terça-feira, junho 27, 2023
Curiosidades do Adriático: o Sagrado Coração da Refundação
quarta-feira, junho 14, 2023
Curiosidades do Adriático (e não só)
Os venezianos adoram leões. Melhor dito, veneram-nos, como por osmose ao seu padroeiro, o Apóstolo e evangelista S. Marcos, de tal forma que colocaram o leão do santo no centro da sua bandeira, provavelmente a mais bela que um (antigo) estado já ostentou. Está por toda a cidade e arredores e em muitas antigas dependências, nos estandartes, nas pedras e nos papéis.
Um dos mais conhecidos é o leão do Pireu. Esta imponente estátua de mármore, a principal de quatro estátuas de felinos, guarda a entrada do Arsenale de Veneza, o maior estaleiro naval e industrial europeu desde a Idade Média até À Revolução Industrial, base da poderosa armada da Sereníssima, que tanto contribuiu para o desfecho de Lepanto e do seu domínio partilhado do Adriático e do Mediterrâneo.
A função do Leão do Pireu é quase mítica, constando de reproduções várias (Corto Maltese fica especado diante dele em Fábula de Veneza, por exemplo, em cujo enredo é parte importante), e esse misticismo advém das inscrições no seu dorso e da sua origem. Não é "do Pireu" por acaso. A estátua existe desde o séc. IV a. C. e guardava a entrada do porto de Atenas, por vezes conhecido como Porto Leone, tal a imponência do seu guardião.
Atenas não perdeu todo o Parténon, mas perdeu o leão e as suas inscrições laterais, runas nórdicas, uma das suas curiosidades. Pensei durante algum tempo que tinha sido alguma incursão dos vikingues e um ataque ao Pireu, mas não se tratou exactamente disso. Nas suas viagens até ao Mar Negro, os nórdicos encontraram-se inevitavelmente com os bizantinos. Tão impressionados ficaram estes últimos com a sua valentia que o imperador bizantino tomou a seu cargo uns quantos para a sua guarda pessoa, a célebre guarda Varegue. Segundo parece, foram estes que num episódio no Pireu deixaram os seus grafitis em forma de runa no dorso do leão (já naquela altura os monumentos gregos eram vandalizados com inscrições, e muito mais tarde Byron também daria o seu mau exemplo no templo do cabo Sounion).
O Leão tornou-se, com dois mil anos de idade, o fiel guardião do Arsenal de Veneza, até hoje, quando as instalações ficaram reduzidas a funções mais modestas e não permitem a entrada do público em geral. Quanto ao significado das inscrições, a Wikipedia explica.
sexta-feira, março 11, 2022
Odessa
"A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel".
sábado, maio 13, 2017
Pelos Caminhos de Fátima
sexta-feira, maio 27, 2016
Passagem pelo Colmeal
segunda-feira, agosto 31, 2015
segunda-feira, agosto 17, 2015
O Verão na Beira interior
terça-feira, março 31, 2015
Périplo por Espanha
quarta-feira, dezembro 10, 2014
Pela Serra amarela, em Dezembro
Levantar quase de madrugada, ainda escuro, num domingo de Dezembro, sem quaisquer obrigações de maior, pode parecer bizarro, mas justifica-se se for para uma volta por regiões portuguesas tão longínquas como apelativas. Se for no Gerês, mais ainda. Há muito por onde escolher. A Serra Amarela, ali entre a Serra do Soajo e a da Peneda, a Norte, o vale do Lima, a Oeste, e a barragem de Vilarinho da Furna, a Sul, é uma das muitas alternativas. E não é por ser no Inverno que é menos atractiva, mesmo sem neve.
domingo, setembro 30, 2012
Notas sobre a Bulgária - das montanhas de Rila ao Mar Negro
O teatro romano, virado para a zona plana, está encostado numa colina, para onde partem ruelas empedradas, algumas delas medievais, com casas de estilo revivalista búlgaro (mais do século XIX, como aquela em que ficou hospedado o poeta francês Lamartine), igrejas, torres, até à "fortaleza trácia", de onde se colhe estranha antena de televisão e outra um memorial ao exército soviético. Talvez devido ainda ao seu passado multicultural e à sua localização no cruzamento de diversas vias, são visíveis pela cidade as minorias turcas (forçadas pelo regime comunista a mudar os seus apelidos) e ciganas. Nota-se a dada altura um certo ambiente mais asiático do que balcânico. Existe também uma sinagoga, mas é pouco crível que haja muitos judeus, apesar do auxílio prestado pelos búlgaros durante a Segunda Guerra. De gregos e arménios que lá viveram tampouco há sinais.
sexta-feira, setembro 21, 2012
Notas sobre a Bulgária - Sófia
O monumento mais conhecido é provavelmente a Catedral de Alexandre Nevsky, uma das maiores igrejas ortodoxas do Mundo, que tem o nome do príncipe russo imortalizado por Eisenstein em homenagem aos soldados russos mortos na guerra da independência da Bulgária, O sentimento de irmandade (ou de paternidade) entre russos e búlgaros tornou-se evidente a partir dessa altura, para além de um grande afinidade cultural e religiosa (o alfabeto cirílico, usado pelos russos, teve origem na Bulgária), danificada quando ficaram em lados opostos nas guerras mundiais, e sobretudo com o advento do regime comunista, visto como uma quase anexação por parte de Moscovo. O sentimento dentro do templo é de mais fervor do que curiosidade turística. Ao lado, uma conhecida feira de antiguidades, onde se podem comprar ícones e memorabilia com símbolos comunistas e nazis (entre os mais interessantes contavam-se uma charuteira e um copo misturador de coktails com as insígnias das SS), além de produtos à base de rosas, condecorações, matrioskas, armas cortantes, t-shirts, etc.
A capital tem aquele skyline que esperamos encontrar numa cidade balcânica, com igrejas ordtodoxas e mesquitas, e alguns arranha-céus, além da herança comunista. Mas nem toda resistiu ao tempo.
Mas os vestígios comunistas de maior dimensão permaneceram e foram reaproveitados. Depois dos bombardeamentos dos Aliados na II Guerra, o centro da cidade estava em escombros. Os novos senhores do país aproveitaram para erguer um conjunto de estruturas de poder com a emblemática e esmagadora arquitectura estalinista. Ao lado da mesquita de Banya Bashi e do edifício termal, abriu-se o Largo, um espaço onde se concentravam alguns edifícios gêmeos, sendo um deles uma enorme "loja do povo", hoje um centro comercial em parte albergando ministérios, e outro, fronteiro, era e é composto pela presidência da república, na parte traseira, e por mais ministérios (hoje em dia é também parcialmente ocupado pelo hotel Sheraton, à frente). No espaço central conservou-se a antiquíssima igreja de S. Jorge, um templo redondo do século IV tido como a estrutura mais antiga de Sófia. Entre esses dois enormes edifícios, e um pouco atrás, está um terceiro, que porventura era o mais importante desse trio e de onde emanava o poder: a antiga sede do Partido, outrora encimada por uma estrela, arrancada durante a revolução e substituida pela bandeira nacional. Serve hoje em dia de apoio ao parlamento, que se situa num palacete menos megalómano.