quinta-feira, dezembro 13, 2007

Dois continentes


Sobre a cimeira Europa África, já tudo se disse sobre os ditadores e cleptómanos que arribaram a Lisboa. (80 quartos só para a delegação angolana no RITZ!). Também já muitos tarearam no facto dessa gente ter cá vindo. Mas eu alinho pela outra bancada. É mau que semelhante gente pise solo português? Desconfortável é, com certeza. Mas preferiam que a cimeira não se tivesse realizado, que os africanos não tivessem cá vindo, que nada se discutisse? Era a atitude mais fácil, é certo. Mas deixá-los a "tratar da vida" nos seus países era também mais imoral. Antes conseguir olhar-lhes olhos nos olhos e fazer-lhes compreender o que está errado. Os efeitos são escassos? Ignorá-los e vituperá-los de longe, sem sequer discutir com eles, é que não traria com certeza nada de bom para os africanos.



Sobre as palermices de Kadhafi, só se pode dizer que foram as mesmas de sempre: os europeus devem indemnizar os africanos, que foram explorados barbaramente, etc, etc. Pena que ninguém lhe tenha perguntado nada sobre as infra-estruturas que esses mesmos "colonos2 aí deixaram e que foram inutilizadas pelos africanos. e Cabora Bassa bem cara nos ficou. Mas também há que dar o devido desconto: com aquele aspecto, de pijama e barba por fazer, o líder líbio tinha certamente acordado minutos antes, sem um duche ou um café para ajudar, e não dizia coisa com coisa.





Quanto a Mugabe, as últimas semanas nem lhe têm corrido mal: além de pisar os pés na Europa, e de se ter furtado a uma qualquer reprimenda mais feroz de Gordon Brown, que perdeu essa brilhante oportunidade, resistiu em vida ao seu antigo arqui-inimigo Ian Smith, pai da independência da antiga Rodésia, que apoiado por Salazar e por poucos mais, manteve até 1979 um estado dominado por brancos (embora diferente do apartheid) no que é hoje actual Zimbabwe.

terça-feira, dezembro 11, 2007

Manoel de Oliveira
Quando assisti na Casa das Artes (e para quando a reabertura?) à cerimónia dos 50 anos de Aniki Bobó, onde também se exibiu Douro, Faina Fluvial, e que coincidiu com os 84 do veteraníssimo realizador, gabava-se a vitalidade e a capacidade de produzir um filme anualmente com aquela idade. Pois falta um ano para se tornar centenário. Entretanto, ainda nos vai chegar a sua ideia das origens de Colombo. E muitos mais trabalhos, espera-se

sábado, dezembro 08, 2007

Esperança, desilusão e recuperação
O jogo com o Milan, a meio da semana, era apelativo, tanto pelo nome do adversário, campeão europeu em título e recordação negra para o Benfica, como pela necessidade de pontuar e fazer boa exibição. O estádio não encheu coisa que muito me espantou; afinal, nem com a oportunidade de ver alguns dos melhores jogadores do mundo se vai À bola? Só se fosse pela dia em questão.
Vinte minutos de tremideira e golo do adversário, pelo superlativo Pirlo. Que soou como um despertador, porque a partir daí o Benfica encheu-se de ganas, tão ao gosto de Camacho, e veio para a frente, até à obra de Maxi Pereira, deixando Dida boquiaberto. Como os milaneses raramente sofrem golos, conseguiram aguentar a igualdade até ao fim, apesar das boas oportunidades que o Benfica teve para o ganhar. Claro que o neo-Melhor Jogador do Mundo, Káká, também teve a sua oportunidade no final, mas atirou ao lado. O empate dava ânimo aos jogadores, apesar da saída da Liga e da obrigatoriedade de ganhar em Donetsk. Pena por não termos ganho também porque tal vitória seria inédita, precisamos mais dos Euros em disputa do que eles, e não gosto do Milan.
Só que a confiança ruiu no Sábado seguinte, num jogo importantíssimo para o título: uma péssima exibição, com falta de garra e de ligação entre sectores, permitiu que o Porto, sem uma exibição fulgurante, aproveitasse da melhor forma os erros e levasse os três pontos. Desastroso resultado: sete pontos de atraso, derrota em casa, desvantagem no confronto directo. Por culpa própria. Nem a desculpa de ser um "dia mau" pode justificar a pior exibição da época. E logo frente a uma invasão bárbara, daquelas que têm de ser vencidas para salvar a civilização: além dos hunos que a grande velocidade cavalgaram para o golo, havia o apoio de árabes, como Sektioui, ainda que desistentes a meio, e como se não bastasse, uma horda viking, da bandeiras azuis desfraldadas e comandadas pelo inevitável Macaco, dava apoio à rectaguarda. O que vale é que os bárbaros acabam sempre por ceder face à civilização e à Luz.
Mas o estado de ânimo era lastimável. O meu, pelo menos, era. Já imaginava uma derrota pesada no pesado campo dps mineiros russófonos que investiram 60 milhões de Euros em reforços. Mas o Benfica não deixou de ser Benfica, nem os seus jogadores se ficaram: com temperaturas gélidas, um público adverso, e um bom adversário a precisar de ganhar, com duas estocadas de Cardozo, de pé esquerdo e nas alturas, conseguiram a vitória e a compesnação possível: ficar na UEFA. Com um pouco de sofrimento pelo meio, claro, que os triunfos fazem-se com suor. Houvesse mais este espírito e esta entrega e sofreríamos menos. Porque é que os jogadores não meditam sobre isso? Ou nós, já que eles são pagos é para jogar, e não para "parar para pensar", que é o que têm feito em demasia na última década.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Duzentos anos de travessia transatlântica

Duzentos anos (e uma semana) da partida da Família Real para o Brasil. Um acontecimento não comemorado mas relembrado vezes suficientes para não passar despercebido. A discussão sobre se terá sido uma jogada inteligente ou covarde - em parte lançada pelo interessante Império à Deriva - continua, mas as opiniões inclinam-se para a segunda. Também me parece que a opção embarque para os trópicos era a mais acertada. Por muito humilhante e desconfortável que fosse, por muito que parecesse submissão aos ingleses (que disso se aproveitaram vilmente), ficarem teria sido imensamente pior. A reclusão em Queluz ou Mafra, com perda de posses e direitos, o ataque às nossas colónias por parte dos ingleses, talvez até o exílio para França, ou coisa pior

Em contrapartida, a fuga da Família Real permitiu mais tarde que o Brasil declarasse a independência. Claro que isso não seria previsível de imediato, apesar de algumas revoltas esporádicas, mas o progresso que a colónia recebeu com a injecção de personalidades e importância e a libertação do seu comércio (e das suas forças), aliados à "promoção" à categoria de Reino, juntamente com a metrópole, conduziu inevitavelmente à separação quando D. João VI regressou à Europa. Uma separação bem menos dolorosa do que a que ocorreu no Séc. XX das colónias africanas ou asiáticas, e que permitiu ao Brasil tornar-se numa potência regional sem secessões nem demasiada instabilidade política, como os seus vizinhos. Uma certa ideia de ligação permaneceu sempre no imaginário, sobretudo dos portugueses; já nos anos sessenta do Séc. XX houve quem advogasse o fim das alianças com a Inglaterra e EUA e formasse a "aliança lusíada". Resta saber se as antigas terras de Vera Cruz estariam muito interessadas.


De qualquer dos modos, parece-me que D. João VI, apesar de todos os aspectos negativos que lhe apontam (indecisão, cobardia, fraca inteligência, etc), cumpriu o seu papel de forma competente, envolvido que estava no turbilhão revolucionário da altura e numa família pouco carinhosa. Merece o respeito dos portugueses e a admiração dos brasileiros. E a estátua que lhe fizeram no Porto, no Castelo do Queijo. Pena é que a tenham virado para oeste, e não para sudoeste, onde estava antes, e colocado uma espécie de paragem de autocarro como pedestal.

terça-feira, dezembro 04, 2007

Esperemos que ele se engane
Continuando o último post, a crítica de António Barreto à ASAE e as suas previsões são alarmantes. Alarmado fiquei eu depois de ler aquilo, até me lembrar que o sociólogo é por norma um pessimista (mas menos niilista que Pulido Valente, em todo o caso). Daí achar que nem todas as suas previsões se vão concretizar.
Mas fica a chamada de atenção, que é sempre útil. A ASAE é uma entidade útil que tem tido uma eficácia notável, mas temo que pelo caminho das novas legislações tão lestas a proteger a saúde do cidadão, se torne uma proto-polícia de costumes menos bruta. Reduzir tudo a assépticos estabelecimentos em que só se pode escolher meia dúzia de pratos ou bebidas conforme a regra, sem gosto nem gordura, com proibição total de fumo, com escassas esplanadas onde só se pode beber em recipientes de plático é um nada admirável mundo novo que põe as pessoas em último lugar, ao contrário do que se propõe. Não, não é apenas para defender o "direito de propriedade" e o "tradicionalismo": é acima de tudo para defender a vida de todos os dias, improvisada, rotineira, com pequenos prazers e pequenas chatices, a vida comum mas livre, em suma. Se Barreto tiver razão, estas regras negarão o sentido dessa vida, pondo em lugar dela regras de conduta e consumo sem ligação à realidade e ao bom senso.
Por falta de tempo, numas ocasiões, ou de net, noutras, o blogue tem andado demasiado desactualizado. Vamos lá a ver se corrigimos isso com tempo.
O motivo de discussão maior foram a recensão de Vasco Pulido Valente a Rio das Flores e o artigo de António Barreto no dia seguinte, ambos no Público.
Apenas folheei o livro de MST, e detectei logo alguns erros a que aludi há uns dias. VPV andou à cata, alguns apanhou-os bem, outro não passam de interpretações próprias. Aquela dos "Condes e Marqueses" era claramente uma figura de estilo, mas o historiador achou por bem embirrar com picuinhices. Acabou por apanhar bem a maioria dos erros relativos à Monarquia/República, área onde está bem mais à vontade. O que tenta emendar sobre a Guerra Civil de Espanha parece-me mais discutível.
Pelo que me dizem e vislumbrei, a obra é vulgar, falta-lhe ritmo e vida e é mesmo inferior. literáriamente, a Equador. Para quem tinha muitas expectativas, como eu, pela época em que se insere e pelas curiosidades que revela (Zepellins, por exemplo), deverá ser uma desilusão. Ainda assim, pretendo ler o livro, quando acabar a lista dos que tenho pela frente.
O que me parece é que Sousa Tavares não acertou no alvo, quando pretendia superar o seu anterior romance; mas Pulido Valente escreveu o que escreveu por pura revanche, chamando claramente "ignorante" a MST. Ora o livro, se não é uma obra prima, longe disso, à parte um ou outro erro histórico já referido, não pretende ser um manual cristalinamente correcto de factos passados, mas sim contar uma história num contexto definido. E isso o nostálgico de Oxford não teve em conta, e a sua tremenda crítica fica em parte inutilizada.
Um e outro falham, para mal dos seus egos. O que me dá esperança de um dia escrever um muito melhor romance com Zepellins e a Guerra Civil de Espanha em fundo. Fica aqui o aviso: depois não me acusem de plágio.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Missão cumprida, Croácia

Não me vou pronunciar sobre a nossa passagem a uma fase final de um campeonato europeu pela 4ª vez consecutiva (o que é um feito, certamente). Um jogo decisivo que acaba a zero, toda a equipa a defender e com alguns nervos não merece muitas linhas. E sobretudo porque quase não vi o desafio, antes ouvi na rádio a 1ª parte, e depois, estando num jantar para o qual tinha sido convidado, apenas pedia para ver o resultado fina. Ao ver os jogadores abraçados com visível alívio percebi que a missão, pior ou melhor, tinha sido cumprida. Mas deu saudades daqueles jogos como o 3-0 sobre a Irlanda, e consequente satisfação e festejos nas ruas.
Mas pior, muito pior, estão os ingleses. Com o pássaro na mão, foram batidos em casa pela Croácia e não vão ao Europeu da Áustria-Suíça. Tanto melhor. Não teremos de aturar (tantos) hooligans, a sua ridícula mania de que são melhores, as suas tristes figuras e mais desempates por grande penalidade. E para mais devem estar arrependidíssimos de substituído Sven Goran Eriksson, o melhor técnico que tiveram na(s) última(s) década(s) e que tanto se esforçaram para mandar embora, com as suas críticas e insultos. E assim o correcto sueco viu, sem fazer por isso, uma qualquer mão invisível e justiceira aplicar uma bofetada de luva branca àqueles que se reclamam serem gentlemen e que tanto gostam de dar azo a uma pretensa superioridade civilizacional que só o Prof. Espada e quejandos conseguem divisar.
A resposta

Boa resposta a um artigo do Blasfémias, do inevitável Carlos Abreu Amorim, pondo os pontos nos "is". De reter também alguns factos e curiosidades relatados na caixa de comentários desse mesmo artigo do Blasfémias.
O que não se percebe é como é que alguém como Miguel Sousa Tavares comete um erro de palmatória como essa de escrever que os morgadios só tinham acabado com o 5 de Outubro! Quem faz tantas pesquisas históricas para evitar o tipo de críticas que caíram sobre Equador não pode cometer falhas dessas. Eu, que só folhei distraidamente Rio das Flores, dei logo pelo disparate. E contudo o jornalista nem mostra sentimentos contra a monarquia quando fala do assunto. Vá-se lá entender.
Projectos ferroviários portugueses esquecidos


Cortesia do Blog da Rua Nove

Este mapa das comunicações portuguesa, dos livros da 4ª classe dos anos 50 que descobri aqui, tem algumas particularidades curiosas, como alguns projectos de vias férreas nunca concretizados.
Vale a pena imaginar essa hipotética realidade ferroviária. E olhando atentamente, descobrimos uma linha do Lima, que iria até Ponte da Barca e inflectiria para Braga e Guimarães, assim como uma espécie de circular ferroviária do Minho. Dessa linha sairia outra até ao terminal da do Tâmega, Arco da Baúlhe, e daí ligaria à do Corgo, nas Pedras Salgadas.
Mais abaixo vê-se o traçado da linha do Varosa, que partia da Régua e atravessava o douro. Embora nunca tenho tido funcionamento, ainda se construíram algumas estruturas destinadas a suportá-la, como a grande e inútil ponte de ferro na Régua e alguns viadutos no caminho para Lamego. Mas a coisa nunca se chegou a fazer. É pena, porque dessa cidade ainda iria para sudeste e perto de Trancoso encontrar-se-ia com outra linha fictícia, que partiria de Viseu até ao Pocinho, fazendo a ligação com a linha do Tua, provavelmente para transportar os minérios de ferro explorados na serra de Reboredo, em Moncorvo. E já que estamos nessa zona, refira-se que também havia planos para se prolongar essa linha até Vimioso.
Mais para o centro observamos que se pretendia igualmente ligar o ramal da Lousã à já desaparecida linha do Dão, fazendo a ligação Serpins-Santa Comba. Outra circular fechada, desta vez no coração da Beira.
De Leiria também se queria fazer uma linha que passasse pela Batalha até à Nazaré. Estranho que não abrangesse Alcobaça, segundo parece, mas pela imagem não se percebe completamente.
Outra ideia nunca concretizada era ligar Peniche ao Cartaxo e, com mais envergadura, Alcochete a Ponte de Sôr, numa travessia por uma zona quase deserta e pelo norte do Alentejo. E ao que julgo, também nunca se chegou a ligar Portalegre a Sousel e Alcácer do Sal a Évora, e muito menos Lagos a Aljezur.
Já sobre os campos de aviação não me pronuncio, porque francamente as cores que os distinguem não ajudam.
No caso dos comboios, tenho bastante pena que não se tenham levado avante estes projectos. Mas será bom lembrar que caso tivessem sido construídas, estas linhas provavelmente já não existiriam, com a total falta de visão e de capacidade de defesa do património das empresas ferroviárias e do Estado, da concorrência das estradas e do sector rodoviário, que liquidaram tantos trajectos únicos e se propõem a acabar com mais um, insubstituível: a linha do Tua.

domingo, novembro 18, 2007

A árvore de Natal

Depois da exposição no Terreiro do Paço, a Árvore de Natal de 76 metros patrocinada pelo Millenium/BCP aterrou nos Aliados. Parece que houve alguma euforia pelo feito, mas desconfio que com o passar do tempo ela vai esmorecer e transformar-se em resmungo. Já vi o enorme enfeite natalício em Lisboa, no ano passado. De noite, e à primeira vista, aquilo tem o seu encanto, principalmente a meia distância, quando aparece sem se anunciar.Mas depois de uma ou outra olhadela, aquilo já cansa. De dia, então, fica lá um trambolho inútil e esmagador, que tapa o tímido sol de inverno.
E depois, no Terreiro do Paço sempre estava mais à larga, podia estender à sua vontade os ramos de metal. Nos Aliados, mais comprida, com edifícios mais altos, aquilo tem um não-sei-quê de desproporcionado, esconde a Câmara para quem está lá em baixo e as Cardosas (mais o que está atrás) a quem está no alto da avenida. Não, esteticamente só mesmo à noite. E o preço a pagar por estar ali de dia é demasiado. Já que a coisa é do BCP, podiam tê-la deixado na vizinha D. João I, onde fica a sede social do banco, no Palácio Atlântico. Aí ainda ficava mais apertada, mas o que se perdia era propriedade do patrocinador. Mas parece que as empresas já não correm riscos como antigamente.
Pequena sugestão: a árvore fica este ano pelo Porto, e para o ano, evitando-se o efeito mais do mesmo, transmuta-se para outra cidade; todos os anos uma diferente localidade podia dar guarida ao monte de ferro com luzes - em 20012 pode ser Guimarães, como mais uma atracção da futura Capital Europeia da Cultura - até aquilo enferrujar; se o metal resistir à passagem do tempo, repetem-se alguns lugares, e lá para 2124 teremos a nossa árvore de novo. Resta saber quem é que nessa altura a vai patrocinar.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Ainda Arroja

Ainda sobre Pedro Arroja e as suas disserações sobre "os judeus": é curiosíssimo como alguém que tece apreciações tão críticas sobre os projectos colectivistas , considerando-os mesmo a sua "bête noire", tenha ideias tão colectivistas sobre um povo e uma cultura. Terá Arroja desistido do seu ideal individualista? Ou o seu pensamento, como muitos adivinham, de tão singular e "politicamente correcto" que é, se tornou num paradoxo sem saída?
Contrastes sazonais

O tempo está a mudar. Não, não é o aquecimento global. Está mesmo a mudar para o que seria normal nesta época: temperastura máxima abaixo dos vinte graus e acima dos doze. Até agora tínhamos tido um Verão prolongado, desforra talvez de um Estio fraco e fresquinho. As coisas compõem-se, enfim.
Talvez no litoral se pense isso, porque no interior a coisa já tinha baixado para níveis que exigem aquecedor ligado. Assim, na semana passada, entre a Linha do Estoril e Trás-os-Montes, tive oportunidade de:
- gozar uma hora e tal de praia na zona da Parede e dar uns mergulhos no mar, como se estivesse em pleno Agosto, e ir jogar numas máquinas do Casino Estoril quase porta com porta com Almodôvar e o novo Festival de Cinema
- apanhar umas temperaturas pouco acima dos zero graus no fim de semana, tendo com pena minha, e por causa de descombinações à última da hora, perdido uma festa com castanhas e vinho em S. Martinho de Anta, ao ar livre, à noite (imagina-se a frialdade); salvou-se a serão de leitura frente à lareira.

Como se pode ver, o Verão prolongado era só para alguns; se se percorresse algumas centenas de quilómetros, dava para juntar duas ou três estações e fazer um fim de semana diversificado, com uma panóplia de actividades e alguma imaginação, coisa que não está disponível todos os anos.
Esperemos agora pelo tempo frio e seco e uns meses de seca. O fantasma de 2005 aí está.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Golos e contas saldadas

Grande fim de semana no campeonato. E de ajustes de contas. O Benfica deu 6-1 ao desamparado Boavista, e ainda falhou um penalti por Bergessio. Rui costa, Nuno Gomes e os sul-americanos foram inexcedíveis. Ricardo silva também, mas a competir com o Bynia do jogo contra o Celtic.
O Sporting de Braga também saldou contas com o de Lisboa. No ano passado perderam por 3-0 em Alvalade, com dois autogolos incríveis e outro mal assinalado. Agora responderam na mesma moeda, e bem.
O Porto, confiante na sua superioridade, descansou à sombra da Reboleira com dois golos marcados, quando o seu sector recuado resolveu mostrar-se, e em dois enormes disparates deixou-se empatar. Sim, o Estrela não conseguiu empatar, o Porto é que conseguiu não ganhar.
Venham mais jornadas assim que o público agradece.
Da superioridade das monarquias constitucionais sobre as repúblicas das bananas travestidas de democracias

Juan Carlos I, Rei de Espanha, mandou calar o patético e cada vez mais ditatorial Hugo Chavez. Zapatero replicava de forma elegante e pausada ao venezuelano que chamou "fascista" a Aznar. O Rei, de súbito, disse o que milhões de venezuelanos silenciados certamente gostariam de dizer ao primário que se diz seu presidente. E o que a maioria dos outros participantes na cimeira pensavam mas não podiam dizer.

Claro que em tempos dos Habsburgos e dos anteriores Bourbons um mestiço que tentasse falar de frente contra o Rei não teria um final feliz. Felizmente que hoje isso já não acontece. E que ainda há alguém com autoridade suficiente para mandar calar as azémolas, mesmo quando elas são especialmente bravas.
Mais um georgiano queimado

Incrível como na Geórgia a história recente se repete de tempos a tempos, sempre nos mesmos moldes. Vejamos: em 1991 elegeu-se Zviad Gamsakhurdia, um dissidente e oposicionista dos soviéticos, para a chefia de estado; seria mais tarde morto, em Dezembro de 93, alegadamente por uma milícia inimiga, mas a sua morte ainda envolve grande mistério.
Depois veio o antigo MNE soviético, Eduard Shevardnadze, através de um golpe de estado primeiro, e mais tarde por eleições. Tornou-se um aliado dos EUA na região e uma pedra no sapato da Rússia, sobretudo por causa da questão tchetchena (e da Abcásia e Ossétia do Sul) .Em 2003, com enormes manifestações dos seus opositores, que clamavam contra fraudes eleitorais e a corrupção do regime, resignou ao cargo de presidente. As eleições que se seguiram foram ganhas por Mikhail Saakashvili, um advogado com estudos feitos nos Estados Unidos e ideias liberais e pró-NATO.
Agora, Saakashvili enfrenta a oposição nas ruas e acusações de prisões políticas e silenciamento de orgãos de comunicação social. Para as enfrentar, declarou o estado de emergência e antecipou as eleições presidenciais, mas prevê-se que não permaneça muito mais tempo na chefia de estado.
Como se verifica, todos os candidatos são populares e pró-ocidente (pouco apreciados pelos russos), mas criam descontentamento geral poucos anos volvidos são depostos por movimentos populares.
Os mais cínicos dirão que há o dedo russo por trás de todas essas mudanças subjectivas. É possível. Talvez se um candidato vencedor se afirmar pró-Rússia, o que é improvável desde Estaline, tenha mais sucesso. Mas tendo em conta o passado do poderoso vizinho no estado caucasiano, tenho as minhas dúvidas.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Parece que finalmente o pensamento lunático de Pedro Arroja está a ser tratado pela maioria da blogoesfera como merece. Já não era sem tempo. Mas olhem que estavam avisados. Tivessem dado ouvidos antes e não havia estes pequenos aborrecimentos
A luta dos "anti-fascistas"
Sobre a petição da URAF conta o museu Salazar, só tenho uma coisa a dizer: faça-se o Museu. Garanto que os militantes do PC... membros da resistência não terão de resistir muito mais contra o fascismo (que como se sabe, é o regime que vigora em Portugal) do que o fazem agora.
De qualquer forma, se uma data de beirões afectos a Salazar fizesse uma excursão ao Barreiro para protestar contra a Avenida das Nacionalizações, surgiria no local alguma "União dos Resistentes Anti-comunistas"? Ou havia mas é cenas de pancada entre os locais e os "invasores" de ocasião?

sábado, novembro 03, 2007

A rasquice das jotas, aqui e além fronteiras
Em Espanha, a jota socialista local lançou este "belíssimo" vídeo para publicitar a "educação cívica". Num concurso, uma jovem doutrinalmente competente e com a lição bem estudada, responde com acerto a todas as perguntas da "disciplina". O seu opositor, um imberbe do PP, apatetado e falsamente pretensioso, erra cada uma das questões que incidem no politicamente correcto reduzido ao seu mais restrito lugar-comum. A educação cívica, para estes jotinhas, consiste no ensino das suas ideias fracturantes e pós-modernas, e pelo caminho humilham os seus adversários, encarados como uns betinhos lorpas e fora do ar do tempo.
(Agradecimentos à Rititi)

Por cá, os homólogos da JS parecem apostar na mesma agenda "fracturante". Mas a palma da hipocrisia cabe à JSD: aqueles cartazes colados em Lisboa, do "Zé-que-faz-falta-calado", mostram até que ponto aquela organização não tem, desde há muito, a menor ideia válida nem o menor pudor. Depois de anos a governar a capital de forma desastrosa, com uma profunda cratera orçamental e negócios obscuros em número indeterminado com construtoras civis e concessionárias de parques de estacionamento, resolvem fingir que nada se passou e mal Sá Fernandes se torna vereador do urbanismo da CML no executivo de António Costa,vá de acusá-lo de silêncios convenientes supostamente para silenciar outras vilanias. Nem o o homem teve tempo de mostrar o que vale e já o acusam de conivências e hipocrisias. Olha quem! Dificilmente se encontrará contra-publicidade mais repuganante na política portuguesa, onde aliás abundam. Se pensarmos na infame campanha que puseram em campo em 2005, confirmamos que o grupo oficial de jotinhas laranjas candidatos a futuras benesses não aprendeu absolutamente nada. O só aumenta as dúvidas do que vale o actual PSD.

sexta-feira, novembro 02, 2007

É assustador verificar como o estilo Santana Lopes faz escola e encontra tantos seguidores, mesmo entre altas personalidades mundiais.
A Haia
No nosso mundo, e em particular na Europa, poucas são as cidades referidas pelo artigo definidos. Entre nós, Além do Porto, existe o Marco, a Guarda, algumas cidades na Margem Sul do Tejo, e pouco mais. De tal forma que na estrenja normalmente ouvimos falar na cidade de Oporto.
Depois há casos como o Rio de Janeiro, o Cairo, as Cidades de tal, e outras tantas, mas a regra é usar-se o artigo indefinido. No continente europeu é raríssimo subverter-se a regra.
Talvez por isso se ouça falar de Haia e não na Haia. A sede de governo, da real morada holandesa (mas não capital, que essa ainda é Amsterdão), de um conjunto de tribunais internacionais e de inúmeras convenções costuma aparecer sem o artigo precedente que a define. Bem sei que as grafias modernas tendem a alterar algumas designações, mas não estou a ver agora aparecer a "cidade de (O)Porto". Por isso, e em atenção à importância institucional da cidade holandesa, era bom que se tomasse mais cuidado com a língua portuguesa e se escrevesse e dissesse sempre A Haia. Parece-me que não custa assim tanto.