Desde que tomou posse, a administração Trump já demonstrou querer "comprar" a Gronelândia, quer que o Canal do Panamá lhe seja "restituído", considera que o Canadá - uma monarquia maior que os EUA - devia ser o seu "51º estado", renomeou o Golfo do México, impôs sanções ao TPI (?) porque parece que anda a chatear o seu amigo Netanyahu e na semana passada apresentou uma das ideias mais patéticas de que há memória nas relações internacionais: a reconstrução de Gaza, sob ocupação americana e israelita, como destino turístico, por "razões humanitárias", tendo os palestinianos de ir para o Egipto e a sobrecarregada Jordânia, sem garantia de regresso. Julgava eu que deportações era mais com a Rússia, mas os árabes apressaram-se a dizer que nem pensar, pelo que a coisa não deverá seguir em frente.
sexta-feira, fevereiro 14, 2025
O descalabro trumpista
quinta-feira, fevereiro 08, 2024
Trump Carlson em Moscovo
Depois de se dizer que era mero boato, Tucker Carlson, que acabou despedido da Fox por confessar em privado que tinha dito disparates em notíciário, lá entrevistou Vladimir Putin, para "esclarecer os americanos da verdade", como se Putin não a tivesse divulgado em inúmeras ocasiões, embora nem sempre com a mesma base. Escolheu bem o dia: o mesmo em que a candidatura de Boris Nadezhin, o único contra Putin, acabou recusada, como acontece sempre que há um candidato contra o incumbente.
terça-feira, novembro 29, 2022
As semanas mais recentes trouxeram-me um ligeiro travo aos anos trinta e quarenta.
As imagens da libertação de Kherson, das ruidosas manifestações de alegria dos seus habitantes e da visita de Zelensky trouxeram-me de imediato à memória as da libertação da França, em 1944, e da chegada de De Gaulle a Paris, recriada na tela e com alguns testemunhos fotográficos. O presidente da Ucrânia tem sido comparado a Chrchill, mas naqueles momentos transfigurava-se mais como a voz da liberdade e da libertação dos ucranianos, aquele que parecia perdido na início da invasão mas cujas palavras soam a esperança diante do temível Inverno que está a chegar. E tal como a libertação de Paris não significou o fim da guerra, a de Kherson está longe do termo do conflito.
Entretanto decorre o criticado Mundial do Qatar (embora seja exagero chamar-lhe "o Mundial mais controverso de sempre", se recordarmos o que decorreu na Argentina em 1978, sob o infame regime militar que despejava corpos para o mar a partir de aviões, e que até levou à história, apesar de falsa, de que Cruyff não comparecera em sinal de protesto). Os estádios no meio do deserto tiveram a autoria, entre outros, como Zara Hadid, de Albert Speer. Sim, o filho com o mesmo nome do célebre arquitecto de Hitler e co-autor do estádio Olímpico de Berlim. O descendente não seguiu definitivamente as preferência políticas do pai, apesar de algumas controvérsias, explanadas neste artigo da New Yorker. Mas não deixa de causar algum frisson que um evento tão criticado pelo tratamento local dos Direitos Humanos tenha tido o dedo do filho, com o mesmíssimo nome, de um dos autores dos Jogos Olímpicos de Berlim e do projecto da demencial Germania.
segunda-feira, outubro 03, 2022
como desmarcarar um farsante
Não sei se tiveram a oportunidade de ver, mas aquela correia de transmissão das ordens de Moscovo, de seu nome Alexandre Guerreiro, levou uma tareia inacreditável do Francisco Pereira Coutinho em todos os aspectos, num debate na SIC Notícias na sexta-feira. Podem - julgo eu - ver o vídeo na íntegra aqui (não consegui transportá-lo directamente para o post por ser muito grande) e avaliar as prestações. O homem do Kremlin a certa altura parecia completamente perdido, repetia incessantemente "o precedente do Kosovo", cujas diferenças aliás o Francisco explicou devidamente, acabou a justificar a anexação da Crimeia com "sondagens" (como se sabe um elemento essencial no direito internacional) e a dizer que a anexação das quatro regiões ucranianas "era legal mas também podia não ser".
Eis a forma como se neutralizam os farsantes: colocá-los perante alguém que efectivamente conhece o terreno para os desmascarar. Acresce que nas horas que se seguiram ao debate, Guerreiro era alvo de chacota pelos twiters e watsaps fora
sexta-feira, março 11, 2022
Odessa
"A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel".
quinta-feira, março 10, 2022
Um traidor
Se alguma vez quiserem saber como é a cara de um traidor, recordem bem esta: Viktor Yanukovytch, ex-presidente da Ucrânia, o homem que depois de ser deposto (por votação no parlamento ucraniano, recorde-se, e de quem até o seu próprio partido se afastou) fugiu para a Rússia - e lá se tem conservado - que apoiou sempre, deixando um rasto de uma fortuna colossal ilegitimamente adquirida e que agora quer que a Ucrânia se renda.
quarta-feira, março 02, 2022
A Ucrânia e as diferenças com o "whataboutismo"
Perguntava-me há dias se a situação na Ucrânia provocaria tanta comoção como quando houve a questão do Iraque. Nessa altura, houve uma jornada mundial de manifestações (talvez dos primeiros grandes efeitos da Internet), a 15 de Fevereiro de 2003, de protesto contra a iminente invasão do Iraque, com manifestações por toda a parte (se me perguntarem, sim, eu estive numa nessa data, no Porto, e no dia em que começou a guerra estive ao lado do iraquianos em Atenas).
quinta-feira, fevereiro 24, 2022
Lições verdadeiras e enviesadas da História
Churchill é citado e invocado por tudo e por nada. No momento actual, tanto pode ser usado pelos que recordam que a humilhação da Alemanha levou mais tarde ao seu rearmamento como pelos que lembram que se opôs tenazmente ao apaziguamento a Hitler que originou o Anschluss, a entrada na Checoslováquia e por fim a invasão da Polónia.
A situação actual, infelizmente, presta-se a essas lições da História. Não é preciso aplaudir-se a grave crise por que os russos passaram nos anos noventa, após o fim da URSS, ou concordar com a secundarização do maior país do mundo para se aprovar as acções de Vladimir Putin. É verdade que a Rússia devia ter sido mais apoiada nos tempos da Ieltsin, que a tentativa de cercá-la de países da NATO se mostrou precipitada e que acossar um "urso" ferido revelou-se um grave erro. A isso também se podia acrescentar o reconhecimento do Kosovo como país independente, retirando-o á Sérvia na totalidade gerando uma "Grande Albânia" (até nos ministérios de Pristina se vêm bandeiras albanesas) e criando um estado falhado no coração dos Balcãs.
Nada disso impede que o que se está agora a assistir seja a recriação da teoria do Espaço Vital pela Rússia. Ficou claríssimo quando Putin negou o próprio direito à Ucrânia de ser independente, mas já vinha sendo demonstrado com as tomadas de território ucraniano 2014 e da Geórgia de 2008 (e até antes, como irei apontar daqui a uns dias), além da vassalagem crescente de Lukashenko da Bielorrússia. Sim, talvez Putin não ameace mundo todo, mas a comparação com a Alemanha de finais dos anos 30 é inevitável, e poderíamos acrescentar outros elementos; como a propaganda desenfreada, não já tanto pela rádio mas por inúmeros canais da net. Acresce que os ataques informáticos, em boa parte vindos da Rússia, estão a tornar-se crescentes em número e perigosidade.
E tal como então não faltam "quintas colunas" no Ocidente a favor de Putin. Em Portugal não serão assim tantas, mas temos à cabeça o inevitável PCP, sempre ao lado dos russos (ou melhor dizendo, contra o Ocidente), para quem a culpa é...da Ucrânia. Certamente pensaram o mesmo da Polónia na invasão alemã de 1939, de tal forma que a URSS entrou pelo outro lado. Mas mesmo fora do PCP encontramos outros idiotas úteis - não por acaso uma expressão atribuída a Lenine e usada para gente que passava a mão no pêlo a regimes destes - que desdenham das democracias liberais, preferindo a alternativa "iliberal", olham para Putin como exemplo de estadista e de "macheza" e não se coíbem de inventar razões para as atitudes do regime russo, mesmo que extremamente enviesadas e amputadas. São os que recordam que a NATO expandiu-se para leste mas esquecem a promessa russa de respeitar a integralidade das fronteiras ucranianas em troca do desarmamento nuclear. Ou que juram a pés juntos que houve um referendo na Crimeia, omitindo que tal "consulta" não obedeceu às regras mínimas (nem observadores teve) ou nem sequer recordando que os chechenos não tiveram essa oportunidade. Ou que a Ucrânia é regida por uma "junta fascista", quando depois da dita junta já houve dois presidentes eleitos. Em Portugal esta gente andará mais dissimulada, mas noutros países da Europa são mais detectáveis, como a srª LePen, que recebeu um generoso empréstimo a fundo perdido de Putin, e outros comparsas.
É esse o desafio que o ocidente tem pela frente: como travar o passo às ambições expansionistas de Putin, agora totalmente escancaradas, num tempo em que há ONU mas há também armas nucleares? Como obrigá-lo a cumprir a legalidade e a não ameaçar vizinhos? Como demonstrar que a Rússia não pode fazer o que quiser sem consequências e sem que isso leve a uma escalada imprevisível, num Mundo que se habituou a guerras por procuração e por interpostos aliados? Não tenhamos dúvida: é um desafio mais perigoso e exigente do que o dos mísseis de Cuba e dos instalados na RDA nos anos oitenta. E mais uma prova de que este século XXI, depois do optimismo que se viveu nos finais do anterior, está a ser uma desgraça. Começou com um atentado apocalíptico, prosseguiu com a maior crise financeira das últimas décadas, tivemos uma pandemia há dois anos que ainda não acabou e agora esta séria ameaça de guerra. Um primor de século.
PS: já viram a coincidência? Da anterior ocasião em que a China tinha celebrado uns Jogos Olímpicos, a Rússia invadiu a Geórgia. Agora os chineses voltaram a organizar umas olimpíadas, mas de Inverno, e estamos nisto.
PS: enquanto escrevia isto a Rússia invadiu a Ucrânia. Ainda assim, o texto não perde a sua actualidade, antes fica confirmado.
sexta-feira, maio 15, 2015
O Dnipro de Dnipropetrovsk
terça-feira, março 24, 2015
Um ano depois de Maidan, a Rússia ainda ficou mais voraz
sexta-feira, outubro 31, 2014
Eleições
quarta-feira, setembro 03, 2014
Que 1939 não se repita em 2014
domingo, junho 01, 2014
Não bastam eleiçõs para normalizar a Ucrânia
terça-feira, maio 13, 2014
Mais um plebiscito na Ucrânia
sexta-feira, março 21, 2014
Depois do plebiscito
E pronto, está concretizada a separação da Crimeia depois do plebiscito (e não referendo, como insistem em chamar-lhe) instituído pela Rússia e pelos seus acólitos em Simferopol. As milícias sem emblema e os deputados do parlamento local cumpriram bem o seu papel. Impedindo, na prática, a campanha a favor da Ucrânia, intimidando todos os que a apoiassem, cortando o sinal aos canais televisivos ucranianos, enchendo aldeias e cidades de cartazes pró-russos, impedindo a fiscalização a observadores estrangeiros, levaram ao boicote do plebiscito por parte dos ucranianos e tártaros através da ameaça e de agit-prop maciço. Agora, depois do resultado esmagador a seu favor, a Crimeia pede para se tornar uma república autónoma russa e a Grande Mãe, generosamente, acolhe-os no seu seio. Tanto a assembleia regional como a Duma não perderam tempo em "cumprir" as respectivas formalidades para que isso acontecesse, e Putin realizou um par de discursos irredentistas, um na Duma e outro na Praça Vermelha, para gáudio da multidão, falando no "regresso da Crimeia". Já na península, os apoiantes da nova situação festejavam nas praças, como se um festival se tratasse. Os opositores recolheram-se, temendo represálias.
terça-feira, março 04, 2014
A 2ª guerra da Crimeia?
PS: uma dúvida importante era qual seria o papel da Turquia, membro da NATO e ocupante da margem Sul do Mar Negro, em todo este caso. Rui Tavares esclarece-nos, num artigo desta semana: os turcos estão solidários com os tártaros da Crimeia. muita atenção a esta potência que provavelmente, e na senda do "neo-otomanismo" de anos recentes, quererá dar uma palavrinha em todo este caso.
segunda-feira, fevereiro 24, 2014
O que se segue na Ucrânia
quinta-feira, fevereiro 20, 2014
Depois dos protestos, a guerra declarada
Esperemos que nem Bósnia nem Roménia se repitam. No último século, a Europa já produziu mais horrores do que os que é capaz de assimilar. Uma guerra civil, nas fronteiras da União Europeia, teria resultados tremendos e incertos, para além das perdas de vidas. Sendo optimista, prefiro acreditar que é uma crise efémera, como a que aconteceu há uns vinte anos na Rússia, e que não durará muito mais. Podiam era aproveitar para dividir o país, como fizeram com a Alemanha, ou melhor ainda, com a Checoslováquia, e teríamos uma Ucrânia ocidental e outra oriental. Só que desta vez, e ao contrário do que aconteceu com os alemães, os respectivos habitantes até deviam aplaudir.
segunda-feira, fevereiro 10, 2014
Já se esqueceram da Ucrânia?
É difícil tomar partido por qualquer dos blocos, mesmo que de um lado pareça estar o bloco democrático e do outro um velho império autoritário, sustentado em gás natural. A parte oeste da Ucrânia, que em tempos constava do Império Austro-Húngaro, e Kiev estão vigorosamente do lado ocidental. Mas a parte leste, a bacia do Don e a Crimeia, lideradas pelos grupos de Donetsk, preferem o apelo da Rússia. São as duas Ucrânias que se enfrentam, a ocidental e a russa agora nas ruas, completamente divididas politicamente. A ironia trágica é que as duas principais potências que a disputam, a Alemanha e a Rússia, foram precisamente as que lhe trouxeram as maiores atrocidades no último século: os soviéticos nos anos vinte e trinta, nos quais milhões morreram de fome ou massacrados, os nazis nos anos quarenta, quando impuseram a sua brutalidade no avanço da Operação Barbarossa. Os ucranianos deviam fugir deles a sete pés, mas entalados que estão, só lhes resta ver qual a facção que vencerá, se é que tudo não passa de ciclos sucessivos e rotativos, em que ora ganha uma, ora ganha outra.









