quarta-feira, setembro 28, 2016
Totti aos 40
quinta-feira, janeiro 15, 2015
Uma selfie no relvado
Há jogadores que parecem feitos de encomenda para o clube que representam, e mais ainda, para a cidade defendida por esse clube e para os seus símbolos. Francesco Totti joga na AS Roma há mais de vinte anos. Aí por 2000, altura em que os clubes da capital romperam brevemente o domínio nortenho do futebol italiano, a Roma veio jogar ao Bessa com o Boavista, também a atravessar uma época memorável. A squadra romana era fortíssima, e caiu alguma decepção sobre o público quando se soube que Batistuta, o inesquecível artilheiro argentino, então na Roma, falhava o jogo por lesão. Mesmo assim, os romanos ganharam (ajudados por uma das piores arbitragens que tenho visto, é certo) e seguiriam em frente na competição da UEFA. À saída, vi passar duas das principais figuras do clube: o todo-respeitado treinador Fabio Capello e o capitão e estrela da equipa Francesco Totti, a quem pedi um autógrafo, que me rabiscou quase sem me olhar, como um deus do Olimpo passeando entre vis mortais.
segunda-feira, dezembro 16, 2013
Peter O´Toole 1932 - 2013
quinta-feira, julho 26, 2012
Os méritos de Hermano Saraiva
PS: de referir também o desaparecimento de Helena Cidade Moura, responsável pela edição da obra de Eça tal como a maior parte a conhece hoje, pelas extensas campanhas de alfabetização pós-25 de Abril e antiga dirigente e deputada do MDP/CDE, e uma das promotoras da definitiva secessão daquele histórico movimento de esquerda fundado por católicos progressistas das coligações com o PCP. Aqui fica um excelente epitáfio.
terça-feira, junho 05, 2012
Alegrias futebolísticas
Acabada a época de futebol (de clubes), depois de enumerar as tristezas, e antes que o tal Euro na Ucrânia-Polónia comece, é justo referir as alegrias que a bola trouxe este ano. Não que as houvesse em grande quantidade, mas é justo recordar algumas coisas.
Outra motivo para festejar, embora tenha passado quase despercebido fora do seu país (com pequenas excepções): ao fim de trinta anos a vegetar nas divisões secundárias, o lendário Stade de Reims voltou à primeira divisão francesa. Quem conhecer minimamente a história do desporto-rei saberá que este clube, da capital de Champagne (uma cidade que nem é muito grande, à sombra da sua antiquíssima catedral), que dominou o futebol francês entre os anos quarenta e cinquenta, tinha também uma das equipas mais fortes da Europa nessa época, competindo directamente com o todo-poderoso Real Madrid. Pensa-se até que a Taça dos Campeões europeus foi criada pelo jornal L ´ Equipe propositadamente para que o Reims ganhasse o troféu, que lhe daria a glória no Velho Continente. E a primeira final, em Paris, em 1955, quase que lhe deu a Taça, mas não conseguiu superar o Real Madrid, num fantástico jogo que acabou 4-3 para os merengues. Em 1959, nova final, mesmo adversário, e igual sorte. Entretanto tinha ganho uma Taça Latina, na Luz, frente ao Milan. Ostentava um futebol tecnicista, rendilhado, todo virado para o ataque, onde pontificavam Kopa e Just Fontaine, melhor marcador do Mundial de 1958, com 13 golos, um recorde que permanece imbatível. Depois da sua partida, assistiu-se a um delcínio abrupto e inexorável do clube, que caiu na bancarrota (teve de vender os troféus) e andou pelas divisões regionais, até começar a se recompôr. Esta época, enfim, ao fim de trinta anos, o histórico clube de Champagne regressa ao lugar onde devia estar há muito tempo, onde poderá defrontar Marselha, PSG e Saint-Etienne, que só alcançaram a glória depois de viverem na sombra do Reims.
quarta-feira, fevereiro 16, 2011
Ronaldo, o Fenómeno, o Ronaldinho que encantou Eindhoven, Barcelona, Milão e Madrid, entre outras, o melhor marcador de sempre de fases finais de Mundiais, campeão de Selecções por duas vezes (em 1994 e 2002), anunciou ontem a despedida dos relvados. Um problema de tiróide, que o impedia de perder peso, obrigou à arrumação das chuteiras. As lesões graves que teve na carreira já o tinham remetido para segundo plano nos seus últimos anos. Curiosamente, ganhou quase tudo mas nunca logrou vencer uma Taça dos Campeões Europeus, chegando ou partindo sempre no ano errado. Para a memória fica um dos mais geniais jogadores de sempre, os seus arranques supersónicos, as suas fintas como quem dança samba, os problemas que teve no dia da final do Mundial de 1998 (onde acabou batido por outro gigante da bola, Zidane), as lágrimas quando sofreu uma grave lesão nos ligamentos, a euforia dos golos da final do Mundial asiático. E golos como este, que correram Mundo nos anos em que encantava o futebol espanhol, e que ficaram para a história do desporto.
domingo, julho 04, 2010

sexta-feira, julho 02, 2010
O Adamastor espanhol

sábado, janeiro 16, 2010
Haiti: sobre a miséria, o apocalipse


É este país de mulatos remediados e negros miseráveis, montanhoso, pobre, com uma larga história de violência, imerso no vodu e no culto a figuras como o Baron Samedi, que está agora a atravessar o caos. Mais de cem mil mortos, mais de um milhão de desalojados (o epicentro deu-se na capital, Port-au-Prince), corpos amontoados, todas as estruturas estatais destruídas, falta de hospitais para os feridos, doenças, fome, e provavelmente, tumultos e pilhagens. O desespero, em suma. E neste país, que apenas nominalmente o é, podemos ver o inferno dos que não tinham quase nada e que mesmo isso perderam. Escombros, lama e ajuda humanitária, é tudo o que resta num território, que de facto, já não é um estado. Ou talvez seja apenas o estado pós-apocalíptico.
quarta-feira, outubro 21, 2009

Na sua actual forma rubicunda, Maradona revela, como se esperava, um ego do tamanho do mundo. Considera-se um a espécie de self made player com ajuda divina. Diz tudo o que pensa de forma desbragada, mesmo que leve a contradições estranhas. Mostra o bairro onde cresceu, em La Boca, Buenos Aires, a ida para a Europa, Barcelona, primeiro (e a épica cena de pancadaria num jogo com o Athletic Bilbao), e Nápoles, depois. Na Campânia cometeu as maiores proezas, só igualadas pela conquista do Mundial de 1986 e a famosa "Mão de Deus" contra Inglaterra, cena repetida vezes sem conta no filme.
A meio da fita vem a sua declaração de amor a Cuba e a Fidel Castro. Utilizando um jargão muito comum na América Latina, El Pibe afirma que "graças a Fidel é que não falamos inglês", mostrando o quão gosta dos Estados Unidos. É uma teoria um pouco rebuscada, porque dificilmente se imagina como é que uma ilha das Caraíbas conseguiu tal proeza - não me lembro de nenhum muro impedindo a presença de norte-americanos - e mesmo em tempos pré-1959 a população falava espanhol. Há recriminações à ditadura militar dos anos setenta e oitenta, pois claro, mas a seguir diz que recusou-se a cumprimentar o Príncipe de Gales porque este teria "as mãos manchadas de sangue". Suponho que se estaria a referir à Guerra das Malvinas. Quem efectivamente esteve lá foi o Príncipe André, não Carlos, e quanto à guerra, nunca chegou a ser efectivamente declarada (pela Rainha), antes se tratou de uma resposta do governo britânico face à invasão argentina. Além de incriminar o príncipe sabe-se lá porquê, acaba por tomar o partido da junta ditatorial argentina, responsável pelo início das hostilidades e pela humilhante derrota que acabaria por ditar a sua queda. No fundo, a mesma posição de Fidel Castro, que numa posição contra-natura prestou o seu apoio àquele regime. Diga-se também que enquanto durou a sangrenta ditadura argentina, el Pibe jogou sempre pela equipa nacional. Transparece logo um violento sentimento anti-anglo-saxónico, confirmado ao longo do filme com pequenas recriações animadas e satirizantes do "Golo do Século", marcado no mesmo jogo contra a Inglaterra em 1986, em que sucessivamente Maradona finta e bate Thatcher, Reagan, Blair, Bush e a Rainha Isabel II, ao som de God Save the Queen - a dos Sex Pistols. Todos ao molho, desbaratados pelo talento do pequeno argentino.
Duas conclusões se tiram da singular ideologia de Maradona: uma é o sentimento de "latinidade", muito bolivariano e guevarista, em que supostamente a América do Sul e Central são uma só nação, desunida por fronteiras, e que transcende mesmo as ideologias opostas. A outra é a do sentimento contra tudo o que seja anglo-saxónico, talvez até mais contra os EUA do que o Reino Unido.
Há ainda o Maradona "homem de família" com mulher e filhos, e as suas queixas do tempo em que estava agarrado à cocaína. Mas é no jogador e no revolucionário que o filme se demora. É uma personagem complexa e irreverente, mas a que parece faltar inteligência para as suas escolhas e os seus actos, para não falar no discurso. Baseia-se no instinto e no coração, nunca no cérebro. Confunde frequentemente as coisas e nota-se em alguns assuntos um desconhecimento espantoso do que fala, aliado a uma espécie de dogmatismo messiânico ("o das barbas [Deus]não me deixou afundar e puxou-me"). Parece encarnar o "realismo mágico", de tão sul-americano que é, e note-se que curiosamente teve o apogeu da sua carreira no ano da morte de Jorge Luis Borges. Bola, família, truculência, latinidade, anti-anglo-saxonismo, fervor místico, um percurso errático com imensos vícios: eis Diego Armando Maradona.
Kusturica, naturalmente, quis fazer este filme atraído pela figura irreverente do génio da bola que despertou paixões e ódios como poucos, cocktail explosivo de bola e truculência revolucionária que bem podia vir da sua Sérvia. Podia igualmente ser uma personagem dos seus filmes, com personalidade tão balcânica. Sendo real, ficou-se por um documentário. Mas para além da familiaridade que viu em Maradona há ainda o carácter político e panfletário da obra: um nacionalista sérvio como é o realizador não podia deixar de aproveitar uma figura conhecida mundialmente que disparasse tão ferozmente contra os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, os mesmos que bombardearam Belgrado há dez anos e que acabaram com a Jugoslávia, dando a machadada final com a independência de facto do Kosovo. Assim, além de conhecer tal personagem bigger than life, usa-o como pregoeiro das suas próprias causas. As gargalhadas maquiavélicas e algo juvenis que dá amiúde quando entrevista Maradona, ao longo do filme, revelam bem a alegria que sente perante os torpedos verbais contra os ódios de estimação.
O documentário acaba por divertir medianamente, sobretudo nos passeios por entre as ruas de Nápoles e Belgrado, com algumas imagens de arquivo preciosas e recordações de jogadas de futebol realmente geniais. Enfastia nos discursos políticos e nas sequência familiares, a apelar à lágrimazinha. Mas a cena em que se vê o burlesco e a loucura que envolve Maradona é o casamento pela Igreja Maradoniana: perante uma cópia das orações cristãs adaptadas ao seu vocabulário próprio, um casal jura perante a "bíblia maradoniana" e uma bola de futebol que Maradona é o melhor jogador de sempre. Depois, para firmar o matrimónio, têm de marcar um golo com a mão, imitando o do seu ídolo em 1986. A cara do noivo gritando golo vale quase só por si o bilhete do filme e resume bem a personagem tão irreverente como patética que o inspira.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Heróis improváveis no Rio da Prata


segunda-feira, agosto 24, 2009


domingo, junho 28, 2009
sexta-feira, junho 26, 2009

domingo, junho 14, 2009
Como em todas as tradições em que S. Jorge mata o dragão, o combate entre o Bem e o Mal dá-se entre um cavaleiro e um gigantone com rodas, empurrado por vários homens, cobertos com a "carapaça" da coca, em forma de dragão malévolo, com um pescoço que se move. Tem lugar no centro da vila, na praça DeulaDeu, que relembra a grande heroína de Monção. O cavaleiro tem de cortar a orelha à Coca e só desta forma é considerado vencedor. O problema é por vezes o próprio cavalo, que foge com medo da figura, provocando o riso geral e impossibilitando a façanha a "S. Jorge". Esta é a tal festa que perdi e que o meu pai chegou a assistir noutros tempos da sua infância, que passou por aquela vila debruçada sobre o Minho.
A representação da Coca lembra-me a Tarasque, o monstro lendário, de enormes dentes, forte carapaça e cauda de escorpião que atormentava a Provença, e que segundo a lenda, terá sido amansado por Santa Marta, que ali andava em evangelização. A cidade de Tarascon (também conhecida pelo célebre Tartarin de Tarascon, das novelas de aventuras de Alphonse Daudet) deveria o seu nome à Tarasque. Alguma ligação haverá entre esta tenebrosa criatura e a Coca, já que em algumas cidades de Espanha, nas procissões do Corpo de Deus, surgem figuras simbolizando a Tarasca. Mais ainda: Monção está geminada com Tarascon-sur-Ariége, que fica já perto dos Pirinéus mas cujo nome não deverá ser alheio à origem do da Tarascon da Provença. Mais indícios que indicam que entre a Tarasque e a Coca haverá um qualquer parentesco. E que há sempre um santo por perto capaz de os dominar.
quarta-feira, junho 03, 2009
A despedida dos guerreiros


domingo, maio 31, 2009








