sexta-feira, outubro 19, 2007

Paulo Autran 1922-2007


Paulo Autran morreu na semana passada. Só o soube, com surpresa, dias depois. Fico com a consolação de o ter encontrado uma vez e trocado algumas palavras, depois de uma actuação no Rivoli, para ver o grandioso actor brasileiro que tinha como referência Lawrence Olivier, interpretou quase todos os clássicos dos palcos e que antes de ser actor teve uma curta e aborrecida carreira como advogado. E que atravessou o nosso país de lés e lés, várias vezes.

Ficam então duas cenas memoráveis da telenovela A Guerra dos Sexos, um género que ele pouco apreciava mas que o tornou tão conhecido deste lado do Atlântico.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Vozes que não chegam aos céus

A trupe dos ateus dedicou posts e posts ao 13 de Outubro em Fátima, com calorosas referências ao "estado totalitário do Vaticano", ao "inquisidor Ratzinger", à "farsa com 90 anos" e aos "tolos" que se deixam levar pelo "obscurantismo". Naturalíssimo: afinal, quando as comemorações do dia que prometia "acabar com os católicos em quatro gerações" são assistidas por meia dúzia de gatos pingados e as de Fátima atraem cada vez mais gente, na ordem das centenas de milhar, é compreensível que trepem pelas paredes e escrevam disparates blogoesféricos para aliviar a amargura. Hoje em dia já não é assim tão fácil sovar padres e outros "mariolas", ou prender e expulsar jesuítas. Podiam tentar fazer concorrência com o seu ídolo favorito, a Mariana Portuguesa, mas desconfio que a moçoila (ou nem tanto, porque 98 anos deixam marcas) não moveria nenhum dos seus atributos corporais para realizar qualquer milagre.

sexta-feira, outubro 12, 2007

O regresso do circuito


Quem conhece bem Vila Real sabe que as principais "instituições" da cidade estão na sua maioria na Avenida Carvalho Araújo, ou nas ruas adjacentes. Ao alto da Avenida está o tribunal; cá em baixo, no lado oposto, a câmara municipal, antigo solar do Séc. XVIII. À esquerda da câmara, o liceu Camilo. A meio, a Sé, e ao lado o antigo convento de S. Domingos, restaurado e aproveitado como Conservatório Regional. Em frente, a Gomes, o mais conhecido e reputado café da cidade, célebre pelos seus covilhetes. entre a câmara e a Sé, a casa onde nasceu Diogo Cão, e entre o conservatório e o tribunal, o seminário maior. Entre a Gomes e o tribunal, o antigo Palácio dos Marqueses de Vila Real, casa do Séc. XVI, agora posto de turismo. Nas ruas traseiras, compondo o miolo tradicional, várias igrejas, em especial a Capela Nova, obra de Nasoni e um dos símbolos da cidade, o antigo café Excelsior, a "Casa dos Brocas", da família de Camilo e referida no Amor de Perdição, e a Casa Lapão, que produz as conhecidas cristas de galo. Mais acima, junto ao Pioledo, a Igreja do Calvário, acima do antigo campo pelado de futebol do SC Vila Real, e abaixo deste o Jardim da Carreira, o passeio público da cidade. Nos arredores fica o grande ex-líbris da cidade e da região: o Palácio de Mateus.


Claro que os tempos mudam, aparecem outras novidades que acabam por se institucionalizar e estabelecer-se como elementos representativos de uma dada comunidade. Em Vila Real, o teatro municipal, do lado de lá do rio, impôs-se como referência cultural na região, com espectáculos lotados e grande afluência de público. Em frente, o novo shopping mudou os padrões de consumo e apresenta uma estética bem melhor do que a maioria das grandes "superfícies comerciais", com uma frente envidraçada de onde se pode ver a união entre o Marão e o Alvão.

Acontece que estes novos edifícios acompanharam também as modificações no circuito da cidade, com novas rotundas, sentidos, semáforos e regras para a circulação, que desvirtuaram o velho percurso que durante mais de cinquenta anos foi o cenário das corridas de Vila Real. O circuito começava perto das margens do Corgo, num local onde ainda são visíveis bancadas de pedra e em que lamentavelmente se perdeu a vista do rio por causa das hediondas construções em altura, seguia em direcção ao cruzamento frente ao quartel e daí para a Timpeira, onde curvava antes da primeira ponte. Seguiam-se as curvas em Abambres e a subida para Mateus, de onde se inflectia de novo para a cidade, passando junto à Araucária, atravessando a ponte metálica sobre o Corgo e fazendo a "curva da salsicharia", antes da meta.

 

As corridas datam já de 1931, mas o circuito só adquiriu o formato conhecido alguns anos depois. Os financiamentos provinham da câmara municipal, do ACP, da Comissão de Turismo da Serra do Marão e do próprio preço dos bilhetes. Por ali passaram Vasco Sameiro, os irmãos Oliveira, Stirling Moss, o conde de Monte Real, Nicha Cabral, etc. Humberto II, o último Rei de Itália, esteve na corrida em 1951 para apoiar os pilotos italianos em competição. O público acorria em magote, fazendo a chatíssima estrada do Marão, ou de comboio, pela linha do Corgo, que serpenteia entre o douro vinhateiro. As corridas mantiveram-se em alta até aos anos setenta, quando começou o seu declínio, que levaria à suspensão em 91.

A travessia da ponte metálica(colecção Manuel Taboada)

Só me recordo das provas dos anos oitenta, apenas com corredores nacionais. Encarrapitado nos muros de pedra da Timpeira, sob o sol de Julho, via em baixo os carros a fazerem as curvas com roncos calorosas e velocidades assustadoras. O circuito era ainda o original, ainda não havia IP-4 e a linha do Corgo seguia até Chaves.

Nestes últimos 15/20 anos, muita coisa mudou. O IP-4 construíu-se (e já está obsoleta), os comboios até à "bila" rareiam, o SC Vila Real joga no Monte da Forca, a UTAD e os estudantes entraram nos hábitos da região, a cidade alargou muito a sua dimensão, por vezes da pior forma, e o circuito tornou-se impraticável para corridas da lado da cidade.

Mas as competições regressaram no último fim-de-semana, com novo figurino e um percurso mais curto, entre a ponte da Timpeira e a rotunda que vira para a ponte metálica. Estive lá, nesses dias de fim de semana prolongado, mas pouco vi das corridas, excepto meia dúzia de bólides e outros tantos clássicos a passar. Ainda assim, gostei de ver uma quantidade de gente interessada, e de novo o entusiasmo pelo circuito, ainda que cortado a meio. E bem lembrada a homenagem a Manuel Fernandes, antiga glória das corridas, que nunca cheguei a conhecer, embora tivéssemos parentes comuns, e que morreu há dois anos com um tumor cerebral. Embora para muitos também se devesse homenagear Sidónio Cabanelas, outros dos "heróis" das corridas, assassinado há uns vinte anos por uma encomenda-bomba nos seus escritórios da actual Rodonorte.
Para o ano voltam à cidade, e parece que também o grande prémio do circuito da Boavista (o grande rival urbano do de Vila Real) irá para Vila Real. Alvíssaras! Há instituições que reaparecem, mesmo que mutiladas.
Sobre o assunto, ver também isto, isto, isto e isto também, com uma vénia aos autores.
E se...

E se, à imagem de alguns catalães, um grupo de estudantes anti-republicanos decidisse queimar a efígie da república e uma bandeira verde-rubra (sem mais nada), além de enforcar um boneco com motivos de 1910 (pós 5 de Outubro)? Quais seriam as reacções, penas aplicadas e discussões relativas ao tema?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Discussões à volta do Che


Quarenta anos depois da sua morte, é por demais óbvio que Ernesto Guevara não era nenhum santo, excepto para fanáticos e utópicos. Derramou sangue em nome do seu combate total contra o "imperialismo", em especial na Revolução Cubana. Mas compará-lo a um Mao, um Pol Pot a um Hitler, como faz a Atlântico deste mês, parece-me um sumo exagero. Se é certo que o seu lado idealista e combativo foi demasiado realçado por razões políticas e culturais, é bom que não caiamos também no oposto: a diabolização absoluta de um homem com seu quê de alucinado. Nos anos sessenta, um tipo assim, morto aos quarenta anos, só se poderia tornar num ícone. Ironia das ironias, acabou também por tranformar-se num rentabilíssimo produto de marketing, provando que não só o capitalismo está bem mais vivo que o comunismo, mas também que pode aproveitá-lo cinicamente para abrir novos caminhos.

A ver também este artigo de Rui Bebiano

quinta-feira, outubro 04, 2007

Desconsolo

Decididamente, ir ao futebol este ano tem sido uma pura perda de tempo. E que futebol nem vê-lo, resultados ainda menos, e golos, só mesmo dos adversários. Que aplicaram bem o dinheiro, como se vê. Mas apesar de tudo, parece-me que uma bola na barra, outra que o adversário dominou com a mão na sua área e boas defesas do guarda-redes contrário justificavam um golo. o problema é que do outro lado também criaram muitas oportunidades de golo.

Imagino, já agora, o que diriam os responsáveis sportinguistas se tivessem sido objecto de uma arbitragem tão má como a que castigou o Benfica no seu jogo contra o Shaktar.
E as "bases" cumpriram

Sobre a eleição de Filipe Menezes para líder do PSD estou para escrever desde sexta de madrugada, quando vi os resultados. Não vou dizer que já esperava, como gostam de afirmar muitos comentadores depois dos factos acontecerem. Julgava que apesar de tudo, Mendes triunfaria à rasca, mas ficaria no lugar. Afinal, as "bases" apostaram no autarca de Gaia, e até por larga maioria.
E agora, perguntam muitos, com as mãos na cabela? Agora temos alguém cujo pecado que mais detesta é o da coerência, que muda de discurso conforme os ventos e a disposição, que tem uma velha rivalidade, agora camuflada, com Rui Rio e que até já chorou na televisão. Alguém quem Miguel Sousa Tavares, há já vários anos, quando Menezes usava barba e era líder da distrital do Porto, chamou "O nosso Pacheco", numa alusão à queirosiana figura d ´A Correspondência de Fradique Mendes. O homem tem cumprido de forma satisfatória na margem Sul, é certo. Mas líder do principal partido da oposição, frente a uma governo sustentado por uma maioria absoluta? As suas ideias são algo vagas e arrevezadas, ora sustentando-se em políticas sociais, ora defendendo uma economia mais liberal (uma dualidade paradoxal que prova, afinal de contas, que ele é um PSD dos sete costados). Fora do partido, deixa muita desconfiança. E a inimizade da maioria dos "notáveis" também é uma dificuldade a não desprezar.
Apesar de tudo, acho que a coisa, do lado da oposição, vai ficar mais animada, para mais se Santana lopes, o ex-menino -guerreiro repromovido a grande estadista por causa de uma atitude mais nobre num noticiário, ocupar o lugar de líder parlamentar, como insistentemente se tem falado. Com Portas no CDS, a sonolenta AR terá mais motivos para acordar.
De qualquer maneira, não sei se Menezes terá assim tanta pedalada para liderar o partido, e se se terá apercebido da encrenca em que se meteu. Com Gaia pelo meio e os "barões" atrás, não vai ser nada fácil. o que eu sei é que não é motivo para terrores ou cenários apocalípticos, muito menos para encerrar o blogue. Estou como Francisco José Viegas: apesar de tudo, dá um certo gozo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Piadinha de gosto duvidoso

Uma excelente marca paramelhorar radicalmente o ordenamento urbano em Portugal.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Jardins e jardins
Sempre gostava de saber porque é que um partido que defende isto acolhe movimentos com membros que praticam aquilo. Ou há jardins merecem ser preservados e outros achincalhados? Não me vão dizer que é siples coincidência o facto de terem colocado suásticas em campas judaicas, pois não?
A obsessão de Vital Moreira

A propósito de uma benzedura de José Sócrates, Vital Moreira voltou a falar no assunto que lhe ocupa 80% das suas colunas de opinião: a defesa da "laicidade" do Estado, ou a capa do seu anti-clericalismo e anti-cristianismo mal disfarçado. As referências ao "país religiosamente plural" mostram que não percebeu, ou finge não perceber, que o país é cultural, religiosa e socialmente católico, e que a sua vontade era eliminar todos esses traços. E quando diz que "a exibição de símbolos de identificação religiosa, em hospitais, prisões e outras instituições, não constitui somente uma violação do princípio da separação mas também, e sobretudo, uma falta de respeito para com os outros crentes de outras religiões e os não-crentes" está nitidamente a criar uma proibição onde ela não existe nem na Constituição (de que certamente julga ser intérprete único) nem na Concordata. A Separação entre a Igreja e o Estado não obriga as entidades públicas a realizarem os seus actos hostilizando as confissões religiosas, mas apenas não deixando que os seus actos não sofram a sua interferência. E veja-se o grotesco que é proibir a um doente ou a um preso de levar um crucifixo para a cama ou para a prisão. Por aqui se prova a verdadeira intenção de Vital Moreira, cujo espírito jacobino, à mistura com os resquícios do PCP (onde militava quando aprovou a CRP) de empurrar as igrejas para as sacristias e afins. Aliás, gostava de perguntar ao Lente de Coimbra o que é que as crenças têm de tão mau que as ideologias políticas não têm.
Ah, e claro, não acaba sem a sacro-laica "falta de respeito para com crentes de outras religiões e não-crentes". No Natal, vermos Vital e outros apaniguados saudosistas da República Velha a falar nas manifestações da quadra como "ofensas a pessoas de outras religiões". Pessoas essas que não só não se sentem ofendidos - nunca se queixaram, aliás - como ainda reclamam contra os Vitais Moreiras que se apropriam indevidamente da sua Fé para fazer mera propaganda anti-católica, e por arrasto, anti-religião.

terça-feira, setembro 25, 2007

Marcel Marceau 1923 - 2007

quinta-feira, setembro 20, 2007

Blog da Rua Nove

Onde ver postais antigos de localidades espalhadas por todo o país, cartazes de propaganda turística dos anos 20/30, do Estoril e das termas, "japonices", capas e lombadas esquecidas, grafismo e ilustrações art nouveau (e seus autores), carros dos anos 60, heráldica de antigos municípios, cartas de tarot, imagens de Macau, fotobiografias de Wenceslau de Moraes e muitas outras coisas mais? No Blog da Rua Nove, pois claro. Achado muito recentemente e com uma infinidade de imagens a descobrir.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Ainda sobre Aquilino
Ainda a propósito de Aquilino, alguns dos defensores da transladação disseram que a petição contra a mesma era obra de "ultramontanos" e "medíocres". Desde já digo que não assinei tal petição, mas sempre teria curiosidade em saber se fizessem a mesma coisa a António Ferro, por exemplo, tais senhores que proferem estas acusações se indignariam perante tal "abuso".
Já agora, um certo Carlos vieira escreve no site do Bloco de Esquerda que "a petição que meia dúzia de monárquicos em vias de extinção pôs a correr contra as honras de panteão nacional a um "terrorista", preso por ajudar os "bombistas regicidas", são tiros de pólvora seca que só poderão fazer cócegas à alma granítica de um vulto com a envergadura moral do universal Aquilino". Não há no entanto qualquer refutação às acusações sobre Aquilino, nem factos contrários, nem nada. Dizer que os monárquicos estão em vias de extinção" mostra como a maioria dos bloquistas convive mal fora do seu mundo supostamente "cosmopolita" e "libertário". Provavelmente esquecem-se que "os beirões, os tenazes e insubmissos beirões" estão na sua maioria nos antípodas das escolhas ideológicas aquilinianas, e que muitos fazem parte da tal "meia dúzia de monárquicos em vias de extinção". Já agora, porão Salazar (que até apreciava em privado a obra de Aquilino, sendo quase conterrâneos e contemporâneos) fará igualmente parte do rol desses tenazes beirões?

terça-feira, setembro 18, 2007

A transladação política de Aquilino

Um excelente texto, já com alguns meses, com as razões - pessoais e gerais - pelas quais Aquilino Ribeiro não merece ir para o Panteão Nacional. Mesmo as letras e a prosa beirã não o permitem. E as justificações de Aquilino Ribeiro Machado, seu filho, que compreensivelmente defende o seu pai, não justificam tal cerimónia.

"O meu pai, quando veio para Lisboa, do ambiente fechado da província, tinha 21 ou 22 anos. Com essa idade, citando uma frase muito batida, `todo o homem é incendiário e mais tarde será bombeiro dos fogos que acendeu`, e é natural que na ânsia e no ideal de mudar o mundo e de criar uma sociedade mais justa, ele se identificasse com os revolucionários que viessem, aqueles mais impacientes, mais insubmissos", argumentou.
"Ele era um homem que vinha do mato, bravio e homem de acção por natureza. É natural que não fosse alinhar pelo pensamento mais conservador da época. Dir-se-á: `isto é um pensamento que depois, ao longo da sua vida, se manteve, foi sempre um homem de intervenção directa` Não, não foi. A vida dele prova-o"


Há que perceber que mesmo com um espírito revolucionário, uma coisa é participar em acções de propaganda, manifestações ou confrontos com a polícia, mesmo que isso implique a detenção. Outra completamente diferente é ser cúmplice sapiente de um Regicídio, para mais de um Rei, e do seu filho, D. Luís Filipe, que estavam longe, bem longe, de ser uns tiranos. E se João Franco, Sidónio e Salazar governaram, à sua maneira, ditatorialmente, a 1ª República não teve melhor desempenho, com a agravante de ter deliberadamente levado Portugal para uma guerra terrível se ter feito passar candidamente por um regime liberal.
Como as razões para a transladação do escritor são também políticas, como provam as alusões ao seu combate "pela República e pela liberdade", não posso, como monárquico, concordar com ela.

domingo, setembro 16, 2007

Frente à Nova Zelândia

Passando a outros desportos, os Lobos continuam a sua dura prova em terras francesas. Depois da Escócia, a fortíssima e intimidante Nova Zelândia e os seus rituais maoris. Apesar da dura derrota, por 108-13, os jogadores lusos venderam-na cara e lutaram com galhardia. Fizeram guarda de honra aos neozelandeses, mostrando o seu espírito desportivo. E voltaram a cantar o Hino como se não houvesse amanhã.
O confronto entre a Haka dos neozelandeses e A Portuguesa é algo de emocionante e vale a pena ser visto.
Já agora, pensei que o confronto entre os homens da Oceania e a Escócia começasse assim. Mas os escoceses foram menos institucionais (em relação a si próprios, claro) e apresentaram-se de forma mais vulgar, frustrando todos os que esperariam uma atiude mais guerreira da sua parte.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Cenas de estalo
Ao ver a cena de estalo no fim do Portugal-Sérvia, depois de uma exibição pífia que deu no temido empate, não tinha ideia do que é que poderia ter começado a zaragata, posto que estava a ver o jogo do lado do banco e perto da cabeceira. Só depois é que me disseram que Scolari tinha aplicado uma murraça num jogador sérvio, supostamente para defender um seu jogador, não percebi se Quaresma se Petit. Feia acção, que não só nos poderá penalizar (e ao treinador) no futuro como nos envergonha mais, como continuação das cenas no fim do Euro 2000, Mundial 2002, naquela noite de destruição de balneários em França pelos "esperanças" e um bocadinho do Mundial 2006, em que a Holanda teve a parte de leão.
Curiosamente, a meio do jogo lembrei-me de uma cena que tinha revisto na véspera, no filme A Vida é um Milagre, de Emir Kusturica, em que um jogo de futebol entre muçulmanos bósnios e sérvios da Bósnia acaba em pancadaria, da qual não escapam sequer os postes da baliza. Mal imaginava que aquele jogo entre selecções principais dos respectivos países iria terminar de forma parecida. Ao que parece, o defesa Dragutinovic, o objecto do murro, já tem um percurso acidentado. E aqui há uns anos, um jogo entre o Braga e o Estrela Vermelha de Belgrado acabou também em confusão, envolvendo o actual guarda-redes do Sporting. Será que os epílogos dos jogos com sérvios têm sempre porrada à mistura?

terça-feira, setembro 11, 2007

O imbróglio McCann

Quatro meses volvidos, e quando já se pensava que os Media estavam enfim a levantar o acampamento para pregar noutra freguesia, eis que se dá a reviravolta no caso Madeleine McCann. As suspeitas sobre a morte da menina e a possível culpabilidade dos pais trouxeram de novo esta enigmática história para a ribalta e despertaram as mais díspares imaginações.
Devo dizer que nunca estive grandemente interessado em toda esta história, apesar de todo o arraial de jornalistas, directos, informações, contra-informações e "biografias" da família. Um desaparecimento de uma criança é algo terrível, mas que infelizmente não é tão invulgar como devia ser, talvez por causa da sociedade excessivamente informada que temos. Por variadas razões, o caso tomou dimensões globais, os noticiários fizeram reportagens e "especiais" de quase uma hora, na maioria das vezes com palha. Espalharam-se cartazes por tudo quanto é aeroporto e serviço de transportes. Tudo isto farta uma pessoa até À medula, mas o que é certo é que o caso alimenta a comunicação social de todo o mundo. Num destes dias, passei por uma banca com abundante imprensa internacional: a maior parte dos títulos dizia respeito às suspeitas que recaíam nos pais da miúda, com grandes fotografias e títulos bombásticos.
Esta suspeita, que para já, e para a "opinião pública", não passa disso mesmo, se se confirmar, terá consequências graves. Não apenas por causa do eventual logro, que envolveria uma campanha a nível mundial, rezas e missas, uma enorme operação de investigação, visitas ao Papa e a um conjunto de capitais europeias, etc. Tornar-se-á também na evidência, apreendida em público, de que algumas crianças nem com os pais, que deviam ser o último reduto de protecção, estão em segurança, e que há gente que tudo faz para encobrir as suas responsabilidades, nem que para isso tenha de enganar todo o planeta. Instalaria um clima de suspeita e desconfiança colectivo e global. e desvalorizaria outros desparecimentos de crianças, casos de maus tratos e pedofilia.
Tenho a maior pena pelos pais que de algum modo perdem os seus filhos; deve ser a coisa mais dolorosa e anti-natural que imaginar se possa. Mas neste caso, e por todas as razões, espero sinceramente que os culpados do desaparecimento de Madeleine, morta ou viva, sejam outros que não os seus próprios progenitores.

sábado, setembro 08, 2007

Luciano Pavarotti 1936-2007

O Tenor. O Caruso do seu tempo. A inconfundível enorme figura bojuda, com a sua barba, objecto de caricaturas até mais não. Intérprete de inúmeras obras, como o Turandot, tornou-se um ícone pop, com os seus Pavarotti ´s and Friends, levou a ópera às massas, tornou-se o elo de ligação entre o Bel Canto e a música ligeira. Era o mais conhecido dos Três Tenores, trio com Plácido Domingo e José Carreras. Desapareceu agora na sua cidade de Modena, onde nasceu, e onde cresceu entre o canto, o futebol e a cozinha, tão amados pelos italianos. Fica, como homenagem possível, a sua actuação no Royal Albert Hall, em 1982, onde interpretou, como em tantas e tantas outras ocasiões, a ária final de Turandot, Nessun Dorma.
Benfica desta época: atribulações e esperanças
Desde Julho que a equipa de futebol do Benfica tem sofrido mudanças bruscas no seu rumo. a coisa até começou bem, com a venda de alguns jogadores a mais, como Carlitos, Beto, Manduca ou Amoreirinha. Mas as saídas de Micolli e Karagounis foram bem menos positivas. A notícia da ida de Simão para o Atlético de Madrid apanhou todos (mais ou menos) desprevenidos. Os vinte milhões e tal eram generosos, mas a despedida do capitão e melhor jogador dos últimos seis anos é sempre dolorosa, sobretudo se sair para um clube menor. Mas a coisa ultrapassava-se, e rematou-se logo com a compra de Di Maria + Diaz e da promessa Freddy Adu. Os jogos da pré-época não eram grande coisa, mas com tempo e preparação ia ao sítio.
O problema é que na véspera do jogo da pré-eliminatória para a Liga dos Campeões, com o Copenhaga, Manuel Fernandes, um dos grandes "reforços" e jogador vital para o meio-campo benfiquista, bateu com a porta, deixando a equipa coxa e obrigando Rui Costa a marcar dois golos de raiva contra os dinamarqueses.
Com lesões à mistura, a afectarem o carenciado sector da defesa, o Benfica começou o campeonato com um empate frente ao Leixões, no último minuto, que parece ser sina de Fernando Santos. Dois dias bastaram para que o técnico, já sem a protecção de Veiga, fosse exonerado de funções e substituído pelo regressado Camacho, que desde a saída em 2004 tinha deixado um certo sentimento sebastianista nos adeptos.
Claro que os métodos e as estratégias de jogo variam consoante os técnicos, e o espanhol começou com um empate frente ao Guimarães, na Luz. Mas a vitória em Copenhaga, num misto de sorte, espírito de sacrifício e incompetência dos avançados dinamarqueses, catapultou o Benfica para a liga milionária, e devolveu o optimismo, acentuado com o expressivo triunfo por 3-0 em casa do Nacional.
Com a paragem por causa da Selecção, é tempo de recuperar os lesionados e de fazer descansar os esgotados. E de pensar. Com tantos reforços, entre o avançado "Tacuara" Cardozo, os novos uruguaios , Zoro, Butt, Bergessio, etc, conseguirá o Benfica montar uma equipa sólida e vencedora e chegar ao título? Com Camacho, apesar das limitações técnicas, tudo é possível. Há ainda a Taça de Portugal, a nova da Taça da Liga, e, claro, a Liga dos Campeões, onde vamos enfrentar o campeão Milan, nossa bête noire nestas andanças, o sempre "empata" Celtic, mais uma vez, e o Shaktar Donetsk, que gastou cerca de sessenta milhões de Euros (!) em contratações.
Espera-nos uma época complicada e incerta, causada pelas entradas e saídas de jogadores para lá do tempo devido, e pela mudança de treinador. Só agora é que a pré-época se acaba. Oxalá as lesões não se repitam e a coisa acabe bem.

sexta-feira, setembro 07, 2007

O sucesso da Air Race

 
E a corrida de aviões patrocinada pela Red Bull acabou mesmo por ser um sucesso: centenas de milhares de pessoas nas margens do rio, um tempo quente de Verão, uma competição vibrante entre os vários aviões que ziguezaguearam no Douro, e não houve qualquer acidente.
Como no sábado não estive no Porto, não pude ver a corrida propriamente dita in loco; mas na Sexta ainda vi as provas de qualificação, da rua da Restauração. As manobras arrojadas, os loops e a velocidade sobre a água, no cenário das margens do Douro entre pontes tinham uma beleza estética considerável. A prova em sim, se se não estivesse a par dos tempos realizados, acabava por se tornar um pouco monótona a partir de certa altura. Provavelmente teve-se uma melhor percepção da corrida através da televisão do que ao vivo.
Já tinha ouvido falar do evento aí por alturas da Páscoa, quando surgiu a meio de uma conversa sobre as corridas do circuito da Boavista. Estava previsto que os aviões passassem por baixo do arco da Ponte Luíz I, mas por razões de segurança, encurtaram os trajectos; não deixaria de ser um espectáculo notável se tivessem podido fazer isso, relembrando os tempos épicos da aeronáutica do entre-Guerras. De qualquer forma, parece-me que a Air Race terá tido mais sucesso e atraído mais gente do que as corridas de carros da Avenida, até pela sua dimensão mais megalómana, beleza estética e pelo efeito novidade. Para o ano, o impacto será menor. Ainda assim, esta ideia de pôr o Porto no mapa deste tipo de eventos é bastante louvável e trará certamente alguns dividendos em termos de visibilidade da cidade (e de Gaia, já agora). E o espectáculo valeu a pena!

Já agora, diz-se que as corridas de clássicos passarão a realizar-se não já na Boavista, mas em Vila Real. Já em Outubro regressarão ao velho cenário transmontano mais corridas de carros, mas com os atrasos nos preparativos e com as alterações feitas no circuito (rotundas, sentidos proibidos) não sei como vai ser.