Blog da Rua Nove
Onde ver postais antigos de localidades espalhadas por todo o país, cartazes de propaganda turística dos anos 20/30, do Estoril e das termas, "japonices", capas e lombadas esquecidas, grafismo e ilustrações art nouveau (e seus autores), carros dos anos 60, heráldica de antigos municípios, cartas de tarot, imagens de Macau, fotobiografias de Wenceslau de Moraes e muitas outras coisas mais? No Blog da Rua Nove, pois claro. Achado muito recentemente e com uma infinidade de imagens a descobrir.
quinta-feira, setembro 20, 2007
quarta-feira, setembro 19, 2007
Ainda sobre Aquilino
Ainda a propósito de Aquilino, alguns dos defensores da transladação disseram que a petição contra a mesma era obra de "ultramontanos" e "medíocres". Desde já digo que não assinei tal petição, mas sempre teria curiosidade em saber se fizessem a mesma coisa a António Ferro, por exemplo, tais senhores que proferem estas acusações se indignariam perante tal "abuso".
Já agora, um certo Carlos vieira escreve no site do Bloco de Esquerda que "a petição que meia dúzia de monárquicos em vias de extinção pôs a correr contra as honras de panteão nacional a um "terrorista", preso por ajudar os "bombistas regicidas", são tiros de pólvora seca que só poderão fazer cócegas à alma granítica de um vulto com a envergadura moral do universal Aquilino". Não há no entanto qualquer refutação às acusações sobre Aquilino, nem factos contrários, nem nada. Dizer que os monárquicos estão em vias de extinção" mostra como a maioria dos bloquistas convive mal fora do seu mundo supostamente "cosmopolita" e "libertário". Provavelmente esquecem-se que "os beirões, os tenazes e insubmissos beirões" estão na sua maioria nos antípodas das escolhas ideológicas aquilinianas, e que muitos fazem parte da tal "meia dúzia de monárquicos em vias de extinção". Já agora, porão Salazar (que até apreciava em privado a obra de Aquilino, sendo quase conterrâneos e contemporâneos) fará igualmente parte do rol desses tenazes beirões?
terça-feira, setembro 18, 2007
A transladação política de Aquilino
Um excelente texto, já com alguns meses, com as razões - pessoais e gerais - pelas quais Aquilino Ribeiro não merece ir para o Panteão Nacional. Mesmo as letras e a prosa beirã não o permitem. E as justificações de Aquilino Ribeiro Machado, seu filho, que compreensivelmente defende o seu pai, não justificam tal cerimónia.
"O meu pai, quando veio para Lisboa, do ambiente fechado da província, tinha 21 ou 22 anos. Com essa idade, citando uma frase muito batida, `todo o homem é incendiário e mais tarde será bombeiro dos fogos que acendeu`, e é natural que na ânsia e no ideal de mudar o mundo e de criar uma sociedade mais justa, ele se identificasse com os revolucionários que viessem, aqueles mais impacientes, mais insubmissos", argumentou.
"Ele era um homem que vinha do mato, bravio e homem de acção por natureza. É natural que não fosse alinhar pelo pensamento mais conservador da época. Dir-se-á: `isto é um pensamento que depois, ao longo da sua vida, se manteve, foi sempre um homem de intervenção directa` Não, não foi. A vida dele prova-o"
Há que perceber que mesmo com um espírito revolucionário, uma coisa é participar em acções de propaganda, manifestações ou confrontos com a polícia, mesmo que isso implique a detenção. Outra completamente diferente é ser cúmplice sapiente de um Regicídio, para mais de um Rei, e do seu filho, D. Luís Filipe, que estavam longe, bem longe, de ser uns tiranos. E se João Franco, Sidónio e Salazar governaram, à sua maneira, ditatorialmente, a 1ª República não teve melhor desempenho, com a agravante de ter deliberadamente levado Portugal para uma guerra terrível se ter feito passar candidamente por um regime liberal.
Como as razões para a transladação do escritor são também políticas, como provam as alusões ao seu combate "pela República e pela liberdade", não posso, como monárquico, concordar com ela.
Um excelente texto, já com alguns meses, com as razões - pessoais e gerais - pelas quais Aquilino Ribeiro não merece ir para o Panteão Nacional. Mesmo as letras e a prosa beirã não o permitem. E as justificações de Aquilino Ribeiro Machado, seu filho, que compreensivelmente defende o seu pai, não justificam tal cerimónia.
"O meu pai, quando veio para Lisboa, do ambiente fechado da província, tinha 21 ou 22 anos. Com essa idade, citando uma frase muito batida, `todo o homem é incendiário e mais tarde será bombeiro dos fogos que acendeu`, e é natural que na ânsia e no ideal de mudar o mundo e de criar uma sociedade mais justa, ele se identificasse com os revolucionários que viessem, aqueles mais impacientes, mais insubmissos", argumentou.
"Ele era um homem que vinha do mato, bravio e homem de acção por natureza. É natural que não fosse alinhar pelo pensamento mais conservador da época. Dir-se-á: `isto é um pensamento que depois, ao longo da sua vida, se manteve, foi sempre um homem de intervenção directa` Não, não foi. A vida dele prova-o"
Há que perceber que mesmo com um espírito revolucionário, uma coisa é participar em acções de propaganda, manifestações ou confrontos com a polícia, mesmo que isso implique a detenção. Outra completamente diferente é ser cúmplice sapiente de um Regicídio, para mais de um Rei, e do seu filho, D. Luís Filipe, que estavam longe, bem longe, de ser uns tiranos. E se João Franco, Sidónio e Salazar governaram, à sua maneira, ditatorialmente, a 1ª República não teve melhor desempenho, com a agravante de ter deliberadamente levado Portugal para uma guerra terrível se ter feito passar candidamente por um regime liberal.
Como as razões para a transladação do escritor são também políticas, como provam as alusões ao seu combate "pela República e pela liberdade", não posso, como monárquico, concordar com ela.
domingo, setembro 16, 2007
Frente à Nova Zelândia
Passando a outros desportos, os Lobos continuam a sua dura prova em terras francesas. Depois da Escócia, a fortíssima e intimidante Nova Zelândia e os seus rituais maoris. Apesar da dura derrota, por 108-13, os jogadores lusos venderam-na cara e lutaram com galhardia. Fizeram guarda de honra aos neozelandeses, mostrando o seu espírito desportivo. E voltaram a cantar o Hino como se não houvesse amanhã.
O confronto entre a Haka dos neozelandeses e A Portuguesa é algo de emocionante e vale a pena ser visto.
Já agora, pensei que o confronto entre os homens da Oceania e a Escócia começasse assim. Mas os escoceses foram menos institucionais (em relação a si próprios, claro) e apresentaram-se de forma mais vulgar, frustrando todos os que esperariam uma atiude mais guerreira da sua parte.
quinta-feira, setembro 13, 2007
Cenas de estalo
Ao ver a cena de estalo no fim do Portugal-Sérvia, depois de uma exibição pífia que deu no temido empate, não tinha ideia do que é que poderia ter começado a zaragata, posto que estava a ver o jogo do lado do banco e perto da cabeceira. Só depois é que me disseram que Scolari tinha aplicado uma murraça num jogador sérvio, supostamente para defender um seu jogador, não percebi se Quaresma se Petit. Feia acção, que não só nos poderá penalizar (e ao treinador) no futuro como nos envergonha mais, como continuação das cenas no fim do Euro 2000, Mundial 2002, naquela noite de destruição de balneários em França pelos "esperanças" e um bocadinho do Mundial 2006, em que a Holanda teve a parte de leão.
Curiosamente, a meio do jogo lembrei-me de uma cena que tinha revisto na véspera, no filme A Vida é um Milagre, de Emir Kusturica, em que um jogo de futebol entre muçulmanos bósnios e sérvios da Bósnia acaba em pancadaria, da qual não escapam sequer os postes da baliza. Mal imaginava que aquele jogo entre selecções principais dos respectivos países iria terminar de forma parecida. Ao que parece, o defesa Dragutinovic, o objecto do murro, já tem um percurso acidentado. E aqui há uns anos, um jogo entre o Braga e o Estrela Vermelha de Belgrado acabou também em confusão, envolvendo o actual guarda-redes do Sporting. Será que os epílogos dos jogos com sérvios têm sempre porrada à mistura?
terça-feira, setembro 11, 2007
O imbróglio McCann
Quatro meses volvidos, e quando já se pensava que os Media estavam enfim a levantar o acampamento para pregar noutra freguesia, eis que se dá a reviravolta no caso Madeleine McCann. As suspeitas sobre a morte da menina e a possível culpabilidade dos pais trouxeram de novo esta enigmática história para a ribalta e despertaram as mais díspares imaginações.
Quatro meses volvidos, e quando já se pensava que os Media estavam enfim a levantar o acampamento para pregar noutra freguesia, eis que se dá a reviravolta no caso Madeleine McCann. As suspeitas sobre a morte da menina e a possível culpabilidade dos pais trouxeram de novo esta enigmática história para a ribalta e despertaram as mais díspares imaginações.
Devo dizer que nunca estive grandemente interessado em toda esta história, apesar de todo o arraial de jornalistas, directos, informações, contra-informações e "biografias" da família. Um desaparecimento de uma criança é algo terrível, mas que infelizmente não é tão invulgar como devia ser, talvez por causa da sociedade excessivamente informada que temos. Por variadas razões, o caso tomou dimensões globais, os noticiários fizeram reportagens e "especiais" de quase uma hora, na maioria das vezes com palha. Espalharam-se cartazes por tudo quanto é aeroporto e serviço de transportes. Tudo isto farta uma pessoa até À medula, mas o que é certo é que o caso alimenta a comunicação social de todo o mundo. Num destes dias, passei por uma banca com abundante imprensa internacional: a maior parte dos títulos dizia respeito às suspeitas que recaíam nos pais da miúda, com grandes fotografias e títulos bombásticos.
Esta suspeita, que para já, e para a "opinião pública", não passa disso mesmo, se se confirmar, terá consequências graves. Não apenas por causa do eventual logro, que envolveria uma campanha a nível mundial, rezas e missas, uma enorme operação de investigação, visitas ao Papa e a um conjunto de capitais europeias, etc. Tornar-se-á também na evidência, apreendida em público, de que algumas crianças nem com os pais, que deviam ser o último reduto de protecção, estão em segurança, e que há gente que tudo faz para encobrir as suas responsabilidades, nem que para isso tenha de enganar todo o planeta. Instalaria um clima de suspeita e desconfiança colectivo e global. e desvalorizaria outros desparecimentos de crianças, casos de maus tratos e pedofilia.
Tenho a maior pena pelos pais que de algum modo perdem os seus filhos; deve ser a coisa mais dolorosa e anti-natural que imaginar se possa. Mas neste caso, e por todas as razões, espero sinceramente que os culpados do desaparecimento de Madeleine, morta ou viva, sejam outros que não os seus próprios progenitores.
sábado, setembro 08, 2007
Luciano Pavarotti 1936-2007
O Tenor. O Caruso do seu tempo. A inconfundível enorme figura bojuda, com a sua barba, objecto de caricaturas até mais não. Intérprete de inúmeras obras, como o Turandot, tornou-se um ícone pop, com os seus Pavarotti ´s and Friends, levou a ópera às massas, tornou-se o elo de ligação entre o Bel Canto e a música ligeira. Era o mais conhecido dos Três Tenores, trio com Plácido Domingo e José Carreras. Desapareceu agora na sua cidade de Modena, onde nasceu, e onde cresceu entre o canto, o futebol e a cozinha, tão amados pelos italianos. Fica, como homenagem possível, a sua actuação no Royal Albert Hall, em 1982, onde interpretou, como em tantas e tantas outras ocasiões, a ária final de Turandot, Nessun Dorma.
O Tenor. O Caruso do seu tempo. A inconfundível enorme figura bojuda, com a sua barba, objecto de caricaturas até mais não. Intérprete de inúmeras obras, como o Turandot, tornou-se um ícone pop, com os seus Pavarotti ´s and Friends, levou a ópera às massas, tornou-se o elo de ligação entre o Bel Canto e a música ligeira. Era o mais conhecido dos Três Tenores, trio com Plácido Domingo e José Carreras. Desapareceu agora na sua cidade de Modena, onde nasceu, e onde cresceu entre o canto, o futebol e a cozinha, tão amados pelos italianos. Fica, como homenagem possível, a sua actuação no Royal Albert Hall, em 1982, onde interpretou, como em tantas e tantas outras ocasiões, a ária final de Turandot, Nessun Dorma.
Benfica desta época: atribulações e esperanças
Desde Julho que a equipa de futebol do Benfica tem sofrido mudanças bruscas no seu rumo. a coisa até começou bem, com a venda de alguns jogadores a mais, como Carlitos, Beto, Manduca ou Amoreirinha. Mas as saídas de Micolli e Karagounis foram bem menos positivas. A notícia da ida de Simão para o Atlético de Madrid apanhou todos (mais ou menos) desprevenidos. Os vinte milhões e tal eram generosos, mas a despedida do capitão e melhor jogador dos últimos seis anos é sempre dolorosa, sobretudo se sair para um clube menor. Mas a coisa ultrapassava-se, e rematou-se logo com a compra de Di Maria + Diaz e da promessa Freddy Adu. Os jogos da pré-época não eram grande coisa, mas com tempo e preparação ia ao sítio.
O problema é que na véspera do jogo da pré-eliminatória para a Liga dos Campeões, com o Copenhaga, Manuel Fernandes, um dos grandes "reforços" e jogador vital para o meio-campo benfiquista, bateu com a porta, deixando a equipa coxa e obrigando Rui Costa a marcar dois golos de raiva contra os dinamarqueses.
Com lesões à mistura, a afectarem o carenciado sector da defesa, o Benfica começou o campeonato com um empate frente ao Leixões, no último minuto, que parece ser sina de Fernando Santos. Dois dias bastaram para que o técnico, já sem a protecção de Veiga, fosse exonerado de funções e substituído pelo regressado Camacho, que desde a saída em 2004 tinha deixado um certo sentimento sebastianista nos adeptos.
Claro que os métodos e as estratégias de jogo variam consoante os técnicos, e o espanhol começou com um empate frente ao Guimarães, na Luz. Mas a vitória em Copenhaga, num misto de sorte, espírito de sacrifício e incompetência dos avançados dinamarqueses, catapultou o Benfica para a liga milionária, e devolveu o optimismo, acentuado com o expressivo triunfo por 3-0 em casa do Nacional.
Com a paragem por causa da Selecção, é tempo de recuperar os lesionados e de fazer descansar os esgotados. E de pensar. Com tantos reforços, entre o avançado "Tacuara" Cardozo, os novos uruguaios , Zoro, Butt, Bergessio, etc, conseguirá o Benfica montar uma equipa sólida e vencedora e chegar ao título? Com Camacho, apesar das limitações técnicas, tudo é possível. Há ainda a Taça de Portugal, a nova da Taça da Liga, e, claro, a Liga dos Campeões, onde vamos enfrentar o campeão Milan, nossa bête noire nestas andanças, o sempre "empata" Celtic, mais uma vez, e o Shaktar Donetsk, que gastou cerca de sessenta milhões de Euros (!) em contratações.
Espera-nos uma época complicada e incerta, causada pelas entradas e saídas de jogadores para lá do tempo devido, e pela mudança de treinador. Só agora é que a pré-época se acaba. Oxalá as lesões não se repitam e a coisa acabe bem.
sexta-feira, setembro 07, 2007
O sucesso da Air Race
E a corrida de aviões patrocinada pela Red Bull acabou mesmo por ser um sucesso: centenas de milhares de pessoas nas margens do rio, um tempo quente de Verão, uma competição vibrante entre os vários aviões que ziguezaguearam no Douro, e não houve qualquer acidente.
Como no sábado não estive no Porto, não pude ver a corrida propriamente dita in loco; mas na Sexta ainda vi as provas de qualificação, da rua da Restauração. As manobras arrojadas, os loops e a velocidade sobre a água, no cenário das margens do Douro entre pontes tinham uma beleza estética considerável. A prova em sim, se se não estivesse a par dos tempos realizados, acabava por se tornar um pouco monótona a partir de certa altura. Provavelmente teve-se uma melhor percepção da corrida através da televisão do que ao vivo.
Já tinha ouvido falar do evento aí por alturas da Páscoa, quando surgiu a meio de uma conversa sobre as corridas do circuito da Boavista. Estava previsto que os aviões passassem por baixo do arco da Ponte Luíz I, mas por razões de segurança, encurtaram os trajectos; não deixaria de ser um espectáculo notável se tivessem podido fazer isso, relembrando os tempos épicos da aeronáutica do entre-Guerras. De qualquer forma, parece-me que a Air Race terá tido mais sucesso e atraído mais gente do que as corridas de carros da Avenida, até pela sua dimensão mais megalómana, beleza estética e pelo efeito novidade. Para o ano, o impacto será menor. Ainda assim, esta ideia de pôr o Porto no mapa deste tipo de eventos é bastante louvável e trará certamente alguns dividendos em termos de visibilidade da cidade (e de Gaia, já agora). E o espectáculo valeu a pena!
Já agora, diz-se que as corridas de clássicos passarão a realizar-se não já na Boavista, mas em Vila Real. Já em Outubro regressarão ao velho cenário transmontano mais corridas de carros, mas com os atrasos nos preparativos e com as alterações feitas no circuito (rotundas, sentidos proibidos) não sei como vai ser.
sexta-feira, agosto 31, 2007
Obituário
Há já uma semana que morreu Eduardo Prado Coelho. Surpreendi-me bastante com esse desaparecimento, até porque a doença que o afectava não parecia letal (ainda que grave), apesar das sucessivas interrupções do seu artigo diário no Público e do ar patibular que tanto o modificou. Acabou no entanto por ser um ataque cardíaco o causador da sua morte.
Há já uma semana que morreu Eduardo Prado Coelho. Surpreendi-me bastante com esse desaparecimento, até porque a doença que o afectava não parecia letal (ainda que grave), apesar das sucessivas interrupções do seu artigo diário no Público e do ar patibular que tanto o modificou. Acabou no entanto por ser um ataque cardíaco o causador da sua morte.Eduardo Prado Coelho era o típico "intelectual de esquerda", a quem só faltava mesmo o cachimbo. Recordava frequentemente os anos de Paris e utilizava por vezes um jargão filosófico sobre as suas referências pouco acessível ao comum dos leitores. Mas andava frequentemente entre os comuns mortais, e fazia gala disso. Não raras vezes os seus artigos incidiam sobre as suas pequenas obsessões e prazeres: a qualidade das salas de cinema, os produtos de beleza, os pastéis de nata, o Sporting, as telenovelas, e muitas outras coisas. Ainda no último ano publicara um álbum, intitulado "Nacional e Transmissível", onde constavam outros elementos das suas vivências, como os cafés lisboetas.
Os seus artigos incidiam sobre uma panóplia de assuntos, sobretudo filosóficos e políticos. Nos últimos verificava-se uma enorme concordância com as políticas do actual governo, com algumas críticas pontuais, sendo o último Ai, Simplex imagem disso mesmo. Como quase sempre,. EPC teve sempre esse oportunismo político, desde a sua ligação ao PC, passando pelo apego ao cavaquismo, e até aí se notava o seu cunho de intelectual afrancesado, qual Jacques Lang sem poder.
Que me lembre, vi-o só uma vez, numa série de conferências na Bolsa. Apesar de alguma irrritação que certos artigos do "Almôndega" (assim era conhecido nos tempos de faculdade) me provocavam, outros havia que eram imperdíveis. Admira-me aliás o imenso coro de homenagens que lhe fazem agora. Sempre o vi como um homem criticado por tudo e todos, de forma exagerada e por vezes maldosa, principalmente pelo seu francesismo, que como se sabe não está na moda, e caricaturado como o representante intelectual Rive Gauche em Portugal. Mas já se sabe que a morte produz milagres de opinião e honrarias. Assim, serei obrigado a concluír com o que outros disseram: deixa inequivocamente um lugar vago na cultura e na opinião portuguesa; e sim, fará muita falta ao panorama intelectual e jornalístico. Jamais reabriremos o Público sem nos lembrarmos do omnipresente O Fio do Horizonte. Um espaço em branco não apenas presumido, mas bem visível.
Já agora, assinale-se também outro desaparecimento de outro homem da cultura, mas da pop, e de Manchester: Tony Wilson, mentor dos Joy Division, New Order, Happy Mondays, da Haçienda e da Factory, e amigo de Miguel Esteves Cardoso. Conheci-o, como muita gente, no filme 24 Hours Party People. Um belo documento, aliás, para quem quiser conhecer a sua obra entre os anos 70 e 80, o urbano depressivismo e a loucura da Rave e do Madchester.
quarta-feira, agosto 29, 2007
O piroso nome escolhido pelos anarco-eco-pantomineiros mais mediáticos do momento, Verde Eufémia, podia muito bem dar o mote para outras inspirações. O PSD mais saudoso de Manuela Ferreira Leite, por exemplo, nesta luta de galos entre Mendes e Menezes, podia lançar o Laranja Ferreira. Os conservadores-liberais portugueses, sem grandes tradições femininas no nosso país, sempre podiam criar o Blue Thatcher; os comunistas, perdida a referência de Catarina de Baleizão, avançariam com a Rubra Odete (ou Ilda, apesar da cacofonia); e o PS, como forma de atraír os votos da comunidade emigrante, faria uma gracinha e criaria a sua secção Rosa Luxemburgo. Tais inspirações femininas coloririam a vida política portuguesa e sempre se podia dizer que os tais Verde Eufémia serviriam, afinal de contas, para qualquer coisa.
terça-feira, agosto 28, 2007
Ponte da Barca
A par das grandiosas festas da Senhora da Agonia, há inúmeras comemorações por esse país fora, em especial no Minho. No dia dos meus anos, comemora-se o São Bartolomeu. Ponte da Barca homenageia o Santo com festividades que ainda conservam a genuinidade e a tradição que quase desapareceram das descaracterizadas Feiras Novas de Ponte de Lima, onde a vodka e a dance-chunga substituíram as concertinas e o vinho verde. Claro que tem as suas fases de pimbalhada, e correm abundantemente as mais diferentes bebidas. Mas as rusgas não param, dança-se incessantemente a chula e a cana verde, ouvem-se bombos, concertinas e castanholas sem fim, improvisam-se desgarradas, e não faltam as barracas de tiros e os carrinhos de choque. Numa pequena vila já do "interior", a quarenta quilómetros a Oeste de Viana, a festa dura até às tantas e só cessa com o sol bem alto, lá pelas dez da manhã. A visitar, mas com calma e moderação, não vão as hordas de multidão transformá-las numa cópia das Feiras Novas dos tempos modernos. Para conservar Ponte da Barca "sempre formosa e contente", como dizia a música que se ouvia de dez em dez minutos.
A par das grandiosas festas da Senhora da Agonia, há inúmeras comemorações por esse país fora, em especial no Minho. No dia dos meus anos, comemora-se o São Bartolomeu. Ponte da Barca homenageia o Santo com festividades que ainda conservam a genuinidade e a tradição que quase desapareceram das descaracterizadas Feiras Novas de Ponte de Lima, onde a vodka e a dance-chunga substituíram as concertinas e o vinho verde. Claro que tem as suas fases de pimbalhada, e correm abundantemente as mais diferentes bebidas. Mas as rusgas não param, dança-se incessantemente a chula e a cana verde, ouvem-se bombos, concertinas e castanholas sem fim, improvisam-se desgarradas, e não faltam as barracas de tiros e os carrinhos de choque. Numa pequena vila já do "interior", a quarenta quilómetros a Oeste de Viana, a festa dura até às tantas e só cessa com o sol bem alto, lá pelas dez da manhã. A visitar, mas com calma e moderação, não vão as hordas de multidão transformá-las numa cópia das Feiras Novas dos tempos modernos. Para conservar Ponte da Barca "sempre formosa e contente", como dizia a música que se ouvia de dez em dez minutos.terça-feira, agosto 21, 2007
Guevara nas festas da Senhora da Agonia
Na procissão dos mares da Senhora da Agonia, em Viana, mais do que um tipo com a t-shirt de Che Guevara se perfilava em respeito ante a passagem do andor da "festejada", em cima de um barco, com acompanhamento a rigor que tinha de rebocadores a jet-skis. Casos em que o materialismo acaba por ceder à devoção, mesmo que de forma inconsciente.
Na procissão dos mares da Senhora da Agonia, em Viana, mais do que um tipo com a t-shirt de Che Guevara se perfilava em respeito ante a passagem do andor da "festejada", em cima de um barco, com acompanhamento a rigor que tinha de rebocadores a jet-skis. Casos em que o materialismo acaba por ceder à devoção, mesmo que de forma inconsciente.
quarta-feira, agosto 15, 2007
A longa espera da Matriz de Caminha
Bom exemplo do nosso atraso nas obras de restauração do nosso património é o da Matriz de Caminha. O cartaz de licenciamento das obras anuncia um prazo de quatrocentos e vinte dias, os custos totais e os inevitáveis contributos do FEDER. Pois já lá vão mais de 4 anos, e a Matriz sempre sem abrir. Desconfia-se que os orçamentos foram igualmente ultrapassados. Continuam-se a ver andaimes sobre a muralha e tapumes a camuflar as ruínas da casa onde nasceu Sidónio Pais, se bem que com uma interessante biografia e ilustrações como decoração.Não deixa de ser sintomático tamanho atraso, e muito estranho o facto de uma vila ficar sem a sua igreja principal utilizável durante tanto tempo, para mais Monumento Nacional, dos mais conhecidos da região. Vale o tecido urbano envolvente, as ruelas estreitas e longilíneas, a biblioteca, antiga prisão com condições pavorosas onde os presos estendiam as mãos por entre as grades, pedindo esmolas, agora bem recuperada e apetrechada, os pequenos largos, as capelinhas, a muralha, e a longa rua direita, com os seus numerosos bares, que se estende desde a Alfândega até à quatrocentista torre do Relógio, desaguando depois na bonita e arranjada Praça do Terreiro, ou do Conselheiro Silva Torres, com as suas esplanadas rodeando o chafariz.
Cem anos de Miguel Torga


Cem anos de Torga, comemorados na Segunda. Bem lembrados, excepto pela lamentável ausência de membros do governo nas comemorações oficiais, em Coimbra. Tanta preocupação com o conhecimento tecnológico e científico, com as línguas e a informática, e desdenham assim da efeméride consagrada a um dos maiores prosadores portugueses (mais do que poeta) do último século.
Outro erro grave: no meio do noticiário da RTP, em directo do Douro, com flashes em S. Martinho de Anta e Coimbra, a repórter que tinha por trás de si a curva impressionante do rio que rasga Trás-os-Montes lembra-se desta pérola: "vamos agora a Coimbra, cidade onde nasceu e viveu Miguel Torga..." Nem com um ponto para a ajudar - a outra repórter em S. Martinho - a senhora percebeu que Torga não era natural da Lusa Atenas.
Mas pelo menos a data não ficou esquecida. Nem em Coimbra, ao lado da paragem de romarias que era o antigo consultório do Dr. Adolfo Correia da Rocha, no Largo da Portagem, sob o Governo Civil; nem em S. Martinho, no largo da aldeia, junto ao busto do autor dos Diários, perto da singela casinha com portadas azuis onde ele nasceu; houve mesmo um monólogo do actor José Pinto, cujas semelhanças com o médico são notórias, sobre a paisagem mágica do Douro. Pena que não fosse (pelo menos não me pareceu) no promontório de S. Leonardo de Galafura, que tanto inspirou Torga, o seu amor telúrico pela velha terra transmontana e o seu fascínio pela paisagem duriense, e que ainda exibe os seus versos numa lápide da ermida que ali se encontra.
Conhecendo superficialmente a sua poesia, e daí a preferência pela prosa, tendo visto alguns dos Diários de forma pouco cronológica e metódica, fui tocado quando era pequeno pelos seus Bichos, Contos da Montanha e Rua. A simplicidade da prosa, aliada a velha linguagem, pouco usada mas clara, ligada a situações e personagens bem portuguesas, e particularmente transmontanas despertou-me para mais leituras do autor. Algumas são autênticas lições de vida, com muito de autobiográfico pelo meio. E já que é do seu centenário que tratamos, relembro o comovente conto Natal, dos Novos Contos da Montanha, em que um mendigo, o Garrinchas, se abriga pela gelada e santa noite numa ermida, convidando a estátua da Virgem com o Menino ao colo para o acompanharem na sua parca ceia, à volta da fogueira. Pois essa emida não é outra senão a da Senhora da Azinheira, no alto de um monte desolado, com vegetação rasteira e rochas, uma fabulosa vista sobre a região circundante, até ao douro, e sobranceira a S. Martinho da Anta, a terra do escritor. Mesmo com toda a notoriedade que alcançou, Torga não esqueceu nunca de onde vinha nem quem era.
sexta-feira, agosto 10, 2007
Schuster e o Princípio de Peter
O Belenenses perdeu com o Real Madrid por 1-0, no torneio Teresa Herrera. Tendo em conta a diferença de meios económicos e humanos entre o clube da Cruz de Cristo e o colosso espanhol - apenas o maior clube do mundo - o resultado parece ser lisonjeiro. Acontece que o golo surgiu no último minuto, por via de um peru monumental do guarda-redes Marco. No resto do jogo, o Belém teve as melhores oportunidades, falhando algumas com uma displicência arrepiante.
Ocorreu-me isto depois de ouvir as palavras de novo treinador madridista, Bernd Schuster: segundo o técnico alemão, o Belenenses limitou-se a defender, a fazer um ou outro contra-ataque, e o Real facilmente poderia ter resolvido o jogo, se tivesse querido.
Compreende-se: Schuster, muito bom jogador nos anos oitenta, tinha, e parece que ainda tem, uma falta de estofo psicológico incrível. Quando o Barcelona, onde jogou, perdeu a final da Taça dos Campeões em Sevilha, em 1986, contra o Steaua de Bucareste, teve um trauma tal que nunca mais jogou da mesma forma. Agora, depois de ter treinado o Getafe, acaba de ser contratado pelo Real para ser técnico principal, em lugar de Fabio Capello, que até se sagrou campeão. Colocar este tipo irritante, que usa desculpas esfarrapadas para justificar os maus resultados da equipa, como treinador do Real Madrid, em substituição de um dos melhores do mundo, para mais campeão, mau grado os seus caprichos e resmungos, é um tiro no pé como raramente se vê. Infelizmente não dou nada pelo Real do próximo ano. Mas pelo menos haverá a suprema possibilidade de se ver o Princípio de Peter magnamente aplicado.
O Belenenses perdeu com o Real Madrid por 1-0, no torneio Teresa Herrera. Tendo em conta a diferença de meios económicos e humanos entre o clube da Cruz de Cristo e o colosso espanhol - apenas o maior clube do mundo - o resultado parece ser lisonjeiro. Acontece que o golo surgiu no último minuto, por via de um peru monumental do guarda-redes Marco. No resto do jogo, o Belém teve as melhores oportunidades, falhando algumas com uma displicência arrepiante.
Ocorreu-me isto depois de ouvir as palavras de novo treinador madridista, Bernd Schuster: segundo o técnico alemão, o Belenenses limitou-se a defender, a fazer um ou outro contra-ataque, e o Real facilmente poderia ter resolvido o jogo, se tivesse querido.
Compreende-se: Schuster, muito bom jogador nos anos oitenta, tinha, e parece que ainda tem, uma falta de estofo psicológico incrível. Quando o Barcelona, onde jogou, perdeu a final da Taça dos Campeões em Sevilha, em 1986, contra o Steaua de Bucareste, teve um trauma tal que nunca mais jogou da mesma forma. Agora, depois de ter treinado o Getafe, acaba de ser contratado pelo Real para ser técnico principal, em lugar de Fabio Capello, que até se sagrou campeão. Colocar este tipo irritante, que usa desculpas esfarrapadas para justificar os maus resultados da equipa, como treinador do Real Madrid, em substituição de um dos melhores do mundo, para mais campeão, mau grado os seus caprichos e resmungos, é um tiro no pé como raramente se vê. Infelizmente não dou nada pelo Real do próximo ano. Mas pelo menos haverá a suprema possibilidade de se ver o Princípio de Peter magnamente aplicado.
domingo, agosto 05, 2007
Chamem-me inimigo da liberdade
E para os interessados, também achei ridículas as caricaturas de Maomé naquele jornal dinamarquês. Não as reacções com incitamentos à morte, nem às pilhagens subsequentes; mas os ofendidos podem sempre recorrer aos meios judiciais. Há muito que assim é, mas parece que a admiração vem de agora. Como se a liberdade de expressão não violasse igualmente outros valores tutelados pelo direito; é essa a máxima prova de que não é ilimitada e absoluta.
Chamem-me de "inimigo da liberdade" ou qualquer coisa parecida. Mas para mim, aquelas caricaturas obscenas dos Príncipes das Astúrias ultrapassaram um limite para além do suportável. Não sei se a apreensão das publicações terá sido a melhor das ideias, mas uma coisa daquelas não podia ficar impune. Não acho que a liberdade de expressão tenha de ser ilimitada, já que mais nenhuma o é. E por mais figura pública que seja, e possa ser alvo de críticas e de sátiras, os Príncipes representam a Coroa e merecem um mínimo de respeito, coisa que não sucedeu neste episódio. Acresce que se fizessem o mesmo ao editor ou director da tal revista Jueves, alguém se indignaria se pusesse os autores da graça em tribunal?
E para os interessados, também achei ridículas as caricaturas de Maomé naquele jornal dinamarquês. Não as reacções com incitamentos à morte, nem às pilhagens subsequentes; mas os ofendidos podem sempre recorrer aos meios judiciais. Há muito que assim é, mas parece que a admiração vem de agora. Como se a liberdade de expressão não violasse igualmente outros valores tutelados pelo direito; é essa a máxima prova de que não é ilimitada e absoluta.
Aliás, ainda há bem pouco tempo, uma instância judicial condenou o colunista Augusto M. Seabra por ter chamado "energúmeno" a Rui Rio. Não houve qualquer protesto de "limitação de liberdade" nem reacção de indignação a esta sentença, e no entanto, perante os termos em causa, fica-se com a sensação de que esta pecou por excesso.
Claro que não defendo a prisão para os que se divertem a achincalhar os outros na praçapública. simplesmente, se tomarmos a livre expressão como um direito absolutíssimo, as consequências que daí adviriam seriam bem mais gravosas. Não creio mesmo que face a algumas situações concretas, ninguém aprovaria tal coisa.
Outro assunto que passou na comunicação social e atiçou comentários idênticos foi o caso da exoneração da direcora do Museu de Arte antiga. Parece que a senhor deixou trabalho de monta, com resultados visíveis. Não me custa a acreditar, até porque este ano passei por lá mais do que uma vez e gostei do que vi, como aquela exposição de arte medieval polaca. Parece no entanto que a mesma directora veio publicamente discordar das novas leis orgânicas do Governo, queixando-se da falta de autonomia finaceira do Museu e demonstrando as suas discordâncias face às opções governamentais. Tais atitudes valeram-lhe a demissão, o que levou a um abaixo-assinado solidário de várias figuras da vida cultural, e largas colunas de opinião queixando-se que tinha sido despedida por "exprimir apenas uma opinião diversa", da crescente falta de liberdade na Administração pública, no "clima estalinista", Etc. Ora como disse Vasco Pulido Valente num dos seus mais sensatos artigos desde há muito, o que estava em causa não era a liberdade de expressão da directora, mas sim os seus deveres perante a tutela e a obrigação de não desautorizar as hierarquias, como aconteceu quando resolveu ir para os jornais afrontá-las. O seu cargo implicava uma responsabilidade que implicava alguma contenção. Ao discordar do modelo oficial e exigir outro, coisa que não lhe cabia decidir, só se podia optar pela sua saída. Não se lhe impôs que aceitasse ideias diferentes das que tinha, mas uma vez que como directora das Janelas Verdes acatá-las-ia de má vontade, provocando algum mau-estar no seio do Ministério, forçosamente teria de seguir caminhos diferentes. Em qualque empresa aconteceria sempre algo de semlhante (e sim, isto aplica-se aos que acham que o Estado não pode intervir na cultura). É que "liberdade de opinião" não significa anarquia ou desobediência porque sim. Liberdade implica sempre responsabilidade pessoal, por muito que esta máxima esteja velha, gasta, e dê para qualquer ocasião.
Pêsames coincidentes
Por acaso já ocorreu um caso parecido com o dos dois realizadores desaparecidos nos últimos dias. Lembro-me de alguém, em inícios de 2003, desejar que Gregory Peck e Katharine Hepburn continuassem entre nós, para provar que eram realmente imortais. Pois em Junho desse ano morreram os dois, com 15 dias de intervalo. Não é a mesma coisa que acontecer tudo num dia, mas parece demonstrar que há épocas especiais de luto por grupos de personalidades, e raramente por uma só. Uma estranha escolha de épocas a dedo divino, é o que parece ser.
Por acaso já ocorreu um caso parecido com o dos dois realizadores desaparecidos nos últimos dias. Lembro-me de alguém, em inícios de 2003, desejar que Gregory Peck e Katharine Hepburn continuassem entre nós, para provar que eram realmente imortais. Pois em Junho desse ano morreram os dois, com 15 dias de intervalo. Não é a mesma coisa que acontecer tudo num dia, mas parece demonstrar que há épocas especiais de luto por grupos de personalidades, e raramente por uma só. Uma estranha escolha de épocas a dedo divino, é o que parece ser.
quarta-feira, agosto 01, 2007
Bergman e Antonioni
Será possível que dois dos maiores realizadores europeus de sempre desapareçam no mesmo dia, com 12 horas de diferença? Ao que parece, sim.
Não sei se existe um dia mundial do cinema, já que há de tudo o resto. Mas se não houver, proponho que a partir de agora seja a 30 de Julho, como justa homenagem a dois homens que desde anteontem se tornaram definitivamente mitos.
PS: apesar de tudo, reconheço que não vi mais do que dois filmes de cada um destes cineastas. Mas que importa isso?
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