quinta-feira, março 24, 2005

Há exactamente dois anos, o insólito




Sim, em fins de Março vi com grande pasmo um nevão caír sobre as colinas helénicas, no fim de uma madrugada em que por razões de deslocação aérea tive de me manter acordado. Ganhei assim uma enriquecedora experiência, a de esperar mais de duas horas dentro de um avião que manifestamente não estava ainda preparado para o forte nevão que cobriu a região da Ática. Mas posso apostar que nunca a Ágora esteve tão encantadora como nesses dias em que do Olimpo se decretou a alvura geral.



Outras notas:

-os rapazes de verde levaram de vencida os de azul (sim, aqueles que, perante a incredulidade geral, são apelidados por uns poucos de "Campeões do Mundo", embora não se saiba o porquê da designação). O feito provocou sorrisos do lado de cá da barricada, além de choros e ranger de dentes para algumas sumidades. Certo é que os primeiros arriscaram um mínimo, e os segundos não se percebeu bem o que foram lá fazer. Depois disto, as preocupações reduzem-se aos meus caros vizinhos do Bessa e aos aguerridos arsenalistas do Minho, que poderão sempre causar contrariedades.

-continua a gritaria por causa da questão "vai-ou-não-o-governo-subir-os-impostos-e-se-sim-quais-são". Pela minha parte, acho que percebi bem o recado: a prioridade será diminuir a despesa pública, e só em caso de absoluta necessidade é que se tentará aumentar a receita (para a qual poderá contribuir a perseguição à fraude fiscal e o fim do sigilo bancário). Há questões a esclarecer, sem dúvida, mas esta nem tinha assim tantos motivos para esgares de terror. Mas também admito que as alterações ao PEC tenham contribuido para desinquietar os espíritos.

-Lamento, mas na minha modesta opinião não têm razão. Porquê Babies, porquê Common People, se teremos sempre Disco 2000, simplesmente uma das mais grandiosas criações de todos os tempos da música pop? Então Deborah, os seus desencontros e atribulações não lhes dizem nada? Oh, céus.

-Amanhã, partida para o Portugal semi-profundo, o do interior próximo, para gozar os dias de Semna Santa. como tal, uma Santa Páscoa para todos

domingo, março 20, 2005

Vitória 0 - Benfica 2



Continuamos lá em cima

Mais uma noite de sofrimento - relativo, até Geovanni marcar o segundo - com lesões, penalties não marcados, expulsões, frangos e um público vibrante, especialmente o que puxava pelo SLB, e que não se coibiu em encher o estádio. Mais uma final ganha.
Esperemos pois, calmamente, pelo resultado do jogo entre os rivais do costume, para saber se um iguala o outro e ficam os dois a relativa distância do SLB, ou se um fica definitivamente afastado do título, enquanto o outro conserva ténues hipóteses de lá chegar. E, claro, pelos delírios e conspirações do Dr. Dias da Cunha, ou as acusações engasgadas e escorrendo raiva do sr. Pinto da Costa. O que eu sei é que um dos mais vitoriosos treinadores da história do futebol, tantas vezes criticado e assobiado, e que tantas dúvidas provocou quanto às suas capacidades (mesmo a mim, que ainda que simpatizasse com ele, achava que os seus métodos não eram adaptáveis ao Benfica) ou até à sua sanidade mental, vai a pouco e pouco aproximando-se dos seus objectivos e pode mesmo juntar mais uns troféus à sua já extensa colecção. A Raposa pode ser Velha, mas não perdeu as faculdades e bem pode dar umas lições a uns quantos novatos.

segunda-feira, março 14, 2005

Amadeus recordado




A RTP-1 passa hoje o filme Amadeus, de Milos Forman. Curiosamente, já esta semana o
Babugem tinha publicado um post sobre o novo DVD da obra, os vinte minutos a mais e o raro reconhecimento recíproco entre público e crítica por uma obra tão grandiosa. Não podia estar mais de acordo: o filme é uma obra-prima, com efeitos visuais e sonoros fabulosos, mudanças de ritmo impecáveis, e interpretações magistrais de F. Murray Abraham e Tom Hulce (dois actores um pouco esquecidos, sobretudo o segundo). Dado a contar histórias sobre personagens marginais, de mentalidade questionável e relativamente obscuras (casos de Larry Flint e Andy Kauffman), Forman dedicou-se então ao genial compositor de Salzburgo, de dados biográficos incertos, que morreu aos trinta e seis anos muito longe do reconhecimento póstumo. A personagem central é no entanto Salieri (Abraham), o compositor da Corte de Viena. O seu talento musical, que sempre pretendeu que fosse um dom divino, é totalmente esmagado pelo de Mozart, embora ele seja o único que o na realidade o reconhece. Daí advêm a inveja profunda, a renegação de Deus, as tentativas de minar o trabalho daquele que o trucida com a seu génio, dádiva divina que a ele, Salieri, lhe fora negada.
Forman lança também a dúvida sobre se a morte de Mozart terá sido ou não responsabilidade do músico italiano. O final parece desmentir tal culpa, mas a vontade, a intenção, estão lá, e disso se penitenciará Salieri para o resto da sua vida.
Pelo meio, assiste-se às famosas tropelias de Wolfgang, às suas partidas infantis, à relação imatura com a sua mulher, Constanze, à vida desregrada e à permanente e severa censura do seu pai, Leopold, bem como aos ambientes da corte imperial de Joseph II, filho de Maria Teresa e melómano amador. E também a algumas óperas do compositor, em especial D. Giovanni, composta e revelada ao público em Praga, na Boémia natal de Forman. Tudo sob a inimitável risada de Mozart, pueril, sarcástica, com o seu quê de inocência mefistofélica.
A coincidência TV-DVD não se fica por aqui. Quando assisti ao filme, há escassos meses, e por VHS, mal acabei de o ver, dei uma vista de olhos ao Euronews: o canal noticioso mostrava a reabertura solene do La Scala de Milão, depois de uns anos de obras, com a mesma obra que estreara o tatro no Séc. XVIII: Europa Riconosciuta, do compositor italiano...Salieri. Murmurava-se, no final, que seria a reabilitação do rival de Amadeus. Mas outros, franzindo o sobrolho, declaravam secamente, entre termos como "assassino" e "Mozart", que Salieri só seria tocado de novo num teatro relevante daí a mais duzentos anos. Não por ser um "compositor menor", note-se, mas pela maldição a que está votado por grande parte dos melómanos. O seu nome dificilmente se livrará desta conotação lendária, embora possa ser suavizada. Prova-se mais uma vez que a música faz parte do domínio dos sentidos, da loucura, do génio, e de inúmeros ódios e paixões. E é, evidentemente, mais um caso em que a Vida imitou a Arte.

sábado, março 12, 2005

Recordações vagas

Volto a mencionar o Acidental. É difícil entender este blog. Os últimos posts falam das trapalhadas do governo, mesmo antes de tomar posse. Uma delas é a "nega de Seguro" (sejamos sinceros, alguém se lembrou mesmo de convidar o jovem ancião para o governo?). Não percebo; ainda há uns meses, mais precisamente em Julho, os mesmos blogers defendiam acerrimamente as trapalhadas de uma tomada de posse ministerial. Em especial quando uma senhora a atrasou, por, ao que consta, ainda não saber qual a Secretaria de Estado que lhe caberia em sorte, mesmo que por antecipação já fizesse parte do governo, fosse qual fosse a sub-pasta. Humores...

É claro que O Acidental não mudou tanto de um ano para o outro como o actual campeão europeu. Há de facto alterações que surpreendem pela sua brusquidão. Sobretudo quando esta é quádrupla.

PS: definitivamente, é uma obsessão. A nova "trapalhada", segundo PPM, mentor do Acidental, é o facto do pai de Sócrates ter acusado o filho de elitismo, pelo que se pode ver que "isto não começa nada bem". Pois não. Acreditando nisso, até nos esquecemos das confusões diárias do Governo de Santana, tomada de posse incluída. Ou devíamos ser obrigados a esquecer. Está visto que o neo-estalinismo de centro-direita veio para ficar, o que explica o horror de Portas pelos votos dos trotskistas, a apenas um por cento dos votos (sem esquecer que os marxistas-leninistas ainda ficaram à frente).
A Pátria está preocupadíssima, raladíssima com as declarações de Fernando Pinto de Sousa, pai de Sócrates. Com isso e com o futuro de Paulo Portas, bem entendido.

quarta-feira, março 09, 2005

O governo, Freitas, e o retrato dele

O anúncio do novo governo provocou as reacções esperadas. Não houve pavor, mas também não se viram declarações emocionadas. O PSD vogou entre o benefício da dúvida e a crítica pela crítica, mas dos incongruentes Menezes e Guilherme Silva pouco havia a esperar. O Bloco de Esquerda, que ainda não percebeu que é apenas o quinto partido mais votado, desatou a falar nas promessas eleitorais e a fazer uns esgares de dúvida. O PCP, inevitavelmente, acusou o executivo de conter elementos "neo-liberais" (vá lá que não lhes chamou fascistas). O CDS-PP atacou por todos os lados, mas 90% das críticas eram dirigidas a Freitas do Amaral.
A ausência maior é, como não podia deixar de ser, a de Vitorino, que já deixara a ameaça implícita naquela sonante declaração terminada por um "habituem-se". Ninguém percebeu se quererá seguir uma carreira mais "privada" ou mais pública, que vá para além do seu lugar na AR. Já Pedro Silva Pereira e António Costa (novo peso pesado) eram absolutamente previsíveis, assim como Manuel Pinho. Correia de Campos deixou uma boa imagem nos tempos em que ocupou a pasta que a si regressa, e é olhado com bons olhos pelos sectores da saúde. Alberto Costa, pelo contrário, pela inabilidade que demonstrou à frente do MAI é visto com desconfiança, embora Rogério Alves tenha treinado uns elogios de ocasião. Freitas do Amaral, que confesso que foi uma surpresa para mim, é um peso pesado com experiência no cargo e conhecimento de causa. O facto de se afirmar que "é um anti-americano" e "esteve contra a guerra do Iraque" (ele e a maioria da população portuguesa estiveram contra uma guerra baseada naquela armas de destruição maciça que ninguém descobriu) não me deixa minimamente preocupado, até porque a maioria desses críticos tem uma tal admiração por W Bush que imediatamente revelam o porquê das censuras.
Os restantes nomes não conheço, exceptuando Augusto Santos Silva, de quem tenho muito boa imagem, e Jorge Lacão (rotulado com um "yes man"), e a quem foram esntregues pastas mais instrumentais. Espero pois pela actividade governamental. E que só dialogue o estritamente necessário.

A propósito de Freitas: depois das atitudes revisonistas exibidas num qualquer congresso, o CDS-PP revelou de novo os seus complexos edipianos, ao enviar o retrato do seu fundador para o Largo do Rato. Ao que parece, só se conservam os de Amaro da Costa (que nem chegou a ser líder) e de Paulo Portas. Gostava era de saber o que é que terá feito Adriano Moreira para que lhe fizessem a desfeita; talvez por estar contra a invasão do Iraque, pelo que no Caldas reagiram com sentimentos tudo menos cristãos.
Não é preciso escrever mais para dizer que é uma atitude indecorosa, insensata e da mais baixa política. Quem trai as sua origens, perde a sua memória; quem perde a memória perde igualmente os valores que apregoa.

Ainda por falar no PP: Diogo Belfort Henriques postou no Acidental uma piada clara à nomeação de Freitas do Amaral,  considerando que o Hezbollah e a França são os novos aliados de Portugal. Se do primeiro bem só exigimos distância, não percebo porque é que o segundo é um "novo" aliado; será que o país com a maior comunidade portuguesa no estrangeiro, e que é provavelmente o nosso maior contribuinte dos fundos comunitários era nosso inimigo e não o sabíamos?
Lamento, mas a posta é muitíssimo infeliz. DBH já escreveu coisas bem mais oportunas e interessantes. É pena que agora se socorra da ligação de um blog estrangeiro assumidamente anti-francófono e, no seu gênero, de um fanatismo repulsivo, que por sentido de decência e respeito para com os leitores não "linkarei". Espero é que agora não venham as desculpas de "não é nada anti-francófono, é só contra o Chirac...", porque o sentido do post não engana. Se no lugar de Chirac estivesse Bush e se falasse dos EUA nos mesmos termos, o que não seria de acusações de anti-americanismo! E, neste caso, com inteira razão.

terça-feira, março 08, 2005

Falando ainda de cinema

O Aviador está visto. Ao contrário da opinião reinante, que o considerou "apenas um bom filme", ou pior que isso, creio sinceramente que daqui a umas décadas será recordado como "um clássico do seu tempo". Leo está muito mais crescido, é um actor de corpo inteiro, e começa a dar razão a quem o disse em tempos que era um prodígio. A carinha laroca e juvenil não o ajuda muito em relação à crítica (Jude Law sofre do mesmo problema), mas é crível pensar que daqui a uns anos
esse preconceito estará definitivamente posto de lado. Cate, a Musa, está ao seu nível; Katharine Hepburn tem uma recriação (e quem sabe, uma sucessora) que certamente apreciaria. Os demais secundários também cumprem, sobretudo num elenco tão rico que inclui Kate Beckinsale, Jonh C. Reily, Alec Baldwin, Allan Alda, Ian Holm, Willem Defoe (curto papel, mas mais importante do que parece) e principalmente o referido Law, num fantástico Errol Flynn. Cint pode ser um justo vencedor da estatueta reservada ao melhor realizador do ano, mas se tivesse voado para Scorsese, tal não seria razão para cóleras excerbadas - além de que corrigiria uma antiquíssima injustiça.

Próximas fitas: Sideways, em princípio, mas também se fala de Ray. E pelo caminho, Kinsey ficou igualmente visto. Interessante como explicação científica e social dos hábitos sexuais numa América que despertava, ainda a virar a cara e de credo na boca, para essas matérias. Os mais púdicos achá-lo-ão algo escatológico, embora a escatologia seja, necessariamente, um dos elementos essenciais do filme. É pena, de qualquer forma, que não focassem mais a reacção pública que o Relatório Kinsey provocou naqueles dias e naquelas paragens. Sob toda a análise científica, há uma profunda análise social que fica aquém do pretendido.

Por falar em filmes que não atingiram as expectativas: o Babugem disserta sobre Shattered Glass (verdade ou mentira, na versão portuguesa), filme que andou pelas salas aí por alturas da última Páscoa e que narra a história verdadeira do jovem e promissor Stephen Glass na New Republic, do seu apogeu e descoberta de que a maioria dos seus artigos era, no fim de contas, meras falsificações ou mistificações puras. Algumas reportagens de Glass (Hayden Christensen, o novo Anikin Skywalker) eram sublimes, como a do hacker pré-adolescente contratado por uma empresa de informática, mas alguém - uma publicação rival - compreendeu que no caso, 2 + 2 não era igual a 4 e iniciou uma prolongada investigação que descobriu toda a série de embustes com os quais o repórter deslumbrava a sua redacção.
Por entre um percurso sinuoso e a descoberta cada vez mais evidente das mentiras de Glass, além das habituais investigações jornalísticas próprias de uma publicação de sucesso (com uma redacção, aliás, toda ela extremamente jovem, aparecendo Chloë Sevigny à cabeça), constroi-se um enredo sólido, começando numa personagem que podia ser qualquer um de nós,e que cativa pela sua boa disposição, bonomia e genialidade. Mesmo quando se começa a perceber que Glass inventou as suas histórias, olha-se para ele como alguém com uma imaginação fértil, que se meteu ali de livre vontade e que se vai embrenhando numa espiral de muitas mais mentiras, optando pela fuga para a frente. É um mistificador com génio, o que temos ali, alguém que para entreter a opinião pública e os leitores se atreveu a mentir, mas em nenhum momento se vê um criminoso, um escroque.
A grande falha é sem dúvida o desaparecimento de Glass depois da sua saída da New Republic, o não se saber o que realmente passou na cabeça do repórter, o que pensava quando se atirou aos mirabolantes "furos" jornalísticos de que era autor, a verdadeira reacção quanto à descoberta das suas "petas". Fica-se sem saber se a personagem principal é mesmo Stephen Glass ou o seu director (Peter Sarsgaard), que irá ao cerne da questão até descobrir toda a verdade; conseguimos entrar no espírito deste último, mas não da personagem à volta da qual o filme gira. Como se o embuste se prolongasse, sem explicação plausível.
De qualquer maneira, aconselhável a todos, sobretudo se trabalharem numa redacção de um jornal. Resta dizer que Stephen Glass não desperdiçou o seu talento e escreveu um livro autobiográfico, em que apenas alterou os nomes das personagens, relatando todos os factos, e, graças a uma espantosa reviravolta, conseguindo de certa forma voltar à tona.

um dos filmes mais badalados dos últimos tempos, Finding Neverland, chegou a ser considerado "o filme do ano". Passe o óbvio exagero, até porque a obra até tem o seu quê de despretensioso, vê-se sem problemas de maior, com Jonhy Depp e Kate Winslet em papeis competentes (mas nada que desse para ganhar o óscar), para não falar do rapazinho amargurado filho desta última, e algumas cenas onde não se distingue bem o real do imaginário (a recriação de Peter Pan em casa de Winslet), alguma dose de magia, encanto, ternura, etc. Mas fica a curiosidade: o realizador, Marc Forster, aqui num registo de um lirismo suave e infantil, tornou-se conhecido pelo seu filme anterior, Monsters Ball (que deu o óscar a Halle Berry), cru, violento, misturando sexo, morte e remorso, completamente o oposto do seu trabalho mais recente. Haverá apenas um ponto em comum, a redenção e o amor que rompe por entre a desconfiança e o ódio, mais evidentes em Monster´s Ball. Mas fica a curiosidade: em que é que assentará a próxima obra do realizador, que parece estar no caminho do sucesso? Podemos uma continuidade de um destes dois filmes, ou nova surpresa? Estaremos perante um novo Kubrick - não na mesma dimensão, claro está- cujas obras constantemente variavam em gênero? Fica a questão, a resolver um dia destes numa qualquer sla de cinema.

quarta-feira, março 02, 2005

Óscares versão 77


Sim. Vi-os do princípio ao fim. Só me escapou o pequeno qui pro quo entre Sean Penn e Chris Rock. O mestre de cerimónias, entre guinchos e provocaçõezinhas, lá conseguiu guiar a sessão. Mas Billy Crystal faz sempre falta. E não é de esperar que ele regresse tão cedo. Não só por estar ocupado com 700 Sundays, na Broadway. Apenas porque já está cansado, e segundo o próprio, "I ´ve done that all my life". Isto ouvi eu da boca do próprio, num episódio a desenvolver nos próximos dias, quando falar da prometida viagem de há umas semanas atrás.
 
Gostei de ver o regresso dos velhos Jeremy Irons (também nas telas, com "O Mercador de Veneza" e "Being Julia") e Robin Williams. Adam Sandler irritou-me profundamente. As músicas não eram grande espingarda, com uma exaustiva Beyonce e um incrível Banderas + Santana, dignos de interpretar a música do "Menino-Guerreiro". Os Country Crows, que nem aprecio muito, safaram-se, talvez por serem os intérpretes originais.
 
Prémios: os secundários Morgan Freeman e Cate "A Musa" Blanchett deram-me as maiores alegrias. Jamie Fox julgo que também não desmerecerá - os outros, à excepção talvez de Eastwood, terão as suas oportunidades. Já Swank, apesar de merecido, repete-se, ainda que com uma carreira curta e intermitente; precisará sempre de papeis másculos? Gostava mais que Annette Benning tivesse sido a contemplada; a decepção era visível nos olhos da mulher de Warren Beaty. Para próxima têm a obrigação de ser justos com ela. Como não o foram com Scorsese muitas vezes, embora desta vez Clint merecesse mais o prémio. Está visto que os óscares não querem nada com Marty, embora o futuro o possa desmentir. Já os óscares de Melhor Argumento Adaptado, para Sideways (tenho bastante curiosidade em vê-lo, confesso), e o de Argumento Original, para Charlie Kauffman (não haja dúvidas que é original) ficaram, parece-me, bem entregues.
 
Mais bonitas: Natalie Portman; Annette Benning; Emmy Rossum; Penélope Cruz (apesar do penteado); Kate Winslet. Já Gwyneth Paltrow, Hale Berry (aqueles compridíssimos cabelos não caiem bem nem a uma nem a outra) e Hillary Swank podiam estar melhor. Não dei pela presença de Julianne Moore, Catherine Zeta-Jones, Liv Tyler ou Angelina Jolie. Nem da grande Maryl Streep. Mas pronto, veio Giselle Bundchen a acompanhar Di Caprio. Como compensação não pode haver melhor. Mas continuo na minha (e este senhor é da mesma opinião) : derramando o seu natural encanto, qual digna sucessora da verdadeira Hepburn (com a já referida Streep pelo meio), Cate, a Musa, mantém uma aura especial que a põe acima de qualquer outra. O amarelo-limão que envergava acentuava ainda mais o seu brilho. Lá onde estiver, no panteão reservado aos imortais, quem sabe se junto às verdadeiras estrelas, Khatarine sabe que a sua memória e o seu mito ficaram em boas mãos. Como aqui ficou expresso uns minutos antes do início da cerimónia, não há imagem da sessão deste ano que me pudesse deixar mais satisfeito.



PS: sim, houve aqui umas alterações de última hora, em especial no que toca às imagens, mas creio que a "economia de posts" valeu a pena.

terça-feira, março 01, 2005

Chamada de atenção

O Fora do Mundo publicou enfim os resultados da votação para as vinte melhores bandas portuguesas de sempre. Também dei a minha modesta contribuição, e se não me engano a referência isolada aos Pinhead Society é minha(assim como a contribuição para os Radar Kadafi, os Táxi, os Loto ou os Lulu Blind). Mas é bom ver que a minha primeira escolha coincidiu também com a da maioria das votantes. Mais uma vez a democracia funcionou. A bem da pátria, os senhores que comemoram 25 anos de carreira viram o seu rosto e voz chegar à bonita idade de meio século, e, ó milagre das coincidências!, no mesmo dia, foram considerados a melhor banda portuguesa de sempre. A isto é que se chama consagração.