quarta-feira, maio 19, 2021
Gente sem condições
quarta-feira, novembro 21, 2018
O inclusivo

sexta-feira, agosto 10, 2018
O Bloco imutável

segunda-feira, julho 16, 2018
Os Verdes do Bloco

domingo, dezembro 04, 2016
O Bloco e a birrinha anti-monárquica
segunda-feira, dezembro 15, 2014
As razões da queda do Bloco
domingo, novembro 18, 2012
O futuro do Bloco de Esquerda
Desde o tombo das Legislativas de 2011 que o Bloco de Esquerda parece vir a quebrar-se. As coisas já não estavam muito sólidas depois do apoio a Alegre nas últimas presidenciais, com os resultados que se conhecem, e da recusa em encontrar-se com o trio de fiscais internacionais, vulgo Troika, mas verdadeiramente a pressão só veio acima com o desaire eleitoral. A queda abrupta e o encolhimento do grupo parlamentar (em especial a não eleição de José Manuel Pureza, que nem sequer era inesperada) ditaram a contestação inédita que a direcção do movimento, e em especial o seu "coordenador" Louçã, sofreram posteriormente. Se os apelos à responsabilização pelos resultados e até para o afastamento já se sucediam, o caso de Rui Tavares, que bateu com a porta em litígio com Louçã, entre acusações de mentiras e falsidades, contribuiu ainda mais para o transbordamento do copo. Seguiram-se as eleições na Madeira, em que o Bloco conseguiu ser o único partido a não eleger um deputado regional (!), e mais recentemente nos Açores, em que ficou com apenas um lugar. No último Verão houve notícias, a propósito da sucessão de Louçã, de querelas e troca de acusações entre o "coordenador" cessante e Daniel Oliveira, e a facção mais radical, correspondente à FER de Gil Garcia, optou por abandonar o Bloco para constituir o MAS. Muitos problemas num espaço de tempo curto para uma formação que teve uma ascensão relativamente rápida e segura, mas que parece estar sem frescura muito por força da insistência nos "temas fracturantes" e que parece não estar a conseguir capitalizar o descontentamente com o Governo.
É sabido que o Bloco é uma aglutinação heterogénea de formações de esquerda radical que decidiram em fins dos anos noventa que a união faria a sua força. Os trotsquistas do PSR juntaram-se então aos maoístas da UDP e aos ex-MDPs e ex-comunistas (por sua vez vindos da Plataforma de Esquerda) do Política XXI, aglutinaram o grupúsculo FER, e formaram o Bloco. Esta miscelânea, com vários líderes mas representada por Louçã, o mais conhecido e de discurso mais eficaz, conseguiu não só aguentar-se como subiu ao longo dos anos nos lugares do Parlamento, e acima de tudo no mediatismo. Não há ninguém no país que não conheça o Bloco, os tiques de Louçã e a sua agenda fracturante, mesmo que no domínio da caricatura.
Apesar desta ascensão, que desmentiu quem achava que o movimento seria um PRD de esquerda, com uma carreira efémera, também havia quem previsse há algum tempo que o radicalismo afastaria algum capital de simpatia e que com o esgotamento da agenda fracturante aceite pelo grande público - porque a certa altura muito poucos estarão dispostos a aceitar mais pretensos "avanços civilizacionais" - o Bloco perderia peso e reduzir-se-ia ao plano da caricatura. Não sendo esse o caso, o facto é que não se sabe qual o melhor caminho. Miguel Portas, uma das mais populares e lúcidas figuras do Bloco, desapareceu há meses, não sem que antes apelasse à renovação dos quadros dirigentes primordiais. Fernando rosas percebeu isso mesmo e afastou-se, Louçã preferiu manter-se no cargo até agora, antes de ceder o lugar à nova liderança bicéfala (ou "paritária", como preferem dizer), não sem antes se despedir da "coordenação" e do Parlamento com a populista tirada sobre a "caridadezinha", num exercício de demagogia que desgraçadamente sempre o acompanhou, apesar de toda a sua preparação e inteligência.
O novo modelo de liderança do Bloco é claramente inspirado pelo dos Verdes alemães, que começou como um movimento radical até à actual institucionalização quase ao centro, dando ideia que há uma vontade de evoluir para uma maior moderação de forma a poder no futuro suportar um governo com o PS. Ainda assim, o novo tipo de liderança terá as suas desvantagens, desde logo na dificuldade em escolher um rosto que represente o partido (nos debates entre lideranças, por exemplo). João Semedo tem uma imagem de competência e moderação que contrasta claramente com a de Louçã, conseguindo ao mesmo tempo não ser uma figura apagada ou cinzenta, mas Catarina Martins, além de não grandemente conhecida, representa a influência da facção UDP, o que não abona a favor da moderação desejada por muitos. Luís Fazenda, o outro fundador que resta no Parlamento (e precisamente o líder de facto do grupo da UDP), não tem claramente popularidade nem boa aceitação junto de um público menos dado a radicalismos, como se provou no falhanço da sua candidatura à câmara de Lisboa. Com um deputado equilibrado na liderança, mas dividindo-a com uma co-coordenadora oriunda de um sector mais radical, a saída de personalidades prestigiadas e influentes na opinião pública, uma renovação de quadros geradora de muitas dúvidas e a necessidade de disputa do terreno com o PCP e alguns sectores do PS, resta saber se o Bloco caminhará para uma maior moderação de forma a apoiar um futuro governo do PS ou se permanecerá nas suas trincheiras radicais e contestatárias inconsequentes. Pode obter dividendos mas também pode perder: na primeira hipótese, a de uma parte ser engolida pelo PS e outra pelo PCP; na segunda, a de estagnar e definhar, caindo na irrelevância. São caminhos sempre arriscados, mesmo num cenário que lhe é favorável, que a dupla Semedo/Martins terá de trilhar na obrigação de não esconder o que realmente pretende.
segunda-feira, junho 28, 2010
sexta-feira, junho 04, 2010
O TGV também se pinta de vermelho

quarta-feira, outubro 07, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

(Imagem tirada daqui)
terça-feira, agosto 04, 2009

Parece-me que Amaral Dias consegue sair desta historieta sem grandes beliscaduras, embora seja o cerne da questão. Se desta vez não ingressou como candidata rosa, há de acabar fatalmente no PS, probabilidade séria desde que foi mandatária da juventude de Soares. Sócrates também escapa entre os pingos da chuva, porque não parece que a ideia tenha vindo dele. Piores na imagem ficam mesmo Louçã e o até agora discreto secretário de estado. O primeiro porque não soube respeitar assunto alheio e utilizou-o para representar o habitual papel de moralista sem podres, fazendo uma triste figura. E Paulo Campos porque sai como o jogral de serviço, que fala de supostos contactos com uma "amiga" que afinal só viu uma vez, se desmente e se vê de novo desmentido pela "convidada" em directo no noticiário. Sobretudo aquela expressão "contactos íntimos e privados", acompanhada de um sorrisinho entre o cândido e o sarcástico de Joana Amaral Dias, deu-lhe uma imagem patética de tentativa D. Juan instrumental (sem sucesso notório) ao serviço da causa rosa.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Na última convenção, Loução apelou a uma nova economia "socialista e anti-capitalista", o que significa que o discurso pode estar a radicalizar-se. Mas apelou igualmente a alianças como "movimentos de cidadãos", numa clara colagem ao MIC de Alegre e Roseta. À primeira vista parece uma inocente abordagem a independentes, mas numa altura destas, com perspectivas de crescimento nas sondagens, percebe-se a verdadeira ideia: a de ganhar mais votos aqui e ali (Sá Fernandes era outro exemplo, mas já lhes fugiu), a de conseguir o poder com as coligações que precisar, aproveitando o descontentamento e as divisões no PS. No fundo, a ideia de rejuvenescimento político do BE está a esgotar-se, e fica a clara sensação de um partido como os outros, que busca poder. Outra forma de o camuflar é haver um "coordenador" e dizer que não há líderes, como se Louçã não o fosse há anos. Nisso e em muitas outras coisas, parece-se com Paulo Portas. A sede de protagonismo e poder é outra característica, demasiado visível para se mascarar. Pode ser é que quando a situação económica e social, dê o seu tombo, quanto mais não seja por saturação.

