segunda-feira, março 06, 2006

Uma lamentável ignorância

Esclareçam-me se estiver enganado (e por isso a ser injusto). Mas contaram-me que no último Eixo do Mal, os comentadores fizeram menções pouco abonatórias à nova ERC e principalmente ao seu presidente, Azeredo Lopes. Ao que parece, "ninguém conhece o senhor Azeredo".
Pois bem, eu que o conheço e o tive duas vezes por professor, em áreas jurídico-internacionais, esclareço que se trata de um conhecido especialista em direito internacional, ex-comentador residente na RTP nessa área e actual director da área de Direito da Universidade Católica do Porto; e que até há bem pouco tempo intervinha no debate "Choque Ideológico", da RTP-N.

Poderão ainda assim os residentes do Eixo afirmar que não o conhecem? Da parte do burlesco José Júdice, com o seu ar entediantemente snob, é bem provável; Daniel Oliveira também gosta muito de falar sem ter conhecimento de caso; Luís Pedro Nunes também parece gostar muito de discorrer sobre qualquer assunto, e Nuno Artur Silva dá ideia de andar na maior parte das vezes aos papeis.
Mas Clara Ferreira Alves, que tanto gosta de ser a grande educadora do país, e a digna representante da inteligentzia de entre Campo de Ourique e o Chiado, ou tem fraca memória ou então finge que não conhece: é que há coisa de um mês, na mesma Universidade Católica onde Azeredo Lopes ocupa um cargo de responsabilidade, a cronista esteve deu uma espécie de conferência em tom intimista e familiar, intitulada "estórias da minha vida"; verdade seja dita, teve bastante interesse e revelou-nos coisas como a sua amizade com David Gilmour, na Londres dos anos oitenta, imaginando que o vocalista dos Pink Floyd era apenas um modesto músico com o fundo dos bolsos furados. Mas na tal "conferência", que não abarrotava propriamente de público, estava, na primeira fila, o novo presidente da ERC, um dos autores do convite à oradora, em conjunto com outros professores da casa. No fim, Clara Ferreira Alves ficou em larga conversa com o pequeno grupo de docentes, alguns dos quais eram, segundo me disseram, seus amigos. Por isso, não me cabe na cabeça que ignore quem é Azeredo Lopes, ou que tenha tido um lapso momentâneo de memória: sabia perfeitamente de quem falava mas quis passar por distraída. Melhor faria se, em lugar de querer provar que as pessoas que conhecidas vivem todas entre Vila Franca de Xira e Cascais, dissesse alguma coisa, ainda que pouco abonatória, sobre a pessoa em questão. É que mais depressa se apanha um(a) fingidor(a) do que um coxo.

PS: escrevi este post antes de ter tido conhecimento, via Acidental, de um texto de pura maledicência de Vasco Pulido Valente. Um ataque pessoal ridículo e despropositado, escrito provavelmente entre dois Jonnhy Walker´s, num momento ainda mais verrinoso do que o costume para o espectral bloguista.

3 comentários:

Alma disse...

Muito bem dito, neste caso escrito.
*****

Anônimo disse...

Meu amigo, eu por acaso até conheço o senhor. Se não entende que a questão não é se eu o conheço ou não, mas a sua irrelevância no meio para um cargo destas responsabilidades, nada posso fazer.

Daniel Oliveira

João Pedro disse...

Daniel, se o conhece, então percebo ainda menos a alusão (embora, como disse no início, não tenha visto o programa). E percebo ainda menos a "irrelevãncia". Por não se tratar de um jornalista, ou não ter grande experiência nessa área? Por não ser uma pessoa capaz de arcar com a tarefa? Por não ser mediático? Por acharem que a ERC nem sequer devia existir, ou então, teria outros moldes? Afinal, qual é o problema de fundo?