

Por João Pedro Pimenta. Blog de expressão portuense, benfiquista, monárquica, católica e politicamente indeterminada. Pelo menos até ver... Correio para jppimenta@gmail.com




Já passou algum tempo, mas a notícia da morte de Thomas Harlan, em Outubro passado, num sanatório da Baviera onde já se encontrava há uns anos, só foi anunciada semanas depois e passou despercebida. O nome não será dos que mais facilmente virá à memória. Harlan era um realizador alemão, politicamente engajado na extrema-esquerda, que depois da 2º Guerra e de servir na Kriegsmarine, estudou em Paris e tornou-se amigo de Klaus Kinsky, mais tarde o actor fetiche de Werner Herzog. Viajou pela Polónia, atrás de nazis fugidos, por Itália e por inúmeros países, dentro e fora da Europa, onde colaborou com diversos movimentos de extrema-esquerda. Como tantos outros intelectuais esquerdistas, não perdeu a oportunidade de vir a Portugal em 1975 (na altura um destino turístico para activistas do gênero) para observar, estudar e filmar algumas acções mais simbólicas do PREC. Acabou por realizar um documentário sobre a ocupação das terras do Duque de Lafões, perto da Azambuja, por trabalhadores agrícolas, no processo de colectivização de latifúndios, documentário esse que ficou conhecido como Torre Bela, e que teve exibição comercial entre nós apenas em 2007. Na altura, algumas cenas de um realismo burlesco acabaram por ganhar alguma notoriedade, como a da "comprativa". A ocupação terminaria algum tempo depois, mas o filme tornar-se-ia um bom testemunho dos loucos meses do PREC.

PS: Pôncio Monteiro sempre me irritou, com o seu fanatismo e as suas tiradas despropositadas. Mas há que confessar que sem ele aquele pequeno Mundo tão mediatizado do comentário futebolístico televisivo fica muito a perder, sem o seu estilo inconfundível, as suas atoardas e a sua pronúncia com "zs". E recorde-se também o desaparecimento de Aurélio Márcio, um dos mais isentos e justos comentadores que me habituei a ouvir na rádio (assim reconhecido por todos), e um dos históricos fundadores de A Bola.




O Banco Alimentar recolheu neste fim de semana mais de 3 mil toneladas de alimentos. Ultrapassou os recordes de sempre. Ese sucesso tem várias leituras possíveis: significa que, como se temia, há mais gente com fome a precisar de auxílio. Mas também que as pessoas, mesmo com mais apertos na bolsa, e sabendo das novas realidades do país, foram mais solidárias do que o costume. Em tempo de crise, é uma bela amostra de que a sensibilidade social não está por terra, antes pelo contrário. E quando tantos apregoam por maior intervenção da sociedade civil à margem (ou como complemento) do Estado, o Banco Alimentar é um exemplo maior desse tipo de intervenção, mostrando quão eficaz pode ser o apelo de uma instituição de confiança e sem segundas intenções, para acudir às reais necessidades do país e dos que estão na sua margem.



Eis a Ateneo Grand Spirit, de Buenos Aires




...e a última campanha de Eneas


Ainda não me tinha debruçado aqui sobre o Benfica desta época. Poderá soar a alguma cobardia escrita, tendo em conta o início desastroso da equipa. Na verdade, já há tempos que pretendia falar sobre isso.
(Fotos recolhidas da Guimarães TV)Há já vários anos que não ia a Guimarães (coisa indesculpável para quem vive a apenas cinquenta quilómetros), mas tencionava lá ir antes de 2012, quando a Cidade-Berço for Capital Europeia da Cultura. Surgiu a oportunidade no melhor dia possível. E reconheça-se que é a urbe ideal para uma manifestação monárquica. Todo o enquadramento do centro histórico ajuda, com as suas apertadas ruelas de traço medieval, as casas brasonadas, o granito a espreitar sempre. Os nomes e decoração de alguns bares e restaurantes também ("El-Rei", "Cara e Coroa", etc). Mas a quantidade de bandeiras de D. Afonso Henriques em janelas e varandas espanta; nalguns casos, via-se a bandeira com a cruz de Santiago. As tabuletas com os nomes de alguns estabelecimentos comerciais pareciam estar ali de propósito, com inúmeras alusões aos reis, às armas, etc. E ao espanto inicial dos transeuntes que vinham à janela ver que marcha era aquela começaram a chegar as primeiras palmas e "vivas".
Num Hard Club novo em folha, aconchegado no mais que centenário mercado Ferreira Borges, que domina o Infante e a Bolsa, a banda ofereceu um espectáculo que começou morno e acabou em êxtase. Também acabou alagado em suor, por causa da falta de refrigeração, mas nem isso impediu que fosse uma hora e tal extremamente bem conseguida, que teve o seu ponto alto quando Rui Pregal da Cunha (com um traje napoleónico!) entrou em palco, para entoar o novo single, e ainda, como brinde, a velhinha Paixão, dos Heróis do Mar. Como se pode imaginar, a sala ficou ainda mais ao rubro. E deu para perceber que Os Golpes já têm um pequeno culto atrás de si, e que a sua pose revivalista e as suas referências dos anos oitenta - uma delas, por sinal, estava ali em carne e osso - os vão continuar a caracterizar e acompanhar, na sua Marcha levada pela nova vaga de música pop cantada em português.



