sábado, agosto 29, 2009

Dacia

Esta a ser exaustivo mas produtivo, este percurso pelos extremos da Nova Europa. Planicie e costa, para ja. S]o lhes digo que quem acha que Portugal esta na cauda da Europa nunca andou pela cintura de Bucareste.

quarta-feira, agosto 26, 2009

A igualdade segundo os "primeiro-republicanos"



Na exposição sobre Sidónio Pais que está aberta ao público em Caminha até Outubro, vê-se, entre documentos, objectos pessoais (como a célebre farda azul) e notícias e invocações várias ao "Presidente-Rei", um panfleto anónimo da época, fortemente anti-sidonista e pró-República Velha, que acusava Sidónio, entre outras coisas, de reabilitar e "trazer monárquicos para o poder" (ou seja, permitir que voltassem do exílio). Mas o que mais saltava à vista era a acusação de que a eleição por sufrágio universal do presidente, a primeira de sempre da república, era um truque para que "os caciques monárquicos da província manipulassem os seus eleitores" e chegassem ao poder através do presidente por si eleito. Por outras palavras, os eleitores em geral - e os da "província" em particular - eram uns tontos controlados pelas tais "elites monárquicas" e convinha que as mentes esclarecidas dos republicanos de Lisboa e Porto fossem zelosos e salvaguardassem a situação, elegendo, através da sua esmagadora maioria parlamentar escolhida num universo eleitoral conscensiosamente limitado, a figura decorativa e emproada que melhor lhes servisse no momento. Tudo em nome da suposta "república democrática" e da "liberdade e igualdade". Sidónio mudou as regras do jogo, e tal como seria de esperar, acabou varado pelos tiros na Estação do Rossio, forma usual dos republicanos radicais se livrarem de que lhes fazia frente.


Sem ser sidonista, coisa que hoje faz pouco sentido, mas como homenagem à alma do "Presidente-Rei", saí da exposição e fui comer um "sidónio", delicioso bolo de amêndoas e ovos que tem esse nome em memória do estadista nascido em Caminha.

segunda-feira, agosto 24, 2009

A península ocasional



Protegendo a embocadura do rio Minho, dominado pelo galego Monte de Santa Tecla, equidistante de duas costas, mas indubitavelmente portuguesa, a Ínsua cumpriu, ao longo dos séculos, a sua função de convento, fortaleza e farol. Hoje é uma curiosidade para os turistas (que tanto vandalismo lhe fizeram) que apanhem um barco para lá, já que as correntes do Minho só aos nadadores de elite permitem que a alcancem à força dos braços. As muralhas estão em perfeito estado de conservação, mas as casamatas são semi-escombros e o convento está meio arruinado. Os azulejos da capela há muito foram roubados e resta o pequeno claustro, com um mínimo de dignidade, além da mina de água doce, que poucos encontram. Tal é o estado actual da fortaleza setecentista que defendeu Portugal nos combates com os vizinhos da Galiza e que impediu os exércitos franceses a mando de Soult atravessassem logo ali para Portugal (os poucos que o conseguiram perderam-se no pinhal do Camarido e foram presa fácil para os pescadores locais). Tiveram de dar a volta e só atravessaram em...Chaves.


Diz a vox populi local, e comprovam-no os factos, que de cinquenta em cinquenta os movimentos de mares e de areias transformam durante alguns dias a Ínsua numa península. Da última vez que deveria ter acontecido, no Verão de 2001, a coisa ficou a meio, mas sempre se chegava lá a pé com água pela cintura. Já lá tinha ido algumas vezes de barco, pelo que a sensação de atravessar o canal a pé foi inédita; era ver dezenas e dezenas de pessoas a fazer o mesmo, numa marcha de banhistas que dificilmente alguma outra época teria repetição.


A verdade é que noutras eras atravessava-se para a ilha a pé enxuto, e a comprová-lo estão as fotografias que se podem ver nas paredes do Palma, um dos mais populares bares/restaurantes de Moledo. Em 1947 a Ínsua converteu-se brevemente em península, e organizaram-se marchas e procissões para lá ir.


Mas a sua natureza é insular, como o comprova o nome, tornou-se um ex-líbris da região e deu o nome a um conhecido clube de Moledo (fundado entre outros por António Pedro da Costa). Já se pensou em convertê-la em resort, mas o difícil acesso, e as condições precárias no Inverno, aliadas ao mar que por vezes bate nas muralhas do forte, tornam a empresa incomportável. Antes assim. Continuará a ser a sentinela solitária do Minho, com a ajuda do seu farol, e dará sempre um toque único ao cenário de uma das mais belas praias à face da Terra.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Olha, voltou o "terrorismo ideológico"


Desta feita em Cascais. Isto espalha-se mais rápido do que a Gripe A.





E a justa homenagem...

E ao que parece, não é o 31 da Armada.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Ah, a moral republicana



Rodrigo Moita de Deus propôs à CM de Lisboa, em nome do Movimento 31 da Armada, a troca da bandeira municipal pela azul e branca, "agradecendo que a devolvessem". Depois da operação nocturna, o humor corrosivo continua agora nas palavras dos seus autores (ou membros do blogue), enquanto que os neo-carbonários parecem andar à nora e não perceber nada de nada. Entretanto, a PJ aproveitou a sua ida à CML para os levar à esquadra, com recurso à manha.


Claro que o episódio do 31 não pretendia levar-se demasiado a sério, mas tão somente chamar a atenção para a historiografia oficial da república com uma acção simbólica. Há quem já clame pelas "necessárias medidas legais" e quem, mesmo não sendo republicano, invoque o primado da lei e da ordem. É claro e indiscutível que estas devem imperar em qualquer sociedade que se queira sã e livre. Que era precisamente o que os republicanos não queriam, ao instalar o seu regime pela calúnia, pelo agit-prop, pelas bombas e pelos tiros. Pergunto-me que espécie de legitimidade terão os defensores republicanos da ordem pública, que se preparam para comemorar os 100 anos do 5 de Outubro, quando defendem a obra da carbonária? Que respeito pela lei e pelos símbolos nacionais podem invocar, eles que rasgaram a Carta e colocaram as cores do partido na bandeira nacional, acabando com o branco e azul que sempre tinham sido as cores por trás das quinas (ou até antes, em tempos do 1º Rei)? A demagogia tende a confundir-se com a hipocrisia.

Já agora, desde quando é que o municipalismo é pertença exclusiva do "ideário republicano"? É ver as tradições desde a Idade Média e o que do municipalismo escreveram os autores Integralistas, por exemplo.


Temos depois a usual tentativa de colar o rótulo de "meninos bem" a todo aquele que se reclama monárquico. O truque é velho, mas tende a perder eficácia, com a passagem do tempo e o crescente esclarecimento das pessoas. Ontem, no Público, Rui Tavares tentava fazer crer que se tratava de um grupo de brincalhões que errava o alvo porque "desrespeitaram a equivalência hierárquica" (por causa da bandeira municipal) e que a acção em si foi uma cópia do que os republicanos tinham feito, tratando-se consequentemente de uma "aculturação pela república", em que os monárquicos teriam perdido cultura própria.

Como Rui Tavares não é ignorante nem simplório, acredito que o texto fosse mais uma imensa laracha ao gosto da época, a não ser que se tenha espalhado ao comprido. Porque a ideia era uma demonstração simbólica da reposição da ordem legítima pré 5 de Outubro; por isso se substitui a bandeira da edilidade, que era a que lá estava; por isso se procedeu a tal acção, sem desacatos ou bombas. A "vassalagem perante a república" não faz por isso o menor sentido. Em termos de "aculturação", as diferenças ficaram vincadas.

Já a ideia de "meninos-bem", como disse atrás, é chão que deu uvas. Há monárquicos de direita e de esquerda, dentro e fora dos partidos, em todos os estratos sociais, nas universidades, nas artes e letras, na diplomacia, na imprensa e nas forças armadas. Se durante uns tempos eram reduzidos à imagem dos bigodes enrolados e capotes alentejanos (por vezes por culpa própria, fechando-se um pouco à sociedade), hoje só os néscios - ou os demagogos, descendentes directos dos governantes de 1911- é que recorrem à caricatura.

Restam algumas tentativas de menorização do caso, como o do repórter da SIC que dizia que "daqui a dias o caso vai cair no total esquecimento". Pela mediatização que colheu, incluindo o destaque no Público, não parece. Se outras se seguirem, então, vai ser o bom e o bonito. Paciência. Sempre é melhor do que os "marqueses da Bacalhoa", as bombas e os tiros, não é?

segunda-feira, agosto 10, 2009

...e a bandeira voltou ao seu lugar



 99 anos depois, a bandeira azul e branca volta a flutuar num edifício público, mas precisamente na CM de Lisboa, de onde havia sido retirada a 5 de Outubro. Uma acção nocturna da malta do 31 da Armada repôs a legítima bandeira para onde devia estar. Não sei se é um prenúncio ou uma acção cairá no esquecimento, mas uma coisa é certa: em Portugal há gente que sabe conjugar a audácia com o humor. Nem todos entendem isso. De qualquer forma, um abraço ao 31 da Armada, aos autores concretos da "gracinha" (e que graça teve!)e o desejo de que esta bandeira se multiplique aos edifícios públicos por esse país fora.


Quim como Duckadam

Quando defendeu 4 penaltis frente ao Milan, entregando deste modo ao Benfica a Eusébio Cup, Quim alcançou a marca do grande Helmut Duckadam, que com as suas manápulas deu um título de campeão europeu ao Steaua de Bucareste. E também aí o adversário tinha peso, o Barcelona, ainda por cima num jogo realizado em Sevilha. Isto promete, agora também na baliza!
















Raúl Solnado


Já tinha pensado por mais do que uma vez, vendo Raúl Solnado, que todo o país verteria uma lágrima quando ele desaparecesse. Hoje levaram-no a enterrar, entre aplausos, lágrimas e sorrisos de homenagem. Não faltou gente à sua despedida, e muito mais haveria se não estivéssemos em Agosto.


Sempre simpatizei muito com Solnado. Teve programas com mais piada, outro com menos, mas como pude ver hoje nos seus primórdios televisivos, foi o verdadeiro pioneiro da stand-up-comedy em Portugal, sem esse nome, mas muitos anos antes de Seinfeld nos entrar pela casa dentro. Era um homem simpático, generoso, mais galhofeiro que histriónico, e que acima de tudo nunca perdeu o nível nem a compostura. Pôs o país inteiro a rir com a Guerra e a História da Minha Vida, acompanhou sucessivas gerações de actores, até aos mais novos, como se viu pelas colaborações recentes com Bruno Nogueira. E ainda provou (até a si mesmo) que não era somente um humorista, mas também um soberbo actor dramático, tendo impressionado o seu papel sóbrio e desencantado como inspector Otero, em a Balada da Praia dos Cães. Morre antes dos oitenta anos, devido a velhos problemas de coração. Deixa-nos óptimas memórias e um grande legado de representação, humor e sobretudo de forma de estar na vida. Oxalá o aproveitem devidamente. Seria a melhor homenagem a fazer a Raúl Solnado e à sua já famosa máxima "Façam o favor de ser felizes".



domingo, agosto 09, 2009

Férias

Também entrei ontem de férias, vindo descansar uns dias para o sítio do costume. Lá para os dias vinte darei um salto aos Cárpatos, mas antes disso há que revigorar o corpo e a alma com o sal do mar, o iodo e o aroma dos pinhais e das camarinhas. O nevoeiro por vezes aparece, mas isso até se aguenta. O pior é a nortada, mas arranjam-se sempre sucedâneos à praia. Mas a blogoesfera e a saída de posts não fica esquecida, isso não. Quanto muito, ligeiramente menos constante. E mais relaxada.

Vingançazinhas e deputados paraquedistas


Ainda falando da questão das listas de deputados do PSD, parece-me que a questão da "liderança" de Manuela Ferreira Leite tal como é vista pelos seus defensores resulta numa avaliação apressada ou revanchista. Um verdadeiro líder não é aquele que se impõe sobre tudo e todos, esmagando oposições e afastando potenciais adversários. É sobretudo aquele que demonstra capacidade de magnanimidade, de aglutinação, de união, que consegue juntar as baterias todas do mesmo lado em épocas de combate mais importante. Tomar atitudes revanchistas e de exclusão, por mais que Passos Coelho e seus apaniguados não se tivessem portado bem, mina o funcionamento interno de um partido que se quer no poder e provoca a desconfiança nos eleitores. Ou seja, em tempos que deveriam ser de união, Ferreira Leite conseguiu a fractura, como se verificou pelas críticas internas.

Para mais, este processo ainda trouxe à superfície um dos hábitos mais patéticos da partidocracia portuguesa: a colocação dos candidatos em círculos com os quais nada têm a ver. Também por isso a exclusão de Passos Coelho de Vila Real é ridícula (Montalvão Machado sempre pode argumentar que o seu pai é de Chaves), mas há ainda casos mais gritantes, como Bacelar Gouveia por Faro, Miguel Frasquilho, que numas autárquicas se candidatou a uma câmara dos arredores de Lisboa, em segundo pelo Porto ou o ex-líder do PSD-Açores por Castelo Branco, depois de ter encabeçado em 2005 a lista de Portalegre. E ainda a novidade Maria José Nogueira Pinto por Lisboa, quando a ex-dirigente do CDS-PP até nem estará contra António Costa na próxima batalha por Lisboa.

Manobras e tricas já velhas, que parecem cada ano piores, que afastam os eleitores dos eleitos, e pior ainda: dão ideia que os partidos brincam com eles ao sabor das refregas internas. Muito longe da "política de verdade" que o PSD apregoa (muito embora os outros partidos não sejam muito diferentes). Se se pode colocar um cabeça de lista que nada tem a ver com o distrito, então não seria melhor adoptar um sistema proporcional puro, abrangendo a totalidade do território, em lugar da proporcionalidade por círculos? Então digam-no de vez, para se proceder a uma alteração do método eleitoral e acabar com a hipocrisia actual.
 
Razão tem o Blasfémias: só Daniel Campelo defendeu efectivamente os interesses dos eleitores do seu círculo distrital, mandando às malvas a invenção do "deputado nacional". Mas pagou por isso, pois pagou.

terça-feira, agosto 04, 2009

A piada política da silly season


O caso do convite do PS a Joana Amaral Dias entra por mérito próprio para o anedotário político do ano. A acusação de Louçã, com o seu habitual tom de Savoranola trotsquista, de que José Sócrates teria convidado a ex-deputada bloquista para as suas listas de Coimbra e para um cargo num qualquer instituto público, despoletou uma reacção enérgica do Primeiro Ministro, com acusações mútuas de "mentiras" e "falta de vergonha". Assistiu-se a trocas de mimos, acirrando ainda mais a crispação entre o PS e o BE. durante dias não se percebeu quem dizia a verdade. Houve tomadas de posição, esgrimiram-se argumentos de parte a parte, escreveram-se inúmeros posts; uns deram a razão a Sócrates fosse pelo seu direito a convidar quem quer que fosse, ou pela ausência de provas do hipotético convite; outros acharam que Sócrates vinha com uma das habituais "aldrabices" e davam razão a Louçã. E todos perguntavam onde estaria Joana, que só ela poderia repor a verdade dos factos.


Até que finalmente a ex-menina bonita do BE apareceu publicamente, a esclarecer tudo. Com o seu habitual ar blasée com uma cobertura de petulância, que, reconheça-se, lhe fica muito bem, perante Ana Lourenço (uma boa escolha e um bom contraste), explicou que o convite lhe tinha sido endereçado pelo Secretário de Estado das Obras Públicas Paulo Campos, seu conterrâneo de Coimbra, pelo telefone, e não através de contactos "íntimos e privados" (como Campos dissera anteriormente), mas que "não havia condições políticas" e por isso declinou. Ao que parece, o governante não era assim tão seu amigo e só se tinham visto uma vez.


Não me parecendo muito ético que se ande por aí a convidar gente de outros partidos para as próprias listas eleitorais, certo é que casos destes são frequentes noutras situações, como as autárquicas, por exemplo. Ao que tudo indica, o PS tentou aproveitar o ostracismo a que Amaral Dias tem sido votada no BE para a "pescar" e conseguir assim um trunfo à esquerda, roubando votos ao BE. É possível que Sócrates não estivesse realmente informado e que a iniciativa tivesse partido dos socialistas de Coimbra, nomeadamente Paulo Campos.

Do que não há a menor dúvida é que o convite, ou sugestão, ou seja lá o que for, não era exactamente uma notícia a ser divulgada pelo pregoeiro. Assim, fica-se a pensar como é que Francisco Louçã teve acesso à informação: ou Joana Amaral Dias lhe disse, o que dadas as circunstâncias parece de todo improvável, ou alguém soube e transmitiu ao "coordenador" bloquista, que aproveitou logo para alardear o caso aos quatro ventos e atirar-se a Sócrates.

Parece-me que Amaral Dias consegue sair desta historieta sem grandes beliscaduras, embora seja o cerne da questão. Se desta vez não ingressou como candidata rosa, há de acabar fatalmente no PS, probabilidade séria desde que foi mandatária da juventude de Soares. Sócrates também escapa entre os pingos da chuva, porque não parece que a ideia tenha vindo dele. Piores na imagem ficam mesmo Louçã e o até agora discreto secretário de estado. O primeiro porque não soube respeitar assunto alheio e utilizou-o para representar o habitual papel de moralista sem podres, fazendo uma triste figura. E Paulo Campos porque sai como o jogral de serviço, que fala de supostos contactos com uma "amiga" que afinal só viu uma vez, se desmente e se vê de novo desmentido pela "convidada" em directo no noticiário. Sobretudo aquela expressão "contactos íntimos e privados", acompanhada de um sorrisinho entre o cândido e o sarcástico de Joana Amaral Dias, deu-lhe uma imagem patética de tentativa D. Juan instrumental (sem sucesso notório) ao serviço da causa rosa.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Corazon Aquino



1933 - 2009
Desapareceu uma mulher corajosa, lutadora e generosa, que combateu a ditadura das Filipinas por meios pacíficos e que nunca usou o seu cargo presidencial para enriquecer, numa região em que a corrupção é um estado de espírito. Que descanse em paz.

sexta-feira, julho 31, 2009

Sobre a justiça

A ler este texto de Francisco Pereira Coutinho sobre a Justiça, no blogue Novas Políticas, fazendo um breve diagnóstico dos problemas do sector e apontando possíveis soluções. Tudo sem ferroadas políticas ou partidarite aguda.

quarta-feira, julho 29, 2009

O Vítor Baptista espanhol?

 



Um fantástico movimento de José Luis Caminero, do Atlético de Madrid, a sentar Nadal, o central do Barcelona (e tio do tenista Rafa Nadal), oferecendo o golo aos colchoneros num ano em que ganharam a dobradinha em Espanha. Esta jogada aparece numa cena com o seu quê de comicidade do filme Em Carne Viva, de Pedro Almodôvar. Caminero era na altura o maestro da Selecção Espanhola e esteve em destaque no Mundial de 1994 e no Europeu de 1996.

Há dias, Caminero foi detido por alegadamente fazer parte de um grupo de tráfico de droga e branqueamento de capitais. Entretanto, já está cá fora, mas o seu nome está já manchado. Esperemos que o homem que tais fintas conseguia dar não venha a ser o Vítor Baptista espanhol.

quinta-feira, julho 23, 2009

Pirataria


A vaga de pirataria que assola o Índico e a saída do Mar Vermelho com origem na Somália é tema corrente dos últimos meses. Uma das mais concorridas rotas marítimas do globo, ponto de ligação entre o Mediterrâneo e o Índico, e portanto da Europa e Ásia, passa por momentos de tensão e risco acentuados pela crise económica e financeira global.

Os habituais articulistas do tão ouvido "como é possível em pleno Século XXI" espantar-se-ão com este fenómeno que parece tão afastado dos "nossos dias". Hoje, pirataria é sinónimo de assaltantes de aviões, hackers informáticos e falsificadores de suportes musicais (e daquele partido sueco que ganhou um lugar no Parlamento Europeu). Por piratas originais, os dos mares, lembramo-nos sempre do Jolly Roger, dos desafortunados que dão sempre de caras com Astérix e Obélix, os corsários Drake e Jean Laffite, o sanguinário Black Beard e capitão Kidd; e, claro, Long John Silver e respectiva pandilha do imortal A Ilha do Tesouro, de Stevenson, que todos lemos no início da adolescência. Pelo cinema também nos veio o mito dos "Ladrões do Mar", através de Errol Flynn, Douglas Fairbanks, Gene Kelly, Roman Polansky (numa deriva mais descontraída, com Walter Matthau, e cujo navio do filme, o Neptuno , pode ser admirado no porto de Génova), e, mais recentemente e com grande sucesso, Johnny Depp e série Piratas das Caraíbas.


Ora o espanto nem terá muita razão de ser. Se os mares das Caraíbas já não são pasto de ingleses e holandeses renegados, e se os turcos e barbarescos já não aterrorizam o Mediterrâneo e as ilhas Atlânticas, os Mares da China e do Sudoeste Asiático já há muito que conhecem bem o fenómeno nos tempos actuais. O que se passa entre o Corno de África e o Golfo de Adem passa-se igualmente no Estreito de Malaca, onde o tráfego marítimo entre o Índico e o Pacífico (um quarto do comércio mundial) é constantemente ameaçado pelos ataques a navios mercantes de potentes embarcações que surgem entre as numerosas ilhas entre a Malásia e a Indonésia. Apesar de tudo, a pirataria decresceu consideravelmente a partir de 2006 desde os acordos com as guerrilhas de Aceh e de um maior patrulhamento da zona.

Os ataques de piratas à volta do Corno de África datam, mais a sério, de 2005. A pulverização do estado somali, em 1991, entre vários territórios e Senhores da Guerra, conduziu à anarquia e à guerra civil, a que nem a intervenção da ONU conseguiu pôr cobro, gorada depois das imagens de corpos de marines americanos arrastados em Mogadíscio. A ausência de ordem no território (com a possível excepção da Somalilândia, a Norte), a miséria e as constantes guerras entre os Tribunais Islâmicos, o "governo "interino moderado apoiado pela Etiópia e os EUA, e milícias várias levaram à procura de novos meios de subsistência, e que logo se converteram nova fonte de lucros. Sem autoridade em terra, pescadores e guerrilheiros iniciaram-se em actos de pirataria, utilizando para tal barcos velozes e facilmente manobráveis, armados até aos dentes com armas ligeiras e levando até consigo contabilistas, tradutores e técnicos munidos de computadores portáteis, não só para se orientar no mar mas igualmente para calcular os valores apreendidos. Têm base em cidades costeiras como Haradhere, que graças à pirataria conhecem uma nova era de prosperidade. Multiplicam-se os pontos de fornecimento de produtos, restaurantes e locais de entretenimento, e a construção civil também prospera, com o efeito dominó do boom desta economia clandestina (como tudo na Somália). Não admira assim que piratas tenham o apoio maciço da população local e de vários senhores da guerra, já que todos beneficiam directamente com isso. A guerra e a luta pela sobrevivência que se verificam naquela terra sem dono, ou com demasiados donos, prolongam-se consequentemente no mar, sem autoridade que as impeça. E continuará a vingar enquanto não existir uma Somália minimamente normalizada. Ou seja, pode durar ainda muitos anos, porque a situação não dá mostras de melhorar. Antes pelo contrário, como se vê numa Mogadíscio sem rei nem roque, dividida entre duas facções que a pretendem controlar a qualquer preço.



Também a capacidade de actuação aumentou imensa e espantosamente, não só no raio de acção mas também na dimensão física das capturas. Em Novembro apoderaram-se do super petroleiro saudita Sirius Star, de 330 metros de cumprimento e com uma carga de dois milhões de barris de crude, a 450 milhas marítimas da costa de África, que causou grande espanto até mesmo em Haradhere. Só através de um resgate de perto de 15 milhões de dólares é que libertaram o navio e respectiva população. e em Setembro do mesmo ano capturaram o Faina, navio ucraniano que transportava tanques russos T-72 e artilharia anti-aérea. Devolveram-no à procedência contra o pagamento de 3 milhões de dólares.



Com tais perturbações ao comércio marítimo mundial, foi necessária a intervenção da Task Force internacional com base no porto de Djibouti, cujas tarefas eram até então de apoio a tropas americanas no Médio Oriente, e de vários outros estados, como a Rússia, a china e a Índia. Também a NATO enviou uma força naval permanente, uma flotilha de oito navios, comandados pela fragata portuguesa Corte-Real. A armada portuguesa teve por isso de patrulhar aquela vastíssima área e consegui impedir ataques a vários navios, capturando algumas embarcações piratas. Teve porém de libertar os seus ocupantes porque a Convenção da ONU sobre Direito do Mar só considera cmpetentes para julgar piratas as autoridades do próprio país de onde são provenientes ou daquele ao qual pertenceriam os eventuais lesados.

 
A Corte-Real regressou há dias a Portugal, mostrando com assinalável orgulho algumas lanchas capturadas aos piratas somalis. Pode parecer pouca coisa, mas só a presença portuguesa em águas do Índico revela não só o cumprimento dos seus deveres a nível internacional (o comércio marítimo afecta a todos), mas é igualmente uma mostra de prestígio e da confiança que é atribuída ဠnossa força naval por parte da NATO. E ainda outro aspecto importante, este mais do domínio da memória: quatro séculos depois de dominar o Índico, de ocupar a entrada do Golfo Pérsico e respectivos portos estratégicos de Ormuz e Mascate, de ameaçar subir o Mar Vermelho até ao Egipto, sob os Almeidas e os Albuquerques que tanto temor inspiraram naquelas paragens, Portugal regressa com a sua força naval para ajudar a limpar aquela região da pirataria que a infesta. A diferença é que num Mundo multipolar e tecnológico abarcando organizações internacionais de variada natureza, já não é uma actuação solitária, mas inserida num conjunto de várias nações unidas com um objectivo comum.



Assim se retomam velhos ciclos: a pirataria, que tantos julgavam coisa do passado, aí está, com outros meios mas com propósitos iguais. E Portugal, que no passado tanto combateu com assinalável sucesso naquela mesma região, envia o navio-almirante de uma importante operação naval da NATO. Há coisas que nunca mudam definitivamente.

Sugestão: e já que falamos em piratas, a Cinemateca Nacional exibe por estas alturas um ciclo de filmes de piratas, sempre às 22.30 na Esplanada. Quem estiver em Lisboa e puder ir tem aqui um bom entretenimento, bastante aconselhável a apreciadores do gênero.

terça-feira, julho 21, 2009

Ainda para comemorar a chegada do homem à Lua

REM e Bruce Springsteen, juntos nesta canção marcante dos anos noventa.



(Agradecendo a recordação ao Pedro Correia)

segunda-feira, julho 20, 2009

40 anos


Eis um daqueles acontecimentos que gostaria de ter presenciado no momento. Não há muitos assim, mas lamentavelmente nem sequer era nascido. É por essas e por outras que as gerações anteriores, nomeadamente a dos anos sessenta, recordam e elogiam constantemente o "seu tempo".
Embora, segundo alguns, como Hergé, já outros tivessem chegado antes de Armstrong, Aldrin & Ciª.

sexta-feira, julho 17, 2009

As confusões de Raposo (ou nem o Daniel Oliveira, na outra coluna, caía nesta)


Não serei a pessoa mais competente para explicar (se é que é possível) o post de Henrique Raposo sobre a Encíclica Caritas in veritate. José Tolentino de Mendonça, mais meditativo, e O Corcunda, bastante mais contundente, já lhes deram a devida resposta. Mas o que me intriga é esta tentativa de reduzir o Catolicismo e mesmo o todo Cristianismo a uma mera ideologia de séculos recentes, que é "liberal" quando convém mas que se cola ao marxismo quando se torna inconveniente. É esse utilitarismo que prova que Raposo faz uma enorme confusão quando fala de Marx e dos "Summer hits de Louçã". Confunde uma doutrina e um pensamento de séculos e séculos com materialismos com os quais nada tem que ver e que até são o oposto. Reduz a um mero conjunto de ideias aquilo que para os cristãos é a Verdade revelada pelo Filho de Deus e pelo Espírito Santo através dos Seus seguidores. A Caritas in veritate é o seguimento lógico de outras Encíclicas, como a Rerum Novarum ou a Populorum Progressio, que se debruçaram sobre questões sociais emergentes numa perspectiva cristã, sem necessidade de pegar em ideologias feitas à pressa.

Para além do topete de querer, literalmente, ensinar a Bíblia ao Papa (para mais com uns sessenta anos de profundo estudo e meditação), ainda deixa a misteriosa questão no ar: "no dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, qual é a parte que o Papa não entende?" Quem não entende a pergunta sou eu, que não vejo relação nenhuma com a crítica anterior, a não ser que Raposo esteja a enfiar os pés pelas mãos e a dar uma de marxista (ou de jacobino, para quem "o clero deve remeter-se à sacristia", o que na era do computador é problemático) . A questão a ser colocada deveria ser: na evidência do Cristianismo ser uma religião com raízes bem fundas e não uma ideologia recente, qual é a parte que Henrique Raposo não entende?

quarta-feira, julho 15, 2009

220 anos

Há 220 anos, um Augusto Senhor, no seu diário, descrevia aquele dia de forma lacónica: "Rien".


segunda-feira, julho 13, 2009

Maldição no Bessa?
O Boavista anda mesmo com azar. Num evento em que certamente ganharia alguns euros, o cancelamento do concerto dos Depeche Mode no âmbito do Festival Super Bock Super Rock é um autêntico balde de água fria. Claro que quase ninguém iria só por causa dos delicodoces Nouvelle Vague e das restantes bandas suporte. Pôr à última hora os estafados Xutos e os inócuos The Gift não deve ter amarrado lá muito público. Não sei se o Boavista seria compensado pelo número de bilhetes vendidos ou se teria uma verba fixa; na primeira hipótese, é mais uma desgraça a juntar ao rol interminável; na segunda, já seria o Bessa a emanar essa pouca sorte, qual maldição axadrezada. Há já muito que naquele estádio não acontece nada de bom. Exige-se rapidamente a água benta do Padre Carrara, ou se não for suficiente, um exorcista. Mas do mal o menos: não se lembrarem de chamar os Ban em lugar de Xutos e Gift já evitou desgraças maiores.