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sexta-feira, janeiro 17, 2025

Vinte e um anos a blogar

Este blogue tem 21 anos, feitos hoje. Não é para todos. 

Era só para dizer isso.





quarta-feira, janeiro 17, 2024

Vinte anos

Este blogue faz hoje vinte anos. Como não blogava antes, concluo que já blogo há vinte anos, desde que naquela longínqua e fria noite de inícios de 2004 estreei A Ágora, nos então anos de ouro da blogosfera. Bem sei que não tenho sido muito assíduo, mas convenhamos que numa altura em que a maior parte dos blogues da época - e os que vieram depois - desapareceu, escrever, mesmo que pouco, ao fim de vinte anos é obra. É uma data redonda, e faz-me recordar com alguma saudade aqueles anos em que se descobria gente até então anónima a escrever maravilhosamente, sem redes sociais, inteligência artificial tal como é entendida agora e com bem menos notícias falsas. 

Vinte anos de blogue é muito tempo e poucos haverá com a mesma marca. Mas prometo ir passando por cá e se possível escrever mais. Perdoem-me a imodéstia, mas parabéns a A Ágora. Merece-os bem.



domingo, janeiro 22, 2023

Dezanove anos

 



Este blogue completou a 16 de Janeiro 19 anos. É pois um blogue adulto, mas numa idade algo instável e indolente. Não sei se alguém reparou, mas alguns posts foram acrescentados nos últimos tempos já depois dos acontecimentos a que se referiam. Eram rascunhos que não tinham sido editados ou acabados, e que fui actualizando tardiamente. 2022 representou o ano de menor productividade desta página. E este é o primeiro post de 2023, passado mais de meio mês. Mas se o blogue está preguiçoso, não deixa de estar vivo. Mais textos virão, espero que devidamente actualizados. Bem hajam os que ainda cá vêm.

domingo, janeiro 17, 2021

Dezassete

Só para avisar que já blogo há dezassete anos, e que consequentemente este blogue, se sobreviver, atingirá a maioridade daqui a um ano. Esperemos que sim.




domingo, janeiro 19, 2020

16




E há dois dias este blogue chegou aos dezasseis anos. Assim se explica a parca actividade: ainda está na adolescência, o que o leva a descurar obrigações e a esquecer-se de deveres. Tem por isso desculpa. Antes isso que andar na droga, perdão, nas redes sociais. Mas os assuntos que mais tem debatido continuam a ser os mesmos, como no primeiro dia. Afinal, nem tanta coisa mudou.

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sexta-feira, janeiro 05, 2018

Nove anos de Delito de Opinião (e uma antologia comemorativa)


O primeiro post do ano 2018, já no seu quinto dia, é endereçado ao Delito de Opinião, no qual tenho também a honra de participar: é que hoje é precisamente o seu 9º aniversário. O Delito começou a sua caminhada a 5 de Janeiro de 2009 e não mais parou, arrebatando vários e talentosos escribas (e também outros que não o são, como este vosso servo) e alcançando o topo das preferências dos leitores da blogoesfera. 

E que melhor forma de comemorar o aniversário do que anunciar o livro da colectânea de textos do Delito? Como só vai até determinada época ainda não aparecem textos deste que vos escreve, por isso a qualidade é garantida. Para que seja editado há uns certos requisitos a preencher, pelo que os passo a transcrever:

"Quase a entrar no décimo ano de publicação ininterrupta, o DELITO DE OPINIÃO passa enfim de blogue a livro. Está pronta a nossa primeira antologia de textos escolhidos pelos autores que entenderam participar nesta colectânea, com estilos e temas muito diferentes - afinal aquilo que fez e faz a identidade muito própria deste blogue, que resiste de boa saúde ao "fim da blogosfera" que alguns se apressaram a decretar urbi et orbi num anúncio que nós por cá desmentimos todos os dias.
Como a nossa série dos  blogonautas convidados bem demonstra: noventa já passaram por cá desde Março e vários outros estão a chegar.
Como as estatísticas deste blogue confirmam: ultrapassámos já um milhão de visualizações desde o início do ano ainda em curso.

O sistema que adoptámos para este livro, com 260 páginas e chancela editorial da Bookbuilders, é o da subscrição. Ou crowdfunding, como agora se diz em "português técnico". Isto implica a existência de um número prévio de leitores inscritos, fazendo reserva de exemplares, para que a obra entre no mercado.
Esperamos um número mínimo de 160 subscritores, que passam a figurar como "apoiantes do DELITO" nesta iniciativa que a partir de agora deixa de ser só nossa e se torna também vossa.
Contamos portanto com a vossa adesão para muito em breve passarem a ler-nos também em livro. O complemento natural ao blogue.

Prometo ir dando mais novidades sobre esta iniciativa. Entretanto podem desde já aderir, enquanto leitores "delituosos", na loja virtual da Bookbuilders. Para garantir o acesso a esta nossa primeira antologia. E abrir o caminho a que apareçam outras. Esperando que gostem tanto de nos ler em livro como já demonstraram gostar de nos ler em blogue."


terça-feira, abril 04, 2017

No delito de Opinião



A partir desta semana estarei também no Delito de Opinião. O primeiro texto é precisamente o anterior que também publiquei aqui, com o título ligeiramente alterado. Mas descansem os que cá vêm porque isso não implica o fecho de A Ágora.

segunda-feira, janeiro 16, 2017

Treze


Treze é um número aziago. O número do azar, da má fortuna, de dias temerosos que impõem receios, de crenças mais ou menos infundadas, de tradições obscuras e bruxarias imaginadas. E também é o número de anos em que eu ando nisto. Este blogue faz esta noite treze anos (não sei ao certo a que horas nasceu, mas por esta altura em que escrevo, e precisamente no quarto onde me encontro), e como tal entra na adolescência. Como se sabe, é a pior das idades. Não fiquem espantados se houver manifestações próprias da "idade do armário".
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quarta-feira, janeiro 13, 2016

O Palacete


Depois de anos e anos a prometer que ia criar o seu próprio blogue, cumpriu agora, contra a corrente, numa iniciativa arriscada numa altura em que as redes sociais fazem concorrência à blogoesfera, com notório prejuízo de textos bem escritos e informados. José Maria Montenegro, prestigiado causídico, convicto democrata-cristão, portuense com uma costela beirã, torguiano de alma e portista ferrenho (hélas, todos temos defeitos) começou 2016 abrindo O Palacete. Vão lá dar uma olhada que a porta está aberta e a visita aos salões é livre.

sexta-feira, janeiro 16, 2015

Onze



A Ágora tem o prazer de anunciar que chegou à sua primeira capicua: onze anos. Será difícil chegar a outras, mas esta já ninguém nos tira.


Onze é um número estranho. Representa o número da unidade, mas como é duplicado, torna-se ambíguo ou mesmo mentiroso. É o primeiro depois da dezena, é a primeira capicua como disse em cima, e a sua estranheza dever-se-à também a vir depois do número redondo dez. É o número da ressaca depois do festejo da dezena.

E depois desta filosofia digna de gabinetes de auto-ajuda, e não querendo repetir os discursos de outros aniversários, deixo apenas imagens do dia. De como é atravessar a serra do Marão num dia como o de hoje.
 



quarta-feira, dezembro 31, 2014

A deserção de CAA




A "confissão" de Carlos Abreu Amorim na já célebre entrevista ao Público na semana passada deixava adivinhar uma discussão acalorada, como o próprio título deixava prever. É verdade que CAA (como assinava) esteve na linha da frente do liberalismo político e económico na blogoesfera e em boa parte da opinião publicada, fosse no Blasfémias ou nos seus escritos aos quais dava o título de "é difícil ser liberal em Portugal", em que se mostrou sempre convicto, assertivo e até truculento. CAA esteve no CDS, saiu com Manuel Monteiro para a Nova Democracia, voltou a sair quando percebeu que não era um projecto liberal como pensava (com direito a manifesto de justificação), mas anos depois, e negando esse mesmo manifesto em que afirmava que "não tinha jeito para homem de partido", aderiu ao convite do PSD de Passos Coelho (supostamente liberal), elegeu-se como deputado por Viana e chegou mesmo a ser o candidato à câmara de Gaia. Daí que esta mudança espante muito, mesmo que houvesse alguns indícios nesse sentido, como cheguei a apontar, sobretudo o apoio eufórico ao ultra-despesista Luís Filipe Menezes, ou seja, tudo a que CAA se opusera antes.


A justificação que CAA dá é sobretudo o da crise financeira despoletada em 2008 e o tombo do BES, que necessitam de um "estado forte". Não tenho nada a objectar, mas fico sem perceber se o entrevistado, que sempre me deu ideia de ser um indivíduo culto longe dos populistas de café, pensava antes que não tinha de haver qualquer regulador para que o mercado funcionasse, ou se achava que a existência de um regulador não era o malfadado "socialismo", e então havia alguém no posto da vigia a regular as fronteiras aceitáveis do mercado. Se se trata da primeira hipótese, é perfeitamente aceitável, já que CAA dava ideia de ser um entusiasta da mão invisível e da cataláxia, essa auto-regulação da sociedade, e portanto trata-se mesmo de uma mudança de ideias. Caso contrário, pode perfeitamente conservar-se liberal tentando mudar as circunstâncias (i.e., pedir o reforço da regulação) e  não as ideias. Será meramente uma fuga para a frente ao aperceber-se da impopularidade do liberalismo. Tendo em conta que o choque ocorreu recentemente, ao fazer parte da comissão de inquérito do BES, e sabendo o apoio dado antes a Menezes, podia inclinar-me para esta hipótese, e aí aconselhá-lo-ia o artigo de Gonçalo Almeida Ribeiro, no Observador, mas prefiro ser benevolente e acreditar que uma houve uma genuína e dolorosa mudança de uma ideologia em que cria ardentemente. Até porque diz a meio duas frases determinantes:  a lógica do liberalismo económico tem uma contradição insanável com a natureza humana. O agente económico deve ter regras fortes e devem existir instituições que forcem a sua aplicação. Caso contrário, a ganância, a prevaricação, o instinto de fuga às regras. Nem mais. Isto é algo em que os devotos do liberalismo quasi sem regras deviam reflectir (e os marxistas também, por razões parecidas).


De qualquer maneira, não é o primeiro liberal fervoroso a abandonar o "barco": também Pedro Arroja, que por sinal também passou pelos Blasfémias, o deixou. E conheço pessoalmente outros casos. Um fenómeno parecido com o de ex-comunistas, quando a ideologia lhes desaba em cima (aconteceu na europa em 1968, e em Portugal em 1989-1991), de crentes religiosos, quando perdem a Fé, ou de não-crentes, quando a encontram. Um processo sempre doloroso, que creio ser de imenso vazio e alguma orfandade, e que nos casos mais graves levam a que se quebrem relações sociais e de amizade de anos e que se abandonem lugares, trabalhos e hábitos. Por isso espero que CAA recupere rapidamente o seu lugar ideológico, e que sobretudo saiba honrar o lugar para que o elegeram.


PS: e que por favor, não volte e encomendar coisas destas, que são mais dignas de programas de humor.

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Dez anos





E assim chegámos aos dez anos de A Ágora. Sim, este espaço que estão a ler completa hoje dez anos de idade. Uma década, desde aquela madrugada em Janeiro de 2004, em que decidi que nome haveria de dar ao blogue e em que escrevi as primeiras linhas, antes da surpresa de me ver publicado online.

Não é preciso lembrar que raríssimos blogues chegam a esta idade. Da primeira leva, de 2003, quase não deve haver nenhum activo. Da segunda, de 2004, ao qual este pertence por longevidade própria, tão pouco. Claro que na altura jamais pensaria em manter-me tanto tempo no mesmo formato. Cheguei a pensar em convidar mais pessoas para o blogue, em mudar o formato da página, o subtítulo que mostra aos leitores incautos ao que vêm, coisas que acabaram por nunca acontecer. Hoje escrevo estas linhas no mesmíssimo quarto e que o iniciei. O blogue continua a reflectir o mundo do seu escriba, faça ou não parte da actualidade mediática, diga muito ou pouco a quem se depara, nas inúmeras ligações que quotidianamente faz por acaso, pela primeira vez com esta página. Algumas ideias mudaram, o estilo terá sofrido mudanças imperceptíveis, a técnica e os instrumentos à disposição deram nova arrumação aos escritos, e hoje olho para alguns textos que me parecem mais pueris de forma benevolente. Julgo que isso deve acontecer em qualquer pessoa que encontre coisas por si escritas com uma década, sobretudo se se tratar de um projecto no início.

Este caminho solitário, em que é obrigatório alimentar o "bicho" amiúde, ou perdemos imediatamente auditório, nem sempre é fácil. E é bem provável que um dia destes tire umas férias - só e apenas isso. Mas por enquanto, e porque ainda me sobra paciência e tenho algumas coisas que me saltam à vista para escrever, este blogue manter-se-à activo. Quando achar que nada mais tenho para dizer, que não faz sentido ou que se tornou numa obrigação pesada, então encerrarei a sua publicação. Mas não por agora. O que não significa que não possa haver algumas mudanças, ao layout e à apresentação, por exemplo. O nome, esse, garanto, é que nunca irá mudar. 

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Nove anos


De ano para ano, surge um post com um número que lembra uma contagem crescente. Na realidade, trata-se apenas de mais um ano de A Ágora. Há nove anos, numa noite como esta, dei início a esta discreta página onde escrevo. Já se pode considerar algum tempo neste meio, em que constantemente vemos novos espaços a abrir e outros a encerrar (e infelizmente a desaparecer da nossa vista, sem deixar rasto). E a própria blogoesfera já atravessou picos de popularidade, quando as redes sociais e o twitter ainda não faziam sombra. Mas A Ágora chegou ao nono aniversário, e por aqui continuará enquanto o seu mentor tiver paciência e alguma coisa para dizer.
 
 

terça-feira, janeiro 08, 2013

Leituras



2013 começou, mas as leituras habituais de blogues mantêm-se. O que não quer dizer que não possa haver novidades. Na blogoesfera, a renovação do ar é sempre bem vinda.

Noite Americana continua a ser uma casa recomendável: lá se debate e se defendem valores, para além da nobre Sétima Arte, agora tão vulgarizada pelo pequeno ecrã, como o pluralismo, o fato de três peças (ou "terno"), os charutos e as sessões da meia-noite (ok, estes últimos já são antigos, mas lembrava-me), e isso porque já não há sessões das duas da manhã. Isto, há que reconhecê-lo, é autêntica defesa da civilização.
 
No Declínio e Queda, irmãmente divido entre esquerda, direita e centro psicológico, a discussão entre as vantagens do ensino misto e ensino diferenciado.
 
O Herdeiro de Aécio, sempre com memória oportuna, lembra-nos a grande querela entre Mário Soares e Basílio Horta, nas presidenciais de 1991, que envolveu acusações e insultos. Agora, aquele apoia este à câmara de sintra nas autárquicas do próximo ano. Que diria Basílio, agora um fiel "independente" do PS, se o inquirissem porque é que à época disse de Soares o que Mafoma não dizia do toucinho?
Também no mesmo blogue, uma das mais incríveis e absurdas decisões da blogger (ou não só?). A reverter rapidamente.
 
A Catedral da Luz está de novo activa. Ainda bem. Num blogue que se debruça sobre um assunto tão importante e com tantos colaboradores, exige-se mais assiduidade na postagem. Menos desleixo, confrades benfiquistas, que a época está a atravessar uma fase crucial.
 
Alguns, como o estetizante Ericeira Norte e o  borgeano Questão dos Universais desapareceram de circulação, sem deixar rasto. É pena.
 
 

terça-feira, dezembro 11, 2012

Os "Abrantes" de Passos e Relvas

 
A ler esta sucessão de cinco posts que o Samuel escreveu no Estado Sentido - este, aquele, aqueloutro, mais outro e ainda outro. Infelizmente, os "Abrantes" continuam aí, os originais e os do actual governo. Depois dos boys socráticos imiscuídos nos blogues e nas redes sociais, temos agora os relváticos (à falta de melhor nome, porque este parece-me simbólico), pagos para a tarefa. Nada mudou no lobbying da net.

quinta-feira, outubro 18, 2012

Sim, os blogues em Portugal já têm dez anos


No Complexidade e Contradição recorda-se outro aniversário (como remissão para este texto de Tiago Cavaco): o dos dez anos da Coluna Infame, o primeiro grande blogue português, o espaço virtual que deu o tiro de partida para a blogoesfera em Portugal. Confesso que não era leitor assíduo da Coluna, e só tive conhecimento precisamente quando acabou, numa implosão que deu brado. Mas depois disso li-o todo, de fio a pavio. O blogue de Pedro Mexia, João Pereira Coutinho e Pedro Lomba abalou o salão opinativo em Portugal, até aí confinado aos jornais e demais comunicação social, revelou que cada pessoa com internet à mão podia lançar o seu próprio diário, ou jornal, ou simples espaço de opinião, e pô-lo à vista de toda a gente. Inspirou rivais, como o Blog de Esquerda, e a partir daí os blogues surgiram como coelhos. É por isso que estas linhas que estão a ler só existem graças à Coluna Infame. Como devedor da sua própria existência, era imperioso que os dez anos do seu aparecimento fossem devidamente lembrados. A memória e a gratidão são valores que este espaço ainda não dispensa.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Polémicas bloguísticas com totalitários


Vejam como uma manifestação de amor a tudo o que é ditadura (especialmente na sua versão anti-ocidental) provocou uma bela polémica blogoesférica de Verão. Na sua habitual verborreia totalitária, um dos membros do comité central do 5dias endereçou os votos de boa sorte olímpica a Coreias do Norte, Cuba, Hamas, e tutti quanti os que "lutam pela libertação nacional" (esqueceu-se lamentavelmente dos taliban). Pelo meio, há mesmo criaturas que julgam que Israel era uma criação do Irgun, ignorando completamente que durante trinta anos a esquerda esteve no poder, e que até ao golpe de Nasser no Egipto, a URSS deu todo o apoio ao novo estado sionista, opinião corroborada pelo Avante! da época. Soube desta bonita declaração via Estado Sentido.

Por causa disso, o Samuel Paiva Pires levou logo com uma intervenção de tanques de guerra datados de 1956 de outro dos cães de fila do 5dias, o bizarro Renato Teixeira, admirador confesso do regime de Teerão e provavelmente do seu sistema penal de enforcamento de adolescentes. Resposta pronta do Samuel com remédios contra a demência, mas essa parece incurável. Apanhou logo com uma acusação de fascismo, num post que tinha alguma defesa na substância mas que a estragou tudo numa forma patética (e em acusações de que a outra parte não respeitava a "liberdade individual", o que vindo de um comunista só pode ser uma boa piada). Entre outras intervenções aquecidas do Aventar (cujo autor, nos comentários, me chama "ignorante" porque ao que parece não sei distinguir um estalinista de um trotsquista, coisa complicada quando o apelidado trotsquista defende Estaline e zurze continuamente no Bloco de Esquerda) e do Insurgente, com mútuas acusações de apoio a inúmeras ditaduras seleccionadas.

A coisa não deve demorar muito, mas de novo pelo Estado Sentido dou pela mais recente proclamação lunática e totalitária do supracitado Renato (reparem no exemplo ternurento aos "sovietes do povo", e na forma maquiavélica como fala em "assassinatos"), fazendo curiosas alusões zoológicas. Felizmente, como a esmagadora maioria das pessoas já não liga nenhuma a comunistas encartados e ninguém quer voltar aos tempos pré-1989, nem sequer na Grécia, onde o estalinista KKE permanece fossilizado em ideologia e votos, coisas deste teor dão sobretudo para rir dos seus pobres autores. Mas servem também para demonstrar que os totalitariozinhos à esquerda andam por aí (à direita também não faltam), com desejos de calabouços para todos os que não partilhem da sua tenebrosa ideologia, como se estivéssemos na URSS ou num eterno PREC.


segunda-feira, julho 09, 2012

Ler os outros e ouvir outras Vozes



Há para aí muitas remissões em muitos blogues com o simples título "ler os outros". Pois aqui vai uma. Um texto essencial de Tiago Cavaco (em tempos conhecido nos meios musicais por Guillul), no seu eterno Voz do Deserto, que exprime aquilo que muitas vezes não se diz, ou por temor reverencial de críticas situacionistas, ou porque realmente não se pensa no assunto. A ler, reflectir, discutir.


Há pessoas que, como eu, não vêm o aborto como um mal necessário mas como simplesmente um mal. Para nós o facto do aborto ser hoje um direito civil não derreteu a ideia que dele temos como uma coisa terrível. (...) Suspeito que parte das pessoas que foram contra o aborto sente-se aliviada que a sua posição tenha perdido. Porque a tarefa difícil que é defender convicções na praça pública parece no momento da derrota desnecessária. E todos os que nos envolvemos nesse debate sabemos que custa divergir de pessoas que respeitamos e amamos. Alguns saem meio traumatizados com discussões que tiveram com amigos achando que àquele lugar não querem mais voltar. Mas deixar de lutar por ideias pelo facto de que os nossos amigos que não as têm ficam escandalizados connosco parece-me um modo triste de revelar que essas ideias não são assim tão importantes para nós. As convicções vêem-se no que nos custam junto dos que nos são próximos mas distantes delas (...).
Os nossos adversários não devem admirar-se que queiramos reverter a Lei do Aborto. Isso não é aos nossos ouvidos uma acusação mas um elogio. Um sinal que estamos firmes no que dissemos no Passado. Do mesmo modo como lhes reconhecemos a vitória legítima no Referendo que ganharam, devem oferecer-nos a mesma legitimidade se fizermos que os mesmos cidadãos mudem de opinião. Democracia também é isto.

(Voz do Deserto, 06/07/2012)

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Oito anos


O primeiro post data de 17 de Janeiro. Durante muito tempo, distraidamente, pensei que fosse de 16. Mas a verdade é que o escrevi depois da meia-noite, e a criação do blogue propriamente dito é ligeiramente anterior, aí uma hora, incluindo a sua denominação. Por isso, o aniversário deste espaço deve ser sempre comemorado entre 16 e 17, ou num dos dias, à escolha, dado que o parto deu-se entre dois dias, um pouco como aquelas pessoas que nascem a 29 de Fevereiro. Sim, é possível blogar durante oito anos seguidos, com momentos altos e baixos, bem entendido. É compensador mas também cansa. Para já, chegámos a esta bonita idade, à espera dos sempre adiados "posts prometidos"...