quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Óscares 2013


Pareceu-me um sentimento quase generalizado, mas este ano pouco me interessaram os Óscares. Fosse pela safra de menor qualidade, pelo desconhecimento do que ia a jogo, ou por raramente constituírem surpresa, não dediquei muito do meu tempo à cerimónia e aos resultados. Ainda assim, vi o resumo que habitualmente a TV dedica ao acontecimento da "Academia". Não fazia a menor ideia quem era o apresentador, e só depois é que soube que era o argumentista do filme em que o urso de peluche ganha vida e se torna no melhor (e mais javardo) amigo de Mark Whalberg, que andou pelos cinemas há pouco tempo. Umas piadas com mais ou menos graça, uns números de dança banais para "celebrar os musicais", e dois vídeos hilariantes (o das "we saw your boobs" e a recriação de Flight com marionetas feitas de meias), assim se resumiu a apresentação do evento.
 
Nos vencedores, a vitória de Daniel Day Lewis pela sua interpretação de Lincoln, que lhe deu um inédito terceiro Óscar de Melhor Actor (ele, que entra em filmes de 3 em 3 anos e que promete não ficar por aqui) foi uma não-surpresa; o contrário é que teria deixado todos de queixos no chão. Um filme sobre um presidente americano com uma imensa carga mítica e simbólica, realizado por Spielberg e protagonizado por Day-Lewis estaria fatalmente votado ao sucesso. E no entanto, poucas distinções levou. Era dos poucos filmes a concurso que tinha visto; não é exactamente um biopic, nem um épico, mas antes uma fita sobre os procedimentos políticos, incluindo os mais duvidosos, para defender as causas mais nobres (José Dirceu, do "Mensalão", pode usar o filme na sua defesa no tribunal). E a par de Day-Lewis, as outras interpretações são também muito conseguidas. Sally Field já tem alguns Óscares para decorar a lareira, e decerto não se importará de ter perdido para Anne Hathaway; mas provavelmente houve quem se importasse, porque o prémio deveu-se a umas cenas desesperadas num musical integral sobre os Miseráveis de Victor Hugo, que é, ao que tudo indica, uma valente pessegada. Qualquer uma das concorrentes merecê-lo-ia com mais distinção.
 
Amour também não surpreendeu ao ganhar o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Não sou grande fã de Michael Haneke e preferia que este seu último trabalho tivesse ganho outro galardão: o de Melhor Actriz para Emmanuelle Riva, a protagonista de Hiroshima Mon Amour. Assim não o entendeu a "Academia", que deu o prémio à jovem (sessenta e dois anos de diferença para Riva), engraçada e para mim desconhecida Jennifer Lawrence, esperando que a sua carreira não despenque agora por aí abaixo.

Antes de Haneke, outro austríaco ganhou o Óscar de Melhor Secundário: Cristoph Waltz, de novo por um Tarantino, Django Unchained. Não sou também grande fã dos esguichos de sangue e de lutas em que vale tudo sobretudo tirar olhos, mas as actuações de Waltz costumam ser convincentes, e o filme era tudo menos politicamente correcto.
Ang Lee também ganhou (de novo) o galardão de melhor realizador, ele, que partiu de Taiwan e é agora um dos mais respeitados em Hollywood. E Ben Afleck, que nem estava nomeado para esse prémio, acabou por ficar com o de Melhor Filme pelo seu Argo, uma obra muito interessante e inteligente, com excelente fotografia, interpretações competentes e à qual nem falta suspense qb. Valeu até pelo seu discurso engasgado. E, claro, é sempre bom ver a outrora tão sofredora Adele ser galardoada com um Óscar, principalmente nas bodas de ouro de James Bond, pela sua envolvente Skyfall.


A reter: um conjunto de filmes estrangeiros que me pareceram interessantes (sobretudo o da famosa saga do norueguês Thor Heyerdahl pelo Pacífico, que espero que seja exibido nos cinemas de Portugal). E o facto de finalmente haver portugueses ligados a filmes vencedores de Óscares: a proeza coube a Rita Blanco, que faz de "concierge" em Amour. Mais sinais portugueses do que este é impossível.

2 comentários:

Freddy disse...

Este ano, ao contrário do normal, não vi os Óscares tendo aproveitado a virtude da boxTV para gravar o evento e ver na noite seguinte com a possibilidade de avançar nos intermináveis anúncios e partes da gala que não interessam nem ao Charlot... O único momento a reter foi mesmo a cena das peúgas a recriar o Flight. Para quem viu o filme, é impossível não chorar a rir com aquela simplicidade! De resto, fraquinho!

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