As minhas desconfianças sobre as amizades de Miguel Relvas não eram em vão. Já tinha ouvido um rumor, mas ainda pensei que fosse uma notícia apressada. Mas não, era mesmo verdade, com pormenores agravantes: Miguel Relvas passou mesmo o reveillon no Rio de Janeiro, no Hotel Copacabana Palace, um dos mais distintos do Rio, e cujo preço é absolutamente proibitivo para quase todos os portugueses; a acompanhá-lo, Dias Loureiro e José Luís Arnaut. O primeiro dispensa apresentações, mais pelo seu papel na escândalo BPN do que pelo seu papel nos governos de Cavaco silva. O outro, que também teve cargos ministeriais, é um dos rostos principais dos escritórios de advogados a que o Estado recorre tantas vezes a peso de ouro, como ainda agora mesmo aconteceu, com as privatizações da TAP e da ANA. Mas ao grupinho luso juntou-se ainda outra figura: Paulo Maluf, ex-prefeito e governador de S. Paulo, ex-candidato presidencial (derrotado por Tancredo Neves), e um dos rostos da corrupção em larga escala do Brasil, com mandado de captura emitido pela Interpol por lavagem de capitais e fraudes várias. Ou seja, Miguel Relvas dá-se com os melhores representantes da corrupção brasileira, à esquerda (José Dirceu, o homem do "Mensalão") e à direita.
O mais incrível é que temos discutido assuntos como o "Zico" e a mala da Pepa Xavier mas aparentemente este assunto passou ao lado dos debates e dos opinadores do Reino. Apenas o Correio da Manhã e o Governo Sombra lhe pegaram, e bem, além do. Dirá o sr Relvas - peço desculpa, mas recuso-me a tratá-lo por um título académico que não me merece confiança - que não discute "a sua vida privada". Como disse João Miguel Tavares, "vida privada, o caraças": Relvas é um dos estrategas-mor de um Governo que cortou nos salários e nas pensões, que propõe às pessoas emigrar e que afirma que temos de empobrecer, é a ele que cabem alguns dos programas mais controversos, como as privatizações, e os seus rendimentos provêm do erário público. Estando reunido com gente que contribuiu para o descalabro moral e financeiro do país (e do Brasil, já agora), ou que está envolvida por fora no processo de privatizações, há uma quebra total da imparcialidade e compatibilidade que os governantes deviam respeitar acima de tudo, além de que parece uma piada de mau gosto quando a população portuguesa passa por sérios apertos económicos e mergulha numa crise de confiança. Do sr. Relvas, infelizmente, já se espera tudo (até que seja amigo de Madoff). Da nossa comunicação social, habitualmente tão lesta a denunciar os pecados da nação, é que esperava um pouco mais de investigação.









