segunda-feira, novembro 12, 2007

Golos e contas saldadas

Grande fim de semana no campeonato. E de ajustes de contas. O Benfica deu 6-1 ao desamparado Boavista, e ainda falhou um penalti por Bergessio. Rui costa, Nuno Gomes e os sul-americanos foram inexcedíveis. Ricardo silva também, mas a competir com o Bynia do jogo contra o Celtic.
O Sporting de Braga também saldou contas com o de Lisboa. No ano passado perderam por 3-0 em Alvalade, com dois autogolos incríveis e outro mal assinalado. Agora responderam na mesma moeda, e bem.
O Porto, confiante na sua superioridade, descansou à sombra da Reboleira com dois golos marcados, quando o seu sector recuado resolveu mostrar-se, e em dois enormes disparates deixou-se empatar. Sim, o Estrela não conseguiu empatar, o Porto é que conseguiu não ganhar.
Venham mais jornadas assim que o público agradece.
Da superioridade das monarquias constitucionais sobre as repúblicas das bananas travestidas de democracias

Juan Carlos I, Rei de Espanha, mandou calar o patético e cada vez mais ditatorial Hugo Chavez. Zapatero replicava de forma elegante e pausada ao venezuelano que chamou "fascista" a Aznar. O Rei, de súbito, disse o que milhões de venezuelanos silenciados certamente gostariam de dizer ao primário que se diz seu presidente. E o que a maioria dos outros participantes na cimeira pensavam mas não podiam dizer.

Claro que em tempos dos Habsburgos e dos anteriores Bourbons um mestiço que tentasse falar de frente contra o Rei não teria um final feliz. Felizmente que hoje isso já não acontece. E que ainda há alguém com autoridade suficiente para mandar calar as azémolas, mesmo quando elas são especialmente bravas.
Mais um georgiano queimado

Incrível como na Geórgia a história recente se repete de tempos a tempos, sempre nos mesmos moldes. Vejamos: em 1991 elegeu-se Zviad Gamsakhurdia, um dissidente e oposicionista dos soviéticos, para a chefia de estado; seria mais tarde morto, em Dezembro de 93, alegadamente por uma milícia inimiga, mas a sua morte ainda envolve grande mistério.
Depois veio o antigo MNE soviético, Eduard Shevardnadze, através de um golpe de estado primeiro, e mais tarde por eleições. Tornou-se um aliado dos EUA na região e uma pedra no sapato da Rússia, sobretudo por causa da questão tchetchena (e da Abcásia e Ossétia do Sul) .Em 2003, com enormes manifestações dos seus opositores, que clamavam contra fraudes eleitorais e a corrupção do regime, resignou ao cargo de presidente. As eleições que se seguiram foram ganhas por Mikhail Saakashvili, um advogado com estudos feitos nos Estados Unidos e ideias liberais e pró-NATO.
Agora, Saakashvili enfrenta a oposição nas ruas e acusações de prisões políticas e silenciamento de orgãos de comunicação social. Para as enfrentar, declarou o estado de emergência e antecipou as eleições presidenciais, mas prevê-se que não permaneça muito mais tempo na chefia de estado.
Como se verifica, todos os candidatos são populares e pró-ocidente (pouco apreciados pelos russos), mas criam descontentamento geral poucos anos volvidos são depostos por movimentos populares.
Os mais cínicos dirão que há o dedo russo por trás de todas essas mudanças subjectivas. É possível. Talvez se um candidato vencedor se afirmar pró-Rússia, o que é improvável desde Estaline, tenha mais sucesso. Mas tendo em conta o passado do poderoso vizinho no estado caucasiano, tenho as minhas dúvidas.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Parece que finalmente o pensamento lunático de Pedro Arroja está a ser tratado pela maioria da blogoesfera como merece. Já não era sem tempo. Mas olhem que estavam avisados. Tivessem dado ouvidos antes e não havia estes pequenos aborrecimentos
A luta dos "anti-fascistas"
Sobre a petição da URAF conta o museu Salazar, só tenho uma coisa a dizer: faça-se o Museu. Garanto que os militantes do PC... membros da resistência não terão de resistir muito mais contra o fascismo (que como se sabe, é o regime que vigora em Portugal) do que o fazem agora.
De qualquer forma, se uma data de beirões afectos a Salazar fizesse uma excursão ao Barreiro para protestar contra a Avenida das Nacionalizações, surgiria no local alguma "União dos Resistentes Anti-comunistas"? Ou havia mas é cenas de pancada entre os locais e os "invasores" de ocasião?

sábado, novembro 03, 2007

A rasquice das jotas, aqui e além fronteiras
Em Espanha, a jota socialista local lançou este "belíssimo" vídeo para publicitar a "educação cívica". Num concurso, uma jovem doutrinalmente competente e com a lição bem estudada, responde com acerto a todas as perguntas da "disciplina". O seu opositor, um imberbe do PP, apatetado e falsamente pretensioso, erra cada uma das questões que incidem no politicamente correcto reduzido ao seu mais restrito lugar-comum. A educação cívica, para estes jotinhas, consiste no ensino das suas ideias fracturantes e pós-modernas, e pelo caminho humilham os seus adversários, encarados como uns betinhos lorpas e fora do ar do tempo.
(Agradecimentos à Rititi)

Por cá, os homólogos da JS parecem apostar na mesma agenda "fracturante". Mas a palma da hipocrisia cabe à JSD: aqueles cartazes colados em Lisboa, do "Zé-que-faz-falta-calado", mostram até que ponto aquela organização não tem, desde há muito, a menor ideia válida nem o menor pudor. Depois de anos a governar a capital de forma desastrosa, com uma profunda cratera orçamental e negócios obscuros em número indeterminado com construtoras civis e concessionárias de parques de estacionamento, resolvem fingir que nada se passou e mal Sá Fernandes se torna vereador do urbanismo da CML no executivo de António Costa,vá de acusá-lo de silêncios convenientes supostamente para silenciar outras vilanias. Nem o o homem teve tempo de mostrar o que vale e já o acusam de conivências e hipocrisias. Olha quem! Dificilmente se encontrará contra-publicidade mais repuganante na política portuguesa, onde aliás abundam. Se pensarmos na infame campanha que puseram em campo em 2005, confirmamos que o grupo oficial de jotinhas laranjas candidatos a futuras benesses não aprendeu absolutamente nada. O só aumenta as dúvidas do que vale o actual PSD.

sexta-feira, novembro 02, 2007

É assustador verificar como o estilo Santana Lopes faz escola e encontra tantos seguidores, mesmo entre altas personalidades mundiais.
A Haia
No nosso mundo, e em particular na Europa, poucas são as cidades referidas pelo artigo definidos. Entre nós, Além do Porto, existe o Marco, a Guarda, algumas cidades na Margem Sul do Tejo, e pouco mais. De tal forma que na estrenja normalmente ouvimos falar na cidade de Oporto.
Depois há casos como o Rio de Janeiro, o Cairo, as Cidades de tal, e outras tantas, mas a regra é usar-se o artigo indefinido. No continente europeu é raríssimo subverter-se a regra.
Talvez por isso se ouça falar de Haia e não na Haia. A sede de governo, da real morada holandesa (mas não capital, que essa ainda é Amsterdão), de um conjunto de tribunais internacionais e de inúmeras convenções costuma aparecer sem o artigo precedente que a define. Bem sei que as grafias modernas tendem a alterar algumas designações, mas não estou a ver agora aparecer a "cidade de (O)Porto". Por isso, e em atenção à importância institucional da cidade holandesa, era bom que se tomasse mais cuidado com a língua portuguesa e se escrevesse e dissesse sempre A Haia. Parece-me que não custa assim tanto.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Aí vêm os turcos
Curioso como a Turquia volta a entrar unilateralmente no Iraque, contra o parecer dos seus parceiros da NATO. Volta não é aliás o verbo correcto, mais parecendo um movimento inverso ao que sucedeu na Grande Guerra, quando foram expulsos daquele território pelos ingleses e as forças leais a T.E. Lawrence. Noventa anos depois, os descendentes do Império Otomano voltam com o crescente para impor a sua ordem sobre os rebeldes curdos, em território estrangeiro. Ironia da história, eterno retorno, ou vontade da Turquia se afirmar no plano geo-estratégico?

segunda-feira, outubro 22, 2007

Tratado consumado?
Depois de ver o ar aliviado de Sócrates e Barroso a anunciar a chegada a um acordo para o Tratado de Lisboa, a futura assinatura do mesmo prevista para Dezembro, nos Jerónimos, e as evasivas do PM quanto à remota possibilidade de consulta (um "depois logo se vê" suspeito), sabendo-se já que isso só ocorrerá na Irlanda, fico a pensar se as coisas correrão mesmo tão bem como o pintam. Até Dezembro muito pode ainda acontecer. Convém não esquecer que por esses dias tomar-se-à uma resolução quanto ao Kosovo, ou então haverá uma declaração de independência que será desastrosa para os Balcãs e para a presidência portuguesa. E Mário Soares, repetirá as suas palavras - a saber,"Um dia ainda se hão de arrepender" - quando Governo e oposição puseram de parte um referendo para aprovar o Tratado de Maastricht? Ou esqueceu-se já? É que tal lembrança, para mais vinda de quem vem, seria muito oportuna.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Paulo Autran 1922-2007


Paulo Autran morreu na semana passada. Só o soube, com surpresa, dias depois. Fico com a consolação de o ter encontrado uma vez e trocado algumas palavras, depois de uma actuação no Rivoli, para ver o grandioso actor brasileiro que tinha como referência Lawrence Olivier, interpretou quase todos os clássicos dos palcos e que antes de ser actor teve uma curta e aborrecida carreira como advogado. E que atravessou o nosso país de lés e lés, várias vezes.

Ficam então duas cenas memoráveis da telenovela A Guerra dos Sexos, um género que ele pouco apreciava mas que o tornou tão conhecido deste lado do Atlântico.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Vozes que não chegam aos céus

A trupe dos ateus dedicou posts e posts ao 13 de Outubro em Fátima, com calorosas referências ao "estado totalitário do Vaticano", ao "inquisidor Ratzinger", à "farsa com 90 anos" e aos "tolos" que se deixam levar pelo "obscurantismo". Naturalíssimo: afinal, quando as comemorações do dia que prometia "acabar com os católicos em quatro gerações" são assistidas por meia dúzia de gatos pingados e as de Fátima atraem cada vez mais gente, na ordem das centenas de milhar, é compreensível que trepem pelas paredes e escrevam disparates blogoesféricos para aliviar a amargura. Hoje em dia já não é assim tão fácil sovar padres e outros "mariolas", ou prender e expulsar jesuítas. Podiam tentar fazer concorrência com o seu ídolo favorito, a Mariana Portuguesa, mas desconfio que a moçoila (ou nem tanto, porque 98 anos deixam marcas) não moveria nenhum dos seus atributos corporais para realizar qualquer milagre.

sexta-feira, outubro 12, 2007

O regresso do circuito


Quem conhece bem Vila Real sabe que as principais "instituições" da cidade estão na sua maioria na Avenida Carvalho Araújo, ou nas ruas adjacentes. Ao alto da Avenida está o tribunal; cá em baixo, no lado oposto, a câmara municipal, antigo solar do Séc. XVIII. À esquerda da câmara, o liceu Camilo. A meio, a Sé, e ao lado o antigo convento de S. Domingos, restaurado e aproveitado como Conservatório Regional. Em frente, a Gomes, o mais conhecido e reputado café da cidade, célebre pelos seus covilhetes. entre a câmara e a Sé, a casa onde nasceu Diogo Cão, e entre o conservatório e o tribunal, o seminário maior. Entre a Gomes e o tribunal, o antigo Palácio dos Marqueses de Vila Real, casa do Séc. XVI, agora posto de turismo. Nas ruas traseiras, compondo o miolo tradicional, várias igrejas, em especial a Capela Nova, obra de Nasoni e um dos símbolos da cidade, o antigo café Excelsior, a "Casa dos Brocas", da família de Camilo e referida no Amor de Perdição, e a Casa Lapão, que produz as conhecidas cristas de galo. Mais acima, junto ao Pioledo, a Igreja do Calvário, acima do antigo campo pelado de futebol do SC Vila Real, e abaixo deste o Jardim da Carreira, o passeio público da cidade. Nos arredores fica o grande ex-líbris da cidade e da região: o Palácio de Mateus.


Claro que os tempos mudam, aparecem outras novidades que acabam por se institucionalizar e estabelecer-se como elementos representativos de uma dada comunidade. Em Vila Real, o teatro municipal, do lado de lá do rio, impôs-se como referência cultural na região, com espectáculos lotados e grande afluência de público. Em frente, o novo shopping mudou os padrões de consumo e apresenta uma estética bem melhor do que a maioria das grandes "superfícies comerciais", com uma frente envidraçada de onde se pode ver a união entre o Marão e o Alvão.

Acontece que estes novos edifícios acompanharam também as modificações no circuito da cidade, com novas rotundas, sentidos, semáforos e regras para a circulação, que desvirtuaram o velho percurso que durante mais de cinquenta anos foi o cenário das corridas de Vila Real. O circuito começava perto das margens do Corgo, num local onde ainda são visíveis bancadas de pedra e em que lamentavelmente se perdeu a vista do rio por causa das hediondas construções em altura, seguia em direcção ao cruzamento frente ao quartel e daí para a Timpeira, onde curvava antes da primeira ponte. Seguiam-se as curvas em Abambres e a subida para Mateus, de onde se inflectia de novo para a cidade, passando junto à Araucária, atravessando a ponte metálica sobre o Corgo e fazendo a "curva da salsicharia", antes da meta.

 

As corridas datam já de 1931, mas o circuito só adquiriu o formato conhecido alguns anos depois. Os financiamentos provinham da câmara municipal, do ACP, da Comissão de Turismo da Serra do Marão e do próprio preço dos bilhetes. Por ali passaram Vasco Sameiro, os irmãos Oliveira, Stirling Moss, o conde de Monte Real, Nicha Cabral, etc. Humberto II, o último Rei de Itália, esteve na corrida em 1951 para apoiar os pilotos italianos em competição. O público acorria em magote, fazendo a chatíssima estrada do Marão, ou de comboio, pela linha do Corgo, que serpenteia entre o douro vinhateiro. As corridas mantiveram-se em alta até aos anos setenta, quando começou o seu declínio, que levaria à suspensão em 91.

A travessia da ponte metálica(colecção Manuel Taboada)

Só me recordo das provas dos anos oitenta, apenas com corredores nacionais. Encarrapitado nos muros de pedra da Timpeira, sob o sol de Julho, via em baixo os carros a fazerem as curvas com roncos calorosas e velocidades assustadoras. O circuito era ainda o original, ainda não havia IP-4 e a linha do Corgo seguia até Chaves.

Nestes últimos 15/20 anos, muita coisa mudou. O IP-4 construíu-se (e já está obsoleta), os comboios até à "bila" rareiam, o SC Vila Real joga no Monte da Forca, a UTAD e os estudantes entraram nos hábitos da região, a cidade alargou muito a sua dimensão, por vezes da pior forma, e o circuito tornou-se impraticável para corridas da lado da cidade.

Mas as competições regressaram no último fim-de-semana, com novo figurino e um percurso mais curto, entre a ponte da Timpeira e a rotunda que vira para a ponte metálica. Estive lá, nesses dias de fim de semana prolongado, mas pouco vi das corridas, excepto meia dúzia de bólides e outros tantos clássicos a passar. Ainda assim, gostei de ver uma quantidade de gente interessada, e de novo o entusiasmo pelo circuito, ainda que cortado a meio. E bem lembrada a homenagem a Manuel Fernandes, antiga glória das corridas, que nunca cheguei a conhecer, embora tivéssemos parentes comuns, e que morreu há dois anos com um tumor cerebral. Embora para muitos também se devesse homenagear Sidónio Cabanelas, outros dos "heróis" das corridas, assassinado há uns vinte anos por uma encomenda-bomba nos seus escritórios da actual Rodonorte.
Para o ano voltam à cidade, e parece que também o grande prémio do circuito da Boavista (o grande rival urbano do de Vila Real) irá para Vila Real. Alvíssaras! Há instituições que reaparecem, mesmo que mutiladas.
Sobre o assunto, ver também isto, isto, isto e isto também, com uma vénia aos autores.
E se...

E se, à imagem de alguns catalães, um grupo de estudantes anti-republicanos decidisse queimar a efígie da república e uma bandeira verde-rubra (sem mais nada), além de enforcar um boneco com motivos de 1910 (pós 5 de Outubro)? Quais seriam as reacções, penas aplicadas e discussões relativas ao tema?

quarta-feira, outubro 10, 2007

Discussões à volta do Che


Quarenta anos depois da sua morte, é por demais óbvio que Ernesto Guevara não era nenhum santo, excepto para fanáticos e utópicos. Derramou sangue em nome do seu combate total contra o "imperialismo", em especial na Revolução Cubana. Mas compará-lo a um Mao, um Pol Pot a um Hitler, como faz a Atlântico deste mês, parece-me um sumo exagero. Se é certo que o seu lado idealista e combativo foi demasiado realçado por razões políticas e culturais, é bom que não caiamos também no oposto: a diabolização absoluta de um homem com seu quê de alucinado. Nos anos sessenta, um tipo assim, morto aos quarenta anos, só se poderia tornar num ícone. Ironia das ironias, acabou também por tranformar-se num rentabilíssimo produto de marketing, provando que não só o capitalismo está bem mais vivo que o comunismo, mas também que pode aproveitá-lo cinicamente para abrir novos caminhos.

A ver também este artigo de Rui Bebiano

quinta-feira, outubro 04, 2007

Desconsolo

Decididamente, ir ao futebol este ano tem sido uma pura perda de tempo. E que futebol nem vê-lo, resultados ainda menos, e golos, só mesmo dos adversários. Que aplicaram bem o dinheiro, como se vê. Mas apesar de tudo, parece-me que uma bola na barra, outra que o adversário dominou com a mão na sua área e boas defesas do guarda-redes contrário justificavam um golo. o problema é que do outro lado também criaram muitas oportunidades de golo.

Imagino, já agora, o que diriam os responsáveis sportinguistas se tivessem sido objecto de uma arbitragem tão má como a que castigou o Benfica no seu jogo contra o Shaktar.
E as "bases" cumpriram

Sobre a eleição de Filipe Menezes para líder do PSD estou para escrever desde sexta de madrugada, quando vi os resultados. Não vou dizer que já esperava, como gostam de afirmar muitos comentadores depois dos factos acontecerem. Julgava que apesar de tudo, Mendes triunfaria à rasca, mas ficaria no lugar. Afinal, as "bases" apostaram no autarca de Gaia, e até por larga maioria.
E agora, perguntam muitos, com as mãos na cabela? Agora temos alguém cujo pecado que mais detesta é o da coerência, que muda de discurso conforme os ventos e a disposição, que tem uma velha rivalidade, agora camuflada, com Rui Rio e que até já chorou na televisão. Alguém quem Miguel Sousa Tavares, há já vários anos, quando Menezes usava barba e era líder da distrital do Porto, chamou "O nosso Pacheco", numa alusão à queirosiana figura d ´A Correspondência de Fradique Mendes. O homem tem cumprido de forma satisfatória na margem Sul, é certo. Mas líder do principal partido da oposição, frente a uma governo sustentado por uma maioria absoluta? As suas ideias são algo vagas e arrevezadas, ora sustentando-se em políticas sociais, ora defendendo uma economia mais liberal (uma dualidade paradoxal que prova, afinal de contas, que ele é um PSD dos sete costados). Fora do partido, deixa muita desconfiança. E a inimizade da maioria dos "notáveis" também é uma dificuldade a não desprezar.
Apesar de tudo, acho que a coisa, do lado da oposição, vai ficar mais animada, para mais se Santana lopes, o ex-menino -guerreiro repromovido a grande estadista por causa de uma atitude mais nobre num noticiário, ocupar o lugar de líder parlamentar, como insistentemente se tem falado. Com Portas no CDS, a sonolenta AR terá mais motivos para acordar.
De qualquer maneira, não sei se Menezes terá assim tanta pedalada para liderar o partido, e se se terá apercebido da encrenca em que se meteu. Com Gaia pelo meio e os "barões" atrás, não vai ser nada fácil. o que eu sei é que não é motivo para terrores ou cenários apocalípticos, muito menos para encerrar o blogue. Estou como Francisco José Viegas: apesar de tudo, dá um certo gozo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Piadinha de gosto duvidoso

Uma excelente marca paramelhorar radicalmente o ordenamento urbano em Portugal.

segunda-feira, outubro 01, 2007

Jardins e jardins
Sempre gostava de saber porque é que um partido que defende isto acolhe movimentos com membros que praticam aquilo. Ou há jardins merecem ser preservados e outros achincalhados? Não me vão dizer que é siples coincidência o facto de terem colocado suásticas em campas judaicas, pois não?
A obsessão de Vital Moreira

A propósito de uma benzedura de José Sócrates, Vital Moreira voltou a falar no assunto que lhe ocupa 80% das suas colunas de opinião: a defesa da "laicidade" do Estado, ou a capa do seu anti-clericalismo e anti-cristianismo mal disfarçado. As referências ao "país religiosamente plural" mostram que não percebeu, ou finge não perceber, que o país é cultural, religiosa e socialmente católico, e que a sua vontade era eliminar todos esses traços. E quando diz que "a exibição de símbolos de identificação religiosa, em hospitais, prisões e outras instituições, não constitui somente uma violação do princípio da separação mas também, e sobretudo, uma falta de respeito para com os outros crentes de outras religiões e os não-crentes" está nitidamente a criar uma proibição onde ela não existe nem na Constituição (de que certamente julga ser intérprete único) nem na Concordata. A Separação entre a Igreja e o Estado não obriga as entidades públicas a realizarem os seus actos hostilizando as confissões religiosas, mas apenas não deixando que os seus actos não sofram a sua interferência. E veja-se o grotesco que é proibir a um doente ou a um preso de levar um crucifixo para a cama ou para a prisão. Por aqui se prova a verdadeira intenção de Vital Moreira, cujo espírito jacobino, à mistura com os resquícios do PCP (onde militava quando aprovou a CRP) de empurrar as igrejas para as sacristias e afins. Aliás, gostava de perguntar ao Lente de Coimbra o que é que as crenças têm de tão mau que as ideologias políticas não têm.
Ah, e claro, não acaba sem a sacro-laica "falta de respeito para com crentes de outras religiões e não-crentes". No Natal, vermos Vital e outros apaniguados saudosistas da República Velha a falar nas manifestações da quadra como "ofensas a pessoas de outras religiões". Pessoas essas que não só não se sentem ofendidos - nunca se queixaram, aliás - como ainda reclamam contra os Vitais Moreiras que se apropriam indevidamente da sua Fé para fazer mera propaganda anti-católica, e por arrasto, anti-religião.