quinta-feira, junho 06, 2013

Não se fazem carroséis ao lado de bibliotecas



Luís Filipe Menezes é pródigo em loucuras e projectos populistas e dispendiosos, mas desta vez exagerou: deu-lhe para declarar que quer "devolver os jardins do Palácio de Cristal ao Porto", e "relançar projectos no espaço público", construindo ali um parque de diversões e uma praça da alimentação. Os jardins do palácio, um oásis urbano, com os seus miradouros, as suas alamedas, a concha acústica, a biblioteca, onde se pode parar um pouco para respirar, e que qualquer mente lúcida pensaria em deixar em paz, estão agora ameaçados pela fúria obreira de Menezes. Devolvê-los aos portuenses? Que eu saiba, ninguém lhos tirou. As portas estão abertas durante todo o dia, o pavilhão Rosa Mota (a maior chaga daquele espaço) tem eventos constantes, no fim do Verão realizam-se ali as Noites Ritual. Esta ideia peregrina não abona nada a favor do conhecimento que Menezes tem dos espaços públicos do Porto.
O modelo a copiar é o dos Jardins de Tivoli, em Copenhaga, que já foram inaugurados com o propósito de jardim público com diversões para a  burguesia emergente. Os do Palácio (cujo edifício original infelizmente já não existe) tiveram alguns divertimentos para tardes de fim de semana, em tempos, com um pequeno jardim zoológico com leões e macacos, lagos com barcos a remos e julgo que também um parque infantil. Os jardins, esses, conservaram-se intactos, apesar dos muitos anos de Queima das Fitas que lá se realizava os deixarem anualmente despedaçados.
Ao que parece, os pavões, patos e outras aves que por lá andam, últimas recordações dos animais que lá havia (com leões e macacos), terão de arranjar outro pouso se Menezes for eleito e cumprir esta nova promessa, que tem o custo anunciado de cinco milhões de euros. Os jardins, esses, não sei que forma irão tomar, nem como vão preservar a concha acústica. E acima de tudo, alguém devia perguntar a Menezes se sabe que actualmente lá se construiu a Biblioteca Almeida Garrett. é que parece-me muito estranho fazer-se um parque de diversões com o propósito confessado de atrair turistas ao lado de jardins e sobretudo de bibliotecas. Deus nos livre desta perfeita loucura.

Adenda: a anunciada candidatura de Nuno Cardoso, a acontecer, é das coisas mais despudoradas que se viram e verão na política por estes anos. Sim, o poço é sempre mais fundo do que pensamos. Um ex-presidente da Câmara, que deixou uma herança de obras paradas, dívidas e negócios pouco claros, apoiou a candidatura de Menezes, que, segundo a Visão, recebeu da câmara de Gaia mais de noventa mil euros nos últimos dois anos com ajustes directos, e que vem dizer que se candidata porque recebeu "um apelo brutal" dos portuenses, ou não tem vergonha na cara ou sofre de problemas psíquicos. "Apelo brutal"? Está-se mesmo a ver. Os portuenses é que não apelaram para ele, com toda a certeza.

3 comentários:

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