terça-feira, março 31, 2009

Entre as ligações que o Samuel faz saltou-me à vista o texto de João Marques de Almeida, com o título "O Mundo não vai virar à esquerda", como resposta a um artigo do Público de Domingo da outra semana, que perguntava precisamente se o mundo virara à esquerda.
As excepções contam-se pelos dedos, mas também as há. No Chile, por exemplo, a direita está à frente das intenções de voto, com o esvaziamento do estigma Pinochet. E mais casos haverá, certamente. Mas ainda não se percebeu bem se é um reflexo da crise financeira e económica que se abateu sobre o Mundo e a rejeição do liberalismo outrora triunfante ou se se trata de um novo ciclo para vários anos, mais estrutural que conjuntural.
É bem provável que a segunda hipótese esteja mais próxima da verdade. O momento lembra, e o artigo do Público também, o início dos anos oitenta, pela sua inversão, quando Tatcher e Reagan ascenderam ao poder por muitos anos, ao mesmo tempo que outras figuras tão diferentes de direita, como Khol ou mesmo a nossa "modesta" AD, ao passo que na América Latina predominavam os ditadores militares anti-comunistas, com o beneplácito dos EUA. E, tal como agora, a França ia em sentido contrário, dando uma forte maioria a uma coligação de socialistas e comunistas e elegendo Miterrand para a presidência.
Não significa isto que os Estados Unidos virem "socialistas". Tal não aconteceu na presidência de Clinton e nem sequer nos tempos do New Deal. Há coisas que fazem parte do código genético americano e que jamais desaparecerão. Uma certa independência dos poderes federais e um característico Do it Yourself são parte constitutiva desses genes. Mas as loucuras de Wall Street e o optimismo do mercado levaram a uma mudança de atitude. E é preciso não esquecer que o Congresso já tinha maioria Democrata desde 2006. Mais do que uma mudança abrupta, há algo de simbólico na ascensão de Obama à Presidência, que é a marca do fim desses trinta anos de conservadorismo.
A verdade é que não havia um domínio direitista absoluto do mundo, nem sequer ocidental. Mais depressa se verificava uma derrota da esquerda mais radical, com a queda do Pacto de Varsóvia e da URSS e a metamorfose da China em potência capitalista, e a conversão da esquerda moderada sob a forma da Terceira Via, protagonizada pelo New Labour de Blair e o abandono de uma política de nacionalizações e de apoio nos sindicatos. O que se nota agora é mais uma derrota de várias direitas (e mais um abandono do modelo liberal, para que volte dentro de anos, como sempre) e o consequente predomínio da esquerda em sua substituição. Um ciclo definitivo? Só para os entusiasmados do momento, que quando as suas facções ganham adquirem ou reforçam uma visão determinista das coisas. Continuará a haver ciclos consoante as circunstâncias e os acontecimentos favoreçam esta ou aqueloutra ideologia. Mas não tenhamos dúvida de que nos próximos tempos será sobretudo a esquerda a mostrar-se triunfante.
quinta-feira, março 26, 2009
terça-feira, março 24, 2009

segunda-feira, março 23, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
A partir de agora vou começar a colaborar no Estado Sentido. Não, A Ágora não se vai esvaziar, ainda que ultimamente esteja sub-nutrida. Serão umas incursões com textos mistos destinadas a enriquecer (ou empobrecer?) a blogoesfera. Esperemos que o Samuel & Ciª não se arrependem e não faça lá má figura.
quinta-feira, março 19, 2009
segunda-feira, março 16, 2009
terça-feira, março 10, 2009

domingo, março 08, 2009
A morte de Nino Vieira recordou-me a de Jonas Savimbi, há sete anos. Embora o líder da
UNITA nunca tenha chegado à chefia de estado, nem sequer ao exílio no estrangeiro, como quando Nino se refugiou em Gaia a convite do amigo Valentim Loureiro, passou igualmente pelo combate contra Portugal, pela auto-determinação, e depois pela guerra civil contra o poder do MPLA e seus aliados, nomeadamente Cuba.
sexta-feira, março 06, 2009
quarta-feira, março 04, 2009

sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Deixo aqui as minhas apostas de dez actores e actrizes que vão ganhar um Óscar de representação nos próximos dez anos:
- Jonnhy Depp
- Liam Nesson (será Lincoln num filme de Spielberg)
- Matt Damon
- Edward Norton
- Robert Downey Jr
- Josh Brolin
- Leonardo Di Caprio
- George Clooney
- Kevin Bacon
- Jude Law
(Ainda pensei em pôr Christian Bale, mas já tem contrato para interpretar vários super-heróis nos próximos anos, e esses filmes dificilmente arrecadam prémios)
- Cate Blanchett
- Anette Benning
- Julianne Moore
- Angelina Jolie
- Kristin Scott-Thomas
- Judi Dench
- Winona Ryder (o regresso)
- Samantha Morton
- Laura Linney
- Meryl Streep (vai acabar por ganhar por saturação)
Não quer dizer que todos eles e elas arrebanhem os prémios na sua totalidade; mas aposto que pelo menos três de cada lista vão ganhar Óscares, principais ou secundários.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
domingo, fevereiro 15, 2009
quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Na última convenção, Loução apelou a uma nova economia "socialista e anti-capitalista", o que significa que o discurso pode estar a radicalizar-se. Mas apelou igualmente a alianças como "movimentos de cidadãos", numa clara colagem ao MIC de Alegre e Roseta. À primeira vista parece uma inocente abordagem a independentes, mas numa altura destas, com perspectivas de crescimento nas sondagens, percebe-se a verdadeira ideia: a de ganhar mais votos aqui e ali (Sá Fernandes era outro exemplo, mas já lhes fugiu), a de conseguir o poder com as coligações que precisar, aproveitando o descontentamento e as divisões no PS. No fundo, a ideia de rejuvenescimento político do BE está a esgotar-se, e fica a clara sensação de um partido como os outros, que busca poder. Outra forma de o camuflar é haver um "coordenador" e dizer que não há líderes, como se Louçã não o fosse há anos. Nisso e em muitas outras coisas, parece-se com Paulo Portas. A sede de protagonismo e poder é outra característica, demasiado visível para se mascarar. Pode ser é que quando a situação económica e social, dê o seu tombo, quanto mais não seja por saturação.

