domingo, fevereiro 17, 2019

Um actor imortalizado pelo Youtube


Morreu Bruno Ganz, actor suíço com larga filmografia, que incluiu passagens por Portugal (protagonizou A Cidade Branca, de Allain Tanner) e pelo cinema americano, e sobretudo com alguns dos maiores cineastas alemães, como Werner Herzog e sobretudo Wim Wenders. Curiosamente, os seus dois papeis mais memoráveis tinham a sua acção em Berlim. Num era um anjo apaixonado ("As Asas do Desejo", de Wenders); noutro, um "demónio" tresloucado ("Das Untergang - A queda"). E é sem dúvida mais por este último que será recordado, pela cena que se tornou num fenómeno do Youtube: um ditador acossado, enraivecido e ignorando a sua real situação, cujas reações dão para todo o tipo de legendas. Aqui está um bom exemplo, com Sócrates e as principais figuras políticas portuguesas à mistura.
E no entanto, Ganz merece ser recordado por bem mais coisas. Como o anjo que vela sobre os telhados de Berlim, e que revela sentimentos mais próprios dos mortais.





quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Marcelo no Jamaica

Gostava de perceber porquê tanta indignação com a ida de Marcelo ao agora famoso (e famigerado) bairro da Jamaica. Um sindicato da polícia achou que o Presidente tinha tido um "desprezo absoluto" para com eles, os polícias. Ou seja, está a dizer que a gente do bairro é toda ela um bando de criminosos, o que não ajuda nada a refutar o argumento de que não há abuso policial. Uma crítica absolutamente imbecil e contraproducente, como se o presidente tivesse de dar contas à polícia dos sítios onde visita.



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Acho muito bem que Marcelo lá tenha ido. Se alguns marginais tiraram fotografias com ele, só posso dar a mesma resposta que ele deu: não tem de pedir cadastro ou CV a cada um que lhe peça para tirar uma selfie (nesse caso dois mandatos não chegariam para tudo). Se queremos que as pessoas destes bairros deixem de se sentir marginalizadas e discriminadas, o primeiro passo é que os mais altos responsáveis políticos apareçam, lhes falem e saibam como é que elas vivem. Assim até podem ganhar alguma noção de hierarquia e respeito pelo estado. Eu sei que o que está na moda são presidentes que só dão atenção à sua facção ou ao seu próprio eleitorado, mas para mim o chefe de estado está acima de grupos e grupinhos e deve dar atenção a todos. Também é por isso que sou monárquico.