terça-feira, junho 27, 2023
Curiosidades do Adriático: o Sagrado Coração da Refundação
terça-feira, setembro 27, 2022
Por Itália
Não sei porquê tanta preocupação com o mais que provável governo de Giorgia Meloni em Itália: é mais que sabido que nenhum executivo italiano chega sequer aos dois anos, a não ser que haja uma improvável "Marcha sobre Roma". Além do mais, o que também não ajuda à estabilidade, a coligação vencedora tem três egos gigantes a comandá-la - Meloni, Salvini e Berlusconi - e o de Meloni nem parecer ser o maior.
sexta-feira, maio 27, 2022
Triunfo onde já se dominou
A Roma, clube mais popular da Cidade Eterna, ganhou o seu primeiro título em muitos anos e o primeiro troféu da Conference League, essa nova competição do futebol europeu. E também a primeira final internacional em Tirana, capital da Albânia.
Não deixa de ser uma extraordinária coincidência: é que o estádio, um imóvel vanguardista recente com uma torre lateral que à primeira vista, de fora, nem se percebe ser um recinto desportivo, fica situado numa zona urbana construída por italianos e que alberga grande parte dos edifícios públicos e administrativos da capital. Todas aquelas construções datam do tempo da anexação da Albânia pela Itália, nos anos trinta, e são de típica arquitectura fascista, racionalista e monumental. O exemplo perfeito é o edifício da universidade de Tirana, ao fundo de uma larga avenida, tendo o estádio do seu lado esquerdo, para quem está de costas para a fachada, e as construções das imediações e da dita avenida obedecem ao mesmo plano. Nem o singular regime marxista/maoísta que se lhe seguiu mudou a sua configuração. E a praça de entrada para o estádio chama-se mesmo Praça da Itália.
É muito natural que com tanta construção dos seus patrícios, e parecida com outras que há em Roma, os romanistas nem se tenham sentido no estrangeiro. Até porque na Albânia muita gente fala italiano e não faltam gelatarias.
sábado, julho 17, 2021
A redenção pela bola
Se as história de superação são apelativas, mais ainda se tornam se lhes forem acrescentadas certas concidências e acasos. O Euro 2020 que acabou há dias é disso exemplo.
Julgava que a superação seria a de um homem, Gareth Southgate, o actual treinador de selecção inglesa. Até agora, nunca a Inglaterra tinha ganho um jogo nos 90 minutos na fase a eliminar dos Europeus. Normalmente ficava-se pelo primeiro jogo (o guarda-redes Ricardo que o diga), tirando em 1996, quando a competição teve lugar precisamente em em solo inglês e ultrapassaram a Espanha nos penaltys. Só que nas meias finais jogaram contra a velha rival Alemanha, em Wembley, empataram a um golo e nas grandes penalidades um jogador inglês falhou, impedindo a sua seleção de chegar à final perante o seu público. O seu nome? Gareth Southgate.
Um quarto de século depois, Southgate levou a seleção inglesa pela primeira vez à final de um Europeu, tendo deixado pelo caminho a Alemanha, com um emotivo 2-0. Passadas as meias, de forma algo duvidosa contra uma aguerrida Dianamarca, a Inglaterra lá chegou a uma final, ainda por cima (e como quase todos os jogos que disputou) em Wembley, quase como em 1996 - quase porque se demoliu e reconstruiu o mítico estádio. E o povo enchia o estádio, ignorava os casos crescentes de covid e cantava, em fervilhante entusiasmo, It´s Coming Home, do célebre hino dos Ligthing Seeds Three Lions (A partir dos vinte segundos do video abaixo vê-se Southgate a falhar o penalty; noutra versão, a original, de 1996, aos 30 segundos a seleção inglesa marca um golo à portuguesa, defendida pelo malogrado Neno).
Mas se não houve redenção por um lado, ela veio de outro. A equipa técnica da Itália é constituída quase em exclusivo por velhas glórias da Sampdória de Génova, como Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Lombardo ou Evani. E precisamente em Wembley, em 1992, na final da Taça dos Campeões perdida para o Barcelona de Cruyff, Mancini e Vialli, a dupla de ataque, os "gemelli del gol", jogaram juntos uma última partida. Vialli prossseguiu uma carreira de sucesso na Juventus, Mancini na Lazio e ambos foram mais tarde técnicos de sucesso em Inglaterra. Até se reencontrarem na equipa técnica da selecção, um pedido expresso de Mancini, e que como se viu no Domingo, até pelo ambiente da equipa, voltou a dar resultado. 29 anos depois de perderem o título europeu de clubes em Wembley, ganharam o de selecções. É só isto, a redenção? Apenas o pretexto. Porque Vialli, já com funções na Azzurra, sofreu um canco no pâncreas, um dos mais difíceis de debelar, recuperou, teve uma recaída, e finalmente venceu-o completamente, sem mais vestígios. Chegou a dizer numa entrevista que "tinha vergonha de estar tão feliz", quando Itália sofria a primeira e mortífera vaga da pandemia. Um ano depois da sua recuperação, GianlucaVialli, que protagonizou uma destas superstições em que o futebol é fértil, no mesmo lugar onde não tinha sido feliz anos antes, voltou a festejar, em lágrimas, com todas as razões do mundo para o fazer, ou no mínimo com muito mais razões do que apenas um penalty falhado.
quinta-feira, abril 09, 2020
Da glória à tragédia no espaço de dias

Assim, um feito que trouxe a pequena cidade lombarda para as bocas do mundo pelas melhores razões acabou por ser completamente ultrapassado por uma situação dramática no espaço de dias, situação para a qual concorreu. Do céu ao inferno num curtíssimo espaço de tempo. Uma queda imprevisível mas especialmente amarga. Precisamente por isso, e adivinhando a dificuldade de se concluírem os campeonatos interrompidos, já há petições em Itália para que a Atalanta seja declarada campeã da série A, mesmo que não estivesse em primeiro no campeonato (mas tinha o melhor ataque, com setenta golos marcados), e até há quem lhe queira dar o troféu mais desejado, a Liga dos Campeões. Se dar o título de campeão europeu parece exagerado e até de gosto duvidoso, a atribuição do campeonato italiano à equipa que mais espectáculo deu parece justíssima, à imagem do que aconteceu ao malogrado Gran Torino em 1949, cujo futuro radioso acabou entre destroços na colina da Superga. Seria um magro consolo para tudo o que Bérgamo sofreu, mas para além de compensação, seria um reconhecimento justo aos que respeitaram o público não se rendendo ao futebol cínico e resultadista e um pequeno incentivo, ainda que amargo, para o futuro.

quarta-feira, março 07, 2018
O pleonasmo italiano

terça-feira, dezembro 06, 2016
Barafunda política à italiana
terça-feira, outubro 11, 2016
Uma reunião no telhado (com provas fotográficas)




O que é certo é que depois das redes sociais e das capas de jornais houve várias reacções políticas, a começar pela própria Raggi, que tentou ironizar com a situação, coisa que o primeiro-ministro, Mateo Renzi, de que o movimento a que autarca pertence é adversário, não se coibiu de fazer, tentando ridicularizá-la um pouco mais.
Resta saber se depois de se apropriarem da foto, os jornais pagarão os direitos de autor ao Frederico Carvalho. Ou as imagens de Facebook são de livre disposição?
quarta-feira, setembro 28, 2016
Totti aos 40
terça-feira, junho 21, 2016
Autarcas 5 estrelas
quinta-feira, janeiro 15, 2015
Uma selfie no relvado
Há jogadores que parecem feitos de encomenda para o clube que representam, e mais ainda, para a cidade defendida por esse clube e para os seus símbolos. Francesco Totti joga na AS Roma há mais de vinte anos. Aí por 2000, altura em que os clubes da capital romperam brevemente o domínio nortenho do futebol italiano, a Roma veio jogar ao Bessa com o Boavista, também a atravessar uma época memorável. A squadra romana era fortíssima, e caiu alguma decepção sobre o público quando se soube que Batistuta, o inesquecível artilheiro argentino, então na Roma, falhava o jogo por lesão. Mesmo assim, os romanos ganharam (ajudados por uma das piores arbitragens que tenho visto, é certo) e seguiriam em frente na competição da UEFA. À saída, vi passar duas das principais figuras do clube: o todo-respeitado treinador Fabio Capello e o capitão e estrela da equipa Francesco Totti, a quem pedi um autógrafo, que me rabiscou quase sem me olhar, como um deus do Olimpo passeando entre vis mortais.
sexta-feira, março 28, 2014
O regresso da Serenissima?
segunda-feira, outubro 14, 2013
Os refugiados e a Vergonha
E enquanto nos debruçamos sobre a nossa politicazinha interna, os ajustes de contas,os jogos de palavras, as "irrevogabilidades", e as "incorrecções factuais", passou-se mais de uma semana desde o horrível naufrágio de passageiros africanos no Mediterrâneo, a menos de um quilómetro de Lampedusa. Trezentas e cinquenta pessoas, sobretudo eritreus e somalis, grande parte mulheres e crianças, perderam-se no mar. Pelo meio, Barroso e responsáveis italianos deslocaram-se à ilha para prestar homenagens às vítimas, e foram apupados pelos que assistiram a tudo aquilo sem poder fazer nada, para grande surpresa sua. Quem raramente anda fora dos corredores climatizados de Bruxelas talvez fique surpreendido, mas a verdade é que a UE andou este tempo todo indiferente à tragédia repetida dos refugiados que se fazem ao mar - excepto quando Kadhafi lhes servia e fazia de barreira a esses refugiados, mas desde que o poder verde na Líbia se desintegrou que deixou de haver qualquer controlo.
quinta-feira, maio 09, 2013
Andreotti não era afinal eterno
sábado, março 02, 2013
Sede Vacante
Na península itálica, o único estado que tem neste momento líderes e um rumo permanente e estável a dirigi-lo é San Marino.
quinta-feira, fevereiro 28, 2013
A grande tradição italiana de ingovernabilidade
quinta-feira, julho 05, 2012
Pininfarina
Sergio Pininfarina (1926 - 2012)
Desapareceu o grande arquitecto do design automóvel dos últimos cinquenta anos.
sexta-feira, novembro 11, 2011

domingo, outubro 09, 2011


sábado, abril 09, 2011
Psicadelismo na Laguna Veneta













