terça-feira, janeiro 20, 2009

A fulanização do PP

 

Não percebi lá muito bem as mais-valias que Paulo Portas trouxe de um congresso em que foi o "Rei-Sol" quase sem oposição. Houve-a, muito tímida e frouxa, para que as moções ganhadoras não tivessem percentagens kimilsungescas, e nada mais. Se ao menos Nobre Guedes lá tivesse ido sempre se discutiria alguma coisa; já nem falo dos grandes embates Monteiro vs Basílio vs Lobo Xavier, em 92, Portas vs Nogueira Pinto em 98, ou Portas vs monteiro em 2002, salvo erro, em que nem faltou uma cena de pugilato entre Avelino Ferreira Torres e um dos seus odiados "copos de leite". Mas esta reunião nacional serviu, talvez, para ganhar alguma notoriedade nos media, mostrar a unidade da "família centrista" e reintronizar Portas e o seu discurso costumeiro.

Olhando para as sondagens, é possível que o PP, em eleições nacionais, se aguente nas urnas, com resultados pouco diferentes dos dos últimos actos. Mas a sangria constante de militantes, como o deputado José Paulo Carvalho e algumas dezenas de Bragança, mostram um partido cada vez mais exíguo. Ao contrário do que dizem os seus admiradores, Portas já não tem a frescura de outrora, já não é o factor novidade, pese o seu carisma. Em vez de aguentar a sua "travessia no deserto", em 2005, não aguentou e voltou a tomar o partido de assalto na primeira oportunidade. É, como disse (numa das raras vezes que acertou) José António Saraiva, um "lobo solitário", que faz várias sortidas sem acumular poder. E os resultados locais comprovam-no. Escrevia há dias Carlos Manuel Castro na Câmara de Comuns: Adelino Amaro da Costa dizia que o Poder Local estava para o CDS como os sindicatos para o PCP. Se o PCP ainda hoje controla muitos sindicatos, o CDS está a definhar no Poder Local. Nada mais certo. O CDS teve uma base municipal com algum peso, detendo capitais de distrito como Aveiro, Bragança, Viseu e Leiria, e outras autarquias importantes, como Paredes, São João da Madeira, Cascais, Esposende, Póvoa de Varzim e Mirandela. Hoje resta-lhe uma, o eterno bastião de Ponte de Lima, e é parte de algumas coligações relevantes, como no Porto. Dificilmente aumentará esse número. Diz-se que poderá coligar-se com Santana Lopes em Lisboa. Se assim for, poderá ser um suporte importante para o "Menino Guerreiro", e assim disfarçar os resultados humilhantes de 2007, consequências da saída intempestiva de Nogueira Pinto. Mas será apenas e só mais uma tábua de salvação para um partido que se fulanizou, que descurou as bases e que se centralizou à volta de uma mesma personagem, que, ironia do destino, cada vez mais se confunde com a sigla.