terça-feira, maio 19, 2015

Trinta e quatro


E pronto. Depois de muita indefinição e nervosismo, chegou mesmo o tão aguardado bicampeonato e o ansiado 34. Com as vendas maciças do Verão e uma pré-época penosa, somados ao imenso reforço e investimentos do Porto, ninguém acreditaria que se pudesse revalidar o título. Mas conseguiu-se. Algumas contratações no fecho do defeso (Jonas e Júlio César, internacionais brasileiros e opções de curto prazo fundamentais, e Cristante, aposta para o futuro) e, há que admiti-lo, a saída precoce das competições europeias e da Taça ajudaram ao desfecho no campeonato. Mas acima de tudo, os erros dos adversários, sobretudo do patético basco que Pinto da Costa se lembrou de colocar à frente da equipa, com cujo nome todos gozam, e a experiência (que lhe permite corrigir alguns erros antigos) de Jorge Jesus, foram os grandes ingredientes que trouxeram o campeonato para a Luz. A vitória no Dragão, com um bis de Lima, e o empate ao cair do pano em Alvalade são talvez os momentos chave da época (o soporífero Benfica-Porto também ajudou). Assim, um Benfica sem grande rasgo mas com realismo e sentido prático acabou por superar todos os outros. Em Guimarães, viu-se um jogo pobre, em que os nervos visivelmente traíram os jogadores, mas a haver um vencedor, deveria ser o Benfica. Mas nem se precisou disso, graças à incompetência portista, em especial da sua defesa e do seu técnico, de tal forma que até se ajoelhou, devolvendo a piada que os portistas tanto faziam sobre Jesus naquele famigerado jogo do Kelvin (fico a pensar se aquele jogo não será uma espécie de canto do cisne da hegemonia portista).

O título está entregue e bem entregue. Apesar disso, continuamos a ouvir o mau perder do insuportável Lotopegui, um tipo que não trouxe nada ao futebol português  e desperdiçou tudo o que lhe deram, nas teses do "colinho" de uns tweets quaisquer que o FCPorto entretanto inventou (já agora, colinho é uma palavra extremamente irritante: ao menos nós usamos "fruta" ou "roubalheira", sempre é mais directo), porque o Benfica teve não sei quantos adversários expulsos (repare-se que o que conta para eles não é a justeza das expulsões, mas a estatística), embora não contem os penaltys que ficaram por marcar a nosso favor. enfim, teses dos senhores que refutam os casos Calheiros e as escutas ou para quem as estatísticas dos penaltys de Jardel (ou goleador, não o central) já não contam. Isso, claro apoiados por uma quantidade infinda de comentadores para quem a expulsão de um jogador do Arouca que derrubava Lima quando este se isolava era "mais do mesmo" e que na semana seguinte, no caso inverso, aplaudiam a decisão de expulsar Luisão. Ou da figura patética e retórica de Rui Santos, que mostrava uma "rigorosa" liga verdadeira, tentando revelar que o Benfica andava a ser beneficiado porque não sofria penaltys, omitindo incrivelmente os que não marcavam a favor das águias (e foram muitos). Tristes figuras de quem a história certamente não rezará.

O que fica é mais um campeonato, o 34º, e as imagens da festa, com alguns desacatos pelo meio. Sobre isso falarei depois. Ficam as imagens que realmente contam.


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