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segunda-feira, setembro 30, 2024

O fim das livrarias do centro da cidade

A Fnac de Sta Catarina fechou hoje, para dar lugar a uma Primark, no edifício Palladium. Era um fim anunciado há meses, mas não deixa de provocar um sentimento de vazio. Era uma espécie de "homónima" portuense da Fnac do Chiado, uma loja-âncora em plena baixa. Nos últimos dias, quando por lá passei, já dava sinais de fim de época e de mudanças, sem boa parte dos produtos e com alas fechadas.

Desde que abriu, seguramente no início do século, por junto passei lá muitas horas, desde que os CDs, que eram aos milhares, ainda eram a melhor foma de adquirir música. Se pensarmos bem, uma Fnac naquele local era uma sorte, um luxo, aparentemente, já que a Baixa está reduzida cada vez mais, tirando as instituições públicas, a cafés, restaurantes, marcas para turista ver e hotéis (está planeado outro para o edifício de cor bordeaux em frente). Dizem vozes amigas que estão à procura de novo local para a reimplantar. Espero e estimo que o consigam, porque as rendas das Primarks desta vida estão cada vez mais difíceis de suplantar. Até lá, quem quiser comprar livros naquelas paragens sempre se pode socorrer à excelente Livraria Latina, quase em frente.

PS: incrivelmente, a Latina também vai fechar. Com excepção da Bertrand da rua da Fábrica, a Baixa fica SEM UMA ÚNICA livraria, tirando um ou outro arfarrabista. Já teve várias, e prestigiadas, mas a Leitura é agora um bar e a Lello, essa, é um museu instgramável com armadilha para turistas de Harry Potter.

sexta-feira, outubro 21, 2022

 Digam o que quiserem, mas estas novas “acções climáticas” têm-se multiplicada de forma particularmente aberrante. Já havia uma líder espiritual, Greta Thunberg, que sabia melhor como governar os povos do que todos os líderes eleitos, conforme se viu naquela reunião da ONU, que a tantos deixou embevecidos (apesar da própria já estar a crescer nalguns aspectos). O seu exemplo de não ir à escola tem feito escola, se me permitem o contrassenso.

Há dias, num especial creio que da RTP, assisti a um conjunto de jovens “activistas” e às suas ideias para aplacar a crise climática. Diziam os frequentadores do ensino secundário que iam fazer jornadas de greve às aulas e exigiam nada menos que a proibição de uso de combustíveis fósseis, imediatamente. Em paralelo, diziam que se o Mundo não tinha futuro, então de nada lhes servia aprender, daí a greve às aulas. E também que o voto era uma coisa desnecessária, que mais importante para a cidadania era “o activismo de rua”. E quando surgiam os seus nomes, reais ou “de guerra”, aparecia também por baixo, à laia de profissão, a palavra “activista”.

Isto preocupou-me, confesso. Sei que dementes, seitas e figuras auto-messiânicas sempre as houve. Como a natureza humana não muda de um século para o outro, a actualidade não havia de ser diferente. A diferença é que a comunicação e as formas de propaganda são hoje infinitamente maiores. E permitem que qualquer grupelho radical espalhe as suas mensagens com o beneplácito de algumas instituições.

Devo desde já dizer que não sou um céptico de mudanças climáticas (embora pense que as previsões a longo prazo são problemáticas e que o homem não é necessariamente o seu único causador) e muito menos da protecção do ambiente. Fiz parte de várias associações ambientalistas e das listas do MPT, justamente o único partido ecologista português sem radicalismos urbanos. Por isso mesmo, sei que as ideias mais nobres redundam normalmente em fanatismos aberrantes. É o caso.

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Temos, portanto, jovens do ensino secundário a fazer o elogio da ignorância, da não aprendizagem e da recusa da democracia, ou pelo menos a defender uma espécie de “democracia de rua”. Coisas tão importantes, como o direito ao voto e à escolaridade, pelas quais tantos se bateram, são postas de lado por imberbes que têm tudo por adquirido. Talvez por isso alguns atentam contra obras de arte com perguntas estúpidas como “o que é que vale mais, este quadro ou o ambiente”, como se fossem comparáveis e a destruição da arte de alguma forma ajudasse o clima, mas perguntar isso seria demasiado complicado a semelhantes amibas. E também querem acabar de imediato com os combustíveis fósseis, ou seja, parar por inteiro a sociedade. Como se deslocariam? Como se aqueceriam? Quem lhes traria os seus produtos vegan? “Ah, mas para se deslocarem há as bicicletas, as trotinetes e o metro”. Brilhante, da parte de quem vive nas cidades com alguma dimensão. Vão perguntar aos agricultores de Trás-os-Montes ou do Alentejo se não se querem deslocar dessa forma. Transportar produtos agrícolas de trotinete em Vimioso deve ser espectacular. E também lhes podiam relembrar que existe uma penosa guerra na Ucrânia que está a conduzir a uma crise energética, económica e financeira. Não se terão dado conta disso? Talvez fosse bom olhar para fora da bolha.

Ainda um efeito nefasto destas novas seitas climáticas: o fanatismo vai levar muitos a afastar-se e a recusar práticas mais favoráveis ao ambiente. Numa altura em que pululam as teorias da conspiração de toda a ordem, já se fala da farsa do ambientalismo”, do “great reset climático”, etc. Esta gente, com as suas acções cretinas que apenas prejudicam, ou visam prejudicar, a vida de tantos, só vai dar mau nome à ecologia, afastando potenciais defensores criando novos inimigos e polarizações. Um enorme tiro de canhão no pé. E, no entanto, são razões de magna importância, que não mereciam ser prejudicadas pelos fanáticos climáticos sem mais nada para fazer (ou por oportunistas conhecidos para fazer aproveitamente político, mal começam a fazer misturas com o anticapitalismo, antiracismo, etc). Mas, quem sabe, mais do que proteger o ambiente, a ideia deles seja mesmo causar polarização extrema, ainda mais. Parece que está na moda. E agora noto que utilizei uma palavra, “ecologia", que passou de moda. E é pena, grande pena.

domingo, agosto 18, 2013

A época começou como se imaginava



Começou a época 2013-2014. Não tive tempo de fazer um pequeno apanhado do que possa ser o Benfica desta nova época, mas também não era preciso, porque a equipa começou exactamente como o previsto: perdendo. Se nas outras épocas o Benfica empatava sempre na primeira jornada, desta vez conseguiu perder num terreno difícil mas onde até tem alcançado bons resultados. A equipa não jogou horrorosamente mal, não tinha Salvio e Markovic, não jogou pior que o adversário e ainda contou com a habitual arbitragem prejudicial do duvidoso Jorge Sousa. Mas teve uma incrível falta de objectividade no momento do remate, jogou atabalhoadamente e em alguns momentos muito devagar e teve novos erros defensivos que foram fatais. Jorge Jesus, mais uma vez, parecia longe...
 
A pré-época já deixava o credo na boca, mas desde que se soube que Jesus tinha renovado por mais dois anos, com o mesmíssimo (e alto) salário, depois do final calamitoso da época passada, que se previa que a coisa não ia correr bem. A querela com Cardozo, o homem de área do Benfica dos últimos anos (e o mais influente em duas décadas), cujo problema ficaria resolvido "até 17 de Julho", mas que se arrasta indefinidamente, deixou um balneário tenso, um goleador desaproveitado e despeitado e uma enorme ausência na frente de ataque. As aquisições duvidosas (Mitrovic, Fariña, Loló) misturam-se com as acertadas (Markovic) e com as que se espera que venham a render, dada a qualidade técnica dos jogadores (Sulejmani, Lisandro Lopez). Há excesso de jogadores no plantel e quase nenhuma venda para equilibrar as finanças e pagar os avultados empréstimos; existe o receio fundado dos melhores saírem no fim da época de compras, deixando a equipa coxa; os jogadores formados no clube, mesmo os que demonstram qualidade, como Miguel Rosa, são dispensados em proveito de estrangeiros desconhecidos; realizam-se negócios obscuros, torneando a boa fé comercial e a dos sócios, como a estranhíssima troca de Roberto (que se julgava do Zaragoza) por Pizzi, do Atlético, e imediato empréstimo deste ao Espanhol de Barcelona; e a relação entre os jogadores e um treinador desgastado e esgotado, que parece que ficou apenas para amealhar um bom pé-de-meia, parece tensa q.b.
 
Assim sendo, a derrota não surpreende. Até pode haver queixas a fazer da arbitragem, mas é sabido que quando o Benfica está mais frágil isso acontece com maior frequência. O grande culpado não se chama Jorge de Sousa, mas Jorge Jesus, um treinador que está a mais e que se tivesse a convicção do seu dever, teria saído pelo próprio pé, em lugar de ser sustentado pela vontade teimosa de Luís Filipe Vieira. Se se aguentar pouco tempo no banco, como alguns prevêem, contra a sua vontade, que seja Vieira a pagar-lhe a indemnização. Os benfiquistas estão fartos das humilhações causadas pelas invenções do mister, da bazófia, das mãos cheias de nada, das desilusões constantes. Se já se concluiu que a época começou torta e jamais se endireitará, então ao menos que as finanças do clube sejam poupadas das opções de Vieira. É o mínimo. Se nem isso se cumprir, então terá que haver uma seriíssima mudança no clube.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Os "Abrantes" de Passos e Relvas

 
A ler esta sucessão de cinco posts que o Samuel escreveu no Estado Sentido - este, aquele, aqueloutro, mais outro e ainda outro. Infelizmente, os "Abrantes" continuam aí, os originais e os do actual governo. Depois dos boys socráticos imiscuídos nos blogues e nas redes sociais, temos agora os relváticos (à falta de melhor nome, porque este parece-me simbólico), pagos para a tarefa. Nada mudou no lobbying da net.

segunda-feira, outubro 15, 2012

A esquizofrenia cultural


 
Os fins de semana foram transformados em jornadas contínuas de protestos contra a política de apertar o cinto do governo. Manifestações convocadas por vastos sectores da sociedade, como as de 15 de Setembro, pela CGTP e variados sindicatos, pela polícia, pelos enfermeiros, etc. Neste último  tivemos a manifestação de protesto dos "artistas" e da "gente da cultura", ou mais precisamente, pessoas ligadas ao teatro e à música, sob o lema, emprestado de outras caminhadas, "Que se lixe a Troika".
 
 
É natural que num período tão incerto e duro se queira proporcionar a quem passa, num Sábado solarengo, uma ampla oferta musical ao ar livre e de borla, ainda que a lisboeta Praça de Espanha se preste pouco a que se pare lá (a nossa D. João I sempre é mais aconchegada). Menos natural, ou mais disparatado, se quiserem, é virem os ditos "agentes culturais" querer que "a Troika se lixe". Ainda não percebi se estas pessoas organizaram aquilo por lirismo de classe ou se vivem no planeta Marte. Sim, mandam-se os componentes da "Troika" embora, dizendo-lhes que "queremos as nossas vidas". Resta saber como vivê-las quando o Estado se vir sem dinheiro para pagar seja a quem for passados poucos meses e com os bancos a fechar-lhe a porta na cara. Da música de intervenção? Da cantiga que "é uma arma"? Do ar ou do vento que passa?

O mais espantoso é que ao mesmo tempo que querem que a "Troika" se vá e que gritam "FMI fora daqui" (logo a instituição mais aberta a um alívio das condições dos acordos), como se isso não tivesse as nefastas consequências atrás resumidas, protestam acima de tudo contra os cortes do Estado na cultura. Se já há dificuldade em cumprir tudo o resto, em pagar a nossa imensa dívida, em honrar os compromissos, em continuar sequer obras paradas, como o túnel do Marão, e se para mais protestam contra a subida dos impostos, como querem que o Estado subsidie a cultura, ou não faça cortes? Que esquizofrenia é essa de quererem expulsar quem nos financia e ao mesmo tempo exigirem o retorno aos subsídios? Que alternativas propõem? A ideia que passam, com slogans mais ou menos pueris como "não nos deixam sonhar" ou "querem matar a cultura", é a de que sem subsídios, ou seja, sem lhes pagarem, não há "cultura". Será que os tais sonhos estão a ser esboroados ou é mais uma fonte de rendimentos que seca?

Não que o Estado não possa ou não deva subsidiar as várias expressões de Arte, como aliás aconteceu ao longo dos séculos. Os Estados Pontifícios foram dos maiores fomentadores das obras do Renascimento, e não podem ser acusados de ser propriamente "socialistas", como diriam os nossos liberais mais dogmáticos. Nem tampouco o nosso D. João V, Frederico II ou os Filipes, nas suas encomendas a Velasquez. O risco é de o Estado e demais poderes públicos se tornarem nas únicas ou maioritárias fontes de financiamento dos artistas, que se tornam assim agentes políticos, ao serviço de uma dada ideologia ou interesse estatal, cerceando a sua criatividade e independência. É isso que se passa nos estados totalitários e autoritários, onde grandes artistas se puseram ao serviço do respectivo poder, como Eisenstein, na URSS de Estaline, Leni Riefenstahl na Alemanha Nazi, Pirandello na Itália fascista, Dali na Espanha franquista, e o grande Almada Negreiros, que tantos trabalhos criou para o Estado Novo. A lista é infinda.
 
Aparentemente, a nossa "gente das artes" não se lembra disso. Ontem, ouvi Camané falar "no medo que havia há um ou dois anos", e que agora parece que está a ser posto de parte pelas pessoas em manifestações como aquela. A ideia, encapotada, de que vivemos num  sucedâneo do Estado Novo é tão ridícula que merecia uma imensa pateada ao fadista. E enquanto observava os conjuntos musicais, aliás talentosos, a sucederem-se no palco, com intervalos em que uma criatura grotesca aparecia a fazer momices (haveria subsídios estatais para isso?), pensava na estranha esquizofrenia daquela gente toda, que quer mais apoios do Estado e ao mesmo tempo quer mandar embora quem o subsidia. Sim, em tempos de vacas gordas até se justificam. Mas estamos numa época de vacas magrérrimas, em que outros sectores são prioritários. Os criadores culturais terão de viver dos seus Mecenas e do público, trabalhando com criatividade, talento paciência e suor. A crise quando chega é para todos, e não é por se empunhar uma guitarra ou se criarem umas abstracções elogiadas por críticos amigos que se ganha o direito a ficar imune.

quarta-feira, julho 08, 2009

Era bom, era

Parece que "Direito dá trabalho": segundo um inquérito da Católica , via Expresso, há "100% de empregabilidade" entre os seus antigos alunos de direito. Regozijar-me-ia se isso fosse verdade, mas infelizmente não é. Pode haver uma altíssima taxa de empregabilidade, mas nem todos os juristas que cursaram na UCP preenchem esses números, como é prova actual o autor destas linhas, e não só. A não ser que se trate apenas do caso da Escola de Direito da UCP em Lisboa, cujo director presta tais declarações ao jornal, o artigo peca por excessivo optimismo e sensacionalismo dissimulado. Sempre gostava de saber qual é a margem de erro desse inquérito. Ou então, conclui-se que os tempos não andam definitivamente bons para as sondagens.

segunda-feira, maio 25, 2009

Nem os sofismas os salvam

Sporting da Covilhã = Serra da Estrela = Montes Hermínios = Hermínio Loureiro = Oliveira de Azeméis


Estive no Bessa, depois de anos de ausência, com mais uns seis mil espectadores (moldura notável para a Divisão de Honra). Assisti a um descalabro triste e desconsolado, que levou o Boavista à 2ª B, escalão do qual saíra há 40 anos, quando aquele campo era ainda um pelado. À laia de Octávio Machado, o silogismo primário de cima deveria explicar a dramática queda em detrimento da Oliveirense, por coincidência o clube da cidade do Presidente da Liga Hermínio Loureiro, que muito provavelmente será o seu próximo presidente da câmara. Mas nem isso serve de pretexto. Os nervos traíram os axadrezados, que foram goleados pelos serranos quando bastava o empate para a manutenção (a Oliveirense também empatou). Acabou por ser o corolário de um ano muito complicado, com um passivo gritante e salários em atraso.


Pelo mesmo caminho seguiu o Belenenses, rumo à Honra (que ironia!). Significa isto que os dois únicos clubes que foram campeões nacionais à parte os 3 grandes desceram no mesmo fim de semana, deixando o futebol português cada vez mais afastado dos seus clássicos. Quem sabe se por não terem recebido apoios das respectivas câmaras, que se endividaram por outros. De semelhante indiferença não se pode queixar o promovido União de Leiria, que não pagou um tusto pelo seu estádio de trinta mil lugares, ao qual comparecem quinhentos sofredores de 15 em 15 dias, e que é um sorvedouro para a edilidade.



Triste fim de semana desportivo. Valham-nos o histórico algarvio Olhanense, de volta aos grandes após 35 anos de deserto, e o Chaves, que regressa enfim ao futebol profissional.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Lisboa - o caso do terminal
Nos dois últimos anos, tenho passado mais tempo em Lisboa do que no Porto. Doravante, passarei a escrever mais posts especificamente sobre a capital.
Começo pela polémica do projecto Nova Alcântara. Só por piada é que se nega que a concessão do projectado terminal de contentores à Liscont, recentemente adquirida pela Mota Engil, sem concurso público é mais do que suspeita. Pior do que isso, quando se aprova um Decreto-Lei permitindo que a empresa a quem se entrega a concessão até 2042(1) não pague qualquer taxa pelo arrendamento à Administração do Porto de Lisboa. Mas pior, pior, é ver o ministro Mário Lino todo contente a gabar o negócio e a dizer que nem sequer vai haver derrapagens orçamentais do processo (só se for um projecto único em Portugal), com o acenar de cabeça de António Costa.
Nem é tanto pela vista para o rio, os espaços ocupados, etc. Como muito bem no-lo lembram, Lisboa é antes de mais uma cidade portuária, antes de ser uma cidade para turista ver (e para isso tem os very tipical Bairro Alto e de Alfama). Mas Lisboa não é apenas um porto na embocadura do Tejo, pertence aos seus habitantes, e ao país, como principal cidade, e a sua frente ribeirinha está quase totalmente ocupada pelas instalações portuárias. Por muito que queiram tecer comparações, Lisboa não é Hamburgo nem Roterdão. Tem outras funções que essas cidades não têm, como por exemplo, ser a capital de Portugal e a sede dos seus orgãos de soberania.
As companhias de navegação podem fugir para Valência caso a obra não vá para a frente? Mas então não há mais espaços? Setúbal, uns quilómetros abaixo? No Tejo há ainda outros locais, como a Siderurgia Nacional, entre o Seixal e o Barreiro, um largo espaço agora com pouca actividade (e sei do que falo porque estudei o PDM do Seixal nos últimos dias), como um blogue de que lamentavelmente não me lembro escreveu. Mas parece que só Alcântara é que serve. Santa Apolónia, em contrapartida, é o futuro ponto de atracagem de paquetes. Opções...
Muitas vozes recordam-nos, e bem, o único verdadeiro porto de águas profundas português: Sines. Tão desaproveitado, depois de ser alvo de tantos projectos rodoviários, ferroviários, petrolíferos, deixa agora de ser opção porque fica mais longe de Lisboa e "era preciso andar para cima ou para baixo". Um argumento tipicamente centralista, em que tudo tem de ficar centralizado nas mesmas limitações municipais, e nem um metro para fora. Podiam aproveitar para criar uma maior pólo portuário e comercial na costa alentejana, mas parece que tinham de andar muito, pobres criaturas. As mercadorias têm de ficar em Lisboa e nem um distrito mais longe. No fundo, vem na linha das opções territoriais mais que discutíveis que todos os governos têm tomado há décadas. E o mesmo se diga para os estivadores que clamam por trabalho: é assim tão danoso trabalhar em Sines ou em Setúbal, um ambiente em que a maioria se reconhecerá? Se querem mesmo trabalho, porque não? Milhares de pessoas são obrigadas a ir para a Grande Lisboa por razões laborais, sem verdadeiramente o desejarem, por isso, o inverso também se aplica.
O que incomoda, para além da precipitação óbvia e dos riscos estéticos, é mesmo a falta de transparência com que o negócio está a ser feito. A forma como Mário Lino trata quem se interroga sobre o projecto e os seus riscos tem a mesma pesporrência da caso da OTA e do patético "jamais". Infelizmente, tudo indica que já se acelerou o plano para que não haja tempo de pronunciar novos "jamais". Seriam furos demais para um só ministro.
Apesar disto tudo, acho que este caso tem sobretudo âmbito local e não devia ser objecto de um programa como o Prós e Contras.

quinta-feira, abril 17, 2008

Reviravolta amarga

A ganhar por dois a zero ao intervalo, em Alvalade, com um banho de bola e os 9 mil (!) adeptos esfuziantes, levamos cinco do Sporting na segunda parte, contra apenas mais um. Eu sei que emoção e incerteza não faltam nestes derbys, mas escusavam de fazer esta figura depois de nos darem esperanças reforçadas. Dirigo-me, claro está, a Chalana e respectiva equipa técnica, que os jogadores cumpriram ordens e deram o que puderam. Não fossem as imbecis substituições e outro seria o resultado. Assim é mais um a juntar a todos os emocionantes Benfica-Sporting e vice-versa. Sempre ficam com alguma margem de manobra perante os 6-3, os 5-0 também para a mesma Taça, e não apenas os inconsequentes 7-1. Cada vez mais a época se aproxima do fim, graças a Deus. Só é pena não irmos à final da Taça. Afinal de contas, já há uma longa tradição de vencer finais do Jamor ao Porto.

quarta-feira, abril 09, 2008

O galo e o ódio

Domingo à noite tivemos uma repetição do Benfica-Boavista do ano passado, desta feita no Bessa. Bolas na barra, duplas defesas impossíveis, bolas acrobaticamente cortadas sobre a linha, e agora até penaltys sonegados por essa incompetência de apito na boca chamada Lucílio Baptista. Um massacre constante do Benfica intervalado pelo penalty que Quim defendeu e por outra oportunidade de golo que os homens de xadrez tiveram em contra ataque, na segunda parte. Um daqueles desafios que se durasse até à alvorada ficaria inevitavelmente em zero-zero. É daqueles actos de feitiçaria de que o futebol é pródigo, e que tão injustamente castigam quem se esforça.
Na véspera, o Porto lá conseguiu o anunciado tri-campeonato com meia dúzia dados aos pobres amadorenses, que ultimamente não sabem o que são salários. A festa pelas bandas do estádio durou até às tantas, mas felizmente, como estava em Lisboa, não dei por nada. Ouvi buzinas, sim, mas por causa das filas de trânsito que entupiam os acessos entre as zonas de Belém e Docas. Ainda assim, e apesar do título estar nas mãos, o presidente da colectividade andrade, acossado pela acusação de corrupção, veio fazer, na inauguração de uma sala portista qualquer, um discurso em que atacou aquilo que considera ser "os vermes" e "o ódio" que "corariam de vergonha e morreriam de inveja" e prometeu o Tetra para o ano. Inconcebível como o tipo que mais "vermes" alimenta e mais ódio espalhou no futebol português continua a fazer-se de vítima e a achar-se acima da justiça, mesmo quando ganha o campeonato mais fácil da sua carreira. Ao fim de vinte e tal anos de carreira de sucesso no futebol português, Pinto da Costa continua com a sua política do "contra tudo e contra todos". Há pessoa que por mais que ganhem, nunca atingirão o mínimo do sentido de grandeza

quinta-feira, outubro 04, 2007

Desconsolo

Decididamente, ir ao futebol este ano tem sido uma pura perda de tempo. E que futebol nem vê-lo, resultados ainda menos, e golos, só mesmo dos adversários. Que aplicaram bem o dinheiro, como se vê. Mas apesar de tudo, parece-me que uma bola na barra, outra que o adversário dominou com a mão na sua área e boas defesas do guarda-redes contrário justificavam um golo. o problema é que do outro lado também criaram muitas oportunidades de golo.

Imagino, já agora, o que diriam os responsáveis sportinguistas se tivessem sido objecto de uma arbitragem tão má como a que castigou o Benfica no seu jogo contra o Shaktar.