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terça-feira, fevereiro 25, 2025

Novos amigos

Nos 3 anos de invasão da Ucrânia, os EUA votaram contra um resolução que condenava a Rússia e pedia respeito pela integridade territorial ucraniana. Votaram 16 países contra essa resolução, incluindo, para além da Rússia e Estados Unidos, a Coreia do Norte, a Eritreia, a Guiné Equatorial, a Nicarágua, a Bielorrússia e mais meia dúzia de regimes da mesma extracção.

São estes os novos BFFs destes EUa de Trump: as ditaduras mais macabras do mundo, algumas com ideologia neocomunista (embora hoje quase não se vejam diferenças ideológicas). Quem diria: isto equivaleria aos Estados Unidos terem apoiado a invasão da Polónia em 1939 pela Alemanha nazi (como URSS apoiou, aliás). Felizmente à época não tinham Lindbergh.


Fonte: BBC

quinta-feira, fevereiro 22, 2024

Sonsos, lunáticos e avençados na morte de Navalny.

A morte de Navalny teve as reacções esperadas da maior parte dos países, que condenaram e pedem explicações, do regime russo, que finge não saber de nada, e de alguns sonsos como Lula de Silva, que pede para não se tirarem conclusões precipitadas ao mesmo tempo que conclui que os acontecimentos em Gaza são comparáveis ao Holocausto. E depois, claro, as tiradas dos habituais idiotas úteis, alucinados ou avençados do regime putinista, que vêm com comparações com Assange, dizem que Navalny era "nazi", como um membro da ala puitnista da nossa tropa fandanga que trata o ébrio Medvedev por "o senhor Medvedev (sem ironia) ou lá, está, pedem que não se tirem "conclusões precipitadas" da morte do mais conhecido opositor de Putin, que estava na Sibéria. Claro que não, já é normal que os adversários de Putin "morram subitamente" no banho ou na prisão, caiam de janelas ou despoletem granadas nos aviões. Na Rússia (ou fora dela, no caso de refugiados políticos, como aconteceu àquele piloto russo em Espanha) é mesmo considerado morte natural. Imaginação têm, agora coragem como Navalny é que nem um pingo.

terça-feira, janeiro 23, 2024

Cenas da pré-campanha.

Estava a ver um apanhado das frases mais marcantes que foram pronunciadas na convenção da AD e entre proclamações, recados, exortações e anúncios (Santana de novo? O homem é mesmo de luas), deparo-me com uma de Paulo Portas que já me tinha passado pela cabeça nos mesmíssimos termos e que era mais ou menos assim: o PS tem de ir para uma cura de oposição; isso será bom para Portugal, para a política nacional e para o próprio PS.

Entretanto, o Chega revela ser um partido cumpridor dos seus intentos. Prometeu que ia "limpar o país" e está realmente a fazê-lo, ao aspirar os resíduos políticos de alguns ainda deputados do PSD colocados em lugares não elegíveis e que, descontentes com as posições, desertam tentando alcançar aquilo que já não iam manter. São todos contra o "sistema" desde pequeninos, como se comprova. Calculo que os elementos do Chega que presumiriam ir para as mesmas listas estejam a dar pulos de contentes com a adição destes novos "quadros".

segunda-feira, outubro 03, 2022

como desmarcarar um farsante

Não sei se tiveram a oportunidade de ver, mas aquela correia de transmissão das ordens de Moscovo, de seu nome Alexandre Guerreiro, levou uma tareia inacreditável do Francisco Pereira Coutinho em todos os aspectos, num debate na SIC Notícias na sexta-feira. Podem - julgo eu - ver o vídeo na íntegra aqui (não consegui transportá-lo directamente para o post por ser muito grande) e avaliar as prestações. O homem do Kremlin a certa altura parecia completamente perdido, repetia incessantemente "o precedente do Kosovo", cujas diferenças aliás o Francisco explicou devidamente, acabou a justificar a anexação da Crimeia com "sondagens" (como se sabe um elemento essencial no direito internacional) e a dizer que a anexação das quatro regiões ucranianas "era legal mas também podia não ser".

Eis a forma como se neutralizam os farsantes: colocá-los perante alguém que efectivamente conhece o terreno para os desmascarar. Acresce que nas horas que se seguiram ao debate, Guerreiro era alvo de chacota pelos twiters watsaps fora

terça-feira, dezembro 22, 2020

Os méritos da comunicação social

Tenho lido por aí que só agora é que a comunicação social tem dado atenção ao caso Homenyuk, que durante nove meses não se ouviu nada, etc, etc. Lê-se isso nas redes sociais mas também de outras paragens inesperadas, como alguns jornalistas em guerra autofágica contra a própria classe. Nada mais injusto, nesta ocasião.


Pegando nas palavras de um dos responsáveis do que sucedeu, houve quem não ouvisse nada. Porque desde fins de Março que se conhecia o casos e os seus contornos, que se sabia que algo de muito errado se tinha passado com o ucraniano e os agentes do SEF, e tudo isto porque a comunicação social o divulgou. Se o caso não teve mais repercussões é porque as pessoas até agora tinham ligado pouco.

Em lugar de bater sempre na imprensa, que tantas vezes e ao contrário do que se passou agora não cumpre as suas funções, seria bom pensar que talvez as redes sociais não sejam assim tão informativas ou eficazes. Afinal de contas, soube-se disto em fins de Março, quando a pandemia tinha repentinamente surgido e estava tudo em casa. Lembro-me aliás de ter sido o primeiro caso que não o covid-19 a abrir os noticiários em muitos dias. E não foram com certeza os "jornalistas" de smartphone que divulgaram a situação. Algumas pessoas ligaram mais, de certa forma para se libertar do totalitarismo informativo covidiano, mas outras pouco terão ligado. Até agora, quando a viúva do pobre Homenyuk disse "odiar Portugal"(e poderemos nós censurá-la, por muito que nos custe?). Através da comunicação social, claro.

Por isso, culpe-se o SEF, a ANA, o governo que só agora é que resolveu dar uma compensação à família, o ministro Cabrita, o presidente ou outros, mas deixem de se atirar à comunicação social. Há imensas razões e oportunidades para criticá-la. Eu próprio já o fiz, aqui no Delito. Mas ao menos, e ao contrário do que acontece com inumeras páginas manhosas da net, que atraem sempre alguns discípulos hipnotizados, os artigos vêm sempre assinados e podemos saber quem foram os seus autores. Aqui é manifestamente injusto que assaquem as culpas à CS, porque é graças a esta que sabemos os contornos do caso.

PS: E já agora, um exercício de "achismo": sabendo-se que as máfias de países como a Ucrânia controlam amplamente o percurso dos emigrantes, extorquindo-lhes o que podem, não poderá ter havido uma qualquer infiltração no SEF por parte do crime organizado e a sessão de tortura sido uma acção punitiva ou para o obrigar a pagar algo?

domingo, março 31, 2019

As amnésias de Constâncio


Só hoje vi melhor as figuras de Vítor Constâncio nas suas respostas à comissão parlamentar sobre as suas responsabilidades nos anos em que exerceu o cargo de presidente do Banco de Portugal. Constâncio não tem qualquer memória da sua actividade de dez anos naquela cadeira e nem tem memória dos aviso que recebeu e das pessoas com quem falou de assuntos delicados. A mesma atitude de "não me lembro de nada" e "não tenho ideia" que já tínhamos visto a Zeinal Bava e Ricardo Salgado, e já agora, ao ainda titular Carlos Costa. A conclusão a que chego é que aquelas salas têm uma propensão para a amnésia. É melhor fazerem as audições noutro lado.

É bom recordar que Constâncio, tido como "genial" e "brilhante" (se vivesse 100 anos antes seria a inspiração directa para o "talentoso Pacheco", de A Correspondência de Fradique Mendes, de Eça), era líder do PS em 1987. Cavaco Silva ganhou as legislativas desse ano com 50% dos votos. O PS, liderado pela ex-Presidente do BdP, teve 22%, e a CDU de Álvaro Cunhal, já sem o MDP-CDE, ligeiramente mais de 12%. Ramalho Eanes e Adriano Moreira, respectivamente à frente do PRD e do CDS, e hoje tidos como referências morais da política portuguesa, não chegaram em conjunto aos 10%. Antes de estarmos sempre a verberar os políticos, que não caem do céu nem surgem por magia, podíamos antes questionar as escolhas dos eleitores portugueses. 

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quinta-feira, dezembro 13, 2018

E uma greve de chico-espertos?


Este ano a época natalícia confunde-se com a época grevista. Há dias, um noticiário começou falar das greves em curso e só aos vinte minutos é que mudou de assunto. Havia-as de enfermeiros, estivadores, guardas prisionais, oficiais de justiça, bombeiros, funcionários da RTP, transportes públicos (como não podia deixar de ser), etc, etc, etc. Para além desta vaga grevista toda ao mesmo tempo - depois da aprovação do Orçamento, note-se -  reparei que a maior parte era às sextas e segundas-feiras, e nalguns casos em dias de ponte. Caros grevistas, bem sei que esse é um direito que lhes assiste, mesmo que que por vezes abusem dele. Mas logo nesses dias? Isso já ultrapassa largamente a falta de vergonha. Para quando uma greve ao chico-espertismo?

sexta-feira, agosto 10, 2018

O Bloco imutável

Bem sei que o caso Robles já tem duas semanas, mas não queria deixar passar a nota. Se este fait divers provou alguma coisa  é que o BE não tem emenda. Não se ouviu um ligeiro arrependimento, uma postura ligeiramente mais humilde nas "explicações", um mínimo de respeito pela crítica. Houve a inevitável demissão, de acordo, mas ainda assim com uma rápida justificação de "opções privadas". Robles sai do cargo com a dignidade possível. Mas o triste papel a que se prestou o seu partido nos últimos dias mostra que ali nada mudou. Não, o BE responde contra as "mentiras e calúnias" com mensagens com escrita de SMS, provavelmente emitidas entre uma e outra sessão de "veganismo e antiespecismo" ou "a propriedade é um roubo" (este vem mesmo a propósito), algures no "espaço queer" do "acampamento da liberdade", refugia-se num hipotético decreto que vai trazer a salvação das almas, e chega mesmo a dizer, pelo profeta Louçã, que Ricardo Robles "combate a especulação", num movimento esquizofrénico que ora diz que não há ali nada de ilegal (até ver parece que não, mas a crítica nem é essa), ora protesta contra as zonas de Lisboa "onde podia morar gente e está reservada a turistas". O partido que usa a acusação de "hipocrisia" como arma de arremesso contra tudo e todos reage às provas da sua própria hipocrisia como se todos lhe devessem alguma coisa. Não aprenderam absolutamente nada de nada. O debate entre o Adolfo e uma embaraçada Mariana Mortágua revelou isso à saciedade. Por alguma razão João Semedo recebeu tantos elogios aquando da sua morte: era talvez o único daquela malta que sabia discutir e que não tratava os adversários políticos como seres menores. Agora ficámos reduzidos a ouvir o tonzinho de professores de moral da inefável Catarina Martins e do Prof. Rosas e as explicações apressadas do inatingível Robles, especulador nuns dias da semana e activista anti-especulação noutros.

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 (Imagem Público)

sexta-feira, julho 06, 2018

Maradona e o síndrome de impunidade dos artistas


Não há Campeonato do Mundo de Futebol que não traga estrelas das competições passadas. No que está a decorrer agora já pude ver o dinamarquês Schmeichel, o alemão Lotthar Matthaus, o brasileiro Ronaldo (o "Fenómeno") e os colombianos Higuita e Valderrama. E Maradona, claro. A fumar charuto em locais proibidos, a insultar adversários, a criticar opções dos treinadores ou a entrar em transe quando a Argentina marca um golo (ou a sofrer uma vertigem quando sofre outro), a estrela dos anos oitenta e campeão do México 86 está lá sempre.

Confesso que tenho pouca paciência para Maradona, para a impunidade dos seus actos e para a ideia que transmite de que pode fazer tudo e ainda assim é um injustiçado. Era o maior jogador do seu tempo, sim, e um dos maiores de sempre. Mas nunca vi Zidane ou Beckenbauer, tal como não via Eusébio e Cruyff, a fazer semelhantes figuras (Pélé é outro caso, diferente mas não necessariamente exemplar). Maradona critica tudo e todos, não raras vezes insultando, faz o que lhe dá na real gana, arma-se em entendido na matéria, quando como treinador se revelou um desastre, e para piorar as coisas ainda passa por moralista, quando as suas aventuras com a droga  - não esquecendo que no seu último Mundial acabou afastado por doping - não o aconselhariam. Para mais, não se exime a exprimir as suas ideias políticas, que passam por usar tatuagens de Che Guevara, tendo sido visita frequente de Fidel Castro, ou por oferecer os préstimos a Nicolás Maduro, participando em comícios do protoditador venezuelano ou oferecendo-se como "soldado da revolução bolivariana" para "libertar a Venezuela e combater o imperialismo", isso numa altura de fortíssima repressão do regime vigente, com visível desrespeito por pelo princípio da separação de poderes, e de uma crise económica generalizada. E como não podia deixar de ser há ainda as suas "opiniões" sobre a Guerra das Faklandsl/Malvinas, considerando que a Rainha Isabel II e o príncipe Carlos têm as mãos "tintas de sangue"; curiosamente, do tempo em que jogava, não se lhe conhecem grandes críticas à brutal junta militar que comandava a argentina e que deu origem ao conflito que seria o início do seu fim, e que só por isso haveria que dar elogios aos ingleses. Parece que finalmente Maradona culpou os militares pelo desastre dessa aventura. Foram precisos mais de trinta anos...

Tudo isso adorado por uma patética "igreja maradoniana", com ritos em tudo semelhantes aos da igreja católica mas colocando o nome do antigo craque no lugar dos santos, assim como em Nápoles o seu culto concorre com o de S. Gennaro. As declarações, imagens e situações descritas podem ser vistas no filme Maradona por Kusturica, em que o realizador sérvio faz uma hagiografia ligeiramente envenenada ao argentino, aproveitando para fazer uma crítica ao ocidente.

Toda esta bajulação não é muito diferente da que é feita a boa parte das gentes das artes e das letras, que por mais barbaridades que digam e façam têm sempre uma desculpa, ou no mínimo vêm os seus actos ou declarações sempre atenuados. Se compararmos com os políticos, verificamos que a tolerância para com os primeiros é sempre muito maior, ou, no mínimo, gera sempre menos indignação, esse sentimento tão comum hoje em dia. Nunca percebi bem porquê. Quanto maior é a notoriedade do artista, do escritor ou do desportista maior é a sua responsabilidade. E a ideia estapafúrdia de que um escritor tem de ser um exemplo moral, e que a sua vida reflecte as ideias contidas na sua obra é uma infantilidade que tarda em passar. É a velha discussão do valor da obra Vs a vida pessoal dos seus autores. Artistas há que criaram obras intemporais e magníficas mas que tiveram vidas a todo o título miseráveis. O mesmo se aplica aos vultos literários, e claro está, aos desportistas. Não percebo nada de psicologia, mas a falta de distinção entre obra e autor parece-me dos comportamentos mais irracionais que imaginar se possa. E no entanto é algo tão comum que quase parece natural. Talvez não valha a pena admirarmo-nos com os panos quentes que são passados nestes casos. Maradona poderá sempre proferir barbaridades enquanto fuma em locais interditos e se oferece como "soldado da revolução" que terá sempre um culto qualquer a louvá-lo. Desde que não nos proíbam de os criticar já não é mau.


quarta-feira, maio 16, 2018

O (fundo do) poço do Bruno



A pensar nesta história toda do Sporting, há uma coisa que me espanta mais que tudo (sim, haver hooligans que batem nos próprios jogadores é menos surpreendente, palavra de honra): se Bruno de Carvalho não está por trás dos ataques ao plantel, como é que se explica que um tipo que reage de forma incendiária e truculenta à mínima provocação de que é alvo possa dar tão pouca importância a isto, ao ponto de dizer disparates como "o crime faz parte do dia-a-dia"? Não lhe ouvimos dizer sobre os agressores o mesmo que disse de dirigentes desportivos rivais. Um líder deve acima de tudo defender os seus. Só que Bruno está-se borrifando para isso, e anda como sempre mais preocupado com o seu ego e com o seu poder entre as massas ululantes do que com a instituição que lidera e os que a servem. Já se conhecia a miséria moral da criatura, mas isto só mostra que o poço ainda é mais fundo do que se julgava.


E pensar que há quem o compare a Vale e Azevedo. Não repitam isso, por favor. É um insulto gratuito a Vale, que não o merece.


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domingo, outubro 08, 2017

Ainda as autárquicas - e os maoístas que recebem dinheiro do estado?


Ainda gostava de saber como é que um partido cujo líder nunca aparece e que escreve missivas ameaçadoras a insultar os adversários e a enaltecer o terrorismo islâmico, não raras vezes sob pseudónimos ridículos, que organiza congressos clandestinos, que nunca atende a chamadas telefónicas nem a toques de campainha na sede, que chama "traidores" a todos os adversários e que, sendo contra a democracia e clamando pela "revolução operária", recebe mais de 180 mil euros anuais de subvenção do estado, participa nas autárquicas sem que ninguém lhes pergunte nada. Não haveria nenhum jornalista que perguntasse aos candidatos do MRPP o porquê de Arnaldo Matos se esconder, quais os seus propósitos para as autarquia, e já agora, o que era feito de tal subvenção que pelos vistos coincidiu com a tomada do poder do partido por dementes?

sexta-feira, agosto 04, 2017

Técnicas de combate ao turismo


Não aprecio lá muito ver hordas com o uniforme de turista tão evidente (calções, mochila de variado tipo, boné de pala e um mapa que não sabem ler nas mãos), ou a entrar de chanatas no Café Majestic. Mas não deixa de ser curioso que, praticamente no mesmo dia em que se lançam grandes debate sobre a "turistificação em excesso", as formas de restringir ou mesmo de combater o turismo (até de forma violenta), surja também a notícia de restaurantes que exploram os turistas mais incautos a preços abjectos. Afinal quem é que prejudica quem? Grande falta de sentido de oportunidade, no mínimo.

terça-feira, março 14, 2017

O descaramento do pequeno sultão


O sr. Erdogan, que tenta a difícil combinação de sultão com Ataturk, mandou prender recentemente milhares de militares, professores, magistrados e outros cargos supostamente mancomunados com o ex-aliado e actual pior inimigo Gullen, está com ideias de restaurar a pena de morte, persegue os curdos a ponto de poupar o DAESH e procura reforçar ainda mais os seus poderes através de um referendo próximo. Munido deste historial democrático, e para garantir mais votos, encarregou os seus ministros de fazerem uma digressão de propaganda pela Europa para participarem em comícios com as numerosas comunidades turcas que vivem na Alemanha e na Holanda. Como se sabe, os enviados governamentais foram impedidos pelas autoridades locais de fazerem campanhas em países que não o seu próprio, o que levou a veementes protestos por parte da Turquia e a que o próprio presidente apelidasse os holandeses de "racistas", "nazis", "covardes", etc, ao mesmo tempo que exigia pedidos de desculpa e que pedia sanções contra a Holanda. Entretanto, manifestantes turcos protestaram nas ruas de Amsterdão e Roterdão, antes de serem escorraçados pela polícia, o que serviu para novas ameaças de Erdogan.

Um absurdo próprio da época em que vivemos, bem ilustrativo dos já tão famosos "factos alternativos": um presidente prepotente e autoritário, com historial duvidoso no que ao respeito pelas liberdades fundamentais diz respeito, a insultar e ameaçar um país com uma democracia sólida e que se limitou a fazer cumprir as suas regras de forma exemplar (sem precisar de populistas como o sr. Wilders). Para mais, sabe-se que na Turquia não são permitidos comícios políticos feitos por emissários estrangeiros, e que os partidos curdos têm passado por inúmeras dificuldades sob a bota de Erdogan e dos seus sucessivos governos. De resto, um regime que permitiu deliberadamente que o DAESH entrasse nas suas próprias fronteiras a chamar "terroristas" à Alemanha e à Holanda, ou que chama indiscriminadamente "nazis" quanto perpetrou o primeiro genocídio do séc. XX sem que o tenha até agora reconhecido é o cúmulo dos cúmulos do descaramento. Definitivamente, Erdogan julga-se um novo sultão otomano, até na forma como ameaça a Europa ou se permite fazer propaganda agressiva nas ruas  de outros países. Esperemos que não haja Lepantos, cercos a capitais e outras coisas que julgávamos próprias de séculos passados. E os sultões de outrora eram certamente mais diplomáticos do que esta cópia barata.

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domingo, setembro 18, 2016

Saraivadas e coelhices

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Ao longo dos anos fui antipatizando mais e mais com José António Saraiva e o seu narcisismo patético, a achar-se o cronista mais influente da sua era, com as suas pequenas estupidezes (como chamar "portistas" aos portuenses), a sua pretensa superioridade em relação a qualquer crítica ("a coluna mais influente e mais atacada da imprensa portuguesa") e o seu cinismo entediante. Mas nunca pensei que o homem que afirmou estar certo de que um dia ganharia o Nobel da Literatura descesse tão baixo, publicando um livro sobre a vida íntima dos políticos que conheceu, ou seja, revelando conversas privadas e devassando a vida alheia, nalguns casos de pessoas que já morreram.
 
Pior só mesmo um líder da oposição, ex-Primeiro Ministro e candidato a voltar ao cargo, que se dispõe a apresentar uma pasquinada semelhante. Passos Coelho terá ficado louco? Os seus assessores são mentecaptos ou prepararam um golpe partidário interno? Ou já viu que não vai lá e arranjou um pretexto para sair da liderança do PSD? É que se apresentar mesmo tal "obra", a credibilidade de Passos cai por terra. Contabilizados os estragos, mais vale desistir a tempo.

PS: e desistiu, tarde mas ainda a tempo. a imagem não ficou lá muito bem cuidada, o seu discernimento menos ainda, mas antes isso do que a imagem constrangedora do que seria se se dispusesse a apadrinhar o livro.

quarta-feira, junho 29, 2016

Um parasita descarado


Jean-Claude Juncker pode errar em imensas coisas e ser um rosto da euroburocracia. Mas é também o líder executivo da União Europeia e portanto seu guardião. A forma como se dirigiu a Nigel Farage em pleno Parlamento Europeu tem sido muito criticada por aparentemente demonstrar "arrogância" e outros pecados inomináveis. Já sabemos como Juncker não goza, nos dias que correm, de grande popularidade. Mas a verdade é que se limitou a responder a um provocador oportunista, xenófobo e insultuoso, que ataca a União Europeia e pretende a sua destruição, e no entanto há dezassete anos que é deputado no Parlamento Europeu, vivendo à custa dos que e das práticas que critica. Um parasita, portanto, descaradamente hipócrita. Nem é nenhuma novidade: este é o homem que depois da desilusão das eleições de 2015, anunciou a retirada da liderança do UKIP, para logo a seguir voltar atrás.
Juncker perguntou-lhe o que fazia ali e disse-lhe que era a última vez que ouvia os seus aplausos. Pena que não o tenha posto fora a pontapé. Um tipo que vive à custa dos que quer destruir merecia no mínimo isso. Não é sequer um Cavalo de Tróia ou uma quinta coluna: é um parasita puro e simples, que já que não tem a dignidade de renunciar ao lugar, merecia ser escorraçado, tal como ele gostaria de fazer aos refugiados que fogem das guerras e que nunca na vida imaginaram sequer o que é o salário de um deputado europeu.


quarta-feira, maio 18, 2016

O fim anunciado do PDR


A detenção de um dos dirigentes principais do PDR seria para rir se não envolvesse a suspeita de um homicídio. É o último caso (e seguramente o mais grave) a envolver aquela formação que mais parece uma seita evangélica feita à pressa, com o seu "bispo" tronitruante. O Partido Democrático Republicano começou, como se sabe, com a saída de Marinho "e" Pinto do Partido da Terra onde queria impôr a sua vontade demagógica, para formar "o seu" partido, convencendo pelo caminho algumas pessoas estimáveis, como Eurico de Figueiredo e Fernando Condesso. Mas as polémicas já tinham surgido, com as críticas ao salário dos eurodeputados, quando o próprio Marinho, que já fora o primeiro Bastonário da Ordem dos Advogados a ser remunerado, não renunciou a esse mesmo salário porque segundo o próprio tinha uma filha a estudar fora. Não demorou muito tempo até que Eurico de Figueiredo (que depois voltou ao MPT, como aqui se relatou), batesse com a porta, com graves acusações ao líder do PDR. Na campanha eleitoral para as legislativas, Marinho "e" Pinto voltou às denúncias à corrupção e aos "luxos dos políticos", sempre auferindo do salário de deputado ao europeu, onde os relatórios indicavam que era dos menos activos. Depois das eleições, em que não elegeu um único lugar, o balão do PDR começou a esvaziar. Há tempos, as notícias diziam que havia uma debandada geral do partido, incluindo Fernando Condesso e Sousa e Castro, mas Marinho afirmava estar meramente a "reflectir e a reorganizar o partido". A reorganização não correu bem, até porque um dos detidos de Braga se tinha alçado a um dos lugares principais do PDR. O próximo passo é, espera-se, a extinção deste ridículo partido unipessoal que conseguiu um rumo ainda mais meteórico que o do PRD de Eanes. Até porque assim poupavam-se ao estado os 170 mil euros de subvenção estadual, o único proveito que esta coisa conseguiu ganhar nas eleições.

sexta-feira, abril 01, 2016

Brasil, oportunismos e soundbytes


A trapalhada institucional, judicial e político-partidária que se está a passar no Brasil mostra bem até que ponto se leva a hipocrisia ao extremo para se alcançar o poder. Ou para o defender. Cá e lá.

O PMBD, partido que sustentava a maioria no congresso, resolveu retirar o apoio ao governo de Dilma Roussef e abriu caminho para a aprovação de um eventual impedimento (vulgo impeachment), que destituiria a presidente do seu lugar e que colocaria no seu lugar o vice-presidente, Michael Temer...que é o próprio presidente do PMBD. Para a vice-presidência, iria o presidente da câmara de deputados, Eduardo Cunha, que seria substituído pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Todos membros da cúpula do PMBD e todos implicados nas investigações da operação Lava Jato e por diversos casos de corrupção. O PMBD é, aliás, o maior covil de baixa política e casos obscuros, num sistema partidário onde por si só isso já abunda. O herdeiro do antigo MBD - o movimento que agregava os opositores à ditadura militar que vigorou entre 1964 e o início dos anos 80 contra o partido do regime, a ARENA, no sistema bi-partidário então existente - já gozou de um mínimo de respeitabilidade e já teve figuras de relevo. Actualmente é a maior formação parlamentar, tanto no congresso dos deputados como no senado, e tem uma fortíssima implantação local, com inúmeras prefeituras e governos estaduais, assentes num vasto caciquismo. À imagem de outros congéneres sul-americanos é um partido "pega-tudo" do centrão, de fraca ideologia, com o objectivo único do poder, que nunca tem candidato próprio à presidência do Brasil e que se alia ora a um ora a outro para garantir a manutenção do seu próprio poder. Já esteve com Fernando Henrique Cardoso, depois com Lula e Dilma, e provavelmente apoiará quem estiver na calha para a presidência. Agora rompeu com o PT, alegando as suspeitas do caso Lava-Jato, quando os seus dirigentes são exactamente os mais implicados. Terão uma oportunidade de se guindar ao poder e assim obter a imunidade necessária para escapar às acusações. Tudo gente honesta e altruísta, como se vê.


Por cá temos os nosso velhos conhecidos PCP e Bloco de Esquerda a protestar contra o "golpe" supostamente urdido pela "direita". Se os bloquistas ainda criticam a nomeação de Lula para o seu novo cargo (de forma a protegê-lo de investidas judiciais) e as jogadas do PT, o PCP nem isto admite e reafirma mesmo que o "golpe" tem por trás a mão da CIA. O radicalismo ideológico leva a picos de ridículo como estes, mas do PC, que continua a viver numa qualquer dimensão temporal pré-1989, tudo se espera. O "impeachment" pode ser uma jogada política eticamente reprovável e obscura, combinada por movimento políticos sem a menor moral para o fazer, mas a sua legalidade só poderá ser observada pela comissão de deputados, e portanto, poderá ser um acto absolutamente legal. A teoria do "golpe", e ainda mais patético, as teorias de que a CIA estaria por trás ou que se prepararia um golpe a sério promovido pelas forças armadas, podem parecer delirantes, mas o soundbyte que fica no ouvido é das armas mais utilizadas pelas nossas sociedades altamente dependentes da tecnologia e da informação ao segundo. Vermos dois partidos que apoiam um governo constituído por um partido que perdeu as eleições e que volta e meia dizem que "a direita está raivosa e ressabiada" porque "o governo é constitucionalmente legítimo" estarem agora com a conversa do "golpe" mostra até que ponto este assunto os deixa ainda mais raivosos e ressabiados, como se as manobras políticas ao abrigo de regras formais só fossem admissíveis para um espectro político.

Eis a hipocrisia política no seu estado mais descarado com a mesma disputa como fundo. Cá e lá.

sábado, novembro 21, 2015

A fúria dos fracturantes (e onde param os democratas-cristão no PS)?




As esquerdas inauguraram com estrondo as questões fracturantes da nova legislatura, aprovando a adopção para casais do mesmo sexo, novas regras para a procriação medicamente assistida (que poderá incluir no futuro as célebres "barrigas de aluguer"), e claro, a revogação das alterações à lei do aborto (ou IVG, em linguagem assepticamente correcta). Se a primeira me deixa dúvidas, pelo conceito de família que introduz e à rapidez da discussão, e a segunda me deixa muitíssimas dúvidas (por me parecer mais uma forma de fabricar seres humanos, muito para além do normal tratamento à infertilidade), a última não me deixa nenhumas: trata-se de uma reviravolta ressabiada, para vincar a "união da esquerda", com um espantoso ódio à mistura, e que nem ao menos se lembra que surgiu por iniciativa cidadã. A conversa da "dignidade da mulher", do "só as mulheres decidem sobre o seu corpo", é sempre a mesma, sem nunca, mas mesmo nunca, referir que o que está em jogo está muito para além da disposição do próprio corpo. Fosse apenas isso e ninguém discutiria. Ainda por cima, a palavra que mais bradam é a da "hipocrisia", quando a hipocrisia suprema é a de virem falar minutos depois no "superior interesse das crianças". Ou seja, nos referendos do aborto diziam-nos que tudo seria feito com racionalidade, que ninguém era a favor do aborto, que era só para não punir as mulheres que o faziam ou para evitar o aborto clandestino, blá, blá, blá, e defendem agora regras que claramente promovem o aborto. Falarem ao mesmo tempo no "supremo interesse da criança" é um insulto à inteligência das pessoas. Fica a pergunta: que é que dizem a isto os democratas-cristãos Freitas do Amaral e Basílio Horta, que ainda bem recentemente afirmavam que a democracia-cristã se sentia muito bem no PS?

O facto de ainda não haver governo efectivo e de estas propostas já terem sido lançadas e votadas revela que a pressa em fazer valer o factor ideológico e fracturante era muito, e o desejo de ajustar contas também. Mas agora que estão esgotadas as questões fracturantes (ou segue-se algo pior?), onde é que as esquerdas vão arranjar agora factores de união?

quinta-feira, maio 07, 2015

Perderam a cabeça ou querem perder de propósito?



Dá ideia que um vento de loucura percorreu a cúpula do PSD. Quando vi o vídeo com os elogios de Pedro Passos Coelho a Dias Loureiro, em Aguiar da Beira, pareceu-me um acesso de estupidez dificilmente ultrapassável. Quem é que dispararia um tiro de canhão no pé daqueles? Paulo Portas devia estar a trepar pelas paredes.
Com a publicação da biografia política de Passos, a desenterrar o caso "irrevogável" e a fazer o possível por deixar Portas mal na fotografia, uma escassa semana depois da oficialização da coligação PSD-CDS, a suspeita passa a ser a de loucura total. Ou é uma brincadeira de muito mau gosto no pior timing possível, ou é propositado, e nesse caso há que saber as razões. Não falamos de um movimento com aspirações à representação parlamentar: é a coligação dos dois partidos que estão no poder a ser posta em causa pelo actual primeiro-ministro.


Como diz um dirigente do CDS, "só se for para garantir que a coligação está coesa e motivada". Ou, como se sussurra, parece que querem perder as eleições. Pelo menos parecem fazer tudo para isso, sem grandes camuflagens. Se fosse de propósito, não fariam melhor Como é que se pode confiar num chefe de governo assim?

quarta-feira, novembro 19, 2014

Nem tudo o que luz


Para lá da demissão de Miguel Macedo do seu cargo de Ministro da Administração Interna (aliás um dos mais competentes deste Governo), começou-se finalmente a falar a sério da questão dos vistos gold e de tudo o que eles acarretam, de bom e de mau (principalmente). É que se se trata de atribuir nacionalidade a quem dá mais dinheiro, como uma espécie de brinde pela compra de imóveis, e assim dar também alguma dinâmica ao retraído mercado imobiliário, não estaremos muito longe das vendas de indulgências aos mais ricos, que provocaram a Reforma protestante, além de que, como já várias pessoas lembraram, é de uma incrível falta de vergonha se comparados com os refugiados que esperam anos, muitas vezes em vão, para adquirir a nacionalidade de um país europeu (sem falar nos filhos desses refugiados ou emigrantes, que nem o facto de nascerem na europa, muitas vezes, lhes dá um passaporte). É mais um caso em que o utilitarismo puro - a atribuição de um passaporte em troca de dinheiro (para lavagem?) e um imóvel - supera qualquer senso moral. Nem tudo o que luz é gold, e neste caso há muito pouca luz a incidir sobre ele.