terça-feira, maio 17, 2016

Trinta e cinco




O número era repetido insistentemente durante toda a semana, desde o sofrido jogo com o Marítimo. 35. Mais do que o Tricampeonato, que há 39 anos era coisa desconhecida para a Luz, pensava-se no 35. O 35º campeonato. E ele chegou mesmo, num estádio efervescente, com goleada ao Nacional, dois golos de Gaitan, ao seu melhor nível, um de Jonas "Pistolas", a coroá-lo com o artilheiro-mor do campeonato, e ainda outro, porventura o melhor, de Pizzi. O Benfica, pela 35ª vez, é campeão. Tricampeão.
Há uns meses seria altamente duvidoso. No início da época, quase inimaginável. O Benfica sofrera violentos rombos com a saída de Jorge Jesus e Maxi, as contratações eram duvidosas, a pré-época desastrosa, e o título iria ser disputado pelos reforçadíssimos Porto e Sporting. Acima de tudo, desconfiava-se da capacidade de Rui Vitória. Na altura, pensei que talvez se repetisse o mesmo que aconteceu depois do "Verão quente" de 1993, com cenário semelhante, e apostava em Vitória: felizmente as minhas esperanças estavam certas. É verdade que não houve um jogo em que o Sporting fosse humilhado, e nem sequer ficou em terceiro lugar. A equipa verde de 2015/2016 mostrou-se bem mais consistente que a de 1994, e ficou muito perto do título. Mas acabou por ser suplantada, com o ponto de viragem a dar-se também no seu estádio. E todas as tentativas de menorização e ridicularização do treinador do Benfica redundaram em fracasso. Mais: podem mesmo ter sido responsáveis pela união e determinação da equipa benfiquista.

E o triunfo final é justíssimo. Podem dizer que o Benfica teve o benefício dos árbitros, como essa amostra de gente que é Octávio Machado, e poderemos mostrar os prejuízos, mais no início do que no fim da época, como os penaltys não assinalados a favor do Benfica nas três derrotas com o Sporting (e a propósito, mais uma vez o árbitro Hugo Miguel conseguiu expulsar pateticamente um jogador que actuava contra um rival directo do Benfica, na última jornada, com influência no resultado, mas felizmente o desfecho acabou por ser diferente de há dois anos). Podem dizer que o Sporting jogou melhor e que o Benfica, na recta final, ganhou muitas vezes pela margem mínima, que eu mostro-lhes as vitórias tangenciais sportinguistas, as goleadas benfiquistas, o melhor ataque e a diferença de golos. Podem falar da sorte que o Benfica teve, e responderei que com a mudança de técnico e de jogadores, as lesões constantes, a aposta em miúdos da equipa B, sorte é coisa com que na maior parte das vezes não pudemos contar, e mesmo assim ganhou-se o campeonato, vai-se à final da Taça da Liga, e chegou-se aos quartos de final da Liga dos Campeões, que acabou com um embate equilibrado frente ao poderosíssimo Bayern de Munique, depois de um percurso que contou com um triunfo em Madrid (só o Barcelona o conseguiu, este ano, e no campeonato, porque também perdeu lá na competição europeia) e uma dupla vitória sobre o Zenit. Sorte, disseram?

No desporto, existe a máxima Glória aos vencedores, honra aos vencidos. Do Porto, com uma época desastrosa (que ainda pode ser disfarçada se ganhar a Taça de Portugal) depois das apostas mediáticas e caríssimas nem vale a pena falar, a não ser que tão cedo não vão apostar num lema tão presunçoso como o que brandiam no início da época ("tudo nosso, nada deles"). Mas houve vencidos que se cobriram de autêntica desonra. Se a equipa do Sporting pode orgulhar-se, apesar de tudo, do seu bom campeonato, reflectido na pontuação, já quem representa o clube devia tapar a cara, mas aparentemente prefere o ridículo. Jesus continua com as fanfarronadas e agora até se queixa de andarem a "copiar" as suas "criações". Sobre Octávio já falei lá em cima, e continuar a repisar sobre essa personagem eternamente com acusações e invejas só polui o post. Inácio tornou-se um moço de recados, com insultos aos colgas de profissão e comentários de vizinha comentadeira, do género "não sei, alguém me contou, mas aquele árbitro...". Finalmente, Bruno de Carvalho volta a mostrar o estilo de jagunço que o caracteriza, com atiçamento de claques, ameaças, acusações estapafúrdias e outras mostras de total falta de carácter. É o que dá pôr-se elementos de claque à frente de clubes. Se fosse só não saber perder já nem era mau. Mas todas estas figuras de urso ainda acentuam mais o carácter perdedor do Sporting e tornam-no ainda mais o bombo da festa.

Para o ano, e com competições de selecções pelo meio, o Benfica ainda não sabe com que jogadores poderá contar, a não ser Mitroglou. Mas se Rui Vitória permanecer, e com uma pré-época mais tranquila, haverá razões de sobra para estar confiante. Por agora, o 35 é nosso e o tricampeonato já cá mora.


PS: não resisto a comentar um crónica de Miguel Sousa Tavares n´A Bola de ontem, que só pode ser para chatear. Diz Sousa Tavares que não percebe "porque razão os benfiquistas do Porto gostam de festejar as vitórias numa praça cuja estátua central representa um leão a devorar uma águia nem (...) que estranha perturbação da personalidade leva alguém do Porto a ser benfiquista". Como portuense benfiquista, respondo-lhes já às suas lancinantes dúvidas: festeja-se na rotunda da Boavista desde que as claques do FCP ocuparam os Aliados com ameaças (algumas concretizadas, tais como agressões ou arremesso de pedras) tornando pouco aconselháveis festejos, sobretudo em 2005, com a surreal pretexto de quererem comemorar o segundo lugar, coisa que teve o apoio de boa parte de eminentes portistas, incluindo o próprio Sousa Tavares, caso não se recordem; e é-se benfiquista no Porto como se podia ser em qualquer outro local, porque o Benfica extravasa largamente Lisboa, isso apesar da hostilidade que sofrem em muitos locais. Mas se acha que há algum problema ou "defeito de fabrico", talvez fosse bom MST preocupar-se com o seu filho, que ele já alardeou ser lisboeta e portista. Decerto um terrível defeito de personalidade, com responsabilidades do progenitor.