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segunda-feira, janeiro 14, 2019

O equívoco Mário Machado


A famigerada entrevista de Mário Machado por Manuel Luís Goucha (isto dito assim seria digno de um jornal satírico), além de levantar celeuma pela qualidade do entrevistado, dividiu um pouco as hostes da micropolítica. Parece que pelo facto de alguma esquerda bramir contra a entrevista, alguma direita pespega com exemplos aparentemente equivalentes que tiveram honras de entrevistados ou até de colunistas, como Camilo Mortágua, Isabel do Carmo ou Otelo Saraiva de Carvalho. Nuno Melo, cabeça de lista pelo CDS às europeias, por exemplo, é um dos que cai nessa armadilha, mais digna de conversas de rede social. É que tirando talvez Otelo, pela sua ligação às tenebrosas FP-25, é difícil equiparar Machado a qualquer um dos outros, e muito menos a Mariana Mortágua, que surge à baila. O equivalente directo seriam as redes bombistas dos anos setenta, também com crimes nas mãos, como o da morte do Padre Max (já depois do 25 de Novembro), cujos autores nunca foram punidos nem sequer condenados. Um dos prováveis autores morais, aliás, teve um elogio póstumo do mesmo Nuno Melo, o que talvez ajude a explicar  o esquecimento.

A ver se nos entendemos: Mário Machado não é um político, nem representante de um sector político, tirando uma dúzia de neonazis. É um delinquente e um psicopata, preso por associação a grupos de criminosos e assassinos, posse de arma, ameaças, etc. Ultimamente tem arquitectado planos para dirigir a Juve Leo, depois da bela operação  criminosa que as cúpulas da claque sportinguista protagonizaram, e de uma facção de motards, Los Bandidos, não  exactamente conhecidos  por actos de beneficência. Talvez a indignação de alguma esquerda por lhe darem a palavra, desde que não lance mensagens de ódio, seja contraproducente e oportunista. Mas a defesa, ou pelo menos a ausência de crítica de alguma direita, fazendo equiparações abusivas, dá a impressão de que tolera Machado, ou que não se incomoda grandemente com ele, passando a ideia de que ele é o radical do "seu lado". Dar importância política a quem tem somente importância criminal, eis o profundo erro dos que recordam eventuais equivalências do outro espectro.

Mas há ainda outra aspecto esta história toda que me deixa espantado: é a pergunta "acha que faz falta um novo Salazar", e sobretudo que Mário Machado ache que sim, É que com o currículo de desordeiro que tem, o mais provável é que no tempo de Salazar ele fosse posto na masmorra ainda mais anos.
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quarta-feira, novembro 14, 2018

Cobras e bonsais


Tocar nos clássicos é tarefa delicada. Fazer sequelas muitos anos depois é um caminho provável para a catástrofe. Mas se forem retomados sem se levarem demasiado a sério, para mais com os protagonistas originais, e se estes envelheceram bem (ou o suficiente para voltar ao sítio onde foram mais ou menos felizes), podem surgir daí resultados interessantes. Ah, e se os papeis do "herói" e do "vilão" levarem ali umas voltas e se confundirem, melhor ainda.

Trinta e tal anos depois do início, Karaté Kid está de volta, agora em forma de série do Youtube. Com os protagonistas agora cinquentões (finalmente o Ralph Macchio tem um aspecto parecido com a real idade dele), as filosofias de vida e de guerra, e todos os paradoxos ligados à pertinente questão "afinal quem é o bom e quem é o mau".


quinta-feira, agosto 23, 2018

Notas de verão


Durante muitos anos imaginei com seria uma série, um filme, ou qualquer coisa audiovisual passada em Moledo, farto que estava que as coisas só se passassem em Lisboa, por vezes no Porto, e que no Verão só o Algarve fosse devidamente filmado. Moledo só aparece por vezes em reportagens de jornais e revistas, para falar dos seus "notáveis", da nortada, do nevoeiro, e outros lugares comuns simplistas. Com os anos, esses pensamentos desvaneceram-se.

Mas eis que surgiu uma série passada aqui, de seu nome Verão M, inspirada no Verão Azul da nossa infância, em que um antigo casal de namorados se reencontra, e os respectivos filhos partem à descoberta destas paragens. Há alguns anacronismos (tapetes de flores do Corpo de Deus em Agosto?), alguns factos reais (a chaminé do barco afundado entre a Ínsua e a praia), muita imagem bonita de drones (fieis à realidade da beleza da terra), e uma narrativa simples e sem grande criatividade, mas que entretém. Não falta sequer o velho marinheiro retirado, que se torna amigos das crianças, e que mora inverosimilmente no moinho ao lado do pinhal - que há bem poucos anos esteve em risco de derrocada com os ataques do mar.

Enfim, talvez não fosse o que tinha em tempos em mente para filmar Moledo, mas serve. Não há coisas que desapareceram, com a extensão das dunas, a bola Nívea da praia e o único bar da altura, o extinto Pica-Pau, aberto todo o ano, os torneios de futebol e as míticas idas à Indústria Agrícola, encarrapitada nos montes de Cerveira, em que se via o amanhecer sobre o estuário do Minho, ou outras que permanecem, como os passeios de bicicleta, os jantares em Espanha, já do outro lado, ou as festas com viras e cana verde. Mas naqueles rapazinhos e rapariguinhas que se tornam amigos e que descobrem a terra e a sua envolvente, e nos pais que recordam os melhores verões das suas vidas e que tentam fazer regressar os momentos em que foram felizes (no meu caso, mais nestes), há algo de autobiográfico, de familiar, de próximo que não se consegue negar. Só por isso, valeu a pena exibir o Verão M. Porque sem este M, para todos os que passámos por isto
, não haveria Verão.
moledo.jpg

quinta-feira, dezembro 21, 2017

Os Habsburgos na RTP2


Apesar das séries de TV - ou agora até da net, ou de um híbrido entre as duas - estarem em grande, suplantando mesmo o cinema, não sou grande seguidor. A oferta é imensa, tem inúmeras categorias, e a obrigatoriedade de seguir os episódios, sobretudo quando há várias épocas, implica um esforço de fidelidade que tem os seus custos. 

Quando não são extensas acompanho uma ou outra. E há algumas que não sendo especialmente mediáticas têm o seu interesse. É o caso de uma produção que passou na RTP2 até há cerca de duas semanas, com o título português Maximiliano: Poder e Amor (no original Maximilian: Das Spiel von Macht und Liebe), que narra o encontro do herdeiro do trono do Sacro Império que dá nome à série com a duquesa da Borgonha. Centrando-se na particular relação entre os dois, com as habituais sub-tramas de romances pelo meio, a série mostra-nos um período charneira da história da Europa, entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento. Constantinopla caíra poucos anos antes, na mesma altura em que findava a Guerra dos Cem Anos, e Portugal tinha iniciado a expansão africana. A história começa com a notícia da morte de Carlos, o Temerário, na batalha de Nancy, e das atribulações que a sua filha Maria teve de passar, em particular com a burguesia flamenga (a duquesa da Borgonha tinha a sua corte na então próspera Gand), pouco afecta à casa ducal e mais próxima da França de Luís XI, inimigo jurado do Temerário, com cujo filho (quase uma criança) pretendia casar Maria, anexando o velho ducado e seus territórios, que então se estendiam da Borgonha propriamente dita até à actual Holanda, aos territórios franceses. Dando a volta a estas maquinações, Maria casar-se-ia com Maximiliano.

Não querendo fazer demasiadas revelações caso a série volte a passar na TV um dia destes, compreende-se melhor assim o fim de uma potência, a Borgonha, que a ter sobrevivido como estado (e como reino, como pretendia o Temerário) mudaria bastante a geopolítica da Europa como a conhecemos, e a ascensão de outra. O Sacro Império passava por inúmeros problemas, numa altura em que os exércitos eram sobretudo constituídos por mercenários, para cuja manutenção era preciso dinheiro, que não abundava nos cofres dos Habsburgos. Para mais, estavam rodeados de poderosos inimigos - a França a oeste e a leste a Hungria do poderoso Matias Corvino e seus estados vassalos, como a Valáquia do célebre Vlad, o Empalador. Ironicamente, a coroa da Hungria seria mais tarde ostentada pelos Habsburgos. Mas todos esses problemas são retratados na série, onde começa a formar-se a dinastia que dominaria a Europa no futuro próximo. Se então a Borgonha passava por uma crise dinástica, Castela passava por outra, que acabou com o triunfo de Isabel, a Católica, sobre a pretendente apoiada por Portugal, Joana, a Beltraneja. A resolução das duas acabaria por ficar umbilicalmente ligada: o filho de Maximiliano e de Maria, Filipe, o Belo, casar-se-ia com a filha dos Reis Católicos (de Castela e de Aragão), Joana, a Louca, e o filho de ambos, que a História recorda como Carlos V, herdaria os títulos de Imperador do Sacro-Império, Duque de Borgonha (embora a região com esse nome tivesse sido anexada pela França) e Rei de Castela e Aragão, com todos os territórios inerentes e ainda os do Novo Mundo. O seu filho Filipe seria também, a partir de 1580, Rei de Portugal, como se sabe.

Claro que grande parte destes acontecimento não vêm narrados na série, que decorre num período de cinco anos. Nela cabem o romance, a intriga, a traição, a desobediência e a guerra, num ambiente algo pesado e penumbroso. Tem também uma excelente fotografia e alguns aspectos curiosos, como o facto de todos falarem na respectiva língua e em mais nenhuma - o austríaco falava com a borgonhesa em alemão e esta respondia-lhe em francês, ao passo que em Gand se falava flamengo. Nem uma palavra em inglês. Só é pena que não tenha sido referido um pormenor: o de Maximiliano e Maria, que antes do casamento nunca se tinham visto (e casam mesmo por procuração) serem já primos, uma vez que a mãe dele, já morta na altura dos acontecimentos, e a avó dela eram sobrinha e tia, ambas portuguesas, ambas da casa de Aviz (filha de D. Duarte e de D. João I, respectivamente). Tirando a omissão lusa e outras de menor importância, e só lamentando não haver mais cenas de batalha, a série cumpre perfeitamente a função didáctica. Que haja mais.

terça-feira, março 15, 2016

Nicolau Breyner 1940 - 2016


Nicolau Breyner era daquelas personalidades de que não nos lembramos de não conhecer. Para além da sua participação em novelas (protagonizou a primeira novela portuguesa, "Vila Faia", como o camionista João Godunha), teatro, programas de humor, concursos, talk-shows, sitcoms desengraçadas e séries de humor engraçadas ("Gente Fina é outra Coisa", em que dirigiu Amélia Rey Colaço) e até uma breve passagem pela política - quando se candidatou à câmara da sua terra, Serpa, cometendo a proeza de levar o CDS ao segundo lugar em pleno Alentejo dominado pelo PCP - fica-nos acima de tudo a sua passagem pelo cinema, terreno onde demonstrava todo o seu valor e a sua versatilidade como actor, tanto em comédia como em drama. E resta-nos também essa obra e a imagem de um homem de fé - tal como este blogue, benfiquista, monárquico e católico - que parecia estar sempre bem com a vida.


sábado, maio 09, 2015

O povo que canta: a televisão portuguesa a gostar dela própria


A RTP-2 está um portento de canal, e isso já vem de antes da mudança de direcção da estação. Séries de qualidade, documentários, programas de história, como o de Fernando Rosas (que puxa um pouco a brasa à sua sardinha, mas em compensação tem imagens fabulosas colhidas por drones), espaços de debate e informação como o já clássico Sociedade Civil, programas de desporto, religião, literatura, natureza, etc. Em suma, um autêntico serviço público televisivo que eu só espero que não alterem.


Um dos programas mais sugestivos e originais do canal, e talvez o melhor que anda por aí, é O Povo que Ainda Canta, uma espécie de braço televisivo do projecto de recolha de música tradicional A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria (o site está parado, mas tem imensas coisas dignas de ser vistas e ouvidas, e há sobretudo a página do Facebook). Sob a direcção do seu mentor, Tiago Pereira, e de um conjunto de incansáveis colaboradores, o programa corre o país de lés a lés, quais Giacomettis do século XXI (que tinha uma emissão chamado Povo que Canta, vendo-se aqui uma homenagem explícita no actual programa, e em que por acaso até são entrevistadas pessoas que tiveram contacto e que deram elementos preciosos ao célebre etnógrafo corso), gravando, filmando e entrevistando tudo quanto seja música tradicional portuguesa.


Desde o fado da Mouraria até às tradições musicais do Nordeste transmontano, das chamarritas do Faial e Pico ás concertinas e castanholas do Alto Minho (com grande destaque à romaria de são João d ´Arga e conversas com o sr. Joaquim Barreiros, de Âncora, pai do famosíssimo Quim Barreiros, e que não sabia se seria ainda vivo), passando pelos gaiteiros da região de Coimbra, os adufes da Beira Baixa, os grupos musicais da Beira interior, o fandango ribatejano, o cante alentejano, e o que ainda mais virá, é todo um país que se descobre nas suas riquíssimas e variadas facetas musicais, algumas quase desconhecidas e que poderiam estar condenadas à extinção não fosse este enorme trabalho de recolha e divulgação. Um povo que ainda canta e que se redescobre. Para ver na RTP-2, nas noites de Quinta-Feira, com repetição ao Domingo. E se perderem algum episódio, podem-no descobrir e ver aqui. Acima de tudo vejam e ouçam. É a expressão mais genuína e mais viva de Portugal que está contida nestes pequenos episódios de menos de meia hora.


segunda-feira, agosto 05, 2013

Símbolos dos eighties que se vão

 
 
Os anos oitenta registaram grandes perdas nos últimos dias de Julho. Não só Fernando Martins, o presidente do Benfica que teve a brilhante ideia de contratar Eriksson (com o êxito que lhe é reconhecido), fechou o grandioso terceiro anel da Luz e recuperou a moral a uma equipa que tinha acabado de perder 7-1 para o seu maior rival, levando-a a conquistar o título daquele ano. Também desapareceu Dennis Farina, habitual em séries policiais, que ora fazia de gangster, ora de polícia. Foi precisamente no papel de um cop, o temerário Mike Torello, que protagonizou uma famosa série policial dos anos oitenta, Crónica do Crime (ou Crime Story), numa América pujante e mitificada dos anos cinquenta, sempre numa luta interminável de morte contra o impiedoso vilão Ray Luca, e que teve um final algo abrupto. Lembrei-me precisamente da série e da sua banda sonora quando soube da sua morte. Ficou o genérico, como recordação.
 
 

quinta-feira, março 28, 2013

A vitória mediática de Sócrates

 
Do que vi sobre José Sócrates retive que o ex- Primeiro Ministro, como esperava, se mantém o mesmo: petulante, combativo, rancoroso, determinado, misturando verdades com aldrabices (assumiu a responsabilidade por 8 PPPs rodoviárias, mas misturou os números das suas negociações; considerou que o PEC4 salvaria o país, quando a intervenção externa era necessária havia meses), e, evidentemente, recusando qualquer responsabilidade pelo estado do país - António Guterres mantém-se mesmo como caso único.
 
Mas a entrevista teve um êxito retumbante. Conseguiu imensa audiência, pôs o país inteiro a falar - bem ou mal -  de Sócrates, e sobretudo, como exemplo maior dessa divulgação, colocou tudo quanto é comentador e político (ainda hoje no Parlamento a usaram), ou as duas coisas, a utilizar a palavra "narrativa". Isto sim, espelha bem a sua a vitória mediática.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

O fim do mundo pode esperar


O Mundo acaba amanhã, no dia mais curto do dano? Segundo uma sistema de contagem do tempo atribuído aos maias (e a algumas seitas, histéricos e new agers mais crentes), sim. O problema é que há vários sistemas de contagem em diferentes cidades maias, sem falar nos utilizados por restantes povos da América Central. Assim, o apocalipse segundo os pré-colombianos parece  improvável, sobretudo para quem como eu dê mais crédito aos Evangelhos - como Cristo ainda não voltou segunda vez à Terra, não há que nos preocuparmos.
Mas seria também um tremendo egoísmo por parte dos maias, ou até uma flagrantíssima falta de oportunidade de nos mostrarem melhor as maravilhas da sua civilização. É que mais de vinte anos depois, temos aqui a sequela das Misteriosas Cidade do Ouro, estreadas há pouco nos países francófonos, mas que não têm, tanto quanto julgo saber, data marcada para ser vista em Portugal. Como antigo e saudosos fã da série, é um falta inominável não mostrarmos às novas gerações tão fabulosa série, que combina história (havia sempre no fim um micro-documentário muito didáctico sobre os factos reais que tinham inspirado o respectivo episódio), aventura e ficção científica. Para os maias, então, essa falta deveria dar condenação certa para serem os primeiros a perecer. O pecado da avareza não podia escapar sem punição.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Eleições no Benfica e traços da guerra das audiências



Finalmente Luís Filipe Vieira tem como adversário um candidato com alguma credibilidade. Infelizmente, Rui Rangel pareceu-me demasiado verde para a contenda. anunciou a candidatura já tarde, não reuniu tantos apoios como se esperava e cometeu inúmeras gaffes. Seria bom que Vieira apanhasse no mínimo um susto e parasse com declarações demagógicas. Sim, o Benfica está nitidamente melhor do que há nove anos, mas também podia ter arrumado melhor o passivo e os empréstimos bancários e ganho o campeonato do ano passado. E cesarismos nunca deram grande resultado no clube da Luz. Ar fresco precisa-se, mas não estou a ver grandes meios de ser Rui Rangel a abrir as janelas. Além disso, quem conta na sua lista com Eusébio, Rui Costa, Nuno Gomes, Fernando Martins, etc, é praticamente imbatível.
 
Mas há um pormenor irónico e que nos remete para as antigas batalhas de audiências entre os canais televisivos. José Eduardo Moniz é um fortíssimo trunfo de Vieira, e não há dúvida de que, se tiver poder para isso, poderá ser uma enorme mais valia no Benfica. Rui Rangel é irmão de Emídio Rangel, o antigo homem forte da SIC, que levou a estação de Carnaxide aos píncaros e que teve batalhas titânicas com Moniz, ultrapassando-o largamente quando este era director de programas da RTP, e deixando-se passar novamente quando o agora candidato do Benfica transitou para a TVI, graças ao infame Big Brother. Fosse outro Rangel o adversário de Vieira nestas eleições, e teríamos a reedição de uma grande rivalidade e de um combate longo, com pormenores de destruição maciça, qual Primeira Grande Guerra. Felizmente os tempos de Vale e Azevedo já lá vão. Mas avizinham.se novas guerras com a Olivedesportos e quem a possui.
 
 

domingo, setembro 09, 2012

Concurso desfalcado


Estava ali a dar na TV a cerimónia de "escolha" das sete praias mais maravilhosas de Portugal, ou como se chama o concurso. Não lhe dei grande importância, embora a parte que tenha ouvido, felizmente, tenha sido a vitória da praia da albufeira do Azibo, em Trás-os-Montes (antes assim), e recusei-me absolutamente a votar nisso. É que um programa que quer eleger as melhor praias de Portugal e não apresenta como concorrente a praia de Moledo, que seria uma maravilha nacional até num concurso que não fosse exclusivamente de praias, não vale a ponta de um chavo.
 
 

quinta-feira, maio 31, 2012

Recordando périplos portugueses



A RTP está a transmitir o programa Mar das Índias, em reposição às segundas-feiras à noite, na 2, como homenagem ao seu mentor, Miguel Portas. Os dois primeiros episódios, respectivamente sobre a costa da África oriental e a Etiópia, já foram transmitidos, faltando os outros dois. Perdi o primeiro mas consegui apanhar o segundo, precisamente o que mais me interessava. É um documentário fascinante no grande estado cristão no interior de África, que conta a aventura portuguesa e dos jesuítas nas supostas terras do Prestes João, e traça um périplo no Norte daquele país, com um Miguel Portas mais novo e muito longe da habitual actividade política. Ainda me lembrava do programa (motivo da minha única troca de palavras com Portas), mas revê-lo permitiu-me ficar com uma ideia mais precisa de uma das zonas do globo que mais gostava de visitar. Infelizmente, os portugueses não têm actualmente tanto interesse no mais antigo estado africano como tiveram os seus antepassados dos séculos XV e XVI (ou os italianos dos anos trinta). Este episódio de Mar das Índias é, para quem o viu, uma excelente forma de conhecer a Etiópia. Como complemento útil aconselha-se também Histórias Etíopes, súmula de descrições, narrativas e desenhos da autoria de Manuel João Ramos, um conhecedor daquelas paragens.


segunda-feira, novembro 29, 2010

Acabou o Contra


Acabou o Contra Informação. Durante mais de uma década, foi o mais verrinoso programa de humor televisivo, o mais subversivo, o mais inspirado. Os trocadilhos dos nomes dos bonecos eram sempre inventivos, e de lá saíram diálogos e situações brilhantes, como as célebres galas. Não havia figura pública que não estivesse representada, e houve mesmo quem se sentisse posto de lado por não ter o seu próprio boneco. Durante muito tempo era o programa televisivo que mais fazia questão de ver. Ultimamente, já vinha perdendo fôlego e imaginação, e estava reduzido a um discreto bloco semanal. Agora acabou, definitivamente. Pode ser que qualquer dia venha um substituto, porque o modelo está longe de estar esgotado (recorde-se que antes do Contra já tinha havido o Cara Chapada, na SIC). Certo é que a televisão portuguesa fica mais pobre. Ou melhor dizendo, ainda mais pobre, mais sensaborona e mais servil.

terça-feira, janeiro 26, 2010

Ideias para subverter modas passageiras
A moda dos vampiros juvenis e apaixonados, popularizada pela saga Twilight, chegou a Portugal. Por toda a parte se vêem cartazes anunciando uma nova série da TVI, de seu nome Destino Imortal, transpondo para Portugal esta mistura de vampiros com Morangos com Açúcar (por acaso, uma criação do mesmo canal). Mas olhando para os cartazes, surgem-nos uma ameaçadora Evelina Pereira, uma Catarina Wallenstein desbotada, tal como os correligionários ao lado, e uma Maria João Luís e um Rogério Samora pálidos mas com ar cândido, quase ingénuo. Ora com essas expressões podia-se criar qualquer coisa com mais nonsense, com mais humor. Há uns anos surgiu o Ninja das Caldas, uma produção nacional de baixo custo com conhecido sucesso. Levando por diante esse modelo, podia aparecer qualquer coisa como os Vampiros de Oliveira de Azeméis, o Drácula de Loulé, o Nosferatu de Espinho ou o Blade do Monte da Caparica. Se as televisões generalistas não pegarem nisto, algum cineasta amador há de o fazer.

domingo, junho 01, 2008

O videoclip mais britânico de sempre






Descobri que Don´t look Back in Anger, dos Oasis, é o mais british dos videoclips. Como se sabe, a banda dos irmãos Gallagher foi a mais popular dos anos noventa no Reino Unido, tendo ficado muito à frente em discos de platina (mas não necessariamente em qualidade) dos seus rivais Blur. Em 95/96 a banda esteve no seu auge com o álbum Morning Glory, com músicas que se tornaram clássicos dos anos noventa como Wonderwall, e o número de crianças chamadas Liam ou Noel aumentou brutalmente. Depois de muitas zangas, copos e escândalos, o grupo deixou de interessar ao resto do mundo e resguardou-se na sua sempre alta taxa de popularidade no Reino Unido.Don´t look back in Anger é também das mais conhecidas músicas desse álbum. Além da música, muito Beatles (como era próprio dos Oasis), tipicamente britpop, o videoclip transpira Britishness: o London cab, a mansão com o seu garden, a própria postura e visual da banda (com a inevitável pandeireta, porventura o instrumento mais utilizado da britpop), etc. Mas há um pormenor que atribui só por si o galardão à banda: a presença de Patrick Macnee, o célebre John Steed da série dos anos sessenta Os Vingadores, que aprendi a conhecer nos Agora Escolha e que a RTP-Memória em boa hora repôs. Steed é o gentleman inglês em todo o seu esplendor, com os seus fatos impecáveis, o seu chapéu de coco, e o seu guarda-chuva que o salva em mais do que uma ocasião, sabe também lutar com mestria e manejar armas e cumpriu o serviço militar na Segunda Guerra. É o elemento imutável da série, acompanhado de uma agente que tanto pode ser Emma Peel como Tara King, ou outra. Houve ainda uma infleiz adaptação ao cinema, com Raçph Fiennes e Uma Thurman. No clip aparece como o velho condutor do táxi, e pelo meio vê-se a sua silhueta rodando o guarda-chuva. Com tão ilustre personagem, que provavelmente fará inveja ao Prof. Espada, não tenho quaisquer dúvidas que o nº1 dos telediscos british iria certinho para Don´t look Back in Anger.