sábado, março 08, 2008

Infelicidades em barda
Uma expulsão aos 9´ (deve ser record mundial), uma lesão aos 20´, um golo sofrido de forma totalmente infeliz, uma expulsão perdoada ao adversário, assim como uma bola irregularmente agarrda pelo seu guarda-redes, imensos lesionados e castigados...assim era quase impossível. O Benfica mostrou grande espírito contra a bem organizada e afortunada turma dos arredores de Madrid, mas nem isso evitou o desaire na Luz.
Com alguma sorte e raça, ainda damos um salto a Espanha e vamos dar a volta à eliminatória, mas ontem aquilo só valeu pelo golo do meio da rua de Mantorras e porque me ofereceram o bilhete. Ah, e aquela bandeira dos NN com a efígie do Cosme Damião também tinha bastante graça.

terça-feira, março 04, 2008

Eleições em Espanha


Aproximam-se as eleições para as Cortes Espanholas, como igual confronto de 2004: Zapatero x Rajoy. Devo dizer que nenhum deles é senhor das minhas simpatias. O actual Presidente do Governo, ou o "Bambi", como é conhecido, chegou ao executivo de forma totalmente inesperada, por causa da péssima gestão dos atentados terroristas de 2004 pelos Populares. Pôs então em prática a sua "agenda modernizadora", com a legalização dos casamentos e até da adopção de crianças por casais homossexuais, a simplificação do divórcio, o afrontamento à Igreja Católica, o apaziguamento e os acordos com terrositas sem remissão e a insensata Lei da Memória Histórica, que no fundo toma partido por uma das facções da Guerra civil, como no regime franquista, mas pela outra parte. Num país onde as feridas do fratricida combate de 36/39 nunca sararam totalmente, Zapatero atira gasolina para a fogueira, não sei se de propósito, se inconscientemente. A Constituição de 1977 aprovou o regime democrático sob a monarquia, no pressuposto de que os vencidos da Guerra civil não o eram mais, e de que as referências dos nacionalistas deixariam de ser as do Estado Espanhol. Por outras palavras, a Guerra só ali terminava verdadeiramente, num pacto de paz aposta pela esmagadora maioria dos espanhóis, cujo principal símbolo era a legalização do Partido Comunista. A nova Lei recentemente aprovada desrespeita o espírito da Constituição e pode trazer consequências nefastas ao complicado caldo político que se vive no país, atravessado por regionalismos extremos.

Do outro lado, Rajoy, que esteve a dois passos de ser Prsidente do Governo em 2004, por escolha pessoal de Aznar, não parece ter aprendido muito. Nestes quatro anos, o seu PP instrumentalizou muitas das manifestações de rua contra o governo e a sua política face ao terrorismo, transformando-as em comícios não-oficiais. Nunca reconheceu os erros que lhe tiraram a vitória, nomeadamente o tríptico de mentiras Prestige - Iraque - Atentados (eram da ETA, lembram-se?), conduzidas da pior forma. Se Zapatero merecia caír do seu lugar, este galego castelhanizado jamais merecia lá chegar.

Estas eleições deverão confirmar também o extremar das forças políticas presentes. À parte os dois principais partidos, o resto são movimentos regionalistas/nacionalistas, como o velho Partido Nacionalista Vasco, a CIU, o Bloco Galego e outros, da Cantábria às Canárias. O centro, herdeiro da UCD de Suarez, é irrelevante ou deixou-se engolir pelo PP; a Izquierda Unida, mistura de Bloco de Esquerda com CDU, que alberga o outrora pujante PCE, pode ficar mesmo sem representação parlamentar (Saramago já declarou que apoiava o PSOE); novidade só mesmo o novo movimento anti-nacionalista apadrinhado por Fernando Savater, cujo sucesso, dado o seu vazio ideológico, é duvidoso.

Tendo em conta que os movimentos herdeiros do franquismo, como os Carlistas e a Falange, são residuais, conclui-se que a política partidária em Espanha está totalmente bipolarizada entre os dois maiores partidos. E que as franjas mais radicais herdeiras dos ferozes antagonistas dos anos trinta foram por eles engolidos. Mais do que a conversão à moderação, pode significar o extremar de poisções entre dois blocos, coisa quw já se verifica. Os tempos de Gonzalez, em que o PSOE era um partido socialista moderado, adepto da CEE e da NATO e recusando o marxismo, ou aquele em que um deconhecido Aznar transformou a velha Aliança Popular de Fraga Iribarne num moderno partido de centro-direita, já lá vão. Não é crível que volte a haver novo confronto armado (está lá o soft power da UE), mas o antagonismo que se verifica, e em que não faltam confrontos ente anarquistas gedelhudos e falangistas de braço erguido, é tudo menos saudável, mormente agora que se espera que a economia espanhola quebre consideravelmente. O PSOE deverá novamente ganhar sem maioria, e os próximos anos serão de mais "modernização da sociedade" e paz podre. E depois? Intervirá de novo Juan Carlos I nos destinos da sua nação?
Banal

Um derby banal. Resultado (relativamente)positivo para o Benfica em alvalade, jogo disputado com raça mas nem sempre com bom futebol, casos para analisar e as eternas queixas do sporting, com não sei quantos penaltys não assinalados a favor, não sei quantas expulsões perdoadas ao Benfica e não sei quantas lamentações de serem sempre os prejudicados. Nada de novo. Fora do normal, mesmo, só o golo de Cardozo, por ser de cabeça, e o Rodrigo Tinóni, ou coisa que o valha, novo craque do ataque do Sporting, a fazer um cruzamente para golo, com Quim a ser mal batido (outra invulgaridade).

segunda-feira, março 03, 2008

Asquith e as instituições


Isso de ligações familiares tem muito que se lhe diga. Helena Bonham Carter, por exemplo, é bisneta de HH Asquith, Primeiro Ministro britânico durante oito anos, e que ocupava o cargo quando rebentou a 1ª Guerra Mundial.
O post de Pedro Mexia ajudou-me a recordar este político liberal inglês e uma máxima que deixou, e que descobri num livro que me ocupou durante o último verão. Trata-se dos Diários de Paris, do Embaixador Marcello Mathias (filho), onde relata a sua passagem pelo UNESCO entre 2001 e 2003, no seu último posto de Carreira. Não faltam considerações sobre pintura, literatura, história, alusões oportunas, o ponto da vista sobre os acontecimentos do dia-a-dia, a luta contra a doença e uns pós da vida de um diplomata perto da reforma. O livro acaba com as memórias da capital francesa no pós-guerra, quando o seu pai lá foi colocado como o primeiro embaixador português em França.
Mas a frase que me interessa é que vem ao caso. Teria Asquith dito que só havia três instituições eternas: a Câmara dos Lordes, a Academia Francesa e o Estado-Maior Prussiano. Não sei de quando data tão solene afirmação, mas é decerto anterior À 1ª Guerra Mundial.
Como se sabe, o Estado-Maior da Prússia (durante décadas uma inspiração para tantos oficiais, como Spínola) não sobreviveu muitos mais anos. Caiu em desuso depois do Grande Guerra, reemergiu como Wehrmacht sob os nazis, antes de desaparecer por completo com a própria designação Prússia e o seu território original, que numa reviravolta da história sobrou para os polacos e russos, separado do território alemão.
A Câmara dos Lordes também já teve outra importância. Perdeu de forma drástica o seu carácter hereditário e poderá também perder brevemente os seus poderes judiciais, como última instância de apelação de recursos. Ou seja, está longe da relevância que sem dúvida tinha nos tempos de Asquith.
A Academia Francesa, instituída pelo Cardeal Richelieu, permanece imutável, com uma breve interrupção durante a Revolução, mas que Bonaparte reabriu. Os seus membros, os Immortels, são vitalícios, são eleitos pelos mais velhos, ocupam cada um o seu Fauteill, devidamente numerado, e representam a nata da francofonia, em todas as áreas. Podem ser expulsos por motivos excepcionais, como o Marechal Pétain ou o integralista Chales Maurras, o que é raro acontecer. Apenas uma grande alteração nas últimas décadas: a primeira eleição de uma mulher como para a imortal galeria, no caso Marguerite Yourcenar.
O irónico disto é que a "revolucionária" França, o país menos referido quando toca a instituições centenárias, ao contrário do que acontece com a Grã-Bretanha, é que soube conservar o seu símbolo institucional mais antigo, ao passo que outros as viram desaparecer ou perder o peso e a importância tradicionais. Um caso a ser avaliado com mais atenção pelo Centro de Estudos Políticos da UCP.
Mas numa nação de tão grandes paradoxos como é o hexágono, acaba por fazer algum sentido.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

A estratégia do populismo
A ideia de Luís Filipe Menezes, de retirar a publicidade da RTP, está na ordem do dia. Apesar da oposição gerada à proposta, até de figuras como Nuno morais Sarmento, nem todos a olharão com muito maus olhos. Ainda hoje ouvi, vinda de dentro de uma tasca, uma conversa em que um homem exclamava com autoridade que "é só intervalos de dez minutos", e que achava muito bem que se retirassem os anúncios da TV pública. O outro concordava, com alguma hesitação. Isto significa que a ideia de Menezes, apesar de tudo, passa entre a população nas conversas de taverna, e ao que parece com aprovação. A estratégia produziu efeitos. Não é mesmo esse o objectivo dos populistas?

terça-feira, fevereiro 26, 2008

E eles a rir-se que nem uns perdidos

Depois de horas de pânico (Reds, reds!), fúria e repúdio, começa-se a perceber que a tomada de poder de O Insurgente "okupado"por malvados hackers a mando de Fidel não é mais do que auto-gozo dos próprios. Tive uma vaga suspeita disso quando me lembrei do Anacleto, aliás alimentado por alguns insurgentes. Além de que links com nome "5 Câncios" só pode ser tomado como uma brincadeira.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Óscares, ano 80
Mais uma edição de Óscares, depois da ameaça da greve dos argumentistas. A resolução tardia do diferendo não impediu que Jon Stewart estivesse em forma. com prejuízo do sono, aguentei-me até saber quem era o melhor actor, coisa que nem oferecia grandes dúvidas. Espantei-me com Óscar de melhor actriz da jovem, doce e pouco conhecida Marillon Cotillard, em lugar de julie Christie, mas é sabido que Hollywood se péla por biopics e por maluqinhos, e a icónica e trágica carreira de Piaf merecia a estatueta. aliás, deve ter sido a sessão entre as oitenta que já houve em que mais franceses foram premiados. A política de reconciliação com os EUA de Sarkozy já produz resultados.

Daniel Day-Lewis, pelo que ouço dizer, teve uma das melhores interpretações dos últimos anos, como aliás já nos habituou sempre que resolve voltar para as telas. entre a modéstia e a emoção, ficam na memória o beijo facial a Clooney e a genuflexão perante Helen Mirren, o que não admira, já que o actor um súbdito da Rainha. Também o Óscar ao descontraído Bardem não teve piada, tamanha era a antecipação. Já o triunfo de Tilda Swinton espantou; esperava tudo que a estatueta caísse nas mãos do Bob Dylan de Cate Blanchett; mas a divina australiana, nomeada para dois troféus, mostrou-se com divertido à vontade, consciente de que voltará a ganhar outra estatueta dourada (com o ritmo dos últimos anos, o mais provável é que qualquer dia esteja a competir com Merryl Streep em nomeações).

Tive certa pena que Persepolis não ganhasse o prémio de filme de animação, uma categoria que tem crescido em qualidade e visibilidade, mas de facto Ratatouille era demasiado forte para perder. De realçar vários filmes "menores" que ganharam vários Óscares (também "menores"), deixando Expiação, por exemplo, quase a nadar em seco.

Os Coen ganharam em filme e realização, como se previa. No Country for Old Men só existe entre nós em livro. Aposto que quando se estrear, daqui a dias, não lhe vai faltar público. Na mouche, senhores distribuidores nacionais. Quanto à dupla de grandes vencedores, é, se tirarmos Fargo, o coroar de uma carreira já longa, não isenta de tropeções, mas talentosa, segura, e com grandes momentos que certamente merecerão várias páginas na história do cinema

domingo, fevereiro 24, 2008

Enfim os No Smoking Orchestra ao vivo


Outro que certamente não apreciou a secessão do Kosovo e o seu reconhecimento pelo bloco ocidental é Emir Kusturica. Há umas semanas tive oportunidade de o ver ao vivo, no meio dos seus No Smoking Orchestra, depois de algumas tentativas falhadas em que não vieram ao Porto. Quando se decidiram a vir às duas principais cidades, eu estava por Lisboa nesse fim de semana e comprei bilhete para o Coliseu dos Recreios.
Quem conhece a obra cinematográfica do realizador sérvio mas não conhece a banda (que já tem uns largos anos de carreira) poderá saber sempre ao que vai se se lembrar das bandas sonoras de Underground, Gato Preto, Gato Branco e A Vida é um Milagre. Ou ainda do mais antigo Tempo dos Ciganos, que nunca vi e sobre o qual assentava esta tournée. O estilo é o popular "gipsie punk", e tem alguns seguidores, como os ainda mais frenéticos Gogol Bordello, cujo líder, Eugene Hutz, poderá ser visto em breve protagonizando a primeira incursão de Madonna na realização. Os elementos da banda são inúmeros e tocam tanto guitarra, baixo e bateria como violino, harmónica e saxofone. Uma salada balcânica simultaneamente ruidosa e melodiosa.
Os No Smoking Orchestra faziam parte da lista de grupos musicais que queria realmente ver in loco. Além dos filmes, o meu conhecimento da sua obra vinha de um disco ao vivo (há também o DVD) de um concerto que deram há uns anos em Buenos Aires. O que vi não andou nada longe do que já suspeitava.

Cheguei ao Coliseu com receio de que o concerto estivesse no início, mas ainda demorou uns minutos; já sabia que o Benfica estava a ganhar em Guimarães (um jogo decisivo), e queria tirar a limpo se todos os espectáculos da banda começavam da mesma forma. Pude confirmá-lo ao ouvir os acordes do hino russo, com o qual os artistas entraram em cena.
É certo que Kusturika, com a sua guitarra, é o principal chamariz, mas a verdade é que meio espectáculo fica por conta do incansável vocalista Nele Karajlić, que se exibiu com um fato e uma camisola desportiva por baixo (do Partizan?) e que não parou de chamar pelo público, de se passear entre o palco e a plateia ou de pôr todo o recinto com gritos de apoio ao Partizan, e creio que ao Kosovo sérvio também.
O carrossel balcânico rolou com profissionalismo e alegria, embora me pareça que tivesse faltado uma pitada a mais para ser um concerto memorável. Senti que carecia daquele espírito anárquico que se encontra na obra de Kusturica. Afinal, era o tour de Tempo dos Ciganos. Uns actos de loucura, mais do público que dos músicos, eram bem vindos. Só que os peninsulares presentes (fora alguns germânicos) eram ibéricos, não da montanhosa região a sul dos Habsburgos.
Mas nem por isso o concerto desmereceu grandes elogios. Houve alguns episódios memoráveis, como certos gritos de incitamento do vocalista imitados pelos ouvientes, a apresentação individual dos músicos (chamou-se de tudo ao realizador sérvio, de Von Karajan a David Bowie), e dois músicos tocando violino pegando cada um na vara com a boca, com as cordas por cima - Kusturica conseguiu o mesmo com a sua guitarra eléctrica. Não faltaram as míticas Bubamara, Unza Unza Time, Pitbull Terrier e Wanted Man, embora tenha sentido a ausência da frenética Vasja

O que eu não sabia é que o concerto acabava com o mesmo hino russo, depois da saída dos músicos. Houve até um grupinho que acompanhou a majestosa sinfonia de punho no ar e pose inspirada, não sei se por brincadeira ou convicção. Mas mesmo sem a anarquia do concerto de Buenos Aires, não dei por perdido o tempo e pude riscar mais um dos "concertos-que-tenho-de ver-até ao-fim-da-vida" da lista (além de que o Benfica ganhou à mesma hora por3-1). E até quem sabe, voltar a avistá-los num qualquer regresso, ou noutra ocasião em que se proporcione nova espiadela aos No Smoking Orchestra, que, está visto, dão-se bem em terreno de palco ou a coberto das imagens dos filmes do seu guitarrista. Pena mesmo é que tenham perdido o Kosovo. Que tal um novo tour para colher apoios para a causa?

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Depois do Je Mantiendrai, é o Blog da Rua Nove que encerra serviços. Definitivamente a blogoesfera portuguesa está esteticamente muito mais pobre.
O início da Grande Albânia

Pronto, os albaneses que ocupam aquela escalavrada terra que dá pelo nome de Kosovo sempre declararam unilateralmente a independência. A coisa já se previa há pelo menos um ano, mas só agora se concretizou. Claro que os EUA e as grandes potências europeias se apressaram a reconhecê-lo como estado independente, coisa que não era senão o seu objectivo primeiro. A Grande Albânia, sonho dos ilírios, de maioria muçulmana materializa-se, deixando de rastos o sonho da Grande Sérvia. O Kosovo, que só existiu na antiguidade com o esquecido nome de Dardania, e com características completamente diferentes, nasce assim como estado artificial de povo albanês em solo ex-sérvio, porque o bloco ocidental assim o quis, governado pelo ex-comandante do UÇK, uma milícia terrorista como ligações a grupos radicias islâmicos.

Mas a Rússia não está com meias medidas e tudo fará para embargar de iure o reconhecimento onusiano de semelhante estado. E faz outras retaliações, mostrando mais uma vez que está ao lado da Sérvia e reassumindo em pleno a liderança do bloco ortodoxo da Europa Oriental. A Grécia, Roménia e Chipre também não estão pelos ajustes, e só a Bulgária, estranhamente, é que dá o dito por não dito, ora contra o novo estado, ora a favor. Os tempos mais próximos prometem. Os sérvios não aguentarão novas humilhações. Desconfio bem que a paz podre que reina nos Balcãs não durará muito mais tempo.


Como complemento, este comprido texto do Estado Sentido, que com factos históricos e algumas revelações mostra bem como a vontade de certas de cúpulas pode invabilizar a harmonia internacional.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Estação do Rossio

É realmente bonita, a correspondente à estação de S. Bento em Lisboa. Aquele neo-manuelino paredes meias com o Rossio lembra gestas heróicas, períodos conturbados (o assassinato de Sidónio, por exemplo) e chegadas triunfais de personalidades ilustres, via sud-express, por vezes a caminho do Estoril.

Será que é verdade a história de que comunica com o vizinho Hotel Avenida Palace?

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Gratas recordações

Daqui a pouco encontramos um velho conhecido. Mais precisamente dos anos sessenta, ou da época 61-62, em que o Benfica se sagrou bi-campeão europeu. O adversário das meias finais era então o FC Nuremberga, que depois de nos ter ganho por 3-1, levou meia dúzia secos para casa, na Luz. Eusébio já não pisa o relvado, mas contra os gigantes Kholer e Charisteas de má memória temos as torres Cardozo e Makukula, prontos a obter um resultado digno. não têm de ser seis, metade chega perfeitamente.
Coincidências?
Estes dois posts e a entrevista que acompanha o segundo recordam-me estas linhas que aqui escrevi há uns meses. Como não sou nenhum profeta nem nenhuma mente iluminada, estou em crer que não é por acaso e que muitos pensam o mesmo. Tenha-se a posição política que se tiver, é sempre bom clarificar qual o grupo ou a ideologia que as forças partidárias sustentam. Coisa que há mais de 30 anos o PSD, essa União Nacional democrática, não faz.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Expiação

As críticas ao filme Expiação não foram inversamente proporcionais às do livro que o inspirou, de Ian McEwan (que me dizem ser uma obra prima), mas pouco faltou. De "filme inglês de qualidade" do ano, como se pode ver pelas nomeações para os Globos de Ouro, Bafta e Óscares, até ser considerado uma desilusão, um instrumento sem fôlego ou até "intragável", segundo Pedro Mexia. Tive algum desapontamento, é certo, pelas altas expectativas que tinha, mas dou-lhe pelo menos três estrelas. As interpretações são mais que satisfatórias, a narrativa term alguns momentos mortos dispensáveis, mas também outros em que flui livremente, o efeito surpresa está lá, os cenários são dignos de época e as cenas de Dunkerque são uma excelente recriação do espírito reinante da retirada falhada e do desespero dos soldados encurralados. Mas o que vale mesmo o bilhete é a imagem - e aqui concordo totalmente com Mexia - de Keira Knightley deslumbrante até mais não no seu vestido verde, que enche qualquer cena em que entre, e do seu ar entre o romântico e o poseur, aspirando o fumo do cigarro. Tudo isto no espaço fechado do cinema, que só por si daria causa para interdição total do filme por parte da ASAE.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O desastre de Munique de 1958

Sem net durante alguns dias, não consegui alimentar" devidamente o blogue. Vamos se conseguimos recuperar o tempo perdido.
Ainda em tempo de efemérides, recordo o desastre de aviação do Manchester United em Munique, cujos 50 anos se relembraram agora. A 6 de Fevereiro de 1958, um avião que levantava voo do aeroporto de Munique, transportando a equipa do MU e alguns directores, jornalistas e adeptos despenhou-se ainda na pista, por causa do clima e de problemas técnicos (e atambém humanos, ao que parece). O avião vinha de Belgrado, onde os ingleses tinham empatado com o Estrela Vermelha a 3 golos, e fazia escala na capital da Baviera. Pereceram 8 jogadores do United e mais outros 12 tripulantes. entre os sobreviventes estavam o promissor Bobby Charlton e o técnico Matt Bubsy, por cuja vida se temeu durante alguns dias.

A tragédia podia ter acabado com a carreira ascendente do United, mas Bubsy conseguiu reunir os jogadores que lhe restavam, e a partir daquela o United trepou pela Inglaterra e por essa europa acima até conquistar a Taça dos Campeões europeus, ao Benfica, em 1968, com uma táctica que esgotou Eusébio e o Glorioso.

Viu-se um pouco dessa tenacidade quenado voltaram a ser campeões europeus em 1999, perante o Bayern. Mas aí só tiveram de recuperar de um golo de desvantagem. Em 58, a morte dos companheiros e o choque pelo desastre era um trauma dificílimo de ultrapassar. De certa forma, como se pôde ver numa recente entrevista a Bobby Charlton sobre o acontecimento, nunca deixará de pesar sempre na memória daqueles sobreviventes, nem no imaginário dos adeptos do MUnited, de tal forma que Morrissey até compôs uma música recordando a tragédia. Mas conseguiram levantar-se e ir mais além, mesmo que esse dia de Fevereiro de 1958 os tenha sempre acompanhado.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Padre António Vieira



Há quatrocentos anos nascia o "Imperador da Língua Portuguesa"

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

O adeus do Je Mantiendrai e a recordação de Thesiger

O Je Mantiendrai fechou as portas. O distinto blogue, que se apresentava com a divisa neerlandesa, vai pregar noutra freguesia. Achava-lhe uma certa piada pela estética nobilesca e requintada, entre a aristocracia inglesa, a iconografia militar japonesa e demais preciosidades orientais, mais do que propriamente as ideias, demasiado pré-modernas para meu gosto.
O anónimo autor comunica-nos que irá para "terras mais distantes". Deixa-nos, como despedida, abundante prosa e imagens remetendo-nos para os aventureiros ingleses, que depois de cursarem em Eton e Oxford, e antes da reforma nos respectivos clubes, defenderam o Império Britânico onde o havia; para os exploradores do mundo ignoto; para os que não se limitaram aos livros mais trepidantes sobre o assunto, fazendo da sua carreira matéria para mais um, nos campos de batalha, nos mares, nas selvas, nas areias escaldantes. E a propósito do deserto, é pena que não tenha incluído algém um pouco arredado da memória nestas ocasiões, e que cumpriu esse desempenho de maneira exemplar: Sir Wilfred Thesiger.

E se não tívessemos aderido à CEE?

Não estivessemos na Europa integrados e pelas minhas contas já teríamos presenciado meia dúzia de pronunciamentos militares desde 1976, seguindo a velha tradição inaugurada por Saldanha em meados do século XIX.

Este pensamento do Combustões, mostrando algumas das virtudes da UE e do seu modelo de delegação de poderes, merecia ser mais explorado, como uma espécie de "wath if" caso não tívessemos assinado nada nem em 1986 nem daí em diante. A ideia não é contudo nova: Mário Soares confidenciou certo dia que se isso não tivesse acontecido, teríamos mergulhado numa guerra civil. Vai nova antologia de contos no seguimento deste?

domingo, fevereiro 03, 2008

Homenagem digna
A homenagem decorreu de forma sentida e respeitosa. A presença dos Bragança, um breve discurso, a deposição de uma coroa de flores na esquina onde está a lápide do infeliz Rei e do seu filho. E sobretudo o silêncio, o profundo silêncio daquela pequena multidão, testemunho do profundo respeito e reverência que se fazia sentir, sob um céu cinzento, tal como há cem anos, segundo as crónicas. Um silêncio só cortado pelas palmas e pelos gritos de "viva a monarquia" que se ouviram, e que encerraram a cerimónia. Mas que só surgiram no momento devido, ao contrário do que hoje acontece tantos em funerais e "momentos de silêncio".
Não pude ir depois a S. Vicente de Fora, mas pelo que ouvi correu com a solenidade e dignidade que se impunha.
Nota: um bando de anarquistas, de bandeiras negras e uma faixa com louvores aos regicidas, surgiram perto do fim, a meio da praça, e desapareceram tão rapidamente como tinham chegado. Deixaram uns papeluchos onde diziam estar "contra os monárquicos ou republicanos" quer "fossem fascistas e democratas", aos gritos de "viva a anarquia". Que diferença de atitude entre os que estiveram em silêncio na homenagem e os autênticos maltrapilhos equilibrando pinos para pedir "uma moedinha para o artista" e que glorificam o terrorismo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Cem anos do atentado regicida





















Em memória D ´el-Rei D. Carlos I e de SAR D. Luís Filipe, Infante de Portugal, homens justos, preocupados com Portugal, vítimas da loucura e do radicalismo de alguns homens e dos seus ideais deformados.

Que o país nunca se esqueça e recorde sempre com pesar o que aconteceu naquela fatídica tarde de 1 de Fevereiro de 1908.

Que descansem em paz.