segunda-feira, fevereiro 27, 2012
sábado, fevereiro 25, 2012

Houve uma notícia do ano passado que me deixou a sorrir pela perenidade de certos tesouros. Nas profundezas do mar Báltico, entre a Suécia e a Finlândia, uma equipa de mergulhadores descobriu um navio afundado, contendo uma carga de garrafas protegidas por trapos. Desarrolhadas, revelaram um champanhe de primeira ordem, que depois de várias amostras, e por não ser possível identificar o rótulo, se provou ser da Veuve Clicquot. Mais ainda, seriam uma oferta de Luís XV (ou XVI, depende do ano do naufrágio) a Catarina a Grande, da Rússia, o que só aumenta o valor da descoberta. Ao que parece, a temperatura ambiente a escassa luminosidade permitiram que a bebida se conservasse em perfeito estado. Assim, as garrafas com o néctar permaneceram intactas no fundo do Báltico sem que nunca tivessem chegado ao destino. Dificilmente chegarão, porque a carga, pela sua propriedade, deve pertencer a França, a não ser que algum dos habituais multimilionários russos compre alguma garrafa, o que é bem possível.
É verdade que descobrir preciosidades em ouro e pedras preciosas deve ser emocionante. Mas e descobrir uns invólucros com um líquido desconhecido dentro? À primeira ideia não parece ser grandemente divertido. Mas saber-se depois que é um champanhe do século XVIII, da melhor categoria e perfeitamente conservado talvez cause alguma emoção. Fica a dúvida se quereria uma gratificação monetária pela descoberta ou se preferia ficar com algumas garrafas em proveito próprio, que se não fosse um naufrágio naqueles mares tempestuosos, estas primeiras amostras de Veuve Clicquot teriam sido consumidos por boiardos russos e amantes da imperatriz.
sexta-feira, fevereiro 17, 2012

As histórias de descobertas de tesouros inesperados sempre me interessaram, pelo acaso da Fortuna poder estar ao virar da esquina, pela natureza dos objectos encontrados, e evidentemente, a parte glamourosa na novidade.
quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Os timorenses têm a memória menos curta e são mais gratos do que os portugueses. E não esquecem quem sempre esteve com eles, muito antes dos massacres de Santa Cruz, quando todos os outros, por desconhecimento ou falta de carácter, deixavam Timor à sua sorte. Quem se lembrar do vergonhoso episódio da delegação oficial portuguesa, na cerimónia da independência de Timor-Leste, que resolveu esquecer-se de convidar o Duque de Bragança, perceberá porquê. Agora essa aindignidade ficou em parte sanada. Graças a Ramos Horta, e não a qualquer autoridade oficial ou titular de um orgão de soberania da "república portuguesa".
sábado, fevereiro 11, 2012

Já sabíamos que a Presidência da República de Portugal gastava mais do que a Casa Real de Espanha. Agora, um deputado socialista francês publicou um livro onde denuncia os gastos exorbitantes de Nicolas Sarkozy. Vejam um excerto:
Por trás de todas as mudanças dos últimos duzentos anos, permanecem traços imutáveis da velha França. Ao lado do motto "Liberté, Egalité, Fraternité", aparece sempre um presidente que poderia facilmente dizer L´Etat c´est moi, sobretudo desde De Gaulle. No caso de Sarko, é mais um Napoleão sem génio militar, com mal disfarçadas pretensões gaullistas mas sem a grandeza do general, e com o fausto de Luís XIV mas sem um Colbert.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Falando ainda de senhoras pertencentes a famílias reais, a história de D. Adelaide de Bragança merece toda a atenção. Ao contrário de Isabel II, nunca reinou, e durante muitos anos nem sequer pôde pisar solo português, já que pertencia ao ramo miguelista banido pela Convenção de Évora Monte. Neta de D. Miguel, D. Adelaide cresceu em Viena e assistiu ao Anchluss. Trabalhou como enfermeira durante a guerra, integrou a resistência ao nazismo com o nome de código "Mafalda" e foi por isso condenada à morte e salva pela intervenção de Oliveira Salazar. Voltou à resistência, e a ser condenada à pena capital, e aí salvou-a a intervenção dos soviéticos, que por pouco não a enviaram para a Sibéria, só a libertando depois de descobrirem que ajudaram resistentes comunistas. Depois de tantas atribulações, conseguiu enfim ir para Portugal, extinta a Lei do Banimento, e instalou-se em Almada. Aí deparou-se com a miséria material da população e criou a Fundação Nun´Álvares Pereira, de apoio aos mais carenciados,em especial crianças e mulheres grávidas, fazendo disso o seu modo de vida, enquanto o marido, o médico holandês Nicolaas Van Uden, participava na criação do Instituto Gulbenkian de ciência.
Esta senhora notável recebeu do Presidente Cavaco Silva a Ordem de Mérito Civil a 31 de Janeiro último, dia em que completava cem anos, perfeitamente lúcida e rodeada de inúmeros familiares e admiradores. Quando tantas condecorações se tornam inúteis e corriqueiras, e vão parar a gente de pouco préstimo, é reconfortante saber que ainda há quem as mereça e seja lembrado, ainda que para isso tenha de chegar ao estado de centenário. Mas sobretudo o que me alegra é saber que há quem tenha tido vidas extraordinárias, passado por grandes tormentos e se tenha dedicado a cuidar dos outros, em especial dos mais carentes, e que esse exemplo e testemunho sejam reconhecidos antes que fosse tarde demais. Dona Adelaide teve uma vida extraordinária e exemplar, de que muito poucos, mesmo na literatura, se podem gabar.
segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Poucos monarcas reinaram durante tanto tempo. A Rainha Vitória esticou de tal forma o seu reinado - quando a Grã-Bretanha era o maior império à face da Terra - que o tempo em que viveu e as regras sociais cunharam o seu nome. A sua trineta não teve anos tão esplendorosos. Vitória viu o Império crescer, Isabel II viu-o desaparecer e o Reino Unido perder a sua hegemonia, com simbolismo máximo no desastre do Suez. Ainda assim, agarrou ainda muito nova a coroa, com a morte de seu pai Jorge VI, depois de ter assistido à Segunda Guerra bem acima da sua cabeça e de conduzir ambulâncias, sem sair de Londres, devastada pelas bombas. viu, como se disse, o Império cair, mas a sua figura manteve-se como chefe de estado em muitas antigas colónias através da Commonwealth, prova do seu prestígio. Doze primeiros-ministros passaram por ela, começando em Sir Winston Churchill, passando por Eden, MacMillan, Wilson, Thatcher e Blair. Assistiu a todas as mudanças no mundo desde os anos cinquenta. Aguentou a decadência económica e militar britânica, o punk que fazia dela o bombo da festa, o thatcherismo que liquidou boa parte do que restava da Revolução Industrial, e o annus horribilis de 1992, que teria um prolongamento em 1997, com a morte da Princesa Diana. Passou por isso tudo e mantém-se como uma figura reverencial, uma espécie de mãe distante dos britânicos e dos povos da Commonwealth.
Isabel II tornou-se soberana há 60 anos. Faltam apenas três para suplantar a sua mítica antepassada. Mais antigo do que ela só Rama IX, da Tailândia. Durante esses sessenta anos, tem reinado com a dignidade a que está obrigada e a que as circunstâncias a obrigam. A sua figura inspirou mesmo um filme, The Queen, de Stephen Fears, e deu um Óscar de interpretação a Helen Mirren, que na cerimónia em que ganhou o prémio não deixou de a invocar e de a homenagear.
domingo, fevereiro 05, 2012
A revisão da lei do aborto em Espanha é um dado que merecia mais atenção. Não me lembro de nenhum outro governo ou regime ter revertido uma norma semelhante. Neste caso, mais do que revogar as recentes mudanças de Zapatero (que permitiam, por exemplo, que raparigas de 16 anos abortassem sem autorização dos pais), eliminaram-se as leis do aborto livre e sem fundamento, sendo agora meramente permitido em caso da malformação do feto, perigo de vida para a mãe a violação. Não sei se será a feliz reversão isolada de uma tendência preocupante que parece ter-se tornado moda (ou pior ainda, um novo "direito humano das mulheres"), ou o início de uma nova discussão e de um novo entendimento sobre o aborto. Haja esperança. Em todo o caso, é de louvar a coragem do novo governo espanhol em remar contra a maré de lugares comuns politicamente correctos e propaganda massiva, mesmo que isso não agrade a muitos, como o nosso conhecido Bloco de Esquerda, de que escreverei daqui a dias.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
terça-feira, janeiro 31, 2012
Já saiu a lista dos nomeados aos Óscares. Bem sei que só por si não é pressuposto de bom cinema, mas de um razoável espectáculo (este ano deve ser bom, com o meu conhecido Billy Crystal), e este ano inclui Scorcese, Spielberg, Merryl Streep, Clooney, Woody Allen, Malick e demais passadeira vermelha - parece que só mesmo Clinto Eastwood ficou de fora, sem que o seu biopic de J. Edgar Hoover convencesse os críticos (a propósito, tenho de ir ver esse).
A história do Papa deprimido, que não tem coragem de se revelar ao público na janela de S. Pedro, e que passa por um longo processo de recuperação, incluindo a psicanálise e mesmo a fuga (que recorda um pouco As Sandálias do Pescador), parece uma adaptação de Os Sopranos transposta para o Vaticano. É difícil imaginar o Sumo Pontífice com depressões, pese embora a sua normal idade avançada e as suas múltiplas preocupações. Mas a hipótese de uma recusa após a eleição é plausível. Os Conclaves duram dias, desespera-se pela fumo branco, que até já deu origem a expressões populares. Terá já acontecido, na história? Possivelmente. Mas que eu me lembre, nunca se tinha colocado essa questão, ao menos no cinema.

Mas independentemente dos fantásticos momentos de humor do filme, o reconhecimento de incapacidade assumida pelo próprio Pontífice parece tomar formas de tragédia silenciosa. Se a ideia de um Papa recusar a sua missão apenas entre o segredo da Capela Sistina, permitindo nova eleição, já de si causa algum desconforto, que dizer da renúncia pública na varanda de S. Pedro? Será o único responsável aquele que declina a missão de pastor perante Deus e os homens, com um emudecedor non sum dignus, ou os cardeais não foram mesmo guiados pelo Espírito Santo? Este é um filme que poderá parecer ligeiro, mas cujas interrogações, e sobretudo as cenas finais, inquietam qualquer católico, e porque não dizê-lo, qualquer mortal. E não será isso, precisamente, um pressuposto para considerarmos um grande filme?

segunda-feira, janeiro 30, 2012
Mas neste caso, o que eu gostava mais de saber é quais foram os critérios que presidiram à escolha destas duas datas em particular. Sim, se Portugal é independente, porque é que foram logo suprimir o 1 de Dezembro? E se vivemos numa república (com nome oficial de "república Portuguesa), porquê o 5 de Outubro? Não houve qualquer explicação do sr. Ministro da Economia. Esqueceu-se ou não convinha?
Quem também devia ser interrogado eram alguns dirigentes do PS, que ficaram muito indignados (o sentimento da moda) com a supressão do 5 de Outubro. Não lhes ocorreu falar no 1 de Dezembro por ignorância ou porque simplesmente veneram mais a data do golpe republicano do que do corte de ligações com Castela? A mesma pergunta se podia fazer a António Costa, presidente da CM de Lisboa, que prometeu continuar com a cerimónia do hastear da bandeira nesse dia, mas que nada disse sobre a habitual homenagem aos Restauradores. Também se acaba, ou a história começou em 1910?
Outro a quem se podia perguntar que ideia lhe passou pela cabeça era a João Proença. Uma das condições, não aceite, para a assinatura do Pacto de Concertação Social, era a manutenção do 5 de Outubro. Ao que parece, o Governo preferiu a hostilidade da maçonaria à da Igreja (com quem, caso contrário, romperia um acordo) e não cedeu na supressão do feriado da república. Sempre gostava de saber se João Proença preza mais a sua condição de maçon do que de sindicalista. E que explicasse porque é que fazia finca-pé em manter um feriado comemorativo da instauração de um regime tão pouco simpático para os sindicatos, e em que a figura mais relevante ficou justamente conhecida por "racha-sindicalistas".
sexta-feira, janeiro 27, 2012
Confusões húngaras e hábitos eternos

Mas o ambiente no país não é o mais saudável, embora esteja algo empolado por alguma comunicação social da Europa ocidental. O Fidesz, partido de direita conservadora (outrora liberal, mas que ocupou o lugar do vegetativo Fórum Democrático Húngaro, um pouco como em Espanha aconteceu com o PP e a UCD) que conquistou uma robusta maioria absoluta em 2010, aproveitando o descrédito dos socialistas, tem feito uma série de alterações constitucionais que colocam em causa a independência da justiça, desde logo quando atribuem poderes ao procurador-geral para decidir em que tribunais é que os casos podem ser julgados, e pretendem tornar o sistema em parlamentarismo puro, quando as reformas dos círculos eleitorais tendem a favorecer no futuro o Fidesz. Aparentemente, ao primeiro-ministro e líder do partido, Viktor Orban, tido como populista (mas não um déspota), o poder da robusta maioria do FIDESZ subiu-lhe à cabeça. Isso e o desejo de varrer todos os legados do regime comunista, pelo que não hesitou em acusar os socialistas de serem culpados dos crimes do anterior regime - também aqui há alguns pontos em comum com Espanha. Se muitos dos actuais membros do MSZP estiveram realmente nos organizações juvenis do partido único, já é mais duvidoso implicá-los em crimes, quando eram tão novos, e para mais tendo sido a Hungria um dos países do Pacto de Varsóvia que mais cedo começou a abrir-se.
Mais inquietantes serão algumas ideias próximas do irredentismo húngaro, já que se pretende atribuir o voto às minorias húngaras que há muito vivem na Eslováquia, Roménia e Sérvia, e o crescimento do Jobbik. Este movimento, que há meia dúzia de anos nem tinha representação parlamentar, ficou em terceiro lugar nas eleições de 2010, com cerca de 15% dos votos. Nacionalista, anti-semita e irredentista, é claramente herdeiro do movimento fascista dos anos trinta e quarenta, a Cruz em Seta, que se aliou à Alemanha nazi, e até teve a sua própria milícia fardada. As ideias de Orban, evidentemente, são de natureza bastante diferente, mas se se pode estabelecer um paralelo entre o Jobbik e a Cruz em Seta, também a comparação entre o primeiro-ministro e o Almirante Horthy, esse "regente sem reino" que esteve à frente dos destinos do país durante vinte anos, não será de todo descabida.

A Hungria é um país de pequenos proprietários, de guerreiros e de aristocratas, mas é também um país de protestantes, no seu sentido político. Recordem-se a revolução de 1848, contra a Áustria, que daria origem à monarquia dual, a de 1956, contra o regime comunista, esmagada pelos tanques soviéticos, e o movimento mais pacífico que acabou com esse mesmo regime, em 1989. Recentemente, tivemos os referidos protestos violentos contra Gyurcsani, em 2006, e há dias, quando Orban celebrava a nova constituição na ópera de Budapeste, milhares de manifestantes (entre os quais o próprio Gyurcsani) protestavam contra a nova lei fundamental.
domingo, janeiro 22, 2012

sexta-feira, janeiro 20, 2012

terça-feira, janeiro 17, 2012
Fraga Iribarne, 1922 - 2012

Para além do contributo na actual Espanha monárquica e democrática e na Galiza dos últimos vinte anos, era um figura algo fora do comum, com o seu quê de populista em conjunto com a faceta mais juridico-intelectual. As suas afinidades com Fidel Castro ficaram célebres, talvez pelas origens galegas do cubano e pela experiência cubana durante a infância do segundo; consta que na visita de Castro à Galiza, em 1992 (esse ano em que Espanha esteve nas bocas do Mundo), a conferência de imprensa final teve de ser cancelada porque os dois tinham cedido em demasia ao vinho Alvarinho e não estavam de todo em condições de falar em público. Fraga também manifestava muitas vezes a sua truculência e alguma arrogância, o que o levou a cometer alguns erros, como a sua negligência no grave caso da maré negra do Prestige em que ainda se encontrava a caçar em Toledo quando o crude já se espalhava nas praias galegas. Esse episódio e algum desgaste acabaram por ditar a sua derrota nas eleições autonómicas seguintes e a sua quase reforma da política activa.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
O primeiro post data de 17 de Janeiro. Durante muito tempo, distraidamente, pensei que fosse de 16. Mas a verdade é que o escrevi depois da meia-noite, e a criação do blogue propriamente dito é ligeiramente anterior, aí uma hora, incluindo a sua denominação. Por isso, o aniversário deste espaço deve ser sempre comemorado entre 16 e 17, ou num dos dias, à escolha, dado que o parto deu-se entre dois dias, um pouco como aquelas pessoas que nascem a 29 de Fevereiro. Sim, é possível blogar durante oito anos seguidos, com momentos altos e baixos, bem entendido. É compensador mas também cansa. Para já, chegámos a esta bonita idade, à espera dos sempre adiados "posts prometidos"...

sexta-feira, janeiro 13, 2012
Como temerosamente se previa, querem agora proibir o fumo em todos os espaços fechados, e até à porta de cafés, bares e restaurantes, segundo mais um "estudo cientificamente comprovado". Julgava que a anterior lei é que era moderada, mas enganei-me. Os representantes do puritanismo americano na saúde aí estão, a querer proibir o fumo em qualquer local "público", antes de o fazerem nas casas das pessoas (ou julgam que se querem ficar por aqui?). O sonho deles deve ser o de poder viver numa nova Lei Seca e inodora. O argumento de que pode prejudicar a saúde dos outros não colhe, como se os bares, restaurantes e cafés não fossem locais de sociabilidade, lazer e de livre escolha, ou se uma hora com fumo próximo, mesmo como respiradouros, levasse à morte. O de que "os fumadores atiram-me o fumo para a cara" é outra falácia: quando isso acontece, e até nem é na maior parte das vezes, trata-se de falta de atenção e civismo, como se o fumo não pudesse ser desviado com uma simples troca de posição. Qualquer fumador mundano (classe onde me posso incluir, já que o fumo é para mim um hobbie raro)Trata-se pura e simplesmente de um problema moral: há gente que não gosta de ver outras a fumar e quer impedi-las de o fazer. Tão simples como isso. Apesar de tudo, noto que a opinião pública está pouco favorável a estas ideias totalitárias. Espero que os senhores que têm estas ideias estapafúrdias e proibicionistas percebam isso.

segunda-feira, janeiro 09, 2012
Depois, e aí a polémica parece-me totalmente justificada, temos o caso dos relatórios da comissão parlamentar sobre o caso Silva Carvalho/SIED e as revelações que aquele terá feito para o exterior, juntamente com a sua ligação a uma loja maçónica onde está boa parte dos executivos da ONGOING e alguns ilustres PSD, a começar pelo seu líder parlamentar, o nóvel Luís Montenegro. Entretanto, gerou-se um debate acerca da influência da Maçonaria na vida política do país e a sua rápida apologia por quem está no meio ou por quem, por alguma razão, pretende aparar-lhe os golpes. Não nego a ninguém o direito de pertencer à loja que quiser, ou participar nos rituais que bem entender, desde que não passe disso. Simplesmente, a Maçonaria sempre interferiu na vida pública através de uma influência demasiado grande, do século XVIII até ao presente, com grande participação na 1ª república, e em que políticos, empresários e magistrados sempre coabitaram, frequentemente trocando favores. O episódio da tentativa de eleição de Fernando Nobre (que já se assumiu como maçon) para a presidência da AR é ilustrativo. Não, a Maçonaria não é um mero conjunto de clubes de cavalheiros para discutir símbolos místicos. O seu poder e a sua influência não são tão conhecidos como deviam, mas é inegável que a sua extensão seja larga. A indignação de alguns pelo apelo à assunção de pertença a tais "estabelecimentos" mostra bem como o assunto tem incomodado os "pedreiros-livres". Não há uma derrogação da liberdade se certas funções tiverem a obrigação de assumirem essa condição, por razões de compatibilidade; mas há quando tais grupos secretos condicionam o processo político. Se bem que esperar que os pedreiros venham para a luz do dia seja pedir muito...
E depois, a última questão, a das imagens das claques em poses agressivas nos corredores de Alvalade. Houve inúmeras conotações com a extrema-direita, mas confesso que ao olhar para lá aquilo só me lembrava os comícios do Hamas ou do Hezbollah...

sábado, dezembro 31, 2011
Acaba o ano, e eu com tantos posts em atraso, num conjunto de indolência (como nos acusam os chineses de ser), tempo mal organizado e desinspiração. Há um post que já leva quatro meses de atraso, mas que me parece que ainda não perdeu total pertinência. quem achar que vem a destempo, pode sempre ficar-se pelo primeiro parágrafo.

Outras manifestações houve em sítios por onde o Papa passou, como Berlim, onde não há grande cultura católica. Custa-me a crer que a Igreja, que apesar da sua influência e dos seus seguidores, não tem propriamente poder político, possa causar tantos pruridos e controvérsias. Os casos de pedofilia em instituições católicas, muitas vezes abafados, são graves, mas não faltam crimes semelhantes noutras circunstâncias. A Igreja tem um passado turbulento, mas actualmente não persegue nem pune civilmente ninguém, e no entanto vemos cristãos, católicos e não católicos, perseguidos em várias partes do Mundo. Pode-se imaginar que protestos como os de Berlim, ou no ano passado, em Inglaterra, tendam a surgir como reacção em culturas fortemente anti-católicas (note-se que até agora o herdeiro do trono britânico não se podia casar com alguém que seguisse o catolicismo). Mas os de Espanha desenterram velhas questões e fazem aparecer em plena luz do dia os fantasmas do anti-clericalismo espanhol mais violento.
sexta-feira, dezembro 30, 2011

sábado, dezembro 24, 2011

sexta-feira, dezembro 23, 2011

quinta-feira, dezembro 15, 2011

terça-feira, dezembro 13, 2011

segunda-feira, dezembro 12, 2011
Incompreensivelmente, os Golpes resolveram suspender toda a sua actividade, tal como nos é descrito num comunicado, tendo mesmo cancelado um concerto já agendado. Não sei que problemas é que interromperam a carreira da banda, que estava em clara ascensão, depois do lançamento de um disco e meio, incrementada pelo êxito de Vá lá Senhora. Certo é que cessaram actividades como conjunto e vão dedicar-se a novos projectos. Espero é que sejam bons e que a suspensão não passe disso mesmo,e não de um encerramento definitivo de actividades. Até lá, a editora Amor Fúria brinda-nos como novos sons. Descubram-se os Capitães da Areia, uma malta nova que já me tinha surpreendido no "Dia de Portugal do Rock" (espécie de festival de garagem do 10 de Junho encabeçado precisamente pelos Golpes), com as suas canções estivais e algo nostálgicas. Como esta pequena maravilha que nos chega agora, como uns quatro meses de atraso.
domingo, dezembro 11, 2011
quarta-feira, dezembro 07, 2011
O Corinthians, talvez o clube mais popular de S. Paulo, que compete com o carioca Flamengo pela maior "torcida" do Brasil, sagrou-se campeão no passado domingo. Sem grande craques, mas com uma equipa unida, para a qual muito contribuíram os golos de Liedson. Na madrugada anterior morrera Sócrates, uma das grandes figuras da equipa brasileira que espantou o mundo pela beleza do seu jogo no Mundial de 1982 (já não tenho memórias disso, logo não é das "minhas" equipas favoritas) e desse mesmo Corinthians, em especial do tempo que ficou a ser conhecido por "Democracia Corinthiana". Fiquei um pouco espantado por não ouvir grandes referências entre a morte de Sócrates e a conquista do título, nem homenagens, nem minutos de silêncio, nada. Honras, só mesmo na net. A ser assim, quereriam os corinthianos não estragar a festa do título com tristes notícias? É possível, mas então ainda é mais lamentável: os clubes vivem dos seus heróis, que até escasseiam fora do desporto. O esquecimento voluntário de um ídolo é a negação da própria alma de um clube, tal como uma família ignora o desaparecimento de um dos seus entes. Mais valia que a festa fosse menos alegre e mais contida. E que se sentissem alguns momentos de silêncio sepulcral em honra ao Doutor Sócrates. Seria a melhor homenagem.
segunda-feira, dezembro 05, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011

terça-feira, novembro 29, 2011
domingo, novembro 27, 2011

PS: temia-se uma diminuição drástica nas doações, mas a coisa compôs-se, e no cômputo geral, 2011 acabou por superar 2009, embora não tivesse atingido os números excepcionais de 2010. Resultado global positivo, tendo em conta as circunstâncias. O número de voluntários, esse, não cessa de crescer. Bons sinais, quando a solidariedade e caridade são mais necessárias.
sexta-feira, novembro 25, 2011
Mudança num vinte de Novembro

quinta-feira, novembro 24, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
terça-feira, novembro 15, 2011
Aniversário no Coliseu

(Fotografias recolhidas graças a uma Zona Franca)
sábado, novembro 12, 2011
sexta-feira, novembro 11, 2011
