terça-feira, dezembro 30, 2008

Cinema 2008


Há umas semanas que não entro numa sala de cinema, excepção feita a uma sessão da Cinemateca Nacional. Os filmes em exibição não me dizem absolutamente nada, e talvez vá apenas ver Austrália se tiver tempo. Mas apesar das habituais retrospectivas do ano nos dizerem que o cinema esteve péssimo, viram-se algumas coisas memoráveis.

Como por vezes acontece, por pressão dos Óscares ou por simples coincidência, os melhores vieram ao princípio. Jogos de Poder/Charlie Wilson´s War e The Darjeeling Limited poria desde logo no topo da lista. Dois filmes completamente diferentes, uma sátira política, o primeiro, um filme de "estilo"com a eterna questão da orfandade, o segundo, tendo em comum uma essência de ironia e as paisagens do sub-continente indiano. Ainda em Janeiro, O Sonho de Cassandra, de Woody Allen, talvez o menos bom da "trilogia de Londres", e algo previsível, mas que ainda assim se vê bem. Expiação não é uma obra-prima - ao contrário do livro de que é adaptado, ao que me dizem - mas tem momentos de rara beleza e perturbação, que não se resumem a Keira Knightley.


Da vaga dos Óscares não apanhei No Country for Old Men, mas não deixei escapar o outro filme dos Cohen, Apagar Depois de Ler, um misto de Fargo com O Grande Lebowski e injustamente vilipendiado por grande parte da crítica (daqui a uns anos vão elevá-lo a "filme de culto", está-se mesmo a ver). Vi a saga de um amoral e seco Daniel Day Lewis em Haverá Sangue. E dos que queria ver, escapou-me Juno. não tenho a certeza se quereria ver I´m not There, excepto pelas interpretações, embora Cate Blanchett apareça como homem.


Fora destas andanças, fiquei com uma sensação entre o apreço e a estranheza em relação a Youth without Youth, o regresso de Coppolla aliado a Mircea Eliade. Uma segunda revisão por certo deixar-me-à mais esclarecido. E ainda vi um curioso Ponto de Mira, ensaio de um portentoso atentado na nobre Salamanca, que parte de uma ideia interessante, mas que se vai tornando cansativa, tantos são os flashbacks que nos são dados a ver.



O ano de 2008 terá sido o da grande recuperação do cinema francês. Realizadores clássicos, como Rohmer e Resnais, à mistura com "jovens turcos", ou melhor dizendo, tunisinos, no caso de Abdel Kechiche, e sucessos como A Turma ou o êxito da comédia "à francesa" Bem Vindos ao Norte, que atraiu vinte milhões de espectadores. Ou como Asterix nos Jogos Olímpicos, paupérrima adaptação, muito abaixo das anteriores fitas com os gauleses.

De Itália veio também O meu Irmão é Filho Único, tragicomédia passada nos anos setenta com dois irmãos divididos politicamente pelos extremos fascismo/comunismo e por razões amorosas. Valeu bem a pena vê-lo. E ainda há Caos Calmo, o novo de Moretti, e Gomorra, que não vi, mas que dizem ser tão terrível como o livro de Saviano.
 
A memória não me chega para mais. Daqui a uns dias começa novo ano civil, e Janeiro trar-nos-à boas novidades, à partida, a começar com dois filmes de Clint Eastwood. Posto isto, não volto a fazer apanhados do ano, que para isso já bastam os dos jornais.
PS: confesso: aquela fotografia lateral com o Daniel Day Lewis só está ali por causa do fato que ele usa. Aquilo vende-se em qualquer feira ou é preciso mandar fazer?

2 comentários:

engº Paços de Ferreira disse...

Caro sr. politicamente indeterminaado...
Será mesmo indeterminado?
Escolher a meia duzia de filmes da corrente "intectual de esquerda vanguardista"!
está tudo visto!
Porque não o "Batman, Cavaleiro das Trevas"?
Secalhar é por ser demasiado "Americano". Além disso, passa nos shoppings, em salas de cinema cheias de pipocas.
É esse o seu problema?
E o "Wall-E"? Não existiu?
"se é blockbuster, não posso dizer que gosto dele, pelo menos publicamente. Que é que os meus companheiros intlectuais iriam dizer de mim?"
Libertem-se dessas amarras e preconceitos.
Viva a Liberdade!

João Pedro disse...

Eu falo do que vi, não do que não vi. Quem decide o que vejo sou eu, não um anonimozinho qualquer. "Corrente intelectual de esquerda vanguardista"? Deves perceber muito disto, deves. Até porque a penúltima frase tem tudo a ver com essas tais "correntes intelectuais de esquerda".