
segunda-feira, março 26, 2007
Parabéns II

domingo, março 25, 2007
Parabéns


Mas quanto ao futuro desta bela ideia surgida no pós-guerra, teremos de falar mais seriamente.
sábado, março 24, 2007
O pensamento de um ateu convicto
terça-feira, março 20, 2007
A moderna direita portuguesa, ou o carácter original do PSD
Já a criação da tal força de direita é um assunto sempre discutido mas ao qual nunca se chega a uma ideia conclusiva. Os dois partidos maiores considerados, PSD e CDS, continuam lá, mesmo que o segundo tenha um futuro incerto, e mais do que as ideias e os projectos, abundam os carreirismos e as punhaladas. Aliás, só o movimento do Caldas é que se pode considerar realmente de direita; o partido laranja reúne sociais-democratas, liberais, nacional-populistas, democratas-cristãos, conservadores, regionalistas, e tudo o que possa aparecer à direita (ou em alternativa ) ao PS e que o CDS não tenha capacidade de satisfazer.
O PSD é mesmo um partido único, e isso vê-se logo pelo nome que ostenta e pelos grupos políticos a que pertenceu e pertence no Parlamento Europeu. Os mais parecidos que encontro - não por acaso também em países latinos - será a UDF francesa, sempre um aliado por necessidade dos gaullistas e um contrapeso na política francesa, como se vê pela ascensão de François Bayrou nas sondagens para as presidenciais, e a antiga UCD espanhola.
Há aliás outros pontos de convergência entre os dois partidos ibéricos. A UCD era um partido formado na transicion da Espanha para a democracia pelo primeiro-ministro de então, Adolfo Suarez, que agrupava centristas, sociais-democratas, democratas-cristãos, liberais ou simplesmente tecnocratas vindos do franquismo. Ganhou as eleições gerais de 1977 e 1979, mas as enormes divergências internas, apenas cimentadas pela necessidade de dar à Espanha uma nova constituição, levaram a que Suarez saísse formando o novo CDS; outras formações integraram a Alianza Popular de Fraga Iribarne, mais à direita, posteriormente transformada em Partido Popular. A UCD teve menos de 7% dos votos em 1982, quando Felipe González chegou ao poder, e acabou por se extinguir.
sexta-feira, março 16, 2007



quinta-feira, março 15, 2007
Brava Dança dos Heróis

domingo, março 11, 2007
Metros

A nova Lei que despenaliza/liberaliza o aborto foi aprovada na especialidade. Como se previa, não haverá aconselhamento obrigatório. as mulheres poderão abortar sem qualquer tentativa de disuasão, o que torna o estado neutro em relação ao aborto até às dez semanas. Parece que é uma "lei moderada".
A nova lei do tabaco promete criar ainda mais restrições aos fumadores. Agora será proibido fumar em bares restaurantes e discotecas com menos de cem metros quadrados. O presidente de uma tal ConfederaçãoPortuguesa de Prevenção ao Tabagismo (prevenção e não proibição, estranhamente) considerou a proposta "equilibrada" e que "chegou a recear que a legislação deixasse ao critério dos proprietários dos restaurantes, bares e discotecas a decisão de proibir o fumo". Será que também conhece o significado da palavra proprietário?
São dois belos exemplos de normas "moderadas"e equilibradas" Nem quero imaginar se não fossem.
quinta-feira, março 08, 2007
Parabéns à RTP. Cinquenta anos é uma bela idade, e, com mais ou menos percalços, sempre é uma instituição a que todos nos habituámos. As operadoras privadas tiraram-lhe o monopólio, mas pelo que se vê, a televisão estatal está actualmente uns furos acima no que toca à programação.
(Refira-se já agora que a televisão só iniciou as suas emissões na região de Lisboa. No Porto só uns meses depois é que a inauguraram. Se não me engano, tenho a gravação desses momentos iniciais, em que o meu avô paterno tomou parte)
terça-feira, março 06, 2007
O regresso de Paulo Portas à ribalta político-partidária, depois de dois anos precisos a picar o ponto na AR, escrever crónicas políticas no SOL mascaradas de críticas de cinema e emanar algumas opiniões na SIC- Notícias, é a coisa menos inesperada que vimos desde que Cavaco ganhou as presidenciais. A pacata"travessia do deserto", sem grandes ondas, começou com a derrota em Fevereiro de 2005, e todos pensaram que Portas iria dedicar-se a uma carreira mais internacionalizada, aproveitando o que granjeou com o seu antigo cargo governamental. Falou-se mesmo de um centro de estudos para ideologizar a nova direita portuguesa, com subsídios americanos. Tudo isso ficou no papel ou não passou de uma abstracção. A Atlântico encarregou-se de começar o combate das ideias (não, não estou a defender que seja uma revista "portista") e o antigo líder do CDS começou a preparar o seu regresso à cúpula partidária a partir da surpresa que constituiu a derrota do seu delfim Telmo Correia.
Nos últimos dois anos assistiu-se a direcção de Ribeiro e Castro mais voltada para a democracia cristã e para o CDS original, pouco hábil e com alguns passos desastrados, esvaziando a direita e deixando-a alienar-se por Sócrates. Mas o eurodeputado teve igualmente medidas importantes, como a revitalização das estruturas regionais e locais do partido, postas à parte pelas direcções anteriores. O seu trabalho foi torpedeado pelos "portistas" que constituíam a quase totalidade do grupo parlamentar, como se viu com o exemplo cabal de Nuno Melo, mesmo depois de Ribeiro e Castro ter ganho novo congresso. Este tipo de atitudes tem normalmente vários nomes, como deslealdade, conspiração, ou corrosão interna. Mas Portas já esteve envolvido em situações semelhantes, como os truques recíprocos com Manuel Monteiro. Agora, porém, o caso é mais descarado e já não tem o efeito surpresa de há alguns anos.
Paulo Portas é sem dúvida o mais hábil, inteligente e dinâmico líder que a direita portuguesa conheceu nos últimos vinte anos. E também o mais cínico e mefistofélico (Marcelo idem, mas não sei se lhe deva colar a palvara "direita"). Simplesmente, a onda de re-renovação que trouxe nos anos noventa já se dissipou em grande parte. A posse referência jovem-populista-estadista esgotou-se, pelo que aposta algora numa vertente mais liberal. Um pouco tarde, na minha visão. A aura de invencibilidade interna já não é a mesma; o regresso ao antigo cargo traz sempre anticorpos e expectativas desconfiadas, e agora, depois da guerrilha a Ribeiro e Castro, mais do que nunca. é certo que no CDS já houve um regresso triunfal, o de Freitas do Amaral em 1988, com a redução a "partido do táxi", mas não tinha na altura oposição alguma e as melhorias foram nulas. Agora as coisas são diferentes. Portas vai ter mais dificuldade do que julga ganhar a liderança do partido, e mais ainda a guindá-lo de novo a partido de poder, ou quando muito a guia da direita portuguesa. Muitas surpresas estão-lhe reservadas, e ele, atrás daquela postura calmamente messiânica, provavelmente sabe disso.
quinta-feira, março 01, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Está a começar a sessão de Oscares deste ano. Não tendo podido ir ao cinema tanto quanto gostaria, também não tenho enormíssimas preferências. Ainda assim, gostava que a tradição se quebrasse esta ano e que Scorcese ganhasse finalmente a sua estatueta. Não vi The Departed, mas toda a sua obra já o justificava, e de que maneira. Pena para Eastwood, mas neste novo duelo ao pôr-do-sol com Marty, espero que ele perca. Frears e Iñarritu têm as suas hipóteses, ao contrário de Geengrass, e noutras circunstâncias até gostava de ver o prémio ir parar às mãos do realizador de Ligações Perigosas. Se Scorcese não ganhar, definitivamente estará criada uma autêntica maldição (ou má vontade) sobre este realizador.
Outro que sofre do mesmo mal é O´Toole, mas não me parece que chegue lá. Não o premiaram em Lawrence da Arábia e agora afadigam-se a tentar compensá-lo. Mas há coisas que se não são feitas na altura devida, mais vale que se fique quieto e calado. Mas infelizmente a Academia não é dada a indiscrições.
Nesta categoria deve acontecer o mesmo que no ano passado, ou seja, o Oscar irá para um actor a quem todos reconhecem enorme talento, que normalmente aparece em filmes menos comerciais, sem grande sex-apeal, e que quando interpreta uma personagem real é que se lembram de o premiar. O caso de Forest Withaker (escandaloso ser nomeada pela primeira vez aos 45 anos) é em tudo igual ao de Philip Seymour Hoffman, e não custa a crer que o resultado final seja o mesmo.
Will Smith e Di Caprio terão de esperar pela sua terceira nomeação. Ryan Gosling não conheço, nem o filme que protagoniza. A nomeação será um bom veículo ou continuará no anonimato?
Na categoria feminina, o nome de Helen Mirren não deverá espantar ninguém, mas contra Her Majesty não há nada a objectar. A ficar navios ficarão uma vez mais Kate Winslet e Judy Dench, que já mereciam qualquer coisinha. ao menos veremos Penélope Cruz lá no meio; quanto a Merryl Streep já deve estar farta de comparecer na cerimónia, com nomeações ano-sim, ano-não.
Secundários? Babel terá uma palavra a dizer. Mas reparo que Cate Blanchett, co-protagonista do mundi-pudim de Iñarritu, surge como nomeada por Notes of a Scandal. O filme ainda não chegou às salas, mas tenho a certeza de que ela merece novo galardão. Só mesmo por se tratar de Blanchett, que é uma razão mais que suficiente. quem sabe se para o ano não ganha a estátua principal, se Hollywood voltara premiar uma interpretação de uma Rainha inglesa.
Entre os senhores secundários, a luta terá a sua piada, mas não faço prognósticos. Talvez entre Alan Arkin (do excelente Little Miss Sunshine) e o renovado Eddie Murphy.
Prémios técnicos à parte, resta-me esperar pelo melhor filme. Que deverá ser Babel, já que a Academia gosta de filmes do gênero, sobretudo quando conseguem ser tão (descarademente) "globalizantes", e para mais agora, que os realizadores mexicanos estão tão na moda.
Vamos lá ver até que hora aguento. Mas sinceramente não espero grandes surpresas. Mas quem sabe, na edição passada aquilo acabou com grandes emoção. E esta noite?
sábado, fevereiro 24, 2007
As (in)consequências da visita de Isabel II a Portugal
Como se assinalou nalguns jornais e blogues, a Rainha Isabel II visitou Portugal em Fevereiro de 1957, há cinquenta anos, durante quatro dias. Não era a primeira vez que um monarca britânico vinha ao país; já Eduardo VII o fizera, em 1902. De qualquer modo, a visita teve imenso impacto, e serviu para cimentar a velha aliança Luso-Britânica e para retribuir a visita de Craveiro Lopes, em 1955.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
O Governo Prodi caiu porque o seu programa "externo" não passou no Senado. Nada de espantar. A média de duração de um governo italiano desde a 2ªGuerra (isto é, durante a República) é de dez meses, sendo que muitas vezes o anterior chefe do executivo é reconduzido ao cargo, coisa que ao que tudo indica, voltará a suceder. A instabilidade governativa italiana é um velho costume político que só mesmo Mussolini quebrou. Uma vez que a Itália vai continuar a viver em democracia, os governos vão consequentemente durar, na melhor das hipóteses, ano e meio. Contra isto não há Mãos Limpas que lhes valham.
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Entrudo em Lazarim
Dia de Carnaval, Terça-feira Gorda, comemorada nas Ovares e Loulés deste país, com samba, dançarinas semi-nuas e carros alegóricos. O mesmo se passa em Veneza, Nice, Salvador e Nova Orleães.
Mas entre o Douro e Trás-os-Monte as tradições são diferentes, e seguramente mais antigas. Aqui existe o Entrudo, permitem-se excessos mais físicos que visuais, muitas vezes camuflados debaixo de carantonhas, e reavivam-se tradições que, depois dos anos de interdição durante o Estado Novo, se tornaram um chamariz de forasteiros. Como eu.
Em Podence, Macedo de Cavaleiros, onde os caretos infestam as ruas com as suas travessuras e os seus chocalhos e os seus trajes garridos,ocultados por máscaras bizarras, ou em Lazarim, onde são de madeira e os mascarados se vestem de forma mais diversificada e incrível, o Entrudo é uma imagem de marca destes dias frios. Dirigi-me para esta última aldeia, apanhando a estrada para Tarouca, depois de Lamego, e virando à direita após Britiande. Por entre uma paisagem mais de lameiros que de vinhas, atravessa-se a aldeia de Lalim, que já vem da Idade Média (como quase todas, nesta zona), onde a estrada se converte em apertadas ruelas. Mais uns quilómetros e estamos à vista de Lazarim, nas faldas da Gralheira. Para chegar ao centro da povoação há que deixar o carro na borda da estrada, a umas centenas de metros, que o intenso movimento assim o obriga.

Os caretos vêm no sentido contrário ao meu, precedidos pela banda que os anuncia. O cortejo é encabeçado por uma espécie de líder dos mafarricos de madeira, montado num burro. Descem até se concentrar no largo, exibindo as suas fatiotas e fazendo barulho, no meio da multidão que os aplaude e fotografa. Na casa brasonada que domina o terreiro está montada uma varanda/palanque à laia de palco do concurso, onde os caretos começam a subir um a um. Aí, apresentam-se e vão retirando as máscaras. A grande maioria é da aldeia, mas mesmo os de fora provocam o gáudio dos assistentes.


Nem todos estão atentos ao concurso. Encostado ao cruzeiro a meio do largo, um homem de fato de ver a Deus, largo capote por cima, lenço ao pescoço e chapéu igual ao que os Gato Fedorento usaram no rap matarruano mal se aguenta de pé, perdido de bêbado. Inclina-se para a frente, descai para trás, e a certa altura tomba mesmo, perante algum riso e a pronta ajuda dos confrades. Há quem aproveite a quadra festiva até à náusea, ou pelo menos, aos limites dionisíacos.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007

quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Digam o que disserem, torci o nariz à a nova imagem do Público, que considero descaracterizado, indistinto de outras publicações e graficamente desengraçado. Como não o tenho comprado nos últimos dias, ainda não pude testemunhar outras alterações de fundo, mas do que me tenho apercebido, as novas divisões são uma confusão, há igualmente rodagem de colunistas, e também temo pelos suplementos semanais. Se tivessem conservado o logótipo, com o acento azul sobre o "u", ainda podia pronunciar um relativista "´tá bem, pronto". Um jornal não tem, antes pelo contrário, de ser uma coisa anacrónica ou inerte, mas sim de acompanhar o mundo e as suas conjunturas e mutações.
Mas não. Nem isso. Mudaram tudo, de cima a baixo. É pena, porque há sempre pequenos símbolos a que uma pessoa se agarra, e que considera em parte seus. Os jornais e as características que transportam são um claro exmplo disso, até porque fazem parte da vida pública de uma sociedade.
Posso vir-me a habituar, em parte, mas definitivamente este Público deixou de ser o jornal a que me habituei desde o início, quando me levantava ao Domingo por causa do Júnior, e que jamais dispensei.
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O que há a dizer no rescaldo do referendo? Que a minha escolha, aqui e aqui expressa, perdeu nas urnas. Só soube do resultado lá pelas onze horas, porque antes disso estava num comboio entre Porto e Lisboa. Não foi a vitória do "sim" que me espantou e entristeceu, mas a diferença clara entre as votações.
Como não tenho os pruridos do PCP, entendo que a escolha dos que votaram deve ser respeitada, mesmo que o referendo juridicamente não seja vinculativo (como não o fora em 98). Faço votos para que a nova legislação seja moderada e não deixe de considerar o aborto um mal, dando o necessário atendimento às grávidas e não esquecendo o direito à maternidade, constitucionalmente consagrado, mais a mais num país com fraca natalidade.
Mas como já se disse repetidamente noutras partes, a questão não está nem pouco mais ou menos resolvida. Temo que o número de abortos suba, e não apenas nos primeiros tempos, mas também que o SNS tenha ainda mais dificuldades em atender os pacientes habituais, que o aborto clandestino permaneça (em alguns meios vai com certeza subsistir) elevado, e que se observe a aberrante situação de ver as mulheres de Espanha a vir abortar ao nosso país, quando em certas situações uma portuguesa tem de ir dar à luz a Badajoz. Sim, isso pode muito bem acontecer, e não é por acaso que já há uma clínica espanhola especializada em abortos a ser montada em Lisboa... mesmo antes de se saberem os resultados do referendo. Quem viu a entrevista a uma cinicíssima representante dessa casa não poderá com certeza ter deixado de reprimir um arrepio pela espinha.
Os vencidos da noite foram portanto os que estavam do lado do não, como eu, excepto talvez uma pessoa: Ribeiro e Castro. Com uma campanha infatigável, quase sozinho, foi o líder do único partido que disse "não" e na declaração oficial não atirou a toalha ao chão, prometendo que continuaria atento e a lutar pelas suas convicções. Ganhou um grande capital político, que Portas e os seus acólitos terão de enfrentar doravante.
Outros derrotados: Marcelo, claramente, e Marques Mendes. O PSD não entra nestas contas devido à sua divisão entre as duas opções. E embora tenha criticado este partido pela sua campanha ambígua, devo igualmente felicitá-lo: se a questão não era política nem partidária, então partido algum devia ter tomado posição, deixando o caminho aberto para os vários grupos de cidadãos. A partidarização de questões desta natureza é que tem tendência a afastar as pessoas das actividades cívicas; e nem assim se compreende os apelos para que a Igreja não se metesse ao barulho. Afinal de contas, porque é que os direitos dos partidos a fazerem estas campanhas prevalecem sobre as confissões religiosas? Só se a questão fôr afinal política, coisa que não é ou não deveria ser.
De tudo isto, retira-se ao menos um facto positivo: a maior participação dos cidadãos organizados fora das esferas partidárias. Um exemplo que deve frutificar.
Entre os vencedores, Sócrates, claro. A vitória do "sim" deve-se provavelmente a ele e a mais ninguém. A diferença entre 98 e 2006 esteve provavelmente na mobilização do governo e do PS quase todo, com as raras excepções do "não". O PCP conseguiu enfim ver aprovada na prática a tese de licenciatura do seu líder histórico, mas quanto a capital político, é duvidoso que tenha ganho muito. O BE terá ganho esta batalha, mas pelas reacções pantomineiras duvido que tenha angariado muitos trunfos. Aquele cartaz do "Bem-vindos ao Século XXI" é uma coisa confrangedora. Como é que pessoas que vivem, na melhor das hipóteses, nos anos setenta, podem servir de anfitriões ao Século XXI? Aquilo era antes um "bem-vindos à pós-modernidade"; tinha muito mais a ver com aquele partido e com este momento.
Como disse atrás, a questão está longe de estar resolvida. As convicções não se calam por causa de uma derrota nas urnas. E quase aposto que um dia terá de se fazer novo referendo sobre o assunto, mas noutro sentido. Se uns o puderam repetir, porque não os outros? É assim que funciona a democracia.
domingo, fevereiro 11, 2007
Eu já estava pessimista desde o sorteio, e as minhas desconfianças concretizaram-se da pior maneira: fomos afastados da Taça por um clube da Divisão de Honra. Não é tão mau como a eliminação do Porto frente ao Atlético, mas era escusado. Não me lembro de ver o Benfica ganhar naquele horrível estádio da Póvoa, que de bom só tem o estar em frente ao mar (e mesmo isso vai ser alterado).
O meu trauma já vem de 2001, naquele jogo em que ficou célebre a frase "deixem jogar o Mantorras". Lembro-me que paguei couro e cabelo, fiquei empilhado com os outros benfiquistas em meia bancada, mesmo sendo em maior número que os varzinistas, depois de me terem recusado a entrada no lugar a que tinha direito, e ainda vimos os locais a beneficiarem de uma arbitragem péssima que nos roubou descaradamente um penalty. A partir daí, fiquei com uns sentimentos de ternura em relação ao Varzim que me fazem anualmente desejar a descida da divisão onde se encontrem.
Infelizmente, continuamos sem ganhar naquele maldito estádio.Mas lá virá o dia (e que seja de novo na Taça, sinal de que os poveiros permanecerão nas divisões inferiores). Agora é recuperar a equipa para o decisivo encontro com o Dínamo de Bucareste. E desta vez tem de haver mais golos da nossa parte, entendido, Eng. Santos?
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
Balcãs ou Cáucaso?

Mestia, capital do Svaneti, com as omnipresentes montanhas ao fundo
terça-feira, fevereiro 06, 2007
E prossegue esta infeliz e insuportável campanha
ar tristonho e belos olhos atrás das grades...quando se sabe que não há uma única mulher presa por fazer um aborto proibido pela lei. Também esse lado da campanha se deixou contaminar pela emoçãozinha fácil, como se vê.sexta-feira, fevereiro 02, 2007
O ex-franco atirador, agora cultor de uma vida breve e entusiasta da despenalização + liberalização do aborto, assistiu ao debate de segunda-feira relaccionado com o referendo de dia 11. Assistiu mas viu umas coisas assaz estanhas. Parece que os defensores do "não" eram todos muito maus e os do "sim" todos muito brilhantes, sensatos, sensíveis, enfim, uma maravilha. Consta mesmo que Lídia Jorge (absolutamente inenarrável) teve "bom - senso" ao falar na "coisa humana". Já dá para ver a profundidade da análise. Mas fica igualmente o registo das duas partes da sessão que Luís M. Jorge teve o cuidado de descrever até onde a sua imaginação delirante o permitiu.
Ah! E não deixem de ler os comentários do clube de fãs, crendo que aquilo que leram era realmente o debate que se passou na televisão. Uma menina fala mesmo da "atrapalhação da gente acéfala do não perante as tiradas brilhantes da gente do sim". É só tolerância e honestidade intelectual, entre a malta do sim. Ao menos divertem as pessoas, e quem sabe, as "coisas humanas".
quinta-feira, fevereiro 01, 2007

sexta-feira, janeiro 26, 2007
O que é feito da Prússia Oriental, e a herança eslava nos alemães de leste (os legítimos prussianos).
No Herdeiro de Aecio
segunda-feira, janeiro 22, 2007

Flags of our Fathers, última obra de Clint Eastwood, não poderá ser rotulado de "obra-prima". No mesmo sentido vão as nomeações de óscares, que se viraram preferencialmente para o aguardado "Letters from Iwo Jima". Mas dificilmente outro realizador conseguiria tocar numa batalha tão sangrenta e tão decisiva como Eastwood, não se deixando enredar nem em triunfalismos patrióticos (e aí está o seu filme japonês para o provar), de que um exemplo eloquente será Pearl Harbor, nem em miserabilismos pacifistas, com sentimentos de culpa inculcadas em todas as células. O que se vê é o sangrento episódio, do qual o público da altura só reteve a foto em questão, as angústias próprias da frente de combate, um legítimo sentimento de patriotismo à vista do estandarte. E os sobreviventes do acto simbólico, transportados por toda a América, num cortejo triunfal que não desejavam, sendo heróis sem o sentirem. As consequências foram amargas: não passando de cobaias para a angariação de fundos e para exortar a nação, depressa foram esquecidos por quem os tinha posto no topo do mundo - ou do rochedo de esferovite que surge logo no início, no meio de uma multidão eufórica.
O filme, claro está, aconselha-se, por tudo isto e não só: os diversos flashes não cortam a sequência narrativa, o elenco (de desconhecidos, à parte Ryan Philippe e Barry Pepper) é muito aceitável, e a fotografia é belíssima. A primeira parte lembra muito O Resgate do Soldado Ryan, ou não fosse Spielberg o produtor.
Mas é curioso reparar que a simbologia da imagem não é assim tão original. Já havia imagens semelhantes em diferentes contextos. É que a fotografia da bandeira de Iwo Jima lembra-me muito a imagem do Padrão de Santo Agostinho a ser erguido pelos homens de Diogo Cão na foz do Zaire. Acredito que os norte-americanos não tivessem qualquer ideia de fazer uma cópia inspirada no padrão, mas o que é certo é que já muito antes tínhamos colocado as nossas armas nacionais em territórios inóspitos. As semelhanças são mais que evidentes, mas entre os dois acontecimentos há quatro séculos e meio de intervalo.

(Não conheço o autor do quadro; agradecia a quem puder esclarecer-me)
Mais uma vitória sofrida contra uma equipa do centro do país. Na segunda tivemos aquele brilhante jogo contra uma Académica à antiga, mas jogámos com o credo na boca até ao golo de Leo (até houve espaço para o humor, com aquela faixa a anunciar ao Luisão a Quima das Fitas, e os não menos hilariantes discursos científico-desportivos de Manuel Machado). Hoje, só com dois golos perto do fim, um deles do regressado Mantorras, é que conseguimos vencer a União de Leiria (ou Porto-b, como quiserem) e seguir em frente na Taça. Vá lá, continuamos invictos em casa, e além do mais este jogo trouxe-me uma recordação agradável: há três anos estivemos igualmente um jogo inteiro a atacar a baliza do Nacional e a perder, até marcarmos perto do fim dois golos em cinco minutos. Como é sabido, ganhámos mais tarde o caneco. Deus queira que a história se repita e conquistemos a 25ª.
sábado, janeiro 20, 2007
Muito pertinente, o reparo que Pedro Correia faz ao anúncio dos gastos do PSD. Um partido que não tem posição oficial sobre a despenalização do aborto vai gastar 500 mil Euros num "nim". Como? Colocando cartazes com slogans "apoiamos o não, mas também o sim", ou com Rui Rio e Marques Mendes, lado a lado, com balões ilustrando a sua posição oficial? Ou ainda outdoors diferentes em quantidades iguais? Ou outra coisa qualquer, mais enigmática ainda? Esclareçam-nos antes da campnha, senhores, ou arriscam-se a torná-la ainda mais confusa. Melhor, não façam qualquer campanha, que poupam dinheiro aos vossos cofres e a paciência ao torturado eleitor.
A pouca disponibilidade técnica para actualizar o blog faz com que aconteçam coisas destas. Não é que daí venha mal ao mundo, mas como gosto de relembrar estas coisas (eu e noventa por cento dos bloguistas) fiquei ligeiramente entristecido. Tudo porque há quatro dias atrás, quando escrevi as últimas linhas, não me lembrei que de que há exactamente três anos criei este espaço a que chamo A Ágora. É verdade, há estou ligado ao meio desde 16 de Janeio de 2004. E se escrevo pouco nos dias que passam, isso deve-se não a qualquer sentimento de fastio, que me tem assaltado noutras alturas, mas sim ao facto de nem sempre estar ligado à net. Daí também o lamentável esquecimento, comparável, dentro das devidas dimensões, a olvidar o dia de anos de casado (apesar de ser um estado civil cujo mistério ainda desconheço). Como todos os maridos embraçados, prometo igualmente tentar compensar o meu blogue da forma como merece, para minimizar estragos e prosseguir com esta ligação de três anos.
terça-feira, janeiro 16, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007

Actualmente tenho andado mais por Lisboa do que pelo Porto. As minhas obrigações passam agora perto de Alcântara, o que faz com que almoçe muitas vezes nas tascas, snacks e restaurantezinhos da zona, entre outros estranhos de serviço, como eu, e os locais, saudosos dos tempos em que não havia a Golden Gate lisboeta, das fábricas agora em decomposição, da faina portuária, dos jogos que enchiam a Tapadinha. Enfim, da altura em que Alcântara não tinha viadutos cruzados, mais actividade nocturna que diurna, mercê do Garage e das Docas, ou duplos cafés do Herman. Nem do Atlético, a jogar em divisões secundárias.
Mas no que toca à agremiação desportiva parece que ainda há momentos altos. Quando me contaram que o velho clube de Alcântara tinha levado de vencida a mui segura de si e "futuro bi-campaõ nacional" equipa do Porto, e logo no Dragão, julguei que estavam a brincar. Mas não. Era mesmo verdade: para o Porto, couberamas lembranças de uma tarde parecida, com o Toreense; para o Atlético, uma jornada de glória, que nem um penalty inventado no quinto minuto do prolongamento abalou; para os outros, alguns risos inesperados e um dia bem passado. Devo dizer que estava num local que exigia alguma solenidade, e as minhas exclamações ao saber da notícia foram muito pouco ortodoxas, mas verdade seja dita, não vi quaisquer recriminações.
Ao fim da tarde passei pela zona de Alcântara-terra: alguns carros apitavam, e os alcantarenses apinhavam-se à porta das cervejarias, de copo na mão e cachecol do Atlético ao pescoço, comentando o feito. A equipa, essa, comemorava na Bairrada (de onde uma das equipas tinha sido goleada na Luz também para esta competição), antes do regresso triunfal.
Andava a congeminar uma dia à Tapadinha um dia destes para ver um jogo do Atlético. Depois disto não há volta a dar-lhe. Tenho mesmo de assistir a uma partida dos amarelos de Alcântara. E até lá, continuarei a frequentar-lhes as tascas e a ler os jornais do clube, gratuitamente distribuídos nos balcões dos estabelecimentos. Parabéns, Atlético Clube de Portugal!
sexta-feira, janeiro 05, 2007
O que voto? Não. Falarei deste tema com mais calma, até porque nos próximos tempos vai estar em destaque aqui no rectângulo.
domingo, dezembro 31, 2006
Já falei várias vezes do Amigo do Povo, mas outros surgiram, como o Corta-Fitas, o Cachimbo de Magritte, o Herdeiro de Aécio, o provocador mas divertido Franco-Atirador, e outros a quem reconheço alguns paradoxos curiosos e grandes divergências, como o Combustões.E o ano ainda me permitiu travar conhecimento com outros bloggers de áreas bem distintas, como O Corcunda. E outros haverá, mas a memória agora é que não dá para mais.
Se não trouxer mais nada de exaltante, que 2007 seja o ano da confirmação destes espaços e traga outros de igual qualidade. Um desejo não tão difícil assim de se concretizar.
Bom ano de 2007
O ano acaba de forma a todos os títulos trágica. Saddam acabou por fim assassinado ("execuções" são coisa para mim meros homícidios disfarçados de legalidade enviesada), mostrando que o país que ajudou a construír no meio da barbárie e da ferocidade continua tão feroz e bárbaro como antes, com uma guerra civil efectiva entre hordas comandadas por novos Madhis e Nabucodonosores. Só mesmo a alimária que desgraçadamente preside aos EUA e alguns dos seus dementes seguidores imaginam que isto é "um passo importante para a democracia noIraque". Quando alguém defende a pena de morte como forma de implantação democrática é porque não tem qualquer princípio civilizacional.
Os costumeiros atentados voltaram a sacudir Bagdad. Uma rotina para a Mesopotâmia, mas a que os espanhois não estavam já habituados e para a qual tiveram de abrir os olhos quando a ETA voltou a mostrar-se. O atentado de Barajas deve ter enterrado todo o duvidoso esquema de negociações que Zapatero e Carod Rovira incrivelmente julgavam possível. Otegui, o porta-voz oficoso dos etarras, atribuiu as culpas a Madrid. Talvez agora o governo do PSOE seconvença que não está perante meros nacionalistas com ânimos ligeiramente exaltados, mas sim com uma mistela de extremistas e mafiosos à boa maneira da Cosa Nostra.
A nossa "protecção civil" voltou a dar um exemplo de negligência e incompetência que custou a vida a meia dúzia de pescadores, perante a impotência desesperada de alguns locais na praia. Os contornos da falha serão, espera-se, apurados em inquérito, mas com certeza que não se aceitarão justificações que falem de "azares" ou "fatalidades". A culpa deve ser apurada e não pode morrer solteira. É demasiado grave que existam serviços públicos que não cumpram minimamente os seus deveres mais básicos, como não deixar morrer inutilmente os seus cidadãos. E mais penoso se torna pensar nisto quando se pensa que já houve há uns anos um filme, realizado por José Nascimento, com o explícito título de Tarde Demais, baseado em acontecimentos reais em tudo semelhantes à tragédia dos homens do Luz do Sameiro. De que terá servido, então?
Mas há regiões em que as coisas são bem piores. Na Indonésia, naufragou um ferry pelas razões de sempre: más condições de segurança e excesso de passageiros. Centenas de desparecidos no mar revolto pagaram por isso. E não é caso isolado. O Terceiro Mundo existe mesmo, e apesar de todas as evidências em contrário, Portugal não lhe pertence. E assim termina o ano.
sábado, dezembro 30, 2006
Um dos sites de futebol que mais gosto de ver é o Balípodo. O espaço é brasileiro, o que vem confirmar a minha ideia de que os nossos gigantescos parceiros da CPLP são tão bons a escrever sobre bola como a jogá-la. Entre a crónica, a notícia e a previsão do futuro, há de tudo nas suas colunas divididas em diferentes secções, cada qual com seu assunto.
Uma dessas rubricas, chamada com propriedade "E se..." , tenta adivinhar o que aconteceria caso determinada situação seguisse outro rumo, como por exemplo, se Mourinho fosse treinar o Brasil, ou se em lugar da Liga Espanhola houvesse vários campeonatos regionais. Uma das melhores imagina como teria sido um hipotético Mundial de Clubes em 2001, seguindo-se à primeira experiência da prova que levou o Corinthians de Dida, Gamarra, Vampeta e Edilson a sagrar-se campeão mundial frente ao Vasco da Gama de Helton, Romário e Donizete. Imagine-se o Corunha comapeão mundial,frente aos brasiliros doPalmeiras, depois da queda de todos os favoritos.Vale a pena ver essa pequena ficção e muitas outras com que o Balípodo nos brinda.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
A divisão da Somália
PS: as origens da Somália e dos seus conflitos são mais facilmente percebidas neste post do Herdeiro de Aécio
domingo, dezembro 24, 2006
Chegamos por fim à véspera do dia que tão vilipendiado tem sido, mesmo aqui na vizinha Espanha. Com argumentos incompreensíveis e em grande parte falsos, algumas entidades, públicas e privadas, escondem o carácter fundamental e primevo da celebração: o Nascimento de Cristo. Parece que o nome do Salvador incomoda pessoas de "outras crenças", embora ninguém se tenha lembrado de perguntar isso às mesmas; que o Natal é uma mera comemoração do solstício de Inverno; e que símbolos com algum carácter religioso ofendem são potencialmente ofensivos.
Olhando bem para estes casos, não direi que há uma guerra generalizada contra o Natal, mas tão somente umas cabecinhas, que, por extraordinário acaso das coisas, têm alguns cargos de direcção, e que camuflam assim um ódio ao cristianismo e às religiões no seu todo, ou uma enviesada ideia de modernidade. Felizmente, as reacções a esta imbecilidade pré-instituída não se fizeram sentir, vindas de políticos, opinion-makers, ou representantes das "outras crenças", cientes igualmente que este presumido paternalismo de que gozariam com tais interdições não passa de um atestado de menoridade, que dispensam.
Estou convencido que actos como estes não vieram para ficar, mas apenas para nos atazanar durante uns anos, antes de serem deitados no caixote do lixo das modas estéreis. A força das

Um Santo Natal para todos
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Se se reparar bem em grande parte dos discursos políticos actuais (como o da discussão da AR de hoje), notar-se-à que muitos dos predicados utilizados - posso falar em predicados ou a TLEBS já está em vigor - são constantemente comidos. Sim, comidos. Querem exemplos? "O Governo ´tá a executar políticas de rigor"; "o Partido ´teve em peso com o candidato X"; "O Eng. Sócrates ´tá a tomar medidas necessárias/demagógicas".
Percebem? Alguns erros coloquiais, tão banalizados nas conversas do dia-a-dia, são utilizados pela classe política de forma descuidada e constante, como se estivessem a falar com o colega do lado e não numa tribuna para o país. Falo dos políticos porque são os que têm mais responsabilidades na condução do estado, e porque são figuras públicas e notórias, mas podia-me socorrer de outros exemplos existentes na sociedade, como a economia ou as artes.
Parece-me particularmente infeliz este descuido com o uso da língua fora do âmbito privado. Se se quer passar uma imagem de algum rigor, convinha estar atento a estas corruptelas orais. Eu sei que a língua está sujeita a evoluções e mudanças, por muito que nos custe. Mas em alguns casos isso pode não trazer qualquer melhoria. Imagine-se o "teve" como pretérito perfeito de dois verbos diferentes, ter e estar. Ou então este último transformado em verbo "tar". Ou ainda o verbo "perar". É que talvez não fosse pior começar a distinguir evoluções linguísticos e de fala dos meros atentados ou fortes vícios, causados por por simples facilitismo.
E na mesma linha, veja-se essa imbecil campanha feita pela BCP (cujo rosa das infinitas agências bancárias em cada esquina já não se suporta), com Bruno Nogueira a perguntar a uns supostos "jovens" se "kerem voar". Assim mesmo.
Não sei porque carga de água é que não põem "queres" em lugar do Kapa. Ou os senhores da campanha não sabem escrever senão ao telemóvel, ou então acham que todos os "jovens" a quem se dirigem são mentecaptos e só sabem ler assim. Bela imagem que a ubíqua instituição do Dr. Paulo Teixeira Pinto tem das novas gerações e das suas pontencialidades.
terça-feira, dezembro 19, 2006
Mobilização das tropas indianasPassam agora 45 anos desde o fim do Estado Português da Índia. Em Dezembro de 1961, a União Indiana, sob Nehru, com forças que ascendiam aos 50000 homens, e inúmeros meios aéreos e navais, atacou os enclaves lusos. O lado português era defendido por pouco mais de 3000 efectivos, sem força aérea, com parcas lanchas de guerra, que cedo viram as sua comunicações destruídas por bombardeamentos indianos. A resistência era impossível e suicida.
Salazar sabia muito bem disso. Mas imbuído de sentimentos de "honra", a milhares de quilómetros de distância, pediu o "sacrifício total" aos soldados portugueses, para"prestar serviço ao futuro da Nação". "Vitoriosos ou mortos", pedia o velho abutre, que jamais respirou o ar de qualquer colónia, quase não saía do rectângulo, e não proporcionou melhores meios de defesa a quem tinha essa missão. Apenas pedia para remeterem as relíquias de são Francisco Xavier para a metrópole, que essas sim, urgia proteger.
Como é sabido, Vassalo e Silva não esteve virado para martírios inúteis nem tragédias euripedianas, e acabou mesmo por se render, a 19 de Dezembro, impedindo um banho de sangue. Pagou com isso a carreira, que só seria reabilitada em 1974, e a liberdade, com uma estadia de alguns meses nas prisões indianas, juntamente com os seus homens.
Assim acabou, quatrocentos anos volvidos, o império erguido pelos Gamas, Albuquerques e Castros, vitimado pelos ventos da descolonização mundial, pela supremacia das forças indianas e por uma política ultramarina isolacionista e desastrosa. Tão desastrosa que levaria ao avolumar da penosa Guerra do Ultramar, suportada por toda uma geração, e pelos cofres do Estado, e que teria como consequência, anos mais tarde, o derrube do próprio regime pelas suas Forças Armadas.
(Para mais informações, este site é um bom início)
Rendição oficial dos militares portugueses
segunda-feira, dezembro 18, 2006
Há imenso tempo que tenho aqui nos drafts a descrição de uma passagem por Génova, feita no Verão do ano passado. Só que o suplemento Fugas, do Público, antecipou-se, e pior do que isso, com um relato muito próximo do meu, tanto no percurso efectuado como nos elementos observados. Ah, mas isto não fica sem troco. Em breve lanço a minha resposta, desastradamente atrasada por causa das notas sobre outras cidades visitadas na mesma viagem, que não estão devidamente postas em ordem. Revisitar o Verão do Mediterrâneo no Inverno: ora aqui está uma ideia susceptível de provocar melancolia à mistura com boas recordações.
quinta-feira, dezembro 14, 2006

Os Placebo são uma banda com os seus momentos altos e baixos, outrora alojados nas lantejoulas e na androginia do Glam Rock do início da carreira e na idolatria por David bowie, prosseguindo depois numa fase rock + electrónica. Surgiram provocando estranheza e desconfiança e ascenderam ao estatuto de banda respeitável, com vendas de milhões de discos e concertos esgotados em todas as cidades. Chegaram inclusivamente a participar no filme Velvet Goldmine, ao lado de Christian Bale e Ewan McGreggor, fazendo praticamente deles próprios, só que com nome diferente.
Também tiveram êxito no formato DVD. Um deles mostra o concerto que realizaram em Paris, em 2003, com um Brian Molko bastante fluente na língua gaulesa, acabando em apoteose a cantar Where is my Mind, dos Pixies, em dueto com o próprio Frank Black, ao seu melhor estilo rocker, de blusão de couro, óculos escuros, crâneo rapado e a eterna barriga proeminente.
Podem ver aqui a a interpretação global da música. E agradeça-se, uma vez mais, a quem se lembrou de inventar o YouTube.
quarta-feira, dezembro 13, 2006

Morreu enfim Augusto Pinochet, de forma natural, coisa a que muitos dos seus compatriotas não tiveram direito durante a sua presidência. Restam-nos aqueles a quem ele não deixa saudades, e que não resistiram a comemorar o seu fim; e os outros que ainda acreditam que Pinochet salvou o Chile da hecatombe, que aprovaram as matanças no estádio de Santiago e que ainda acham que o general deixou o poder "voluntariamente" (isto é, depois de perder um referendo e já sem o apoio de sempre dos EUA) e deixou um pais "próspero" (para se aferir melhor tal "prosperidade", criada pelos Chicago boys, é favor ler isto), sem pelo caminho desviar nada. Entre estes, conta-se a Srª Thatcher e alguns "liberais" pouco esclarecidos, que divinizam o ditador. Sem dúvida um exmplo magnífico do liberalismo que estes senhores pretendem para o mundo. Deus tenha piedade não só da alma do ex-ditador, se ele se tiver arrependido, mas igualmente da sanidade mental destes pobres de espírito.
Stroessner também morreu este ano. Fidel não parece ter muito mais tempo de duração. Os tempos estão maus para ditadores sul-americanos.
sábado, dezembro 09, 2006

Entre as várias expressões lisboetas a que não me habituo, há uma - para além da questão Fino - Imperial, que serviria perfeitamente de traço de divisão do país, bem mais eficaz que a imaginária linha de Rio Maior, no PREC - que se adequa perfeitamente ao tempo que faz: o uso de "chapéu de chuva". Para mim, são efectivamente chapéus de material variável, desde que impermeáveis, que se usam na cabeça para proteger da chuva. Em Lisboa (e noutras regiões próximas, cujo limite desconheço), são aquilo que vulgarmente conheço por guarda-chuva. Como farão os cultores do"chapéu"para se distinguir? E porque não usam o prefixo guarda seguido do hífen? Outros usam umbrella ou parapluie. Porque não há de haver uma palavra própria que classifique o objecto (sem recurso à famigerada TLEBS) por si mesmo sem ambiguidades inúteis? Pensem nisso, que me poupavam muito latim.
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Há exactamente um ano, afastávamos o Manchester United das competições europeias e seguíamos para os oitavos. Ontem, os ingleses desforraram-se e passaram eles à fase de eliminatórias. Do mal o menos, sempre ficámos na UEFA. Mas além de nos terem ganho os dois jogos, ainda se encarregaram de perder naqueles em que precisávamos que triunfassem. Gente vingativa.
No jogo de ontem, safou-se o míssil de Nelson e algumas excelentes jogadas de Simão. A defesa estava totalmente desorganizada, e o jogo de cabela foi uma lástima. E, claro, o livre concretizado segundos antes do intervalo deitou tudo a perder. Estava mesmo a prever que aquilo ia acontecer. É sempre nestes momentos que sofremos golos.
Diga-se que a nossa missão era quase impossível perante um United em grande momento de forma e a precisar igualmente de ganhar. Trocaria de bom grado a vitória em alvalade por uma ontem. Agora que esta fase acabou, constata-se que duas tradições se mantêm: uma, é a do Benfica nunca fazer bons resultados em Old Trafford. Outra, é a de marcar grandes golos em solo inglês. Foram quatro no último ano e meio (e ainda podíamos recuar áquele grande jogo contra o Arsenal). Para os apreciadores do futebol espectáculo acima de tudo já não é coisa pouca.
domingo, dezembro 03, 2006
sexta-feira, dezembro 01, 2006
Uma colheita especial, por Domingos Miguel, no Noite Americana, em especial esta parte:
"não é preciso ser um génio, para perceber que um tipo que faz o primeiro Alien, Blade Runner, Black Rain (grande filme, já agora), Thelma and Louise, Gladiator e Black Hawk Down, só para dar alguns exemplos, não está propriamente preocupado com a consistência."
O Caso Richards, no Estado Civil, ou quando em momentos de irracionalidade e raiva o nosso racismo vem à superfície. Mesmo que pensemos sempre que "não sou racista". Só que geralmente há sempre um "mas" depois dessa afirmação.
Já que falamos de cinema, é preciso que se diga que o último James Bond, Casino Royale, tem muito do que se pede a um filme da série: uma história escrita (inspirada) por Ian Fleming, acção sem fim, hoteis glamourosos, Bond-girls a sério (está de parabéns quem se lembrou de Eva Green), roupas com estilo, países ensolarados e até o regresso dos Aston Martin, depois de anos e anos de insípidos BMWs. Só falta mesmo uma coisinha fundamental: James Bond. No lugar dele, estava lamentavelmente um tipo com ar de bruto, ou de boxer recém retirado, que já andara por Munich e Caminho para a Perdição, com os mesmos modos de carcereiro da Torre de Londres no período isabelino.

*Escusam de procurar o site, que está desactivado há já uns tempos
segunda-feira, novembro 27, 2006
Dá ideia actual de que este ano chegaram a Portugal as mais recentes obras de quase todos os grandes mestres do cinema anglo-saxónico. Confirmemos: Woody Allen chegou no início do ano com Match Point e está aí a reaparecer com Scoop. Scorsese traz-nos Departed. O seu vencedor nos óscares do ano passado, Clint Eastwood, virá com Flags of Our Fathers e a sua correspondente japonesa, Iwo Jima. Minghella também não tardará, creio, com novo filme (na pior das hipóteses em 2007); Ridley Scott traz-nos uma comédia romântica com o taciturno Russel Crowe; o recentemente desaparecido Robert Altman deixou como legado A Prairie Home Companion; Coppola não filmou obra nova, e em compensação enviou-nos a filha mais a sua Maria Antonieta versão New Wave. Almodôvar conseguiu Volver em grande, e trouxe por arrasto Penélope Cruz e outras conhecidas. Stephen Frears chega daqui a dias revelando o lado humano da Rainha; Spielberg passou por aqui no início do ano com Munique, assim como James Ivory e a sua Condessa Russa. Brian De Palma trouxe-nos finalmente o aguardado (mas algo mórbido) The Black Dahlia. Shyamalan revelou-nos a sua fábula aquática, A Senhora das Águas, envolvendo narfas próprias dos sonhos mais belos, cães do inferno e águias celestes. Pena que O Código Da Vinci tenha sido entregue ao progenitor da narfa, mas há coisas piores no mundo. Ou que Wolfgang Petersen e Richard Dreyfuss tenham regressado com filmes-catástrofe.
E ainda tivemos Terence Malick, com The New World, e Michael Mann, recriando Miami Vice no Século XXI. Além de alguns bons valores do chamado "cinema independente". Paris viu-se homenageada em pelo menos dois filmes, e romain Duris sobe cada vez mais. E com alguma sorte, ainda vamos poder ver muito em breve a nova opus de Soderbergh, The Good German, com o seu amigo George Clooney (outro que não esteve parado) e a encantador Cate Blanchett na Berlim do pós-guerra, no que promete vir a ser um clássico moderno. Temos e tivemos todas as razões para não nos queixarmos da safra anual.
sexta-feira, novembro 24, 2006
Sobre o lançamento do livro de Mendo Castro Henriques, Dom Duarte e a Democracia, houve vários testemunhos, que se pautaram não apenas pela crítica ao conteúdo, mas sobretudo à estranheza ou à satisfação de se ver Manuel Alegre como convidado para a apresentação da obra, em Lisboa, no Espaço Chiado (no Porto a missão coube a Paulo Teixeira Pinto, assumidamente monárquico). Alguns podem ser vistos num post do Combustões. Corroboro, obviamente, a opinião de Miguel Castelo Branco. Já sabia que Alegre tinha um certo respeito pela ideia da monarquia, por tradição paterna, conquanto se declare sempre republicano e tenha sido candidato às últimas presidenciais. Mas o facto do autor do preâmbulo da CRP admitir um referendo sobre o regime não deixa de ter a sua importância, marca uma posição, e talvez seja uma porta aberta para a revogação do iníquo Artigo 288º - b. Que outros sigam os seus passos e percam os precnceitos herdados do 5 de outubro.
Ah, e o livro vale a pena, como biografia e como esclarecimento de algumas ideias preconcebidas.




