terça-feira, fevereiro 25, 2025

Novos amigos

Nos 3 anos de invasão da Ucrânia, os EUA votaram contra um resolução que condenava a Rússia e pedia respeito pela integridade territorial ucraniana. Votaram 16 países contra essa resolução, incluindo, para além da Rússia e Estados Unidos, a Coreia do Norte, a Eritreia, a Guiné Equatorial, a Nicarágua, a Bielorrússia e mais meia dúzia de regimes da mesma extracção.

São estes os novos BFFs destes EUa de Trump: as ditaduras mais macabras do mundo, algumas com ideologia neocomunista (embora hoje quase não se vejam diferenças ideológicas). Quem diria: isto equivaleria aos Estados Unidos terem apoiado a invasão da Polónia em 1939 pela Alemanha nazi (como URSS apoiou, aliás). Felizmente à época não tinham Lindbergh.


Fonte: BBC

quarta-feira, fevereiro 19, 2025

Um cúmplice

Ao vir hoje chamar "ditador" a Zelensky e ao culpá-lo pela invasão russa, entre mentiras que inventa constantemente nesta era que (em parte graças a si) muitos chamam de "pós-verdade", Trump mostra de novo que é um fora da lei com um poder imenso. Outra coisa não seria de esperar de alguém que incita à invasão do Capitólio, que afirma estar "acima da lei" para governar o país e que considera ter imunidade plena.

Já sabíamos que isso se aplicava aos EUA, mas agora vemos que também estende a outras paragens do mundo. Do "resort em Gaza" à custa de quem lá vive às declarações sobre a Ucrânia, desde querer ficar com as terras raras até determinar quando e se há eleições ou não, tudo isso é revelador que na Casa Branca vive um puro salteador de estrada, que põe e dispõe de povos e países em prol dos seus interesses pessoais, acolitado por um sociopata tecnológico e um conjunto de lambe botas servis.
Que se dê com Putin, um mafioso encartado, não espanta nada: quando é para determinar interesses próprios, os criminosos dão-se todos muito bem, com o intuito de dividir o saque. Não adianta nada dizer que a constituição ucraniana determina que não possa haver eleições em caso de estado de sítio e que estas não têm possibilidade prática de ocorrer a curto prazo, porque pouco importa a esta gente a lei e o direito (e menos ainda a moral).

É esta gente que manda nos EUA e na Rússia: sociopatas, saqueadores e inimigos da nossa sociedade. Infelizmente temos também na Europa quem lhes obedeça, de iludidos e colaboracionistas, seja por ódio à democracia liberal, seja por serem pagos para o efeito, como o corruptíssimo Orbán. E ainda há quem ache, quase blasfemando, que defendem valores cristãos. Quem os defende está internado num hospital em Roma e nada tem a ver com esta cáfila de salteadores.
E pensar que já nos anos noventa Bret Easton Ellis tinha colocado Trump como referência máxima da amoralidade e ganância dos "american psychos". Teria Reagan, que dominava nessa altura e que era até agora a referência do partido republicano, previsto uma política tão contrária à sua?


Fonte: The Guardian

sexta-feira, fevereiro 14, 2025

O descalabro trumpista

Desde que tomou posse, a administração Trump já demonstrou querer "comprar" a Gronelândia, quer que o Canal do Panamá lhe seja "restituído", considera que o Canadá - uma monarquia maior que os EUA - devia ser o seu "51º estado", renomeou o Golfo do México, impôs sanções ao TPI (?) porque parece que anda a chatear o seu amigo Netanyahu e na semana passada apresentou uma das ideias mais patéticas de que há memória nas relações internacionais: a reconstrução de Gaza, sob ocupação americana e israelita, como destino turístico, por "razões humanitárias", tendo os palestinianos de ir para o Egipto e a sobrecarregada Jordânia, sem garantia de regresso. Julgava eu que deportações era mais com a Rússia, mas os árabes apressaram-se a dizer que nem pensar, pelo que a coisa não deverá seguir em frente.

Esta semana confirmou-se que Trump está do lado putinista: mandou dizer por interposto secretário dos assuntos externos que a Ucrânia não ia recuperar as fronteiras de 2014 e que era irrealista entrar na NATO. Até aqui, nada de chocante: pelo menos a Crimeia tem uma maioria pró-rússia e desde que um membro da NATO o vete, a Ucrânia não poderia entrar. Mas depois, planearam um tratado de paz" e conversações entre os EUA e a Rússia, sem Ucrânia nem UE, em que a Europa teria de vigiar as futuras fronteiras ucranianas, para gáudio de Putin.
Claro que isto colocou logo todos os adeptos do putinismo em alvoroço, os de esquerda como os de direita, já falando do "fim da guerr", da "derrota da Ucrânia e da Europa" e, entre nós, alcandorando o comentador Agosinho Costa, autor de algumas patetices de antologia (há dias teve outra: "não há norte-coreanos a combater na Rússia", disse o cómico militar) à sapiência suprema. Só faltou convidarem Putin a vir a Portugal com passadeira vermelha porque ao que parece uns comentadores russos perguntaram quanto custa Lisboa.
Só que tal como na ideia do "resort de Gaza", isto tem imensos furos: quais serão as fronteiras que os EUA consideram aceitáveis? Se Putin daqui a uns tempos atacar países da NATO, os EUA cumprem com o Art.5º e acodem, como é seu dever legal? E se os EUA não querem ter qualquer papel no futuro da Ucrânia e ficar absolutamente neutros, como é que podem vir dizer que os europeus é que vão lá colocar tropas se não foram tidos nem achados nas tais hipotéticas "conversações de paz"?
Entretanto, Trump já veio dizer que sim senhor, que a Ucrânia estará nas conversações, e JD Vance que a UE também terá um papel de destaque em negociações. De facto, era muito estúpido querer fazer um acordo que incluísse determinada entidade sem que esta entidade acordasse o que quer que fosse. Por isso, esta "paz" de Trump é outra conversa precipitada que os seus adjuntos se apressam a corrigir e que com certeza não vai ser bem assim como ele disse no início.
Entretanto, os Putin groupies podem tentar responder a estes cavalheiros. Na volta, nem se importavam nada de vender Portugal, uma vez que eles próprios estão vendidos.

quarta-feira, fevereiro 05, 2025

Uma memória do príncipe Aga Khan

Maio de 2019, Museu Soares dos Reis, Porto. Cerimónia de apresentação do quadro "Apresentação da Virgem no Templo", de Bento Coelho da Silveira, oferecido pelo Príncipe Aga Khan (ao centro, de perfil, virado para Rui Moreira) ao museu. Um mecenas e benemérito, que escolheu Portugal como sede da sua fundação e onde acabou por morrer. Era um amigo de Portugal e mostrou como um líder religioso e espiritual muçulmano, neste caso um xiita ismaelita, pode apreciar e oferecer arte sacra de inspiração cristã. Esperemos que o seu sucessor e novo Príncipe Aga Khan lhe siga os passos.