O terrorismo também tem fim
terça-feira, setembro 27, 2005
sexta-feira, setembro 23, 2005
A esperança encarnada renasce
Os adeptos do Boavista ficaram desolados com a sua saída. Mais, consideram que o preço pago pelo Benfica foi "ridículo". Também acho. Vender Miguel e Alex, comprar Nélson e ganhar, no fim, 8,5 milhões de Euros, é um negócio da China.
O Veiga terá estado mal?
PS - já agora, se lhe juntarmos um Leo, um Anderson, um Karagounis e um Miccoli, praticamente sem gastar um tostão...
O ano começou mal, é verdade, mas depois das últimas vitaminas até já podemos dizer, com um sorriso trocista, que demos oito pontos de avanço aos adversário e que já os apanhámos.
O ídolo do momento é o minorca Miccoli, jogador que não conhecia mas que promete momentos fabulosos de bola nos pés (ou na cabeça, como já mostrou).
Atenção a Karagounis: o grego tem arrancadas explosivas e remates fulminantes. Não se impressionem apenas com o que viram no EURO 2004.
Leo, outro minorca, mostrou ter velocidade e consistência defensiva. Quando ganhar ritmo vai ser um caso sério junto de Simão.
Andersson surpreendeu-me pela colocação, destreza e classe no desarme. Precisa de melhorar no jogo aéreo, porque no resto é simplesmente impecável.
Beto tem desiludido mais, depois de uma excelente pré-época. Não se podia esperar grandes milagres de um médio proveniente do Beira-Mar que custou trezentos mil euros, mas ainda assim acho que, na sua posição original, será um bom e raçudo suplente de Petit e Manuel Fernandes (que até nem têm jogado grande coisa).
Kariaka não teve tempo para se mostrar muito, mas revelou alguns bons pormenores técnicos. Pode ser uma boa alternativa ao capitão, na esquerda, assim como o jovem mas promissor Hélio Roque.
Nelson é uma autêntica revelação. Até costumo acompanhar os vizinhos do Bessa, e ainda há tempos um juvenil dos axadrezados, que torce pelo Porto me tinha garantido que ele seria um novo Miguel; na altura desconfiei; agora, dissiparam-se-me as dúvidas.
Já agora, fica aqui uma pequena nota relativa, num blog recomendável (apesar do nome), não só ao novo e explosivo lateral canhoto mas também ás outras contratações:
Os adeptos do Boavista ficaram desolados com a sua saída. Mais, consideram que o preço pago pelo Benfica foi "ridículo". Também acho. Vender Miguel e Alex, comprar Nélson e ganhar, no fim, 8,5 milhões de Euros, é um negócio da China.
O Veiga terá estado mal?
PS - já agora, se lhe juntarmos um Leo, um Anderson, um Karagounis e um Miccoli, praticamente sem gastar um tostão...
Esperemos que as coisas se confirmem em Penafiel, cujo golo solitário na antepenúltima jornada de Maio passado, que tantos nervos me criou, ainda me está atravessado. Quanto ao teste mais duro, Old Trafford, terá de ser encarado como isso mesmo: um teste à capacidade deste benfica de koeman. Não se esperem milagres, mas ambição e realismo.
domingo, setembro 18, 2005
O fim do Verão
Oficialmente o Verão acaba lá para 21 de Setembro e algumas horas. Para muitos, o término da estação é no regresso das férias (se calharem nessa altura) e nem mais um dia. E há quem trace o limite com as vindimas.
Para os que frequentam as Feiras Novas de Ponte de Lima, em meados do mês, esse é o ponto exacto em que o Verão, o bronze, as conversas até tarde cá fora, etc, têm o seu termo. As tradicionais festas da terra de Campelo são o último suspiro estival, particulamente para quem está na fase de estudo e vê o primeiro dia de aulas chegar (e para os outros também). Naquele caos de pó, frango a fritar, vinho verde, chapéus de palha e entre a praça (e o seu típico chafariz do Alto Minho), a alameda e o rio Lima, com a ponte e as inúmeras igrejas como cenário de fundo, a comunhão entre gente de proveniência absolutamente distinta é já uma tradição que se vai perdendo nos tempos. Comunhão que não evita por vezes cenas de pancadaria entre locais e forasteiros, nomeio das barracas de pano cru e a multidão que ou aplaude ou foge, como é típico nestas situações. Se houver feirantes de varapau é pior.
Certo é que entre viras e chulas (agora com umas resmas de techno pelo meio), que fazem as delícias das novas gerações que invadem as festas todos os anos(não demasiado novas, apesar de tudo), e ao lado dos cavalos que passam a caminho da feira, despedimo-nos do Verão prontos para enfrentar as agruras ou os prazeres de um novo Outono. Até ao amanhecer, raros são os que não ficam, de preferência com um copo na mão, ou comendo um caldo verde à laia de ceia, num banco corrido, com o chapéu pousado ao lado, recordando os acontecimentos da noite e do Verão que terminam.

A todos os que ainda tiverem oportunidade de ir às Feiras Novas, que decorrem em Ponte de Lima até terça-feira, aconselho-os a ir lá, sobretudo aos que não conhecem. Eu já tive a minha conta de 2005. O Verão segue para o ano.
Oficialmente o Verão acaba lá para 21 de Setembro e algumas horas. Para muitos, o término da estação é no regresso das férias (se calharem nessa altura) e nem mais um dia. E há quem trace o limite com as vindimas.
Para os que frequentam as Feiras Novas de Ponte de Lima, em meados do mês, esse é o ponto exacto em que o Verão, o bronze, as conversas até tarde cá fora, etc, têm o seu termo. As tradicionais festas da terra de Campelo são o último suspiro estival, particulamente para quem está na fase de estudo e vê o primeiro dia de aulas chegar (e para os outros também). Naquele caos de pó, frango a fritar, vinho verde, chapéus de palha e entre a praça (e o seu típico chafariz do Alto Minho), a alameda e o rio Lima, com a ponte e as inúmeras igrejas como cenário de fundo, a comunhão entre gente de proveniência absolutamente distinta é já uma tradição que se vai perdendo nos tempos. Comunhão que não evita por vezes cenas de pancadaria entre locais e forasteiros, nomeio das barracas de pano cru e a multidão que ou aplaude ou foge, como é típico nestas situações. Se houver feirantes de varapau é pior.
Certo é que entre viras e chulas (agora com umas resmas de techno pelo meio), que fazem as delícias das novas gerações que invadem as festas todos os anos(não demasiado novas, apesar de tudo), e ao lado dos cavalos que passam a caminho da feira, despedimo-nos do Verão prontos para enfrentar as agruras ou os prazeres de um novo Outono. Até ao amanhecer, raros são os que não ficam, de preferência com um copo na mão, ou comendo um caldo verde à laia de ceia, num banco corrido, com o chapéu pousado ao lado, recordando os acontecimentos da noite e do Verão que terminam.
A todos os que ainda tiverem oportunidade de ir às Feiras Novas, que decorrem em Ponte de Lima até terça-feira, aconselho-os a ir lá, sobretudo aos que não conhecem. Eu já tive a minha conta de 2005. O Verão segue para o ano.
terça-feira, setembro 13, 2005
Post populista-sério (ou "os políticos são todos iguais")
O Bloco de Esquerda candidata Louçã para "impedir a ascensão da direita". O PCP e o "Secretário-Geral camarada Jerónimo de Sousa " idem aspas. Mário Soares avança depois da confiança mostrada pelo PS. Os "notáveis" do PSD e as bases apelam à candidatura de Cavaco para "derrotar a esquerda" e particularmente Soares. Ribeiro e Castro fala na necessidade de "impedir a esquerda de ficar com a maioria das autaquias".
Para quem tinha a menor dúvida de que os partidos e respectivos aparelhos (com as jotas à frente, bem entendido) são actualmente o maior cancro da vida política pode tirar daqui as devidas conclusões. Os grandes objectivos são impedir "os outros", a esquerda ou a direita, de ganhar. Ideias construtivas é que nem vê-las.
Não é à toa que o PS não manifesta dúvidas quanto à OTA ou ao TGV, que Campos e cunha saíu do Governo ou que Vara está na Administração da CGD e Gomes na da GALP. Ou ainda que os barões do PSD recusaram a lei da limitação de mandatos. é tudo claro como à água. Pelo menos à superfície. O fundo, esse, deve ser escuríssimo.
O Bloco de Esquerda candidata Louçã para "impedir a ascensão da direita". O PCP e o "Secretário-Geral camarada Jerónimo de Sousa " idem aspas. Mário Soares avança depois da confiança mostrada pelo PS. Os "notáveis" do PSD e as bases apelam à candidatura de Cavaco para "derrotar a esquerda" e particularmente Soares. Ribeiro e Castro fala na necessidade de "impedir a esquerda de ficar com a maioria das autaquias".
Para quem tinha a menor dúvida de que os partidos e respectivos aparelhos (com as jotas à frente, bem entendido) são actualmente o maior cancro da vida política pode tirar daqui as devidas conclusões. Os grandes objectivos são impedir "os outros", a esquerda ou a direita, de ganhar. Ideias construtivas é que nem vê-las.
Não é à toa que o PS não manifesta dúvidas quanto à OTA ou ao TGV, que Campos e cunha saíu do Governo ou que Vara está na Administração da CGD e Gomes na da GALP. Ou ainda que os barões do PSD recusaram a lei da limitação de mandatos. é tudo claro como à água. Pelo menos à superfície. O fundo, esse, deve ser escuríssimo.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Pixies alive

Enquanto muito sonhavam ver Bono e os habituais óculos escuros, ladeado por The Edge de chapéu texano, Clayton e Mullen sob holofotes e neons, cantando o Vertigo entre os azulejos amarelos e verdes de Alvalade, o meu pensamento ia para aquela banda meio esquizofrénico, meio masoquista, proveniente de Boston, e que se tinha voltado a juntar após demasidos anos de separação. Isso mesmo: os Pixies.
Esse grupo, chefiado por um alucinado de mais de cem kilos com o estranho nome artístico de Black Francis/Frank Black, e por uma senhora com ar de dona de casa e voz estridente chamada Kim Deal, acompanhados pelo guitarrista filipino Joey Santiago e pelo baterista David Lovering, mudou a face do rock dos anos oitenta/noventa, com o seu noise (menor que o dos Sonic Youth, apesar de tudo) melódico, que influenciou gente como Kurt Cobain - ainda que este nunca lhes tenha chegado aos calcanhares. Músicas cantadas (ou berradas) ora em inglês, ora em espanhol, sobre OVNIs, praias portoriquenhas, mentes a explodir ou bastardias avulsas eram o mote deste quarteto. Claro que a dita influência não se notou assim tão bem a olho nu, já que os seus discos não rebentavam com as platinas da época, e muito injustamente, diga-se (veja-se esta notícia, se ainda estiver online). O que é certo é que a banda espalhou os pós que haveriam de criar o grunge e depois dissolveu-se, por decisão unilateral do seu líder que queria enveredar por uma carreira a solo.
A vida de Franck black não melhorou com isso; Kim Deal conseguiu alguma notoriedade com as suas Breeders; mas sabiam que a sua carreira se devia à mítica banda que fora a sua.
Há alguns anos atrás, também eu punha os Pixies como um dos três ou quatro grupos que mais gostaria de ver ao vivo, mas acrescentava sempre um desconsolado "mas isso é impossível, porque eles não se vão voltar a juntar", enquanto ouvia o seu álbum live.
Oh, homem de pouca fé que eu era! Algures no ano passado, os agora distintos quarentões decidiram-se juntar-se e fazer umas tournées, sem esquecer a Ocidental Praia Lusitana. Para meu infortúnio, não pude comparecer na comissão de boas vindas dos Pixies a Portugal, vulgo público do Superbock Superock, e, vésperas do EURO. Prometi a mim próprio que se me fosse dada mais uma oportunidade, não a perderia por (quase) nada. E assim sucedeu. Aí em Maio soube que voltavam para actuar no festival de Paredes de Coura. a 17 de Agosto. Essa data não mais me saiu da memória, até porque sabia que nessa altura ia estar igualmente no Alto Minho. Chegado o grande dia, e mesmo com problemas de óleo no carro (e mais de trinta kms pela frente), ainda sem bilhete e com os meus companheiros de romaria courense a cortar-se à última do hora, rumei ao local escolhido. Curvas e mais curvas depois, ao som do Death to the Pixies no discman da viatura, consegui deixá-la num qualquer campo convertido em parque por uma quantia exagerada. Tal como era a que se pagava pelo bilhete. Mas deu tempo para inspecionar o local, ( hélas, demasiado tarde para ver os Arcade Fire), comer e beber alguma coisa e dar uma vista de olhos à Blitz (a única coisa grátis em toda aquela noite). As rádios e TVs "jovens" andavam todas por lá, mas infelizmente não vislumbrei a Rita Andrade.
O sítio, novo para mim (Paredes de Coura era mesmo o único concelho do Alto Minho que desconhecia), é bastante acidentado, com numerosos altos e baixos e um anfiteatro natural, inclinado para o palco, com o rio Coura - ali quase um ribeiro - atrás. Devo dizer que o seu primo mais velho de Vilar de Mouros é bem mais confortável e menos poeirento, além da proximidade e acessibilidades.
O que é certo é que ainda assisti aos Queen of Stone Age, bem cá atrás, não fosse ser acometido de uma surdez crónica, tal era o som e a potência da banda, mas não desgostei. Com o hiato da praxe, aproveitei para me chegar umas centenas de metros à frente, até que, quase inesperadamente, sem nada que os anunciasse, os Pixies fizeram a sua entrada em palco. Carecas todos, menos a senhora. Frank Black ainda mais gordo e com ar de sono (Kim Deal também ganhou uns kilos), envergando roupas banais, nada de blusões de couro, óculos escuros ou chapéus de texano. O que é certo é desde o início atacaram os clássicos: Wave of Mutilation, Where is my Mind, Here comes your Man, tudo seguido, para pôr o público efervescente, muito embora algumas estátuas de cera no meio dessem a impressão de nunca ter ouvido tal coisa na vida. Estas figuras irritam-me particularmente, quase tanto como aqueles que no seu frenesim musical quase que agridem as pessoas ao lado à cabeçada involuntária.
Claro que depois de semelhantes temas, vieram as menos conhecidas, pontuadas sempre com um ou outro clássico a meio (como a soberba Gouge Away, óptima para se ouvir à noite, perfeita quando tocada sob o luar). Houve um encore e a oportunidade de ver Mrs Deal balbuciar coisas em português, na sua simpatia contagiante, antes de encerrar com o seu Gigantic. Sem grandes rasgos, foram 25 músicas em hora e vinte de espectáculo, mas é sabido que as canções do grupo de Boston não primam pela sua longa duração. Não sendo o concerto da minha vida, a coisa teve a sua piada e dei-me por satisfeito. Embora tivesse sabido a pouco, os lendários Pixies ficaram vistos ao vivo e a cores; mais um para a colecção; mas se voltarem a este torrão ibérico num futuro não muito longínquo, e se tiver uma oportunidade clara, não deixarei de os rever. Porque apesar de tudo julgo que ainda me devem algo; se assim for, considerarei sempre um tal evento como a segunda parte do concerto do qual estive à espera tempos a fio. Caso contrário, não será por isso que me vou chatear com eles.
PS: para provar a minha boa vontade, no regresso vim o caminho todo a ouvir a segunda parte do Death to the Pixies: um concerto ao vivo dado pelos mesmos em Utreque, por volta de 1990. Exactamente o que tinha ouvido antes, só que com mais voz e um pouco mais de "loucura".
quarta-feira, setembro 07, 2005
Com o fim da saison balnear, das respectivas nortadas e brumas (e uma carga enorme de constipação por causa disso) e o regresso definitivo à rotina de todos os dias, confirmo com pesar que o Fora do Mundo , o Aviz e o Jaquinzinhos se acabaram mesmo. É o render da guarda, mas é sempre penoso.
Em relação ao primeiro, sabendo que FJV a uma quantidade de blogs sobre literatura brasileira, e que Pedro Lomba anda arredado da escrita online, só posso concluír que Pedro Mexia se cansou das bloguices durante uns tempos, e, aproveitando a quase ausência dos outros dois companheiros, resolveu parar e consequentemente encerrar o blogue. A questão é saber quanto tempo é que vai estar afastado, mas suspeito que não será tanto como isso. Entretanto, Viegas, apesar deste duplo desaparecimento, já tratou de se estabelecer no seu novo Origem das Espécies. Ainda não sei bem como será, mas é crível que entre outras coisas o seus autor fale de literatura, charutos, cerveja e actualidade brasileira.
No caso do blogue algarvio, sportinguista e liberal, acredito que o fim da sua caminhada se deva ao facto de ter blogado incansavelmente durante mais de dois anos, coisa que, parecendo que não, acaba por fartar. Embora na maior parte das ocasiões tenha discordado de JCD, encontravam-se lá posts - e fotografias - magníficos. Relembro como um dos mais felizes a enorme texto sobre a constituição do Ministério da Agricultura. Já um dos mais indefensáveis talvez tenha sido aquele em que fazia a apologia de Roman Abramovitch e da origem da sua sinuosa fortuna.
Como tudo o resto, os blogues não são eternos nem imutáveis; por cada blogue que acaba, há mais dez a ser criados num qualquer enter. Mas também neste mundo em expansão há referências, e os blogues que agora chegaram ao fim da linha eram-no incontestavelmente. Agora só espero que este volte rapidamente de férias.
E por ora é tudo. Os incêndio continuam a lavrar - ainda estamos em Setembro - e nos últimos dias pude ver bem os seus estragos, em sítios como o alto Minho, Trás-os-Montes, Coimbra, Douro Litoral (Valongo ficou quase totalmente cercada pelas chamas, e por um triz não ardia a biblioteca municipal), etc. Felizmente, a chuva resolveu aparecer. Louvada seja.
É claro que ja voltei de férias há uns dias, mas à excepção do post sobre o solidariedade, não tenho tido grande oportunidade de blogar. Espero agora ter mais disponibilidae para voltar às descrições mediterrânicas.
Em relação ao primeiro, sabendo que FJV a uma quantidade de blogs sobre literatura brasileira, e que Pedro Lomba anda arredado da escrita online, só posso concluír que Pedro Mexia se cansou das bloguices durante uns tempos, e, aproveitando a quase ausência dos outros dois companheiros, resolveu parar e consequentemente encerrar o blogue. A questão é saber quanto tempo é que vai estar afastado, mas suspeito que não será tanto como isso. Entretanto, Viegas, apesar deste duplo desaparecimento, já tratou de se estabelecer no seu novo Origem das Espécies. Ainda não sei bem como será, mas é crível que entre outras coisas o seus autor fale de literatura, charutos, cerveja e actualidade brasileira.
No caso do blogue algarvio, sportinguista e liberal, acredito que o fim da sua caminhada se deva ao facto de ter blogado incansavelmente durante mais de dois anos, coisa que, parecendo que não, acaba por fartar. Embora na maior parte das ocasiões tenha discordado de JCD, encontravam-se lá posts - e fotografias - magníficos. Relembro como um dos mais felizes a enorme texto sobre a constituição do Ministério da Agricultura. Já um dos mais indefensáveis talvez tenha sido aquele em que fazia a apologia de Roman Abramovitch e da origem da sua sinuosa fortuna.
Como tudo o resto, os blogues não são eternos nem imutáveis; por cada blogue que acaba, há mais dez a ser criados num qualquer enter. Mas também neste mundo em expansão há referências, e os blogues que agora chegaram ao fim da linha eram-no incontestavelmente. Agora só espero que este volte rapidamente de férias.
E por ora é tudo. Os incêndio continuam a lavrar - ainda estamos em Setembro - e nos últimos dias pude ver bem os seus estragos, em sítios como o alto Minho, Trás-os-Montes, Coimbra, Douro Litoral (Valongo ficou quase totalmente cercada pelas chamas, e por um triz não ardia a biblioteca municipal), etc. Felizmente, a chuva resolveu aparecer. Louvada seja.
É claro que ja voltei de férias há uns dias, mas à excepção do post sobre o solidariedade, não tenho tido grande oportunidade de blogar. Espero agora ter mais disponibilidae para voltar às descrições mediterrânicas.
quinta-feira, setembro 01, 2005
quinta-feira, agosto 25, 2005
Há fumo...
Não me lembro de um ano tão chamuscante como este, mas com a seca que tivemos, não era de esperar outra coisa. Por toda a parte se vêm colunas de fumo e até labaredas, que se transformam em sinistros clarões atrás dos montes quando cai a noite. Em todas as localidades das imediações, Cerveira, Valença, Vilar de Mouros, Caminha, Viana, os sinais de devastação são bem visíveis; as matas queimadas, ainda a fumegar, estão aí, a poucos passos. Na capital do distrito por pouco não evacuaram o hospital central, e as festas da Senhora da Agonia, habitualmente tão afamadas, foram ensombradas por uma sinistra nuvem de fumo que subia do monte de Santa Luzia, em labaredas.
A única névoa que se vê é precisamente a do "smog" incendiário: nem sinal de humidade no horizonte. Pelos media vejo que a situação não é melhor no centro e em Trás-os-Montes, onde numa aldeia cujo nome prefiro não divulgar a populção ficou embasbacada a olhar para os fogos dos vizinhos, antes de voltar para a sua festarola e para o respectivo lançamento de fogo de artifício - apesar da expressa proibição do governador civil, a quem ia dando um ataque. Depois, claro, a culpa é toda dos governantes e dos político, a quem se pedincha subsídios quando o mal está feito.
Acho que hoje completo mais um ano, mas sinceramente nem me lembro muito disso. E depois, o dia de hoje devia ser feriado, por razões evidentemente extra-pessoais : a lembrança da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820, no Porto, célula embrionária do regime constitucional. Poucos se lembram disso, injustamente. É mais fácil lembrar um banal aniversário através de um telefonema ou de um sms. De qualquer maneira, fica uma pontinha de orgulho por ter nascido em tão importante efeméride.
A continuação do post anterior e das diversas localidades mediterrânicas continua em breve.
Não me lembro de um ano tão chamuscante como este, mas com a seca que tivemos, não era de esperar outra coisa. Por toda a parte se vêm colunas de fumo e até labaredas, que se transformam em sinistros clarões atrás dos montes quando cai a noite. Em todas as localidades das imediações, Cerveira, Valença, Vilar de Mouros, Caminha, Viana, os sinais de devastação são bem visíveis; as matas queimadas, ainda a fumegar, estão aí, a poucos passos. Na capital do distrito por pouco não evacuaram o hospital central, e as festas da Senhora da Agonia, habitualmente tão afamadas, foram ensombradas por uma sinistra nuvem de fumo que subia do monte de Santa Luzia, em labaredas.
A única névoa que se vê é precisamente a do "smog" incendiário: nem sinal de humidade no horizonte. Pelos media vejo que a situação não é melhor no centro e em Trás-os-Montes, onde numa aldeia cujo nome prefiro não divulgar a populção ficou embasbacada a olhar para os fogos dos vizinhos, antes de voltar para a sua festarola e para o respectivo lançamento de fogo de artifício - apesar da expressa proibição do governador civil, a quem ia dando um ataque. Depois, claro, a culpa é toda dos governantes e dos político, a quem se pedincha subsídios quando o mal está feito.
Acho que hoje completo mais um ano, mas sinceramente nem me lembro muito disso. E depois, o dia de hoje devia ser feriado, por razões evidentemente extra-pessoais : a lembrança da Revolução Liberal de 24 de Agosto de 1820, no Porto, célula embrionária do regime constitucional. Poucos se lembram disso, injustamente. É mais fácil lembrar um banal aniversário através de um telefonema ou de um sms. De qualquer maneira, fica uma pontinha de orgulho por ter nascido em tão importante efeméride.
A continuação do post anterior e das diversas localidades mediterrânicas continua em breve.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Um novo dia no Mediterraneo
O primeiro jornal que tiro da banca, La Gazzetto del Sport; anima-me logo o inicio do dia: segundo os transalpinos, a Juve quer mesmo Miguel, apesar dos disparates. Se isto se confirmasse é que era...
Falando ainda em futebol, a noticia desportiva aqui é mesmo a do regresso de Zizou à equipa francesa; escrevo sem todos os acentos porque estou precisamente na cidade que descobriu esse grande jogador para o futebol: Cannes. Mas como é evidente, as atracçoes aqui estao longe de se relaccionarem com o futebol. A Croisette, ladeada pelo Palàcio dos Festivais e as marcas digitais das estrelas de cinema, pelo Vieu Port e pelos Carltons e Hiltons da enseada, impressiona pelo requinte e beleza.
Por estranho que pareça, nem era minha intençao parar em Cannes, mas um incendio perto de Marselha cortou as comunicaçoes e obrigou-me a passar aqui a noite. Em boa hora. De qualquer forma, o problema parece resolvido, e seguirei ainda hoje para a Provença.
Resumindo, venho de Nice, e antes disso de Génova (proveniente de Milao). Tem sido um percurso interessante ao longo da Riviera e da Cote d Azur, apesar do sol impiedoso. Sigo agora para Oeste, e tentarei dar noticias sempre que possivel.
O primeiro jornal que tiro da banca, La Gazzetto del Sport; anima-me logo o inicio do dia: segundo os transalpinos, a Juve quer mesmo Miguel, apesar dos disparates. Se isto se confirmasse é que era...
Falando ainda em futebol, a noticia desportiva aqui é mesmo a do regresso de Zizou à equipa francesa; escrevo sem todos os acentos porque estou precisamente na cidade que descobriu esse grande jogador para o futebol: Cannes. Mas como é evidente, as atracçoes aqui estao longe de se relaccionarem com o futebol. A Croisette, ladeada pelo Palàcio dos Festivais e as marcas digitais das estrelas de cinema, pelo Vieu Port e pelos Carltons e Hiltons da enseada, impressiona pelo requinte e beleza.
Por estranho que pareça, nem era minha intençao parar em Cannes, mas um incendio perto de Marselha cortou as comunicaçoes e obrigou-me a passar aqui a noite. Em boa hora. De qualquer forma, o problema parece resolvido, e seguirei ainda hoje para a Provença.
Resumindo, venho de Nice, e antes disso de Génova (proveniente de Milao). Tem sido um percurso interessante ao longo da Riviera e da Cote d Azur, apesar do sol impiedoso. Sigo agora para Oeste, e tentarei dar noticias sempre que possivel.
segunda-feira, agosto 01, 2005
Adeus?
A pior notícia possível para a imprensa portuguesa tornou-se realidade: O Comércio do Porto (o mais antigo periódico ibérico, nascido em 1854) e A Capital fecharam as portas.
Como repararam, não coloquei os respectivos links. Não vale a pena. É que as edições online já não estão disponíveis. Infelizmente, as contigências de um mercado que se desinteressa da diversidade jornalística e da longa história e tradição de autênticas instituições levam a resultados destes.
Não era leitor assíduo de nehum dos dois, mas lembro-me bem de ver o Comércio em cima da mesa metálica da sala do meu avô, um sólido e empedernido portuense (apesar de bastante conservador e pouco republicano), que não o dispensava por nada, e que, julgo eu, terá passado até por um dos seus orgãos de direcção. A Capital conhecia-o menos, talvez por se restringir mais à área de Lisboa, mas lembro-me de ler e reler um número especial sobre o festival de Vilar de Mouros de 1996, e de descobrir com emoção o relato dos concertos a que eu também tinha assistido (os meus primeiros).
Um texto do Barnabé já com uns meses largos tinha um carácter vagamente premonitório. Querem ver que daqui a pouco é o Primeiro de Janeiro? Ao menos, deixem-nos ficar com as ruas (para quem não sabe, há na cidade do Porto ruas com o nome dos três jornais: a do Comércio fica atrás da Bolsa, a do Primeiro é onde está o Bessa, e a do JN, ao contrário do que muitos pensam, fica em Aldoar).
Esperemos é que estas abruptas interrupções sejam apenas um intervalo e que as duas publicações voltem às impressoras.
PS: amanhã parto para férias, para um destino ainda nebuloso antes dos costumeiros dias de praia numa conhecida localidade do Alto Minho. Tentarei escrever dentro do possível, mas sempre com irregularidade. Boas férias, a quem as gozar agora.
A pior notícia possível para a imprensa portuguesa tornou-se realidade: O Comércio do Porto (o mais antigo periódico ibérico, nascido em 1854) e A Capital fecharam as portas.
Como repararam, não coloquei os respectivos links. Não vale a pena. É que as edições online já não estão disponíveis. Infelizmente, as contigências de um mercado que se desinteressa da diversidade jornalística e da longa história e tradição de autênticas instituições levam a resultados destes.
Não era leitor assíduo de nehum dos dois, mas lembro-me bem de ver o Comércio em cima da mesa metálica da sala do meu avô, um sólido e empedernido portuense (apesar de bastante conservador e pouco republicano), que não o dispensava por nada, e que, julgo eu, terá passado até por um dos seus orgãos de direcção. A Capital conhecia-o menos, talvez por se restringir mais à área de Lisboa, mas lembro-me de ler e reler um número especial sobre o festival de Vilar de Mouros de 1996, e de descobrir com emoção o relato dos concertos a que eu também tinha assistido (os meus primeiros).
Um texto do Barnabé já com uns meses largos tinha um carácter vagamente premonitório. Querem ver que daqui a pouco é o Primeiro de Janeiro? Ao menos, deixem-nos ficar com as ruas (para quem não sabe, há na cidade do Porto ruas com o nome dos três jornais: a do Comércio fica atrás da Bolsa, a do Primeiro é onde está o Bessa, e a do JN, ao contrário do que muitos pensam, fica em Aldoar).
Esperemos é que estas abruptas interrupções sejam apenas um intervalo e que as duas publicações voltem às impressoras.
PS: amanhã parto para férias, para um destino ainda nebuloso antes dos costumeiros dias de praia numa conhecida localidade do Alto Minho. Tentarei escrever dentro do possível, mas sempre com irregularidade. Boas férias, a quem as gozar agora.
domingo, julho 31, 2005
Farto
Há uma coisa de que sinceramente estou farto: dos constantes e eternos pessimismos com que dia a dia nos martirizam os tímpanos. Sempre que abro a secção "Diz-se" do Público, por exemplo, apanho logo com meia dúzia de queixumes e afirmações semi-apocalípticas: Portugal não tem emenda, o país é inviável, caminhamos para o fim (ou para o desastre), etc, etc, etc. Já ouvi mesmo alguns colunistas dizer que "Portugal atravessa a maior crise da sua história" - fazendo tábua rasa de oitocentos anos em que tivemos reconquistas, interregnos, revoluções, guerras civis, terramotos e até perdas temporárias da independência.
Seria muito fácil exemplificar logo com Vasco Pulido Valente, mas nem é preciso ir tão longe. Um dos culpados disto é Pacheco Pereira; começou a usar a expressão "pobre país o nosso" e logo um monte de seguidores passou a usá-la como lema. Dos mais insistente saliento um comentador do Blasfémias, que assina anti-comuna, e que depois de umas quantas linhas a verberar o poder político (quase sempre o actual governo, mas justificando o de Santana) e a concordar com cada palavra escrita pelo campeão liberal João Miranda, acaba sempre com o mesmo lamento :"pobre país o nosso! Quem nos acode, quem nos acode?". Há muitos outros, como é óbvio, mas este é um dos mais flagrantes exemplos do choradinho-pessimista nacional; o caso é tanto mais estranho se pensarmos que se está a defender a total iniciativa privada no início, e logo a seguir se começa a pedir socorro a um qualquer salvador imaginário.
Se há defeito que os portugueses têm, mais do que qualquer outro, é o de passarem o tempo a criticar o país. Ora, se o país é criticável, deve-se aos próprios críticos, e a mais ninguém. Mas desde os tempos do nosso Eça e da "choldra"(pelo menos, porque esse hábito já deve vir mais de trás) que é de bom tom bater no país.
Não sou sociólogo e muito menos economista, mas suspeito que haja razões históricas por trás de tanta frustração. A memória da gloriosa saga dos descobrimentos continua sempre presente. Só que considerar Portugal uma superpotência é não ter a noção das coisas. Passa-se o tempo a fazer comparações com os outros, começando por Espanha e acabando na Grécia. Para quem não se deu conta, Espanha tem o quáduplo da população, o quíntuplo do território e uma fronteira com França, o que sempre a torna menos periférica. Sim, eu sei que estamos na cauda da Europa em quase todos os índices de desenvolvimento humano. Mas isso não é razão para se dizer que estamos no "Terceiro Mundo". Temos um povo na sua maioria iletrado e sem qualificações, uma classe política duvidosa, uma administração pública pesada e uma economia dependente. Mas quase todos têm telemóvel, casa própria e automóvel (eu por acaso não). Claro que podemos falar sempre no excessivo recurso ao crédito, mas isso é outra história. E não temos guerras, nem fome generalizada, epidemias graves ou uma criminalidade assustadora. Alguém que chegue do Níger, do Bangladesh ou do Afeganistão e ouça um dos comentadores do costume dizer que "somos um país do Terceiro Mundo" (onde com certeza nunca esteve) tem todas as razões para se sentir ofendido e aviltado. O nosso défice pode estar num nível alto, mas a água é potável e não faltam hospitais, escolas e auto-estradas. Nem telemóveis.
É por isso que estou francamente farto de torpes comentários dos pífios críticos que nos cercam. Tanto queixume é doentio, e se o país não é melhor e há falta de iniciativa também se deve a eles. Portugal pode estar estagnado, acomodado, ultrapassado, mas não é por isso que vai acabar, por muito que seja essa a opinião dos seguidores de Pulido Valente & Cia. E aposto que há muito de financeiro e económico por aí: se a nossa economia crescesse um bocadinho mais, e as finanças estivessem na milagreira linha dos 3%, já as lamúria seriam mais suaves. E daí talvez não. Não faltariam carpideiras (como o anacrónico e estafado Camilo de Oliveira) a falar da "crise", nem que isso significasse a subida do preço do Kilo da hortaliça.
(Para desanuviar um pouco, fica aqui a seguinte questão: porque será que o PS, para a câmara da Póvoa do Varzim, terá resolvido candidatar o apresentador José Carlos Malato?

Eis uma questão a pôr ao MFC)
Há uma coisa de que sinceramente estou farto: dos constantes e eternos pessimismos com que dia a dia nos martirizam os tímpanos. Sempre que abro a secção "Diz-se" do Público, por exemplo, apanho logo com meia dúzia de queixumes e afirmações semi-apocalípticas: Portugal não tem emenda, o país é inviável, caminhamos para o fim (ou para o desastre), etc, etc, etc. Já ouvi mesmo alguns colunistas dizer que "Portugal atravessa a maior crise da sua história" - fazendo tábua rasa de oitocentos anos em que tivemos reconquistas, interregnos, revoluções, guerras civis, terramotos e até perdas temporárias da independência.
Seria muito fácil exemplificar logo com Vasco Pulido Valente, mas nem é preciso ir tão longe. Um dos culpados disto é Pacheco Pereira; começou a usar a expressão "pobre país o nosso" e logo um monte de seguidores passou a usá-la como lema. Dos mais insistente saliento um comentador do Blasfémias, que assina anti-comuna, e que depois de umas quantas linhas a verberar o poder político (quase sempre o actual governo, mas justificando o de Santana) e a concordar com cada palavra escrita pelo campeão liberal João Miranda, acaba sempre com o mesmo lamento :"pobre país o nosso! Quem nos acode, quem nos acode?". Há muitos outros, como é óbvio, mas este é um dos mais flagrantes exemplos do choradinho-pessimista nacional; o caso é tanto mais estranho se pensarmos que se está a defender a total iniciativa privada no início, e logo a seguir se começa a pedir socorro a um qualquer salvador imaginário.
Se há defeito que os portugueses têm, mais do que qualquer outro, é o de passarem o tempo a criticar o país. Ora, se o país é criticável, deve-se aos próprios críticos, e a mais ninguém. Mas desde os tempos do nosso Eça e da "choldra"(pelo menos, porque esse hábito já deve vir mais de trás) que é de bom tom bater no país.
Não sou sociólogo e muito menos economista, mas suspeito que haja razões históricas por trás de tanta frustração. A memória da gloriosa saga dos descobrimentos continua sempre presente. Só que considerar Portugal uma superpotência é não ter a noção das coisas. Passa-se o tempo a fazer comparações com os outros, começando por Espanha e acabando na Grécia. Para quem não se deu conta, Espanha tem o quáduplo da população, o quíntuplo do território e uma fronteira com França, o que sempre a torna menos periférica. Sim, eu sei que estamos na cauda da Europa em quase todos os índices de desenvolvimento humano. Mas isso não é razão para se dizer que estamos no "Terceiro Mundo". Temos um povo na sua maioria iletrado e sem qualificações, uma classe política duvidosa, uma administração pública pesada e uma economia dependente. Mas quase todos têm telemóvel, casa própria e automóvel (eu por acaso não). Claro que podemos falar sempre no excessivo recurso ao crédito, mas isso é outra história. E não temos guerras, nem fome generalizada, epidemias graves ou uma criminalidade assustadora. Alguém que chegue do Níger, do Bangladesh ou do Afeganistão e ouça um dos comentadores do costume dizer que "somos um país do Terceiro Mundo" (onde com certeza nunca esteve) tem todas as razões para se sentir ofendido e aviltado. O nosso défice pode estar num nível alto, mas a água é potável e não faltam hospitais, escolas e auto-estradas. Nem telemóveis.
É por isso que estou francamente farto de torpes comentários dos pífios críticos que nos cercam. Tanto queixume é doentio, e se o país não é melhor e há falta de iniciativa também se deve a eles. Portugal pode estar estagnado, acomodado, ultrapassado, mas não é por isso que vai acabar, por muito que seja essa a opinião dos seguidores de Pulido Valente & Cia. E aposto que há muito de financeiro e económico por aí: se a nossa economia crescesse um bocadinho mais, e as finanças estivessem na milagreira linha dos 3%, já as lamúria seriam mais suaves. E daí talvez não. Não faltariam carpideiras (como o anacrónico e estafado Camilo de Oliveira) a falar da "crise", nem que isso significasse a subida do preço do Kilo da hortaliça.
(Para desanuviar um pouco, fica aqui a seguinte questão: porque será que o PS, para a câmara da Póvoa do Varzim, terá resolvido candidatar o apresentador José Carlos Malato?
Eis uma questão a pôr ao MFC)
terça-feira, julho 26, 2005
A herança terrorista
O terrorismo continua a ser o assunto mais discutido a nível internacional. Tivemos a quasi repetição dos atentados de Londres duas semanas depois, o caso do infeliz brasileiro baleado pela polícia (mas quem é que o mandou vestir-se daquela forma?), as bombas em Sharm-el-Sheik, e, claro, a matança diária do Iraque, cujos habitantes são autênticos mártires às mãos dos bárbaros locais. A pergunta que mais se faz é: qual será o alvo seguinte? Ou então, e talvez mais pertinente: deve a nossa liberdade ser parcialmente posta em causa em nome da segurança?
De qualquer forma, o fenómeno não é de maneira nenhuma novo. Mesmo a versão fanática islâmica já se tinha manifestado por diversas vezes nos anos 80, com o enigmático Abu Nidal, ou os incitamentos de Muammar Khadafi (hoje um autêntico cordeiro). Mais atrás tivemos o "terror vermelho", das Brigate Rossi e dos Baader-Meinhof, ou dos grupos fascistas que mandaram pelos ares a estação de Bolonha. As doutrinas dos extremos, particularmente as anarquistas, já utilizavam o terror há largas décadas.
Prova disso mesmo é o nosso inevitável Eça, que invocamos sempre que queremos fazer uma comparação entre o Séc. XIX e os nossos dias. Também aqui o então cônsul em Paris nos deixou notas preciosas para percebermos como a violência do terrorismo já na época obedecia a uma lógica impiedosa e fanática. Eis alguns exemplos que encontrei na biografia do escritor, da autoria de Maria Filomena Mónica:
"o propósito de aplicar a doutrina de seita, que tendo condenado a sociedade burguesa e capitalista como único impedimento à definitiva felicidade dos proletários, decretou a destruição desses proletários (razão dada para a colocação de uma bomba no interior do Parlamento) (...) durante um momento, à força de buscas, de prisões, a seita fica desorganizada, desconjuntada; mas para imediatamente se reorganizar além, mais numerosa, mais fanatizada, por isso que vem de padecer mais uma perseguição (...)Tornava-se necessário atirar indiscriminadamente a bomba redentora contra as classes exploradoras, contra a cidade onde se realiza a exploração, contra as próprias crianças que nascem, porque elas já trazem em si o vírus da submissão explorável (...) Se é anarquista, se lançou a bomba, é dele a fama universal, que nem sempre conseguem os santos e os génios." Filomena Mónica dá-nos ainda conta dasduas razões que Eça considerava fundamentais para a divulgação da doutrina: "uma das raízes do entusiasmo pelo anarquista, a boa, viria da comiseração que naturalmente qualquer pessoa sente por quem sofre; mas havia outra, a perniciosa, que derivava do doentio entusiasmo por tudo quanto era monstruoso (...) A culpabilidade dos ricos levava-os ao êxtase do gesto bombista" (Maria Filomena Mónica, Eça de Queirós, Quetzal Editores). Para além disto, Eça faz ainda algumas considerações acerca da estranha atracção de alguns elementos das classes mais altas pela doutrina da seita.
Notório é que muitas das características do terrorismo da altura sejam tão semelhantes ao que deriva do islamismo: a vontade de matar indiscriminadamente, o ódio a uma sociedade inteira, o dogmatismo e a crença na sua missão assassina (e em grande parte suicida, já que os anarquistas sabiam que estas acções provavelmente lhes custariam a vida), um certo sentimento de exploração ou marginalização que deriva para um letal desejo de vingança. Sim, ontem como hoje as razões e as consequências são as mesmas. As novas tecnologias e a globalização tendem a modificar-lhes os métodos, mas o islamismo radical é na sua vertente mais violenta herdeiro directo do anarquismo oitocentista. Que páginas dedicaria Eça ao assunto se vivesse nos nossos dias?
O terrorismo continua a ser o assunto mais discutido a nível internacional. Tivemos a quasi repetição dos atentados de Londres duas semanas depois, o caso do infeliz brasileiro baleado pela polícia (mas quem é que o mandou vestir-se daquela forma?), as bombas em Sharm-el-Sheik, e, claro, a matança diária do Iraque, cujos habitantes são autênticos mártires às mãos dos bárbaros locais. A pergunta que mais se faz é: qual será o alvo seguinte? Ou então, e talvez mais pertinente: deve a nossa liberdade ser parcialmente posta em causa em nome da segurança?
De qualquer forma, o fenómeno não é de maneira nenhuma novo. Mesmo a versão fanática islâmica já se tinha manifestado por diversas vezes nos anos 80, com o enigmático Abu Nidal, ou os incitamentos de Muammar Khadafi (hoje um autêntico cordeiro). Mais atrás tivemos o "terror vermelho", das Brigate Rossi e dos Baader-Meinhof, ou dos grupos fascistas que mandaram pelos ares a estação de Bolonha. As doutrinas dos extremos, particularmente as anarquistas, já utilizavam o terror há largas décadas.
Prova disso mesmo é o nosso inevitável Eça, que invocamos sempre que queremos fazer uma comparação entre o Séc. XIX e os nossos dias. Também aqui o então cônsul em Paris nos deixou notas preciosas para percebermos como a violência do terrorismo já na época obedecia a uma lógica impiedosa e fanática. Eis alguns exemplos que encontrei na biografia do escritor, da autoria de Maria Filomena Mónica:
"o propósito de aplicar a doutrina de seita, que tendo condenado a sociedade burguesa e capitalista como único impedimento à definitiva felicidade dos proletários, decretou a destruição desses proletários (razão dada para a colocação de uma bomba no interior do Parlamento) (...) durante um momento, à força de buscas, de prisões, a seita fica desorganizada, desconjuntada; mas para imediatamente se reorganizar além, mais numerosa, mais fanatizada, por isso que vem de padecer mais uma perseguição (...)Tornava-se necessário atirar indiscriminadamente a bomba redentora contra as classes exploradoras, contra a cidade onde se realiza a exploração, contra as próprias crianças que nascem, porque elas já trazem em si o vírus da submissão explorável (...) Se é anarquista, se lançou a bomba, é dele a fama universal, que nem sempre conseguem os santos e os génios." Filomena Mónica dá-nos ainda conta dasduas razões que Eça considerava fundamentais para a divulgação da doutrina: "uma das raízes do entusiasmo pelo anarquista, a boa, viria da comiseração que naturalmente qualquer pessoa sente por quem sofre; mas havia outra, a perniciosa, que derivava do doentio entusiasmo por tudo quanto era monstruoso (...) A culpabilidade dos ricos levava-os ao êxtase do gesto bombista" (Maria Filomena Mónica, Eça de Queirós, Quetzal Editores). Para além disto, Eça faz ainda algumas considerações acerca da estranha atracção de alguns elementos das classes mais altas pela doutrina da seita.
Notório é que muitas das características do terrorismo da altura sejam tão semelhantes ao que deriva do islamismo: a vontade de matar indiscriminadamente, o ódio a uma sociedade inteira, o dogmatismo e a crença na sua missão assassina (e em grande parte suicida, já que os anarquistas sabiam que estas acções provavelmente lhes custariam a vida), um certo sentimento de exploração ou marginalização que deriva para um letal desejo de vingança. Sim, ontem como hoje as razões e as consequências são as mesmas. As novas tecnologias e a globalização tendem a modificar-lhes os métodos, mas o islamismo radical é na sua vertente mais violenta herdeiro directo do anarquismo oitocentista. Que páginas dedicaria Eça ao assunto se vivesse nos nossos dias?
sexta-feira, julho 22, 2005
Primeira saída
Não li o artigo de Campos e Cunha no Público de Domingo, por isso, contrariamente aos entendidos, fui apanhado de surpresa pela demissão do (Ex)titular da pasta das finanças. O gesto é preocupante, e deixa adivinhar um conjunto de questões não resolvidas entre Campos e Cunha e José Sócrates (ou, pior do que isso, o inefável aparelho do PS). As opções do investimento público, como o discutível projecto da OTA, e o discutibilíssimo TGV, que ora parecem obras necessárias para o avanço do país ora nos soam como meras brincadeiras de novos-ricos, serão talvez a chave do problema, o que não parece ser novidade para ninguém. Adivinhas à parte, a saída de alguém que parecia rigoroso e competente (apesar da rocambolesca história das pensões), ao fim de quatro meses no seu posto, não deixará de causar apreensão. Não conheço Fernando Teixeira dos Santos, não duvido da sua preparação, mas temo que não tenha muita corda. De qualquer forma, é possível que com este desaire, Sócrates perceba que não pode pisar o risco muitas vezes de aqui em diante. E que não são umas "meras" autárquicas que farão com que o seu executivo se aguente.
E a propósito: já ouço umas bocas a dizer que "isto é o início do fim", "este governo não dura muito mais", etc. Era bom que as pessoas, sejam quais forem as suas preferências político-ideológicas, tivessem um pouco mais de senso: desde 99 que não temos um governo que cumpra os quatro anos de legislatura. Tivemos dois primeiros-ministros que se demitiram e outro que nunca devia ter sido nomeado. Não podemos andar sempre a brincar aos governos conforme a disposição das analistas, sejam os da TV ou do café. As mudanças custam caro e atrasam ainda mais o já derrapado crescimento do país. E em relação à dissolução da AR por Sampaio, já aqui dei a minha opinião, mas posso voltar a repeti-la: o PR tinha toda a legitimidade para o fazer. Toda. O governo de Santana Lopes era de iniciativa presidencial (e não legitimada em eleições que só formalmente são para escolher o poder legislativo), e além disso havia uma condição base: o novo executivo deveria seguir a mesma política económica levada a cabo até aí por Manuela Ferreira Leite. Tendo seguido a via oposta (com os delirantes "a recessão acabou"), deram a Sampaio a oportunidade para acabar com a legislatura. Perante as confusões que se sucediam, ele não hesitou. Convinha agora um pouco da serenidade que Sua Exª nos pede regularmente. Sobretudo ao governo, que bem tem de pensar no seu rumo daqui para a frente.
PS: o inafastável dinossauro de Braga, Mesquita Machado, amante do betão e da edificação vertical, exprimiu a sua enorme "satisfação e alegria" com a remodelação governamental, já que entendia que Campos e Cunha fora "um autêntico desastre" e que "não tinha sensibilidade para os problemas das pessoas" (em linguagem de autarca deve querer dizer que não beneficiava patos-bravos e urbanizações desregradas). Eis um sinal realmente preocupante do que está a suceder. Espero é que Mesquita Machado tenha razões para ficar igualmente desiludido com o novo titular da pasta. Isto é, se os bracarenses não se fartarem de vez e o puserem a andar do cargo a que se agarra como uma lapa.
Não li o artigo de Campos e Cunha no Público de Domingo, por isso, contrariamente aos entendidos, fui apanhado de surpresa pela demissão do (Ex)titular da pasta das finanças. O gesto é preocupante, e deixa adivinhar um conjunto de questões não resolvidas entre Campos e Cunha e José Sócrates (ou, pior do que isso, o inefável aparelho do PS). As opções do investimento público, como o discutível projecto da OTA, e o discutibilíssimo TGV, que ora parecem obras necessárias para o avanço do país ora nos soam como meras brincadeiras de novos-ricos, serão talvez a chave do problema, o que não parece ser novidade para ninguém. Adivinhas à parte, a saída de alguém que parecia rigoroso e competente (apesar da rocambolesca história das pensões), ao fim de quatro meses no seu posto, não deixará de causar apreensão. Não conheço Fernando Teixeira dos Santos, não duvido da sua preparação, mas temo que não tenha muita corda. De qualquer forma, é possível que com este desaire, Sócrates perceba que não pode pisar o risco muitas vezes de aqui em diante. E que não são umas "meras" autárquicas que farão com que o seu executivo se aguente.
E a propósito: já ouço umas bocas a dizer que "isto é o início do fim", "este governo não dura muito mais", etc. Era bom que as pessoas, sejam quais forem as suas preferências político-ideológicas, tivessem um pouco mais de senso: desde 99 que não temos um governo que cumpra os quatro anos de legislatura. Tivemos dois primeiros-ministros que se demitiram e outro que nunca devia ter sido nomeado. Não podemos andar sempre a brincar aos governos conforme a disposição das analistas, sejam os da TV ou do café. As mudanças custam caro e atrasam ainda mais o já derrapado crescimento do país. E em relação à dissolução da AR por Sampaio, já aqui dei a minha opinião, mas posso voltar a repeti-la: o PR tinha toda a legitimidade para o fazer. Toda. O governo de Santana Lopes era de iniciativa presidencial (e não legitimada em eleições que só formalmente são para escolher o poder legislativo), e além disso havia uma condição base: o novo executivo deveria seguir a mesma política económica levada a cabo até aí por Manuela Ferreira Leite. Tendo seguido a via oposta (com os delirantes "a recessão acabou"), deram a Sampaio a oportunidade para acabar com a legislatura. Perante as confusões que se sucediam, ele não hesitou. Convinha agora um pouco da serenidade que Sua Exª nos pede regularmente. Sobretudo ao governo, que bem tem de pensar no seu rumo daqui para a frente.
PS: o inafastável dinossauro de Braga, Mesquita Machado, amante do betão e da edificação vertical, exprimiu a sua enorme "satisfação e alegria" com a remodelação governamental, já que entendia que Campos e Cunha fora "um autêntico desastre" e que "não tinha sensibilidade para os problemas das pessoas" (em linguagem de autarca deve querer dizer que não beneficiava patos-bravos e urbanizações desregradas). Eis um sinal realmente preocupante do que está a suceder. Espero é que Mesquita Machado tenha razões para ficar igualmente desiludido com o novo titular da pasta. Isto é, se os bracarenses não se fartarem de vez e o puserem a andar do cargo a que se agarra como uma lapa.
terça-feira, julho 19, 2005
Recuperar o atraso
Tento recuperar o atraso de quase uma semana sem posts, por uma mistura de impossibilidade e de inércia. Não é fácil. Mais vale sintetizar.

Lamentavelmente só agora faço menção ao Café Blasfémias. Os nossos liberais portuenses (e portistas, na sua esmagadora maioria) organizaram a sua tertúlia no Café Guarany, em plenos Aliados, com o tema "porque é que a direita quando chega ao poder não é liberal?". Não sendo tão "liberal" como os caros blasfemos, também por lá passei, uns quarenta minutos no início, tendo saído depois por inadiáveis compromissos, e, lamentavelmente, apenas assisti depois aos cinco minutos finais, comprometidos por problemas audio-técnicos. Não pude assim apanhar toda a discussão que se seguiu, versada sobre o estatismo do povo português - contra mim falo, que me reconheço prioritariamente socil-democrata - e um certo reaccionarismo da direita portuguesa, embrulhada em décadas de salazarismo. O grosso dos tópicos da discussão pôde ser visto no próprio blog (sobretudo nos posts do dia treze de Julho). De qualquer forma, compensei a perda do debate com uma interessante conversa com vários blasfemos, sobretudo o LR e o PMF.
(foto da tertúlia no Vilacondense)
Três dias particularmente tumultuosos para o Benfica. No Sábado, balde de água fria, com o quase contratado Tomasson a preferir assinar pelo Estugarda, que lhe oferecia melhores condições financeiras. No Domingo, jogo grande com o Chelsea de Mourinho, e aoportunidade de mostrar o plantel. Apesar do resultado adverso, deu para ver que o SLB tem mais soluções no plantel, além de alguns jovens promissores da cantera. só no ataque é que se nota a mesma debilidade finalizadora. E nesta altura não será fácil encontrar um artilheiro disponível. Se Nuno Gomes ao menos regressasse aos seus tempos pré-Fiorentina...
Já na Segunda veio a notícia da rescisão unilateral de Miguel. Motivo? Estar no início do período experimental do contrato de trabalho. Porque, alega o representante do jogador, trata-se de um novo contrato, não de uma prorrogação do anterior. Mas, se assim é, porque é que Miguel ganhava os salários correspondentes a este contrato desde a sua assinatura? E o período experimental dá-se na altura de adaptação mútua do trabalhador e da entidade patronal (por isso mesmo é que é experimental), não com anos ao serviço dessa mesma entidade, contrato renovado ou não. E Miguel já está no SLB há cinco anos.
Trata-se de mais uma manobra de "chico-espertice" do célebre Dias Ferreira, ao que parece jurista, e senhor de anti-benfiquismo doentio, bastante superior ao seu sportinguismo. Depois de afirmar, a 4 de Julho, que o contrato de Miguel não era válido, e que o anterior tinha caducado a 30 de junho - estranho como é que ninguém o contratou logo - e depois que o jogador não tinha "condições psicológicas para continuar no Benfica", surge agora com esta autêntica história da Carochinha do período experimental. Imagine-se: um jogador que há cinco anos está no clube invocar tal facto incorre em absurdo total, já que, mesmo que no extremo a tese pudesse estar certa, Miguel nem sequer se apresentou aos trabalhos, logo não houve sequer hipótese de adaptação.
Por causa disto, o Benfica poderá receber menos do que pedia pelo jogador, e só daqui a uns tempos, já que com certeza jamais voltará a equipar de águia ao peito. Não sei bem como vai acabar esta história, mas desconfio que não vai acabar a favor de Miguel.
Lance Armstrong vencerá pela sétima (!!!) vez consecutiva o Tour? É assustador, mas parece que é o que vai acontecer.
Tento recuperar o atraso de quase uma semana sem posts, por uma mistura de impossibilidade e de inércia. Não é fácil. Mais vale sintetizar.

Lamentavelmente só agora faço menção ao Café Blasfémias. Os nossos liberais portuenses (e portistas, na sua esmagadora maioria) organizaram a sua tertúlia no Café Guarany, em plenos Aliados, com o tema "porque é que a direita quando chega ao poder não é liberal?". Não sendo tão "liberal" como os caros blasfemos, também por lá passei, uns quarenta minutos no início, tendo saído depois por inadiáveis compromissos, e, lamentavelmente, apenas assisti depois aos cinco minutos finais, comprometidos por problemas audio-técnicos. Não pude assim apanhar toda a discussão que se seguiu, versada sobre o estatismo do povo português - contra mim falo, que me reconheço prioritariamente socil-democrata - e um certo reaccionarismo da direita portuguesa, embrulhada em décadas de salazarismo. O grosso dos tópicos da discussão pôde ser visto no próprio blog (sobretudo nos posts do dia treze de Julho). De qualquer forma, compensei a perda do debate com uma interessante conversa com vários blasfemos, sobretudo o LR e o PMF.
(foto da tertúlia no Vilacondense)
Três dias particularmente tumultuosos para o Benfica. No Sábado, balde de água fria, com o quase contratado Tomasson a preferir assinar pelo Estugarda, que lhe oferecia melhores condições financeiras. No Domingo, jogo grande com o Chelsea de Mourinho, e aoportunidade de mostrar o plantel. Apesar do resultado adverso, deu para ver que o SLB tem mais soluções no plantel, além de alguns jovens promissores da cantera. só no ataque é que se nota a mesma debilidade finalizadora. E nesta altura não será fácil encontrar um artilheiro disponível. Se Nuno Gomes ao menos regressasse aos seus tempos pré-Fiorentina...
Já na Segunda veio a notícia da rescisão unilateral de Miguel. Motivo? Estar no início do período experimental do contrato de trabalho. Porque, alega o representante do jogador, trata-se de um novo contrato, não de uma prorrogação do anterior. Mas, se assim é, porque é que Miguel ganhava os salários correspondentes a este contrato desde a sua assinatura? E o período experimental dá-se na altura de adaptação mútua do trabalhador e da entidade patronal (por isso mesmo é que é experimental), não com anos ao serviço dessa mesma entidade, contrato renovado ou não. E Miguel já está no SLB há cinco anos.
Trata-se de mais uma manobra de "chico-espertice" do célebre Dias Ferreira, ao que parece jurista, e senhor de anti-benfiquismo doentio, bastante superior ao seu sportinguismo. Depois de afirmar, a 4 de Julho, que o contrato de Miguel não era válido, e que o anterior tinha caducado a 30 de junho - estranho como é que ninguém o contratou logo - e depois que o jogador não tinha "condições psicológicas para continuar no Benfica", surge agora com esta autêntica história da Carochinha do período experimental. Imagine-se: um jogador que há cinco anos está no clube invocar tal facto incorre em absurdo total, já que, mesmo que no extremo a tese pudesse estar certa, Miguel nem sequer se apresentou aos trabalhos, logo não houve sequer hipótese de adaptação.
Por causa disto, o Benfica poderá receber menos do que pedia pelo jogador, e só daqui a uns tempos, já que com certeza jamais voltará a equipar de águia ao peito. Não sei bem como vai acabar esta história, mas desconfio que não vai acabar a favor de Miguel.
Lance Armstrong vencerá pela sétima (!!!) vez consecutiva o Tour? É assustador, mas parece que é o que vai acontecer.
sexta-feira, julho 15, 2005
terça-feira, julho 12, 2005
Two days at the races

Autênticas relíquias com motor


É assim que se corre agora (imagens retiradas da Zona Franca)

Autênticas relíquias com motorÉ assim que se corre agora (imagens retiradas da Zona Franca)
Os bólides voltaram à Avenida da Boavista, cinco décadas depois. Carros de F1 da altura (anos50/60), carros de rali, preciosidades da década de trinta, todos aceleraram no improvisado circuito. Já tinha visto coisas semelhantes em Vila Real, em tempos idos, mas desta vez a diversidade imperou.
O calor apertava, é certo, os escapes dos carros não ajudavam, nem tão pouco o pó e o sol reflectido no asfalto; mas ainda assim o público afluiu em peso - mais no pião do que nas bancadas, onde se pagava couro e cabelo, e que estavam bem aquém da lotação (a não ser no fim, quando as abriram). Sem ser um espectáculo transcendente, deu uma vivacidade e um travo de nostalgia ao triângulo Boavista - Castelo do Queijo - Circunvalação. Não faltaram sequer disputas entre Porshes e FIATS 600, com a esperada supremacia dos primeiros, claro. Daí a piada do evento. A repetir em forma de bienal. Desde que (e esperemos que sim) o metro na Avenida fique no papel. Se assim for, daqui a dois anos temos as corridas de volta ao circuito.
segunda-feira, julho 11, 2005
Ainda sobre terrorismo
Sobre os graves acontecimentos descritos no post anterior haveria ainda muit a dizer. Fora, claro, dos comentários do costume quando atentados como este se sucedem (o que infelizmente, começa a ser uma estranha normalidade): o Islão, a América, o Iraque, o diálogo com os terrosristas, a guerra contra os estádios-pária, os comentários de Mário Soares, etc.
A propósito das declarações deste último, ouvi as mais díspares opiniões: que ele está louco, que está senil, ou que não deviam permitir que dissesse todos aqueles disparates; disparates ou não, o certo é que essas opiniões só têm lugar porque vivemos num regime livre graças ao mesmíssimo "louco", Mário Soares. Como ao contrário de alguns indivíduos mais revanchistas ou com oportuna falta de memória não o considero nenhum lunático, bem pelo contrário, terei somente de criticar uma certa leviandade com que falou nos diálogos com o terrorismo. Já a questão da pobreza me parece bem mais pertinente: não obstante muitos dos cérebros e financiadores destas células serem bem abonados, a verdade é que é da miséria, da marginalidade e da exclusão que vêm inúmeros jihadistas prontos a amarrar uma bomba à cintura. É em climas de raiva e pobreza que os cabecilhas islâmicos atraem os seus novos seguidores, virando-os contra todos os valores que considerem "inimigos do Islão", na sua visão fanática e deturpada. Por isso, bem podem bradar que "não há razões para o terrorismo, é preciso é reagir". Sim, não há razões válidas ou racionais. E precisamente, o que é necessário é saber porque é que tantos são atraídos para essas trevas de irracionalidade e morte. Aí sim, há que reagir sabiamente, sem meras vinganças a quente, que poderão ser nefastas para a verdadeira guerra ao terrorismo: aquela que não se esgota na cada vez mais ultrapassada via militar, mas que se realiza nas suas vertentes policiais, sociais e políticas. Não ver isto é atirar gasolina para a fogueira do ódio.
Absolutamente aconselháveis os artigos de Jorge Almeida Fernandes e Timothy Garton Ash no Público de hoje. Quem o tiver comprado que os leia.
Ah, já me esquecia: mesmo que já tenha vinte anos, a música que melhor descreve os acontecimentos dos últimos dias no Reino Unido é Panic, dos Smiths, oportunamente recordada pela Cibertúlia. Reparem que até se fala de Birmingham, também com suspeitas de bombas. Morrissey era um visonário, está visto.
Sobre os graves acontecimentos descritos no post anterior haveria ainda muit a dizer. Fora, claro, dos comentários do costume quando atentados como este se sucedem (o que infelizmente, começa a ser uma estranha normalidade): o Islão, a América, o Iraque, o diálogo com os terrosristas, a guerra contra os estádios-pária, os comentários de Mário Soares, etc.
A propósito das declarações deste último, ouvi as mais díspares opiniões: que ele está louco, que está senil, ou que não deviam permitir que dissesse todos aqueles disparates; disparates ou não, o certo é que essas opiniões só têm lugar porque vivemos num regime livre graças ao mesmíssimo "louco", Mário Soares. Como ao contrário de alguns indivíduos mais revanchistas ou com oportuna falta de memória não o considero nenhum lunático, bem pelo contrário, terei somente de criticar uma certa leviandade com que falou nos diálogos com o terrorismo. Já a questão da pobreza me parece bem mais pertinente: não obstante muitos dos cérebros e financiadores destas células serem bem abonados, a verdade é que é da miséria, da marginalidade e da exclusão que vêm inúmeros jihadistas prontos a amarrar uma bomba à cintura. É em climas de raiva e pobreza que os cabecilhas islâmicos atraem os seus novos seguidores, virando-os contra todos os valores que considerem "inimigos do Islão", na sua visão fanática e deturpada. Por isso, bem podem bradar que "não há razões para o terrorismo, é preciso é reagir". Sim, não há razões válidas ou racionais. E precisamente, o que é necessário é saber porque é que tantos são atraídos para essas trevas de irracionalidade e morte. Aí sim, há que reagir sabiamente, sem meras vinganças a quente, que poderão ser nefastas para a verdadeira guerra ao terrorismo: aquela que não se esgota na cada vez mais ultrapassada via militar, mas que se realiza nas suas vertentes policiais, sociais e políticas. Não ver isto é atirar gasolina para a fogueira do ódio.
Absolutamente aconselháveis os artigos de Jorge Almeida Fernandes e Timothy Garton Ash no Público de hoje. Quem o tiver comprado que os leia.
Ah, já me esquecia: mesmo que já tenha vinte anos, a música que melhor descreve os acontecimentos dos últimos dias no Reino Unido é Panic, dos Smiths, oportunamente recordada pela Cibertúlia. Reparem que até se fala de Birmingham, também com suspeitas de bombas. Morrissey era um visonário, está visto.
sexta-feira, julho 08, 2005
London under attack

E o inevitável aconteceu: a capital britânica sofreu ataques terroristas nos seus pontos mais vulneráveis, mas, um pouco paradoxalmente, mais esperados: os transportes públicos, aqueles que diariamente transportam milhões de traseuntes ao longo da imensa metrópole.
Verdade seja dita que estes atentados não foram propriamente uma surpresa. De certa forma, eram uma horrível invitabilidade, como Jack Straw já o tinha reconhecido aqui há tempos. Pela sua dimensão, importância e cosmopolitismo, pelo facto de ter sido um dos principais intervinientes no Iraque ( o que me parece ser apenas um pretexto), pela cimeira do G8 se realizar em Edimbrugo, e, quem sabe, pela escolha da cidade para acolher os jogos Olímpicos de 2012, - apesar da demora que deve dar elaborar um plano homicida como este - Londres era talvez o alvo mais previsível dos fundamentalistas islâmicos.
O futuro? Provavelmente reserva-nos mais atentados, mas também, como demonstrou Tony Blair, a convicção firme de que o terrorismo islamita está condenado ao fracasso, como todas as tentativas totalitárias de submeter a civilização desde o aparecimento das ágoras. Até lá, há que manter um combate determinado mas inteligente, sem contemplações mas também sem espalhar ódios inúteis, através da coordenação internacional entre os serviços secretos, o fim das mesquitas e madrassas escondidas dos olhares do mundo, e a fiscalização de certos arsenais militares (como os da Ex-URSS), entre outras coisas.
E, claro, prosseguir com o processo de paz no Médio Oriente.
(Para uma descrição na primeira pessoa dos acontecimentos aconselho a leitura dos posts de Fernando Albino, no Quinto dos Impérios).
PS: ao que parece, a Al-Qaeda terá assassinado o embaixador egípcio no Iraque. Um dia proveitosos para facínoras, portanto.
E o inevitável aconteceu: a capital britânica sofreu ataques terroristas nos seus pontos mais vulneráveis, mas, um pouco paradoxalmente, mais esperados: os transportes públicos, aqueles que diariamente transportam milhões de traseuntes ao longo da imensa metrópole.
Verdade seja dita que estes atentados não foram propriamente uma surpresa. De certa forma, eram uma horrível invitabilidade, como Jack Straw já o tinha reconhecido aqui há tempos. Pela sua dimensão, importância e cosmopolitismo, pelo facto de ter sido um dos principais intervinientes no Iraque ( o que me parece ser apenas um pretexto), pela cimeira do G8 se realizar em Edimbrugo, e, quem sabe, pela escolha da cidade para acolher os jogos Olímpicos de 2012, - apesar da demora que deve dar elaborar um plano homicida como este - Londres era talvez o alvo mais previsível dos fundamentalistas islâmicos.
O futuro? Provavelmente reserva-nos mais atentados, mas também, como demonstrou Tony Blair, a convicção firme de que o terrorismo islamita está condenado ao fracasso, como todas as tentativas totalitárias de submeter a civilização desde o aparecimento das ágoras. Até lá, há que manter um combate determinado mas inteligente, sem contemplações mas também sem espalhar ódios inúteis, através da coordenação internacional entre os serviços secretos, o fim das mesquitas e madrassas escondidas dos olhares do mundo, e a fiscalização de certos arsenais militares (como os da Ex-URSS), entre outras coisas.
E, claro, prosseguir com o processo de paz no Médio Oriente.
(Para uma descrição na primeira pessoa dos acontecimentos aconselho a leitura dos posts de Fernando Albino, no Quinto dos Impérios).
PS: ao que parece, a Al-Qaeda terá assassinado o embaixador egípcio no Iraque. Um dia proveitosos para facínoras, portanto.
quarta-feira, julho 06, 2005
O que é que tinha que era diferente?
É oficial: o Barnabé encerrou actividades. O fim já se anunciava há uns tempos, com os posts tensos trocados entre o seu mais mediático (e original membro), Daniel Oliveira, conhecido pelo seu humor corrosivo e por representar as opiniões mais arreigadamente BEs, movimento no qual tem assumido um papel de destaque, e o membro "derivado" e recente, Bruno Cardoso Reis, ex-autor do excelente Cartas de Londres, adepto de uma esquerda menos condicionada pelos ideais revolucionários dos bloquistas (e de inspiração cristã). Muito embora o último se tivesse desviado bastante das premissas mais caras a Oliveira e a Rui Tavares (mas não tanto a outros membros do blog, como Celso Martins, André Belo e Pedro Oliveira), a reacção do primeiro foi insensata e despropositada, como se viu no alegórico post da mosca no mel. Acabou por caír na mema armadilha em que já tinha tombado João Pereira Coutinho, por via de uma piada inóqua do próprio Daniel, e que acabou com a coluna Infame.
Tenho pena. Gostava bastante do Barnabé, e era seu comentador habitual, até instalarem o TypeKey (onde, sabe-se lá porquê, nunca me consegui registar). Gostava particularmente das suas inovações, do seu álbum fotográfico, das suas BDs circunstanciais e do seu sentido de humor. Muitas vezes me irritei, em particular nos posts claramente anti-católicos, muitas vezes discordei, em muitas ocasiões os critiquei, e noutras cheguei a apaudi-los, como em alguns assuntos de carácter internacional. Mas é inegável que tinha imenso valor e potencial. Vai deixar um espaço em branco, que talvez possa ser preenchido pelo velhinho Blog De Esquerda (do estimável José Mário Silva), que os apadrinhou no início e de que de certa forma se tornou rival. Vai deixar alguns "adversários", como Acidental e o Blasfémias, temporariamente sem resposta à altura em certas matérias tão carecidas de discussão. É pena. Porque pelo mancial de ideias, agressividade verbal, humor, impacto na blogoesfera nacional, e, porque não, pela quantidade de pessoas que atraía, o Barnabé era um blog diferente.
Espero que os seus membros continuem a ser bloggers noutros espaços. O seu valor não pode ser sub-aproveitado. Veremos quais os rumos na blogoesfera entre os ex-Barnabés.
É oficial: o Barnabé encerrou actividades. O fim já se anunciava há uns tempos, com os posts tensos trocados entre o seu mais mediático (e original membro), Daniel Oliveira, conhecido pelo seu humor corrosivo e por representar as opiniões mais arreigadamente BEs, movimento no qual tem assumido um papel de destaque, e o membro "derivado" e recente, Bruno Cardoso Reis, ex-autor do excelente Cartas de Londres, adepto de uma esquerda menos condicionada pelos ideais revolucionários dos bloquistas (e de inspiração cristã). Muito embora o último se tivesse desviado bastante das premissas mais caras a Oliveira e a Rui Tavares (mas não tanto a outros membros do blog, como Celso Martins, André Belo e Pedro Oliveira), a reacção do primeiro foi insensata e despropositada, como se viu no alegórico post da mosca no mel. Acabou por caír na mema armadilha em que já tinha tombado João Pereira Coutinho, por via de uma piada inóqua do próprio Daniel, e que acabou com a coluna Infame.
Tenho pena. Gostava bastante do Barnabé, e era seu comentador habitual, até instalarem o TypeKey (onde, sabe-se lá porquê, nunca me consegui registar). Gostava particularmente das suas inovações, do seu álbum fotográfico, das suas BDs circunstanciais e do seu sentido de humor. Muitas vezes me irritei, em particular nos posts claramente anti-católicos, muitas vezes discordei, em muitas ocasiões os critiquei, e noutras cheguei a apaudi-los, como em alguns assuntos de carácter internacional. Mas é inegável que tinha imenso valor e potencial. Vai deixar um espaço em branco, que talvez possa ser preenchido pelo velhinho Blog De Esquerda (do estimável José Mário Silva), que os apadrinhou no início e de que de certa forma se tornou rival. Vai deixar alguns "adversários", como Acidental e o Blasfémias, temporariamente sem resposta à altura em certas matérias tão carecidas de discussão. É pena. Porque pelo mancial de ideias, agressividade verbal, humor, impacto na blogoesfera nacional, e, porque não, pela quantidade de pessoas que atraía, o Barnabé era um blog diferente.
Espero que os seus membros continuem a ser bloggers noutros espaços. O seu valor não pode ser sub-aproveitado. Veremos quais os rumos na blogoesfera entre os ex-Barnabés.
sexta-feira, julho 01, 2005
Emídio Guerreiro 1899-2005

Voluntário ao Corpo Epedicionário Português da 1ª guerra Mundial; participante na revolta "reviralhista" de 1927, no Porto; combatente na Guerra Civil de Espanha, de onde fugiu por mar, vendo as tropas nacionalistas entrar em -Vigo; membro da Resistência francesa na 2ª Guerra; exilado político; fundador do LUAR; fundador e presidente interino do PPD; republicano, maçon, anti-fascista e anti-comunista; insigne professor e matemático: eis o currículo de emídio Guerreiro, um combatente da liberdade, generoso e lúcido até ao fim, de uma memória e vivacidade desconcertantes. Um decano que agora desapareceu, pouco depois de outro estimável centenário do nosso regime, Fernando Valle. E é curioso que, poucas semanas depois de a maioria gabar Álvaro Cunhal como um exemplo de resistência e coerência (que era), nos deparemos com a partida deste homem que, além de igualmente resistente e coerente até ao fim com os princípios que advogava, teve ainda outra virtude: o de ter combatido pela liberdade, onde quer que estivesse. Não pela sua nem das suas ideologias, mas pela liberdade de todos, seja quais forem as ideias ou crenças.
É mais uma referência que desaparece. E que nos faz muita falta. Há que por isso honrar a sua memória e seguir o seu exemplo de lutador pela liberdade.
Voluntário ao Corpo Epedicionário Português da 1ª guerra Mundial; participante na revolta "reviralhista" de 1927, no Porto; combatente na Guerra Civil de Espanha, de onde fugiu por mar, vendo as tropas nacionalistas entrar em -Vigo; membro da Resistência francesa na 2ª Guerra; exilado político; fundador do LUAR; fundador e presidente interino do PPD; republicano, maçon, anti-fascista e anti-comunista; insigne professor e matemático: eis o currículo de emídio Guerreiro, um combatente da liberdade, generoso e lúcido até ao fim, de uma memória e vivacidade desconcertantes. Um decano que agora desapareceu, pouco depois de outro estimável centenário do nosso regime, Fernando Valle. E é curioso que, poucas semanas depois de a maioria gabar Álvaro Cunhal como um exemplo de resistência e coerência (que era), nos deparemos com a partida deste homem que, além de igualmente resistente e coerente até ao fim com os princípios que advogava, teve ainda outra virtude: o de ter combatido pela liberdade, onde quer que estivesse. Não pela sua nem das suas ideologias, mas pela liberdade de todos, seja quais forem as ideias ou crenças.
É mais uma referência que desaparece. E que nos faz muita falta. Há que por isso honrar a sua memória e seguir o seu exemplo de lutador pela liberdade.
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