domingo, janeiro 22, 2023

Dezanove anos

 



Este blogue completou a 16 de Janeiro 19 anos. É pois um blogue adulto, mas numa idade algo instável e indolente. Não sei se alguém reparou, mas alguns posts foram acrescentados nos últimos tempos já depois dos acontecimentos a que se referiam. Eram rascunhos que não tinham sido editados ou acabados, e que fui actualizando tardiamente. 2022 representou o ano de menor productividade desta página. E este é o primeiro post de 2023, passado mais de meio mês. Mas se o blogue está preguiçoso, não deixa de estar vivo. Mais textos virão, espero que devidamente actualizados. Bem hajam os que ainda cá vêm.

segunda-feira, dezembro 19, 2022

A final

 O Mundial não terá sido memorável por inúmeras razões, mas a Final deve ter sido a melhor desde 1986, e com o mesmo vencedor. Diga-se o que se disser, os argentinos, quando estão bem, trazem emoção e garra ao futebol. E ganharam com mérito (sim, alguns não souberam ganhar, mas não foram os únicos).

Estaria até há dias mais pela França, mas o facto de já serem campeões mundiais em título - ainda por cima com um conjunto muito parecido com o actual - levou-me a apoiar os albicelestes. Há, claro, o facto de haver jogadores benfiquistas no onze, que assim se tornaram os primeiros campeões do Mundo a jogar em Portugal ao tempo da conquista do troféu. Além do mais, esta era uma oportunidade que a Argentina tinha e que dificilmente se repetirá nos próximos anos. Se não ganhassem agora, sabe-se lá quantas mais décadas teriam de esperar. Sim, porque quando Messi se retirar, a selecção argentina será apenas mais uma boa equipa, mas sem nada de transcendente. Já a França irá por certo dominar o futebol na próxima década.

Assim, fica o título bem atribuído. Na disputa para ver quem ficava com a terceira taça, os sul-americanos levaram a melhor aos franceses, mas algo me diz que estes vão conseguir a tripla num dos próximos mundiais, salvo que questões internas de balneário os impedir.







sexta-feira, dezembro 16, 2022

O culto fanático a CR7

Nos últimos dias, mais precisamente no rescaldo da eliminação da Selecção Nacional aos pés de Marrocos, dir-se-ia que boa parte dos país está tomado pelos espírito das manas Aveiro. Parece que o facto de Cristiano Ronaldo não ter sido titular nos últimos dois jogos da Selecção é um crime de lesa-Deus. Da primeira (e tardia) vez que Fernando Santos o colocou no banco, chamaram ao treinador de poltrão para baixo, ingrato, traidor, falso amigo e em certos casos, como nos comentários a este post do JPT, insinuaram que tinha sido pago para o fazer. Não, não se trataram de críticas normais a opções do treinador, mas acusações de um autêntico crime, como "impedi-lo de atingir o recorde de golos de Eusébio num Mundial". E para todos os que ousaram, já nem digo criticar CR7 pelas suas atitudes recentes, mas apenas compreender a posição de Santos, também ouvi coisas como "invejosos", ingratos", etc.

 
Tudo isso porque Ronaldo é "um deus", o Maior do Mundo", "maior que este país de invejosos que tudo lhe deve", e que "já deu milhões a hospitais e a obras de caridade". Isto são meros resumos de tudo o que tenho lido. Houve mais, muito mais, como compete a qualquer fanatismo que não admite réplica.
 
Não tenho a menor dúvida de que Ronaldo é um homem não só com um talento raro e um desportista inacreditável mas também uma determinação que ultrapassa o absurdo. Que há um antes e um depois de CR7 para a Selecção, a começar pela conquista do Euro 2016. Que deu muito a Portugal, incluindo beneficência. E que, com Messi, é o melhor futebolista dos anos 2010, talvez do Séc. XXI até agora.
 
Só que não é uma divindade nem maior que o país. Se deu muito a Portugal, Portugal também lhe retribuiu. Ronaldo há não sei quantos anos que não ia ao banco da Selecção e só esteve ausente uma vez A SEU EXCLUSIVO pedido. Está sempre debaixo dos holofotes da imprensa, assim como a sua família, cujos méritos desconheço. Participou em inúmeras campanhas publicitárias, certamente rentáveis. Recebeu todas as homenagens possíveis e imagináveis. E já agora, sabem de muitos casos de aeroportos ou estátuas em vida dos homenageados, para mais aos trinta e tal de idade? 
 

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CR7 tem inúmeras qualidades mas também imensos defeitos, por muito que isso custe aos fanáticos. Tem tido uma época péssima, com pouquíssimos golos, que era o que ele fazia melhor. Tem quase 38 anos. Neste momento não é de todo o "Melhor do Mundo", nem da Europa nem sequer da Selecção. E tem tido um comportamento na equipa no mínimo dúbio, parecendo estar à parte; acima de tudo faltou ao respeito ao treinador quando saiu no jogo contra a Coreia. Se já havia razões para não o pôr a jogar, essa era a maior de todas e absolutamente inatacável. Ronaldo não pode ser um exemplo se começa com má-criações dignas de miúdos birrentos. Se Fernando Santos não o tivesse tirando do banco, aí sim, haveria razão para críticas a um treinador que não se sabia dar ao respeito. E essa opção é, ao contrário do que a histeria propalou, um sinal de coragem. Uma das poucas que Santos teve nos últimos anos. De resto, viu-se o efeito contra a Suíça, da mesma forma que nada mudou quando entrou contra Marrocos.
 
Por isso, a histeria ronaldística é totalmente injustificada. Se Ronaldo está psicologicamente em baixo por razões familiares, então é mais uma razão para não ser titular. Se é pelas suas acções de beneficência, nesse caso qualquer milionário septuagenário que dê mundos e fundos a boas obras merece ser convocado (não é muito diferente das indulgências pela salvação das almas que levaram à revolta de Lutero, pois não?). Se é para bater recordes, disso já ele tem muito e inverter-se-ia a lógica de que os jogadores devem estar ao serviço da Selecção e não esta a servir um determinado jogador. Se acham que dizer isto é ser "ingrato", "poltrão", "invejoso", etc, eu devolvo: não queriam fazer as mesmas figuras dos tontos da "Igreja Maradoniana" com um culto idêntico numa qualquer "igreja cristianornaldiana". Todos estes episódios serão esquecidos e CR7 ficará na história, mas não façam deste atleta excepcional a divindade que não é.

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quarta-feira, dezembro 07, 2022

A Capital Europeia da Cultura no Alentejo

 Está decidido: Évora será a Capital Europeia da Cultura em 2027, juntamente com Liepajia, na Letónia, ou Latvia, se quiserem. E muito bem. As minhas preferências desde o início eram Évora e Coimbra, mas a Lusa Atenas já estava excluída. As outras opções eram Ponta Delgada, também uma proposta interessante de levar a capital europeia da cultura para o meio do Atlântico, Aveiro, que me parece estar uns furos abaixo, e Braga, que não faria sentido e seria redundante porque duas das outras três capitais portuguesas foram Porto e Guimarães. Haver uma capital europeia da cultura no coração do Alentejo soa-me muitíssimo bem. 

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terça-feira, novembro 29, 2022

 As semanas mais recentes trouxeram-me um ligeiro travo aos anos trinta e quarenta.

As imagens da libertação de Kherson, das ruidosas manifestações de alegria dos seus habitantes e da visita de Zelensky trouxeram-me de imediato à memória as da libertação da França, em 1944, e da chegada de De Gaulle a Paris, recriada na tela e com alguns testemunhos fotográficos. O presidente da Ucrânia tem sido comparado a Chrchill, mas naqueles momentos transfigurava-se mais como a voz da liberdade e da libertação dos ucranianos, aquele que parecia perdido na início da invasão mas cujas palavras soam a esperança diante do temível Inverno que está a chegar. E tal como a libertação de Paris não significou o fim da guerra, a de Kherson está longe do termo do conflito.

 

Entretanto decorre o criticado Mundial do Qatar (embora seja exagero chamar-lhe "o Mundial mais controverso de sempre", se recordarmos o que decorreu na Argentina em 1978, sob o infame regime militar que despejava corpos para o mar a partir de aviões, e que até levou à história, apesar de falsa, de que Cruyff não comparecera em sinal de protesto). Os estádios no meio do deserto tiveram a autoria, entre outros, como Zara Hadid, de Albert Speer. Sim, o filho com o mesmo nome do célebre arquitecto de Hitler e co-autor do estádio Olímpico de Berlim. O descendente não seguiu definitivamente as preferência políticas do pai, apesar de algumas controvérsias, explanadas neste artigo da New Yorker. Mas não deixa de causar algum frisson que um evento tão criticado pelo tratamento local dos Direitos Humanos tenha tido o dedo do filho, com o mesmíssimo nome, de um dos autores dos Jogos Olímpicos de Berlim e do projecto da demencial Germania.

terça-feira, outubro 25, 2022

Memórias de Adriano

 

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Fazendo umas buscas entre datas e calendários antigos, confirmei o que pensava. Neste dia, 24 de Outubro, há já uns bons anos, ouvi pela primeira vez ao vivo o Professor Adriano Moreira, tendo tido o privilégio de falar com ele no fim. Tinha eu chegado a Lisboa poucos dias antes, iniciando uma estadia que se prolongaria por alguns anos, e logo no início, no curso de Política Externa que então realizava no IDN, apanhei logo com um gigante académico desta monta. Escusado será dizer que a aula se constituiu de conhecimento, experiência, ironia, clareza, saber académico e pedagogia. Voltei a ouvi-lo outras vezes, mas a primeira deixou-me uma viva impressão.

Dá-se o infeliz acaso do "aniversário" desse encontro calhar quase na data do seu desaparecimento. Não deve haver notícia mais natural acerca de uma pessoa com cem anos do que a da sua morte, mas esta, para além da tristeza pessoal, para mais quando o centenário tinha sido há tão pouco tempo, significa mesmo, segundo o adágio popular, o fecho de uma biblioteca, neste caso de colossais dimensões.

E de memórias do próprio Adriano Moreira ficou-me o seu afecto pela (e da) família, como se pode ver pelos artigos que os filhos, em particular a filha "rebelde" Isabel Moreira, lhe dedicam, em que mencionam o medo de deixar a sua mulher desprotegida, mas mais ainda, a memória dos pais, como quando realizou a sua primeira visita a Moçambique como Ministro do Ultramar e o seu próprio Pai, ainda polícia, quis ir com ele para assegurar a protecção do filho, ou quando tinha de ir ao cemitério de Grijó, Macedo de Cavaleiros, de onde era natural e onde está o jazigo dos pais, por achar que podiam sentir-se sozinhos. E ainda, quando lhe morreu recentemente um filho, há uns dois anos, a descrição feita por Ribeiro e Castro, na missa de corpo presente: "estava direito: velho e direito. É um carvalho antigo transmontano. Um pouco quebrado, pelo tempo e pelo dia, mas grande, velho e direito".

Tinha também esse característica que muito aprecio: um transmontano que nunca disfarçou as suas raízes, ao contrário de tantas figuras públicas, e que, pelo contrário, fazia questão em recordá-las e em dizer de onde vinha, e a sua cara em traços firmes e recortados, mas não rudes, assim o confirmava. Curiosamente a primeira vez que ouvi falar dele terá sido em Vila Real, ao reparar naqueles cartazes em que surgia com o filho mais novo, que devia ter pouco menos que a minha idade, na campanha em que o seu CDS ficou reduzido a um "táxi" (estranho como os mais preparados líderes nem sempre são os que têm mais sucesso, ou talvez até por isso...).

Este homem, que exerceu funções políticas e académicas neste regime, no anterior e que nasceu no anterior a esse, era o último de uma notabilíssima geração que estaria agora nos cem anos: Agustina, Gonçalo Ribeiro Telles, José-Augusto França, Eduardo Lourenço, que chegaram aos noventa e muitos, e desaparecidos com menos idade, Sophia (e muito mais novo o seu primo Ruben A.), Saramago, os irmãos António José e José Hermano Saraiva ou Natália Correia. Quase todos chegaram a idades bastante avançadas, mas só Adriano conseguiu chegar aos cem. 

sexta-feira, outubro 21, 2022

 Digam o que quiserem, mas estas novas “acções climáticas” têm-se multiplicada de forma particularmente aberrante. Já havia uma líder espiritual, Greta Thunberg, que sabia melhor como governar os povos do que todos os líderes eleitos, conforme se viu naquela reunião da ONU, que a tantos deixou embevecidos (apesar da própria já estar a crescer nalguns aspectos). O seu exemplo de não ir à escola tem feito escola, se me permitem o contrassenso.

Há dias, num especial creio que da RTP, assisti a um conjunto de jovens “activistas” e às suas ideias para aplacar a crise climática. Diziam os frequentadores do ensino secundário que iam fazer jornadas de greve às aulas e exigiam nada menos que a proibição de uso de combustíveis fósseis, imediatamente. Em paralelo, diziam que se o Mundo não tinha futuro, então de nada lhes servia aprender, daí a greve às aulas. E também que o voto era uma coisa desnecessária, que mais importante para a cidadania era “o activismo de rua”. E quando surgiam os seus nomes, reais ou “de guerra”, aparecia também por baixo, à laia de profissão, a palavra “activista”.

Isto preocupou-me, confesso. Sei que dementes, seitas e figuras auto-messiânicas sempre as houve. Como a natureza humana não muda de um século para o outro, a actualidade não havia de ser diferente. A diferença é que a comunicação e as formas de propaganda são hoje infinitamente maiores. E permitem que qualquer grupelho radical espalhe as suas mensagens com o beneplácito de algumas instituições.

Devo desde já dizer que não sou um céptico de mudanças climáticas (embora pense que as previsões a longo prazo são problemáticas e que o homem não é necessariamente o seu único causador) e muito menos da protecção do ambiente. Fiz parte de várias associações ambientalistas e das listas do MPT, justamente o único partido ecologista português sem radicalismos urbanos. Por isso mesmo, sei que as ideias mais nobres redundam normalmente em fanatismos aberrantes. É o caso.

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Temos, portanto, jovens do ensino secundário a fazer o elogio da ignorância, da não aprendizagem e da recusa da democracia, ou pelo menos a defender uma espécie de “democracia de rua”. Coisas tão importantes, como o direito ao voto e à escolaridade, pelas quais tantos se bateram, são postas de lado por imberbes que têm tudo por adquirido. Talvez por isso alguns atentam contra obras de arte com perguntas estúpidas como “o que é que vale mais, este quadro ou o ambiente”, como se fossem comparáveis e a destruição da arte de alguma forma ajudasse o clima, mas perguntar isso seria demasiado complicado a semelhantes amibas. E também querem acabar de imediato com os combustíveis fósseis, ou seja, parar por inteiro a sociedade. Como se deslocariam? Como se aqueceriam? Quem lhes traria os seus produtos vegan? “Ah, mas para se deslocarem há as bicicletas, as trotinetes e o metro”. Brilhante, da parte de quem vive nas cidades com alguma dimensão. Vão perguntar aos agricultores de Trás-os-Montes ou do Alentejo se não se querem deslocar dessa forma. Transportar produtos agrícolas de trotinete em Vimioso deve ser espectacular. E também lhes podiam relembrar que existe uma penosa guerra na Ucrânia que está a conduzir a uma crise energética, económica e financeira. Não se terão dado conta disso? Talvez fosse bom olhar para fora da bolha.

Ainda um efeito nefasto destas novas seitas climáticas: o fanatismo vai levar muitos a afastar-se e a recusar práticas mais favoráveis ao ambiente. Numa altura em que pululam as teorias da conspiração de toda a ordem, já se fala da farsa do ambientalismo”, do “great reset climático”, etc. Esta gente, com as suas acções cretinas que apenas prejudicam, ou visam prejudicar, a vida de tantos, só vai dar mau nome à ecologia, afastando potenciais defensores criando novos inimigos e polarizações. Um enorme tiro de canhão no pé. E, no entanto, são razões de magna importância, que não mereciam ser prejudicadas pelos fanáticos climáticos sem mais nada para fazer (ou por oportunistas conhecidos para fazer aproveitamente político, mal começam a fazer misturas com o anticapitalismo, antiracismo, etc). Mas, quem sabe, mais do que proteger o ambiente, a ideia deles seja mesmo causar polarização extrema, ainda mais. Parece que está na moda. E agora noto que utilizei uma palavra, “ecologia", que passou de moda. E é pena, grande pena.

quinta-feira, outubro 20, 2022

O manicómio britânico

 Já se previa que Liz Truss tremesse e caísse em pouco tempo do cargo de PM que tão desastradamente desempenhou, na senda do seu amigo Kwasi Kwarteng, mas sempre julguei que durasse mais umas semanas. A nova "dama de ferro" revelou-se de latão. E o Partido Conservador já teve melhores dias como máquina política e de poder.




Mas se a situação no Reino Unido já era confusa, pior pode ficar: então não é que Boris Jonhson cogita voltar à liderança do partido e ao cargo que abandonou há apenas três meses, fazendo uma grotesca dança das cadeiras governamental? Isto nem as trocas entre Putin e Medvedev. 

Será pois o quarto PM desde o Brexit, descontando Cameron. E o segundo apenas um mês e meio depois da morte da Rainha. Eu bem dizia, no último parágrafo desta posta, que a morte de Isabel II seria um enorme peso para Truss, embora não imaginasse o quanto. O Reino (por enquanto) Unido parece um manicómio a céu aberto. Quanto à desaparecida Monarca, deve ter pronunciado as célebres palavras de Luís XV: depois de mim, o dilúvio

segunda-feira, outubro 10, 2022

Questões que muito agradeceria que me pudessem esclarecer

Não percebi muito bem. Casillas viu a conta de uma rede social pirateada (onde surgia uma declaração, pretensamente sua, a afirmar "sou gay") e pediu desculpa? Se lhe assaltaram a conta, as desculpas deviam vir da parte do assaltado ou dos assaltantes?


E Puyol, seu antigo companheiro de Selecção, também pediu desculpa por uma piada lá pelo meio que terá incomodado a "comunidade LGBTQ" (uma coisa do tipo "olha, descobriram a nossa relação", com emojis risonhos). Mas pediu desculpa porquê? Se ele próprio não achou piada, então que não a publicasse; se achou, não tem nada que pedir desculpas. E o que significa a tal "comunidade"? Um conjunto de pessoas que vivem em grupo com regras próprias? Quem são os representantes? Foram escolhidos por ela para a representar ou são indivíduos avulsos que se ofenderam com a piada e vieram reclamar sem qualquer legitimidade para representar outros que não eles próprios, individualmente?

E havendo gente que se ofende com isto, que é feito do bordão "Je suis Charlie", relativo a ofensas bem piores?

segunda-feira, outubro 03, 2022

como desmarcarar um farsante

Não sei se tiveram a oportunidade de ver, mas aquela correia de transmissão das ordens de Moscovo, de seu nome Alexandre Guerreiro, levou uma tareia inacreditável do Francisco Pereira Coutinho em todos os aspectos, num debate na SIC Notícias na sexta-feira. Podem - julgo eu - ver o vídeo na íntegra aqui (não consegui transportá-lo directamente para o post por ser muito grande) e avaliar as prestações. O homem do Kremlin a certa altura parecia completamente perdido, repetia incessantemente "o precedente do Kosovo", cujas diferenças aliás o Francisco explicou devidamente, acabou a justificar a anexação da Crimeia com "sondagens" (como se sabe um elemento essencial no direito internacional) e a dizer que a anexação das quatro regiões ucranianas "era legal mas também podia não ser".

Eis a forma como se neutralizam os farsantes: colocá-los perante alguém que efectivamente conhece o terreno para os desmascarar. Acresce que nas horas que se seguiram ao debate, Guerreiro era alvo de chacota pelos twiters watsaps fora