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terça-feira, agosto 13, 2024

Tristes ironias olímpicas

Não me consigo decidir se a morte de José Manuel Constantino, presidente do COP em dia de encerramento de Jogos Olímpicos, para mais aqueles em que Portugal obteve os melhores resultados de sempre, algo inesperados, é de uma ironia cruel ou de justiça poética. Porque se por um lado soa a injustiça, por outro um dirigente olímpico não devia pedir melhor dia para morrer, caso escolhesse, do que o cair do pano de uns jogos olímpicos com troféus assinaláveis, para os quais certamente contribuiu. Espero que pelo menos tenha conseguido ver a magnífica vitória de Leitão/Oliveira em Madison, de que eu próprio só apanheio o final.

E os JOs acabaram com uma cerimónia que, pela ausência de falatório, não se deve ter revestido das polémicas blasfemas" e "terroríficas" (para mim o ponto baixo é a parte da cabeça de Marie Antoinette a cantar o "Ça ira"), com a chama olímpica a deixar a Montgolfière no cenário imponente das Tuilleries/Louvre e a passar o testemunho a Los Angeles.
E por falar em medalhas portuguesas e Los Angeles: passaram hoje precisos 40 anos que Carlos Lopes ganhou a medalha de Ouro ao ganhar a maratona num novo tempo recorde, aos 38 anos e semanas depois de ter sido atropelado. Um dos maiores feitos desportivos portugueses, na cidade que voltará a acolher os jogos daqui a 4 anos

sexta-feira, julho 26, 2024

Jogos, política e efemérides

Há semanas acabou o Euro 2024 no Olímpico de Berlim. Hoje começam os Jogos Olímpicos em Paris, 100 anos depois da mesma competição na mesma cidade.

O dito estádio serviu de cenário à dita competição nos famosos jogos de Berlim em 1936, dos mais politizados de sempre, com Hitler a sair da tribuna para não condecorar o atleta negro Jesse Owens. Foram amplamente testemunhados, filmados e documentados por uma senhora cuja biografia acabei de ler há dias e que deve ter sido das últimas intervenientes do evento a ainda viver no século XXI.



Adenda: Vi um pouco da cerimónia de abertura dos jogos Olímpicos, sobretudo para ver a equipa portuguesa. O desfile no Sena teve pompa e originalidade, mas há lá coisas que se dispensavam. A dada altura, houve uma sequência de homenagens a algumas das mais ícónicas mulheres francesas. Estive à espera de Joana d'Arc, mas nada. Seria Simone de Beauvoir mais importante? Muito antes da "republique" já havia França.