Nos 3 anos de invasão da Ucrânia, os EUA votaram contra um resolução que condenava a Rússia e pedia respeito pela integridade territorial ucraniana. Votaram 16 países contra essa resolução, incluindo, para além da Rússia e Estados Unidos, a Coreia do Norte, a Eritreia, a Guiné Equatorial, a Nicarágua, a Bielorrússia e mais meia dúzia de regimes da mesma extracção.
terça-feira, fevereiro 25, 2025
Novos amigos
quarta-feira, fevereiro 19, 2025
Um cúmplice
Ao vir hoje chamar "ditador" a Zelensky e ao culpá-lo pela invasão russa, entre mentiras que inventa constantemente nesta era que (em parte graças a si) muitos chamam de "pós-verdade", Trump mostra de novo que é um fora da lei com um poder imenso. Outra coisa não seria de esperar de alguém que incita à invasão do Capitólio, que afirma estar "acima da lei" para governar o país e que considera ter imunidade plena.
sexta-feira, fevereiro 14, 2025
O descalabro trumpista
Desde que tomou posse, a administração Trump já demonstrou querer "comprar" a Gronelândia, quer que o Canal do Panamá lhe seja "restituído", considera que o Canadá - uma monarquia maior que os EUA - devia ser o seu "51º estado", renomeou o Golfo do México, impôs sanções ao TPI (?) porque parece que anda a chatear o seu amigo Netanyahu e na semana passada apresentou uma das ideias mais patéticas de que há memória nas relações internacionais: a reconstrução de Gaza, sob ocupação americana e israelita, como destino turístico, por "razões humanitárias", tendo os palestinianos de ir para o Egipto e a sobrecarregada Jordânia, sem garantia de regresso. Julgava eu que deportações era mais com a Rússia, mas os árabes apressaram-se a dizer que nem pensar, pelo que a coisa não deverá seguir em frente.
segunda-feira, janeiro 20, 2025
A tomada de posse de Trump
Dei uma vista de olhos a um resumo de Trump na sua tomada de posse, e ao contrário do que alguns previam, está bem longe de ser agregador: a anterior presidência é "uma traição", os incêndios na Califórnia são culpa de Trump", "vamos perfurar petróleo como nunca se viu", "vamos acabar com os carros eléctricos" (menos o Tesla, aposto), "vamos deportar todos os legais" (e os que estando ilegais, já pagam contribuições e são essenciais na agricultura?), etc.
quarta-feira, novembro 06, 2024
Trump, de novo
Analisemos: um tipo que não reconheceu uma derrota eleitoral sem dar provas disso e que inspirou um assalto ao Congresso nacional do seu país, pondo em risco de vida o seu próprio vice, e com inúmeros processos à perna, acaba de ser reeleito presidente por números que não deixam grande margem para dúvidas, para além de ter ganho o Congresso e o Senado. Como já tinha superioridade no Supremo Tribunal, podemos dizer que um homem com tendências cesaristas e autoritárias tem na mão o poder executivo, legislativo e judicial dos EUA, pulverizando o sistema de contrapesos políticos que equilibra os EUA, ou seja, vai poder fazer o que quiser, inclusindo auto-indultar-se.
quinta-feira, julho 25, 2024
N´América
Em 30 dias, as expectativas eleitorais americanas deram mais reviravoltas que uma montanha russa (e a expressão russa não está aqui por acaso): debate na TV que expôs as fragilidades de Biden, atentado que raspara na orelha de Trump e previsão de que este já teria ganho as eleições, à frente em todas as sondagens; desistência de Biden, aclamação de Kamala e a subida nas sondagens desta última.
quinta-feira, fevereiro 08, 2024
Trump Carlson em Moscovo
Depois de se dizer que era mero boato, Tucker Carlson, que acabou despedido da Fox por confessar em privado que tinha dito disparates em notíciário, lá entrevistou Vladimir Putin, para "esclarecer os americanos da verdade", como se Putin não a tivesse divulgado em inúmeras ocasiões, embora nem sempre com a mesma base. Escolheu bem o dia: o mesmo em que a candidatura de Boris Nadezhin, o único contra Putin, acabou recusada, como acontece sempre que há um candidato contra o incumbente.
domingo, janeiro 09, 2022
Os psicopatas americanos no Congresso
American Psycho, ou Psicopata Americano, é um romance, chamemos-lhe assim, escrito no início dos anos noventa por Bret Easton Ellis que retrata de forma crua, amoralmente ostensiva e exaustivamente descritiva a idade de ouro dos yuppies na segunda metade dos anos oitenta, no pré-crash de 1987. A narrativa centra-se no modo de vida de Patrick Bateman, um financeiro de Wall Street com menos de trinta anos, de início mais nas suas obsessões materiais - a casa, a decoração, os aparelhos de alta fidelidade, os produtos de beleza e de higiene, o culto do corpo, os fatos, as gravatas, os restaurantes de luxo, as drogas, as amantes e as prostitutas - e mais à frente na sua faceta (ainda) mais negra que justifica o título da obra, tudo entrecortado pelas detalhadas críticas musicais dos músicos favoritos da personagem, que surgem como curiosa Hybris normalmente em situações inesperadas.
O livro, já de si um sucesso comercial e de crítica, foi adaptado ao grande ecrã em 2000, com Christian Bale a compor um impressivo Bateman num desempenho que projectou a sua carreira. Como já se percebeu, o protagonista espelha uma ganância e uma obsessão materialista tais (de que é exemplo o seu acesso de fúria só porque os correligionários têm cartões de apresentação mais caros e polidos que os dele, o que terá consequências funestas) que é capaz de transformar Gordon Gekko, outra personagem fictícia deste peculiar mundo dos yuppies, num voluntário caridoso. É claro que nem todas as partes das descrições torrenciais de Ellis puderam ser transpostas para o filme, mas o essencial manteve-se.
Uma das alusões na obra a figuras reais, mais presente no livro que na película, é o culto do peculiar universo que rodeia Bateman pelos bilionários ostensivos, em geral, mas com uma especial admiração: Donald Trump. Sim, Trump e as festas que ele dá, os locais que frequenta e os seus carros. Trump é o modelo, a bússola e farol, aquilo que esta mole de gente endinheirada, entediada e amoral pretende ser.
Recordei-me de novo do livro/filme e das suas alusões a propósito do primeiro aniversário da invasão do Capitólio por aquela horda estranhíssima e alucinada, que deixou como resultado cinco mortos e uma imagem de ultraje e vergonha à democracia americana, mais própria de um país do interior de África. Tinham vindo de vários pontos dos Estados Unidos, numa das alturas mais gélidas do ano, para ouvir o discurso de Trump em frente ao congresso. Um discurso aliás de acusação e de incitamento directo contra a câmara legislativa, na senda da não aceitação do resultado das eleições de dois meses antes e das alusões a supostas fraudes. As palavras eram demasiado explícitas para que não se possa ligá-las ao que sucedeu a seguir. Aliás, até parecia que alguns adoradores trumpistas, mesmo deste lado do Atlântico, já o estavam a pressentir, referindo-se a "demonstrações do triunfo do "America First" que iriam surgir em Washington. Até tinham razão, como se viu.
Trump flutua entre um instinto político eficaz e uma mitomania que se torna pública muitas vezes. Era sem dúvida este último sentimento que o dominava naquele dia. Provavelmente, no embalo daquele discurso a meio caminho entre um ditador sul-americano e o general Custer lançando ordens contra os índios, não previu que as consequências pudessem ser tão funestas. Mas foram (por pouco não o foram para o próprio Mike Pence) e são indissociáveis do seu discurso de raiva que levou aquela mole desvairada habituada a "informar-se" no Qanon a cometer um acto tão grotesco.
O contraste entre esta gente e a retratada em American Psycho é gritante, a começar pela forma de trajar e a acabar na capacidade económica. As respectivas mundividências também são abissalmente diferentes. O que as une é a admiração e a confiança quase ilimitada em Trump, embora por razões diversas. Mas é bem mais compreensível vinda dos segundos, já que Trump é ele próprio um símbolo do materialismo (e de muito exibicionismo, como se observa na sua Trump Tower e no seu avião, por exemplo) e da ganância de um lado mais perverso do "sonho americano", além de ser nova-iorquino e de ter vivido quase sempre na Big Apple. Já da parte dos invasores do Capitólio é bem menos lógico, pois falamos de gente mais proveniente do Midwest e do Deep South, menos cosmopolita e mais susceptível a propaganda e com muito menos poder económico. Trump e a fauna de Wall Street estão a anos-luz desta massa de proletários sem rumo, em muitos casos desprezando-os até, e são o oposto aos princípio cristãos (com uma interpretação muito própria do cristianismo, é certo, muito WASP) e aos modelos de família por eles defendidos.
Em suma, Patrick Bateman admira Trump não só pelas suas posses mas sobretudo por não olhar a meios para atingir os seus fins e por possuir um ego do tamanho do mundo - pela fortuna, antes de mais, e depois pelo poder político - o que o faz sentir-se quase uma divindade omnipotente perante os outros seres que o rodeiam. Combina o dinheiro, o poder e o sexo, a avaliar pelas suas bravatas. Aquela frase de que "podia dar um tiro a alguém na Quinta Avenida que não perdia um voto" seria certamente do agrado de Bateman e poderia perfeitamente ser dita por ele. Ao criar a personagem, Ellis pôs muito de Trump nela, embora não pudesse prever que uma tal levaria à invasão do Capitólio. Com a diferença de que Patrick sabe certamente muito mais de música popular contemporânea do que Donald.
sexta-feira, janeiro 08, 2021
Assaltar parlamentos
Ao ver as imagens do "índio" a encabeçar a invasão do Capitólio, só posso pensar que o slogan de Trump era afinal de contas "make America indian again" (desculpem não usar "first nations", como agora se usa em correctopolitiquês, mas realmente não ficava bem).
Aquelas imagens devem ter deixado todas as repúblicas das bananas a rir-se, ou pelo menos a sentir-se vingadas. Aliás isso já se viu através de comunicados da Venezuela. São imagens que esperaríamos que viessem de países assim.
Isto choca mais por ser numa das maiores, mais antigas e mais sólidas democracias liberais, com todos os seus defeitos. Mas já aconteceu antes, sim.
Em França, em 1934, uma massa de antigos combatentes, grupos nacionalistas, tradicionalistas (como na altura pujante Action Française) e fascistas tentou marchar sobre o parlamento, no que resultaram dezenas de mortos e feridos. Anos depois iriam na sua maioria colaborar com a ocupação alemã.
sábado, setembro 12, 2020
Brechas súbitas em previsões a longo prazo
Só há umas semanas é que vi finalmente AI - Artificial Inteligence, de Spielberg. O filme data do Verão de 2001 e mostra como uma criança-robot pode adquirir emoções e capacidade de amar e sentir afeição pelos outros. É tocante e ao mesmo tempo perturbador, como é sempre que se toca nesta temática.

terça-feira, janeiro 31, 2017
Defender as fronteiras da good old América
terça-feira, janeiro 24, 2017
O discurso de Trump
quarta-feira, novembro 09, 2016
Notas de umas presidenciais surpreendentes
quinta-feira, junho 16, 2016
Conselhos com telhados frágeis
quinta-feira, dezembro 18, 2014
Cuba libre?
quinta-feira, julho 17, 2014
Little Joy
segunda-feira, julho 08, 2013
Para uma belíssima história de espionagem (real)
sexta-feira, dezembro 28, 2012
Norman Schwarzkopf R.I.P.
terça-feira, novembro 06, 2012
Sim, também gosto mais de um candidato, mas quem vota são os americanos
PS: Yes, He could again. Hardly, but he could.






