Sabia-se que Vítor Gaspar acabaria por cair, só não se sabia era quando. As previsões eram demasiado furadas e os resultados demasiado desastrosos para que o cargo estivesse seguro. Caiu agora, sem aviso, deixando uma carta surpreendente que não augura nada de bom para o governo e que mostra algum espírito revanchista e muita saturação. Depois de Relvas, é o segundo esteio que Passos vê ir ao fundo, mais agora que Portas se torna, definitivamente, no nº dois do executivo. Mas a nomeação da sucessora de Gaspar deixa-me confuso: até à tarde de hoje, Maria Luís Albuquerque era uma governante a prazo, por causa do caso dos swaps de empresas públicas; subitamente , torna-se na máxima responsável pela pasta mais decisiva. Confuso, não é? Depois da recondução de Braga Lino ao Metro do Porto, é caso para pensar que quem se envolveu com os ditos swaps pode sempre contar com uma (re)promoção.
terça-feira, julho 02, 2013
domingo, junho 30, 2013
O exemplo dos brasileiros
O tiki-taka espanhol está a levar uma séria abada da técnica brasileira, em pleno Maracanã. O Brasil está próxima de ganhar a Taça das Confederações (se pensarmos que ganhou as duas anteriores edições, nem é grande augúrio para o Mundial), no renovado Maracanã. Lá fora, e mesmo lá dentro, houve novos protestos.
Os brasileiros saíram à rua em força, puseram Dilma Roussef a gaguejar e até conseguiram fazer com que o anunciado aumento do preço dos transportes fosse cancelado. As razões são mais que justas: apesar de todo o crescimento económico, os gastos públicos em estádios e outros luxos em detrimento do que deveriam ser as suas funções primordiais são obscenos e incompreensíveis. É verdade que, como noutras situações semelhantes, aparecem os bárbaros de sempre, com ideia de incendiar, pilhar e destruir; tivemos oportunidade de ver isso em Brasília (que diria o revolucionário Niemeyer?), e noutras "badernas". Nesses é que a polícia deve aplicar a sua vontade latente de utilizar os meios que lhe põem à disposição (e nestes incluo o cassetete). Mas na sua maioria, os protestos têm toda a razão de ser. O Brasil é até dos poucos países que se pode dar ao luxo de organizar eventos destes e ainda acumulá-los com os Jogos Olímpicos de 2016 - nada contra, desde que se aproveitem estruturas comuns e se façam as necessárias reformas urbanas no Rio. Mas também sabemos que são antes de mais uma afirmação de potências emergentes, e que em países onde a corrupção é toda uma cultura, os custos tendem a multiplicar-se, como tem acontecido. Os protestos visam também as altas instâncias desportivas que lucram com tudo isto, como a FIFA.
Ao olhar para isso, não posso deixar de pensar que os brasileiros mostram mais maturidade que os portugueses: andámos a fazer caminhadas de protesto de meio em meio ano, com "cantigas de intervenção" à mistura, mas onde andavam os simpáticos contestatários quando trazíamos alegremente para Portugal o Euro-2004 e os dez estádios (lembram-se de dizerem que a UEFA impunha esse número: pois no evento da Polónia/Ucrânia só ergueram oito recintos), quando os custos do CCB e Casa da Música derraparam, quando se construíram autoestradas para pouquíssimo movimento, quando levantaram barragens regiões classificadas pela UNESCO, etc. Agora andamos "intervencionados", pois andamos, mas a culpa é antes de mais de todo, e não apenas da "classe política", que de resto gastou o que gastou porque isso trazia mais votos.
Sim, digam o que disserem, mas as razões dos protestos dos brasileiros são uma lição para os portugueses, que não souberam tratar do que era seu na devida altura. E nem ao menos ganharmos aos espanhóis...
quinta-feira, junho 27, 2013
Outros enquadramentos da ponte
A Ponte da Arrábida tem um toque vanguardista, mas fica muito bem enquadrada com alguns elementos tradicionais. Mesmo que estes apresentem algumas derrogações coloridas a características que supostamente deveriam possuir. Como dizia um velho anúncio, a "a tradição já não é o que era".
segunda-feira, junho 24, 2013
Nos cinquenta anos da Ponte da Arrábida
Parece ser o ano das comemorações de "cinquenta anos" dos monumentos mais visíveis do Porto. Há pouco tempo tivemos a Torre dos Clérigos. Agora, é a Ponte da Arrábida que faz meio século de vida. A obra do Eng. Edgar Cardoso, à época o maior arco de betão do Mundo, continua a manter a mesma elegância, mas a sua utilidade aumentou muito, tendo em conta o trânsito que lá pára em hora de ponta. O toque de modernidade é óbvio, mesmo nos dias de hoje, até pelo pormenor dos elevadores da base ao tabuleiro (que obviamente já não funcionam) ,e só tem como senão o facto dos seus acessos terem cortado metade da quinta dos Andresen. Cinquenta anos já é algum tempo, o suficiente para que a ponte tenha sido recentemente classificada como monumento nacional, mas a mim parece-me que existiu desde sempre, e não consigo imaginar o rio sem aquele arco branco (que alguns tags envergonham). Curioso é que tenha sido inaugurada na véspera de feriado sanjoanino, sendo que a outra ponte do genial Edgar Cardoso, a apropriadamente chamada Ponte de S. João, que veio substituir a de Dona Maria como travessia ferroviária, também entrou em funções no mesmo dia.
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sábado, junho 22, 2013
A despedida de Pablito
Como há meses era previsível, Pablo Aimar deixou o Benfica ao terminar o seu contrato. No último ano, fruto das lesões, da consequente falta de ritmo e da experiência acumulada, já pouco tinha contribuído. Deixa na memória colectiva do Benfica as suas jogadas dignas do génio que era (sobretudo na parceria com o amigo Saviola), o grande respeito que sempre demonstrou pelo clube, o comportamento exemplar e a empatia que gerou nos adeptos. Só é pena que não tenha ganho mais títulos. Mas Aimar é daqueles que não será certamente esquecido.
segunda-feira, junho 17, 2013
Os telhados de vidro dos herdeiros de Ataturk
Regressado de uns dias a explorar o Sul do país, onde felizmente havia sol, pouco dei pelas actualidades nacionais e internacionais. Entre a greve das professores em dia de exames, a apresentação de Paulo Fonseca como treinador do Porto e as eleições no Irão, parece que o impasse na Turquia continua, embora com algum diálogo à mistura.
Falar sobre um país do qual não se tem conhecimento profundo é sempre arriscado. O que eu vi nas enormes manifestações contra Erdogan foram reivindicações aparentementes justas contra a destruição de uma praça ajardinada em Istambul, a agora célebre Praça Thaksim,para a construção de um enorme e kitsch centro comercial, e creio, uma mesquita. A Turquia neo-otomana de Erdogan, próspera e orgulhosa, com pretensões extra-fronteiras, caracteriza-se em boa parte por isso mesmo: centros comerciais espaventosos e mesquitas. Novo-riquismo e religiosidade. São os símbolos da nova burguesia piedosa, proveniente da Anatólia, que apoia maciçamente o partido no poder. Contra eles estão os manifestantes, a tal elite jovem e urbana, devedora do laicismo de Ataturk, e ainda curdos, esquerdistas, anarquistas, comunistas, tudo o que não se revê em Erdogan e o seu partido. Curiosidade maior é ver adeptos dos três grandes clubes de Istambul (Galatasaray, Fenerbahçe e Besiktas) e unirem-se sob a designação de "Istambul United", brandindo os seus símbolos em prol do protesto comum.
Mas o que é irónico é vê-los a protestar contra a falta de democracia, a imposição de algumas normas moralistas, como as que restringem o comércio e consumo público de álcool, e que "se pretendem imiscuir nas vidas privadas". É que a maioria dos manifestantes são "kemalistas", revê-se em Kemal Ataturk; e que se saiba, o antigo líder da nova Turquia, embora a tenha feito dar um enorme salto em frente, não era propriamente um democrata exemplar, bem pelo contrário: era antes um perfeito autocrata, que governou com mão de ferro e teve algumas implicações na matança dos arménios. Além do mais, Ataturk (em português, Pai dos Turcos, nome que adoptou e que mostra bem o seu pendor de "querido líder"), em nome do laicismo e da ocidentalização, proibiu alguns costumes, como o uso do fez e do véu islâmico em público. Também os regimes comunistas dispuseram sempre das vidas de todos aqueles que tiveram a pouca sorte de viver sob eles. Ou seja, aqueles que se queixam de que o governo quer interferir nas suas vidas apoiaram regimes que fizeram isso mesmo. Agora, Erdogan, escudado em sólidas maiorias eleitorais, retribui-lhes com a mesma moeda. Para mais, o perigo "islâmico" não parece fazer muito sentido na Turquia, que cultiva sobretudo o misticismo sufi, pouco dado a extremismos, e que mesmo nos tempos em que era um império e um califado tinha milhões de cristãos e judeus vivendo dentro das duas fronteiras, em harmonia com a maioria muçulmana. Haverá certamente razões para protestar, começando na brutalidade policial, mas os kemalistas e comunistas, que quando puderam dominaram a seu bel-prazer, deveriam ser os últimos a vir para a rua com tais reivindicações.
quinta-feira, junho 06, 2013
Não se fazem carroséis ao lado de bibliotecas
Luís Filipe Menezes é pródigo em loucuras e projectos populistas e dispendiosos, mas desta vez exagerou: deu-lhe para declarar que quer "devolver os jardins do Palácio de Cristal ao Porto", e "relançar projectos no espaço público", construindo ali um parque de diversões e uma praça da alimentação. Os jardins do palácio, um oásis urbano, com os seus miradouros, as suas alamedas, a concha acústica, a biblioteca, onde se pode parar um pouco para respirar, e que qualquer mente lúcida pensaria em deixar em paz, estão agora ameaçados pela fúria obreira de Menezes. Devolvê-los aos portuenses? Que eu saiba, ninguém lhos tirou. As portas estão abertas durante todo o dia, o pavilhão Rosa Mota (a maior chaga daquele espaço) tem eventos constantes, no fim do Verão realizam-se ali as Noites Ritual. Esta ideia peregrina não abona nada a favor do conhecimento que Menezes tem dos espaços públicos do Porto.
O modelo a copiar é o dos Jardins de Tivoli, em Copenhaga, que já foram inaugurados com o propósito de jardim público com diversões para a burguesia emergente. Os do Palácio (cujo edifício original infelizmente já não existe) tiveram alguns divertimentos para tardes de fim de semana, em tempos, com um pequeno jardim zoológico com leões e macacos, lagos com barcos a remos e julgo que também um parque infantil. Os jardins, esses, conservaram-se intactos, apesar dos muitos anos de Queima das Fitas que lá se realizava os deixarem anualmente despedaçados.
Ao que parece, os pavões, patos e outras aves que por lá andam, últimas recordações dos animais que lá havia (com leões e macacos), terão de arranjar outro pouso se Menezes for eleito e cumprir esta nova promessa, que tem o custo anunciado de cinco milhões de euros. Os jardins, esses, não sei que forma irão tomar, nem como vão preservar a concha acústica. E acima de tudo, alguém devia perguntar a Menezes se sabe que actualmente lá se construiu a Biblioteca Almeida Garrett. é que parece-me muito estranho fazer-se um parque de diversões com o propósito confessado de atrair turistas ao lado de jardins e sobretudo de bibliotecas. Deus nos livre desta perfeita loucura.
Adenda: a anunciada candidatura de Nuno Cardoso, a acontecer, é das coisas mais despudoradas que se viram e verão na política por estes anos. Sim, o poço é sempre mais fundo do que pensamos. Um ex-presidente da Câmara, que deixou uma herança de obras paradas, dívidas e negócios pouco claros, apoiou a candidatura de Menezes, que, segundo a Visão, recebeu da câmara de Gaia mais de noventa mil euros nos últimos dois anos com ajustes directos, e que vem dizer que se candidata porque recebeu "um apelo brutal" dos portuenses, ou não tem vergonha na cara ou sofre de problemas psíquicos. "Apelo brutal"? Está-se mesmo a ver. Os portuenses é que não apelaram para ele, com toda a certeza.
quarta-feira, junho 05, 2013
A impossível convergência das esquerdas
Acho muita piada a estas "convergências das esquerdas" que Mário Soares anda a tentar arranjar, na esteira do Congresso das Alternativas, depois de anos de tentativas falhadas, com o propósito de constituir novo governo depois de derrubar o actual. Esquece-se é de uns meros pormenores: o executivo em funções só pode cair ou por dissolução do parlamento por Cavaco Silva, ou se o CDS romper com a coligação e esvair-se a maioria parlamentar. Ou seja, não é pela esquerda que o Governo cai. Mais importante, quem iria ocupar o lugar? O PS? Com certeza, mas sem maioria? E que estas "convergências" esquerdistas são muito bonitas e muito utópicas, mas esquecem-se do magno problema da natureza de cada um dos partidos: como é que um partido como o PS, que assinou o memorando da "Troika" e apoia a NATO, pode convidar para um executivo elementos de um partido que manda condolências pela morte de Kim jong Il ao mesmo tempo que vota contra votos de pesar a Vaclav Hável, e outro que se diz "anticapitalista" e se que divide em facções de esquerda radical? Nem para as autárquicas se conseguem coligar, quanto mais a nível nacional. Se surgir um qualquer movimento mais moderado, como aconteceu na Alemanha, com pessoas como Daniel Oliveira, talvez o PS possa pensar em coligações à esquerda. Até lá, terá de se desenrascar e continuar a acenar discretamente a Paulo Portas.
terça-feira, junho 04, 2013
Centralismo clerical
D. Manuel clemente será o próximo Patriarca de Lisboa, e seguramente mais tarde, receberá a distinção cardinalícia. Confirmou-se o que já se adivinhava desde a sua nomeação para Bispo do Porto. Tenho ouvido nos últimos dias muita gente a referir-se à sua nomeação com regozijo e elogios. Talvez se tenham esquecido de um pormenor: é que sendo o novo Patriarca de Lisboa, o Porto perde-o como Bispo. Não sabemos quem irá ocupar o Paço Episcopal, mas não vi ninguém a lamentar esta saída. E pronto, cá temos mais uma vez Lisboa a levar o que de melhor há no Porto. Não me digam que o centralismo (via Vaticano9 agora também se manifesta na forma eclesiástica.
segunda-feira, junho 03, 2013
Park(da Cidade)live
Com a passagem dos anos, vai-se encurtando a lista dos grupos musicais que há muito queria ver em concerto. Até porque não tenho visto novidades interessantes, ou quando as encontro já não são novidade. Assim, os que marcaram a minha adolescência, particularmente nos anos noventa, vão sendo avistados ao vivo quando surge a oportunidade.
Na última semana, o festival Primavera Sound regressou ao Porto e ao Parque da Cidade, magnífico espaço, bem diferente dos estádios de betão e arenas poeirentas. Três palcos entre lagos e arvoredo, tendas de música, espreguiçadeiras e mantas, tudo sobre o relvado do parque, que descia para os palcos em anfiteatro. Só a "praça da alimentação", onde estavam representadas algumas das mais conhecidas casas do Porto, assentava no asfalto do "queimódromo".
Muitos elementos da chamada "música indie" passaram pelo festival, apoiados por alguns veteranos como Nick Cave e os Bad Seeds, Breeders ou My Bloody Valentine, e outros, como Swans e Grizzly Bear. Mas na Sexta aterraram no parque os grandes atractivos e razão maior da minha ida: os Blur. Os criadores da Britpop, os rivais de morte dos Oasis, os mestres da ironia british dos anos noventa em forma de música, ali, no Porto, entre o mar, a avenida e a circunvalação. Apareceram com pontualidade londrina, e entraram em grande, com uma Girls and Boys de rajada. Depois começou o desfile de grandes canções dos anos noventa do grupo de Londres, com as mui british e irónicas Parklife e Country House (que os levou ao auge da fama, em plena "guerra do Britpop"), o futurista The Universal, a magnífica balada gospel Tender, com o respectivo coro de vozes negra, a primordial There's No Other Way, e a desopilante Cofee and TV, cantada pelo guitarrista Graham Coxon, e onde não faltaram no meio do público duas embalagens de leite gigantes a imitar as ternurentas personagens do respectivo e fantástico videoclip. Pelo meio, Damon Albarn cantava, tocava, erguia os braços e os olhos ao céu como se fosse um profeta e chegou a "navegar" nos braços do público, saindo de lá com uma das muitas grinaldas de flores que as senhoras usavam naquela noite. Tudo num ritmo alto devidamente acompanhado pelo público, que saltou em coro no final com a apoteótica Song Two.
Ficou um pequeníssimo travo de insuficiência, mas olhando bem, tirando Charmless Man e a belíssima e romanticíssima To the End, estava lá quase tudo o que se pedia. Talvez o ambiente do parque nos tornasse mais exigentes. Os velhos Blur cumpriram com o que se lhes pedia, felizmente, e consegui finalmente ver ao vivo um dos grupos por que esperava há mais anos, enquanto eles andavam dispersos entre a música africana, a agricultura e a advocacia, já esquecidos do Britpop. E a propósito, como se lembrou no fim do concerto, para o ano podiam convidar os Oásis, se eles se voltarem a juntar. Ou talvez os Pulp (que até já vi). Até porque os Suede (também já tive a honra de os vislumbrar), que o último Ipsilon diz que acabaram e foram esquecidos "felizmente", o que não só é injusto como falso, estiveram no Primavera Sound do ano passado. Mas assim, o festival deixava de ser a meca da música alternativa para passar a ser o revivalismo do Britpop. E não se pode conciliar tudo?
sexta-feira, maio 31, 2013
Uma Sorrow de seis horas
Os The National estão aí com álbum novo, Trouble Will Find Me. Há dois anos, por estes fins de Maio, tive a oportunidade de os ver no Coliseu do Porto. um concerto emotivo e que só será esquecido quando tiver problemas degenerativos, com as habituais corridas de Matt Berninger entre o público. Por isso mesmo recordo-me que estava à espera que tocassem a excelsamente melancólica Sorrow, do álbum que apresentavam na altura, High Violet, mas infelizmente o meu pedido mental não teve correspondência.
Só que, talvez atacada pelo remorso, a banda resolveu compensar a música esquecida de forma particularmente enfática: numa dependência do novaiorquino MOMA, no âmbito de uma instalação artística, tocaram Sorrow durante seis horas. Isso mesmo, a mesma música tocada de forma seguida por um quarto de dia. Não sei em que estado saiu o grupo e o público, caso alguém tenha resistido à repetição constante da canção. Gosto muito de Sorrow e tive a maior pena que não a tivessem interpretado no Porto, mas se quisesse ser compensado desta forma avassaladora, teria provavelmente acabado com uma crise aguda de melancolia. Para este mês, já me bastou o Benfica.
Em cima, performance da música no MOMA; abaixo, versão original
O Expresso ou um manifesto fraquinho do PSOE?
Quando leio um artigo de jornal sobre política internacional, ou sobre factos passados noutras paragens, longe ou perto, confio que tenham um mínimo de isenção. Não é o caso do último artigo de Angel Luis de la Calle no Expresso, sobre o que se passa em Espanha. Todos sabemos da delicadíssima situação do país vizinho, com um desemprego monstruoso, uma situação bancária insuportável, ameaças de separatismo, acusações à coroa e descrédito dos partidos políticos. Escrever sobre tudo isto pretensas colunas informativas com óbvios preconceitos políticos é mera desinformação grosseira. O título já é logo apocalíptico: "genocídio social a pretexto da crise". Depois, De la Calle afirma que o governo do PP quer instalar um modelo de "neoliberalismo" e "neocon", como "a ala mais à direita do Partido republicano nos EUA". Se a comparação já é infeliz, a confusão de conceitos, entre um modelo económico e uma teoria política, ainda é mais. Com a inevitável farpa à influência da "hierarquia católica", nos casos do aborto, células estaminais e eutanásia, acaba eloquentemente a declarar que "a maioria da população(...) não está disposta a seguir a tendência nacional-populista (deus, pátria e família) que tenta impor-se na Europa". A conclusão não é apenas facciosa: é puramente estúpida, porque além de na Europa a trilogia "Deus-Pátria-Família" tem sido severamente fustigada e mesmo abertamente desdenhada, o autor parece não se lembrar que foi precisamente depois de instaurar medidas fracturantes e regras aberrantes (como a permissão de aborto abaixo dos 16 anos sem permissão dos pais, ou a imposição do politicamente correcto nas escolas) que o PSOE teve a sua maior derrota de sempre e o PP a maioria mais ampla.
De La Calle pode ser um saudosista da república a vontade, mas pede-se-lhe que comente a situação com factos e descrições, não com opiniões pouco isentas que levem o português ao engano. Para ler panfletos políticos vou à procura de um, não preciso de abrir a secção Internacional do jornal Expresso.
De La Calle pode ser um saudosista da república a vontade, mas pede-se-lhe que comente a situação com factos e descrições, não com opiniões pouco isentas que levem o português ao engano. Para ler panfletos políticos vou à procura de um, não preciso de abrir a secção Internacional do jornal Expresso.
terça-feira, maio 28, 2013
Os caminhos do Benfica e de Jesus separam-se aqui (espero)
Acabou. Depois do que vi na Final da Taça, não há hipóteses de Jorge Jesus permanecer no Benfica. Não existem condições emocionais nem materiais, os adeptos não o querem, o ambiente entre a equipa não é bom. Sim, já sei, Jesus devolveu o bom futebol ao Benfica, ganhou um campeonato, valorizou jogadores que renderam bom dinheiro ao clube, tudo isso. Mas acabou. Já são quatro anos em que um dos técnicos mais bem pagos do Mundo apresentou escassos títulos, muitas desilusões, e pior que isso, iludiu aqueles que nele tanto confiavam. Esta época de 2013, que chegou a parecer fabulosa naquela semana em que vencemos o Fenerbahçe, acabou em tremendo desapontamento, com zero títulos e derrotas amargas no espaço de quinze dias. Nunca pensei que o caso do Bayer Leverkussen de 2002 (que ficou conhecido como "Neverkussen") se pudesse repetir no Benfica, para mal dos nossos pecados, embora estejamos igualmente bem acompanhados pelo Bayern do ano passado e pelo Real Madrid de 1983, em tudo semelhantes. Jesus não terá toda a culpa, claro, ele que chegou a considerar a competição europeia um estorvo e não teve outro remédio senão continuar nela. Mas as suas reacções, a sua incapacidade emocional e de dar alento aos jogadores (excepto talvez no jogo da final europeia), traçaram o inevitável: agora que acaba o contrato, Jesus deve rumar a outras paragens. Chega de míngua de títulos com enormes condições para o fazer. Chega de salários milionários a troco de quase nada, e acima de tudo, chega de ilusões fulminadas nos últimos minutos. Jorge Jesus esteve quatro anos no Benfica. Toni e Trapattonni estiveram menos e mostraram mais. Voltemos esta página. Contrate-se um novo técnico (fala-se em Rui Vitória, nosso algoz da Taça, que eu há muito queria que fosse o próximo, até porque é homem da casa e lançou promissores talentos). Vendamos Gaitan, já que precisamos de algum encaixe financeiro e já temos quem o renda, e mais alguns emprestados, conservemos a maior parte do plantel e compremos um defesa esquerdo, fazendo regressar jogadores como Nelson Oliveira e Airton. Já agora, um novo guarda-redes também não seria má ideia. Já estou por aqui com os falhanços de Artur em jogos decisivos.
Se Jesus ficar, possibilidade não tão irreal assim pela teimosia de Vieira, não pretendo assistir aos jogos do Benfica ao vivo enquanto ele lá continuar. Tudo tem limites, e quatro anos é mais que tempo para os perceber. De qualquer modo, não pude deixar de sentir uma certa pena de JJ no final da Taça (a que não pude assistir a vivo, por falta de bilhete, que deixei de ver a partir do golo do empate, prevendo o desfecho). Há anos que ele a persegue, por razões familiares e pessoalíssimas. Perdeu uma final contra o Sporting, à frente do Belenenses, perdeu há dois anos numa meia final com um golo em fora de jogo, voltou a perder perto do fim, de novo com um golo em fora de jogo (que não serve de desculpa). É natural que não tenha contido as lágrimas. Espero sinceramente que ganhe um dia o "caneco", para honrar o seu avô, e no Jamor, não num qualquer estádio modernamente asséptico, num nó de auto-estradas. Mas noutro clube que não o Benfica. Há que virar a página.
segunda-feira, maio 27, 2013
Do apocalipse civilizacional à morte desesperada
O inquietante caso do ensaísta e historiador francês ligado à extrema-direita que se suicidou esta semana em plena Catedral de Notre-Dame tem muito mais que se lhe diga do que uma mera acção espectacular de protesto desesperado contra a aprovação do casamento/adopção gay em França.
Olhando para as suas ideias e para o seu currículo, parece ser o típico militante da extrema-direita identitária e nacionalista, anti-semita e anti-emigração, com poucas ligações ao cristianismo e à mensagem cristã mas que admira a estrutura e autoridade da Igreja Católica, embora neste caso a acuse de "patrocinar a imigração afro-magrebina". Ou seja, um representante contemporâneo da Action Française, que dominou a intelectualidade e os meios universitários com as suas campanhas virulentas nos anos vinte e trinta.
A escolha de Notre Dame parece ajudar a essa ideia: o templo maior de França, símbolo, juntamente com Chartres e Reims, da cristandade e ao mesmo tempo do poder real centralizado, como guardião dos valores da "velha" França, bastião contra a invasão estrangeira e a degradação dos costumes. O símbolo de uma ideia de ordem e de autoridade, mesmo que depurada da mensagem do Cristianismo, inspiração que já vem desde os tempos de De Maistre e continuou com Maurras e outros ideólogos legitimistas.
O editor de Venner, comentando a sua morte, aludiu ao suicídio de Mishima. Como se sabe, o escritor japonês, também ele defensor dos valores tradicionais japoneses pré-Guerra (e que curiosamente era homossexual, tendo elevado a figura de S. Sebastião martirizado a ícone homoerótico), suicidou-se cometendo sepukku ao falhar um levantamento militar destinado a devolver os poderes de semi-divindade ao Imperador. Para Mishima, o passado glorioso e tradicional do Japão não voltaria, pelo que preferia abandonar o mundo através do terrível e "glorioso" ritual de morte próprio dos samurais. As declarações finais de Venner, prevendo a "substituição" da população francesa, e um novo sistema de valores no qual não se reconhecia de todo, em boa parte contraditório, e o seu suicídio carregado de simbolismo, são em tudo parecidas com a do escritor japonês. Mais do que "um acto tresloucado de ódio", como vi escrito, tratou-se de um fim desesperado, de alguém que já não se reconhecia num mundo emergente (que ninguém sabe dizer qual será), e cujo fim violento e público é consequente com as ideias mais radicais que defendia.
Outro caso similar, provocado também pela ideia angustiante do fim de um certo modelo civilizacional, neste caso muito diferente dos anteriores, é o de Stefan Zweig. O escritor, ensaísta e biógrafo austríaco, quase esquecido durante décadas e hoje de novo editado, suicidou-se no Brasil, em plena Segunda Guerra, assistindo ao segundo suicídio da Europa, crendo que o seu mundo, construído na faiscante Viena dos Habsburgos pré-Grande Guerra, tinha sido esmagado pelo totalitarismo. As suas ideias eram em boa parte opostas às de Mishima e Venner, mas a assunção de que o seu modelo de civilização tinha acabado, que os valores que defendia estavam a ser espezinhados e extintos, é exactamente a mesma. A sensação de fim de uma ideia de mundo, aliada a acontecimentos preocupantes, pode em muitos casos levar ao desespero e a colocar um fim à vida. Sejam quais forem os valores que se defende. e o suicídio tumultuoso de Venner deve ser entendido mais como um último acto de revolta contra um estado de coisas, ainda que tresloucado, do que mera acção radical de propaganda.
A prova infalível de que o francês não era realmente cristão é que atentou contra a própria vida, dádiva de Deus, diante do altar que O celebra.
sexta-feira, maio 24, 2013
"Parabéns"? E porque não um manguito?
Acabado o campeonato, parece que a mini-conversa futebolística mais ouvida é que Jorge Jesus não deu os parabéns ao FCP e a Vítor Pereira. Devia dá-los? Não me lembro de darem parabéns a Jesus pelo últimos campeonato ganho (pelo contrário, diziam que era o "campeonato dos túneis", aqueles em que alguns andaram a espancar stewards, e a conversa continua até hoje), nem nos anteriores. Até duas semanas antes, ouvíamos o treinador portista a comentar com azedume um jogo que lhe era alheio e a dizer que o campeonato ia ser "sujinho,sujinho" (seria uma premeditação, depois do que se viu Domingo em Paços de Ferreira?) Ao que parece, tudo está esquecido em função do resultado final.
Ao mesmo tempo, os cronistas de serviço falam do "mau perder" do Benfica. Um dos que vem com essa conversa é Miguel Sousa Tavares, porque ele sim, "sabe ganhar". Eu não sei qual é o problema de falta de memória desta gente, ou se estarão simplesmente a gozar. Sabem ganhar, os mesmos que há duas semanas só falavam do "Capela", que nunca reconheceram os últimos títulos benfiquistas e que até publicaram uma suposta (e em boa parte falsa) lista de supostas aleivosias cometidas pelo Benfica nos últimos anos? Que cantam cânticos injuriosos para os benfiquistas como quando ganharam a UEFA? E têm bom perder, os que impediram os benfiquistas de festejar no centro do Porto com a justificação (dada por dirigentes portistas e pelo mesmíssimo Sousa Tavares) de que se tratava de uma "provocação" porque "queriam comemorar o segundo lugar"? Provocação essa que deve desaparecer quando se vêm cachecóis azuis no Marquês de Pombal. Sorte a deles que os benfiquistas jamais comemoraram segundo lugar algum.
Agora, exigem que Jesus lhes dê os parabéns. O treinador do Benfica reconheceu mérito a quem ganhava, e era tudo o que devia dizer. Queriam parabéns? Mais justo seria que lhes tivesse mandado um manguito, nunca pérolas a porcos. Já não há paciência para a hipocrisia futeboleira.
quarta-feira, maio 22, 2013
Os perigos das novas engenharias sociais
A votação da lei que permite a co-adopção pelos "cônjuges" em casais do mesmo sexo poderá parecer uma melhoria nos direitos das crianças. Percebo que se pretenda dar uma maior protecção à criança em caso de morte do progenitor. Mas tendo em conta os autores da proposta - a nova sacerdotisa das causas fracturantes, Isabel Moreira, e um ex-líder da JS (outro apaniguados das "fracturas") - e os seus intentos, aliás revelados, de se dar "um passo civilizacional" em direcção à "igualdade plena", desconfio que a intenção é mais de privilegiar os "direitos gays" do que das crianças, como bem explica Pedro Picoito. A tónica é sempre a mesma, por vezes mal disfarçada, e não me admira que, depois de muito se falar na urgência de tais "igualdades" e no "progresso dos direitos civis", se proponha mesmo a total adopção da adopção plena por casais do mesmo sexo. A ideia parece-me simplesmente absurda. A natureza e mesmo a psicologia, que tantas vezes falha na sua abstracção, já nos ensinaram que meras engenharias ou experimentalismos sociais e familiares têm resultados duvidosos. E a igualdade, que eu saiba, é tratar coisas iguais da mesma forma e coisas diferentes de forma diferente. Quando calcula tudo pela mesma bitola, transforma-se num igualitarismo esmagador, nefasto e anti-natura. Mas já se sabe, há dez anos todos se ririam da norma aprovada na sexta. Hoje, quem defende isto arrisca-se imediatamente a ser apelidado de reaccionário, preconceituosos, quando não de fascista. E no entanto, falamos de crianças e famílias, elementos de suma importância em qualquer sociedade, cuja importância concreta devia ser discutida e reforçada, mas que tendem a ser reduzidos e meras abstracções de combate ideológico pelos novos engenheiros sociais.
sexta-feira, maio 17, 2013
Mini-análise já mais a frio
Ora lá vamos, à análise. Será curta. A doutrina divide-se, mas pouco: o Benfica jogou melhor, dominou a segunda parte, mas hesitou no momento do remate. O Chelsea mostrou-se mais matreiro e ganhou.
Em parte concordo. O Benfica hesitou em alguns momentos de início. o que me deixou aos urros. Ou por cerimónia ou porque estava lá sempre um defesa, a bola nunca tomava a direcção certa. Nesse período, Enzo Perez brilhou a grande altura: cortava, defendia, distribuía jogo, atacava, cruzava...um médio total. Quem diria, no início da época, quando víamos como extremo mediano, ou mais ainda, no ano passado, em que esteve quase a ser definitivamente recambiado. Nesse aspecto, o Benfica soube reconstituir o meio campo depois da saída de Javi e Witsel de forma notável, e sem mais custos.
O resto, já sabemos: golo de Fenando Torres num lançamento longo (ele já tinha marcado um assim na final do Euro 2008), penalty de Cardozo, que não falhou frente a um Cech especialista em defendê-los, remates perigosos de parte a parte, e no fim, aquele golo surgido num canto. Sim, houve falhas, segundo os comentadores, mas caramba, nos últimos minutos de uma final, como esperam sangue-frio a toda a prova? Num canto? A prová-lo, o mesmo Ivanovic que marcou o golo teve depois um falhanço em que Cardozo quase marcava, mesmo a acabar.
Pronto, perdemos mais uma final. jogámos optimamente, dominámos, etc, mas não ficámos com a Taça, apesar de posições nesse sentido dos "nossos" Ramires e David Luiz. De novo. Já são sete finais perdidas. Há bastante má sorte pelo meio, pelo que, supersticioso na bola como sou, me pergunto se a maldição do húngaro Bélla Guttmann seria real. Se não é, voltaremos a ganhá-las, mas para isso é preciso que regressemos às finais.
Indiscutivelmente, esta semana, porventura a mais decepcionante de sempre, deixou marcas no Benfica. Esteve muito perto da glória, mas ela escapou-se. Temos boa equipa, sem dúvida, com aquela pequena pecha do lateral esquerdo, mas mesmo assim não conseguiu ser A equipa. ainda assim, como vou passar por lisboa, farei os possíveis para ir ver o último jogo da época. Não que esteja crente num milagre, mas quero aplaudir os jogadores. Eles merecem. Até porque ainda há a Taça de Portugal (a que infelizmente não deverei poder ir). e depois, quem sabe, talvez este ano seja para o Benfica o que 1984 era para o Porto: o trampolim para uma grande (re)caminhada. Esperemos. Até lá, vejam o apoio incrível dos adeptos benfiquistas em Amsterdão.
quinta-feira, maio 16, 2013
Depois da final
É quase uma da manhã, e olhando agora, ainda tenho o cachecol do Benfica ao pescoço. Passaram mais de três horas desde que acabou o jogo, um dos mais cruéis a encerrar aquela que é, provavelmente, a mais cruel semana na longa história do Benfica. Ia escrever muita coisa sobre a injustiça do resultado verificado, a sorte que uns têm (o emprego de Hilário e Paulo Ferreira é que devia ser considerado o melhor do Mundo), e como a ousadia e a coragem muitas vezes acabam em desastre. Mas prefiro deixar para a amanhã, até porque francamente estas coisas arrasam com um homem. Amanhã tentarei fazer uma análise qualquer. Por hoje, só posso dizer que o meu clube me tira anos de vida e me dá tristezas, mas ainda me dá mais orgulho. E ainda não consegui tirar o cachecol...
quarta-feira, maio 15, 2013
Para que seja Dia de Benfica
Chegou o dia da Final. Aquela que já esperávamos há vinte e três anos. Bom, não é a final dos Campeões Europeus, chamem-lhe Taça ou Liga. Mas é uma final da UEFA (rebaptizada duvidosamente de "Liga Europa", ou euroliga, na minha versão preferida), digna dos campeões europeus, como vários lembraram, onde se defrontam o actual detentor do troféu e um dos clubes que mais contribuiu para a sua grandeza. Ou a "Velha europa" suportada pela paixão dos adeptos contra a "Nova Europa" dos cheques dos bilionários.
É uma evidência que à partida o Chelsea é favorito. Além de deter o título maior, depois de arrebatá-lo ao Bayern em plena Allianz Arena e de ultrapassar o Barcelona, e claro, o Benfica, tem jogadores incríveis e uma capacidade financeira quase sem fundo, mercê da fortuna do seu famoso proprietário russo Roman Abramovic. Depois de conquistar o troféu mais ambicionado, não está a passar propriamente por uma época de sonho: perdeu a Supertaça europeia (goleado pelo Atlético de Madrid de Falcao!), as outras taças, teve um campeonato modesto, e a meio da temporada contratou o mal amado Rafa Benitez como treinador assumidamente interino. Passa por um período de transição, à espera do regresso de Mourinho, de quem nunca se livrou de um certo sentimento de orfandade.
O Benfica vem de uma época longa e de um desaire psicologicamente tremendo, que muito dificilmente o impedirá de conquistar o campeonato nacional. Embora tenha uma boa equipa, substituindo muito bem as peças que teve de vender no ano passado, tem de lutar contra o cansaço, a memória dos jogos mais recentes, o favoritismo do adversário e o peso da história nas finais. Não é coisa pouca. São adversários tremendos, só superáveis por uma grande equipa. Jorge Jesus nem sempre se dá bem em momentos decisivos, mesmo que não tenha muitas finais no currículo. Preferia, hoje, que no banco estivesse Ronald Koeman, que nos ensinou a vencer equipas inglesas detentoras do título europeu na sua própria casa (e até treinadas por Rafa Benitez), como estarão certamente recordados. Mas não está, e só podemos contar com quem lá está.
Não sei se vamos ganhar hoje. A tarefa é complicada. O que peço é que joguem com a mesma garra como jogaram contra o Fenerbahçe, e com a mesma inteligência com que pisaram Anfield Road em 2006. Usando a linguagem do nosso adversário de hoje e uma expressão do país do seu treinador e de boa parte dos jogadores, aprendida nos Caminhos de Santiago, No Pain, No Glory. Honrem a camisola. É a única forma de alcançar os objectivos. Contra todos os favoritismos e "maldições". Para que hoje seja realmente Dia de Benfica!
O Benfica vem de uma época longa e de um desaire psicologicamente tremendo, que muito dificilmente o impedirá de conquistar o campeonato nacional. Embora tenha uma boa equipa, substituindo muito bem as peças que teve de vender no ano passado, tem de lutar contra o cansaço, a memória dos jogos mais recentes, o favoritismo do adversário e o peso da história nas finais. Não é coisa pouca. São adversários tremendos, só superáveis por uma grande equipa. Jorge Jesus nem sempre se dá bem em momentos decisivos, mesmo que não tenha muitas finais no currículo. Preferia, hoje, que no banco estivesse Ronald Koeman, que nos ensinou a vencer equipas inglesas detentoras do título europeu na sua própria casa (e até treinadas por Rafa Benitez), como estarão certamente recordados. Mas não está, e só podemos contar com quem lá está.
Não sei se vamos ganhar hoje. A tarefa é complicada. O que peço é que joguem com a mesma garra como jogaram contra o Fenerbahçe, e com a mesma inteligência com que pisaram Anfield Road em 2006. Usando a linguagem do nosso adversário de hoje e uma expressão do país do seu treinador e de boa parte dos jogadores, aprendida nos Caminhos de Santiago, No Pain, No Glory. Honrem a camisola. É a única forma de alcançar os objectivos. Contra todos os favoritismos e "maldições". Para que hoje seja realmente Dia de Benfica!
Festa na Baixa 2013
A festa na Baixa, promovida pelo Centro Nacional de Cultura, está de volta ao Porto. É entre 22 e 25 de Maio, em vários locais do centro da cidade. A quem interessar, aqui fica a notícia e o anúncio onde podem ver o respectivo cartaz.
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