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terça-feira, fevereiro 25, 2025

Novos amigos

Nos 3 anos de invasão da Ucrânia, os EUA votaram contra um resolução que condenava a Rússia e pedia respeito pela integridade territorial ucraniana. Votaram 16 países contra essa resolução, incluindo, para além da Rússia e Estados Unidos, a Coreia do Norte, a Eritreia, a Guiné Equatorial, a Nicarágua, a Bielorrússia e mais meia dúzia de regimes da mesma extracção.

São estes os novos BFFs destes EUa de Trump: as ditaduras mais macabras do mundo, algumas com ideologia neocomunista (embora hoje quase não se vejam diferenças ideológicas). Quem diria: isto equivaleria aos Estados Unidos terem apoiado a invasão da Polónia em 1939 pela Alemanha nazi (como URSS apoiou, aliás). Felizmente à época não tinham Lindbergh.


Fonte: BBC

quarta-feira, fevereiro 19, 2025

Um cúmplice

Ao vir hoje chamar "ditador" a Zelensky e ao culpá-lo pela invasão russa, entre mentiras que inventa constantemente nesta era que (em parte graças a si) muitos chamam de "pós-verdade", Trump mostra de novo que é um fora da lei com um poder imenso. Outra coisa não seria de esperar de alguém que incita à invasão do Capitólio, que afirma estar "acima da lei" para governar o país e que considera ter imunidade plena.

Já sabíamos que isso se aplicava aos EUA, mas agora vemos que também estende a outras paragens do mundo. Do "resort em Gaza" à custa de quem lá vive às declarações sobre a Ucrânia, desde querer ficar com as terras raras até determinar quando e se há eleições ou não, tudo isso é revelador que na Casa Branca vive um puro salteador de estrada, que põe e dispõe de povos e países em prol dos seus interesses pessoais, acolitado por um sociopata tecnológico e um conjunto de lambe botas servis.
Que se dê com Putin, um mafioso encartado, não espanta nada: quando é para determinar interesses próprios, os criminosos dão-se todos muito bem, com o intuito de dividir o saque. Não adianta nada dizer que a constituição ucraniana determina que não possa haver eleições em caso de estado de sítio e que estas não têm possibilidade prática de ocorrer a curto prazo, porque pouco importa a esta gente a lei e o direito (e menos ainda a moral).

É esta gente que manda nos EUA e na Rússia: sociopatas, saqueadores e inimigos da nossa sociedade. Infelizmente temos também na Europa quem lhes obedeça, de iludidos e colaboracionistas, seja por ódio à democracia liberal, seja por serem pagos para o efeito, como o corruptíssimo Orbán. E ainda há quem ache, quase blasfemando, que defendem valores cristãos. Quem os defende está internado num hospital em Roma e nada tem a ver com esta cáfila de salteadores.
E pensar que já nos anos noventa Bret Easton Ellis tinha colocado Trump como referência máxima da amoralidade e ganância dos "american psychos". Teria Reagan, que dominava nessa altura e que era até agora a referência do partido republicano, previsto uma política tão contrária à sua?


Fonte: The Guardian

sexta-feira, fevereiro 14, 2025

O descalabro trumpista

Desde que tomou posse, a administração Trump já demonstrou querer "comprar" a Gronelândia, quer que o Canal do Panamá lhe seja "restituído", considera que o Canadá - uma monarquia maior que os EUA - devia ser o seu "51º estado", renomeou o Golfo do México, impôs sanções ao TPI (?) porque parece que anda a chatear o seu amigo Netanyahu e na semana passada apresentou uma das ideias mais patéticas de que há memória nas relações internacionais: a reconstrução de Gaza, sob ocupação americana e israelita, como destino turístico, por "razões humanitárias", tendo os palestinianos de ir para o Egipto e a sobrecarregada Jordânia, sem garantia de regresso. Julgava eu que deportações era mais com a Rússia, mas os árabes apressaram-se a dizer que nem pensar, pelo que a coisa não deverá seguir em frente.

Esta semana confirmou-se que Trump está do lado putinista: mandou dizer por interposto secretário dos assuntos externos que a Ucrânia não ia recuperar as fronteiras de 2014 e que era irrealista entrar na NATO. Até aqui, nada de chocante: pelo menos a Crimeia tem uma maioria pró-rússia e desde que um membro da NATO o vete, a Ucrânia não poderia entrar. Mas depois, planearam um tratado de paz" e conversações entre os EUA e a Rússia, sem Ucrânia nem UE, em que a Europa teria de vigiar as futuras fronteiras ucranianas, para gáudio de Putin.
Claro que isto colocou logo todos os adeptos do putinismo em alvoroço, os de esquerda como os de direita, já falando do "fim da guerr", da "derrota da Ucrânia e da Europa" e, entre nós, alcandorando o comentador Agosinho Costa, autor de algumas patetices de antologia (há dias teve outra: "não há norte-coreanos a combater na Rússia", disse o cómico militar) à sapiência suprema. Só faltou convidarem Putin a vir a Portugal com passadeira vermelha porque ao que parece uns comentadores russos perguntaram quanto custa Lisboa.
Só que tal como na ideia do "resort de Gaza", isto tem imensos furos: quais serão as fronteiras que os EUA consideram aceitáveis? Se Putin daqui a uns tempos atacar países da NATO, os EUA cumprem com o Art.5º e acodem, como é seu dever legal? E se os EUA não querem ter qualquer papel no futuro da Ucrânia e ficar absolutamente neutros, como é que podem vir dizer que os europeus é que vão lá colocar tropas se não foram tidos nem achados nas tais hipotéticas "conversações de paz"?
Entretanto, Trump já veio dizer que sim senhor, que a Ucrânia estará nas conversações, e JD Vance que a UE também terá um papel de destaque em negociações. De facto, era muito estúpido querer fazer um acordo que incluísse determinada entidade sem que esta entidade acordasse o que quer que fosse. Por isso, esta "paz" de Trump é outra conversa precipitada que os seus adjuntos se apressam a corrigir e que com certeza não vai ser bem assim como ele disse no início.
Entretanto, os Putin groupies podem tentar responder a estes cavalheiros. Na volta, nem se importavam nada de vender Portugal, uma vez que eles próprios estão vendidos.

segunda-feira, janeiro 20, 2025

A tomada de posse de Trump

Dei uma vista de olhos a um resumo de Trump na sua tomada de posse, e ao contrário do que alguns previam, está bem longe de ser agregador: a anterior presidência é "uma traição", os incêndios na Califórnia são culpa de Trump", "vamos perfurar petróleo como nunca se viu", "vamos acabar com os carros eléctricos" (menos o Tesla, aposto), "vamos deportar todos os legais" (e os que estando ilegais, já pagam contribuições e são essenciais na agricultura?), etc.

A ironia da coisa é que isto acontece no mesmo Capitólio invadido há 4 anos pelos adeptos de Trump ("we want Pence", lembram-se?). Em casos normais, Trump nem se poderia recandidatar. Agora volta à presidência (o que também diz muito das opções democratas).
E ontem o comício em Washinton lembrava um cabaret gigantesco, com mais promessas arevesadas, como a do retorno do tik tok, essa aplicação chinesa proibida na China, e percebe-se porquê (vá que se aproveitou o fim de apoios em que homens trans com corpo masculino entrem em desportos femininos, com os resultados tortuosos que se têm visto) e o perigosíssimo Elon Musk pelo meio. Confirmou-se a nomeação insana de Bob Kennedy jr. para a saúde, um dos maiores propagandistas anti-vacinas - e nem sequer se trata só das vacinas anti covid, aliás patrocinadas por Trump, mas de vacinas tout court, tendo divulgado há anos um falso relatório em que as vacinas "causariam autismo".
No fim, entram em cena os Village People, esse ícone gay dos anos setenta, com Trump no meio qual novo elemento da banda. Esta nem de caricatura...



quarta-feira, novembro 06, 2024

Trump, de novo

Analisemos: um tipo que não reconheceu uma derrota eleitoral sem dar provas disso e que inspirou um assalto ao Congresso nacional do seu país, pondo em risco de vida o seu próprio vice, e com inúmeros processos à perna, acaba de ser reeleito presidente por números que não deixam grande margem para dúvidas, para além de ter ganho o Congresso e o Senado. Como já tinha superioridade no Supremo Tribunal, podemos dizer que um homem com tendências cesaristas e autoritárias tem na mão o poder executivo, legislativo e judicial dos EUA, pulverizando o sistema de contrapesos políticos que equilibra os EUA, ou seja, vai poder fazer o que quiser, inclusindo auto-indultar-se.

Para além disso, e o que é pior para nós, é um isolacionista que pouco conhece do mundo, justamente quando alguns dos aliados tradicionais dos EUA enfrentam ameaças e guerras que colocam a sobrevivência do seu modelo político e social em jogo. O isolacionismo é uma corrente antiga e poderosa nos EUA, mais nos republicanos que nos democratas, mas não haveria altura pior do que esta para ser posto em prática. Para além disso, os elogios a Putin, Netanyhau, Xi Jiping e Kim Jon Un revelam muito das suas referências. Significa isto que a Ucrânia perderá grande parte do apoio americano, ao passo que Israel terá respaldo para fazer o que quiser. Pode significar o corte da aliança militar entre Europa e EUA e o fim de uma relação que vinha desde a II Guerra. Não é apenas alguns países da NATO, como o nosso, não contribuírem com 2% do PIB para a defesa. Antes fosse. É realmente um corte com a NATO e a Europa, aumentando ainda mais a possibilidade de guerras futuras.
Em suma, Donald Trump II, com poder quase absoluto nos EUA, será provavelmente o primeiro presidente (descontando o primeiro mandato) que não é amigo da Europa, para ser simpático. Kamala também não o seria, ao contrário de Biden, mas Trump promete vir a ser muito mais hostil. Isto diz muito tanto das prioridades do actual Partido Republicano como de boa parte dos americanos desde há muito (veja-se como Bill Clinton, com o seu "it´s the economics, stupid", venceu um George H. Bush que estava em grande no plano internacional), como da incompetência do Partido Democrata que não se soube rejuvenescer, ao convencer tardiamente Biden a desistir e a lançar a incógnita Kamala, que subiu nas intenções de voto graças à convenção que a entronizou e ao debate com Trump, mas que se revelou quase monotemática, vazia e pouco carismática. E chegamos ao belo resultado que o mapa vermelho dos EUA nos apresenta.



quinta-feira, julho 25, 2024

N´América

Em 30 dias, as expectativas eleitorais americanas deram mais reviravoltas que uma montanha russa (e a expressão russa não está aqui por acaso): debate na TV que expôs as fragilidades de Biden, atentado que raspara na orelha de Trump e previsão de que este já teria ganho as eleições, à frente em todas as sondagens; desistência de Biden, aclamação de Kamala e a subida nas sondagens desta última.

Tenho as maiores dúvidas de que a vice-presidente, com uma actuação sofrível e proveniente da esquerda do partido democrata seja candidata ideal do seu partido para derrotar um Trump que ainda está agraciado pelo seu partido, mas já não digo nada.
Entre Trump e Kamala, preferiria um Biden meia dúzia de anos mais novo e sem problemas cognitivos. Seria sempre menos polarizador, menos isolacionista e muito mais próximo da Europa.
Apesar de tudo parece haver uma réstia de juízo: Kamala atacou quem nas manifs dos EUA contemporiza com o Hamas e Trump pediu um cessar-fogo em Gaza

quinta-feira, fevereiro 08, 2024

Trump Carlson em Moscovo

Depois de se dizer que era mero boato, Tucker Carlson, que acabou despedido da Fox por confessar em privado que tinha dito disparates em notíciário, lá entrevistou Vladimir Putin, para "esclarecer os americanos da verdade", como se Putin não a tivesse divulgado em inúmeras ocasiões, embora nem sempre com a mesma base. Escolheu bem o dia: o mesmo em que a candidatura de Boris Nadezhin, o único contra Putin, acabou recusada, como acontece sempre que há um candidato contra o incumbente.

Entretanto, o Partido Republicano continua a recusar-se a enviar mais ajuda à Ucrânia, mas aprovou o envio de 16 mil milhões de euros para Israel.
Claro que não há qualquer ligação entre isto. Podia lá ser...

domingo, janeiro 09, 2022

Os psicopatas americanos no Congresso

American Psycho, ou Psicopata Americano, é um romance, chamemos-lhe assim, escrito no início dos anos noventa por Bret Easton Ellis que retrata de forma crua, amoralmente ostensiva e exaustivamente descritiva a idade de ouro dos yuppies na segunda metade dos anos oitenta, no pré-crash de 1987. A narrativa centra-se no modo de vida de Patrick Bateman, um financeiro de Wall Street com menos de trinta anos, de início mais nas suas obsessões materiais - a casa, a decoração, os aparelhos de alta fidelidade, os produtos de beleza e de higiene, o culto do corpo, os fatos, as gravatas, os restaurantes de luxo, as drogas, as amantes e as prostitutas - e mais à frente na sua faceta (ainda) mais negra que justifica o título da obra, tudo entrecortado pelas detalhadas críticas musicais dos músicos favoritos da personagem, que surgem como curiosa Hybris normalmente em situações inesperadas.  

O livro, já de si um sucesso comercial e de crítica, foi adaptado ao grande ecrã em 2000, com Christian Bale a compor um impressivo Bateman num desempenho que projectou a sua carreira. Como já se percebeu, o protagonista espelha uma ganância e uma obsessão materialista tais (de que é exemplo o seu acesso de fúria só porque os correligionários têm cartões de apresentação mais caros e polidos que os dele, o que terá consequências funestas) que é capaz de transformar Gordon Gekko, outra personagem fictícia deste peculiar mundo dos yuppies, num voluntário caridoso. É claro que nem todas as partes das descrições torrenciais de Ellis puderam ser transpostas para o filme, mas o essencial manteve-se.


Uma das alusões na obra a figuras reais, mais presente no livro que na película, é o culto do peculiar universo que rodeia Bateman pelos bilionários ostensivos, em geral, mas com uma especial admiração: Donald Trump. Sim, Trump e as festas que ele dá, os locais que frequenta e os seus carros. Trump é o modelo, a bússola e farol, aquilo que esta mole de gente endinheirada, entediada e amoral pretende ser.

Recordei-me de novo do livro/filme e das suas alusões a propósito do primeiro aniversário da invasão do Capitólio por aquela horda estranhíssima e alucinada, que deixou como resultado cinco mortos e uma imagem de ultraje e vergonha à democracia americana, mais própria de um país do interior de África. Tinham vindo de vários pontos dos Estados Unidos, numa das alturas mais gélidas do ano, para ouvir o discurso de Trump em frente ao congresso. Um discurso aliás de acusação e de incitamento directo contra a câmara legislativa, na senda da não aceitação do resultado das eleições de dois meses antes e das alusões a supostas fraudes. As palavras eram demasiado explícitas para que não se possa ligá-las ao que sucedeu a seguir. Aliás, até parecia que alguns adoradores trumpistas, mesmo deste lado do Atlântico, já o estavam a pressentir, referindo-se a "demonstrações do triunfo do "America First" que iriam surgir em Washington. Até tinham razão, como se viu.


Trump flutua entre um instinto político eficaz e uma mitomania que se torna pública muitas vezes. Era sem dúvida este último sentimento que o dominava naquele dia. Provavelmente, no embalo daquele discurso a meio caminho entre um ditador sul-americano e o general Custer lançando ordens contra os índios, não previu que as consequências pudessem ser tão funestas. Mas foram (por pouco não o foram para o próprio Mike Pence) e são indissociáveis do seu discurso de raiva que levou aquela mole desvairada habituada a "informar-se" no Qanon a cometer um acto tão grotesco.


O contraste entre esta gente e a retratada em American Psycho é gritante, a começar pela forma de trajar e a acabar na capacidade económica. As respectivas mundividências também são abissalmente diferentes. O que as une é a admiração e a confiança quase ilimitada em Trump, embora por razões diversas. Mas é bem mais compreensível vinda dos segundos, já que Trump é ele próprio um símbolo do materialismo (e de muito exibicionismo, como se observa na sua Trump Tower e no seu avião, por exemplo) e da ganância de um lado mais perverso do "sonho americano", além de ser nova-iorquino e de ter vivido quase sempre na Big Apple. Já da parte dos invasores do Capitólio é bem menos lógico, pois falamos de gente mais proveniente do Midwest e do Deep South, menos cosmopolita e mais susceptível a propaganda e com muito menos poder económico. Trump e a fauna de Wall Street estão a anos-luz desta massa de proletários sem rumo, em muitos casos desprezando-os até, e são o oposto aos princípio cristãos (com uma interpretação muito própria do cristianismo, é certo, muito WASP) e aos modelos de família por eles defendidos.

Em suma, Patrick Bateman admira Trump não só pelas suas posses mas sobretudo por não olhar a meios para atingir os seus fins e por possuir um ego do tamanho do mundo - pela fortuna, antes de mais, e depois pelo poder político - o que o faz sentir-se quase uma divindade omnipotente perante os outros seres que o rodeiam. Combina o dinheiro, o poder e o sexo, a avaliar pelas suas bravatas. Aquela frase de que "podia dar um tiro a alguém na Quinta Avenida que não perdia um voto" seria certamente do agrado de Bateman e poderia perfeitamente ser dita por ele. Ao criar a personagem, Ellis pôs muito de Trump nela, embora não pudesse prever que uma tal levaria à invasão do Capitólio. Com a diferença de que Patrick sabe certamente muito mais de música popular contemporânea do que Donald.

sexta-feira, janeiro 08, 2021

Assaltar parlamentos


Ao ver as imagens do "índio" a encabeçar a invasão do Capitólio, só posso pensar que o slogan de Trump era afinal de contas "make America indian again" (desculpem não usar "first nations", como agora se usa em correctopolitiquês, mas realmente não ficava bem).

Aquelas imagens devem ter deixado todas as repúblicas das bananas a rir-se, ou pelo menos a sentir-se vingadas. Aliás isso já se viu através de comunicados da Venezuela. São imagens que esperaríamos que viessem de países assim.

Isto choca mais por ser numa das maiores, mais antigas e mais sólidas democracias liberais, com todos os seus defeitos. Mas já aconteceu antes, sim.

Em França, em 1934, uma massa de antigos combatentes, grupos nacionalistas, tradicionalistas (como na altura pujante Action Française) e fascistas tentou marchar sobre o parlamento, no que resultaram dezenas de mortos e feridos. Anos depois iriam na sua maioria colaborar com a ocupação alemã.

Em 1981, um grupo de militares espanhóis, comandados pelo pitoresco Tejero Molina e o seu chapéu da Guardia Civil, ocupou as Cortes de Espanha, com o intuito de instalar um novo regime militar-franquista, impedindo a tomada de posse do novo governo, e só se renderam quando o Rei Juan Carlos a isso os obrigou.
 
E mesmo em Portugal, em 1975, recorde-se o celebre episódio em que as "forças populares", isto é, alguns milhares de trabalhadores da construção civil, cercaram o parlamento por 36 horas, não deixando os deputados sair nem sequer para comer, excepto os das suas cores políticas. Depois disso, o então primeiro-ministro, Almirante Pinheiro de Azevedo, diria aquele icónico "fui sequestrado, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia".
 
Escusado será dizer que todas estas tentativas não pretendiam instalar nada de bom e acabaram por ser vencidas pela força das instituições e pela vontade popular, a autêntica, expressa nos votos.



sábado, setembro 12, 2020

Brechas súbitas em previsões a longo prazo


Só há umas semanas é que vi finalmente AI - Artificial Inteligence, de Spielberg. O filme data do Verão de 2001 e mostra como uma criança-robot pode adquirir emoções e capacidade de amar e sentir afeição pelos outros. É tocante e ao mesmo tempo perturbador, como é sempre que se toca nesta temática.

Mas o filme seria supostamente uma tentativa de antecipar o futuro. A certa altura, e para obter respostas, a criança artificial (Haley Joel Osment, o miúdo-actor daquele tempo) desloca-se pelo ar na companhia de Gigolo Joe (Jude Law no papel de um robot com função correspondente ao nome) até uma cidade abandonada e isolada por causa da subida dos oceanos, nos confins do mundo habitável, que não é outra senão Nova York. Um dos vestígios que restam por sobre as águas são as torres gêmeas do World Trade Center. As mesmas que, ironia cruel, ruiriam em pó e chamas semanas depois do lançamento do filme, passaram hoje 19 anos.
Convenhamos que para um filme supostamente premonitório esse desaparecimento tão precoce do futuro imaginado retira alguma credibilidade, embora mais por má fortuna do que por incapacidade de previsão. Mas tornou reais outros dos medos já tinham sido sublinhados noutros filmes-catástrofe. Veremos é se essa antevisão da inteligência artificial também não resistirá ou se pelo contrário contém algo de premonitório.

terça-feira, janeiro 31, 2017

Defender as fronteiras da good old América

 

Brigada norte-americana de bons costumes, leal ao Presidente Trump, impede a entrada nos Estados Unidos de forasteiros irlandeses de países muçulmanos (da Arábia Saudita não, também não é preciso exagerar), antes que eles conspurquem a nação com os seus hábitos e costumes religiosos odiosos, com as suas intenções malévolas e ameacem a liberdade reinante.

terça-feira, janeiro 24, 2017

O discurso de Trump


A tomada de posse de Donald Trump, mergulhada na polémica do início ao fim, e portanto fiel ao empossado, continua a fazer correr tinta, como seria de esperar. O número de populares, a forma como cumprimentou ou não cumprimentou, a ausência de artistas de primeira linha, a pobreza de vocabulário, o estilo eleitoralista e sectário, a maneira como se dirigiu aos que o rodeavam, o próprio baile que se seguiu, tudo contribuiu para intermináveis discussões que ainda se prolongam. Dois aspectos particularmente maus: o conteúdo do discurso em si e as manifestações contra. Proferiu uma miserável arenga de campanha, absolutamente divisionista, que em nada servirá para unir o país. Desfiou uma data de chavões, de frases feitas básicas e de slogans populistas, prometendo tudo e mais alguma coisa como se fosse mágico ou omnipotente. A frase que melhor resume é esta (referindo-se ao crime de rua): "this american carnage stops right here and stops right now". Até agora, não parece que o crime tenha desaparecido. E mais prometeu que se acabaria a desobediência com a polícia. Se as coisas já andavam tensas nessa matéria, é de esperar o pior (irá ordenar à polícia que massacre quem lhe desobedeça?). E o mesmo se aplica ao radicalismo islâmico, que prometeu "erradicar". E, como muito repararam, não se referiu uma única vez ao valores americanos nem aos founding fathers ou a qualquer outra figura histórica.

Eis a face de Trump, e os seus aspectos mais negativos: mais do que o ar de boss e a inspiração em alguns dos piores aspectos dos Estados Unidos, mais do que a incapacidade discursiva e o ar de gorila alaranjado, é esta convicção de que tudo pode e de que não tem de ouvir ninguém, ou pelo menos ninguém fora do seu círculo, que o torna mais perigoso. Já é o Presidente americano e já demonstra todo a sua incapacidade e falta de estaleca para o cargo. Pormenor lateral mas ilustrativo: o tipo nem sabe apertar devidamente o casaco e apresentou-se ao mundo com a gravata a esvoaçar.

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E depois o outro aspecto negativo, esse nos antípodas: as manifestações violentas de grupelhos como o Black Bloc, que para onde vão, divertem-se a partir montras e carros e a atirar objectos à polícia. Tendo em conta que em Washington quase ninguém votou em Trump, é caso para perguntar qual é a culpa das montras. Claro que não é nenhuma, mas é o pretexto mínimo para que grupos de marginais e cultores de violência urbana possam dar azo aos seus passatempos. Depois não admira que parte da população vote nos Trumps desta vida, que prometem a erradicação do crime e da violência das ruas. São alimento recíproco e pasto para disparates dos dois lados. No fundo estão todos bem uns para os outros.

quarta-feira, novembro 09, 2016

Notas de umas presidenciais surpreendentes


Com poucas horas de sono, mas bastantes certezas desde que a Pensilvânia alterou o sentido de voto, acho que já posso tirar algumas conclusões destas presidenciais americanas.


Os EUA elegeram como presidente um tipo que andou anos a tentar provar em vão que Obama não era um verdadeiro americano. Era improvável mas não impossível que ganhasse, tal como o Brexit. Definitivamente, e para quem tinha dúvidas, as sondagens perderam qualquer credibilidade, sobretudo quando há candidatos mais politicamente incorrectos que original o tal voto oculto.



Agora, com esta criatura na Casa Branca (escudado por uma maioria legislativa que mesmo que não concorde com ele ser-lhe-á, pela obrigação dos factos, fiel), a conviver - até ver - com Putin, com o Reino Unido em processo de saída da UE, com uma crise que tarda em acabar no Médio Oriente e outra congelada na Ucrânia, com a China a entrar em conflito com os vizinhos do Pacífico, isto promete aquecer. Esta é a época dos Trumps, Putins, Farages, LePens, Dutertes, Grillos e Iglésias, e só essa comboio de nomes inquietantes diz tudo. Parece que são todos "contra o sistema", seja lá isso o que for. Nos anos trinta também tínhamos dois tipos de bigode e "contra o sistema" à frente dos respectivos países, além de outros compagnons de route. Os resultados são conhecidos.



Sim, Trump não vai propriamente incendiar o Capitólio, mas com todos os ovos no mesmo cesto, os "checks and balances" que sustentam a democracia americana serão menos sólidos.
Quanto a Hillary Clinton, fica com o rótulo de uma das maiores perdedoras da história dos EUA, primeiro com Obama, nas primárias democratas, agora, incrivelmente, com Donald Trump. Clinton não é menos diabolizada que o vencedor destas eleições. Mesmo não inspirando confiança nem particular simpatia, não esqueço que os mandatos em que serviu como primeira-dama e inspiradora foram dos tempos mais seguros e optimistas que o Mundo já viveu.

A única certeza que há é que Obama vai deixar saudades.

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quinta-feira, junho 16, 2016

Conselhos com telhados frágeis


Curioso como depois dos avisos dos americanos de que havia um risco elevado de atentados jiadistas no Europeu de França se dá um atentado do género em Orlando, nos Estados Unidos, na altura em que decorre lá a copa América. às vezes convém olhar para a própria casa antes de se dar conselhos a outros, por muito bem intencionados que sejam.
Mas como a Copa América continuou a decorrer sem que ninguém pensasse em medidas especiais, conclui-se que o tal entusiasmo crescente dos americanos pelo "soccer" é mais aparente do que real. Ou alguém imagina que se algum jiadista tresloucado se pusesse a disparar numa discoteca gay em França isso não teria implicações na segurança (e histeria) do Euro?

PS: claro que o brutal assassínio do polícia e da sua mulher, com o filho ao lado, nos arredores de Paris, por mais um desvariado islamita como muitos outros que por aí andam camuflados, tem de ser contabilizado como atentado.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Cuba libre?



O anúncio do reatamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba, entra seguramente para o pódio das notícias mais importantes do ano (a nível internacional, se quiserem), numa semana em que não foram particularmente animadoras, com o horrível atentado que custou a vida a mais de cem crianças nesse repositório de loucos que é o Paquistão. O fim de uma prolongada hostilidade separada por poucas dezenas de quilómetros é plena de significado, e já teve alguns resultados concretos, como a libertação de três cubanos e de um americano, presos por espionagem. Também as relacções bancárias e viagens directas de um país para o outro serão retomadas. O tão falado embargo terá o seu fim se o Congresso o aprovar, o que com uma maioria republicana não muito para aí virada não deve ser propriamente um dado adquirido.

Mas a abertura da ilha e o degelo com os vizinhos são inevitáveis. Os beneficiados são desde logo os desgraçados que se lançam em balsas com a esperança de alcançar a Flórida, que muitas vezes ficam pelo caminho. Depois, a esperada liberalização política chegará provavelmente a Cuba, porque só o embargo e o discurso à volta dele suporta um regime que tem resistido surpreendentemente em mais de vinte anos à queda da URSS. Acaba também um foco de tensão com mais de cinquenta anos, os EUA limpam uma mancha e de certa forma largam algum lastro moral. E mais uma vez se demonstra que a diplomacia do Vaticano, que estabeleceu pontes entre os dois inimigos, continua a ter uma influência preponderante e com resultados notórios, depois das visitas de João Paulo II e Bento XVI à ilha, prosseguida depois por Francisco, em cujo dia de anos se tornou pública a grande notícia (propositadamente?). O Vaticano talvez não tenha divisões militares, como jocosamente ironizava Estaline, mas além de ter assistido aos desmoronar do estalinismo e sucedâneos, mantém pelos séculos dos séculos uma diplomacia mais eficaz que qualquer outra.

Haverá quem desconfie, quem seja prudente ou que ache que há aqui lirismo a mais, mas seja como for, a novidade é boa para todos. Só não será para os cínicos e os fanáticos, desde os comunistas inamovíveis saudosos Cominform e de Che Guevara e que nunca aceitarão a "capitulação ao imperialismo" até aos obtusos republicanos americanos que lamentam o "estabelecimento de relações com um regime totalitário", talvez esquecidos das que os EUA têm com a encantadora Arábia Saudita. Passando, claro, pelos cubanos de Miami, que na sua maioria vêm com apreensão as novas relações entre vizinhos. Será que não têm familiares na ilha que gostariam de rever? Ou que pensam que as relações dos últimos 50 anos deram algum tipo de resultado? Uma coisa é certa: a partir do dia 17 de Dezembro, Cuba ficou com certeza mais livre.


quinta-feira, julho 17, 2014

Little Joy

Little Joy é o projecto musical que resultou do encontro entre Rodrigo Amarante, guitarrista dos brasileiros Los Hermanos, e Fabrizio Moretti, baterista brasileiro dos americanos The Strokes, ao que consta em Lisboa, no festival Soundz (que se perdeu, com outros, na imensidão da oferta), em 2006. Reencontraram-se nos Estados Unidos, quando os Hermanos decidiram hibernar, e lançaram o projecto, juntando-se-lhes a namorada de Moretti, a multi-instrumentista Binky Shapiro. Desta colaboração em trio resultou o álbum Little Joy, editado pela mítica Rough Trade, de uma pop alternativa suave com laivos de tropicalismo. Um bom encontro entre o Rio de Janeiro dos Hermanos e a Nova York dos Strokes, com uma música que emana sentimentos de "pequena felicidade" que faze jus ao nome do trio. Uma pequena homenagem ao Brasil, agora que a festa acabou.

segunda-feira, julho 08, 2013

Para uma belíssima história de espionagem (real)


As histórias de espionagem têm sempre umas lascas de romance amoroso ou de humor. A da fuga de Edward Snowden para países pouco dados à liberdade de expressão, além de irónica, parece querer juntar uns pozinhos que a podem tornar ainda mais apetecível: agora é Anna Chapman, a "Mata-Hari russa", a sensualíssima espia presa nos Estados Unidos e recambiada para a Rússia numa troca de espiões, que se quer casar com Snowden para que este adquira cidadania russa que impeça qualquer extradição para os EUA. O americano, que está há vários dias na zona de trânsito do aeroporto de Moscovo, não se negou a este plano (e alguém o pode criticar?), que pode pôr fim à sua fuga. Chapman já tem uma história que seguramente dava um bom livro ou filme (rave partys e casamentos em Inglaterra, espionagem em Nova York, actividades na juventude do partido do poder na Rússia como recompensa, etc), e esta novidade promete um bom desenvolvimento. Espera-se que John Le Carré ou qualquer autor de semelhante gabarito se cheguem à frente para redigirem esta belíssima (como a protagonista) história de espionagem que já está praticamente escrita.
 
 
 
 
 

sexta-feira, dezembro 28, 2012

Norman Schwarzkopf R.I.P.


Há vinte e dois anos, o Koweit tinha sido brutalmente anexado pelo Iraque de Saddam Hussein, que considerava o emirado uma província iraquiana, e uma extensa coligação militar multinacional, comandada pelos Estados Unidos, que envolvia a maior parte dos países árabes e europeus (sendo Portugal a notável excepção), com base na Arábia Saudita, preparava-se para o fim do prazo do ultimato dado ao Iraque para retirar. Em Janeiro, como tal não acontecesse, desencadeou-se uma fortíssima e rápida operação, com o nome de Tempestade do Deserto, em que esquadrilhas de aviões bombardearam alvos cirúrgicos no Iraque, destruindo os quarteis-generais militares, os palácios de Saddam e a força aérea iraquiana. Tropas terrestres entraram depois em acção, derrotando "o quarto maior exército do Mundo" na "mãe de todas as batalhas", como soberbamente lhe chamava Saddam. Ficaram célebres as imagens de soldados iraquianos pedindo rendição nas dunas do deserto. Em poucas semanas, os iraquianos estavam repelidos, o Koweit livre, e a força multinacional decretava o fim das hostilidades, não sem que antes alguns soldados do Iraque matassem civis e ateassem fogo aos poços de petóleo, por vingança. A Guerra teve uma cobertura televisiva nunca vista até aí, através da CNN. No liceu onde estudava na altura, a excitação era tanta que até se acendeu um aparelho de tv no bar. Os militares da coligação multinacional eram então os nosso heróis de carne e osso.

Norman Schwarzkopf era o chefe desse coligação, o estratega da Tempestade no Deserto, graças à qual se infligiu uma pesadíssima derrota ao temível exército iraquiano e às ameaças de Saddam, mas que soube fazer cessar as operações de guerra quando os objectivos de libertar o Koweit estavam cumpridos. Depois disso, afastou-se da carreira activa das armas, e recusou os lugares políticos que lhe ofereceram. Ainda que republicano, teceu críticas à invasão do Iraque, em 2003, numa guerra à qual faltava a legitimidade que ele tinha quando traçou o estratégia vitoriosa em 1990. Morreu hoje, aos 78 anos, um dos últimos grandes generais americanos, da craveira de um Patton, de um McArthur ou de um Eisenhower. Dificilmente se encontram nos últimos trinta anos outros cabos-de-guerra que se lhe possam igualar.
 
 

terça-feira, novembro 06, 2012

Sim, também gosto mais de um candidato, mas quem vota são os americanos



À hora a que escrevo ainda se vota nos Estados Unidos para se saber qual será o inquilino da Casa Branca dos próximos quatro anos - e parece que por causa da tempestade Sandy ainda se vai votar mais uns dias em Nova Jérsia.
Em Portugal e presumo, na maior parte das nações mundiais, Barack Obama já teria sido reeleito por larguíssima vantagem. Claro que o voto cabe aos americanos, que por razões culturais, sociais, ideológicas, e tantas outras, dividem o país nas cores azul e vermelha, deixando as migalhas aos outros candidatos, quase sem expressão. É estranho que há oito anos, no dia das eleições, Bush Jr tivesse a sua reeleição praticamente assegurada, e que agora Obama esteja no fio da navalha. é verdade que o actual presidente americano chegou a Washington quase como um Messias que iria resolver os problemas da América e daí consertar o Mundo. O carisma, o talento oratório e o especial facto de enorme simbolismo de ser o primeiro presidente não-branco dos USA potenciaram essa imagem, que acumulou com um estrambólico Nobel da Paz de carácter "preventivo" ou ilusoriamente antecipatório. Como se descobriu depois, Obama não vinha do Olimpo, mas de Chicago, e é um mortal, apesar de excepcionais qualidades. Chegado ao topo no início da terrível crise do subprime, jamais poderia fazer milagres.
 
Conseguiu provavelmente salvar o grosso da indústria automóvel sediada em Detroit injectando-lhe largas somas, lançou as bases de um sistema público de saúde, preparou a saída das tropas americanas do Afeganistão até 2014 e abateu o inimigo nº 1 da América, Osama Bin Laden, numa operação digna de filme de acção. Mas a "revolução conservadora" de Reagan conquistou boa parte dos Estados Unidos, e os americanos, como é sabido, não ligam tanto a questões externas, ou não tivesse Clinton derrotado Bush Sr. (que tivera um grande Êxito no Iraque) com o bordão It´s the economy, stupid. A economia continua com crescimento débil, e parece que a velha máxima de que "o que é bom para a General Motors é bom para a América" já estará desactualizada, menos na decrépita Detroit. Lembremo-nos ainda que muitos americanos acham que Obama é um infiltrado muçulmano, um socialista, e outras vilanias mais.

É notável que Roomney tenha chegado ao ponto de se bater taco a taco com Obama. Mórmon, governador do Massachussets, olhado com desconfiança pelos evangélicos mais fundamentalistas e pelo Tea Party, por não ser especialmente radical e usar um discurso que se aproxima do neoconservadorismo, teve uma árdua luta para vencer adversários mais conhecidos e "mais conservadores". É visto na Europa como um milionário que só tem os votos da gente "fundamentalista", "ignorante" e "rural", como se tal simplismo não fosse também sinal de ignorância.  Agora está a poucas horas de saber se vai ou não viver para a Casa Branca.
 
O meu desejo? Obama, pois claro, porque gosto do homem de que ouvi falar pela primeira vez na noite da reeleição de W. Bush, em que ele próprio conseguiu o lugar de senador, e porque sem necessidade de ser reeleito fico à espera de saber o que faz. Mas eu sou português. Sei lá em que é que votaria se vivesse no Kentucky...
 

PS: Yes, He could again. Hardly, but he could.

segunda-feira, março 12, 2012

É preciso que uma ou duas coisas mudem...


...para que tudo fique na mesma (cortesia de Giuseppe Tomasi di Lampedusa).

(Ainda existirá o heliporto no topo?)