado e quase fraudulento.
Mas apesar da hostilidade dos soviéticos, da incompreensão dos americanos e da indiferença dos europeus das gerações seguintes, há sinais de mudança nos Balcãs. Simeão II, recorde-se, tornou-se primeiro-ministro da Bulgária cinquenta anos depois da sua deposição. Alexandre Karađorđević, pretendente ao trono sérvio, tem um grande apoio entre o povo, a avaliar por algumas manifestações que lhe foram dirigidas desde o seu regresso definitivo.
Quem sabe se não será o regresso das monarquias a colocar definitivamente o Leste a par do resto da Europa, a enterrar velhos ódios e a devolver a confiança aos seus cidadãos.

quarta-feira, maio 23, 2007

 
Reedição da final dos campeões de há dois anos. O mítico Liverpool e o poderoso AC Milan voltam a encontrar-se dois anos após a mais excitante final desta prova desde que o Benfica venceu o Real Madrid por 5-3. Não deixa de ser estranho que na prova dos "campeões dos campeões" surjam dois clubes que não ganharam os troféus domésticos na ano passado. Coisas do futebol moderno, virado para as pay-per-view e para remessas. Preferia sem dúvida que o vencedor fosse um qualquer virgem na conquista da prova, como o Chelsea de Mourinho, o ascendente Lyon ou a Roma, infeliz finalista em 1984, precisamente frente ao Liverpool. Não podendo ser o Benfica, claro está.

Mas já que os deuses do futebol ditaram este reencontro, então que a Taça volte aos Reds. Que dois anos depois da surpresa em Istambul, Gerard ou Hyypia sejam de novo campeões em Atenas, berço da ágora e vítima ancestral dos anfitriões de há dois anos. Porque é a minha equipa inglesa preferida. Porque se assim for, poderemos dizer que em três anos de competições europeias só uma equipa a terá eliminado: o Benfica.


E também porque não gosto do Milan, das suas finais com mais facilidade do que seria justo, de já nos terem tirado dois canecos, do seu presidente, o patético Berlusconi. E este ano com motivos acrescidos: nem sequer deviam ter ido às competições europeias, depois do escândalo Calciocaos. Mas autoridades foram brandas com os rossoneri, com um castigozinho em que lhes tiraram uns pontitos, enquanto lhes passavam as maõs pelo pêlo, ao contrário do que aconteceu com a Juventus. Os adeptos sérvios do Estrela Vermelha de Belgrado é que os toparam na eliminatória para aceder a esta prova, escarrapachando o nome em frente aos Berlusconi boys.


Que nos trará esta noite: Istambul 2005 ou Atenas 94, quando os milaneses, com Maldini também na equipa, goleram o favorito Barcelona por impensáveis 4-0?

terça-feira, maio 22, 2007

Parabéns, Hergé















Há cem anos nascia Georges Prosper Remi, mundialmente conhecido como Hergé. Todos o relembram, mas não é demais fazer a homenagem ao criador de Tintin, Quim e Filipe e Jo, Zette e Jocko. Se só acompanhei artificialmente os segundos e terceiros, já o herói da poupa e das calças de golfe é para mim, desde pequeno, uma companhia indispensável. Nunca me esqueço de que folheava os álbuns na América e em África quando ainda nem sabia ler; a primeva aventura no País dos Sovietes que me ofereceram na minha Profissão de Fé, álbum maldito, a traço grosseiro, nunca reeditado a cores, que me incutiu definitivamente o gosto pela BD; os de pura aventura em terras longínquas ("Les Cigarres du Pharaon", "Le Lotus Bleu", "L ´Oreille Cassée", "L´Affaire Tournesol", "Coke en Stock"), com fugas de Meca, invasões japonesas - a história também entra aqui - golpes de estado em repúblicas das bananas, submarinos no mar vermelho e espiões balcânicos. O universo Tintin é riquíssimo tanto na narrativa, como nas comparações temporais e espaciais da sua época ou na espantosa galeria de personagens.

Além da sagacidade e coragem do repórter, e do voluntarismo do simpático Milou, temos as fúrias, emoções e insultos para todos os gostos e imensos "mille sabords" e "Tonerres de Brest" do capitão Haddock; o génio, a distracção e a hilariante surdez do Professor Tournesol; a incompetência e a redundância dos incríveis Dupondt, que deram origem a expressões variadas; a maldade burlesca de Rastapoupoulos e Sponsz, ou a mais trágica de Mitsuhirato ou de Jorgen; a amizade e perseverança de Tchang; o massacre Serafim Lampião; o solícito e fleumático Nestor; as diabruras de Abdallah; as dores de cabeça dos chefes de estado (Ben Kalish Ezab, Muskar XII, Alcazar ou Tapioca), e , claro, as excentricidades da Prima Dona Bianca Castafiore, tiranizando maternalmente os submissos Irma e Wagner.
Simultaneamente, como sátira da época e como fonte de imaginação, Hergé criou mesmo países fictícios, como a Sildávia (inspirada na Roménia, mas pela sua localização e tamanho, parecida com o Montenegro ou a Albânia) ou a sua ameaçadora vizinha, a Bordúria, presidida pelo ditador Plekszy Gladz e os seus bigodes, misto de ditadura fascista com o bloco soviético. E ainda San Teodoros, ao lado de Nuevo Rico, abalada pelos golpes de estado constantes entre os citados Alcazar e Tapioca, e os milhares de coroneis.

Claro que no centenário haverá sempre quem lembre as ligações do autor ao padre integrista Norbert Wallez, seu director, e mesmo a Leon Dégrelle, líder do rexismo belga; ou as suas inclinações jovens para a extrema-direita, o seu empedernido anticomunismo, colonialismo e antiamericanismo, que teriam ficado expressos nos primeiros álbuns, e até antisemitismo (dando como exemplo o banqueiro de nariz adunco em "A Estrela Misteriosa", ou a primeira versão, depois alterada, de "no páis do ouro Negro"). Tudo isto podia ser verdade. Mas mesmo que seja, é bom não esquecer que estava dentro do espírito comum da época, de que grande parte dos artistas se não distanciava; e que nem isso ensombra o fabuloso universo iniciado em 1928 com umas toscas pranchas do escuteiro Totor. Rémi iniciou e de asas à fabulosa BD da Bélgica, verdadeira indústria e referência cultural daquele país artificial.
Parabéns, Hergé!
Já agora, fiquem com um pequeno glossário, em francês, dos insultos do Capitão Haddock. E saibam que o Castelo de Moulinsart existe mesmo, só que com outro nome.
Quiz de Cascata

A começar o fim de semana, na Sexta à noite, estreei-me nas lides de um desporto muito popular em Lisboa: o Quiz de Cascata, ali para os lados da Ajuda. Interessante, divertido e instrutivo, embora entre pela madrugada dentro. Ainda por cima, a coisa correu-nos com sucesso evidente e até nos pagaram por isso. A repetir, claro está.

segunda-feira, maio 21, 2007

Fim de semana e novas desportivas

Fim de semana marcado pelo convívio familiar, almoços ao sol, visitas de nocturnas de museus (que me permitiram enfim colmatar a enorme lacuna de nunca ter visto ao vivo os Paineis de S. Vicente) regresso da chuva e o fim da época futebolística, com Derlei a marcar finalmente um golo que entrou devagar, devagarinho... Num ventos fim de tarde na Luz, valeu isso, o outro golo de Mantorras, e os aplausos do público às geniais jogadas de Rui Costa e de Karagounis (um deve ficar, o outro, infelizmente, é pouco provável), aos golos - o segundo de Mantorras - e à saída de Micolli, que muito dificilmente envergará o Manto Sagrado depois de Maio.

Ao que parece, o Porto ganhou o campeonato. Soube-o porque passei no Marquês de Pombal, em Lisboa, depois do jogo, e vi três carros de cachecol azul em riste, a apitar enquanto continuavam a circular à volta da estátua do Conde de Oeiras. Na televisão, mostraram ainda os adeptos portistas que "enchiam" a dita rotunda e as comemorações nos Aliados, em que bandos de jagunços da conhecida associação que dá pelo nome de Super Dragões se divertiam a espancar-se e a esfaquear-se entre si. Já não é preciso os benfiquistas irem para lá quando ganham títulos: são os próprios que se encarregam de fazer com que o Porto, pelos idos de Maio, se pareça com Karachi.

sábado, maio 19, 2007

Doçaria Regional

Em resposta a este pequeno desafio sobre doçaria regional, deixo a minha pequena contribuição, esperando que possa beneficiar quem se deslocar aos respectivos locais e aos que derem com os estabelecimentos abaixo referidos:

- Cristas de galo do Lapão, em Vila Real.

- Eclairs da leitaria da Quinta do Paço, no Porto

- Caminhenses da Docelândia (ou da Riviera), em Caminha.

- As cornucópias da Alcôa, em frente ao Mosteiro de Alcobaça.

Os bolos do Ao Bom Doce, junto ao cais de Vila do Conde e à capela de Nossa Senhora do Socorro, apropriadamente com forma de suspiro. Qualquer um deles. Uma coisa inimaginável (apesar da má cara de quem está por trás do balcão), única, de comer e chorar por mais.

quinta-feira, maio 17, 2007

Subidas

Um esquecimento fatal, que já data do último fim de semana. As duas vagas de subida à primeira divisão foram já preenchidas pelo vitória de Guimarães e pelo Leixões, dada a queda vertiginosa do Rio Ave. Os vimaranenses conseguiram um regresso já anunciado desde o ano passado, mesmo que tenham estado em maus lençóis a dada altura do campeonato. Mas as minhas felicitações vão directas para o Leixões, o velho clube matosinhense, que já deu mesmo azo a estudos sociológicos. Dezoito anos entre a Honra e a 2ª B, com uma final da Taça a meio, acabaram no último domingo, em Moscavide, e prosseguiram em grande festança na terra de Passos Manuel e Siza Vieira. Conheço bem o entusiasmo dos seus muitos adeptos, pelo jogos que vi e pelos meus tempos de liceu em Matosinhos. Que tenham êxito na divisão maior (menos contra o Benfica), e que ajudem a aumentar, no velho Estádio do Mar - algo distante do oceano - a pobre média de público dos estádios deste país.

PS: vi agora que o Leixões comemora este ano o seu centenário. Melhor celebração e acontecimento mais feliz não podia haver, certamente. Serviu até para se reactivar para passageiros, e não apenas para mercadorias, a antiga gare de Matosinhos, que esteve por uma tarde ligada ao Oriente.

quarta-feira, maio 16, 2007

Jacques Chirac
Há dias, vi um documentário sobre a vida e a carreira política de Jacques Chirac. As características que mais se lhe apontam estavam todas lá: o oportunismo, o charme pessoal, o interesse pelas civilizações do médio-oriente, a mudança de convicções de uma década para a outra, a devoção ao Gaullismo. Além dos traços pessoais, tem ainda os comuns aos principais políticos franceses: décadas a andar na ribalta, com maior ou menor sucesso, e sucessivas tentativas de alcançar o mais alto cargo nacional.

O percurso político de Chirac já data dos anos sessenta. Começou no gabinete de Pompidou, do qual se tornou homem de confiança, tendo sido deputado, secretário de estado e ministro de várias pastas. Depois da morte do dinamizador do museu do Beaubourg, resolveu apoiar Valéry Giscard d ´Estaing nas presidenciais de 1974. Acabou por ser decisivo, e tal empenho valeu-lhe o cargo de primeiro-ministro, aos 42 anos. Mas a rivalidade entre os dois homens acabou por ditar a saída de Chirac, por "falta de condições", em 1976. Logo a seguir, fundou o RPR, o novo grande partido gaullista da direita francesa, aproveitando os movimentos já existentes no terreno, nomeadamente a UDR, candidatou-se à câmara de Paris e tornou-se o todo poderoso Maire da capital francesa, derrotando a candidatura suportada por Raymond Barre, seu sucessor na chefia do governo e homem de confiança de Giscard. Tentou sem êxito as presidenciais de 1981, ganhas por Miterrand, mas viria a ser de novo primeiro-ministro em 1986, impondo uma política de austeridade, em coabitação com o velho presidente socialista. Que o derrotaria de novo em 88. O maire de Paris, eurocéptico e soberanista, tornou-se um entusiasta da União Europeia no início dos anos noventa, mesmo a calhar para vencer à justa o referendo sobre o Tratado de Maastricht. Em 93, a RPR teve um êxito retumbante nas legislativas, e Balladur tornou-se chefe de governo. Dois anos depois, para as presidenciais, o RPR dividiu-se entre o primeiro-ministro (que teve o apoio de Sarkozy) e o Maire de Paris, que acabou por ganhar a contenda, ir à segunda volta conquistar o lugar que sempre ambicionara: a Presidência da França.

No primeiro mandato teve de suportar uma coabitação com Jospin e o conflito no Kosovo, e viu a França sagrar-se campeã mundial de futebol. No segundo, ganhou com mais de 80% dos votos contra Le Pen, foi mais atribulado: a crise no Iraque (que o tornou impopular a nível externo, mas que acabaria por lhe dar razão), apesar do apoio anterior à guerra no Afeganistão, a derrota do projecto da Constituição Europeia, a fundação da UMP, as diatribes com Sarko e o envolvimento nos casos de desvios de fundos entre a Mairie e o RPR.

É esta a longa carreira do homem que se despediu ontem da presidência, dando lugar a Sarkozy. "L ´escroc", para os inimigos, ou o homem que assumiu a liderança do mito gaullista e que estabeleceu laços entre o ocidente e a África e o Médio Oriente, para os admiradores. O seu principal legado terá mesmo sido esta influência francesa nesses territórios, e a sua larga popularidade, à qual potências como os EUA têm muitas vezes de recorrer. De negativo, fica como símbolo de uma classe política arrivista, burocrática, intriguista e de honestidade duvidosa, à qual se tenta pôr cobro no ciclo que agora se inicia.

segunda-feira, maio 14, 2007

A irrelevância do PCF


Voltando às eleições francesas, e à sua primeira volta, houve um resultado que não deixou de surpreender quem sobre ele se debruçou, já que a maioria dos eleitores e analistas estava mais virada para a segunda volta. A candidata e líder do Partido Comunista Francês (PCF), Marie-George Buffet, teve a irrisória votação de 1,93% dos votos, bastante abaixo, por exemplo, do candidato da Liga Comunista Revolucionária.

A queda do PCF tem-se vinda a acentuar ao longo dos anos, mas nunca os comunistas tinham tido um resultado tão humilhante. Se tormarmos em conta que o PCF já conseguiu ser o partido mais votado e esteve em mais do que um governo, o facto é ainda mais espantoso. O velho partido nasceu em 1920, em Tours, de uma cisão da SFIO (Section Française de L´Internationale Ouvrière). Apoiou, com socialistas e radicais, o governo da Frente Popular de Leon Blum, em que pela primeira vez se introduziu o sistema de férias pagas. Teve um importante papel na resistência à ocupação nazi. Depois da Guerra, tornou-se o partido mais votado, voltando a fazer parte de sucessivos governos. Mas com o apoio à invasão da Hungria, em 1956, perdeu inúmeros militantes e muita da intelectualidade que o compunha, e que progressivamente se afastava da URSS. Não soube aproveitar o Maio de 1968, que apanhou o partido desprevenido. Nos anos 70, chefiado por George Marchais, rompe com a URSS e abraça o Eurocomunismo. Em 1981, voltará ao governo, com a vitória de Miterrand nas presidenciais, mas sairá em 84, em ruptura com os socialistas. O declínio do partido é bem visível, e eleição após eleição, os votos diminuem, até à irrelevante soma atingida agora.

Diga-se ainda que uma imprensa regional e local muito extensa, e o seu órgão oficial, l'Humanité, fundado por Jean Jaurés, teve e tem ainda uma importante massa de fieis leitores. O PCF ainda tem um número interessante de militantes, embora longe de outros tempos. A sua sede nacional é um edifício dos anos 60/70 concebido por Óscar Niemeyer. E ao lado do "nosso" PCP, até é um partido renovado e com alguma abertura, e menos complexos estalinistas. Mas a intelectualidade e os artistas desapareceram, e parte do eleitorado das "classes operárias" mudou o seu sentido de voto e a sua confiança para outros movimentos de esquerda radical ou para a extrema-direita, alimentando o crescimento contínuo da Frente Nacional. Assim, o outrora pujante PCF é apenas uma sombra do partido que era peça importante de vários governos. A desintegração, a não adaptação aos novos tempos, a queda do bloco comunista (ainda que já tivesse havido um importante afastamento) e o afastamento dos intelectuais foram duros golpes, cujos resultados estão bem expostos na votação quase escondida de Marie-Georges Buffet.

quarta-feira, maio 09, 2007

Sem qualquer Monumentalidade

«Com o calor a despertar, é altura de começar a pensar em aproveitar o lado doce da vida. É esse mesmo o apelo do renovado Monumental, no Saldanha, em Lisboa, que passou a chamar-se Centro Comercial Dolce Vita Monumental. Ganhou mais luz e cores, que o tornam mais amplo, numa obra orçada em 1,3 milhões de euros."



Pena que não tenham pensado no tal "lado bom da vida" quando construíram o neo-Monumental, antes de ser Dolce vita. Um monstro de vidro e aço em lugar do cineteatro Monumental, o autêntico, vulto grandioso do modernismo, derrubado em tempos de Abecassis, nos anos oitenta, apesar de todas as ilegalidades administrativas de que se revestiu (consta que aquando da decisão do Supremo Tribunal Administrativo de a proibir, a demolição já ia a meio). Um autêntico crime urbanístico na Praça do Sadanha, em pleno centro de Lisboa. Nem a "luz e cores" lhe dão mais encanto.






terça-feira, maio 08, 2007

A nossa Segolène

Pensando bem , também temos a nossa Segolène, mas numa família política diferente. Teresa Almeida Garrett (Lucas Pires), jurista, ex-eurodeputada pelo PSD, ex-candidata à câmara municipal de Viana do Castelo. As semelhanças são bem visíveis, e o tailleur, ou costureiro deve seguir o mesmo modelo.



segunda-feira, maio 07, 2007

Pas de nouvelles
Também em França as surpresas foram escassas. As sondagens acertaram, os discursos não trouxeram novidades, a Concorde serviu de palco a manifestações de júbilo, a Bastilha a cenas de protesto e as banlieues a desacatos.

Sarko, o homem que correu metade da sua vida para chegar a este cargo, lá conseguiu, prometendo "a mudança". Desconfio que o homem que ajudou a incendiar os subúrbios franceses vai desiludir muitos dos seus entusiásticos apoiantes, lá como cá. A ideia do mérito e do trabalho depende mais da sociedade do que das forças políticas que a regem; a emigração ilegal não é coisa que se resolva com a ligeireza que ele assume; a "constituição simplificada" dependerá de outros estados; e a sua ideia velada de um directório não é propriamente animadora aqui para as bandas lusas - embora duvide que qualquer outro líder gaulês não fizesse o mesmo. Depois, as ideias proteccionistas do senhor colidem com muito do propalado liberalismo que anuncia. Contradições. Há vinte anos, Chirac era o campeão do liberalismo em França. Depois de umas breves medidas, tornou-se o defensor dos valores do Gaullismo. A ver vamos se Sarko não retoma a política do General de Colombey, contrariamente ao que apregoa agora.


Segolène acabou por desiludir, depois de quebrar a força dos anacrónicos elefantes da ex-SFIO. Pensava-se que surigiria com novas ideias, novas caras, novos rumos, mas acabou por repetir velhas fórmulas, propôr coisas inacreditáveis, como o salário mínimo europeu, a determinar por cada um dos países. É uma autêntica senhora gaulesa, elegante mas autoritária, que facilmente "reste en colère" quando a contrariam; lembrou-me muito as minhas professoras francesas da primária (mas sem a elegância). Terá de rever alguns conceitos e algumas estratégias. Talvez não lhe faça pior estudar um pouco as ideias de Strauss Khan em lugar de recuperar velhos jargões caros à esquerda amodorrada. Até porque as legislativas estão à porta. Não sendo necessariamente mais importantes do que as presidenciais, tendo em conta o sistema presidencialista do Hexágono, são relevantes e complementarão o acto eleitoral de Domingo. A neo-UDF, da Bayrou, terá também importantes palavras a dizer.


Os dois principais candidatos, como já se disse, respresentaram uma lufada de ar fresco na geriátrica classe política francesa. Serão eles, e mais um punhado, a dominar o panorama no mais politizado país europeu. Se não houver razões de força maior ou grandes choques pelo meio, as eleições presidenciais terão com certeza os mesmos protagonistas. Basta que se conserve uma qualidade fundamental dos que se candidatam a este cargo: a persistência. Sem ela, jamais Miterrand ou Chirac lá teriam chegado.
No Jardim do Atlântico

O soba ganhou, com votação esmagadora (mas não impressionante). A vitimização, a quase irreverência dos adversários, o não querer separar-se da massa enviado do "contenente", as inaugurações e outros meios públicos ao dispôr foram os obreiros destas eleições, como o foram sempre. Espero é que não tenham servido para nada e que o espírito das alterações à lei das finanças regionais se mantenha irredutível. Se assim acontecer, o sucesso do Dr. Jardim só lhe terá trazido mais oportunidades de beber umas ponchas.