segunda-feira, novembro 21, 2005

Elogio à Coimbra dos futricas

Fazendo horas para apanhar o comboio que viria de Lisboa recolher-me para me trazer de volta ao Porto, pensava que era simplesmente indecente nunca antes ter entrado no ilustre café Santa Cruz, pegado à Igreja do mesmo nome (onde respousam os restos mortais do nosso primeiro rei e do seu filho Sancho, o Povoador), na Praça 8 de Maio, em Coimbra. Isso porque já tinha passado algumas vezes em frente ao dito estabelecimento, parado à porta, rondado pela praça e entrado na vizinha igreja, mas nunca tinha sido seu consumidor ocasional. Mas no Sábado vinguei tal afronta, instalando-me nas suas cadeiras de couro austero, tomando um café enquanto mirava o DN e lia a reportagem da GR sobre um outro conhecido blogger, embora com óbvio exagero, como se fosse uma das vozes mais influentes da pátria.
O café, é preciso que se diga, é mais do que um simples "Majestic" ou "Brasileira" conimbricense. Uma pequena relíquia, num espaço anexo à Igreja vizinha, de que já foi parte integrante; era notoriamente uma capela, tendo conservado (e bem) o seu tecto em ogiva, e outros discretos aspectos que denunciam as suas antigas utilidades litúrgicas e clericais. confesso que não conheço bem a história nem os motivos que levaram a que o antigo templo (ou parte dele) tivesse sido convertido em ponto de encontro social. Ainda assim, a junção de algum ambiente sacro, embora dissimulado, com o ambiente de café clássico, o seu mobiliário escuro, os vitrais, os lustres, produz um resultado nobre e encantador, sem deixar de ser sóbrio.
À saída, o ambiente da praça mostra que está em paz com o mundo: o chão está ainda molhado das chuvas, mas o céu apresenta-se de um cinzento suave e metalizado; inúmeros traseuntes cruzam o espaço; uma anciã vende castanhas, e o fumo que sai do fogão ambulante espalha-se pela praça provocando um efeito outonal singelo e reconfortante, embora já se note um certo ar invernal, provocado também pelas (muito precoces) iluminações de Natal. O momento da semana em que mais me senti em paz com o mundo, antes de, em passo acelerado, atravessar a "Baixinha", com as suas ruelas labirínticas, lojas e lojecas vendendo de tudo um pouco, e apanhar a ligação para Coimbra-b.

Praça 8 De Maio, com a igreja de Santa Cruz
ao centro, a câmara municipal à esquerda (com tapumes) e o café Santa Cruz à direita.

Nota: a paz antecedeu a viagem de comboio, em que tive de ficar ao lado de um casal hippie (ela) e sorna (ele), e que volta e meia se punha aos beijos a dez centímetros de mim, com uma indiscrição que por certo teria enfurecido Miguel Sousa Tavares e José António Saraiva. Isso para lá de outros passageiros que ora ostentavam o cabelo do João Pereira (para pior), ora dirigiam aos outros olhares enigmáticos, entre as suas vestes góticas, punham-se a entoar versos em voz alta, como aquele senhor de idade perante o ar enfiado da mulher, ou ainda aqueles que arrastavam pesadas mochilas de interrail, sem grande espaço onde as colocar; pior do que isso, só mesmo aperceber-me da presença no comboio do meu antigo professor de Obrigações (não tanto por causa dele, mas sim das Obrigações).
Para acabar de forma indelével com a tarde que tão bem tinha começado, poucas horas depois o Benfica perdia em Braga no último minuto, num golo em fora de jogo.

5 comentários:

Anônimo disse...

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JFC disse...

quê um futrica???

mfc disse...

Mas merecemos perder!
A verdade é para se dizer.

João Pedro disse...

Lá isso merecemos. Rais´parta o Koeman e a utilização do Beto, as lesões e a má forma do Quim. E o pior é que isto contra o Lille não augura nada de bom.

Quanto à primeira pergunta, futrica é o nome que se dava e ainda dá ás pessoas mais simples de coimbra, aos que não estudavam nem tinham nada que ver com a Unversidade; havia precisamente a distinção entre os Estudantes, que se criam uma elite, e os futricas, que eram desprezados pelos primeiros. O que tanto dava em pacífica coexistência como em questões de rivalidade mais sérias.

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