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terça-feira, maio 11, 2021

O Sporting de Amorim e Varandas

 

E confirmado o titúlo de campeão, resta dar os parabéns ao Sporting. São justíssimos vencedores, com uma equipa de miúdos e um ou outro jogador experiente, treinados por um também novíssimo Rubén Amorim (é só a parte que me custa, um confesso benfiquista levar o Sporting ao título) que, com mais ou menos dificuldades conseguiram fazer dos lagartos novamente campeões ao fim da maior seca de sempre - 19 anos.

É também uma bofetada desportiva nos Pintos, nos Vieiras e nos Salvadores, nos Conceições e Jesus e em todos os que se achavam donos do futebol, e last but not least, nos Brunos de Carvalho e nos seguidores que ainda tem, os mesmos que agora andam a comemorar despoletando confrontos e pancadaria, a ralé brunista da invasão ao centro de estágios. É bom não esquecer que Bruno de Carvalho é que era o modelo de "líder", o "vencedor", o que ia fazer do Sporting campeão...E afinal de contas o seu sucessor e opositor, Frederico Varandas (o Dr. Watson português, já que como o fiel assistente de Sherlock Holmes também tem o posto de capitão e esteve em missão no Afeganistão como médico do exército) recolheu os cacos, teve de montar nova equipa, apostou com grande risco em Amorim e agora colhe os louros. Uma grande lição de como se pode ser vencedor sem andar com discursos incendiários, bravatas ou truques baixos, e, espero eu, com seguidores no futebol português.

PS: só tive pena que o Sporting se tenha sagrado campeão vencendo o Boavista, que ganhou o seu único título de campeão há exactamente vinte anos, em 2001 (isto da passagem do tempo...) e que agora está numa situação periclitante no campeonato. Espero que os do Bessa se aguentem.

quarta-feira, maio 16, 2018

O (fundo do) poço do Bruno



A pensar nesta história toda do Sporting, há uma coisa que me espanta mais que tudo (sim, haver hooligans que batem nos próprios jogadores é menos surpreendente, palavra de honra): se Bruno de Carvalho não está por trás dos ataques ao plantel, como é que se explica que um tipo que reage de forma incendiária e truculenta à mínima provocação de que é alvo possa dar tão pouca importância a isto, ao ponto de dizer disparates como "o crime faz parte do dia-a-dia"? Não lhe ouvimos dizer sobre os agressores o mesmo que disse de dirigentes desportivos rivais. Um líder deve acima de tudo defender os seus. Só que Bruno está-se borrifando para isso, e anda como sempre mais preocupado com o seu ego e com o seu poder entre as massas ululantes do que com a instituição que lidera e os que a servem. Já se conhecia a miséria moral da criatura, mas isto só mostra que o poço ainda é mais fundo do que se julgava.


E pensar que há quem o compare a Vale e Azevedo. Não repitam isso, por favor. É um insulto gratuito a Vale, que não o merece.


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segunda-feira, dezembro 12, 2016

Pós-derby


E pronto, o fantástico JJ  lá voltou a perder na Luz (já não acontecia aí desde 2012). Até acho que o resultado mais justo depois de um jogo tão intenso seria um 2-2, com as diversas oportunidades do Sporting e o retraimento do Benfica, mas tudo o que enterre os planos do inenarrável Bruno de Carvalho merece a minha concordância.

Entretanto, parece que anda tudo furibundo com a arbitragem porque ficou um penalty (há quem diga dois) por assinalar contra o Benfica. Pois ficou, mas no ano passado, nos TRÊS jogos em que o Sporting nos venceu, ficaram sempre outros tantos por marcar a favor do Benfica (num deles até partiram o braço ao Luisão). Não se lembram? É natural, não andamos a choramingar esses erros pelo campeonato fora. Mas quando algo do género acontece ao Sporting, é um sem fi de acusações, recriminações, queixas e comunicados.

A vitória recoloca o Benfica a distância segura na frente e redime a semana anterior, ainda que o nível exibicional precise de melhorar - rodando mais a equipa com jogadores que precisam de ritmo, por exemplo. Já o Sporting, pelo contrário, teve a sua semana horribilis: saída definitiva das competições europeias, arquivamento pela UEFA da queixa dos vouchers contra o Benfica, derrota no derby, e até a equipa B perdeu contra a do Porto. Não admira: o Natal está quase aí. E há certas tradições que dificilmente mudam.


Ah, e há outras coisas que merecem ser vistas. As bancadas também o outro espectáculo, fora do relvado. É também disto que os clubes constroem a sua mística.

domingo, dezembro 11, 2016

Derby

 
Diz a vox populi,, não sei baseado em que mito futebolístico, que ganha o derby entre Benfica e Sporting a equipa que estiver pior. É difícil dizer qual das duas está em pior forma: depois de duas derrotas seguidas, uma num terreno onde normalmente vence e outra em casa, com uma boa mas não fantástica equipa, mostrando debilidades defensivas preocupantes, o Benfica apanha o Sporting numa altura delicada. Mas o adversário também deixa dúvidas: derrotado na Polónia pela pior defesa da Liga dos Campeões, arredado das competições europeias (de propósito?), e desgastado por uma noite no frio de Varsóvia e menos um dia de descanso que o Benfica, o Sporting também não está numa forma invejável. Por isso, qualquer previsão é temerária. Só desejo que Rui Vitória troque Luisão por Lisandro e Salvio por Rafa (ou Carrillo, que pode estar com pica por defrontar a antiga entidade patronal), para que as probabilidades de as coisas correrem melhor aumentarem. O resto é esperar que seja um bom e empolgante jogo, e que Bruno de Carvalho não fique satisfeito.  
 
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terça-feira, novembro 24, 2015

Azelhice, infelicidade e prejuízos alheios no Benfica



A derrota (mais uma) com o Sporting no último fim de semana, que teve o efeito de afastar o Benfica da Taça, reduzindo a sua luta a pouco mais que a Liga dos Campeões (e a uma classificação digna no campeonato), terá colocado Rui Vitória mais perto do risco? Talvez, e as contendas que se avizinham - o relvado sintético na longínqua e gelada Astana e o confronto em Braga - são tudo menos fáceis. As ausências de Luisão, Salvio e Semedo, e amanhã, de Gaitan, são baixas profundas num plantel que já de si é curto. Mas a verdade é que já lá vão três jogos com o Sporting em que são perdoados penaltys aos "lagartos", acrescendo as agressões do argelino de serviço, sempre impune. Neste campeonato, os sportinguistas já beneficiaram de vários penaltys e julgo que terão sofrido um. Entretanto, Jaime Soares, ex autarca de Vila Nova de Poiares durante 39 anos, em que se entretinha a insultar os adversários políticos e os antecessores, e presidente da Assembleia Geral do Sporting, i.e., alguém que entrou com a direcção de Bruno de Carvalho, especialista em enviar "comunicados" e em cortar relações quando as arbitragens não lhe agradam (mesmo quando lhe são favoráveis), e que ultimamente se empenhou  numa campanha negra contra o Benfica, acusa os benfiquistas de estarem a ser "primários" nas suas queixas e de terem "mau perder". Vindo de um capacho do mais primário dos presidentes de clubes de futebol, Soares sabe certamente do que fala. Espero voltar a ver mais do enorme fair-play que costumam demonstrar quando o Sporting for prejudicado numa qualquer competição, que pelo andar da carruagem, não há de ser no campeonato. As queixas e as pressões constantes fazem mesmo milagres nos homens do apito. Vem nos livros.
Quanto a Vitória, tem mesmo de mostrar o que vale. E isso não se pode limitar a revelar juníores com algum talento. Contrataram-no para isso, é certo, mas também para algo mais. Exigem-se resultados, se possível, algum fio de jogo, e saber porque raio Cristante e Djuricic não têm mais oportunidades.
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domingo, junho 07, 2015

A saída de Jesus



Alguns dias depois do rebentamento da "bomba" e dos efeitos do choque inicial, acho que já se pode opinar com alguma propriedade sobre o caso da transferência de Jorge Jesus.

No início, chocou-me que o homem que tinha assumido a missão de conduzir o Benfica nos últimos anos saísse assim de chofre para o principal rival local. Depois, vindas à superfície as histórias sobre o seu pai e o desejo de o ver a treinar o Sporting, as ligações do passado, o contrato no fim e a vontade de Luís Filipe vieira em mudar a política desportiva e financeira do clube, apostando mais na formação e reduzindo gastos, percebi-o, apesar da mágoa. E por fim, quando soube os contornos das negociações, a vontade de que JJ fosse para o estrangeiro, as tentativas de Vieira em contactá-lo com ideia de manter o salário, e o acordo que Jesus estabeleceu com o Sporting antes de qualquer resposta ao presidente do Benfica, voltei a rogar-lhe pragas: o homem que quando perdeu tudo para o Benfica tinha recebido a confiança do seu presidente contra a opinião de tudo e todos (incluindo a minha, claro), e que além do mais fora remunerado como nenhum outro em Portugal e a quem tinham dado condições excepcionais, traiu a confiança desse mesmo presidente pela calada, sem dizer água vai. Se tivesse anunciado que tinha resolvido aceitar o convite do Sporting antes de passar as coisas para o papel, compreendia-se, apesar de tudo. Assim, a única coisa que fica é uma "facada" nas costas ao homem que o tinha defendido e lhe proporcionou tudo o que ele pediu.


A partida pode fazer rir muita gente e levar outros tantos a dizer que "Bruno de Carvalho vibrou o golpe do século ao Benfica". Também Sousa Cintra tinha feito o mesmo no Verão quente de 1993, lembram-se? De um golpe, levou Paulo Sousa e Pacheco e quase fazia o mesmo a outros como João Pinto. Ao Benfica, já em tremenda crise financeira, previa-se a catástrofe. Ao Sporting, a glória. E afinal, a catástrofe cairia em cima destes últimos com a goleada tremendíssima que sofreram em casa, no mais decisivo dos derbys, com João Pinto como pesadelo máximo dos sportinguistas e a entrar na história do Benfica (e do jornalismo desportivo, porque A Bola, excepcionalmente, deu-lhe nota 10). Curioso notar que o Benfica começaria o seu período negro meses depois ao trocar Toni por Artur Jorge, também considerado "o mais conceituado" técnico português de então. Viu-se.



Tenho as maiores dúvidas que Jesus consiga no Sporting os êxitos que obteve no Benfica. Parece que já todos esqueceram os fracassos, particularmente entre 2010 e 2013, a incapacidade de passar mais do que uma vez em quatro a fase de grupos da Liga dos Campeões, a quantidade de jogadores que teve ao seu dispor e os que passaram sem deixar rasto. Como se o treinador, sozinho, fosse o responsável único por tudo o que de bom aconteceu ao Benfica na última meia dúzia de anos. Depois, a personalidade ditatorialzinha do inenarrável Bruno de Carvalho deixa muito a desejar naquilo que serão as relações com Jesus. Quase que dá para rir imaginar um diálogo (ou uma discussão) entre os dois. Acresce que, sabe-se agora, em caso de despedimento o Sporting terá de pagar integralmente o salário a Jesus. Estarão os grupos suportados por Álvaro Sobrinho e pela Guiné Equatorial dispostos a tanto? E a financiar novas aquisições do Sporting, que com a saída de Nani, bem precisará delas?


Do despedimento de Marco Silva e da respectiva "justa causa", já quase tudo se disse. Uma atitude rasteira, ridiculamente argumentada (aquela de não usar o fato oficial do Sporting com os patrocínios só mesmo para crédulos ou gente sem coluna vertebral), típica de Bruno de Carvalho, que aliás, ainda há meses desmentia toda e qualquer conflito com o treinador e dizia o pior possível de Jorge Jesus.


Do novo treinador no Benfica, há muitos que querem Marco Silva e poucos a quererem o mais provável Rui Vitória. Pertenço a essa minoria, como deixei vincado há dois anos, e parece-me que o ainda técnico do Vitória de Guimarães não vai deixar o Benfica mal servido (para quem acha que não tem "currículo", sugiro que vá ver o de Jesus antes de chegar à Luz). O único receio é que Marco Silva vá parar ao Porto, onde teria inegável êxito. O que eu desejo é sucesso ao próximo treinador do Benfica. Quanto a Jesus, espero que no dia 9 de Agosto comece a sofrer na pele a sua mudança. Desejo que ganhe talvez uma Taça de Portugal, para não ficar assim tão abaixo de Marco Silva, e voltar a homenagear a sua família. E tão só. A sua passagem pelo Benfica é agora passado. E para os que queriam que fosse o Fergusson do Benfica, olhem para o que tem sido a vida do Manchester United desde que o treinador escocês deixou uma vazio difícil de preencher nos mancunians. Provavelmente seria mesma a altura certa para Jesus sair.


Ps: seja como for, aquela ideia de tirar já a imagem de Jorge Jesus do resto da equipa, na megastore do Benfica, parece-me muito infeliz. Não será exactamente estalinismo, mas...

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

O ponto final


Já ouvimos de tudo: "jogaram como uma equipa pequena", "lá estão eles a festejar antes do tempo", "até parece que ganharam o campeonato", "o Sporting deu-lhes um baile de bola", "tiveram uma sorte incrível", "nem percebem que o Porto só ficou a 4 pontos", "o golo é irregular", "deviam ter sido expulsos dois jogadores do Benfica", "o Sporting tem um orçamento muito menor", etc, etc, etc. 

Estas são algumas das declarações mais representativas dos adeptos não-benfiquistas ontem à noite. O empate ao cair do pano, sete minutos depois do golo de Jefferson, que pôr Alvalade em delírio como há muito não se via, e que quase deu a segunda vitória do Sporting ao Benfica de Jesus, deixou 90% daquele estádio mudo (pena que não tenham mostrado Bruno de Carvalho nessa altura). A sorte que sorriu ao Benfica é a mesma que o Porto teve no penúltimo jogo de 2013, e que os seus adeptos constantemente no-lo recordam, e é a devolução da que o Sporting também teve na terceiro jornada do campeonato, em que marcou graças a uma fífia monumental de Artur e em que o Benfica não soube aproveitar as muitas oportunidades de golo que teve. Só o Sporting quis ganhar ontem? Pois nesse desafio em Setembro o Benfica quis muito mais e só conseguiu um ponto. O resto, em especial as críticas à arbitragem (ridículas e falsas) e as acusações de "festejos exagerados" (como se qualquer outra equipa não fizesse exactamente o mesmo) são produto do estado de espírito de ver os três pontos ir pelo cano na última jogada.

É verdade que o Benfica teve um jogo ofensivo quase nulo. Mesmo com a ausência de Gaitan e de outros, pedia-se mais. Ola john, que só usa o seu talento de vez em quando, esteve mais uma vez discretíssimo, e o pior é que Salvio também. E jogar para o empate pode dar em derrota. Por felicidade, não deu. A mesma felicidade, que, como disse, nos fugiu noutras ocasiões. 
O ponto ganho no fim vale por si e pela injecção de moral aos jogadores. Pode ser a famosa "estrelinha de campeão". O Benfica conserva 4 pontos sobre o Porto, já jogou nas Antas e em Alvalade e não joga nas competições europeias. Pode e deve ganhar o campeonato, assim tenha engenho para isso e Jesus não desate a inventar nem a armar-se em bom, como antes de Paços de Ferreira (dizia que a segunda volta ia ser melhor que a primeira e já perdeu tantos pontos como aí). A recuperação de alguns jogadores também ajudava. Uma coisa é certa: o Benfica está vivíssimo e tem todas as perspectivas de ser campeão. Já o Sporting...



terça-feira, fevereiro 11, 2014

Os problemas dos estádios já não são de agora


O bizarro adiamento do Benfica-Sporting talvez tenha permitido evitar males maiores, mas a verdade é que a queda maciça de lã de rocha, ou como se chamava aquele material que muitos pensaram inicialmente ser detritos trazidos pelo vento (e de que toda a gente fala como se fosse da vida corrente) transtornou a vida a muita gente, incluindo muitos que se deslocaram centenas de quilómetros e sobretudo o autor destas linhas, que saiu de casa de propósito em tarde de temporal para ver o dérbi.


Embaraça-me ver o grandioso estádio da Luz, que devia ser um modelo de excelência, sofrer problemas deste calibre, mesmo com o desconto da ventania que se fazia sentir em todo o país, e em particular em Lisboa, onde áquela hora atingiu os cem kms por hora. Ver pedaços de lã a voar e placas de metal a cair nas bancadas não é aceitável. De qualquer forma, parece que o jogo se realizará mesmo sem mais problemas, e quanto aos delegados da UEFA que vieram fazer inspecções para a final da Liga dos Campeõs, não me parece que escrevam um relatório muito tenebroso: afinal, a evacuação de mais de sessenta mil espectadores decorreu em poucos minutos e sem problemas, além de que em Maio, altura da final, não costuma haver ventos ciclónicos e situações climatéricas difíceis como no Domingo.


Mas críticas e remoques que se ouviram, sobretudo da parte de alguns sportinguistas ufanos da temporada que a equipa em vindo a fazer (embora só esteja presente numa competição) recordaram-me episódios de irresponsabilidade bem piores quanto a medidas de segurança. Um deles já data de há mais de vinte anos, mas muitos ainda se devem lembrar: o caso da pala de Alvalade. A cobertura datava da construção do estádios, nos anos 50, e um parecer técnico do LNEC (a mesma entidade que o Sporting queria que fizesse uma vistoria à cobertura da Luz), tendo detectado falhas estruturais, determinou a interdição daquela bancada e a remoção da pala. A secretaria de estado da Cultura, com Santana Lopes à frente, decidiu que o espaço teria de ficar suspenso até nova decisão. O sporting protestou e chamou o veterano Edgar Cardoso, um dos autores da obra, que passeando e saltando por cima da pala, afirmou que aquilo era seguríssimo e que não havia qualquer problema. Imediatamente se levantou a suspensão (em vésperas de um importante concerto rock programado para quele estádio), fizeram-se umas pequenas obras de melhoramento e não se pensou mais no caso, até à efectiva demolição do estádio, mais de dez anos depois. Só uma pessoa protestou contra o desfecho do caso: Maria José nogueira Pinto, que era Subsecretária de Estado da Cultura, e que, sentindo-se desautorizada e achando que tudo aquilo era uma insensatez, pediu a demissão.

Como se vê, a irresponsabilidade dos clubes de futebol tem antecedentes que felizmente não tiveram piores consequências. E atingem mesmo as melhores famílias, perdão, clubes.

Esperemos que o jogo não tenha problemas, e que se possível, o Benfica ganhe.


PS: ganhou e convenceu. Aquele golo do Enzo levanta qualquer estádio. Duvida-se que algum dos imberbes e amedrontados jogadores do Sporting conseguisse marcar um assim.

sábado, agosto 31, 2013

Entretanto, a bola volta a rolar


O derby de amanhã contra o Sporting, que entrou no campeonato a matar, é tudo menos propício, mas terá de ser ultrapassado. Se o problema actual é Jorge Jesus, então mais vale lembrar que com ele o Benfica já venceu a lagartada por sete vezes, e perdeu apenas uma. As estatísticas valem o que valem, mas à falta de melhor, temos de nos agarrar a alguma coisa.
 
A vitória no último suspiro contra os de Barcelos deu talvez novo ânimo ao Benfica 2013-2014, mas não resolveu de maneira nenhuma os problemas, que, repito, se devem acima de tudo à permanência de um Jesus desgastado e fora de prazo. Os sérvios resolveram, claro, e ninguém lhes nega qualidade, mas o Benfica não pode contar apenas com eles (sobretudo se houver saídas, coisa que parece inevitável). De qualquer modo, se o balão de oxigénio tiver servido para alguma coisa, Salvio estiver em forma e Markovic apto a jogar, as esperanças em surpreender o Sporting aumentam consideravelmente. A propósito, o rapazinho que veio do Partizan continua a mostrar que é uma escolha acertada. Ainda diziam que o Benfica estaria interessado no Bruma, que até joga na mesma posição. Mas para que raio quereríamos o Bruma?
 
Entretanto, o sorteio para a Liga dos Campeões, em que reaparecemos no pote 1, pôs-nos de novo na rota do Paris Saint Germain, agora em versão patrocinado pelos petrodólares do Qatar. Contra Ibrahimovic, Lavezzi, Cavani e Thiago Silva, o Benfica terá um enorme desafio para evitar tantas ameaças. Pontos a favor: os emigrantes que vão sempre aos milhares dar o seu apoio, e as ridículas regras politicamente correctas, que os responsáveis do PSG resolveram estabelecer aos seus associados, e que pretendem fazer do estádio uma solene sala de ópera (um destes dias escrevo sobre isso).
Contra o Olympiacos, não faltam argumentos desportivos. Será preciso que os jogadores se abstraiam do ambiente infernal que vive sempre que o clube do Pireu joga em casa, e afastar a memória da última visita áquele estádio (que de bom só teve esta sátira). Esperança: que Roberto, recentemente transferido para o clube dos estivadores de Atenas no estranho negócio com o Atlético de Madrid, jogue e retribua alguns dos frangos que sofreu ao serviço do Benfica.
O Anderlecht é um clube de história respeitável, e o confronto que servirá para desempatar os resultados entre belgas e portugueses. Os mauves não são um adversário muito temível, nem têm uma equipa comparável com a do Benfica, mas contam com um ponta de lança sérvio muito promissor que fazia dupla com Markovic no Partizan.
 
Pede-se que passem à fase de eliminatórias. Num ano atribulado, já seria bom, e seria sempre um encaixe financeiro simpático. Tudo o que for para além disso é brinde.

segunda-feira, abril 30, 2012

Ultrapassando um trauma de 75 anos


Confesso que fui pouco patriota na meia-final da UEFA (essa história do patriotismo no futebol também é muito engraçada para embalar crianças de colo), mas não poderia deixar de apoiar o meu clube preferido do outro bocado da península, o Athletic de Bilbao. Os lagartos até se bateram galhardamente, mas o ambiente do público fervoroso que enchia a catedral de San Mamés era demais e não os deixou ir à final. No fim ficou a euforia basca que nem por isso deixou de aplaudir os adversários, mesmo que Sá Pinto já tenha jogado nos rivais de San Sebastian.

Mas o dia do jogo teve ainda um simbolismo que terá escapado à maioria. Exactamente 75 anos antes dava-se uma das maiores tragédias da região. A 26 de Abril de 1937, em plena Guerra Civil de Espanha, a Legião condor e a aviação fascista italiana, aliados dos nacionalistas, bombardeavam a cidade de Guernica, símbolo espiritual dos costumes bascos, com o seu lendário carvalho, à sombra da qual gerações e gerações tomavam as resoluções para a comunidade local, e que sobreviveu ao bombardeamento. O bombardeamento, cujo número de vítimas é alvo de discussão pelas suas disparidades, ficou mundialmente conhecido pelo quadro de Picasso, que retratou o sofrimento provocado por uma guerra atroz e que se tornaria num dos símbolos da Espanha do século XX. A árvore de Guernica manteve-se até há poucos anos, sendo substituída por outra, e é lá que o governador eleito do País Basco, o Lehendakari, faz o seu juramento de tomada de posse. Surge igualmente no brasão do Athletic de Bilbao.













À partida, as bodas de diamante da mais conhecida catástrofe basca não seria a melhor prenúncio para uma vitória marcante do maior emblema desportivo da região. O que é certo é que acabou por ser um dia de alegria para os adeptos biscainhos (talvez não para os da Real Sociedad), como que a mostrar que as efemérides podem ser de sentido contrário. O Sporting que os desculpe, mas dificilmente haveria melhor dia para um triunfo assim, que bem podia ser uma homenagem à martirizada Guernica. Agora só falta mesmo vencerem o clube madrileno a quem emprestaram nome e cores e levar a taça UEFA para Bilbao. Exposta no Guggenheim, ficaria lindamente.


quarta-feira, fevereiro 10, 2010

João Pereira, o tradicionalista


Há quem nunca se esqueça da tradição. João Pereira é uma dessas pessoas. Em todos os jogos entre Benfica e Sporting, cumpre sem mácula a nobre tradição de conseguir sempre irritar os adeptos leoninos.

(Convenhamos que ganhar por 4-1 com Kardek e Éder Luís como dupla de ataque, e deixar no banco Saviola, Aimar Cardozo e Maxi Pereira, está apenas ao alcance de um grande equipa. Mas o Sporting está com a moral no fundo do poço).

terça-feira, março 10, 2009

O fim de uma tradição

Desde 1986 que os sportinguistas comemoram anualmente um famoso 7-1 com que então venceram o Benfica, com um jocker de Manuel Fernandes. Um resultado que recordam constantemente com orgulho mal disfarçado, apesar de terem ficado em quarto lugar no campeonato, vencido precisamente pelo Benfica, que para mais também os bateu na final da Taça de Portugal.


Desconfio bem que a partir de hoje essa atitude vai desaparecer, ou no mínimo, esmorecer. É que nem todas as tradições são eternas.