Por João Pedro Pimenta. Blog de expressão portuense, benfiquista, monárquica, católica e politicamente indeterminada. Pelo menos até ver... Correio para jppimenta@gmail.com





Otto da Áustria nasceu já como herdeiro da coroa dual dos Habsburgos, herdeiro do milenar Sacro Império. Era sobrinho-neto do velho Imperador Francisco José e filho de Carlos I), que seria o último monarca da Áustria-Hungria, em virtude do assassínio do seu primo em Sarajevo, que desencadeou a 1ª Grande Guerra. Com a queda do império, acompanhou a família no exílio para a Madeira, onde seu pai morreria. Sem possibilidades de aceder ao trono da Hungria, devido ao golpe do Almirante Horthy, o "regente sem reino", Otto mudou-se para para Espanha e formou-se mais tarde em ciências Políticas na Universidade de Lovaina. Tornou-se um firme opositor ao nazismo ascendente e ao Anchluss, reivindincando o trono austríaco e fazendo declarações públicas contra a ocupação alemã. Essas posições valeram uma perseguição massiva aos seus apoiantes e a sua condenação à morte in absentia. Quando a Alemanha invadiu a França residia então em Paris, pelo que se viu obrigado a fugir para os Estados Unidos. Conseguiu-o graças a Aristides de Sousa Mendes, com quem entrou em contacto através do seu secretário, o Conde von Degenfeld, e que lhe proporcionou um visto para Portugal, e daí para a América (o próprio Arquiduque esteve envolvido na fuga de milhares de austríacos da invasão nazi). Viveu em Washington durante a Guerra, até ao regresso à Europa, ainda nos anos quarenta, com um passaporte da Ordem de Malta. Só muitos anos mais tarde ser-lhe-ia atribuída a cidadania austríaca, bem como a húngara e a croata.
Católico devoto, europeísta convicto, presidente da União Pan-Europeia, crítico da divisão europeia, chegando a promover acções para desmoralizar os regimes comunistas, Otto serviu ainda como deputado europeu durante vinte anos, pela CSU bávara, já que a partir dos anos sessenta escolheu a Baviera para viver, e onde morreu, há dias, com 98 anos. Se o Império tivesse subsistido, teria reinado durante 89 anos. Mas nunca chegou a ocupar o trono bicéfalo dos imensos domínios dos Habsburgos, e assistiu à carnificina europeia, sem que por isso baixasse os braços e desistisse de conseguir uma Europa unida, livre, tradicional e moderna, ao mesmo tempo. Em grande parte, conseguiu-o. O Arquiduque cumpriu exemplarmente a sua missão numa vida longuíssima e completa.

(Foto tirada daqui)








O escândalo Strauss-Kahn apanhou toda a gente desprevenida, excepto os que lhe conheciam a fama. Lê-se um pouco de tudo, desde os que conheciam e já temiam as suas investidas bruscas (como Sarkozy) sobre o "sexo fraco", aos que rapidamente se apressaram a bradar que tudo não passava de uma conspiração para arrasar a carreira de DSK. Mas de quem? De Sarkozy, que assim afastaria o seu provável adversário nas presidenciais, com enormes probabilidades, segundo reza(va)m as sondagens, de o retirar do Eliseu, como não acontecia desde 1981? Dos Estados Unidos, que urdindo um golpes de cadeiras no FMI, conseguiriram tirar um europeu - para mais um francês - da cadeira da famosa instituição financeira? De inimigos internos no PS francês?





